Poder

Umas vezes, uns quaisquer funcionários resolvem de sua lavra sacar uma «taxazinha de inscrição». Não prevista, não autorizada, não legal. Não faz mal, quem tem o poder de impedir uma inscrição pode sempre pedir um pequeno contributo.
Noutra vez, dá-lhes na veneta solicitar uns certificadozitos– Coisa simples. É só para se saber o grupo sanguíneo da criança. Ou um atestado de robustez física. Ou uma certificação de ausência de doença infecto-contagiosa. Ou se está em dia com o Plano Nacional de Vacinas. Tudo assuntos de carácter privado e confidencial. Tudo sem que qualquer lei ou regulamento o exija. Mas caramba, um funcionário é um funcionário e algum poder há-de ter, nem que seja o de mandar um qualquer pai/mãe perder uma manhã atrás de uma certidão que além de ilegal não serve para nada.

Quando terminei a minha licenciatura, dirigi-me à secretaria da minha faculdade para pedir um certificado de habilitações. Perguntaram-me se já tinha pedido o meu diploma na Reitoria. Expliquei que não tinha interesse no diploma e só precisava do certificado, para atestar das minhas habilitações académicas.
– Pois – disse a Senhora – mas sem o comprovativo de que pediu o diploma na reitoria, não lhe posso passar o certificado.
Tudo bem, pensei eu. Uma perda de tempo, mas paciência. Pois bem, fui à reitoria pedir o meu diploma (e o comprovativo de que o tinha pedido).
– São € 100.
€100!!!!!
Saí (verde) da reitoria e armada com o comprovativo de que tinha pago (antecipadamente) um diploma que não queria (ele há dias…), voltei à secretaria da faculdade e, mais uma vez, pedi o abençoado do certificado de habilitações.
Disseram-me que tinha de pagar € 16 e tinha de esperar qualquer coisa como 3 dias. Depois de alguns dias com o estômago às voltas, consegui superar do trauma e entrei no “modo: memória selectiva”. Nunca mais pensei no assunto.
Até que, dois anos depois deste episódio, recebo em casa um postal que me insta a proceder “com urgência” ao levantamento do meu diploma. De facto, acabei por ir levantá-lo… a parte da “urgência” é que, confesso – não sei porquê! – foi comprometida.
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Isso é muito comum, Sofia.
Eu também fui comido, e já foi há umas dezenas de anos.
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E não pagou uma taxa de armazenamento do diploma ?
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no socialismo o estado é tudo
os contribuintes alimentam o monstro.
os hitleres e estalines já não usam bigodes
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É mas é uma porra…
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Olá Sofia Ventura
(tem o nome de 1 das minhas netas – só pode ser boa pessoa!)
Exactamente o mesmo se passava antes do 25 de Abril, pelo menos na Universidade de Coimbra.
Haja Deus e paciência para aturar esta gente!
Saudações cordiais.
António Ventura
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Não haverá mesmo nenhuma doença que deva ser comunicada e que tenha como objectivo defender muitos outros alunos?Têm a certeza?
Imaginem que chega um aluno estrangeiro que na terra dele dormia com galinhas com h5n1…
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Piscoiso,
Se me pedissem mais alguma coisa, eu própria declarava o meu diploma perdido a favor do Estado.
António,
Muito bom gosto (o do seu filho/filha). Sabia que houve uma Hildegard (não sei se é assim que se escreve), na Idade Média, que disse ter visto a face feminina de Deus e chamou-lhe Sofia?
(A má notícia é que, parece, hoje ser-lhe-ia diagnosticada uma esquizofrenia. Mas essa parte a gente omite.)
Desejo os maiores sucessos para a minha “mini-homónima” e que lhe seja leve o peso do nome.
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Hildegard of Bingen
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Gabriel Silva Diz:
18 Junho, 2008 às 12:04 pm
Isso. Muito agradecida.
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Se as autarquias e o estado cobram “contrapartidas” aos investidores (aqueles que não podem evitar investir em Portugal), porque não há-de o ministério querer que as escolas façam o mesmo? Por causa figurar nas receitas do estado e poder perceber-se que há mais um imposto?
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