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Credibilidade

12 Maio, 2008

Em 2002, Manuela Ferreira Leite promoveu um perdão fiscal para reduzir o défice. A medida foi, por si só, uma forma de descredibilização do Estado e do sistema de justiça. Constituiu um sinal para os contribuintes que não cumprir a lei compensa. Mas o mais interessante aconteceu a seguir. Algum tempo depois, os jornais descobriram que o perdão fiscal não isentava quem o aproveitou de um processo em tribunal. Confrontada com esta fraude, Ferreira Leite não se impressionou. Não se sentiu culpada por ter enganado os contribuintes nem por ter contribuido para degradar ainda mais a credibilidade do Estado. Optou por se gabar do seu feito dizendo: “o dinheiro já cá canta”.

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12 comentários leave one →
  1. 12 Maio, 2008 11:22

    É o pragmatismo. Os princípios não são necessários para nada. Princípios, “who needs them”? O pragmatismo nada mais é que um acto de capitulação intelectual, renunciando aos seus próprios valores. Interessa apenas agir de modo imediatista. Que os actos presentes tenham consequências sobre acontecimentos futuros, isso é perfeitamente indiferente ao pragmata. De acordo com as suas convicções, a realidade é uma sucessão de acontecimentos aleatórios que se sucedem de forma independente, sem nexo de casualidade entre as decisões de hoje, e as suas implicações futuras. Confrontado com a deriva da sua estratégia, o pragmata apenas se preocupa em mergulhar na espiral do imediatismo autista.

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  2. 12 Maio, 2008 11:39

    O link vai dar ao Google e ao grupo parlamentar do PS, onde Santos Silva escreve da Leite:
    Disse mais ou menos isto: “Pouco me importa, o perdão fiscal era para arranjar receita e essa já eu a tenho. Se o dinheiro já cá canta, que interessa que tenha enganado as pessoas?”

    Donde as propriedades canoras do dinheiro podem depender das condições acústicas.

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  3. lucklucky permalink
    12 Maio, 2008 11:54

    “O perdão fiscal foi um êxito. Muitos milhões de contos entraram nos cofres. Os que recorreram a esse perdão estavam convencidos de que não só não pagavam juros, como também seriam amnistiados ou perdoados quanto ao crime fiscal em si. Era essa a expectativa, que o Governo não tinha, aliás, prometido nem afastado. Agora sabe-se que o processo judicial continua válido e os contribuintes vão ser julgados e eventualmente condenados. Não sei se o Governo agiu de má-fé, mas sei que explorou a boa-fé do contribuinte. Manuela Ferreira Leite diz que não quer saber desse aspecto do problema, até porque o “dinheiro já cá canta”. Acontece. ”

    António Barreto http://www.apfn.com.pt/Noticias/Mar2003/nada.htm

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  4. Anónimo permalink
    12 Maio, 2008 12:16

    No caso do IMI (Barroso/MFL?) foi a mesma coisa: justiça para o imposto com quem pagava verbas ridículas a subir de contribuição e quem pagava muito a baixar. Quem pagava bem continuou a pagar o mesmo ou quase o mesmo e quem não pagava quase nada no limite paga sempre muito menos do que quem já pagava muito, porque o aumento foi condicionado. Não é que Sócrates seja melhor do que isto, mas isto é uma vergonha. E eu até fui sempre alaranjado, mas a laranjada acabou-se. Estou cansado.

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  5. brutamontesalentejano permalink
    12 Maio, 2008 12:25

    O pragmatismo? Vocemessês chamam cada cousa ao oportunimo e à desonestidade. O pessoal alentejano chama a isto sacanagem. Se calhar vocemessês já tinham ouvido esta palavra? Nam conhecendo, vejam este “porepointe” a explicar

    Como nam aconteceu nada quando carreguê ali no sítio que diz “Enviar Comentário” vou carregar outra vez. E se nam entrar agora então são vocemessês que estão malandreando cá comigo… A gente nam se pode fiar em lisboetas!

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  6. 12 Maio, 2008 15:11

    http://militantedebase.blogspot.com/

    E se alguma réstia de diferenciação existiria entre MFL e os outros com a referência a canudos mais ou menos ‘socristas‘, acabou.
    Agora que estão no mesmo patamar o que diferencia estes candidatos? É a pergunta que urge responder. A continuarem assim podem crer que o AJJ ainda vem cá ganhar estas eleições.

    http://militantedebase.blogspot.com/

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  7. 12 Maio, 2008 19:13

    Custa-me a acreditar nessa história. Não acredito mesmo.

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  8. Joaquim Amado Lopes permalink
    12 Maio, 2008 19:57

    E um link para uma notícia que cite explicitamente Manuela Ferreira Leite a dizer “o dinheiro já cá canta”, não há?

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  9. 12 Maio, 2008 20:04

    “O dinheiro não fala.
    E, se falasse ninguém lhe criticaria a pronúncia.”

    Frank Zapa

    E se não fala, muito menos canta

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  10. 12 Maio, 2008 23:51

    não sei porquê mas dessa senhora não me admirava nada… elejam-na presidente do PSD e depois não se queixem…

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  11. Emanuel permalink
    13 Maio, 2008 00:17

    Aconteceu outra semelhante em 2003, quando, depois de anunciadas as novas regras do IMI para entrarem em vigor em Janeiro de 2004, a sra. Ferreira Leite resolve sorrateiramente antecipá-las um mês, para Dezembro de 2003, penalizando milhares de compradores (apanhados desprevenidos) com escrituras marcadas para antes do fim do ano. Por um mês perderam (perdi) 4 dos 10 anos de isenção, enquanto que o estado os cobrará em devida e antecipada altura.

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  12. Jason Statham permalink
    13 Maio, 2008 00:47

    Esta é para o José Barros:

    “Ferreira Leite desvaloriza polémica com Santana e diz que sempre votou no PSD”.

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