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Experiências com humanos

20 Maio, 2008

Investigadores defendem fusão entre o 1º e 2º ciclos do ensino básico

os investigadores que participaram no estudo do Conselho Nacional de Educação defendem uma alteração da organização do sistema educativo, com a fusão entre o 1.º e o 2.º ciclo do ensino básico,

As ciências sociais não são nem podem ser, por motivos éticos, ciências experimentais. Segue-se que não é possível refutar uma teoria através do método experimental. E não sendo possível refutá-la pelo método experimental, também não é possível refutá-la de forma clara e imediata por método nenhum. Os cientistas sociais deviam ser os primeiros a reconhecer as poucas certezas que existem sobre o conhecimento que possuem e a serem conservadores nas suas propostas práticas. Mesmo que eles acreditem que a fusão entre o 1º e 2º ciclos do ensino básico é desejável, porque raio é que propõem uma remodelação do sistema de ensino? Uma remodelação do sistema de ensino afecta toda a gente de forma involuntária. Porque é que não fazem uma proposta mais conservadora, limitada e com menos riscos de conduzir ao desastre? Por exemplo, porque é que não defendem liberdade de ensino que permita aos diversos sectores da sociedade experimentar de forma voluntária (e necessariamente limitada) as diversas propostas que existem sobre o assunto?

18 comentários leave one →
  1. Luís Lavoura's avatar
    Luís Lavoura permalink
    20 Maio, 2008 12:24

    Os diversos setores da sociedade raramente experimentam de forma voluntária. Como as hipóteses à escolha são sempre limitadas, as pessoas submetem-se àquilo que há. Eu inscrevo o meu filho numa escola e aceito que, nela, ele seja submetido a algumas experiências. Faço-o porque sei que não há muitas escolas alternativas à escolha – por exemplo, quando tentei inscrevê-lo numa escola privada, essa escola rejeitou a inscrição sem apresentar qualquer justificação para a recusa. E isto é em Lisboa, onde a escolha é, ainda assim, variada – se fosse na Sertã ou em Valpaços, a escolha seria basicamente nula, pelo que as experiências seriam tudo menos voluntárias.

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  2. Piscoiso's avatar
    20 Maio, 2008 12:31

    O ideal era haver uma ementa de escolas locais, para melhorar o voluntarismo.

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  3. GatoPreto's avatar
    20 Maio, 2008 12:36

    Era brilhante, eu a levar um filho de 6 anos para ser espancado durante o intervalo por “meliantes” de 12 e 14 anos.
    Sim, porque como se sabe os miúdos nos intervalos são muito bem vigiados por muitos(eu diria mesmo BUÉ) funcionários zelosos.
    Estas pessoas não andaram na escola?
    Se já quando se entra grande no segundo ciclo se “apanha” forte feio imagina o que se passaria com as crianças pequenas.

    Gato.

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  4. Tollwut's avatar
    20 Maio, 2008 13:41

    Estamos no País das experiências, e agora resolvem experimentar o modelo Valter lemos- Milu. Quem vier depois logo poderá aferir dos resultados.
    Como professor do 2º ciclo, lá entrarei em mais uma esperiência, uma das muitas de todos os dias entrar na escola e não saber se a legislação se mantem, mas também a experiência do “humor” dos alunos na sala de aulas, pois, é que quando estão de maus humores a aula não corre, emplastra.
    Como as escolas estão carregadas de material educativo, bu´s deles, que nem sabemos o que fazer e como as escolas estão carregadas ou cheias de funcionários, não se compreeende como alguém leva uma “sova” de um miudo graúdo… No poupar é que está o ganho, e o País que se lixe desde que as percentagens mostrem que Portugal está finalmente no TOP de PISA.

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  5. tina's avatar
    tina permalink
    20 Maio, 2008 13:44

    Se esta é aquela ideia em que o 5 e o 6º anos continuam a ter um só professor, então deveria ser já posta de parte e eu assino tantos baixos assinados quantos forem precisos e vou a manifestações na Praça do Comércio.

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  6. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    20 Maio, 2008 14:17

    Nada melhor “mudar” para disfarçar os maus resultados…

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  7. Luís Marvão's avatar
    20 Maio, 2008 14:39

    Tem razão, João Miranda, deveria haver alguma prudência por parte dos “especialistas das ciências sociais”, não podemos querer verter logo para o campo da escola as conclusões de um qq estudo, por mais importante que esse estudo seja ou pareça. Assim, caímos na engenharia social. E a escola precisa, como de água para a boca, de tempo para amadurecer as coisas, breve, de estabilidade.

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  8. Desconhecida's avatar
    António permalink
    20 Maio, 2008 14:46

    Tina,

    Estou consigo… terreiro do paço já.

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  9. Raul's avatar
    Raul permalink
    20 Maio, 2008 15:10

    Boa sugestão, João Miranda – espero que alguém tenha a sensatez de o ler. (Raul, Sociologia)

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  10. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    20 Maio, 2008 17:10

    errare humanum est

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  11. Fafe's avatar
    20 Maio, 2008 17:41

    Trata-se, sem a menor dúvida, de mais um processo conducente ao despedimento de professores e fecho de escolas. Somado à venda da Língua, está quase concluído o percurso da rosa: tornar todos os portugueses idiotas – para que não mais se possa distinguí-los dos seus governantes.

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  12. lisbondude's avatar
    lisbondude permalink
    20 Maio, 2008 18:30

    A tentação da engenharia social é a marca de água da escola de sociologia da D. Lurdes. Além disso, o estratagema agora proposto permite poupar bastante. Há excesso de docentes do quadro no 2º ciclo, que podem sempre ser desviados para colmatar as carências pontuais no 1º, mesmo que não tenham qualquer preparação para o fazer. But who cares…

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  13. Luís Ferreira's avatar
    20 Maio, 2008 21:58

    Em rigor, por não se poder realizar prova experimental, não se pode chamar a essas áreas do conhecimento humano de ciência. Para que uma disciplina do conhecimento possa ser ciência tem que poder sofrer o duro teste da experimentação.
    Outro critério é que o objecto de estudo não altere o seu comportamento natural, mesmo que ele não seja estático. Ora, todos nós sabemos, que o Homem, enquanto objecto de estudo, é imprevisível, quer individual, quer colectivamente.
    A meu ver, ainda bem que assim é.

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  14. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    20 Maio, 2008 22:29

    JMiranda, se substituir a palavra investigadores por “peritos”, verá que tudo começa a fazer sentido. Isto, se tiver reparado nas criticas que tenho feito a certos(as) peritos(as), curiosamente.

    Curiosamente, a parte onde se diz
    “Estudo do Conselho Nacional de Educação alerta para a insuficiência de creches e pede políticas que permitam às mães ficar mais em casa ”
    parece contraditória. Se há falta de creches, porque pedem politicas que permitam às mães ficar em casa ? Se as mães ficarem com os filhos em casa não é preciso tantas creches.
    Só se for mesmo pelo direito à escolha. Mas que escolha têm mães e pais em que os dois têm que trabalhar ?

    Curiosamente, já agora, esse direito à escolha torna-se nulo, porque Sexista, pois devia ser estendido aos Pais (masculinos).
    A mãe pode querer ir trabalhar. Ou ter melhor oferta de emprego, e o pai ficar em casa. Porque raio tem que ser a mãe a ficar em casa ? Porque não pode o Pai ficar em casa .

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  15. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    20 Maio, 2008 22:35

    Tina, qualquer coisa relacionada com isso e outros assuntos, conte comigo.
    Confio em si nessa matéria, pela experiencia demonstrada. Nessa questão do 5 e 6 ano estou meio por fora, mas novamente, conte comigo se achar por bem.

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  16. MJP's avatar
    MJP permalink
    20 Maio, 2008 22:35

    Uma catástrofe se associarmos ao que vem depois: um mesmo professor que acompanhe os alunos do 1º ao 6º ano. Já era mau que um professor de História leccione Matemática, ou um de Matemática leccione Inglês, mas ser um professor primário a leccionar tudo será um desastre. Basta constatar as médias de ingresso nos cursos superiores de professor de educação básica (1º ciclo) e acrescentar que os candidatos fizeram o secundário em humanidades.
    O estudo referido foi encomendado pela ministra, e o CNE limita-se a ser um yes-orgão. Os investigadores serão do ISCTE?
    Enquanto houver reformas na educação a ministra não tem que dar contas de nada, sempre surgirá o discurso de que com a nova reforma a implementar tudo vai entrar nos eixos. As reformas são, aliás, uma antecipação do ME a qualquer dos desastres que a comunicação social vai descobrindo no nosso falhado sistema educativo. Só que as reformas são sempre laxistas.
    O 2º ciclo funciona com pluridocência desde sempre, o que faz de nós uns traumatizados!

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  17. Levy's avatar
    Levy permalink
    20 Maio, 2008 22:57

    Vai ser a maior das catastrofes. Este assunto tem de começar a ser monitorizado já! Porque a concretizar-se vai ser a maior e mais estapafurdia reforma que até hoje se fez no nosso sistemade ensino.
    Só para se começar já a ficar com uma ideia, o estudo refere entre outras pérolas, que no 1º ciclo as coisas funcionam melhor, porque os professores se preocupam mais com a “formação integral” dos alunos, enquanto que os do 2º ciclo estão mais focados “na sua disciplina”. Isto segundo o estudo, faz com que o insucesso seja muito no 2º ciclo. Passando por cima de mais uma vez se apontar os dedo aos professores, e fazendo a tradução de eduques para portugues, o que o estudo diz, é que no 1º ciclo, abundam as pedagogices e no 2º não.
    O que a reforma irá fazer, será estender o que se passa no 1º ciclo ao 2º.
    É curioso que um obscuro sr Julio Pedrosa, que foi ministro da educação do eng guterres, apareça agora na televisão a falar disto. Ele que foi o ministro mais invisivel de sempre.

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  18. quero ser um professorzeco's avatar
    quero ser um professorzeco permalink
    21 Maio, 2008 12:54

    Estava na hora dos pais se juntarem aos professores e analisarem a fundo estas alterações. Elas já estão no terreno, já há meninos de 1º ciclo encaminhados contra vontade para EB23, e a formação de professores já prevê esta fusão.
    Podemos mudar tudo mas com inteligência e com muita calma!

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