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Dinheirinho fresco II

11 Julho, 2008

Esta ideia do imposto especial sobre a valorização dos stocks das petrolíferas é verdadeiramente genial. Pelos vistos não há propriamente um novo imposto. Na prática há uma antecipação de IRC. Sócrates poderá gastar este ano aquilo que só receberia para o ano. Com sorte, se o preço do petróleo continuar a subir, poderá receber para o ano (de eleições) aquilo que o governo de coligação PS-PSD receberia em 2010. Em resumo: o governo pode começar desde já a gastar, a Galp paga apenas o custo financeiro da antecipação de impostos (sugiro que o imposto antecipado seja pago com um empréstimo amigável da Caixa Geral de Depósitos à Galp*) e Sócrates fica bem na fotografia por ajudar os pobrezinhos e perseguir os especuladores dos combustíveis.

* Transferir o custo para o consumidor também não será dificil. Seria no mínimo irónico. Aqueles que  tanto pediram a penalização dos lucros “escandalosos” da Galp se calhar andaram a contribuir para o aumento do preço da gasolina ao consumidor.

44 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    11 Julho, 2008 05:44

    o polvo socialista tem mais que oito tentáculos com os quais envolve e destroi tudo
    o pm “tem muito esperto nos cabeça”

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  2. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 06:53

    E se o petróleo desce… a Galp até pode pagar menos do que pagaria.

    A Galp apresenta no último relatório trimestral um stock de 680 milhões de euros para custos de mercadorias de 2.900 milhões. É menos de um mês de stocks. O governo está a pedir à GALP que pague o imposto em função das últimas variações de preço do crude, considerando que este é todo valorizado ao preço da última aquisição.

    Tanto quanto percebi, não há impostos novos, é apenas uma cobrança em sede de IRC. Como o imposto só pode funcionar para o futuro e não para o passado, arrisca-se a que funcione tudo ao contrário, se o pitroil começar a descer, para níveis inferiores aos que a Galp tinha registados como preço médio.

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  3. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 07:07

    “Tanto quanto percebi, não há impostos novos, é apenas uma cobrança em sede de IRC.”

    Afinal é uma tributação autónoma. É mesmo um imposto novo. Brilhante. Os investidores internacionais devem estar a fazer fila na fronteira. (para sair, obviamente)

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  4. anónimo's avatar
    11 Julho, 2008 07:13

    Não vale a pena comentar porque vocês. à semelhança da maioria dos outros blogues – é moda pinoctática – só publicam o que querem.
    É o País que temos e os jornalistas e juristas juraram construir.
    Fizeram uma boa merda, não tenham dúvida.

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  5. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 07:45

    “Não vale a pena comentar porque vocês. à semelhança da maioria dos outros blogues – é moda pinoctática – só publicam o que querem.”

    Claro. Qual seria a lógica de publicar o que não queremos?

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  6. Desconhecida's avatar
    11 Julho, 2008 09:37

    Excelente “post”, JM.

    Nota: 19 valores.

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  7. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    11 Julho, 2008 09:55

    Alô! Fala de Portugal? É para avisar que isso vai rebentar.

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  8. LPedroMachado's avatar
    11 Julho, 2008 10:08

    O link para a notícia está errado. Esse é para os comentários e só mostra o primeiro parágrafo da notícia. Há que clicar em “voltar”. Ponha o link correcto. Não me dá jeito pô-lo aqui porque estou a postar com telemóvel.

    Não percebi como funciona este imposto, qual a sua lógica, nem a relação com o método FIFO. (Não assisti ao anúncio feito por Sócrates.) Agradecia que alguém aqui mo explicasse.

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  9. jofer's avatar
    jofer permalink
    11 Julho, 2008 10:18

    Estas mentes maquiavélicas são um espanto…

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  10. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 10:20

    Se dúvidas restassem, está aí a prova de que a dupla Sócrates/ Teixeira dos Santos é a melhor liderança que Portugal teve não nos últimos 15, mas sim nos últimos 30 anos. Tem que se lhes tirar o chapéu.

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  11. Anónima's avatar
    11 Julho, 2008 10:22

    LPedroMachado,

    Pense no pior… e estará perto.

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  12. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 10:23

    “Transferir o custo para o consumidor também não será difícil.”

    Completamente impossível. Com as metodologias e procedimentos em vigor nem 1 cêntimo será passado para o consumidor. Eu sei que arranjar uma forma de cortar nos lucros dessas megaempresas é uma derrota pessoal do João Miranda. Mas, caro JMiranda, não há razões para se sentir melindrado. Umas vezes ganha-se, outras perde-se. Acontece a todos.

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  13. Vítor Vilar's avatar
    11 Julho, 2008 10:50

    Uma ajuda (julgo) para se compreender melhor do que falamos:

    – O IRC é calculado (de grosso modo) sobre os lucros tributáveis de uma empresa. Ao valor apurado são deduzidos os pagamentos por conta (antecipações de IRC) efectuados durante o ano anterior. No final, o valor em falta é acrescido de uma série de tributações autónomas (5% de algumas despesas consideradas supérfluas, etc, etc.) Finalmente acresce-se a Derrama (imposto municipal) e temos o valor final de IRC a pagar.

    Por outro lado, existem os critérios de valorimetria. FIFO, LIFO e custo médio ponderado.

    FIFO – First in First Out – ou seja, quando vendo, contabilizo como custo da mercadoria vendida o valor que me custou a embalagem mais antiga no meu stock, desse produto (ou litro de combustivel).
    LIFO – Last in First Out – ou seja, quando vendo, contabilizo como custo da mercadoria vendida o valor que me custou a embalagem mais recente no meu stock, desse produto (ou litro de combustivel).

    Ora, as gasolineiras por motivos óbvios tinham todo o interesse em registar em LIFO as suas vendas. Porque apresentavam menor margem bruta (logo, menor lucro em princípio e menor IRC) tendo como contrapartida negativa os stocks menos valorizados (que para quem não é cotado, pouco importa). Mas a GALP, cotada, gosta de apresentar uma empresa robusta e porque certamente é mais prudente usa FIFO nas suas contabilizações.

    A proposta do PS é: o ganho que as gasolineiras obtêm entre contabilizarem com LIFO ao invés de o fazerem com FIFO, passa a ser tributado autonomamente à taxa de 25%.

    Facilmente se percebe que para quem usa LIFO como política contabilistica, esta medida não constitui antecipação de coisa nenhuma, mas sim um acréscimo de IRC bastante relevante. Também se concluí, que a GALP que já faz reflectir nos seus lucros o método FIFO

    A quem já usa FIFO (caso da GALP) a sua margem de exploração já está reflectida totalmente como proveito nas demonstrações financeiras. O que faz com que (quanto muito) exista um valor maior a pagar em pagamentos por conta de IRC ao longo do ano.

    Concluíndo: O post aplica-se à GALP efectivamente, mas não às gasolineiras que usam LIFO. Essas vão pagar mais IRC.

    Futurologia: em breve todas deverão adoptar a política valorimétrica da GALP, uma vez que os pagamentos antecipados são dedutiveis à colecta de IRC.

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  14. Desconhecida's avatar
    JoãoMiranda permalink
    11 Julho, 2008 10:53

    ««Completamente impossível. Com as metodologias e procedimentos em vigor nem 1 cêntimo será passado para o consumidor.»»

    Mas há alguma metodologia ou procedimento que impeça a GALP de aumentar o preço dos combustíveis porque lhe apetece? O preço da gasolina é fixado livremente. Se todas as empresas de distribuição tiverem custos acrescidos, o preço de equilíbrio de mercado sobe e elas vão fazer reflectir o custo nos consumidores. Não há como fugir a isso.

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  15. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 11:25

    “Concluíndo: O post aplica-se à GALP efectivamente, mas não às gasolineiras que usam LIFO. Essas vão pagar mais IRC.”

    Se fosse assim, pagariam mais IRC num cenário de subida de preços e menos num cenário de descida. O que me confunde é a ideia da tributação autónoma. Dá a ideia que o governo quer o imposto quando o petróleo sobe, mas não pretende devolver nada quando descer.

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  16. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 11:26

    “Completamente impossível. Com as metodologias e procedimentos em vigor nem 1 cêntimo será passado para o consumidor.”

    Completamente impossível, porquê? Se o imposto afectar todas as empresas, os preços vão aumentar, obviamente.

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  17. .'s avatar
    11 Julho, 2008 11:30

    O Estado da Nação

    De uma coisa Manuela Ferreira Leite pode gabar-se: levou o governo socialista a tomar uma série de medidas sociais que este nunca pensaria lançar, não fora o súbito agravamento da crise petrolífera, financeira e geo-estratégica mundial, e a ameaça de perder as próximas eleições face ao alarme populista vindo não apenas do PCP e do BE, mas também, pasme-se, do partido com quem partilha o poder deste país há mais de vinte anos. As medidas “corajosas” anunciadas por José Sócrates no debate de hoje têm certamente potencial para sustar a derrocada eleitoral que se anuncia no horizonte. Tudo vai depender da escalada petrolífera, dos juros bancários e da inflação. Se, como se prevê, o petróleo chegar aos 200 dólares por alturas das próximas eleições, e o casino dos derivados estourar com inimaginável estrondo planetário, então não vejo como possa José Sócrates sobreviver ao seu até agora sorridente destino. Ou seja, no fundo, continuo a suspeitar que o ciclo da tríade Macau se interromperá inexoravelmente em 2009.

    Outra coisa é saber, depois deste deprimente debate parlamentar, se o PSD estará em condições de ganhar com maioria absoluta as próximas eleições. Diria que tudo vai depender da gravidade da crise mundial, da nossa peculiar crise doméstica e sobretudo do pouco tino de que padece a generalidade dos políticos galhofeiros que se sentam no hemiciclo de São Bento.

    Se o PSD continuar a marcar a agenda política através de intervenções pontuais bem estudadas, bem medidas e com uma boa percepção dos tempos –coisa que Manuela Ferreira Leite já demonstrou ser capaz de fazer–, as probabilidades de êxito são reais. Se o novo chefe da bancada parlamentar do PSD, o auspicioso Paulo Rangel, conseguir consolidar os ataques da líder do seu partido, então o PS estará mesmo em maus lençóis. Mas para que a sorte sorria de novo ao PSD, Manuela Ferreira Leite precisa, por um lado, de praticar uma cirurgia urgente (i.e. despedir o “homem da mala”, José Luís Arnaut) e, por outro, criar rapidamente um sólido governo sombra, com um decente tanque cognitivo, sem o que questões como a definição de uma política energética de emergência, a criação de uma rede de apoio às vítimas do endividamento, ou a definição de prioridades relativamente aos grandes investimentos ficarão sem a necessária resposta.

    De cada vez que o preço do petróleo aumenta, sobem os preços do gás, dos transportes e da alimentação. Esta tendência é uma tendência de fundo, causada simultaneamente pelo decréscimo da oferta mundial derivada de uma escassez efectiva de recursos, bem como pela especulação racional dos compradores e investidores financeiros. Ou seja, a inflação é uma nuvem monstruosa que todos já viram no horizonte, que se aproxima a passos largos, e que irá desabar sobre todos nós de uma forma impiedosa. Perante esta fatalidade, o Estado não pode ser mais um especulador oportunista da tragédia alheia. Se tudo sobe e o IVA permanece na mesma, e se prossegue a dupla tributação ilegítima dos produtos petrolíferos, isso significará um aumento de receitas fiscais não apenas imoral, como completamente absurdo.

    Mais cedo ou mais tarde, nem que seja por imposição de Bruxelas, o vampirismo fiscal terá que ser sustado. É sempre mais prudente assegurar que tais ajustamentos ocorram na tranquilidade dos gabinetes de estudo do que na rua. A dita “taxa Robin dos Bosques” não passa de uma panaceia precária e temporária. Melhor será começar urgente e seriamente a pensar desgravar a fiscalidade brutal que incide sobre os produtos petrolíferos, introduzindo ao mesmo tempo um esquema de racionamento dos consumos, inteligível, prático e justo. O argumento cínico do governo para manter a elevada carga fiscal sobre os produtos petrolíferos, i.e. invocar a baixa da receita bruta dos impostos por efeito da retracção do consumo, é de uma insensibilidade e estupidez completas. No fundo, é exactamente a mesma história do burro a quem um cretino tentou ensinar a não comer!

    Sobre as “grandes obras”, talvez valha a pena fazer algum trabalho de casa, em vez de nos perdermos na algazarra dos papeis. Qual papel? O papel! A isto se resumiu o folclore acéfalo de boa parte do debate parlamentar de hoje.

    Quando me sentei ao computador para escrever este postal comecei, como invariavelmente faço, a procurar imagens e palavras-chave que me aproximassem de alguma boa descoberta. A primeira ideia que tive foi fazer uma simulação sobre os preços de uma viagem entre Madrid e Barcelona, optando pelos voos Low Cost, ou pela nova ligação de Alta Velocidade ferroviária que liga as duas mais populosas e dinâmicas cidades ibéricas. O resultado foi este:

    Viagem em comboio de Alta Velocidade, ida e volta, entre 3 e 8 de Setembro de 2008, em Classe Turística: 168,50 EUR
    Viagem de avião no fim de Agosto na Vueling: 100,00 EUR

    Entretanto, resolvi comparar estes preços com os preços de uma viagem de comboio (ida-e-volta) entre Lisboa e Porto:

    Alfa Pendular 2ª Cl. = 55,00 EUR
    Intercidades 2ª Cl. = 39,00 EUR

    Sabendo-se que o Alfa poderá fazer a ligação entre as duas principais cidades portuguesas em 1h55mn, desde que acabem o trabalho de renovação da Linha do Norte, iniciado há mais de uma década e nunca acabado (porque será?), quem estaria disposto a pagar 1,5x o preço do Alfa para ganhar 30 minutos na duração de uma viagem que já não deveria ultrapassar as duas horas? Alguns estariam. Mas quantos? A experiência actual mostra que o Inter-cidades tem retirado muitos passageiros ao Alfa. Por que será?

    Este argumento é pesado, não acham?

    Eu também penso que sim! No entanto, encontrei na Net (que hoje foi uma das meninas bonitas do “debate da nação” — até que enfim!) uma análise curiosa. Segundo o artigo que li, publicado na Wikipedia, as taxas médias de ocupação efectiva dos diversos modos de transportes disponíveis são mais elevadas nos aviões e nos comboios de Alta Velocidade (65%-66%), do que nos demais sistemas de transportes, nomeadamente comboios regionais e suburbanos, metros e metros de superfície, autocarros (21%-30%) e automóveis particulares (34%). Daqui decorre, surpreendentemente, que o consumo de energia por passageiro transportado é mais alto nas ligações ferroviárias regionais e inter-cidades convencionais do que nos sistemas de Alta Velocidade tipo ICE-3 e TGV. Por outro lado, o balanço energético é claramente favorável à Alta Velocidade, quando comparado com o avião, gastando este 3x mais energia por passageiro do que os comboios de Alta Velocidade (ICE-3 e TGV), em distâncias acima dos 500Km (tipicamente a ligação Lisboa-Madrid), e 5x mais energia para distâncias na ordem dos 250-300Km (tipicamente as ligações Lisboa-Porto e Lisboa-Faro). Imaginem a diferença que fará quando o petróleo chegar aos 200, aos 300 e aos 500 dólares, antes de 2013!

    Isto quer dizer que, numa situação economicamente saudável, e sobretudo no contexto da actual crise petrolífera (que vimos antecipando desde Maio de 2005…), a prioridade estratégica pelo transporte ferroviário de Alta Velocidade, seja para ligar Portugal à rede europeia de Alta Velocidade, seja para ligar as principais cidades do País, faria todo o sentido. Pelo contrário, a prioridade dada até agora ao programa aeroportuário deveria ser, pelas mesmas razões, imediatamente suspensa e substituída pela prioridade por um programa de investimento público na frente portuária marítima. O paradigma energético mudou para sempre, e com esta mudança, mudará também a própria ideologia do crescimento, da produção e do consumo. Vai ser um longo e doloroso período de adaptação, para o que, parece evidente, os actuais partidos políticos não só não servem, como são e serão cada vez mais um poderoso e potencialmente letal obstáculo. Precisamos de encontrar formas novas cooperação social e administração política.

    Voltando à xicana parlamentar de hoje, e dando resposta às perguntas de José Sócrates, direi que, em primeiro lugar, os célebres papeis da Net, produzidos pela corrupta indústria de pareceres que há muito alimenta o Bloco Central, não servem para nada, pelo mesmo motivo que o orçamento de estado feito para este ano não serve para nada. Isto é, todos estes papeis foram imaginados segundo um paradigma hoje inexistente. O petróleo que serve de base a todos os cálculos orçamentais valia menos de metade do que custa hoje, na data em que o governo escreveu o orçamento de 2008, e cerca de 1/4 do seu valor actual quando o PSD sonhava com aeroportos e TGVs! A pergunta do primeiro ministro é, por conseguinte, improcedente e demagógica.

    Tem Manuela Ferreira Leite toda a razão para afirmar que as apostas nas grandes obras devem ser radicalmente revistas e radicalmente re-discutidas. Provavelmente até tem razão quando presume que todas as grandes obras terão que parar para pensar, devendo seguramente ser adiadas para melhor oportunidade. Quanto ao QREN, o que precisamos é de coragem política para enfrentar a Comissão Europeia e propor uma revisão radical de prioridades, bem fundamentada, que Bruxelas naturalmente compreenda e aceite. Mas para isso teremos que correr com a actual maioria do poleiro.

    Resta apenas saber até que ponto Manuela Ferreira Leite saberá resistir aos tubarões aflitos que procuram comer o último atum! Se ceder, é mais um regime político que irá para o caixote do lixo a nossa história, felizmente longa.

    Comentários:

    Caro António,

    Se os eleitores nacionais lessem o seu blogue, efectivamenteo teriamos uma revolução no panorama partidário. Como isso não acontece em número eleitoralmente significativo, teremos em 2009 o bloco central. A seguir teremos falência ou golpe de estado como ontem Joaquim Aguiar insinuou numa excelente entrevista na SIC Notícias.

    Como você escreve e bem, o PSD de MFL e também de LFM, diga-se, são o tubarão à procura do últmo atum.

    É bem visível que o pradigma actual (energia barata) acabou. Até à emergência da economia do hidrogénio/nuclear ou até que tecnologias tipo LS9.com (recomendo a visita) efectivamente substituam o petroleo, vão passar alguns anos. Se eu consigo ver isto, não é admíssivel que o PSD não o veja. Se nesta altura ainda não vê, por incompetência ou venda a interesses, não podemos ter expectativas quanto à emergência de alternativa realista às obras interesseiras do Sócrates. Assim a meu ver, realisticamente os cenários são os seguintes:

    – BE e PCP, com 30%, apesar de keynesianistas conseguem impor moralidade no regime; Duvido. Em 2009 teremos bloco central.
    – Da UE vem um sério aviso para a mudança de rumo. Duvido. Barroso continua vendido também a interesses centralistas, financeiros/betoneiros que lhe pagarão a campanha presidêncial pós-Cavaco. França é o grande fornecedor de TGV e tecnologia aeroportuária…
    – O pais implode. Duvido. EM situações de crise, historicamente, o país emigra. A única novidade é que a emigração chega finalmente a Lisboa. O resto do país, sempre emigrou, para fora ou para Lisboa. Os que ficarem e descendência pagarão impostos até à cova e terão menor nível de vida dos que os que emigrarem. Já agora a título de exemplo, o meu irmão trabalha desde o final do ano passado na Austria e está cá ao fim de semana. Foi ganhar 3 vezes mais e tem estadia e viagens pagas. Com ele, seguem mais 6 portuenses que preferiram isto a emigrar para a capital;
    – A Blgosfera faz um golpe de rins e consegue ultrapassar o jornalismo tradicional completamente hipotecado aos grandes interesses e consegue replicar o movimento anti-OTA. Remeto para a entrevista de ontem de Joaquim Aguiar ou o artigo de Constança Cunha e Sá ontem no Público. Começo a ouvir e ler pela 1ª vez aquilo oque há muito detecto: Portugal é governado por máfias de Lisboa que manipulam as decisões do Estado Central em proveito das suas carteiras de encomendas e fornecimentos. Basicamente, se multiplicassemos o seu blogue por 50, conseguiriamos efectivamente condicionar os partidos. Apesar de tudo o povo ainda é honesto. Acredito que esta alternativa tenha pernas para andar. É a única que nos resta.

    Abraços
    # posted by Jose Silva : Sexta-feira, Julho 11, 2008

    Acabei de comentar e fui ler o Semanário. Pois.

    «A homenagem a Fausto Correia, falecido há quase dois anos, homem que chegou a ser apontado para grão-
    -mestre do Grande Oriente Lusitano, juntou esta terça-
    -feira, no restaurante da antiga FIL alguns notáveis do PS e do PSD, como Dias Loureiro, Jorge Coelho, Almeida Santos, Pedro Santana Lopes, Luís Nazaré, Álvaro Amado, Arlindo de Carvalho e Paulo Mota Pinto, actual vice-presidente do PSD. Segundo apurou o SEMANÁRIO, um dos temas mais falados ao jantar foi a possibilidade de a realidade da crise económica, deste ano e do próximo, e de um resultado muito equilibrado entre o PS e o PSD nas legislativas de 2009, com nenhum partido a ter maioria absoluta, a obrigar, forçosamente, o país a um Bloco Central.»

    IN http://oam.risco.pt/2008/07/portugal-32.html

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  18. Vítor Vilar's avatar
    11 Julho, 2008 11:34

    Jcd,

    Julgo ter razão no que diz. Esta medida apenas se aplica num cenário de subida.
    No entanto repare:
    1) as empresas pode mudar de política valorimétrica (não como mudam de calças, mas dentro de alguns limites) por isso num cenário de conjuntura mundial em que fosse previsto uma queda acentuada no preço do crude a empresa poderia passar a usar FIFO.

    2) A depreciação de existências está prevista em POC (e no novo SNC julgo) e como tal pode ser objecto de constituição de provisões, que contribuem negativamente para o resultado liquido das empresas, logo, proporcionando um beneficio fiscal em face da queda acentuada do preço do crude.

    O que não estava previsto era apenas a valorização excessiva das existências, o inverso já está previsto fiscalmente há muito.

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  19. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 11:35

    O preço da gasolina é fixado livremente, é certo. Mas sabe-se que o preço de revenda dos combustíveis em Portugal é superior 2 cêntimos àquele que è comercializado do mercado europeu (Amesterão, julgo eu). Se com a taxa do Robin esse diferencial aumentar, o escrutínio actual, em que todos os holofotes estão virados para a Galp, impede automaticamente qualquer veleidade nesse sentido. Os tempos estão a mudar caro João Miranda. Está na altura de rever essas leis económicas.

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  20. Carlos III's avatar
    Carlos III permalink
    11 Julho, 2008 11:37

    A intenção do nosso PM, pese o seu perfume demagógico, pode ser boa, mas duvido que dê resultados. Porque, pondo de lado as mini-empresas parasitárias que vivem no dorso das “baleias”, as grandes “petrolíferas” ou já pertencem, indirectamente, a Estados, que se tributarão a eles mesmos (no que não vejo nenhum inconveniente), ou estão controladas na sombra pelos grandes países produtores de petróleo. Recordarei, no entanto, que a OPEP tem ao seu serviço não só recursos inesgotáveis, mas também muitos dos melhores economistas e juristas do Mundo, para não falar de uma extensa rede de informação e influência com que ninguém se preocupa. Claro que – depois da Cimeira do G8 e sobretudo após a intervenção do nosso PM – admito que os grandes produtores se possam compadecer dos males do Mundo e abrir mão de alguns dos seus fartos proventos.

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  21. Desconhecida's avatar
    JoãoMiranda permalink
    11 Julho, 2008 11:39

    ««Se fosse assim, pagariam mais IRC num cenário de subida de preços e menos num cenário de descida. O que me confunde é a ideia da tributação autónoma. Dá a ideia que o governo quer o imposto quando o petróleo sobe, mas não pretende devolver nada quando descer.»»

    Tendo em conta que a GALP afirma que a medida é quase neutra, suponho que a tributação autónoma só serve para antecipar IRC. Tudo parece indicar que a ideia é cobrar este imposto uma única vez aproveitando a valorização recente dos stocks. O que for pago agora será deduzido no IRC futuro. Se o valor dos stocks baixar, a empresa paga menos IRC.

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  22. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 11:40

    “Completamente impossível, porquê? Se o imposto afectar todas as empresas, os preços vão aumentar, obviamente.”JCD

    Caro JCD os teus “Obviamentes” não são mais que um convencimento pedante de quem tem a mania que é mais esperto que os outros.

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  23. Desconhecida's avatar
    JoãoMiranda permalink
    11 Julho, 2008 11:42

    «O preço da gasolina é fixado livremente, é certo. Mas sabe-se que o preço de revenda dos combustíveis em Portugal é superior 2 cêntimos àquele que è comercializado do mercado europeu (Amesterão, julgo eu). Se com a taxa do Robin esse diferencial aumentar, o escrutínio actual, em que todos os holofotes estão virados para a Galp, impede automaticamente qualquer veleidade nesse sentido.»»

    Impede porquê? Se o diferencial passar de 2 para 3 cêntimos, qual é a legislação que o impede?

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  24. Vítor Vilar's avatar
    11 Julho, 2008 11:45

    JoãoMiranda,

    As tributações autónomas não funcionam em sentido inverso. Em tributação autónoma, paga-se ou não. Não há valor negativo para deduzir posteriormente. No entanto, o prejuízo fiscal da política valorimétrica (como esclareci em cima) contribui para diminuir o resultado liquido do exercício e assim influenciar negativamente o valor final da colecta de IRC.

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  25. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 11:46

    Pensei que tinha sido claro .Não é a legislação que impede. È a pressão social e politica. De resto convém esquecer que a Galp goza de uma situçaõ de monopolio. Tem que se portar bem. Não é nada como o JMiranda diz. Sorry.

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  26. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 11:49

    “No entanto, o prejuízo fiscal da política valorimétrica (como esclareci em cima) contribui para diminuir o resultado liquido do exercício e assim influenciar negativamente o valor final da colecta de IRC.”

    Correcto. Mas o saldo da receita fiscal arrecadada é claramente positivo.

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  27. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 11:53

    “Se com a taxa do Robin esse diferencial aumentar, o escrutínio actual, em que todos os holofotes estão virados para a Galp, impede automaticamente qualquer veleidade nesse sentido. Os tempos estão a mudar caro João Miranda. Está na altura de rever essas leis económicas.”

    É só a Galp? E então as outras? Mas acha mesmo que au aumentar os impostos sobre as empresas, esse custo acrescido não se reflecte nos preços?

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  28. Vítor Vilar's avatar
    11 Julho, 2008 11:54

    Red Snapper,

    Exactamente. Da forma como eu vejo a questão é isso mesmo.
    Esse esclarecimento adicional que escrevi, era apenas para dizer ao JM que num cenário de descida acentuada e prolongada do preço do crude, a empresa obteria um beneficio fiscal imediato pelo decréscimo da sua margem.

    “Mas o saldo da receita fiscal arrecadada é claramente positivo.” parece-me que sim. Claramente positivo.

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  29. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 11:56

    “È a pressão social e politica. De resto convém esquecer que a Galp goza de uma situçaõ de monopolio.”

    Em 2005, a quota de mercado da GALP na venda a retalho de combustíveis era de 37%.

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  30. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 11:57

    “Caro JCD os teus “Obviamentes” não são mais que um convencimento pedante de quem tem a mania que é mais esperto que os outros.”

    Obviamente.

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  31. jcd's avatar
    11 Julho, 2008 11:57

    “Mas o saldo da receita fiscal arrecadada é claramente positivo.”

    Continuamos a engordar o monstro. Isso é positivo?

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  32. Desconhecida's avatar
    JoãoMiranda permalink
    11 Julho, 2008 11:58

    ««Pensei que tinha sido claro .Não é a legislação que impede. È a pressão social e politica. »»

    O Red Snapper encontrou a solução para a subida dos preços ao consumidor e para revogar a lei da oferta e da procura. A pressão social e politica. Creio que isso já foi tentado antes sem grande sucesso.

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  33. Desconhecida's avatar
    JoãoMiranda permalink
    11 Julho, 2008 11:59

    ««Correcto. Mas o saldo da receita fiscal arrecadada é claramente positivo.»»

    Se a GALP comunicou à CMVM que o efeito é neutro …

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  34. Vítor Vilar's avatar
    11 Julho, 2008 12:00

    Jcd,

    Também concordo consigo. As gasolineiras não são o empresário da esquina que quando recebe o valor de IRC a pagar diz: “Tchii, tenho de pagar isto tudo?”

    As gasolineiras têm planeamento fiscal e como tal conhecem todos os fluxos financeiros a que vão estar sujeitas nos próximos períodos fiscais.

    É perfeitamente normal que uma empresa que planeia de cima para baixo (ou seja, estrategicamente definem metas como %de lucro líquido a obter, %quota de mercado a conquistar, etc.etc.) acabe por reflectir nos preços finais, o valor que deve obter a mais para continuar a sua política estratégica.

    Pode-se discutir “essa política” e até que ponto o Estado deveria sangrar as empresas que tem em carteira. Mas não me parece razoável querer que não existam empresas que consigam planear o seu futuro próximo, só porque a maioria das pessoas não o consegue fazer.

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  35. Vítor Vilar's avatar
    11 Julho, 2008 12:03

    O saldo é positivo, pelo impacto nas empresas que não usam FIFO. Porque vão ser taxadas autonomamente (por usarem LIFO). Nessas empresas há um acréscimo de IRC a pagar. Na GALP há uma antecipação. O Jcd tem razão no post, mas apenas no que se refere à Galp.

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  36. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 12:17

    “Continuamos a engordar o monstro. Isso é positivo?”

    Não. Isso não é positivo. Mas por que é que Portugal é Pais da Europa em que a Esquerda da Esquerda tem mais intenções de voto? Não será o facto de ser o Pais com a maior discrepância entre os que mais e que menos têm? Pois é. Se quisermos evitar um governo comunista convém fazer alguma coisa. E, a taxa Robin vai nesse sentido.

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  37. Desconhecida's avatar
    JoãoMiranda permalink
    11 Julho, 2008 12:20

    ««Pois é. Se quisermos evitar um governo comunista convém fazer alguma coisa. E, a taxa Robin vai nesse sentido.»»

    Ou seja, se queremos evitar um governo comunista temos que instituir políticas comunistas e aderir ao comunismo.

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  38. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 12:20

    “Creio que isso já foi tentado antes sem grande sucesso.”

    Foi tentando, mas com muito amadorismo. Agora as pessoas tem uma consciência muito mais apurada dos seus direitos e deveres. Seguramente que não cometerão os mesmos erros do passado. Lá por se ter falhado algumas vezes não se pode de desistir.

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  39. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 12:22

    “Se a GALP comunicou à CMVM que o efeito é neutro …”

    Esse é aquele tipo de comunicações que nunca poderá ter qualquer tipo de consequências negativas para a Galp. Em circunstancia algum a Galp será penalizada se o efeito não for neutro. Mas como tem efeitos positivos já hoje junto do mercado accionista, toca a lançar a comunicação. O JMiranda de gestão empresarial percebe pouco.

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  40. Desconhecida's avatar
    11 Julho, 2008 12:23

    Quem é o Mentiroso?

    Quercus afirma que os carros eléctricos já estão isentos de impostos
    A Quercus acusou hoje o primeiro-ministro de ter dado uma ideia errada ao país sobre a redução em 30% do pagamento do Imposto Automóvel por parte dos carros eléctricos, uma vez que a legislação nacional já isenta este tipo de carros do pagamento de impostos.

    Diário Económico Online/Lusa

    Segundo um comunicado hoje emitido pela Quercus à Lusa, a associação ambientalista já exigiu esclarecimentos ao Governo sobre a questão fiscal dos carros eléctricos, uma vez que “um veículo eléctrico está isento tanto de Imposto sobre Veículos como de Imposto Único de Circulação”.

    Na passada quarta-feira, o primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou que “se um carro eléctrico já existisse actualmente, apenas pagaria 30% do imposto automóvel, já que este imposto tem em 70% uma componente ambiental. O Governo está disponível para criar um quadro fiscal ainda mais atraente”.

    A Quercus diz que “há dois erros na afirmação do primeiro-ministro: a componente ambiental representa 60% e não 70% do cálculo do imposto e um veículo eléctrico está isento dos impostos”.

    http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/economia/pt/desarrollo/1145084.html

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  41. Red Snapper's avatar
    Red Snapper permalink
    11 Julho, 2008 12:24

    “Ou seja, se queremos evitar um governo comunista temos que instituir políticas comunistas e aderir ao comunismo.”

    Não é preciso exagerar. Toda a gente sabe que o comunismo tem muitos aspectos negativos. Basta aproveitar o mito comunista que encerra um grande optimismo nas capacidades dos homens.

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  42. Desconhecida's avatar
    anonymous permalink
    11 Julho, 2008 13:02

    ««Basta aproveitar o mito comunista que encerra um grande optimismo nas capacidades dos homens.»»

    Ah, os optimistas, essa trupe de crentes wannabe que caminha docemente para o matadouro. O que teria sido de Hitler ou de Estaline sem os optimistas.

    “Those who believe in telekinetics, raise my hand” Kurt Vonnegut

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  43. Carlos III's avatar
    Carlos III permalink
    11 Julho, 2008 14:31

    ” Não é preciso exagerar. Toda a gente sabe que o comunismo tem muitos aspectos negativos. Basta aproveitar o mito comunista que encerra um grande optimismo nas capacidades dos homens.”

    Certo. É a diferença entre ser, em termos de Antropologia, um optimista ou um pessimista. A questão está em aberto. Mas o comunismo clássico funda-se na luta de classes, que também é um mito poderoso e que costuma causar o pânico da burguesia (outro mito).
    Agora, também é certo que no actual ambiente político um Governo de esquerda terá sempre muito maior facilidade em impor medidas de austeridade que, aliás, se afiguram inevitáveis. Os que verdadeiramente mandam neste Mundo sabem disso.

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  44. Uribe's avatar
    Uribe permalink
    11 Julho, 2008 16:04

    JoaoMiranda 11 Julho, 2008 às 2:42 am : 17 valores

    É lindo ver o Joao (e outros bloguistas do Blasfémias) a brilhar. Fase boa neste blog.

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