A morte das “élites”.
Num regime democrático, dotado de eleições livres, o conjunto de detentores de lugares políticos eleitos, ou de lugares na dependência destes, pode ser integralmente substituído aquando de actos eleitorais.
Numa economia de mercado, a mudança das preferências dos consumidores pode levar a alterações dramáticas na importância de companhias produtoras dos mais variados tipos de produtos.
A democratização da cultura, com o acesso a produtos culturais por parte de grande parte da população, veio colocar um termo ao tempo em que poucos sabiam sequer ler e escrever, tempos nos quais, em consequência, a cultura era reservada aos cultos.
No nosso tempo, idealmente, deverá ter deixado de fazer sentido falar em “élites“, esse corpo mal definido de cidadãos do qual alguns aguardam que, à maneira de um Ciro, o país (cada país) seja conduzido à conquista de uma nova Babilónia. Esse corpo, de contornos ignotos, capaz de concitar as esperanças mais vãs, está defunto. A sua procura produzirá, com toda a probabilidade, os mesmos resultados que a procura do Graal.
Ultrapassados estão os tempos em que V. Pareto defendeu que “the history of man is the history of the continuous replacement of certain elites“. Como notou J.A. Schumpeter, o capitalismo caracteriza-se pela sua acção sobre as estruturas económicas, “incessantly destroying the old one, incessantly creating a new one“. Nessas condições, a posição relativa de cada um na sociedade está continuamente em mutação. No actual contexto, tal processo deveria transportar para o passado “classes”, “castas” e “élites“.
Na transição do segundo para o terceiro milénio, a História registará a morte das “élites“. Mortas de morte natural, sem ocorrência de qualquer forma de violência. Mortas pelo Mercado e pela Democracia, ou seja, pelo consumidor e pelo votante, o mesmo é dizer, por todos nós, com alguma ajuda da televisão e da Internet.
Descansem em paz, diríamos. Porém, há quem não se conforme com a democratização do poder: rejeitando a Democracia directa, ou seja, o referendo; impondo um sistema partidário sem renovação, no qual a alternância pode efectuar-se entre os detentores do poder e quem os precedeu; limitando, de uma forma geral, a concorrência; escolhendo, em nome dos cidadãos, os prestadores de serviços semelhantes de que estes últimos beneficiam; limitando a igualdade de oportunidades, em função de nepotismo ou filiação comum, de índole variada.
Contudo, e infelizmente para as “élites“, os dados estão, de facto, lançados. As “massas”, entretanto transfiguradas em consumidores e votantes, agarraram já, de facto, grande parte do poder. A Liberdade significa o fim das “élites“, razão pela qual os defensores destas últimas lhe são, com frequência, contrários. Liberdade, entre outros aspectos, de estimular a criação e a invenção, ou, de uma forma mais geral, de estimular a inteligência humana.
Existem ainda “élites“, no sentido de V. Pareto? Sem dúvida que sim, nos países e territórios não democráticos, bem como em democracias que funcionam defeituosamente. Tal como atrás exposto, a presença de “élites” funciona como uma marca de algo – de falta de Liberdade.
José Pedro Lopes Nunes
Vilamoura, Julho de 2005.

Élites? Élites?!!
Julguei que fosse lapsus calami, mas vejo que é lapsus a sério.
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É a nova hortographia.
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Muitos, mesmo muitos pontos discutíveis neste “sumário” do JPLN.
A globalização económica é, também, em alguma medida, uma globalização do poder. Significa que são cada vez menos os senhores do poder, ou não será, e neste sentido, por que não chamar-lhes as élites do poder? Não se entende então o “manifesto liberal anunciado pelo JPLN de morte às élites”, ou não será?
Numa economia de mercado, mas onde está a economia de mercado? Não será que precisamente a “globalização” é a certidão de óbito da economia de mercado.
Mortas de morte natural, sem ocorrência de qualquer forma de violência. Mortas pelo Mercado e pela Democracia, ou seja, pelo consumidor e pelo votante, na verdade só um neoliberal é capaz de confundir “mercado” com “consumidor”. Só um neoliberal é capaz de confundir coisas tão distintas.
Quanto à democracia,a democracia económica limitada e reduzida à medida que avança a globalização, resultará igualmente e como corolário na “redução” da democracia económica.
As “massas”, entretanto transfiguradas em consumidores e votantes, agarraram já, de facto, grande parte do poder.Será? Ou pelo contrário estarão cada vez mais afastadas das decisões politicas importantes que controlam o mundo? Será que decidiram sobre a intervenção no Iraque? Ou outras decisões politicas importantes à escala mundial? Ou será que são precisamente as élites mundiais que estão a decidir à revelia dos “consumidores e votantes”?
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Rectifico
Quanto à democracia,a democracia económica limitada e reduzida à medida que avança a globalização, resultará igualmente e como corolário na “redução” da democracia política.
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JPLN,
sofre de autismo ou é inocência pura? ou ambas?
num período em q assistimos a um dominio avassalador das elites sobre os demais, numa altura em q as elites mais se têm mexido para fazer valer os seus interesses, o JPLN avança com um repost de algo q já em 2005 era ridiculo, quanto mais agora. o cidadão tem mais acesso a informação sim, mas também está mto mais formatado, desligado e desiludido com a politica, fazendo com q o trabalho das elites seja bem mais fácil. aliás, aquilo q tem vindo a acontecer debaixo do nariz de todos, e em q ninguem faz caso, ninguem se mexe, ninguem questiona, acho q é um bom exemplo da letargia das massas, e do dominio das elites. agora, entenda-se, elites nao é gente com dinheiro, elites é gente com poder, verdadeiro poder, poder suficiente para influenciar os politicos a legislar consoante a sua agenda pessoal, por exemplo. é isso q chamo de elites. o resto é malta com a mania q tem pedigree, as pseudo-elites.
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As élites têm élitros?
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“Não será que precisamente a “globalização” é a certidão de óbito da economia de mercado.”
?????
A globalização iniciou-se no século XV, com os portugueses. Desde então tenho visto cada vez mais economia de mercado.
Confesso que de nenhuma forma consigo perceber essa afirmação. Com que argumentos a sustenta?
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essa coisa não existe em portugal. aqui existem barões e tubarões
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A globalização iniciou-se no século XV
Mas que raio de disparate é este?
A globalização corresponde aos interesses dos monpólios e das oligarqiuias financeiras mundiais, a partir do seu mais avançado estadio que amadureceu a partir dos anos sessenta. Os monopólios liquidam o mercado.O capitalismo de mercado está a transformar-se num capitalismo monopolista que é antagónico ao mercado.É a fase suprema do capitalismo, agora amadurecido, e quanto a isto não há volta a dar-lhe. O mercado, tal como o conhecemos , regulador dos preços pela oferta e procura, deixará num futuro próximo de fazer sentido.
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