Toda a gente vê, só o Sebastião é que não vê
3 Junho, 2008
Aqueles que andavam a clamar que existia concertação entre as gasolineiras, agora têm uma nova teoria. Parece que existe concertação entre as gasolineiras e a Autoridade para a Concorrência. Tal como a anterior, esta teoria também não é falsificável. Quem quer que venha no futuro a alegar que a Autoridade para a Concorrência é isenta faz parte da conspiração.
Como é que os defensores da tese da concertação sabem que há concertação? Porque toda a gente vê que há concertação.
36 comentários
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E a vender a gasolina a um preço substancialmente mais baixo que as portugas, as gasolineiras de Espanha não estão a perder dinheiro. Essa é que é, diz a tal de concertação, que, autêntico zero à esquerda, não veio dizer nadinha.
Ou seja, mais uma comenda das do Governo, para o ganhar de costas direitas, nas boas, sem fazer um corno nem acrescentar nada. Como quem diz que nisto é que Portugal é bom, a encomendar serviço de tachos por nepotes e amigos parasitas.
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O Sebastião come tudo tudo tudo, só das gasolineiras não viu cheta. Sem despacho, conhecimentos, jeito, ou nem cuidou de sabê-lo, lá vá quem de direito entendê-lo.
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«Como é que os defensores da tese da concertação sabem que há concertação? Porque toda a gente vê que há concertação.»
Não despreze o mérito do senso comum como ponto de partida no método indutivo.
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Se o Sebastião visse ninguem lhe perguntava nada.
Mas fica o registo do JM estar com o Sócrates,viva!
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“E a vender a gasolina a um preço substancialmente mais baixo que as portugas, as gasolineiras de Espanha não estão a perder dinheiro.”
O Manuel Alegre também pensa assim. Ainda ninguém lhe explicou que a diferença está nos impostos. E também não é o amigo Louçã que lhe vai explicar.
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“Não despreze o mérito do senso comum como ponto de partida no método indutivo.” Sofia Ventura
Muito bem. A menina nunca me enganou.
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Nuspirit Diz:
3 Junho, 2008 às 4:26 pm
Obrigada?
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João,
A fundamentação do sr. é de uma vacuidade medonha.
Vou ver se consigo ler o Relatório, mas, até agora, parece-me que os receios que o PMF aqui expressou no momento da sua nomeação se podem estar a confirmar.
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««A fundamentação do sr. é de uma vacuidade medonha.»»
CAA,
Eu ainda estou à espera da fundamentação de quem faz a acusação de que há concertação. Afinal é a esses que cabe o ónus da prova.
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Autoridade da Concorrência não encontrou indícios de cartelização. Nem pensar, deus me livre, diabo seja surdo.
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E se a concertação não confessar, chamem-se os amigos americanos e vai tudo para Guantânamo…
Alguém tem que ser culpado. Todos, menos os especuladores sentados nos paraísos fiscais !
MFerrer
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JM;
E nos States, parece que há….concertação! E esta, hein!
Oil trading probe may uncover manipulation
But overall, any wrongdoing is likely to play a small part in soaring crude prices. Meanwhile, speculators aren’t expected to hang.
http://money.cnn.com/2008/05/30/news/economy/oil_cftc/index.htm?postversion=2008053110
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Mas “alguém”, neste triste país, encontra ou vê algo de errado ou ilegal (além do zé pagode, claro), mesmo com a “barraca” escancarada… Veja-se o caso do BCP (entre muitos outros), nem o Vitinho e os seus vitinhos deram por nada… estavam todos à espera que o próprio infractor lhes fosse dizer o que vinha, e desde há muito, fazendo… eheheh. O mesmo se passando com o CMVM. Agora, temos esta dos “pitróis”… como se, aumentos sucessivos de exacto e mesmo valor, em dias e horas iguais, não fossem dados suficientes para, qualquer “gebo”, perceber que há cartel/combinação/concertação/acordo/etc/etc… (chamem-lhe o que quizerem).
E dizem “eles”, em tempos de eleições, que o povo é sábio… passando-lhe, agora, um atestado de estupidez e, creio, merecido.
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“na terra dos cegos que tem olho (ou buraco ..) é dirigente”
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A autoridade da concorrência não tem de provar nada.
Quem tem dúvidas é que tem de os apanhar juntos no concerto, sem o que não há concertação.
Ou apanhá-los com a mão na coisa… sem o que não há manipulação.
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Muito bem, All & Babá.
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Acho que a conspiração é resultado de uma aliança entre as gasolineiras e o planeta terra. Este último guarda ciosamente as reservas de petróleo de modo a que o mercado acredite que ele é finito.
Só ainda não percebo como é que ele recebe o seu quinhão dos lucros.
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O que acho desagradável mesmo é trazer a falsificabilidade popperiana para a discussão. A tese da concertação não é falsificável. De acordo. Mas a tese de que não concertação poderá ser falsificável? Aliás, trazer um conceito que se aplica às ciências duras, ainda que muitos cientistas se estejam nas tintas paras as concepções epistemológicas de Popper, para o debate político, social e económico cheira-me a influência do materialismo dialéctico, quando ansiava dar uma explicação científica para o devir histórico-social. Sem ofensa.
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««O que acho desagradável mesmo é trazer a falsificabilidade popperiana para a discussão. »»
De facto. Onde é que já se viu sujeitar teses apresentadas no debate político a critérios sérios? Por este andar ainda se começa a pedir que essas teses se fundamentem em factos incontestáveis e tenham consistência lógica.
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giro, giro, é constatar quem ficou feliz com as conclusões da AdC!
Mas triste, triste, é quererem tratar-nos como atrasadinhos; ainda se fosse como otários.
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Pois é, a crença de que a realidade social se deixa conhecer da mesma forma que a realidade natural não deixa de ser interessante. O problema é que já nem o velho Aristóteles acreditava nisso. O pobre diabo achava que se deveria separar os dois mundos epistemológicos. Mas, enfim, quem é o Aristóteles perante os génios modernos que nos alumiam? Deixando de lado a autoridade, julgo que o registo da discussão sobre o assunto em causa se inscreve mais na área da retórica e do debate judicial do que num âmbito de certeza que permita a organização de uma testagem que falsifique a tese. E os chamados “critérios sérios” quando são deslocados de um ambiente para outro perdem a seriedade e às vezes tornam-se mesmo cómicos.
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Caro JCM,
Explique-me lá então porque é que as teses na discussão política não precisam de ser falsificáveis. Explique ainda porque é que eu haveria de levar a sério uma teoria não falsificável e o que é que impede que a discussão política ande à volta de alegações fantasiosas e não demonstradas nem demonstráveis.
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Utilizando uma linguagem aristotélica, diria que o regime onde se movem as ciência da natureza é marcado pela necessidade. O que marca, na perspectiva aristotélica, as coisas que dizem respeito à vida na “pólis” é a contingência. O grau de evidência será sempre marcado por essa contingência. O discurso social (incluo o económico e o político) tem essa matriz de contingência que não permite construir afirmações que sejam falsificáveis, como pretende Popper para as ciências duras.
Isto que parece uma deficiência é, na minha óptica uma vantagem (é por isso que gosto de Aristóteles). O discurso sobre o social fica, de facto, preso às estratégias argumentativas e retóricas (onde este assunto se move, onde o JM o move, também. O seu uso do falsificacionismo popperiano é retórico e não epistemológico, você sabe-o), mas evita que se pretenda fazer ciência “natural” sobre a sociedade e assim evita ilusões idênticas às do materialismo dialéctico sobre o desígnio para onde caminha a cantar a história.
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««O grau de evidência será sempre marcado por essa contingência. O discurso social (incluo o económico e o político) tem essa matriz de contingência que não permite construir afirmações que sejam falsificáveis»»
O que é que impede então que a discussão pública seja dominada por teorias da conspiração?
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JM, desculpe-me por retomar o assunto.
“Explique ainda porque é que eu haveria de levar a sério uma teoria não falsificável”
– Diria que todas as teorias que se movem no âmbito social são não falsificáveis. Resultam de raciocínios contingentes. A única coisa que pode aspirar (é essa a condição humana) é que essas teorias estejam melhor ou pior argumentadas, mas nunca demonstradas. Há teorias mais ou menos verosímeis, nunca teorias que possam aspirar à verdade (esta não faz parte da política).
“e o que é que impede que a discussão política ande à volta de alegações fantasiosas e não demonstradas nem demonstráveis.”
Nada impede.A maior parte das vezes a discussão política anda em torno dessas fantasias. Apenas o ethos do orador poderia impedir. O problema é a probidade do que fala é marcada por um outro interesse, o político, que, como sabe, é o de conquistar e manter o poder (ou de apoiar a conquista e a manutenção do poder por certa facção). Não há volta a dar. Somos humanos e são estes os nossos limites.
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Como o JM sabe a discussão pública é, muitas vezes, dominada pela teoria da conspiração. A única arma é a de arranjar argumentos que desmontem a teoria. Mas as «teorias da conspiração» são também elas não falsificáveis. Percebo o problema, mas temo a sua solução. Aplicar critérios provenientes das ciências duras ao domínio social seria um passo para a eliminação da liberdade. As ciências duras possuem um ideal de previsão das ocorrências futuras (julgo q) que não se presta ao domínio onde o homem exerce o seu poder de iniciativa.
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JCM,
O que é que a demonstração de uma teoria tem a ver com a sua falsificabilidade? Como é que se argumenta bem a favor de uma teoria não falsificável? Como é que se distingue um bom argumento de um mau agumento se a teoria não é falsificável?
Se as teorias não podem aspirar à verdade, então porque é que devo perder tempo com elas?
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Ao contrário do que diz o JCM, a teoria da não concertação de preços é falsificável.
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JM
Quando me referi à demonstração estava a referir-me a um determinado domínio epistemológico e não a pô-la ao lado do falsificacionismo popperiano, o qual pretende o contrário disso.
A diferença está entre os conceitos de “verdade” e os de “verosimilhança”. Há teorias mais verosímeis do que outras. O argumento é tanto melhor quanto mais verosímil ele for (mas nada impede que ele seja falso).
“Se as teorias não podem aspirar à verdade, então porque é que devo perder tempo com elas?”
Tudo depende. Penso que trabalha em biotecnologia. Aí faz sentido que as teorias aspirem à verdade e o seu «ethos» de investigador apresenta-lhe a perseguição da verdade como interesse supremo da sua actividade.
Já ao nível social e político não é a verdade que é o interesse que move os homens para a acção (nesta incluo a acção propriamente dita, o discurso, o debate, até a investigação e a produção de teorias). Esse interesse liga-se à nossa sociabilidade (o zoon politikon) e à justiça da vida social. Estamos movidos por interesses normativos e não cognitivos. Este interesse pertence a outra esfera e não se realiza através da verdade. Costumo pensar que a política não é o lugar da verdade, por isso há que relativizar as mentirolas dos políticos. Lá joga-se outra coisa.
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Parece-me que o que se defende é que existe concertação a nível europeu.
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Afinal é a esses que cabe o ónus da prova.
Tal e qual uns ateístas vizinhos, que há que tempos não visito, descrente de deus e de impostos, para a vaidade de governos centralistas, quais megas ferreira, mais pavão, senhores, que os têgêvês, gageiro, o aeroporto de alcochete e as pontes?
Não viram esse mega, tal socrático vaidoso, a mesma irmandade, à mesma mesa farta e grande.
E ainda dizem que há pobríssimos em Portugal…
Oh, ver esses ricos a gastar tanto dinheiro.
E morrem, na mesma, os vaidosos. Em grandes enterros, à grande.
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Eu digo que há concertação porque o Peres Metelo diz que não há!
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««Parece-me que o que se defende é que existe concertação a nível europeu.»
Quando se prova que a pequena teoria da conspiração está errada, recorre-se à grande.
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Tenho que admitir que esta discussão esteve a alto nível.
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A Golp bem pode concertar os preços que bem entender. Tem a protecção do governo, pois ambos são ganhadores em todo este processo. MAS teve azar em Espanha, quando foi condenada pela concertação de preços no alcatrão, pois os nossos vizinhos não vão nessas conversas e as suas autoridades são realmente independentes.
Como ficou provado, a Golp já tem cadastro na matéria (o que não implica tacitamente que seja culpada de toda a cartelização).
Já agora… como explicar que os preços sobem à mesma hora o mesmo valor? Como podemos explicar isso?
Fazendo a analogia para os outros bens, comparem um produto de determinada marca, e comparem nos diversos pontos de venda. Como é que vamos às compras e trazemos determinado produto de determinado mercado, pois o preço é mais baixo neste?
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Claro que há concertação. Foi o Bush que mandou fazer a concertação. Os EUA está no negócio de venda de petróleo e isto é mais uma oportunidade do capitalismo selvagem para derrubar Chavez e sus muchachos. Coitados dos árabes, que com esta manobra sionista, agora vão ter que comprar mais caro. Eu ando de autocarro e faço um manguito a todos.
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