O socialismo faz muita falta*
Aos socialistas, naturalmente. Mas não só. Afinal o que sobra dos partidos socialistas quando abdicam do “socialismo económico”? Esta pergunta ecoa na troca de textos entre Vital Moreira (PÚBLICO) e João Cardoso Rosas (Diário Económico). E esta pergunta integra muito daquilo que são as aparentes contradições de homens como José Sócrates.
Não faço ideia se Sócrates é ou foi alguma vez socialista. Mas isso também já não interessa. O que interessa agora, nestes tempos de socialistas sem socialismo, é que Sócrates sabe bem que se estivesse em qualquer outro partido que não o PS jamais poderia exercer o poder da forma como o faz e gosta de fazer.
Enterrado o “socialismo económico”, o tal que se propunha atingir a igualdade através da estatização da economia, ser socialista tornou-se numa forma de exercício do poder que permite que, uma vez no governo, os novos socialistas desvalorizem os meios em função dos fins, tal como acontecia nos velhos tempos do defunto “socialismo económico”. Mas não só. O facto de terem desistido do socialismo económico não quer dizer que os socialistas tenham desistido da economia. Antes pelo contrário a economia interessa-lhes como nos velhos tempos. Perceberam simplesmente que não precisam de nacionalizar para controlar. Sabem que uma poderosa máquina fiscal devidamente coadjuvada por polícias de inspecção como a ASAE mete em respeito os empresários, sobretudo os mais pequenos, mantém tolhida a classe média e permite obter a receita necessária para manter uma rede tentacular e clientelar (no sentido romano do termo) do Estado.
De ideologia o socialismo passou a estratégia. Muito bem sucedida no que respeita a Portugal. Senão vejamos: a 16 de Maio deste ano os portugueses celebraram o seu primeiro dia livre de impostos. Ou seja trabalharam 136 dias apenas para cumprir com as obrigações fiscais e para a Segurança Social. Mas ainda terão de trabalhar mais um mês para conseguirem pagar na totalidade a factura dos encargos com o seu Estado. São 166 dias do nosso trabalho que entregamos ao Estado. Achamos pouco o que recebemos em troca? Bem os novos socialistas não têm propriamente programa. Dizem apenas como Vital Moreira que procuram “maior igualdade e justiça social, que se reflecte em especial na política social, na política fiscal, na política educativa, nas “políticas afirmativas” de igualdade, etc.” Perante o vazio de tudo isto a pertença de esquerda acaba a ter de se afirmar nas matérias da privacidade. O que comemos, quanto pesamos, se podemos ou não fumar ou o casamento entre homossexuais são as novas bandeiras socialistas para conseguir separar ideologicamente aqueles que já não se distinguem a propósito das nacionalizações. O sanitarismo, o espaço do privado, o sexo e provavelmente a religião são as novas fronteiras ou o baldio disponível para afirmação dos socialistas sem socialismo. O senhor António Nunes da ASAE e os seus anúncios de que metade da restauração em Portugal tinha de fechar são o exemplo mais acabado e visível desta nova forma de ser socialista: não se nacionaliza. Faz-se uma inspecção e descobre-se um motivo para o encerramento do estabelecimento ou detenção do empresário. Se por acaso as coisas correrem mal a culpa é sempre dos funcionários, sobretudo dos mais fracos, e nunca do Governo. Porque esse nem tem ideologia: só quer o melhor possível para cada um de nós.
*PÚBLICO 20 de Maio

O nosso nacional-socialismo é porreiro, pá!
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Afinal Helena Matos é socialista pura e é por isso que está descontente com o governo.
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Governo? Mas, Sócrates governa o quê? Só se fôr a carreira dos seus compagnons de route.
Pina Moura: Iberdrola.
Vara: BCP.
Coelhone: Mota Engil.
Esta é a verdadeira face dos “Socialistas”. Dinheiro e mais dinheiro.
Ou se quiserem de outra forma, são os armadores dos novos poderes de Estado, ou seja os Putin que controlam as máquinas secretas do Estado em favor das suas cliques.
Mas, pelo menos deveriam ser um pouco mais honestos com os seus filhotes, e fazerem como os Socialistas Italianos após a morte político do corrupto Bettino Craxi, mudarem o nome….
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Nadinha socialistas, Sócrates e este PS-pelo-poder a todo o custo.
Há muitos compromissos antes das legislativas. Muitos mais são ADMITIDOS E SINALIZADOS post-eleições…
O que me confrange é o povo-Nada passivo e sofredor, sofredor e atencioso para com quem lhe tolhe uma vida que devia ser saudável e progressiva. Claro, que futebóis, telenovelas, galas, “famosos”, fadunchos, certas notícias e não só, anestesiam e os governos agradecem — e…estimulam.
Parte substancial da vida portuguesa activa-se em submundos “engravatados”…
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Até as pessoas que se dizem liberais, suspiram pelo velho socialismo. Está visto, nas próximas legislativas o combate var ser entre o ps e a esquerda esquerda. O resto é paisagem.
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A minha tia Maurícia não é socialista mas votou PS, porque acha o Sócrates muito elegante.
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Sócrates? Governo? Socialismo? Que confusão aí vai…
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É muito fácil dizer mal. Dificil é fazer alguma coisa. Tipo ir para o governo e diminuir impostos e receita fiscal. É ver quem é capaz de tal coisa.
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Se soubessem o que custa mandar, obedeceriam toda a vida.
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Pelos vistos o Socialismo ainda faz muita falta a Helena Matos. Não admira. Ah!, que saudades dos bons tempos em que éramos Maoistas, cara Helena!
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Anónimo é facil. Diminuir o esbanjar do dinheiro publico em hoteis de 4 estrelas para militares no chade (http://sefosseprimeiroministro.wordpress.com/2008/05/18/quem-vai-custear-a-luxuosa-missao/).
Aumentar o numero de políticos competentes. Para isso retirar a quantidade de reis do forrobódo que dominam o panorama político nacional.
Diminuir o lucro sobre o estado. Diminuirá o fluxo emigratorio e tambem a quantidade de micro empresas que estãp a encerrar.
Mais tema em:
http://sefosseprimeiroministro.wordpress.com
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Salazar está morto e enterrado. Agora existem eleiçoes. Quem quer mandar que vá para político e se candidate a fazer alguma coisa em vez de andar sempre no bota-abaixo.
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Sim, e quem não quer mandar que fique bem caladinho. E os anónimos do bota-abaixo são os piores…
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Se bem entendi, o socialismo descobriu que só pode sobreviver usando os instrumentos do capitalismo. É isso?
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Não é bem isso, Carlos. Não foi o socialismo quem descobriu que só pode sobreviver usando os instrumentos do capitalismo. Os socialistas é que descobriram que só podem sobreviver usando os instrumentos do capitalismo.
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Se um socialista incomoda muita gente,
um maoista incomoda muito mais.
Que me perdoem os simpáticos trombudos a discriminação e semiplágio.
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Excelente texto! Parabéns.
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Os antigos comunistas e socialistas roubavam para produzir(leia-se Nacionalizar), estavam errados mas ficavam com a responsabilidade, toda, nesse sentido eram honestos intelectualmente. Os actuais menos parvos, não querem responsabilidades, já perceberam que a produção socialista nunca funcionará, por isso rouba-se na mesma com impostos e taxas, têm-se uma policia económica e fiscal para intimidar e quando as coisas correm mal coloca-se as culpas nos privados para aumentar mais a regulação e ficar com ainda mais poder. Os Comunistas e Socialistas actuais perceberam que precisam sempre de algum grupo a quem pôr as culpas.
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