Saltar para o conteúdo

O “partido autárquico” e a agenda “liberal e reformista” III

12 Maio, 2008

Em resposta ao meu último post desta série, Bruno Alves responde o seguinte:

Ao contrário do que o João diz, eu não me referi ao “carácter” de nenhum político (nem a um suposto “carácter impoluto” de Ferreira Leite nem ao “corrupto” de outro qualquer), e também não disse que não há “interesses” pouco “liberais e reformistas” no PSD nacional. O que disse foi que a prática política do “partido autárquico” (quer em muitas das autarquias dominadas pelo PSD, quer na liderança de Menezes) denunciava uma estratégia que era incompatível com qualquer “liberalização” do país[…]

Bruno Alves pode não utilizar juízos subjectivos de carácter ou  indícios subjectivos de corrupção, mas a questão fundamental mantém-se. Em detalhe, como é que se parte da observação da prática política do “partido autárquico” para a conclusão que ela é incompatível com a liberalização do país? Por exemplo, o que há de iliberal na prática política de Menezes em Gaia ou de Fernando Ruas em Viseu? Outra questão relevante é saber se a prática política do partido autárquico indicia, no que diz respeito à liberalização do país, alguma coisa de diferente do que a prática do partido do grupo de Ferreira Leite indicia. Não reconheço ao partido representado por Ferreira Leite práticas particularmente liberais. Por exemplo, em que é  que Ferreira Leite é mais liberal que Fernando Ruas? Será na questão da regionalização? Finalmente, interessa ainda discutir se o país será liberalizado apenas porque a prática política de um dado partido é liberal. Eu defendo que não. O país será liberalizado, se alguma vez o for, quando a competição entre práticas políticas não liberais levar à emergência de um país mais liberal. A contribuição do partido autárquico para o liberalismo não resulta directamente da sua prática política mas da sua posição estratégica. O partido autárquico desempenha o mesmo papel que a Nobreza representava na Idade Média. A sua existência coloca o poder central em cheque. O partido autárquico representa interesses que de outra forma não participariam no jogo político. A introdução destes interesses no jogo político quebra o equilíbrio do Bloco Central e poderá obrigar ao reposicionamento dos actores políticos. O reposicionamento dos actores políticos abre as portas à entrada no jogo político de novos actores e de novas ideias que por sua vez poderão levar a uma maior liberalização do país.

6 comentários leave one →
  1. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    12 Maio, 2008 11:50

    O que há de iliberal é que a maioria do dinheiro vem dos impostos do Governo Central e não dos impostos dos munícipes, logo há uma lógica clientelar sem consequências directas. Querem mais dinheiro mas não querem as consequências políticas de tal decisão.

    Gostar

  2. Desconhecida's avatar
    JoãoMiranda permalink
    12 Maio, 2008 12:06

    ««O que há de iliberal é que a maioria do dinheiro vem dos impostos do Governo Central e não dos impostos dos munícipes,»»

    Quem decide e é responsável pelo sistema fiscal não é o poder local. Quanto muito isso denota iliberalismo do poder central. De resto, de acordo. O sistema fiscal é um problema que gera distorções. Diga-se, que a lógica clientelar não está compartimentada nas autarquias. O sistema fiscal também serve para que o poder central controle o poder local.

    Gostar

  3. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    12 Maio, 2008 12:36

    O iliberalismo do poder central não mascara o poder local, aliás uma parte dos que estão no poder central vieram do poder local. Não se vê nada no poder autárquico onde haja quem reclame mais liberdade( o que necessáriamente implica mais responsabilidade)

    Gostar

  4. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    12 Maio, 2008 12:38

    Em parte de acordo mas o iliberalismo do poder central não invalida o do poder local, aliás uma parte dos que estão no poder central vieram do poder local. Vê-se pouco no poder autárquico onde haja quem reclame mais liberdade( o que necessáriamente implica mais responsabilidade), assim funcionam como uma Região Autónoma á escala Municipal.

    Gostar

  5. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    12 Maio, 2008 12:39

    Peço desculpa pela repetição.

    Gostar

Trackbacks

  1. O “PSD autárquico” e a sua incompatibilidade com uma agenda “liberal e reformista” (3) « O Insurgente

Indigne-se aqui.