A importância da reafirmação do dogma
Patrícia Lança escreveu um post sobre SIDA onde faz alguns juízos de facto de natureza estatística. Esses juízos causaram uma onda de indignação pela blogosfera. Esta é uma situação típica. Determinados juízos de facto tendem a gerar mais indignação que os juízos de valor. Patrícia Lança limitou-se a reconhecer um facto óbvio: na maior parte dos países do mundo, a SIDA não atinge aleatoriamente a população é possível identificar grupos cujos membros têm maior probabilidade de ter SIDA. Apesar de facilitar o combate à SIDA, esta observação tem um pequeno inconveniente: coloca em causa o complexo memético que foi meticulosamente construido nos últimos anos pela propaganda. A propaganda foi ensinando que a SIDA não é uma doença de grupos mas de toda a população, que quanto muito poderá afectar pessoas com comportamentos de risco. Por isso, qualquer pessoa que alegue que os dados mostram que ser membro de um grupo implica ter um risco maior será rapidamente confrontado pela reafirmação o dogma: “não há grupos de risco, há comportamentos de risco”. Uma simples pesquisa no Google mostra a importância da reafirmação do dogma. Pedro Arroja diria que esta é a forma que os povos católicos têm para lidar com a ciência (uma instituição protestante). Em vez de analisarem os dados e de mostrarem que, no caso da SIDA, existe uma diferença estatística relevante entre “grupos de risco” e “comportamento de risco”, a maior parte das pessoas prefere reafirmar o dogma e chamar ignorante a quem não defende a posição transmitida pela autoridade. Nesta discussão serão citados muito mais rapidamente as posições da OMS do que os dados estatísticos.

Concluindo vamos continuar a ser os campiões da SIDA na Europa.Temos mais africanos, mais drogados e mais homossexuais.
TOMAR medidas é que é chato e inconveniente… que se podia incomodar o lobby gay, o comércio da droga e o que move mais de 10% da economia de Lisboa:a prostituição… e porra que me ia esquecendo do SOS racismo e das 39 associacões de imigrantes…
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campeões deve ser mais correcto não?
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Era gira a Lança quando combatia o Hitler.
Agora é que está um bocadinho mais caquética, a idade não perdoa…
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O fenómeno aqui denunciado (a recusa de aceitar dados objectivos, preferindo outros critérios – nomeadamente os da ideologia política ou da religião) não afectou só Galileu em 1609 – ainda hoje aparece associado a muitas outras questões.
Um caso típico é o do – real ou suposto – Aquecimento Global:
Como a “coisa” mete Bush e Al Gore, muitas cabecinhas raciocinam em função de “esquerda” e “direita”: esta diz que a Terra não está a aquecer, aquela diz que está…
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o socialismo voltou ao atacar através dos seus bufos e comissários politicos pagos com os impostos dos contribuintes. felizmente são, na generalidade, por inteligentes e muito ignorantes
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E link para o relatório da OMS que a senhora cita, não se arranja? Até lá, não sabemos do que é que estamos a falar, só da interpretação da senhora Lança.
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Olha, olha:
http://www.who.int/hiv/mediacentre/news200811june/en/index.html
ISTO, é o que diz a OMS.
Ai. Ai. bem que me cheirava a muita parra…
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Temos de confiar em Patricia Lança, a especialista em sexo anal gay.
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Eu nunca percebi sequer a lógica em se pensar o contrário- que havia risco igual independentemente dos grupos.
Porque os grupos existem por praticarem sexo de acordo com o tal “comportamento de risco”.
E, se são grupos, é porque o praticam assim, e sem o praticarem de outra forma.
Como é mais que óbvio, trata-se sempre de estatísticas. Só que as estatísticas é que não explicam grupos por acaso.
Está visto que se os homossexuais e prostitutos e prostitutas forem apenas platónicos, ou mesmo virgens, o risco é que passa a ficar equiparado a ir-se ao dentista…
né?
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O Verão chegou e por esse mundo fora, inclusive em Portugal, começa o ritual das manifestações do chamado orgulho gay. Só que este ano vai haver pouco orgulho e algum desconforto. Ou assim seria se os apaniguados tivessem um pingo de vergonha nas respectivas caras. – Patrícia Lança
Não sei porquê, lendo o post de Patrícia Lança, não me parece que a preocupação com os grupos de risco seja propriamente científica. E é nesse contexto que, como é óbvio, o João Miranda se espalha ao comprido.
No meu caso, não nego a existência de grupos de risco no que concerne o vírus HIV, nem da inclusão dos homossexuais nesse domínio.
Tenho é um certo nojo em relação à maneira como certas pessoas falam da homossexualidade ou de outros comportamentos que em si mesmo considerados nenhum mal encerram. Deus provavelmente também.
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O que poderia levar a gastos em prevenção de campanhas de Sida para jovens aspirantes a emprego no ramo da prostituição, mas ainda no estádio da virgindade.
O que seria um desperdício, convenhamos.
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Pior só mesmo campanha idêntica para ex-trabalhadores de sexo na reforma…
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Isto, porque ex-homos parece ser espécie que ainda está por descobrir.
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“Está visto que se os homossexuais e prostitutos e prostitutas forem apenas platónicos, ou mesmo virgens, o risco é que passa a ficar equiparado a ir-se ao dentista…”
Cara Zazie, preocupo-me consigo. Das duas uma: ou há muito que não pratica sexo com penetração (essa prática de que os homo, por muito que tentem, não conseguem o monopólio); ou anda a incorrer em comportamentos de risco, à pala da sua ignorância.
Eather way, cuide-se!
Até.
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Mais outra que desconhece a ironia. O João Miranda não está sozinho…
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Fie-se que lhe foram ao dente e não se cuide e vai ver se é bicho da cárie que depois cresce na barriga…
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Está visto que se uma gaja só leva no cu, é capaz de se sentir muito solidária com os comportamentos “sem grupo”. Nunca poderá é correr riscos que lhe cresça o que quer que seja na barriga.
Nem cárie, aposto…
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A seguir a Patrícia vai dedicar-se ao sexo oral e claro, o João Miranda fará um douto comentário.
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Daí, poder entender que as campanhas de cuidados de gravidez também são descriminatórias.
Já que seleccionam um grupo entre o género feminino e os riscos de se ser mulher é maior…
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A perversão da discussão reside na valorização do tratamento estatístico sem qualquer enquadramento. Um heterossexual tem menos probabilidades estatísticas de contrair SIDA, mas o que vale isso a um heterossexual que, embalado nos dados estatísticos, a contrai mesmo? As campanhas podem até fundar-se em preconceitos, mas a análise de Patrícia Lança será mais rigorosa e menos preconceituosa?
O problema central é que as estatísticas precisam de ser interpretadas e sempre que se entra na hermenêutica, mesmo de dados estatísticos, surgem «conflitos de interpretação». De facto, ambos os lados têm razão:
1. a doença não é uma doença de determinados grupos, mas pode afectar qualquer pessoa;
2. há grupos que efectivamente apresentam um maior índice estatístico de casos;
Tomar uma decisão sobre qual a melhor estratégia de combate à doença não releva da ciência, mas da política e dos interesses e preconceitos que nela se manifestam e que presidem à interpretação da realidade.
Já agora rebatia também a ideia da oposição entre “grupos de risco” e “comportamentos de risco”. Era preciso que se mostrasse que os «grupos de risco» não são aqueles que possuem mais “comportamentos de risco”, que o “comportamento de risco” era idêntico em todos os “grupos” e que, apesar disso, haveria grupos que eram mais atingidos de que outros. Portanto, a diferença relevante ainda precisa de muito trabalho para ser justificada.
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é o que eu digo… sentem-se todos. Eles lá sabem porquê
“:O?
Vou indo. Por aqui vai-se entrar na hora da catequese.
Já levou no seu “preconceito” hoje?
Não? então vá levá.
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«Esses juízos causaram uma onda de indignação pela blogosfera. Esta é uma situação típica. Determinados juízos de facto tendem a gerar mais indignação que os juízos de valor.»
Juízos de facto?
A Patrícia diz expressamente: «A OMS diz que é só em África que existem números significativos de heterossexuais atingidos por HIV/SIDA, e é desse continente que vêm os poucos europeus heterossexuais que contraíram SIDA.
Pergunta-se por que será que assim acontece e o senso comum indica uma resposta. São as práticas anti-higiénicas que favorecem a transmissão de doenças, tanto em África como entre os orgulhosos ‘gays’.»
Ela, realmente, é muito parecida com o Arroja, agarra-se a uma ideia peregrina e vai dissertando sobre ela durante meses. A comparação não podia ser mais bem feita. Ficamos todos a saber que, para a Patrícia, ser preto não é muito diferente de ser homossexual.
«Quem lucrou foi a indústria dos preservativos e os diversos elementos envolvidos na publicidade enganosa.»
É que para a Patrícia, não existem comportamentos de risco. Existem grupos de risco e este é um salto de gigante na sua argumentação: se tem medo de homossexuais, tenha ainda mais medo de pretos. Não são os comportamentos que são de risco, mas sim os grupos. No fundo, é esta a sua mensagem, tão peregrina.
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José Sócrates é o líder partidário em quem os portugueses mais confiam para desempenhar o cargo de primeiro-ministro, apesar da contestação social que grassa no País. Isto de acordo uma sondagem CM–Aximage realizada entre os dias 7 e 9 do corrente, que coincidem com o fim da paralisação dos pescadores e o início do bloqueio dos camionistas.
À pergunta ‘em qual dos dois líderes tem mais confiança para primeiro–ministro?’, 37,9% respondeu José Sócrates e 33,3% Manuela Ferreira Leite. A diferença entre o primeiro-ministro e a líder do PSD (4,6 pontos percentuais) é praticamente a mesma que separa o PS do PSD na intenção de voto legislativo: 35,2% contra 30,3% .
Curioso…
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No Correio da Manhã
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Caro Joâo,
continua a apmhar bonés!
é obvio que á uns grupos de maior risco que outros, MAS NÃO SÃO ESTANQUES, face á restante sociedade.
dado que a sociedade é muito mais libreal do que julga, basta que o engatatão/ona das dúzias apanhe SIDA para a distribuir liberalmente.
daí a necessidade de todos tomarem cuidado, para a SIDA ficar nos grupos de risco, pois caso contrário sucede o que se passa em África (informe-se).
A não ser que queira a solução Cubana: tens SIDA, vais para o sanatório á prova de fuga ( como SALAZAR fez com a lepra …)
tudo soluções liberais, ao seu estilo ….
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Sem dúvida, é um risco de toda a população,bastaria haver um só caso para que isso fosse indiscutível.Agora que as práticas prevalecentes tambem são um factor de risco,tambem é indiscutível.
Isto sem juízo nenhum moral quanto aos grupos e quanto ás práticas.
Mas o melhor é o pessoal continuar a usar preservativo naqueles folguedos de uma só noite.
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Caro João Miranda,
Patrícia Lança escreve que «a OMS diz que é só em África que existem números significativos de heterossexuais atingidos por HIV/SIDA, e é desse continente que vêm os poucos europeus heterossexuais que contraíram SIDA.»
São estes os «juízos de facto de natureza estatística» a que se refere?
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««São estes os «juízos de facto de natureza estatística» a que se refere?»»
A passagem que citou é ou não um juízo de facto?
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Vejam lá mas é se isto não é umas das cenas à Jonh Le Carré e as farmacêuticas andam a perder mercado e vai de espalhar boatos ( os tipos lá na OMS é como os politicos com as construtoras) , para as pessoas se começarem a descuidar e o mercado se contiunuar a expandir. Há bruxas , há.
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Camisinha sempre pronta com pretas, mulatas e brancas.
Também há as bonecas de plástico.
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Caro João Miranda,
Não é um juízo de facto porque é uma afirmação falsa. Como sabe, há imensos heterossexuais infectados na Europa que não vieram de África nem praticaram nenhum tipo de relações sexuais com africanos.
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««Não é um juízo de facto porque é uma afirmação falsa. »»
Os juizos de facto podem ser falsos. Para perceber o que são juízos de facto e como eles se distinguem dos juízos de valor sugiro a leitura disto.
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Olhe que o seu manual do 10.º ano (belíssima fonte) diz: “Os juízos de facto têm claramente valor de verdade. E o seu valor de verdade é independente das crenças ou gostos de quem os profere. Ou melhor: é independente da perspectiva de qualquer sujeito.”
O que não me parece compatível com o ponto de vista alucinado, inteiramente subjectivo e sem qualquer contacto com a realidade, da dr.ª Lança. Já leu ao texto cuja leitura tão generosamente sugere aos outros?
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Caro João Miranda,
Confesso-me desabituado das sutilezas da Filosofia. Agradeço o esclarecimento, mas prefiro a verdade à retórica. O texto de Patrícia Lança, cujo elogio plasma neste post, está repleto de falsidades e de erros científicos, procurando credibilizar as crenças pessoais com instituições credíveis.
Repare que afirma que esses juízos causaram uma onda de indignação pela blogosfera, como se não fosse expectável que, perante juízos de facto falsos, a indignação eclodisse.
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Luis Rainha,
Dois pontos sobre o seu cometário:
1. Reparou que a sua primeira reacção ao texto não foi avaliar o seu conteúdo mas sim avaliar a sua autoridade? Sendo um livro do 10º ano, obviamente não tem autoridade suficiente para o Luis Rainha. O que vem de encontro ao que eu digo no post sobre o papel da autoridade na discussão em Portugal. O Luis Rainha recorreu mais depressa à discussão sobre a autoridade do texto citado do que a agumentos próprios.
2. Reparou que o texto afirma claramente que juízos de facto não são necessariamente verdadeiros? Reparou quer ter “valor de verdade” não é o mesmo que “ser verdadeiro”?
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Caro blogger não vale a pena…
O império do PC (não é o do J. Sousa, não) é insidioso, basta ver os comentários que aqui foram colocados. Lembra-me perfeitamente, de há bastantes anos (estava-se no início da epidemia), perguntarem àquela rapariga avantajada, (acho que se chama Margarida Martins), porque é que o pessoal sabendo dos riscos, pois já se sabia que esses riscos eram originariamente prevalecentes em certos grupos, não se fazia uma campanha pedagógica para os reduzir. Resposta da mocetona: oh minha cara (jornalista), às duas da manhã quem é que está em condições de pensar em precauções (mais ou menos isto). O “politicamente correcto” infectou praticamente todas as áreas da vida social. Veja-se por exemplo as sucessivas metamorfoses por que têm passado os termos utilizados para identificar uma infinidade de situações. Ai daquele deputado que diga -senhores deputados-. Cai o Carmo e a Trindade se alguém diz que fulano é deficiente. Os antigos mongolóides já mudaram de designação uma catrefada de vezes, neste momento nem sei qual é a designação “correcta”. Esta maltosa, com as manias de que está “update”, esquecem que não passam de macaquinhos de imitação. Basta ler alguma imprensa estrangeira, nomeadamente francesa, para prever muitas das “inovações” que, alguns meses depois, serão papagueadas aqui. Quanto à Sida toda a gente sabe quais são os grupos de risco o que não quer dizer que os restantes, também pelo comportamento e nem só, estejam a salvo de serem infectados, muitas vezes resultados de comportamentos criminosos.
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««O texto de Patrícia Lança, cujo elogio plasma neste post, está repleto de falsidades e de erros científicos, procurando credibilizar as crenças pessoais com instituições credíveis.»»
E qual é o problema de um texto estar, na sua opiniao, cheio de erros científicos? A discussão não serve precisamente para se trocarem argumentos sobre esses erros? O problema é que a atitude do Pedro Morgado nesta discussão é totalmente dogmática. O Pedro Morgado já decidiu que a Patrícia Lança é uma ignorante e que o Pedro Morgado, seguindo uma determinada autoridade, é o detentor da verdade científica. Não há discussão possível. Há apenas a reafirmação de um dogma e o insulto de quem tem opiniões que não coincidem com as suas.
««Repare que afirma que esses juízos causaram uma onda de indignação pela blogosfera, como se não fosse expectável que, perante juízos de facto falsos, a indignação eclodisse.»»
De facto não seria expectável num meio intelectual decente. Num meio intelectual decente, os erros criticam-se com argumentos. Não se criticam através de declarações de que o outro é ignorante. Claro que a blogosfera é cada vez menos um meio intelectual decente e cada vez mais um lugar de expressão de indignações baratas. O facto de o Pedro Morgado achar que a inignação é a resposta correcta ao erro científico diz muito sobre o estado do debate público em Portugal.
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E para não vos enfadar com um comentário longuíssimo, deixo aqui alguns dos motivos pelos quais faz mais sentido falar em comportamentos do que em grupos de risco.
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Oh, o Pedro Arroja está certo no que bem se aplicaria, hoje, igualmente, ao Benfica.
Nisto. Que, afinal, o FC Porto vai à Champions da UEFA, sim senhora. Pois está certo. E já o filósofo disse que a inveja começava para cá do Caia e Vilar Formoso, devida, à nossa miséria, certamente, como à “católica” disparidade económica entre os ricos da bolsa e o povo.
Mesquinhez e inveja, hoje extensivos ao quadrante benfiquista, se não cá coisas próprias da raça.
Mas a católica, diz bem, essa hipocrisia que vai do Bento ao Bush, passando a ONU e a UE, directa desde o umbigo da Idade Média.
E o engraçado é como logo também a malta do VFC se foi deixar levar, ao fim, da mesma feia mais fome que barriga, ai, ai, se diga, inglória e tristemente, desta feita.
Enfim, sinas e, como quem diz, ganâncias tolas.
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«« qualquer pessoa que alegue que os dados mostram que ser membro de um grupo implica ter um risco maior será rapidamente confrontado pela reafirmação o dogma: “não há grupos de risco, há comportamentos de risco”. »»
Mas essa afirmação é cientificamente falsa, porque ser membro de um grupo não implica ter um risco maior. Se disser que o grupo dos homossexuais tem um risco maior, tal pode ser verdade, se essa estatística estiver certa, mas se disser que um membro específico do grupo dos homossexuais tem um risco maior, isso não é verdade. Aí a OMS tem toda a razão, e não é só politicamente correcto, é cientificamente correcto: os comportamentos é que são de risco, não os grupos. O que acontece é que uma proporção maior de membros desses grupos tem comportamentos de risco.
Politicamente, isto tem duas consequências muito simples: se considerados em grupo, os homossexuais devem ser considerados um grupo de risco, caso essa estatística esteja certa (o que implica, por exemplo, que eu acho razoável a exclusão dos homossexuais como dadores de sangue, já que seria intrusivo e ineficiente investigar cada doador individualmente); se considerados individualmente, os homossexuais não devem ser discriminados com base nessa estatística (e se forem susceptíveis de sentir o tal orgulho gay, podem fazê-lo sem o mínimo desconforto).
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««Mas essa afirmação é cientificamente falsa, porque ser membro de um grupo não implica ter um risco maior. »»
Qual é a sua definição de risco?
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Caro João Miranda,
Tal como escrevi, a ignorância é, porventura, o pior dos nossos males. São absolutamente espantosas a quantidade de crenças erradas que se vão disseminando no seio das nossas populações e isso tem um custo muito elevado em termos sanitários e sociais. Não me demito do dever de procurar a verdade e de combater as falsidades com indignação.
Talvez o João nunca tenha estado num Serviço de Psiquiatria perante alguém que tentou o suicídio em reacção às sucessivas discriminações de que é alvo. Talvez nunca tenha contactado com alguém que se infectou com sífilis ou SIDA por pensar que era uma doença de p…, drogados e paneleiros. Talvez nunca tenha sentido o peso da miséria que germina na ignorância de não se saber do que se sofre.
Para mim, a blogosfera decente é a que discute argumentos com seriedade e com verdade. Perante a usurpação de notícias falsas e já desmentidas, o argumento só pode ser a denúncia deste tipo de comportamentos. Atente bem no que escrevo, antes de me acusar disto ou daquilo. O que escrevi sobre o texto da Patrícia Lança foi isto: «Infelizmente, no século XXI d.C., ainda há quem procure fundear a discriminação de alguns concidadãos em dados científicos. Se a tarefa era já de si execrável caso existissem esses dados, que havemos de dizer quando o destilar de ódios se fundamenta em notícias veementemente desmentidas e, portanto, falsas?» Nem no meu blogue nem nos comentários postados n’O Insurgente há qualquer referência à autora do texto como “ignorante”.
Se há postura por que pauto a minha participação na blogosfera é o confronto das ideias e dos argumentos.
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Para qualquer pessoa que conheça a evolução da população VIH+ em tratamento em qualquer centro médico do país pôde observar uma tendência clara. No início predominavam os tais “grupos de risco” e a maioria das pessoas julgava-se imune já que não se identificava com aqueles. Entretanto, os ditos “grupos” foram perdendo relevância estatística e hoje observa-se a prevalência de um triângulo curioso: a prostituta; o camionista/taxista; e a mulher deste último. Pretencem a algum grupo específico? Não, tiveram tão-só comportamentos de risco específicos. Pretender provar o contrário é de quem acha que basta ler umas larachas para se ser “expert” num assunto. É deste chico-espertismo que vivem muitos dos comentadores deste blogue e qualquer tia tonta lhes serve para justificarem o que julgam saber. São tipo BE: Bloco de Experts.
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«« Qual é a sua definição de risco? »»
Ter uma probabilidade maior de contrair SIDA.
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A Igreja Católica sempre distinguiu “grupos de risco” de “comportamentos de risco”; e sempre considerou que se devia evitar/combater os comportamentos de risco; que seria a melhor forma de evitar a SIDA.
E nunca teve em conta grupos de risco, porque isso seria discriminar pessoas.
Todos os textos da ICAR se referem a comportamentos de risco.
Convém ter mais verdade nos posts e comentários.
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Risco é um conceito estatistico. Existem grupos de risco. Existem comportamentos e risco. A pessoa A saudável tem uma relação não protegida com a pessoa B infectada em estadio de SIDA. Nunca se pode dizer que se infectou. Pode-se dizer que tem um risco X de se ter infectado. É possivel identificar um grupo de risco denominado “homossexuais”. Por muito que doa aos que se vêm como bem pensantes a doença é mais frequente – DÉCADAS APÓS O SEU INÍCIO – fora de África, nos homossexuais que nos heterossexuais.
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Ainda não percebi se os factos enunciados pela P. Lança são fabricados. Se o que o Guardian, o Fox News e o Independent escrevem não são factos, mas antes juízos de valor, estão a prestar um mau serviço ao jornalismo, que se deve basear em factos. É por aqui que os comentadores que contestam o artigo da P. Lança deveriam começar, mas não foi isso que constatei. Em vez disso, dizem que a P. lança é “ignorante” por enunciar o que ela acredita serem “factos”. Se alguém que descreve “factos” é “ignorante”, o que será alguém que os coloca em causa? “Crente”?
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“O Pedro Morgado já decidiu que a Patrícia Lança é uma ignorante”
Bem, eu, quanto ao Pedro Morgado, não sei. Quanto a mim, tenho muita pena se ofendo alguém, mas alguém que diz o que está em baixo, é mesmo ignorante. Não é preciso ter um doutouramento em medicina para o saber. Devo ser dogmático, suponho.
«a OMS diz que é só em África que existem números significativos de heterossexuais atingidos por HIV/SIDA, e é desse continente que vêm os poucos europeus heterossexuais que contraíram SIDA.»
Tem tanto interesse discutir cientificamente estes
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Orlando, você acredita que os únicos europeus heteressexuais infectados com SIDA vieram de África? Andamos a brincar, ou quê? Se não se pode chamar ignorante a quem diz isso, pode-se chamar ignorante a quem, ó Orlando?
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Não posso concordar. Não esqueço as estatísticas, mas na verdade só irá contrair a doença quem tiver comportamentos de risco. PS: Não acredito na Igreja.
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