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Síndrome de Estocolmo *

26 Maio, 2008
by

Um relatório sobre a situação social na União Europeia aponta Portugal como o País com maiores desigualdades entre ricos e pobres no espaço europeu. Outros estudos referem que o número de pobres está a aumentar exponencialmente.
Há uma lógica perversa no modo como estas questões têm sido tratadas.
O Estado, entre nós, dispõe de uma infinidade de organismos especialistas na luta contra a pobreza. Durante as últimas três décadas asfixiaram-nos com impostos para, diziam, acabarem com o fosso entre pobres e ricos.
Os remédios públicos falharam – não combatem a pobreza só fidelizam clientes porque a miséria é o melhor pretexto para o Estado nunca sair de cena. Portugal é hoje a prova acabada da falência do chamado Estado Social. Perante este fracasso, em vez de tentarem soluções distintas, Governo e Oposição exigem mais intervenção pública!
Tocqueville definia a “ordeira e pacata servidão” dos que vivem na ilusão da protecção do Estado como o pior vício das democracias. Mais do que isso, comportamo-nos com o Estado como as pessoas aprisionadas que se apaixonam pelos seus captores.

* HERESIAS, Correio da Manhã, 25.V.2008

29 comentários leave one →
  1. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    26 Maio, 2008 00:09

    “a miséria continua, politicos para a rua”
    PQP

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  2. rei's avatar
    26 Maio, 2008 00:20

    o combate á pobreza é um belissimo negócio.

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  3. Desconhecida's avatar
    Marçal permalink
    26 Maio, 2008 00:21

    Neste defunto Estado Social, permitam-me evocar Marx. Na sua obra “Manifesto do Partido Comunista”, afirma a necessidade histórica de uma revolução socialista, a partir de uma análise da sociedade e da história baseada na luta de classes. A luta de classes foi sempre o motor da história. O Estado é tão-só a realização do Homem que finda na alienação daquele, ou seja, o Homem em vez de realaizar a sua essência, torna-se estranho a si mesmo e já não se reconhece na sua obra (Estado).

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  4. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 00:37

    Caro CAA ;
    Curiosamente, estou a debater precisamente este assunto, mas do ponto de vista de apresentar Soluções, no post do JMiranda chamado ” Uma proposta Social”.
    A meu ver, o seu texto tem vários erros crassos, e outras frases suas , são meras afirmações dogmáticas neo-liberais, nunca provadas.
    Refutar todas elas, dá trabalho, e muito gostaria de o fazer dado o seu gabarito intelectual.
    Mas, como tenho que trabalhar o tempo escasseia.
    Ensina a experiência de quem trabalha, que o melhor é apresentar Soluções Reais para Problemas Reais.
    E isso, novamente, estou a fazer no post do JMiranda.
    Muito embora reconheça o mérito seu, de defesa superior de teorias neoliberais.
    Só por exemplo, e para refutar uma das suas ideias expressas
    “Durante as últimas três décadas asfixiaram-nos com impostos para, diziam, acabarem com o fosso entre pobres e ricos.”

    Não me lembro de alguma vez (embora seja possível) ter lido ou ouvido que os impostos serviam para acabarem com o fosso entre ricos e pobres.
    Nem sei onde foi buscar isso.
    Se tiver várias citações, agradeço.

    O que leio, é que os Impostos servem para combater o défice Publico, por exemplo.
    Que os Impostos servem para construir infra-estuturas que a todos vão servir, desde empresas a pessoas (auto-estrada só por exemplo, que são várias)
    Que os impostos servem para construir eventos que vão beneficiar a imagem do país, e até subir a nossa auto-estima (isto eu li) e indirectamente fazer subir o nosso PIB no Turismo (no mínimo). Desde o Euro, as capitais da cultura, a expo a tanta coisa que só cito as ultimas lidas por mim, e tento abranger vários partidos e governos (alguns nem sei quem foram)

    Também leio e ouço que os Impostos servem para criar Oportunidade para empresas, e com isso beneficiar trabalhadores e empresários, daí as obras públicas, os concursos públicos, etc. Já vi até aqui comentadores habituais que trabalham nisso.

    Por fim, li que servem para criar serviços mínimos ou básicos para toda a gente, como saúde, bombeiros (ahh pois), e ensino ou educação como preferirem. Quem quer utiliza, quem não quer não utiliza, mas todos vão beneficiar. Por exemplo, o empregador rico que pôs os filhos na escola rica, mas que tem empregados que aprenderam na escola publica, está a beneficiar deste sistema. O que é um facto.

    Por fim, ouvi dizer que os impostos servem para evitar que margens da população vivam na miséria, ou pobreza. Daí os subsídios de desemprego e mínimos e essas coisas.
    Estes, também servem para evitar o crime. É sabido que quanto mais pobre um país ou zona, mais crime tem.
    Pelo menos, ouço-o de norte-americanos que conheci, e estavam todos longe de serem de esquerda. Não os conheci sequer por razões politicas, ehe, e todos dizem que onde há mais pobreza há mais crime.

    Agora, nunca li nem ouvi que os impostos servissem para evitar o fosso entre ricos e pobres.

    Até já li aqui no blasfémias, que certos impostos servem para fazer subir o fosse entre ricos e pobres, mas não falavam do desemprego, de certeza.

    Por isso, o seu pressuposto de que nos andam a aumentar os impostos para acabar com o fosso entre ricos e pobres, não sei aonde o foi buscar, mas penso estar equivocado.
    E penso ter provado.
    Mas, ficarei à espera de citações ou outras que apresente, caro CAA.

    E só esta frase, quase parece um capitulo de um livro. Imagine o trabalho.

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  5. Desconhecida's avatar
    Marçal permalink
    26 Maio, 2008 00:38

    Tocqueville afirmava que a crença na igualdade entre o povo era a característica mais notável da democracia. Porém, o reverso desta ideologia é a valorização das ambições pessoais e dos prazeres materiais que levam à destruição do “laço social” e de qualquer Estado. Em 1800 e tal já escrevia aquilo que está a acontecer e que se define na “tirania da maioria” que captura os mais fracos.

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  6. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 00:46

    CAA “Os remédios públicos falharam – não combatem a pobreza só fidelizam clientes porque a miséria é o melhor pretexto para o Estado nunca sair de cena. Portugal ”

    Mas se não se importa, e enquanto espero (esperamos) a sua solução para a pobreza e desemprego, etc, em Portugal, vamos analizar esta declaração sua (declaração no sentido de “statement” não provado).

    Se os pobres continuam pobres é porque o sector privado não oferece alternativas melhores. Seja de solidariedade, seja de empregos, seja do que for.
    Não é o Estado que fideliza clientes, caro CAA
    É o sector privado , que pessoal quer de empresas, que não apresenta soluções, e essas pessoas continuam reféns do Estado.

    Cada um fica onde tem melhores soluções.
    Por exemplo, o CAA decerto tem lido os milhares de portugueses que tem emigrado. Isso é sinal que querem trabalhar.
    Porque não ficam cá ?
    Porque as empresas nacionais (ou capitalistas) não sabem criar soluções, ao contrário das empresas e capitalistas estrangeiros.
    Simples.

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  7. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 00:53

    ” Portugal é hoje a prova acabada da falência do chamado Estado Social. ”

    Como é isso possivél se o sector privado continua a não apresentar soluções para a pobreza em Portugal ?

    Portugal é hoje a prova acabada que pelo menos no Portugal, o sector privado não funciona, a solidariedade privada não funciona, que há pobreza que há mais de trinta anos, nem as mais altas tecnologias, as internets, os licenciados em catadupa, conseguiram criar emprego, mais empresas, soluções para a pobreza.
    E que tem que ser sempre o Estado a forncer ajuda, para que não se passe da pobreza para a miséria.

    Não é por acaso que não vé nas grandes cidades tantos pedintes – recebem do estado. E já ninguém lhes dava.

    O sector privado tem falhado consecutivamente em Portugal.
    Os portugueses, de uma maneira geral, tem falhado.
    E tem que ser sempre o Estado a vir entrevir.

    Até a revista neo-liberal, se não fosse neo-liberal, ia pedir o quê ? Ora, ajuda ao estado.
    Os apologistas do mercado falharam. Ou não percebem do mercado (desculpem lá) ou não há mercado. Se não há mercado, deviam ter soluções para isso.

    Agora CAA, o que falhou e hoje está provado, é o sector privado.

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  8. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 00:57

    Vejamos por sectores

    1- Agricultura – cada vez menos, faz décadas e décadas.
    Um sector privado que falhou totalmente.

    2- Industria. Segundo se lé está nas lonas.

    3- Serviços – Parece que é tudo estrangeiro ou quase.

    4- Comercio – O unico que ainda vai sobrevivendo

    5- Finanças e outros – Só os bancos e outros conseguem ir tendo lucros.

    Destes 5 sectores, só bancos e similares , e ainda o comércio, conseguem viver.
    Os outros trés, não existem ou estão de ano para ano cada vez pior, segundo se lé.

    Evidentemente, que as pessoas ou emigram, ou recorrem ao estado social (Ou aos bancos): simples.

    Mas, continuarei à espera das suas soluções.

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  9. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 00:59

    Por fim, caro CAA, não leve a mal minhas respostas.
    Mas como sabe, sou mais do lado do Ron Paul que blasfemo, ehe.

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  10. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 01:01

    Com este ultimo comentário, para quem não percebeu, o que quiz dizer foi que os Liberais Portugueses, nada tem ou pouco tem a ver com Ron Paul.
    Pelo menos, naquilo principal que ele diz
    Sim, que eu fiz o tal teste, e deu quase em cheio, embora reconheça que um bocado à esquerda.
    Mas muitos blasfemos não deram nem perto de Ron Paul, só que não quiserem dizer. Só um deu, mas um pouco à direita.

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  11. Desconhecida's avatar
    Blasfemo permalink
    26 Maio, 2008 01:04

    Ron Paul??? Hmmm, um médico que virou congressista não tem lá grandes ideias… e para mais era ginecologista… hehehe

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  12. Desconhecida's avatar
    Pedro permalink
    26 Maio, 2008 01:30

    Só mesmo do CAA!…
    Como os pobres estão mais pobres, o melhor será… deixar de os ajudar. Eles que se safem com a lei da oferta e da procura, que como sabemos resolve tudo, na mente liberal.
    Mas não será liberal esse grande negócio dos pobres que está instalado? Afinal é um combate livre entre interesses.

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  13. PMF's avatar
    26 Maio, 2008 01:31

    Muito bom texto. Concordo com a análise.

    Independentemente da questão da finalidade dos impostos, debatida supra – (e cada vez mais académica, uma vez que, na prática e como dizia a já muito antiga lei de Wagner, a despesa pública – que cresce sempre – condiciona e determina essa mesma questão!) – o facto é que, empiricamente, já se viu que “não é por aí” (mais do mesmo)….

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  14. Desconhecida's avatar
    rita permalink
    26 Maio, 2008 01:45

    curiosamente:

    sou apenas uma cidadã atenta, que lê jornais, vê telejornais, anda de transportes públicos e vai ouvido diversos “estados de alma”, mais ou menos justificados ou estruturados… e vou pensando sobre tudo isso.

    o erro em que, na minha opinião cai, é que o sector privado não tem soluções porque não é uma verdadeira alternativa! i.e., e dando como exemplo a saúde: todos nós pagamos por um sistema de saúde público… mas porque sabemos que não é eficaz, recorremos a seguros de saúde privados (prescindindo do primeiro) que dão garantia de atendimento em tempo útil! estamos a pagar duplamente! o mesmo se aplica, por exemplo, ao ensino!

    outro aspecto que é de referir é a questão das reformas: provavelmente não veremos retorno do que vamos pagando… ora: aceitando que isto é (apenas!) possível, parece um acto de alguma insanidade confiar sem questionar (porque é obrigatório, claro está!) a quem à partida não oferece garantias de gerir eficiente e eficazmente esse bem! e se pudéssemos escolher se damos ao estado ou a qualquer outra instituição? já viu? o rendimentos do estado não seriam fixos… haveria concorrência (ALTERNATIVA!) que, em princípio, resultaria numa melhoria na qualidade dos serviços…

    “E que tem que ser sempre o Estado a fornecer ajuda, para que não se passe da pobreza para a miséria.” – é como os pais com boa situação económica que permitem que o filho nem trabalhe!… não tem necessidade disso! como é que numa situação com esta se cria espírito de iniciativa e capacidade de luta? os problemas têm desde logo uma solução! ainda que rudimentar! parece-me difícil quando temos as coisas como certas! é a estagnação e a dependência… neste caso, é engordar os poderes do estado!

    “A solidariedade privada não funciona” – não posso falar de forma abrangente… mas conheço quem sobreviva apenas e só à custa desta… aos impostos q são cobrados, e idealmente, nem se justificaria…

    é apenas um ponto de vista, bastante mundano, que não quis deixar de analisar!

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  15. José Rocha's avatar
    José Rocha permalink
    26 Maio, 2008 01:51

    Conclusão temos péssimos políticos e péssimos ricos que não investem bem no seu próprio país. Hum, pois não, nem na sua família. Please, deixemos de atirar culpas uns aos outros, isto é mais complexo.
    As dificuldades económicas da população portuguesa tens raízes estruturais (o corporativismo vigente, p.e.) e circunstanciais (pitroil, UE a leste p.e.).
    O argumento que nunca é lançado nestas alturas é o regionalista. A região de LX tem cerca de 100% do rendimento médio da UE, o resto do país tem menos de 70%. Porquê? Onde há mais pobres? Que empobreceu mais?
    Precisamos de pensar mais do que no nosso bairro ou que na nossa classe social ou que nas nossas ideologias. Talvez seja bom pensarmos mais em acarinhar (quero dizer observar e tornar melhor, ” to nurture”) cada pedacinho deste rectângulo que herdámos.

    Impostos, são muitos, eu sei; mas pior que isso são os salários. A questão odiosa levantada pelo presidente sobre os salários milionários que os nossos gestores mediocres têm é o busilis. Como vive um gestor a receber 10 000 mês enquanto que a maioria dos seus empregados recebe 400? Este gestor é um *** que leva a sério o pior ditado que jamais vi “quem parte e reparte…”.
    Ganhamos pouquissímo para aquilo que muitos de nós produzem. Temos muita dificuldade em negociar duro com os nossos “gestores” porque temos medo de perder o emprego. E os que não têm medo já estão nos luxemburgos.
    Ou haverá mais motivos para, p.e., a GALP não pagar aos seus empregados tanto quanto paga a BP em Amsterdam? OS preços são iguais, não são?
    Porquê que não nos pagam mais? Têm demasiados funcionários? Porquê? Favores e tráfego de influências?

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  16. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Maio, 2008 08:27

    A pergunta é o que andaram a fazer os sindicatos estes anos todos se nao conseguem salários melhores e fazem só barulho contra o governo e nao contra os empresários.

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  17. frei de jesus's avatar
    frei de jesus permalink
    26 Maio, 2008 10:53

    Hoje :

    «PORTUGUESE LIBERALS» ; no «Portugal dos Pequeninos».

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  18. CAA's avatar
    26 Maio, 2008 11:28

    Curiosamente,

    Coloca algumas questões interessantes e outras que revelam um deslocamento da realidade preocupante.

    Aceito o desafio mas não agora dada a falta de tempo em que estou.

    No entanto, discordo completamente daquilo que diz acerca dos fins dos impostos:
    «Não me lembro de alguma vez (embora seja possível) ter lido ou ouvido que os impostos serviam para acabarem com o fosso entre ricos e pobres.
    Nem sei onde foi buscar isso.»

    Toda a teoria redistributiva da riqueza através dos impostos, uma das bases do Estado Social, assenta nesse tipo de teses. Basta ler o velhinho, mas sempre aplicado, TEIXEIRA RIBEIRO.

    Para além disso, pense nos organismos, direcções, gabinetes e todo o tipo de estruturas administrativas que há décadas têm como fito o combate à pobreza – como se vê falharam redondamente.

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  19. CAA's avatar
    26 Maio, 2008 11:31

    «Só mesmo do CAA!…
    Como os pobres estão mais pobres, o melhor será… deixar de os ajudar.»

    Não propriamente. Se uma solução falha continuamente é porque está em erro – donde, manda a boa lógica que se tentem aplicar outros remédios.
    O pior erro é persistir naquele que já está demonstrado.

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  20. José Rocha's avatar
    José Rocha permalink
    26 Maio, 2008 12:30

    Sim, os sindicatos não têm a mínima influência sobre o sector privado. Mas não se trata de uma questão sindical, trata-se de boa gestão de recursos humanos. A verdade é que os bons recursos humanos estão constantemente a sair do país porque os gestores não valorizam o seu trabalho.
    Desculpem mas há atitudes nos gestores que são perigosas para o país. Não quero com isto desvalorizar o seu papel, pelo contrário, há bons gestores de facto e há aqueles que se põe de bicos de pé, usualmente através de uma rede social corporativa. Podemos imaginar uma conversa sobre empregadas domésticas: “ah tu pagas 4 euros/hora à Jaquina!? Porque não fazes um constrato X, assim pagas menos”.
    Em contraste poderia ser: “A Jaquina limpa 100 metros quadrados, se limpar 200 eu pagarei mais 50%” (que ultraje pagar mais 50%).
    Consta por aí que pagar mais não motiva a trabalhar mais, mas pagar de menos desmotiva muito. Um lider deve motivar mas também não desmotivar.

    Quem sou eu para falar de boa gestão, mas apenas uma opinião.

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  21. Zé's avatar
    permalink
    26 Maio, 2008 12:38

    Mas afinal qual a solução?
    Eu acho que os académicos, intelectuais e liberais da praça deviam assumir a sua indiferença perante o sofrimento humano.
    A ideia do “eles não querem” é trabalhar e exemplos completamente idiotas como o do “pais ricos” é tipica de quem não faz a mínima ideia do que é a pobreza e como o fenómeno surge e, mais importante, persiste.
    Conheço imensos casos de gente pobre mas que trabalha literalmente de sol a sol e que pouco ou nada tem que seja seu. Como se explica isso? Será que a treta da meritócracia também explica isto? Não tem mérito logo tem de ter uma vida mierável? E o que é o mérito? Um exemplo fácil: qual o mérito do George W. Bush? Ter surgido num testículo do Bush Senior?
    Os liberais cansam….

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  22. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 20:42

    Rita, o seu ponto de vista, não sei se será mundando, mas é bastante pertiniente e bem analizado.

    O problema, por exemplo, é que muitas histórias tem trés versões. A minha, a sua, e a dos outros.

    Diz que muita gente compra seguros de saude privados.
    Ora ainda bem. Quer dizer que a iniciativa privada está a funcionar. Faz anos, nem existiam. Como existe o SNS tem que oferecer melhor que o SNS, senão a Rita não compra , de certeza absoluta.
    Por outro lado, muita gente tem Seguros, e utiliza para umas coisas o SNS , para outras os Seguros.
    (sei que há gente que só utiliza um deles, ou por necessicdade no caso do SNS, ou até por pedantismo no caso dos seguros, mas ainda bem para as empresas, que precisam de ganhar dinheiro . E menos despesas tem o SNS , quanto mais gente for para o s seguros

    Por exemplo, muitas pessoas vão a médicos de Familia do SNS; a médicos especialistas dos Seguroes, mas as receitas são feitas pelo SNS , que os descontos são muito uteis e bonitos.

    Por fim, ainda bem que a Rita tem um seguro. Mas , e salve seja, lembre-se que um dia poderá ficar desempregada e ficar sem ele .
    Ou lembre-se que nem toda a gente tem dinheiro para ter um seguro.
    Quanto a pagar duas vezes, ora, isso acontece também com metade das coisas que temos em Portugal
    Por exemplo, eu queria o canal 18 , o canal Panda, e o dos Filmes. Só queria 5 canais. No entanto, queriam me obrigar a comprar o pacote completo mais o dos filmes que eram dois
    Depois disse que desistia até do 18 e do panda que só queria o dos filmes. Mas disseram que tinha que comprar à mesma o pacote completo mais o dos filmes .
    Um amigo meu, disse-me que isso é o mesmo que entrarmos num supermercado e pedir 5 nesperas, mas responderem que só podemos levar se comprar-mos também trés latas de fondue.
    Porra para o fondue, que eu quero é os 5 nesperas. Mas não o podia levar.
    Foi o que aconteceu comigo. Nem canal 18, nem Panda, nem Filmes, nem nada. Queriam tudo, e levaram nada.
    E eu sem nada fiquei, evidente, mas não estava para encher o meu televisor de porcarias que não queria, e ainda por cima pagar por elas.
    Há quem faça isso, e curiosamente, não se queixam.

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  23. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 20:46

    rita Diz: “A solidariedade privada não funciona” – não posso falar de forma abrangente… mas conheço quem sobreviva apenas e só à custa desta… aos impostos q são cobrados, e idealmente, nem se justificaria…

    Rita, por solidariedade privada não me refeira a um pai ajudar um filho, uma mãe um sobrinha, e coisas assim. Refiro-me a pessoas ajudarem desconhecidos.
    Não conheço.
    Se a rita Conhece, por favor indique, que é sem dúvida boas noticias, pois até as IPSS quase todas elas vivem do Estado, curiosamente, que cada vez menos recebem de Privados.

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  24. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 20:51

    Pedro Diz: «Só mesmo do CAA!…
    Como os pobres estão mais pobres, o melhor será… deixar de os ajudar.»

    CAA Diz: ” Não propriamente. Se uma solução falha continuamente é porque está em erro – donde, manda a boa lógica que se tentem aplicar outros remédios.
    O pior erro é persistir naquele que já está demonstrado. ”

    CAA diz a Curiosamente ” Aceito o desafio mas não agora dada a falta de tempo em que estou. ”

    Não disse expressamente qual o desafio proposto por mim, que aceitou, mas vejo dois.
    Um , provar que o Estado Social Falhou.
    O Outro, apresentar remédios alternativos.

    Aceito o seu desafio a qualquer altura, pois tempo não não tenho muito, mas queremos ambos o melhor para portugal e para os portugueses.

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  25. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 20:57

    CAA Diz: ” Não propriamente. Se uma solução falha continuamente é porque está em erro – donde, manda a boa lógica que se tentem aplicar outros remédios.
    O pior erro é persistir naquele que já está demonstrado. ”

    Já demonstrei que a analize de CAA está errada, e que efectivamente, os impostos MODERNAMENTE, servem para muitas outras coisas que não abreviar o conceito modernos de “ricos e pobres”.

    Não pode o CAA dizer que o estado social falhou, se as suas premissas estão erradas e não as respondeu a elas .

    O que respondeu, foi dizendo que eu estava afastado da realidade (não disse em quê , portanto é apenas um “statement”, não prova nada)
    E disse que antigamente havia pessoas que diziam que os impostos serviam para abreviar o fosse entre ricos e pobres.

    Ora eu não me reportei ao que há decádas atrás, talvez séculos, se dizia.
    O que eu disse e escrevi claramente e de forma sucinta mas rápida, é para que servem os impostos hoje em dia.
    E quais as razões apresentadas hoje em dia , quer por politicos, quer por economistas, e outros , que a sustentam.
    Não faço a minima ideia, para ser claro, do que dizia não sei quem há 50 anos atrás.

    Mas posso ir burcar, Curiosamente, Miguel Torga para provar que está o CAA errado

    (ficado o desafio para propostas suas para depois)

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  26. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 21:04

    FALHOU O ESTADO SOCIAL NOS SEUS PROPOSITOS HÁ DÉCADAS ATRÁS ?
    OU TRINFOU ?

    – Caro CAA
    Obrigado pela sua resposta. Não a estava a compreender, confesso. Quando escreveu que eu estou afastado da realidade (logo eu, ehe) e disse para eu ler o velhinho, e que toda a base da teoria do estado – social era baseado no “fosso entre ricos e pobres.”

    Aí, fez-se-me luz
    Compreenderá, não tenho tempo para ler tantos clássicos sobre a teoria do estado social, mas o CAA para mim, é já um clássico, tanto que me possibilita a resposta.
    E só pessoas clássicas, geralmente o fazem, diga-se em abono da verdade.

    PORQUE CAA DIZ QUE AS VELHAS TEORIAS DO “ESTADO SOCIAL” DIMINUEM O FOSSO ENTRE RICOS E POBRES ?
    Caro CAA, tem razão.
    Tem razão numa coisa, realmente diziam isso.
    Mas, perde a razão , quando diz que o Estado Social falhou.
    (e olhe que eu nem sabia que ia escrever isto. Geralmente sou mais calculista )
    Porque o estado social NAO FALHOU, TRINFOU

    Curiosamente, o que mudou foi o conceito de “pobreza” e de ” fosse entre ricos e pobres “.
    Hoje em dia são duas (2) coisas diferentes, graças ao Triunfo do Estado Social.
    Deixámos para trás, os velhos conceitos de “pobreza ” e de “fosso entre ricos e pobres”, e hoje as mesmas frases tem novos conceitos.
    O que hoje significa “fosse entre ricos e pobres”, era muito diferente do que significava há décadas atrás.
    E essa mudança de significado quer dizer que o Estado Social triunfou.
    Por muito que isso lhe custe e a outros blasfemos, e nem eu esperava escrever isto, ouvir.

    Fiz um texto à parte, e vou publicar a seguir.
    Desculpará se tiver algum erro, bem como os leitores, mas por outro lado a minha escrita torna-se menos “esquisita”, como o NuSpirit disse.

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  27. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 21:10

    Curiosamente, este texto se não tenho intervindo era um sucesso entre os neo-liberais, ehe.

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  28. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 21:21

    RETROSPECTIVA E EXPLICAÇÃO QUASE QUE POR ACASO DA MINHA PARTE, QUE NA REALIDADE O ESTADO – SOCIAL ATÉ VENCEU NOS SEUS PROPÓSITOS.
    E não como dizem os neo-liberais, e agora o CAA, falhou.

    Como disse, caro CAA, a frase mais importante e que me fez luz, foi a sua “ultima”, onde volta a misturar “pobreza” com “fosso entre ricos e pobres” , falando o CAA pelo meio de velhos conceitos sobre as duas, e cito-o ” Para além disso, pense nos organismos, direcções, gabinetes e todo o tipo de estruturas administrativas que há décadas têm como fito o combate à pobreza – como se vê falharam redondamente.”

    Que estruturas são essas, CAA ? Que Organismos ? Que direções ? Que tèm por fim , ou combater a pobreza , ou como diz também que ainda não se confunde ” acabarem com o fosso entre pobres e ricos.”

    RESPOSTA, CAA :

    É que curiosamente, as duas coisas hoje em dia são diferentes. A pobreza é hoje tida como algo quase que pecado, enquanto o “fosso entre ricos e pobres” é tido como exagerado (face à ainda pobreza existente, e ao alargamento desse fosso ) e ao fim da classe média.

    Ou seja, na prática, são duas coisas distintas. Uma é o fosso entre ricos e “não ricos” – sejam pobres ou classe média.
    Outra coisa é a “pobreza.

    MAS FAZ DÉCADAS QUE NÃO ERA ASSIM

    E é nisso que o CAA falha, ao dizer que houve um senhor velhinho que dizia que era a mesma coisa.

    Faz décadas, não havia Hospitais. Não havia médicos. Pedintes nas ruas eram às dúzias, e nos campos também.
    Ler Miguel Torga entre outros, é sinal disso mesmo.

    Porque o fosso entre ricos e pobres era tão grande, que os Pobres nem direito à Educação tinham . (veja como Miguel Torga conseguiu os seus estudos – num seminário e depois com a ajuda de um Tio rico, ou então tinha estado lixado e lá tinha perdido o CAA um dos seus autores (ateu) predilectos.
    Porque nessa altura, só os meninos e meninas ricas podiam estudar.
    Leia-se qualquer biografia de Miguel Torga e verá que ele dava consultas de graça. Porque os pobres, além da Educação, o fosso era de tal maneira grande que NEM DIREITO À SAÚDE tinham .

    ESSE ERA O FOSSO EM PORTUGAL E EM MUITOS PAÍSES.

    Desde essas décadas, que se saiba, e para continuarmos em Portugal, os Pobres já vão à escola.
    Os Pobres já tem direito a uma Saúdezinha.
    Os Pobres já vão tendo umas coisinhas.

    Por vezes tiram-lhes, por vezes devolvem-nas, e assim se continua.

    Mas parece-me a mim, que para isso contribuiu, o Estado Social.

    Ou foram algumas Instituições privadas, e ninguém deu por isso ?
    Foram alguns mecenas ricalhaços que deram escolas e mais escolas e hospitais e ninguém deu por nada ?

    Parece que foi o Estado.
    O tal estado social, que deu essas escolas, e Universidades (algumas das quais vários blasfemos , ensinam e ganham a vida ) aos pobres, à classe média e até parece que a vários ricos
    (ou seja, os ricos continuam a não dar nada e ainda se utilizam do Estado Social, e depois ainda dizem mal dele. Se eu fosse Comunista, olhe que tinha aqui por onde pegar, ehe. Sorte a dos Liberais Portugueses, né ?

    Foi o Estado Social que além das escolas e universidades que não existiam em quantidade suficiente sem ser para ricos, no tempo de Miguel Torga, que também construiu Hospitais, e centros de saúde, etc.
    E hoje os médicos ganham bastante bem. E quem quer, até os ricos, podem lá ir. Mas queixam-se

    Foi essa diferença ABISMAL (de abismo, QUE AGORA É SÓ FOSSO) entre ricos e pobres, que o Estado Social veio acabar.

    Que no tempo de Miguel Torga, era uma realidade. UM abismo.
    E hoje, já ninguém quer voltar atrás
    (com exceção de umas pessoas)

    Que os ricos, especialmente no Portugal, continuam a não dar nada a ninguém. Mas nada, e com poucas exceções.

    Agora o que eu me referia, é que o CAA não leu Miguel Torga, e esqueceu-se ou , desculpe, não teve a noção de como esse fosso entre ricos e pobres era ainda maior, até um pecado mesmo para ateus, faz décadas atrás.

    Hoje, por fosso entre ricos e pobres entende-se outra coisas.
    Que saúde, educação, e outras coisas do género, o Estado Social tem sido um êxito.

    Obrigado, pela conversa, e por nos fazer lembrar

    Atenciosamente, seu,
    Curiosamente.

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  29. Curiosamente's avatar
    Curiosamente permalink
    26 Maio, 2008 23:53

    Curiosamente, falo aqui em “ricos” e “pobres” por facilidade de comunicação de ideias.

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