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Que fazer?

11 Junho, 2008

Face aos gangs de criminosos que impedem a liberdade dos cidadãos, atacam a propriedade de terceiros, ameaçam a integridade física dos pessoas e impedem o normal funcionamento de todo um país, como deveriam reagir os cidadãos?

Esperar que o governo faça alguma coisa é a via tradicional, a mais facilitista e a mais perigosa pois que este, por norma, costuma de forma fácil utilizar o nosso dinheiro em favor de quem grita mais alto e tenta viver parasitariamente. De preferência deseja-se que o governo nada faça em face das exigências de saque apresentadas e apenas se limite e repor a ordem e a fazer cumprir a lei.

Mas os cidadãos, directa ou indirectamente afectados e com a ameaça de se lhes retirar ainda mais rendimento, o que poderão eventualmente fazer?

Pressionar o governo para não usar o nosso dinheiro cedendo á chantagem chupista. Pressionar por email e fax a Antram e os falsos empresários acusando-os de tentaram sacar o nosso dinheiro e lamentar que as suas acções os tornem um simples gang de marginais.

74 comentários leave one →
  1. luikki's avatar
    11 Junho, 2008 14:05

    gangs criminosos?
    os cidadãos do rectângulo devem apoiar os camionistas e os transportadores e ajudar a boicotar toda a circulação!
    é mais do que tempo para a a mania dos brandos-costumes acabe! o rectângulo da vossa senhora, do fado, do futebol e dos políticos incompetentes e desonestos precisa de levar um abanão.
    afinal, o que está em causa é o preço (os impostos) dos combustíveis que sempre foram a “vaca-leiteira” da corja que (se) governa.
    e esses impostos (mais todos os outros que a corja inventa) podem ser combatidos, agora!
    desobediência civil (o pavor do poder instituido) é o caminho…

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  2. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:10

    Se entendermos a reacção dos camionistas como uma autência desobediência civil, um direito a resistir ao roubo descarado que nos faz o gang do(s) governo(s), ( Portugal é um dos países com maior índice de carga fiscal, entre um leque de países semelhantes), então a coisa muda de figura.

    O direito de resistência a ilegalidades, mesmo a coberto da lei, é assunto que retira eventualmente a ilegalidade de procedimento.

    Os piquetes, como forma de controlar movimentos grevistas, estão previstos na lei.

    O problema é que a lei, não controla tudo.

    E o Governo já entendeu e bem que reagir a quente e à maneira de Dias Loureiro, leva-os imediatamente à desgraça.

    Mesmo não concordando com este governo, entendo que a negociação é a única via sensata para por cobro a isto.

    Se não, é fácil de ver o que pode acontecer a seguir: o Estado refêm de um grupo de camionistas!

    Tal como no Chile. Tal como no Chile, recordem.

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  3. Desconhecida's avatar
    antonio permalink
    11 Junho, 2008 14:12

    obviamente que o governo deve intervir e regular. É essa a sua função. O mercado apenas acentua os conflitos e injustiças. Se há revolta é porque existem pessoas a ganhar milhões, não porque se ache que o dinheiro nasce nas arvores. O “saque” é noutro lado que está a ser feito, o que está aqui em causa, como em toda a história humana, é que a pilhagem seja distribuida.

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  4. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 14:13

    «os cidadãos do rectângulo devem apoiar os camionistas e os transportadores e ajudar a boicotar toda a circulação!»

    Se quiser pagar mais impostos, se quiser que lhe tirem mais rendimento do seu bolso para o darem aos camionistas, é um problema sue. Mas eu não sou dos que não aprecio que me tirem dinheiro para o dar a quem não precisa. Aumentem os preços dos serviços, que é o que toda a gente faz quando os factores de produção aumentam.

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  5. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 14:13

    Factos:
    – Este “queimámos os camiões do senhor Jerónimo Martins esse capitalista” cheira a PREC. Desgrada-me. Detesto. Já vimos onde o outro PREC nos ia levando.

    – Os camionistas poderiam (se não viciassem o mercado eles próprios) aumentar o preço de venda do frete. É assim que os mercados funcionam: aumentam os custos de produção, aumenta o preço de venda.

    – Os camionistas não podem aumentar o preço de venda, porque são tão unidos como sacanas uns para os outros, viciando o mercado com aqueles telefonemas (que qualquer responsável de logística confirmará) de “Eu faço menos 20 aerios do que o seu fornecedor”.

    – Não temos de ser nós a pagar a margem de exploração da sua actividade. Quem não tem processos de gestão eficientes deve fechar a porta, como acontece com todos os outros sectores.

    – O protesto é “porque podemos” não sendo mais do que bullying. Aliás, desconfio que os bullyiers da minha adolescência estão todos na rotunda do Carregado a esta hora.

    – Morreu um camionista e mais dois foram atropelados quando tentaram subir para viaturas em movimento que circulavam na via pública. Contra-argumentável apenas com preconceitos de extrema-esquerda.

    Somos um país asfixiado, pela massa bruta e ignorante dos bullyers. Não adianta que os miúdos que crescem nesta sombra, procurem paragens sem tantas.. digamos… bestas.

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  6. Fiel's avatar
    11 Junho, 2008 14:15

    Agora já estou a entender o Prof. Cavaco quando falou na “Raça”…

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  7. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:17

    As revoltas sociais, como esta que se encontra em gestação, devem ser atendidas pelos governos que são democráticos e delas tirarem lições. A maior delas é que os impostos, estão no limite do aceitável e admissível.

    Os Governos têm necessariamente de reduzir a despesa pública que alimentam e devem começar por eles mesmos, pelo exemplo comezinho que todos entendem: reduzir nos gastos diários, com coisa como carros, almoçaradas, festas ( o 10 de Junho, foi uma festança), etc etc.

    Essa parte visível e porventura insignificante no custo geral, é importantíssima como sinal que se dá às pessoas.

    O resto viria por acrescimo, com a demissão de um inenarrável Pinho ou de um Lino, dois cromos que nada entendem disto.

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  8. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 14:18

    «Portugal é um dos países com maior índice de carga fiscal, entre um leque de países semelhantes»

    no que diz respeito aos combustíveis, Portugal está precisamente na média europeia, nem mais nem menos.

    Não se leia tal como defendendo a actual carga fiscal. Mas como nunca governo algum até hoje reduziu certas incidências fiscais sem que ao mesmo tempo a tenha compensado com o aumento correspondente noutro lado (sempre evitando a descida de despesa), não vejo qual a utilidade de, á custa do meu rendimento, ser favorecido o rendimento de uma simples classe, a dos camionistas. Que estranhamente se recusam a fazer repercutir sobre os clientes o aumento de preços.

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  9. Luís Lavoura's avatar
    Luís Lavoura permalink
    11 Junho, 2008 14:20

    Sem dúvida que tem havido atuações criminosas. Mas creio que a generalidade do protesto decorre de acordo com a lei. Há um conjunto de empresas que, pura e simplesmente, decidiram suspender a sua atividade. A maioria das empresas e camionistas, tanto quanto parece, adere à paralisação de livre vontade.

    Ou seja, a mim parece-me que, mais do que um caso de polícia, isto é matéria para uma requisição civil. Só que não sei se tal é legal, uma vez que não se trata de trabalhadores grevistas, e sim de empresas que, legitimamente, se recusam a trabalhar.

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  10. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 14:22

    Toda a «requisição civil» é ilegal.
    O Estado não tem o direito, em caso algum, de forçar as pessoas a trabalhar contra a sua vontade.

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  11. Desconhecida's avatar
    PLus permalink
    11 Junho, 2008 14:23

    Eu já ficaria contente se os cidadãos tivessem consciência de que é isso que lhes está a acontecer.

    Muitos continuam a achar que os camionistas- como os do peixe – até tem alguma razão, que aquilo que fazem – embora lá admitam que não concordam- é porque tem que ser. Que o governo é que o culpado e/ou é tem a obrigação de arranjar uma solução.
    Que aquilo que o governo fizer em beneficio desta classe particular não tem consequências para os outros contribuintes.
    Que lá fora é que é “a sério” e por cá os camionistas tinham é que também estar todos unidos( sempre ficavam com uma visão mais romântica da coisa ) como acontece lá fora, esquecendo que aquilo a que chamam ” a sério” apenas comprova a falta dessa mesma união.

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  12. Luís Lavoura's avatar
    Luís Lavoura permalink
    11 Junho, 2008 14:25

    Creio que o problema das empresas de transportes não é, simplesmente, o de fazer repercutir sobre a clientela os seus custos. O problema será, segundo acredito, em boa medida um problema de “cash flow”.

    A maioria das empresas portuguesas (de camionagem e não só) está extremamente descapitalizada e endividada (tal como a generalidade dos portugueses), sem capacidade para investir nem flexibilidade financeira: cada tostão que entra imediatamente sai. Isto funcionava mais ou menos enquanto os bancos financiavam tudo: com a crise do crédito, os problemas de “cash flow” tornaram-se brutais. Basta um cliente pagar umas semanas mais tarde para a empresa ficar à rasca.

    Numa tal situação, o aumento súbito do preço do gasóleo aumenta esses problemas de “cash flow”, porque a empresa é forçada a “empatar” mais do seu dinheiro na compra de carburante, dinheiro que só reaverá daqui a alguns meses, quando os clientes lhe pagarem.

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  13. António de Almeida's avatar
    11 Junho, 2008 14:25

    -Que fazer?
    -Obviamente exercer a autoridade do estado de Direito.
    -Mas temos um problema, um partido qe em tempos elegeu um P.R. que até mandou um guarda “desaparecer”, e nomeou ministro alguém que passou buzinando numa portagem sem pagar, é um partido com pouca “autoridade moral”, assim sendo enviou Rui Pereira para o Brasil, e apostou em negociações nas quais se faz representar pelo credivel Mário Lino.

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  14. Desconhecida's avatar
    Doe, J permalink
    11 Junho, 2008 14:26

    “Os camionistas poderiam (se não viciassem o mercado eles próprios) aumentar o preço de venda do frete. É assim que os mercados funcionam: aumentam os custos de produção, aumenta o preço de venda.”

    E, perante esse aumento de custos para o cliente com as camionagem portuguesas, o que nos impede de contratar uma transportadora espanhola?

    É que problema principal que, para mim, está em causa é o da disparidade da extorsão fiscal praticada em PT em relação à de Espanha. Não será assim?

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  15. Desconhecida's avatar
    illuzionatti permalink
    11 Junho, 2008 14:26

    Que fazer???

    REVOLUÇÃO!!!

    Está na hora de acabar com esta passividade e marchar contra este governo elitista que tudo faz para tornar a vida do povo mais difícil e menos digna.

    ÁS ARMAS!!! ÁS ARMAS !!!

    … ( maior gang de criminosos do que os governos, não há !!! seja ele PS ou PSD ou outro qualquer, todos são marionetas da mesma manipulação)…

    ÁS ARMAS!!! ÁS ARMAS!!!

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  16. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:28

    Ai o Rui Pereira foi para o Brasil?

    Que se ponha a pau, porque de regresso pode já nem ocupar o lugar.

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  17. Luís Lavoura's avatar
    Luís Lavoura permalink
    11 Junho, 2008 14:28

    Gabriel Silva,

    pois, se toda a requisição civil é ilegal – e repare que aqui não se trataria de requisitar apenas trabalhadores, mas também de requisitar material, isto é, camiões, os quais pertencem a empresas – então eu creio bem que, em larga medida, estamos todos lixados. Porque as empresas podem legitimamente deixar de fazer fretes. E eu creio que, em larga medida, é isso que elas estão a fazer. As ilegalidades, o impedir camionistas de trabalhar, estarão a ocorrer, mas parece-me a mim que são casos minoritários.

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  18. Carlos Fernandes's avatar
    Carlos Fernandes permalink
    11 Junho, 2008 14:29

    De acordo, todos querem “mmar” subsídos pressão sobre as empresas de transportes para descloquearem a situação. Por mim já contactei com duas. Querem “sacar” aos contribuintes!

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  19. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:29

    Todas as revoltas populares, começam com violações da legalidade democrática.

    o 25 de Abril, então, foi a maior das violações que me recordo de assistir.

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  20. Carlos Fernandes's avatar
    Carlos Fernandes permalink
    11 Junho, 2008 14:30

    Trsite figura a da “dama de ferro” enferrujou cedo demais!

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  21. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 14:30

    Luís Lavoura (12)

    pode ser, mas e o que nós pagantes de impostos temos a ver com o caso? Não se passa tal situação em inúmeros outros sectores de actividade? Vai o dinheiro dos nossos impostos manter artificialmente em actividade essas pseudo-empresas?

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  22. Desconhecida's avatar
    José António permalink
    11 Junho, 2008 14:31

    epá vocês não tinham uns exercícios muito giros, que eram tipo barômetros político num quadrado??

    Não orientam o link? Queria-me autodiagnosticar…

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  23. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:32

    Na Finlândia, salvo o erro, o ano passado ( também salvo o erro), o pessoal de emfermagem do país, em bloco, decidiram paralizar.

    Ilegalidade! Vai morrer gente! Gritaram os liberais lá do sítio, ao saber que a cedência implicava um aumento impossíevl ( 20 ou 30%).

    Ganharam! Na mais perfeita ilegalidade…

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  24. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 14:33

    Doe J
    «É que problema principal que, para mim, está em causa é o da disparidade da extorsão fiscal praticada em PT em relação à de Espanha. Não será assim?»

    mas se em Espanha estão igualmente a reclamar o mesmo, se em ambos os países os camionistas forem vitorioso, a coisa (diferencial fiscal) fica na mesma, não?

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  25. Desconhecida's avatar
    Doe, J permalink
    11 Junho, 2008 14:33

    Gabriel Silva Diz:
    “«Portugal é um dos países com maior índice de carga fiscal, entre um leque de países semelhantes»”

    “no que diz respeito aos combustíveis, Portugal está precisamente na média europeia, nem mais nem menos.”

    E se lhe acrescentar todos os outros custos fiscais e para-fiscais obrigatórios ou perto disso, (portagens por exemplo), ainda fica “na média”?
    É que me parece que para poder circular e trabalhar legalmente em PT não basta apenas ir ao “pitroil”. 🙂

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  26. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:34

    O pessoal de enfermagem, ganhou, queria dizer.

    A legitimidade democrática tem destas coisas. Agora é que eu gostaria de ouvir o discurso do ministro da Justiça que anda sempre com a boca na legalidade e legitimidade do voto.

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  27. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 14:34

    Bem, eu quis dar o meu contributo, a minha visão. Mas parece que os copy-pastes me obrigam a responder.

    Não é razoável acreditar que os camiões espanhóis sejam concorrentes directos, uma vez que teriam de abastecer em Espanha para se verificar a desigualdade.

    Quando ao preço de venda, apesar de nos comentário se ter tentado deturpar a minha opinião, com aqueles comentários (de quem não tem uma) políticos eu vou dar um número que é elucidativo:

    Um camionista, dispõe-se a fazer por 120 euros um frete que em 2005 custava 300 euros. Porquê?! Vão lá perguntar aos senhores da rotunda.

    Comentários sobre a raça e quejandos, são folclore. Mas eu percebo, virem a página da cartilha e respondam com outro slogan. Haja pachorra.

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  28. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:39

    Isto que se passa, é a revolta dos camionistas, contra o xerife fiscal que começou a legislar e a extorquir os contribuintes, com aquela senhora, Ferreira Leite de seu nome…

    Claro que agora está caladinha. Não sabe o que fazer, a senhora Ferreira Leite, mai-lo seu mandatário nos blogs, o Abrupto.

    Isto é uma dor de cabeça para estes políticos de pacotilha que nos calharam em rifa e que apenas sabem extorquir impostos e mais taxas. Tal como em Notingham

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  29. Desconhecida's avatar
    illuzionatti permalink
    11 Junho, 2008 14:40

    Com tantas leis que existem no mundo é normal fazer algo ilegal…

    As leis mudam-se conforme a vontade e interesses dos políticos que as fazem e passam…

    ÁS ARMAS!!! ÁS ARMAS!!!

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  30. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 14:40

    Para piorar a situação, seguindo a filosofia de ceder ao bullying para não asfixiarmos, teríamos uma sociedade engraçada. Onde só quem tem poder de bloqueio é que poderia aspirar a algo bom na vida.

    È engraçado.. sei lá. Giro. Divertido. Apalhaçado até.

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  31. MJRB's avatar
    11 Junho, 2008 14:41

    Mr. Gabriel Silva,

    Então, tudo isto não começou com os sucessivos, descontrolados — e permitidos ! –aumentos dos combustíveis ?

    OS CARTÉIS DOS GASOLINEIROS são “santos” se comparados com os camionistas ?

    O que noto, é que país está “sereno”, a assistir a tudo isto, porque as pessoas (classes média e média baixa) reveem-se de qualquer modo no protesto dos camionistas.

    E o Estado, o governo, estão temerosos. Caso contrário, já teriam intervido com forças policiais a sério.

    A seguir, virão outras classes profissionais e associações, reivindicar benesses, se os combustíveis não forem de qualquer modo controlados.

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  32. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:43

    Akula:

    Então, açule os cães. Mande-lhes a tropa ou o corpo de intervenção ( já não chegam para a encomenda).

    Força e vai ver no que dá. Adiante, com essa vontade de reposição de legalidade.

    O clint Eastwood, nos velhos tempos, dizia: go ahead! make my day!

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  33. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 14:43

    Não é um bocadinho contraditório que as gasolineiras tenham acabado de facturar o défice de facturação que não tinham facturado durante o dia 1,2 e 3 de Junho.

    Os portugueses têm uma característica hilariante, queixam-se exactamente a quem os prejudica.

    Hilário!

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  34. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:45

    Até me vou rir do Rui Pereira. Que figura, santo Deus!

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  35. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 14:46

    José: Engana-se. Eu não sou contra o protesto, nem a favor da reposição da ordem pública.
    Para mim não há perturbação da ordem pública. Há um país chamado Portugal, a ser… Portugal.

    É isto que nós somos. Agora, não me impeça de rir, já que daqui por umas semanas vou ter de pagar com o meu IRS e IVA os vícios negociados pelos sindicalistas.

    Eu uso gasóleo para vir para o meu emprego, mas aparentemente não se chama profissional. Só se chama profissional se eu pertencer a uma camarilha.

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  36. Desconhecida's avatar
    Necas permalink
    11 Junho, 2008 14:47

    Não se esqueçam quando o governo de Cavaco aumentou em 50$00 as portagens houve logo um bloqueio da ponte 25 de Abril.
    Nessa altura era Presidente da República Mário Soares, que proferiu uma frase que ficou famosa: os portugueses têm direito à indignação!!!

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  37. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 14:50

    Os portugueses também tinham o direito a trabalhar o dobro se lhes apetecesse. Não havia défice nem falta de produtividade que os barrassem.

    Mas estamos no Verão. Praia de manhã, bitaites à tarde e Europeu à noite.

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  38. Desconhecida's avatar
    José permalink
    11 Junho, 2008 14:51

    Akula:

    Então, estamos de acordo. Este governo está como o burro no meio da ponte. Não sabe o qeu fazer: se negoceia, caem-lhe em cima e é o que vai suceder, prevalecendo o bom senso.

    Se não negoceia, cai daqui a dias, sem apelo nem agravo.

    Crise? A pior de sempre, em Portugal. E Rui Pereira foi para o Brasil…ahahahah!

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  39. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 14:58

    Necas (38)

    Infelizmente o aumento não foi por diante e todos os contribuintes estão a pagar a diferença entre o custo pago pelo utilizador e o custo suportado pelos impostos de todos.
    Ninguém, pelo menos eu não contesto o direito á «indignação» ou mesmo a desobediência civil em casos limite. Mas mesmo nesses casos tal não pode nunca ser suportado no prejuízo directo dos demais concidadãos com coação fisica, ameaça de violência e limitação de liberdade de circulação, nem na violação da lei, com o propósito de sacar dinheiro do meu bolso.

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  40. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    11 Junho, 2008 14:58

    Mas se as transportadoras aumentarem os fretes não somos nós também que vamos pagar esse aumento? Concerteza que os custos se reflectem no preço final da alface , do carro ,do cimento , da farinha , do móvel ,e etc ,transportados.
    Pagaremos de qualquer maneira.

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  41. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    11 Junho, 2008 15:03

    ««Mas se as transportadoras aumentarem os fretes não somos nós também que vamos pagar esse aumento?»»

    Não, porque nesse caso cada um de nós pode optar entre comprarou não ptrodutos que incorporam fretes. Existem produtos que incorporam mais os custos de transportes que outros.

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  42. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    11 Junho, 2008 15:04

    Talvez se as empresas xupistas,xuxalista e monopolistas ganharem menos seja possível as pessoas estarem menos revoltadas!

    Quanto ao preço dos combustíveis serem mais ou menos iguais em toda a UE,só é pena que não se fale dos salários onde lá são muito maiores.Mas isso tambem não deve interessar para nada!

    Já se sabe alguma coisa do Operação Furacão,e do BCP onde estão desaparecidos tantos milhões que tanta falta fazem aos “gentios” em fúria?

    Á pedrada? Ou não é caso para isso?

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  43. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 15:04

    Anónimo (40):

    É claro que sim. A isso chama-se saudável comportamento do mercado. Tal como o peixe, que por não ver reflectido no seu preço final os verdadeiros custos de captura do mesmo, acabou por lançar os pobres pescadores neste dilema de não trabalhar para não ter custos.

    Para mim não restam dúvidas, que a nossa inflacção foi manipulada. A inflacção é como uma borbulha. Ou cresce para fora, vê-se e trata-se, ou cresce para dentro deixando uma pele impecável mas com uma infecção de proporções não mensuráveis.

    Pagamos todos. Não há governo que valha. Só resta pagarmos todos, como país sub-desenvolvido, pouco produtivo e periférico que somos.

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  44. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 15:05

    Anónimo (40)

    sim, iremos pagar essa diferença, mas tal resultará de um nornal funcionamento de mercado: custos de produção mais caros repercutem-se em certa medida sobre os preços finais. Nada de especial a dizer.
    Numa economia de mercado é assim que funciona, não com a atribuição de subsidios, reduções, isenções, assumpção de custos por parte dos contribuintes ou interferencia estatal no mecanismo de fixação de preços.

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  45. MJRB's avatar
    11 Junho, 2008 15:12

    E acresce que essa revolta não é só por cá. Espanha, França, Itália…
    Todos, “gangs de criminosos”…

    O patronato, a ANTRAM, os gasolineiros, o governo, é que são gente correcta, extraordinária …

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  46. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    11 Junho, 2008 15:13

    JM há produtos que aparecem nas prateleiras dos supermercados a voar tipo passarola do Gusmão!

    E se a riqueza do país fosse melhor distribuída,tipo os outros países da UE?

    Os empreendedores e ricos de Portugal fugiriam do país?E seria mau ?

    Não está fácil.Viver na miséria é que não.Aí vale tudo por muito que custe ao Gabriel!

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  47. Pedro Pinto's avatar
    Pedro Pinto permalink
    11 Junho, 2008 15:16

    Ainda não percebi porque é que os camionistas não repercutem no preço o aumento dos custos…alguem sabe explicar?

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  48. Lololinhazinha's avatar
    Lololinhazinha permalink
    11 Junho, 2008 15:18

    A requisição civil não é ilegal, desde que absolutamente essencial e dentro de um quadro especifico.
    No caso nem me parece que seja ainda necessária a requisição civil. É preciso é evitar que as empresas que querem continuar a distribuir não fiquem “sequestradas”.

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  49. Lololinhazinha's avatar
    Lololinhazinha permalink
    11 Junho, 2008 15:21

    Aliás, assumo que as transportadoras tenham contratos com os seus clientes e que os estejam a violar. Esta situação é incómoda para todos nós mas parece-me que terá custos para as transportadoras muito superiores aos aumentos do combustível.

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  50. Lololinhazinha's avatar
    Lololinhazinha permalink
    11 Junho, 2008 15:23

    MJRB,

    Calma. É preciso saber distinguir aqueles que pura e simplesmente decidem não trabalhar, dos que impedem os outros de trabalhar através de manobras de coação e quase sequestro.
    Estes últimos, embora possamos compreendê-los, estão a agir de forma criminosa. Faz-me lembrar o hábito dos vidreiros da marinha grande que quando tinham salários em atraso iam a correr cortar a linha do combóio. (O TGV vai passar por lá?)

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  51. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    11 Junho, 2008 15:25

    Gabriel, ao encher dois depósitos de um camião em Espanha poupa o dinheiro para pagar um ordenado mínimo em Portugal. Um barco do Minho que vá abastecer a Vigo paga nessa viagem um ou dois ordenados em Portugal. Uma empresa com 50 camiões a diferença de preços entre Portugal e Espanha permite-lhe poupar 12,500€ por dia. Tudo por causa dos impostos. Um bloqueio agressivo como este é totalmente condenável mas as razões do protesto são mais que válidas. Vocês passaram anos aqui no Blafémias a criticar os impostos em Portugal. Subitamente agora defendem que não vale a pena baixar os impostos porque o que interessa é a despesa. Olha, que grande novidade! Mas a única forma de eles não gastarem mais é não lhes pagarmos o que já lhes pagamos. Milhares de portugueses são todos os dias patriotas porque vão abastecer em Espanha e pagar impostos ao estado espanhol. Porque patrotismo é deixar de financiar este Estado gordo que nos afixia e nos endivida cada vez mais com as suas obras faraónicas que beneficiam apenas meia dúzia de bancos e construtoras enquanto nos sufocam a todos nós. Deve haver centenas de post’s vossos sobre impostos em Portugal e agora dizem que não vale a pena lutar contra isso porque o que interessa é a despesa? Safa, que estranhas piroetas que vocês estão a fazer !

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  52. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 15:29

    Pedro Pinto: porque os camionistas (empresários de camionagem) esfaqueiam-se uns aos outros nas costas. O Pedro imagine que tem uma plataforma de logística, é normal que apareçam uns “chicos” a telefonar-lhe e a oferecerem-se para fazer por 100 aquilo que o colega de profissão faz por 200.

    Posso-lhe adiantar que um gestor de plataforma hoje em dia, repartem da seguinte forma o trabalho: consoante a percentagem de dead-lines obrigatórios que tenham, contratam mais ou menos empresas seguras e camionistas de biscate. A diferença de preços é enorme, porque as empresas seguras, praticam o preço justo de mercado. Os camionistas de biscate foram só os primeiros peixes a ficar sem água, quando a maré baixou.. por isso estão nas rotundas. Apenas com a diferença que preferiram comer-se uns aos outros… antes.

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  53. MJRB's avatar
    11 Junho, 2008 15:35

    Miss Lololinhazinha,

    Também eu não aceito que camionistas impeçam outros colegas de transitarem. E não aceito por diversas causas.

    Mas o patronato também usa meios de coacção ÑÃO SÓ EM RELAÇÃO AO EMPREGADO, MAS TAMBÉM SOBRE OUTROS PATRÕES quando estão em desacordo. Só que não precisam de vir para a rua. Os processos são outros (mais finórios) e sabemos que ocasionalmente desrespeitadores das leis…

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  54. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    11 Junho, 2008 15:42

    “Existem produtos que incorporam mais os custos de transportes que outros.”

    Então, quais são esses produtos? E, já agora, onde é que se podem adquirir?

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  55. Paulo Vaz's avatar
    11 Junho, 2008 15:48

    Gabriel,

    É vergonhosa a sua posição.

    O correcto é manter impostos elevados para fazer Alcochete quando a Portela não está esgotada e já está a cair no nº de passageiros. O correcto é cobrar ISP para financiar as SCTUS/PPPs do seu companheiro JCD para ter a maior densidade de auto-estradas da europa e auto-estradas paralelas. O correcto é usar impostos para o Estado Central o usar aliementando a carteira de encomendas dos project finance, Motas-Engis, Brisas, etc. Quando finalmente alguem, por razões erradas (baixar impostos para menter um negócio sem futuro), finalmente se revolta contra os impostos, eis que os neo-liberais da praça desatam a defender a ordem pública, o status quo.

    O que devia defender era o fim do ISP e fim das obras públicas que só servem para manter o regime. O governo que corte nos TGVs, tuneis do Marão ou Alcochete.

    A sua posição é do mais salazarista que existe, caro Gabriel.

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  56. Paulo Vaz's avatar
    11 Junho, 2008 15:50

    O Estado que deixe de ter hábitos de rico para alimentar os lobbies muito polidos e ordeiros que apenas servem para explorar os contribuintes. Outro exemplo: TTT.

    O Blasfemias perde ainda mais credibilidade. O Blasfemias a manter impostos para manter o status quo do regime, vejam só.

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  57. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 15:55

    como dizia o outro: «bardamerda para o salazarista»

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  58. jose ferreira da silva's avatar
    11 Junho, 2008 16:29

    Espero que tenhas sempre dinheiro para pagar o leite , a comida e tudo o resto que os camionistas te trazem .
    Tudo ( o que tens e naõ tens) é transportado por camião.
    Eles os donos dos camiões querem que pagues menos pelo transporte .
    Esta é a luta.

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  59. Vítor Vilar's avatar
    11 Junho, 2008 16:36

    Não. Não querem.
    No mínimo querem que paguemos o mesmo, porque é um problema de margem de bruta de exploração.

    No entanto o argumento é curioso. Os camionistas são santos, mas só porque nos põem o pão na mesa. Da mesma forma que um executivo é um traste.. porque.. bem.. porque não se percebe bem o que faz.

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  60. Roídodefundo's avatar
    Roídodefundo permalink
    11 Junho, 2008 16:57

    Mais que o volume de imposto que temos que pagar, é o pouco ou quase nenhum retorno que temos por parte do estado.
    Lembram-se daquele show Brasileiro á muitos anos, que tinha uma rábula, onde quando alguém se lamentava com o preço de qualquer coisa, o actor respondia “isto não é caro você é que está ganhando pouco!”

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  61. Paulo Vaz's avatar
    11 Junho, 2008 17:01

    «bardamerda para o salazarista»

    outros argumentos, caro Gabriel ?

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  62. Desconhecida's avatar
    Liberem-me permalink
    11 Junho, 2008 17:10

    Esta história dos camionistas, tal com antes dos pescadores, está a deixar os liberais em verdadeiro stress.
    Afinal o liberalismo não funciona…
    Perante o aumento dos custos, manda o liberalismo que se aumentem os preços…
    e estes malandros dos pescadores e camionistas são uns iletrados! Não sabem nada de liberalismo! Em vez de subirem os preços exigem do governo que os chupe menos!
    Viva o liberalismo! Cadeia com os que querem desrespeitar as suas leis!
    Malandro!

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  63. Elcaseiimunitates's avatar
    Elcaseiimunitates permalink
    11 Junho, 2008 18:13

    Toda a gente faz aqui comparações com o preço do combustivel espanhol esquecendo que o estado espanhol gasta menos do que aquilo que qrrecda em impostos.
    Equiparem a carga fiscal e depois façam continhas a quantos funcionarios tem “o estado” de deixar de pagar, quantas reformas vão deixar de ser pagas e quanto investimento o estado terá de deixar de fazer.
    A maior parte ainda não percebeu que levamos trinta anos a pedir dinheiro lá fora sempre a gastar mais do que aquilo que produzimos e bastante mais do que aquilo que o estado arrecada até ao ponto da divida publica rondar os 50% do nosso PIB.
    Caso não se continue a reduzir o famoso deficit, aqueles que apoiam medidas de excepção, neste caso para um sector que contribui apenas com menos de 3% do PIB portugues, preparem-se para desenbolsar eles próprios pois que estamos no limite da credibilidade para pedir carcanhol lá fora.

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  64. Elcaseiimunitates's avatar
    Elcaseiimunitates permalink
    11 Junho, 2008 18:17

    Por comparação com o frete dos camionistas que não incorporou o preço dos combustiveis nele podemos dizer que os estado portugues (estado em termos de finanças são os que pagam para ele) não incorporou durante trinta anos aquilo que arrecadava e sempre foi dispendendo mais.

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  65. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    11 Junho, 2008 18:24

    Anonimo do 51.,

    ===”Um bloqueio agressivo como este é totalmente condenável …”===

    Sejam quais forem as razões ? Se é assim, estamos de acordo. E isto parece-me ser o mais importante neste momento. Antes de ser uma questão económica é uma questão de direito !

    ===”… mas as razões do protesto são mais que válidas.”===

    Isto já é outro aspecto do problema. Discutivel ! Não duvido de que para os transportadores seja preferível beneficiar de um preço dos combustiveis mais baixo e de outros subsídios. Talvez não seja exactamente o mesmo para todos. Estas medidas são certamente mais importantes para os transportadores menos eficientes. Mas elas vão custar dinheiro, que tem de vir de qualquer lado, ou da redução de outras despesas públicas ou de um aumento de outros impostos. Outros cidadãos serão prejudicados. Também eles terão “razões mais que válidas” !

    ===”Vocês passaram anos aqui no Blafémias a criticar os impostos em Portugal. Subitamente agora defendem que não vale a pena baixar os impostos porque o que interessa é a despesa.”===

    Eu não sei quem são os “Voces … no Blasfémias”. Eu não sou.
    Também não reparei se todos estes “Voces … no Blasfémias” criticam os impostos em Portugal.

    Em geral, a maior parte dos liberais não “criticam” os impostos. Reconhecem a necessidade e o papel do Estado, por “minimo” que seja, e, por consequencia, a necessidade de as suas despesas serem financiadas através de impostos.

    Dito isto, sou claramente pela redução dos impostos. Sobretudo em termos da carga fiscal global. Que é excessiva, prejudica a eficiencia da economia, é fonte de injustiças. Seria necessario ver em detalhe, que impostos abolir, que impostos baixar, que impostos manter, e, por que não, eventualmente, que impostos aumentar e criar.

    Claro que para baixar os impostos seria necessario, indispensavel, reestruturar e, sobretudo, reduzir as despesas globais do Estado. Também aqui se teria de ver em detalhe, que despesas reduzir, que despesas manter, e eventualmente, que despesas aumentar.

    O que não é solução nenhuma é baixar significativamente impostos sem cortar nas despesas. É uma ilusão. Cria-se déficit e dívida pública e, como um país não pode abrir falência, mais cedo do que tarde é necessário ir buscar o dinheiro à economia e aos bolsos dos cidadãos. Aumentam-se os impostos. Porventura para níveis superiores aos anteriores.

    É verdade que alguns liberais defendem por vezes que se comece por uma baixa de impostos sem ou antes de se mexer na despesa pública. A tese é a de que existiria um ciclo virtuoso na economia : menos impostos significa mais dinheiro para os consumidores e para as empresas, aumento da procura e dos investimentos produtivos, crescimento da riqueza nacional, e, no final, aumento das receitas fiscais sem aumento da carga fiscal, reequilibrio das contas públicas, um redução das percentagens da carga fiscal e das despesas do Estado no PIB.

    Seja como for, a possibilidade de sucesso deste tipo de política depende de várias outras condições. Em particular, as que favorecem a liberdade dos agentes economicos e o bom ambiente dos negócios.
    O que é certo é que é um instrumento de política económica que é complexo e que tem de ser utilizado de forma criteriosa. Sob pena de gerar desequilibrios orçamentais sem criar um ciclo virtuoso na economia.

    Por esta razão, eu apenas concebo uma política de baixa de impostos desde que integrada num programa mais global de liberalização e redução do peso do Estado na economia e na sociedade.

    Ora, não me parece que exista actualmente em Portugal um poder político disposto a aplicar um programa global deste tipo.
    O actual governo, do PS de José Sócrates, por mais pragmático e reformista que seja, não o fará certamente.
    A actual oposição à direita do PS não está igualmente em condições de o fazer. Desde logo, porque nem é certo que consiga chegar ao poder brevemente. Depois porque, pelo menos por enquanto, não parece querer assumir e aplicar um programa de governo verdadeiramente liberal.

    É verdade que há alguns liberais que consideram que, mesmo assim, se deveriam aproveitar todas as oportunidades políticas para defender e tentar arrancar ao governo reduções de impostos. É a tese do “starve de beast” (“esfomeia o animal”). Ou seja, se o governo fosse obrigado a aceitar reduções de impostos depois seria obrigado a cortar nas despesas por falta de dinheiro ou para evitar desequilíbrios orçamentais.

    Sinceramente, eu não concordo com esta tese. Primeiro, porque não acredito que se consiga verdadeiramente forçar a mão a um governo que não é em princípio favorável à redução de impostos. Em segundo lugar, e principalmente, porque estou convencido de que se um governo destes o fizesse, por exemplo em resposta a situações pontuais de descontentamento “populista” (como a actual) ou em função de uma agenda eleitoralista, não deixaria de seguida de corrigir o tiro aumentando de novo os impostos. Parece-me preferível uma certa estabilidade fiscal, mesmo a um nível elevado, do que uma baixa de impostos meramente conjuntural e, de qualquer modo, geradora de desequilíbrios nas contas públicas.

    Daí que eu também não seja hoje favorável à redução dos impostos sobre os combustíveis, o ISP e a TVA. Ou melhor, seria naturalmente favorável (mas quem não seria, a começar pelo próprio governo socialista) desde que existissem condições para o fazer sem gerar desequilibrios nas contas públicas ou sem transferir o financiamente dessa baixa para outros impostos. A verdade é que actualmente não existem essas condições.

    Sou ainda menos favorável a uma baixa dos impostos nos combustiveis no contexto actual. Isto é, com vista a contrariar uma subida de preços determinada pelo aumento do preço do petróleo no mercado internacional. Subida esta que é fundamentalmente determinada pelas condições do mercado, seja ele mais ou menos influenciado pela lei da oferta (esgotamento de reservas, etc) da procura (China, India, etc), pelas respectivas condições concorrenciais (cartel da OPEP, etc), por factores monetários (baixa do dolar, etc), pela especulação, ou por outros factores. A verdade é que estas condições e aquele preço são condicionantes externas (dados) para o nosso mercado interno e que é bom que este se ajuste em conformidade. Ou seja, se o petróleo é mais caro então normalmente os mecanismos de mercado devem permitir que os padrões de custo e consumo das diferentes fontes energéticas sejam corrigidos no sentido de uma redução da utilização de combustíveis de origem fóssil e de um aumento da procura de outros tipos de combustíveis e de outras formas de energia.
    Deste modo, permite-se que o mercado, mesmo que imperfeito e manipulado, desempenhe algum papel de alocação dos recursos na forma mais eficiente possível (ou menos ineficiente).

    Claro que o mercado seria ainda mais eficiente se fosse ainda mais livre e menos manipulado. Inclusivé pela incidência de impostos mais baixos sobre os combustíveis. Impostos que, em princípio, deveriam ser apenas os necessários para compensar e custear diferentes externalidades (poluição, estrutura rodoviária, etc).
    Mas não é essa a realidade actual possível e não adianta estar a raciocinar na base de meras hipóteses !!

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  66. Paulo Vaz's avatar
    11 Junho, 2008 18:53

    oh Elcaseiimunitates, então é necessário continuar a cobrar impostos altos para mudar o aeroporto da Portela para Alcochete, para substituir o Alfapendular por TGV, para construir mais auto-estradas paralelas batendo todos os records de auto-estrada por KM2 ?

    É verdadeiramente degradante estes blasfemos e comentadores relativos serem manipulados que nem crianças pelo discurso do status quo. É absolutamente lamentável a falta de coragem a bovinidade e não perceberem que impostos altos apenas servem para alimentar interesses interesseiros à volta do Estado Central.

    PS: Concordo com o protesto dos camionistas não pelas razões que envocam, mas sim pela necessidade de implodir o status quo mafioso reinante, onde o Estado Central cobra a todos para alimentar as carteiras de encomendas de alguns.

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  67. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    11 Junho, 2008 19:17

    Zé,
    «Eles os donos dos camiões querem que pagues menos pelo transporte«.

    não, querem que eu lhes financie o negócio com dinheiro do meu bolso.

    E porque razão se deveria pagar menos pelos transportes se os factores de produção, nomeadamente os combustiveis aumentam? Onde se vai buscar a diferença? Ao governo? Mas este não produz ouro, nem dinheiro. Tem de o ir tirar a algum lado. O que pretendo é que o não venha buscar a mim e que faça como toda a gente: cobre mais aos clientes. Não vejo onde esteja a dificuldade…..

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  68. Desconhecida's avatar
    Tribunus permalink
    11 Junho, 2008 19:35

    O governo de Socrates durante 3 anos, fez a palhaçada, deitou os foguetes e apanhou as canas, acabou a Presidencia de Lisboa,
    e afundou-se na sua mediocridade congenita do seu chefe e ministros, tão bons, que nunca os substituiu.
    E agora que fazer? amahã quintafeira, peça ajuda e conselho ao Cavaco, porque este vai explicar-lhe que a governação Socrates acabou e o mesmo dito, vai começar a receber instruções da Presidencia da Republica, pois este não está interessado em ser arrastado, por um primeiro imcompetente e arrogante!

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  69. Elcaseiimunitates's avatar
    Elcaseiimunitates permalink
    11 Junho, 2008 21:48

    mas tem toda a razão….impostos exactamente fazem aquilo que diz,a começar por aquilo que eu disse.
    A bovinidade é pensar que pelo facto de se pensar que apenas por acabar com as tais obras de regime não teria de fazer o que eu disse.
    Não fiz nenhuma apologia dos impostos altos apenas constatei o facto resultante de uma situaçao que se prolonga á mais de trinta anos: gastar mais do que se produz e mais do que se arrecada.
    Degradante é fazer suposições e interpretaçoes erradas sobre outros.
    Só uma criança amnipulada reage assim.

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  70. Ricardo S's avatar
    12 Junho, 2008 00:20

    Já que Pinto Monteiro, responsável máximo pela autoridade competente para promover processos-crime e defender o Estado de Direito (Ministério Público), nada faz e não cumpre as suas obrigações, eu, como cidadão, vou usar um direito meu para ver se fazem alguma coisa: amanhã mesmo vou dar entrade de uma queixa-crime contra os vândalos delinquentes. Como os crimes praticados são de natureza pública, qualquer pessoa tem legitimidade para apresentar queixa.
    Muitos falam. Eu faço.
    Cumprimentos.

    PS: falam do Governo e do Presidente, mas estes não têm competências na acção penal. Apenas o MP tem.

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  71. De Puta Madre's avatar
    12 Junho, 2008 02:16

    JOHN RAWLS, Uma Teoria da Justiça, Afrontamento. Recomendo como uma excelente COMPRA. Para ler: “Definição da desobediência civil”.
    Cito p. ex.: ” Em que momento deixa de ser vinculativo o dever de cumprir leis adoptadas por uma assembleia maioritária ( ou actos do executivo apoiados por tal maioria) quando confrontado com o direito de defender as nossas liberdades individuais e o dever e lutar contra a injustiça? Esta questão envolve a natureza e limites do princípio do governo pela maioria. Por esta razão, o problema d desobediência civil constitui um teste crucial para qualquer teoria do fundamento moral da democracia.” pp. 282 .

    Estamos face a um caso prático GLOBAL ( Europa fora, não é?). Vamos ver como é que a UE resolve!
    Como já se percebeu, não é dentro das quatro linhas que a coisa se vai resolver. E a esquerda-fácil ainda está a apanhar bonés…
    Claro, que é constrangedor ver até onde a tirania do “empreededorismo-selvagem” e afins-dos-caprichos-dos-patrões leva os ânimos de GENTE ( tal como, p. ex.: muito bom jornalista se verga ao engolir daquilo que cala; como muita gente trabalha e trabalha sem contrato, férias, e o seu salário é o equivalente ao preço do sapatinho do patrão, ou aos óculos escuros de marca e o patrão não pode deixar de ficar na moda e etc.).
    PS.: Não confundir PESCADORES COM CAMIONISTAS! PFV!
    SIM! Assistimos à coação descarada dos patrões ao acto de desobediência civil, são pagos para marcarem presença e “açulados” a papaguear a vassalagem do costume! Isto sim! é que é – objectivamente – muito grave! Mais, Usar as forças de intervenção? Sim! SELEM OS ESCRITÓRIOS DOS PATRÕES! Cobrem-lhes já os IMPOSTOS! CONFISQUEM-LHES OS BENS! TROQUEM-LHES OS ÓCULOS DE MARCA POR UM DOS CHINESES!

    A desobediência Civil na falta de melhor é uma boa forma de luta e Justa!
    Esta Desobediência Civil é, com efeito, forjada. Porque descaradamente financiada pelos Patrões. Mas os ânimos estão lá esfomeados, como numa desobediência civil não coagida e acicatada. Vemos homens agrilhoados à sua condição/ estatuto de escravos. Sim. Escravos é assim q os patrões os tratam.
    A grosseria que a ali vemos é de ESCRITÓRIO, não é a de Camião!

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  72. Desconhecida's avatar
    José permalink
    12 Junho, 2008 11:45

    O Sócrates, depois de ler Unamuno, anda a ler John Rawls. Um dia destes, ainda aparece na Quadratura do Círculo, ao lado de Pacheco Pereira, a citar os sábios da Frígia e da Panfília.

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