Subsídio versus redução de impostos
Pedro Menezes Simoes do Norteamos faz as contas e conclui que os subsidios que o governo tem andado a distribuir permitiriam reduzir significativamente o IRC a todas as empresas e não apenas a algumas.
Incentivo à Embraer corresponde a 1% do IRC
Ou seja, cerca de 50 milhões de euros, o que corresponde a 1% das receitas de IRC orçamentadas para 2008 (5.100 milhões de euros)
Por outras palavras, o IRC poderia baixar de 25% para 24,75% se não houvesse este benefício fiscal.
Tendo ainda em conta que os benefícios fiscais orçamentados para este ano totalizam 300 milhões de euros, a taxa de IRC poderia baixar para os 23,5%. Seguramente esta redução dos impostos atrairia mais investimento estrangeiro do que a subsidiação de empresas. Mas isso não dá direito a ministros em inaugurações e assinaturas de contratos…

Parece que a “crise” só agora está a começar. Depois das “novas oportunidades”, dos “PIN’s”, do “Plano Tecnológico” e de tanta treta, a “coisa” está a caminho dos abismos….
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Esses 50 milhões divididos por 500 apoios de 100.000 cada dados a pessoas seleccioandas por critérios isentos e de competência (como as há com projectos, nomeadamente relacionados com patentes), poderiam gerar uma dúzia de boas e grandes empresas nacionais em 10 anos.
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Sócrates para mim tornou-se uma grande desilusão. A única coisa que fez ao empresariado local foi persegui-los em questões fiscais. Aos estrangeiros, dá-lhes todos os benefícios fiscais de mão beijada.
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««Esses 50 milhões divididos por 500 apoios de 100.000 cada dados a pessoas seleccioandas por critérios isentos e de competência (como as há com projectos, nomeadamente relacionados com patentes), poderiam gerar uma dúzia de boas e grandes empresas nacionais em 10 anos.»»
500 apoios de 100.000 cada é o que a Fundação para a Ciência e Tecnologia financia de 2 em 2 anos. Deve abrir um concurso até ao final do ano. A dúzia de grandes empresas nacionais não deve tardar.
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JM, então porque é que não se cria valor???????? o que é que se passa com as organizações portuguesas que parecem funis (invertidos) a escoar proveitos.
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já percebi, não podemos ser todos cientistas. mas que raio de país este…………………
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bom post. só uma nota, o link não remete para o norteamos
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A mim parece-me que uma descida de IRC dos 25 para os 23 % é uma miséria que não influencia empresa nenhuma a nada.
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Uma análise coeteris paribus…
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E os bancos quanto pagam de IRC? Esta actividade tão produtiva.
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O caso da Embraer não me choca muito. O do IKEA esse sim foi algo de muito grave, em troca de uma pequena fábrica de moveis sem qualquer valor acrescentado obtiveram tudo o que queriam do Estado português.
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Quem já preencheu formulários com pedidos de apoio QREN, conhecendo a realidade da empresa em causa, sabe bem para onde vão os financiamentos ou apoios fiscais dados indiscriminadamente às empresas PME.
Mas pronto, lá vem o miserabilismo que lixa sempre tudo. “Haviam era de dividir o dinheiro por todos.” Vejam os senhores que defendem esta ideia, que grande parte dos donos das PME’s nem sequer sabem a taxa de IRC. Sabem quanto querem pagar de IRC no fim do ano e ponto.
Realmente, atribuir incentivos fiscais a uma empresa com um projecto inovador e com bases sólidas estruturais e de know-how, pode vir a não ser o melhor dos investimentos. Mas isso não justifica que “dividir por todos” quando esses “todos” não mudam nada nas suas empresas com o incentivo, seja um bom negócio.
Para finalizar, já aqui foi dito: existem apoios para as PME’s não se trata de tirar de um lado para por no outro. Os subsidios que as PME’s recebem servem para comprar carros e no limite, aumentar o negócio sem o transformar. Chamam-se fundos estruturais, já agora.
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««Mas pronto, lá vem o miserabilismo que lixa sempre tudo. “Haviam era de dividir o dinheiro por todos.” »»
Na verdade não se trata de dividir nada por ninguém. Trata-se de baixar os impostos. Ou seja, cada empresa fica com o que é seu. As que dão prejuízo ficam na mesma. As que dão lucro pagam menos impostos. E cada empresa paga a menos em proporção da sua capacidade de gerar lucros. Repare que com este sistema não precisamos que ninguém avalie projectos. O próprio mercado encarrega-se disso.
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“A mim parece-me que uma descida de IRC dos 25 para os 23 % é uma miséria que não influencia empresa nenhuma a nada.”
Influência pouco, mas mais cortes de outros milhões de subsídios e “obras” para Ministros aparecerem…
É essencial termos os impostos mais baixos possíveis e certamente mais baixos que os países ex-comunistas.
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Parece que fica claro que o sistema de subsídios gera bastos efeitos perversos. Tb tem coisas boas, certamente,mas acontece que o dinheiro não cai do ceú, é basicamente desviado do bolso das pessoas, via impostos.
Continuo a acreditar que esse dinheiro no meu bolso era melhor utilizado do que utilização que lhe é dada pelo burocrata cheio de boas intenções.
Se tivesse mais dinheiro, aqui este vosso amigo iria jantar mais vezes fora, por exemplo; o que sera bom para a sua qualidade de vida, para o dono do restaurante, para o empregado do restaurante, para o fabricante de pratos e talheres, para o vendedor de mesas de restaurante, para o fornecedor de guardanapos, para o produtor de carne, para o hortelão, para o pescador, etc.
A equação parece-me simples: o meu dinheiro no meu bolso, bom, o meu dinheiro no bolso do estado, subsídio para a Embraer.
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João Miranda,
Ainda que concorde consigo na maioria das vezes, permita-me discordar nesta. Duas razões simples:
“Na verdade não se trata de dividir nada por ninguém. Trata-se de baixar os impostos. Ou seja, cada empresa fica com o que é seu. As que dão prejuízo ficam na mesma. As que dão lucro pagam menos impostos.”
Só para recordar, estamos de acordo que a economia deve crescer e não manter-se como está, certo? A redução da taxa não tem um reflexo directo. Basta perceber que menos de metade das empresas PME quando apuram o IRC a pagar, chegam aos quadros onde se aplica a taxa em vigor. Por força de prejuízos ou pagamentos por conta, a taxa de IRC pouco importa no panorama fiscal.
“E cada empresa paga a menos em proporção da sua capacidade de gerar lucros. Repare que com este sistema não precisamos que ninguém avalie projectos. O próprio mercado encarrega-se disso.”
Estaríamos de acordo se o mercado tivesse empresas da qualidade da Embraer prontas a dar o salto assim que chegassem os benefícios fiscais. Não sendo, o mercado nivela-se pela qualidade das empresas residentes, que convenhamos… é muito baixa.
Mas isto é a minha visão sobre as coisas, talvez tenha tido azar nas dezenas de PME’s que me calharam, onde tive a “infelicidade” de ter de conviver com os seus donos do ponto de vista fiscal/financeiro.
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“Sócrates para mim tornou-se uma grande desilusão”
Ó Tina, tinha-a em melhor consideração! Nunca pensei que fosse das que alguma vez se tivessem iludido com aquilo.
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E por enquanto ainda é só a Embraiar.
Imaginem quando chegar a Aceleleraier.
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Luís Lavoura (8)
“A mim parece-me que uma descida de IRC dos 25 para os 23 % é uma miséria que não influencia empresa nenhuma a nada.”
Suponho então que a subida do IVA de 19% para 21% não lhe tenha feito diferença. Suponho também que não saiba qual foi a quantidade de negócios que a Madeira perdeu por causa dessa subida. Só para ter uma ideia, essa foi a razão real para João Jardim querer eleições antecipadas.
Pode não ser uma alteração brutal. Mas são menos 6% de imposto que a empresa paga. É o suficiente para tornar muitos planos de investimento mais positivos em Portugal que noutro país. Além disso, só estamos a falar de benefícios fiscais. Junte-lhe também nos subsídios directos, que são muito superiores aos benefícios fiscais, e provavelmente poderia ter uma das taxas de IRC mais competitivas da Europa.
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“incentivos fiscais a uma empresa com um projecto inovador e com bases sólidas estruturais e de know-how, pode vir a não ser o melhor dos investimentos.”
Parece-me a mim que se o projecto é tão bom, os incentivos não são necessários para nada. Parece-me também que pagar menos imposto é um bom incentivo.
Por último, parece-me que subsidiar projectos que precisam de subsidios para acontecer, é uma boa forma de destruir os projectos que não precisam de subsídios para acontecer com o dinheiro que estes últimos pagam de imposto.mais
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Caro JM
Filosoficamente estou de acordo com o seu post, mas em nome do rigor há que esclarecer o seguinte :
Se os 50 milhões de que estamos a falar são descontos sobre impostos futuros gerados por esse investimento, esse valor é virtual e só se torna real se o investimento se concretizar.
Por isso, não há 50 milhões para distribuir por ninguém, caso o investimento não se concretize.
O que há de certeza é 148 milhões injectados na economia, com todos os respectivos efeitos multiplicadores, se o investimento se concretizar, mais os tais impostos com desconto de 30%.
E se o tal desconto de 30% corresponde a 50 milhões, quer dizer que esse tal investimento vai gerar mais 116 milhões de impostos.
Ou seja por essa lógica, esta “borla” à Embraer até podia permitir uma maior baixa de impostos a todos os outros.
Finalmente sou obrigado a dar razão ao LL, descontos de 1% no IRC não interessam nem “ao menino Jesus”.
As empresas precisão de descontos é nos custos, não nos impostos sobre lucros.
Quando se tem lucro, pagar imposto é um pequeno incómodo que até dá gozo.
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“Ó Tina, tinha-a em melhor consideração! Nunca pensei que fosse das que alguma vez se tivessem iludido com aquilo.”
O que eu gostaria é que ele continuasse a mostrar a coragem que mostrou inicialmente. Que também a nível da economia tomasse as medidas corajosas para fazer o é preciso e não apenas aplicar receitas velhas que não levam a lado nenhum. Como aumentar impostos e dar subsídios. Parece que é só isso que ele sabe fazer, enquanto deveria ser precisamente ao contrário.
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Os benefícios fiscais orçamentados para este ano totalizam 300 milhões de euros, mas é uma pena que esses subsídios, a avaliar pelos casos conhecidos, não sejam o dobro ou o triplo. Houvesse mais Embraeres e Portugal no espaço de meia dúzia de anos rapidamente se transformaria nos mais desenvolvidos da Europa.
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««Finalmente sou obrigado a dar razão ao LL, descontos de 1% no IRC não interessam nem “ao menino Jesus”.
As empresas precisão de descontos é nos custos, não nos impostos sobre lucros.»»
As empresas não compram serviços umas às outras? Os custos não incorporam impostos?
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««Os benefícios fiscais orçamentados para este ano totalizam 300 milhões de euros, mas é uma pena que esses subsídios, a avaliar pelos casos conhecidos, não sejam o dobro ou o triplo. Houvesse mais Embraeres e Portugal no espaço de meia dúzia de anos rapidamente se transformaria nos mais desenvolvidos da Europa.»»
A propaganda do governo funciona porque as pessoas preferem olhar para os casos especificos que o governo subsidia e não vêem os casos que o governo penaliza através dos impostos.
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Quais foram/são as indústrias da OCDE que não beneficiaram, de uma forma ou de outra, de subsídios?
Se não fossem os subsídios do passado e do presente, ainda íamos de barco para o outro lado do lago!
Quanto a mim a situação não é assim tão clara.
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“Parece-me a mim que se o projecto é tão bom, os incentivos não são necessários para nada. Parece-me também que pagar menos imposto é um bom incentivo.”
Então os incentivos n são necessários pra nada, ou só os bons incentivos?
E serão os impostos incentivos?
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Com o IRC a 23,5%, com que país estariamos a competir, na lógica da decisão de investimento baseada na taxa de imposto?
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««Quais foram/são as indústrias da OCDE que não beneficiaram, de uma forma ou de outra, de subsídios?»»
Se todas indústrias da OCDE beneficiaram de subsídios, quem foi que os pagou? Percebe que para uma indústria beneficiar de subsídios, tem que haver outra a pagá-los, não percebe?
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««Com o IRC a 23,5%, com que país estariamos a competir, na lógica da decisão de investimento baseada na taxa de imposto?»»
As decisões de investimento não se baseam na taxa de imposto. Baseiam-se na rentabilidade do projecto. A redução do IRC aumenta a entabilidade dos projectos e torna o país mais competitivo em relação a todos os outros.
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PMS,
“Suponho então que a subida do IVA de 19% para 21% não lhe tenha feito diferença. Suponho também que não saiba qual foi a quantidade de negócios que a Madeira perdeu por causa dessa subida. Só para ter uma ideia, essa foi a razão real para João Jardim querer eleições antecipadas.”
Comparar evoluções percentuais nos dois impostos até se pode fazer, não serve é para nada.
Por alguma razão alguns dos maiores fiscalistas mundiais defendem a extinção de praticamente todos os impostos, taxando apenas o consumo.
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“Percebe que para uma indústria beneficiar de subsídios, tem que haver outra a pagá-los, não percebe?”
No entanto, concordo que neste país a atribuição dos mesmos raramente é a mais acertada. Temos os últimos 20 anos como exemplo.
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“Por alguma razão alguns dos maiores fiscalistas mundiais defendem a extinção de praticamente todos os impostos, taxando apenas o consumo.”
Isso sim, seria uma medida inteligente. Para o estado recolher as verbas estritamente necessárias às suas funções fundamentais.
Mas por aí não iremos nos próximos anos…na verdade queremos acreditar num deus qualquer, capaz de nos “safar” dos problemas da vida.
Como dizia o outro “rtugal no espaço de meia dúzia de anos rapidamente se transformaria nos mais desenvolvidos da Europa.”
Há sempre um céu a ser desejado e a ser oferecido. É para isso tb que serve este Estado: dá amuitas pessoas uma escatologia, uma fé.
Dá, quer dizer….vende…e bastante caro. O meu bolso não mente…
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“Houvesse mais Embraeres e Portugal no espaço de meia dúzia de anos rapidamente se transformaria nos mais desenvolvidos da Europa”.
Mas, Portugal já é um dos mais desenvolvidos da Europa, graças ao Plano Tecnológico, ao Simplex, à Casa na Hora, às Novas Oportunidades.
É tudo tão moderno!
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Falta só o “casamento homo/hetero na hora”. Mas, o “Engenheiro” ainda cria isso antes de Outubro de 2009.
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Eu acho que o J tem razão.
Voltemos às horas de espera nas conservatórias. Meter dias de férias para ir ás finanças entregar o IRS. Pagar a uns espertalhaços para furarem as filas nas conservatórias e nos irem fazer os registos da casa. Invalidar a experiência profissional como contributo para a carreira académica, para não terem um canudo como o nosso.
Matamos os gays e só deixamos o verdadeiro homem lusitano.
Cuspir para o chão passa a ser obrigatório sempre que na presença de de outros machões.
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“As decisões de investimento não se baseam na taxa de imposto. Baseiam-se na rentabilidade do projecto. A redução do IRC aumenta a entabilidade dos projectos e torna o país mais competitivo em relação a todos os outros”
Se a redução de impostos aumenta a rentabilidade dos projectos, “ceteris paribus”, uma redução para 23,5% tornavam o nosso país mais competitivo em relação a q “outros”!?
A “todos os outros”!?
Q empresa passaria a escolher Portugal, contra outro qualquer, com base na descida de IRC para 23,5%!?
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“As empresas não compram serviços umas às outras? Os custos não incorporam impostos?”
JM
Não fui eu que falei no IRC.
E explicitamente no IRC que só existe se existirem lucros.
Se tivessem falado na TSU, nas taxas autonomas de IRC, nas componentes não recuperáveis do IVA, no Imposto de Selo, etc. aí sim estavam a falar de impostos incorporados nos custos.
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««Não fui eu que falei no IRC.
E explicitamente no IRC que só existe se existirem lucros.
Se tivessem falado na TSU, nas taxas autonomas de IRC, nas componentes não recuperáveis do IVA, no Imposto de Selo, etc. aí sim estavam a falar de impostos incorporados nos custos.»»
O IRC também incorpora nos custos. A grande diferença é que o IRC penaliza as empresas mais eficientes.
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“O IRC também incorpora nos custos.”
Tirando as taxas autónomas não percebo como.
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“A propaganda do governo funciona porque as pessoas preferem olhar para os casos especificos que o governo subsidia e não vêem os casos que o governo penaliza através dos impostos.” JM
Quais pessoas!? A avaliar pela cx de comentários praticamente ninguém vai nessa “propaganda”. Mas eu vou. É que a propaganda de coisas realmente boas é muito benéfica: serve de referência à comunidade, e por isso incentiva-a a querer ser como os melhores. E é justamente disso que estamos a precisar como de pão para a boca.
Neste caso, quem é que o governo penaliza através dos impostos? Em boa verdade ninguém. Mas admitamos que sim, que nos penaliza a todos. Ora, a consequência seria deixarmos de fazer as férias paradisíacas programadas, para passarmos a ter uma industria aeronáutica. Só um louco é que não está disposto a fazer esse sacrifício.
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««Q empresa passaria a escolher Portugal, contra outro qualquer, com base na descida de IRC para 23,5%!?»»
Aquelas para as quais os projectos passassem a ser vantajosos. Existem milhares de investidores por essa Europa fora. Para alguns a variação de 1.5% fará a diferença. Basta pensar nos investidores financeiros que todos os dias optam por colocar parte do seu capital no PSI20 ou noutra bolsa qualquer.
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“A grande diferença é que o IRC penaliza as empresas mais eficientes.”
O IRC e qualquer outro imposto sobre rendimentos.
Os trabalhadores mais eficientes, logo mais bem pagos também pagam mais impostos.
Mas esses (como as empresas mais eficientes) tem poder negocial sobre o valor liquido do salário, portanto os impostos sobre lucros não os devem incomodar muito.
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««Mas eu vou. É que a propaganda de coisas realmente boas é muito benéfica: serve de referência à comunidade, e por isso incentiva-a a querer ser como os melhores.»»
A única coisa que incentiva é a que as pessoas peçam subsídios para fazer coisas absolutamente corriqueiras.
««Neste caso, quem é que o governo penaliza através dos impostos? Em boa verdade ninguém.»»
Tirando os investidores que declaram lucros, ou seja aqueles que têm projectos verdadeiramente viáveis, não prejudicam ninguém.
«« Mas admitamos que sim, que nos penaliza a todos. Ora, a consequência seria deixarmos de fazer as férias paradisíacas programadas, para passarmos a ter uma industria aeronáutica.»»
Não percebi. O que é que as industrias produtivas que pagam IRC têm a ver com férias paradisíacas?
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««Mas esses (como as empresas mais eficientes) tem poder negocial sobre o valor liquido do salário, portanto os impostos sobre lucros não os devem incomodar muito.»»
Ou seja, 300 milhões de euros a mais na economia, recebidos por quem realmente produz, em vez de serem recebidos por quem quer viver às custas do Estado, não fazem diferença?
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“Ora, a consequência seria deixarmos de fazer as férias paradisíacas programadas, para passarmos a ter uma industria aeronáutica. Só um louco é que não está disposto a fazer esse sacrifício.”
Com essa definição de loucura, ponho as mãos no lume, em que 99% dos portugueses são irrecuperavelmente loucos.
A começar pelo 1º Ministro, que ( e faz ele mto bem) não dispensa férias dessas , incluindo safaris.
Mentalmente são, desconfio que só o Red Snaper…
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“Basta pensar nos investidores financeiros que todos os dias optam por colocar parte do seu capital no PSI20 ou noutra bolsa qualquer.”
JM
Este é o principal problema deste post.
Por isso é que eu disse que concordava filosoficamente mas criticava a falta de rigor do mesmo.
Começou por falar duma empresa industrial e agora acaba a dar exemplos de empresas financeiras.
É misturar alhos com bugalhos.
E do seguimento dos comentários também fiquei sem perceber se os incentivos à Embraer são subsidios (o que seria pior que péssimo) se são descontos nos futuros impostos (o que não é tão mau assim).
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Mentat Diz: 31 Julho, 2008 às 1:04 pm
“Por isso, não há 50 milhões para distribuir por ninguém, caso o investimento não se concretize. (…) E se o tal desconto de 30% corresponde a 50 milhões, quer dizer que esse tal investimento vai gerar mais 116 milhões de impostos.”
Ninguém disse que o Estado ia fazer uma doação incondicional à Embraer. Seria também interessante compreender esse efeito multiplicador de impostos. O Estado perdoa os impostos, e vai receber ainda mais impostos por causa disso?
“As empresas precisão de descontos é nos custos, não nos impostos sobre lucros.”
Existe uma coisa chamada custo de capital. Que é o factor mais importante na tomada de decisões de investimento. E que indirectamente influencia os custos em toda a economia.
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PMA Diz: 31 Julho, 2008 às 1:33 pm
“Então os incentivos n são necessários pra nada, ou só os bons incentivos? E serão os impostos incentivos?”
Os impostos são um incentivo para investir noutro local. Reduzi-los aumenta o incentivo para investir em Portugal.
O que prefere como incentivo para investir? A rentabilidade real de um projecto, ou o subsídio?
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“A única coisa que incentiva é a que as pessoas peçam subsídios para fazer coisas absolutamente corriqueiras.” JM
A industria aeronáutica não é corriqueira, caro JMiranda. Bem pelo contrário. A partir de agora o mundo fica a saber que quem tiver um projecto com tecnologia avançada tem em Portugal um excelente incentivo para desenvolver esse projecto. Mais: coisas corriqueiras não têm subsidio. Paciência!
“Tirando os investidores que declaram lucros, ou seja aqueles que têm projectos verdadeiramente viáveis, não prejudicam ninguém.” JM
Errado. Os 50 M vão ser pagos com o pêlo do próprio cão. O mundo dos negócios é mais complicado do que pensas. Um dia ainda te hei-de convidar para jantares comigo para te ensinar uns truques.
João Miranda, ainda que mal pergunte, segundo o teu raciocínio por que é que 50 milhões têm a sua proveniência no IRC. Porque não no IRS?
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PMA Diz: 31 Julho, 2008 às 1:37 pm
“Com o IRC a 23,5%, com que país estariamos a competir, na lógica da decisão de investimento baseada na taxa de imposto?”
A subsidiar empresas, com que país estamos a competir, na lógica de investimento baseada no apoio estatal?
“Q empresa passaria a escolher Portugal, contra outro qualquer, com base na descida de IRC para 23,5%!?””
Todas as que não escolheram Portugal por este ter uma taxa de imposto de 25%. Está a considerar que o único factor considerado pelas empresas na tomada de decisão de investimento é a taxa de imposto. Se fosse assim, Portugal não teria uma única empresa.
Mas vou-lhe dar um exemplo: a Google não instalou vários serviços em Portugal por causa de uma diferença de 1% em taxas de imposto. O que é que prefere? A Embraer ou a Google?
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“Ou seja, 300 milhões de euros a mais na economia, recebidos por quem realmente produz, em vez de serem recebidos por quem quer viver às custas do Estado, não fazem diferença?”
Pergunto outra vez?
Estes 300 milhões onde se incluem os 50 da Embraer são subsidios ou descontos nos impostos ou é uma caldeirada das duas coisas ?
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“O que é que prefere? A Embraer ou a Google?”
Eu não tenho dúvidas!
A Embraer!!!
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Akula Diz:
31 Julho, 2008 às 1:43 pm
“Comparar evoluções percentuais nos dois impostos até se pode fazer, não serve é para nada. Por alguma razão alguns dos maiores fiscalistas mundiais defendem a extinção de praticamente todos os impostos, taxando apenas o consumo.”
Caro akula, apenas demonstrei que mesmo uma variação de imposto (seja qual ele for) tem impacto. Normalmente as pessoas só discordam disto quando falam de impostos que não pagam.
Guna Diz: 31 Julho, 2008 às 1:56 pm
“No entanto, concordo que neste país a atribuição dos mesmos raramente é a mais acertada. Temos os últimos 20 anos como exemplo.”
É óbvio que a atribuição dos subsídios raramente seja acertada. Se a obtenção de subsídios é condição necessária para que o projecto crie valor (logo, para que seja feito), o projecto não deve ser subsidiado. Qual seria o sentido de subsidiar projectos que destroem valor? Por outro lado, se cria valor, para que serve o subsídio?
O único subsídio aceitável é o que implica investimento do Estado na envolvente: criação de infraestruturas (estradas, energia, etc) e qualificação do factor humano. Usar o poder de influência para favorecer parcerias com universidades com vista à criação de transferência de conhecimento. Legislação favorável ao aparecimento de instrumentos de financiamento adequados (venture capital, etc). Mas NUNCA subsidiação directa a casos concretos.
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“…para passarmos a ter uma industria aeronáutica”
É a fazer chapas e a apertar parafusos onde os outros te mandam apertá-los que vais ficar a ter uma indústria aeronáutica!!!
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“É que a propaganda de coisas realmente boas é muito benéfica: serve de referência à comunidade, e por isso incentiva-a a querer ser como os melhores.”
Deve ser por isso que toda a gente em Portugal tenta viver à conta do Estado. A propaganda de facto funciona.
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“Pergunto outra vez?
Estes 300 milhões onde se incluem os 50 da Embraer são subsidios ou descontos nos impostos ou é uma caldeirada das duas coisas?”
Os 50M€ são incentivos financeiros e fiscais. Ou seja, parte é desconto nos impostos, parte é pior do que isso.
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A Embraer (assim como os outros fabricantes de aeronaves com +50pax) foram e são substancialmente subsidiadas. Isso é bom ou mau para os respectivos países?
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“O Estado perdoa os impostos, e vai receber ainda mais impostos por causa disso?”
Se o investimento não se fizer, então o Estado não perdoa coisa nenhuma e não recebe coisa nenhuma.
Se o Estado perdoa 30% de impostos e isso corresponde a 50 milhões quer dizer que ainda vai receber 70% de impostos ou seja (50/0,3)-50=116,67.
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“É a fazer chapas e a apertar parafusos onde os outros te mandam apertá-los que vais ficar a ter uma indústria aeronáutica!!!”
Foi assim que os Japoneses fizeram, e os Brasileiros também, por isso é que são eles a receber os incentivos e não nós.
Nós como somos muito mais espertos e graças ao plano tecnológico do Sócrates, vamos investigar tudo desde a raiz, inventamos de novo o fogo, a roda, a pólvora e a passarola e saltamos logo para a industria aero-espacial.
Porquê perder tempo a aprender a fazer aviões inventados por outros, vamos já começar a construir as naves para colonizar Marte.
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Caro Mentat,
Então explique lá como é que as indústrias aernauticas Brasileiras e Japonesas começaram.
Era bom se conseguissemos seguir estes exemplos!
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“Deve ser por isso que toda a gente em Portugal tenta viver à conta do Estado. A propaganda de facto funciona.” PMS
O PMS, sendo indubitavelmente um tipo inteligente, anda mal informado. Em Portugal, quando comparado com os restantes países europeus, não há mais gente a querer viver à conta do Estado.
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“Então explique lá como é que as indústrias aernauticas Brasileiras e Japonesas começaram.”
Foi exactamente assim. Primeiro começaram a apertar chapas. Hoje são uma potência. Se quisermos um dia ser uma potência mundial na industria aeronáutica, começar por baixo não tem mal algum.
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Cambada de cretinos e ignorantes. Não vêem que os incentivos são descontos nos impostos que a Embraer vai pagar ? Se ela se instalar noutro país que lhes ofereça melhores beneficios quanto é que lucramos ? E quanto ao génio que afirma que se um projecto é tão bom não precisa de subssidios será que ele já alguma vez realizou que há outros países interessados neste tipo de investimentos ?
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“Foi exactamente assim. Primeiro começaram a apertar chapas.”
Estou esclarecido. E para quem? Ao contrário dos tuguinhas que nunca aprendem, estes dois países começaram pela investigação, desenvolvimento de produtos próprios para as suas necessidades.
Nós servimos de mão de obra barata para os outros!
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Jeronimo Diz:
31 Julho, 2008 às 4:16 pm
“Se ela se instalar noutro país que lhes ofereça melhores beneficios quanto é que lucramos?”
E o que é que lucramos com as empresas que se instalam noutros países porque pagam uma taxa de imposto mais elevada?
Isso é um bom argumento para reduzir os impostos a todos e não só a alguns.
“E quanto ao génio que afirma que se um projecto é tão bom não precisa de subssidios será que ele já alguma vez realizou que há outros países interessados neste tipo de investimentos?”
Não há nada de genial em ter em conta os princípios básicos de finanças, e ignorar os argumentos de autoridade. O que é tem se noutros países há uma data de tipos interessados em perder dinheiro? Deixá-los perder.
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««Cambada de cretinos e ignorantes. Não vêem que os incentivos são descontos nos impostos que a Embraer vai pagar ? »»
Acho que toda a gente viu. O ponto é que esse desconto viola o princípio da igualdade entre agentes económicos e constitui uma penalização de todas as empresas que não têm o mesmo direito.
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“Foi exactamente assim. Primeiro começaram a apertar chapas. Hoje são uma potência. Se quisermos um dia ser uma potência mundial na industria aeronáutica, começar por baixo não tem mal algum.”
Temos hipóteses de vir a ser uma potência mundial na indústria aeronáutica?
Subsidiar empresas brasileiras é a forma de nos tornarmos uma potência mundial na indústria aeronáutica?
Os Brasileiros e os Japoneses são potencias na indústria aeronáutica?
Em que é que subsidiar fortemente o sector automóvel nos ajudou a tornarmo-nos uma potência no sector. Pelo que sei, apenas leva a termos de desenbolsar uma catrefada de subsídios de 5 em 5 anos para evitar que uma empresa feche. Ao fim de 25 anos, continuamos a só ter indústria automóvel porque a subsidiamos. E continuamos a apertar parafusos. Será que é mesmo este o caminho? É preciso errar quantas vezes?
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««Se o investimento não se fizer, então o Estado não perdoa coisa nenhuma e não recebe coisa nenhuma.»»
Isso é verdade para qualquer investimento de qualquer pequena e média empresa portuguesa. Se os impostos são elevados, o investimento não se faz e o Estado não recebe. É portanto um argumento para baixar os impostos a todas as empresas, portuguesas ou estrangeiras. Acresce a isso que a atribuição de descontos especiais a empresas especiais viola o princípio da igualdade.
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“Subsidiar empresas brasileiras é a forma de nos tornarmos uma potência mundial na indústria aeronáutica?”
É uma forma. De resto, foi justamente assim que começaram muitas das grandes empresas actuais. Com engenho, daqui a uns anos a Embraer será uma empresa portuguesa. Só depende de nós.
Subsidiar o sector automóvel foi uma excelente decisão. Só não vê quem não quer. Já percebi que os factos não são suficientes para o PMS.
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O princípio da igualdade entre agentes económicos em nada fica beliscado com a Embraer. As regras são claras para todos: Empresários de actividades de vanguarda, inexistentes em Portugal, e que as queiram aqui desenvolver, têm benefícios fiscais. Clarinho como a água.
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Com engenho, daqui a uns anos a Embraer será uma empresa portuguesa. Só depende de nós.
Hahahahaha.
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“Subsidiar o sector automóvel foi uma excelente decisão. Só não vê quem não quer. Já percebi que os factos não são suficientes para o PMS.”
Não me apresentou quaisquer factos, apenas a sua opinião. Mas vamos a factos. Uma única questão: Qual o VAB, descontado do valor dos subsídios, por trabalhador na AutoEuropa? Qual é o VAB médio das outras empresas da região? Sabe-me responder a esta questão?
Eu não sei. Mas sei que quando os subsídios (e mercado cativo) à Renault acabaram, esta saiu do país. Trouxe-se a AutoEuropa para substituir, à custa de subsídios. Quando estes acabaram, foi preciso pagar novos subsídios para que esta continuasse. Portanto, a conclusão parece-me óbvia: ao fim de 15 anos, a AutoEuropa continua a não considerar que consegue criar valor no nosso país sem subsídios.
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O PMS tem toda a razão. Oferecer pontualmente pacotes fiscais não resolve nada. Os países preferidos das multinacionais são países como a Suiça, Holanda e Luxemburgo. São países que têm impostos baixos para todas as empresas (não é preciso ir regatear). E são países que dão garantias de estabilidade desses impostos baixos. E para garantir esses impostos baixos é preciso um estado poupado, que não ande a estoirar dinheiro em TGV, em oferecer portáteis, etc, etc.
Mais alguém acha que o Sócrates no último ano passou de um bom PM para um muito mau PM?
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“O ponto é que esse desconto viola o princípio da igualdade entre agentes económicos e constitui uma penalização de todas as empresas que não têm o mesmo direito.”
Isso é óbvio apesar de ter dúvidas se esse “princípio da igualdade entre agentes económicos” seja um “direito humano” e como tal mereça ser consagrado.
Mas a realidade é que os agentes económicos sempre se descriminaram uns aos outros, positivamente e negativamente.
Os meus concorrentes não compram ao mesmo preço que eu, em alguns fornecedores, e alguns dos meus clientes são por mim favorecidos, em relação a outros.
É assim a vida.
O Estado goste-se ou não, é um interveniente na vida económica.
Não acho ilegítimo que um Estado de Direito devidamente mandatado para isso possa introduzir algumas desigualdades no sistema económico de modo a favorecer o nascimento de novos sectores produtivos, ou a salvar outros.
O ideal, seria que não fosse necessário, mas a defesa intransigente da utopia parece-me um luxo de ricos.
A questão está no “devidamente mandatado” e no prestar contas aos mandatários.
Estes favorecimentos tem alguma lógica nacional, patriótica e de futuro ?
Ou são apenas panaceias e favorecimentos ilegítimos ?
Teremos alguma hipóteses de escrutinar os resultados destas “desigualdades” introduzidas no sistema ?
Duvido muito.
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São curiosas, as conversas de café.
As mesmas pessoas que defendem o aumento dos impostos sobre as grandes empresas são as mesmas que defendem esta subsidiação. São incapazes de perceber que se os impostos aumentam, e se criam benefícios para os ricos, são sempre os pobres a “pagar o pato”. Mas não há maneira de explicar isto. É dificil demais compreender…
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««As regras são claras para todos: Empresários de actividades de vanguarda, inexistentes em Portugal, e que as queiram aqui desenvolver, têm benefícios fiscais.»»
O que é uma actividade de vanguarda? Por exemplo, aquela empresa de Vila do Conde que faz kayaks tem uma actividade de vanguarda? E aquela outra de Avintes especializada em embalagem de vidros? E uma de sabones de luxo no Porto? E aquela de fatos de banho? Há ainda uma de colectores solares térmicos, conheço uma de perfumes à medida e outra de simulação do escoamento de fluidos. Serão estas de vanguarda? Devem ter direito a subsídios? Porque é que não tiveram quando precisavam deles?
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“Não acho ilegítimo que um Estado de Direito devidamente mandatado para isso possa introduzir algumas desigualdades no sistema económico de modo a favorecer o nascimento de novos sectores produtivos, ou a salvar outros”
Salvar outros porquê?
Se necessitam de ser “salvos” é porque não se aguentam por si mesmos.
Porque razão haveria o Estado de usar o meu dinheiro para “salvar” por exemplo, uma fabrica de produção de candeeiros a petróleo?
Quem é que, no Estado, acha que sabe mais do que o mercado e decide “salvar” uma fabrica de um produto obsoleto e que ninguém quer comprar?
Amigo do dono da fábrica?
Com o meu dinheiro?
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“Eu não sei. Mas sei que quando os subsídios (e mercado cativo) à Renault acabaram, esta saiu do país. Trouxe-se a AutoEuropa para substituir, à custa de subsídios.”
O mal disto tudo é que todos falamos sem saber. Temos opiniões. É exactamente o meu caso.
E na minha opinião (que vale o que vale) a Renault foi um péssimo negócio, mas a AutoEuropa nem por isso.
Muitos dos subsídios foram do tipo que o PMS lá em cima considerou legitimo (“O único subsídio aceitável é o que implica investimento do Estado na envolvente: criação de infra-estruturas (estradas, energia, etc) e qualificação do factor humano.”).
Eu próprio trabalhei em obras directamente ligadas ao projecto Autoeuropa no IEFP de Setúbal.
Na zona de Setúbal apareceram ou renasceram inúmeras empresas fornecedoras de componentes para a Autoeuropa, que já não caíram na mesma asneira de só terem um cliente como foi no tempo da Renault.
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Se uma empresa não se consegue financiar no mercado de capitais dificilmente será capaz de se salvar ou de criar um novo sector. Aliás, há dezenas de empresas a criar novos sectores em Portugal. Só ouviremos falar delas dentro de muitos anos. Serão as novas Bial. Mas essas empresas não serão as que o Estado anda a subsidiar.
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“Porque razão haveria o Estado de usar o meu dinheiro para “salvar” por exemplo, uma fabrica de produção de candeeiros a petróleo?”
O exemplo é um pouco tolo, por isso não se admire que a resposta seja também tola.
Se o Estado, cujos decisores deveriam ter um pensamento estratégico a longo prazo e não condicionado pela datas das eleições, previsse com uma alta probabilidade de no futuro muitas cegonhas se suicidarem contra as linhas de alta tensão e provocarem “blackouts”, então seria o seu dever garantir que o abastecimento de “candeeiros a petróleo” à população não estava nas mão dum qualquer país menos amigável.
Portanto deveria garantir que os produtores de “candeeiros a petróleo” tivessem as condições necessárias, para nunca fecharem as suas fábricas, e pudessem manter sem quebras o fornecimento dum produto tão útil.
Quem diz “candeeiros a petróleo” poderia dizer vacinas, água potável, preservativos, balas para as shot-guns, etc.
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««Se o Estado, cujos decisores deveriam ter um pensamento estratégico a longo prazo »»
A única forma de um Estado ter uma visão estratégica é desenvolvendo o seu core business: segurança, defesa e justiça. Se se quiser meter na economia deve preocupar-se com: estabilidade macroeconómica, serviços públicos eficientes, despesa e impostos baixos, imparcialidade em relação ao jogo económico. Esse é o segredo dos estado que se desenvolveram mais do que nós. Interferência do estado na economia através de medidas voluntaristas nada tem a ver com estratégia.
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“Aliás, há dezenas de empresas a criar novos sectores em Portugal. Só ouviremos falar delas dentro de muitos anos. Serão as novas Bial. Mas essas empresas não serão as que o Estado anda a subsidiar.”
Ainda bem.
Mas entretanto…
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“A única forma de um Estado ter uma visão estratégica é desenvolvendo o seu core business: segurança, defesa e justiça.”
Completamente acordo.
Só que a segurança e a defesa implicam obrigatoriamente uma intervenção na economia.
Foi assim que nasceram as OGMA.
Devido aos embargos de armas que sofremos para a defesa do Ultramar o Estado teve que intervir na Industria do armamento.
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“Esse é o segredo dos estado que se desenvolveram mais do que nós. Interferência do estado na economia através de medidas voluntaristas nada tem a ver com estratégia.”
Também não é inteiramente verdade.
O programa Apolo para ir à Lua de Kennedy teve resultados económicos colaterais extraordinários e foi uma medida puramente voluntarista.
Idem, idem quanto à IDE de Reagan.
Porque é que o JM não aceita o Estado, como uma espécie de Empresa de Eleitores, que se chega à frente para produzir um produto necessário quando as outras empresas são demasiado temerosas para o fazer por sua conta e risco ?
Alguém tem de desbravar o caminho.
E também não podemos negar a nossa história.
Em Portugal tem de haver um sempre um Condestável, um Infante D. Henrique, alguém com as “costas quentes”.
Depois, “onde mija um português, mijam logo dois ou três”…
É uma sina.
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“Qual o VAB, descontado do valor dos subsídios, por trabalhador na AutoEuropa? Qual é o VAB médio das outras empresas da região? Sabe-me responder a esta questão?” PMS
Em 2007 o VAB da Aotoeuropa, descontando subsídios, foi 500 milhões. Se dividirmos por 3000 trabalhadores, chegamos à quantia de 166 mil€. Quer dizer, não existe em Portugal uma única empresa que se aproxime sequer destes valores. Acho que está tudo dito.
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“As mesmas pessoas que defendem o aumento dos impostos sobre as grandes empresas são as mesmas que defendem esta subsidiação. São incapazes de perceber que se os impostos aumentam, e se criam benefícios para os ricos, são sempre os pobres a “pagar o pato”. Mas não há maneira de explicar isto. É dificil demais compreender…” PMS
Da forma como está escrito é bem verdade que é difícil de perceber. Não se percebe a lógica. Sorry.
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“……Serão estas de vanguarda? Devem ter direito a subsídios? Porque é que não tiveram quando precisavam deles?” JM
Muitas dessas empresas também beneficiaram de subsídios no arranque. O JM está enganado. O governo tem a crença legítima que o Estado pode, através de incentivos, ajudar a dinâmica empresarial. Para isso procura ao máximo criar critérios objectivos. Mas é certo que não há como fugir a uma certa subjectividade. Quer dizer, existem algumas imperfeições e também injustiças. A questão é que, apesar de o João Miranda ser sem sombra de dúvidas a pessoa mais inteligente que conheço, não creio que aquilo que preconiza conduza a melhores resultados.
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««Muitas dessas empresas também beneficiaram de subsídios no arranque.»»
Todas? Existe algum sistema que garante que todas as empresas recebem subsídios? Ou são só aquelas que caem nas boas graças do governo?
««O governo tem a crença legítima que o Estado pode, através de incentivos, ajudar a dinâmica empresarial. Para isso procura ao máximo criar critérios objectivos. Mas é certo que não há como fugir a uma certa subjectividade.»»
Se eles são assim tão bons a identificar empresas com potencial porque é que não se dedicam a jogar na bolsa com o dinheiro deles? Já reparou que os subsídios atribuidos pelo Governo têm risco zero para quem os atribui?
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“Se o Estado, cujos decisores deveriam ter um pensamento estratégico a longo prazo ”
Se?
Deveriam?
Pensamento “estratégico”?
Bom, se está a falar do que “deveria” ser e não do que é, do ideal e não do real, de anjos e não de vulgares sapiens com problemas na próstata, já ganhou a batalha.
Planos quinquenais?
Está a falar de quê?
Acha que há 20 anos alguém sonhava sequer com a www?
Mas acredita mesmo que os governos são constituídos por seres omniscientes e sábios que, reunidos em volta de grandes bolas de cristal, antecipam e dirigem o futuro, tendo em vista o “bem”?
Meu caro se quer uma religião, há melhor por aí.
O que a realidade nos diz é que as sociedades que criaram estados assim, acabaram mal.
Sabe o que era o Gossplan?
Quanto aos “estratégicos”, já nauseia ouvir o chavão por parte de quem se dispensa de explicar com precisão o que entende por “estratégico”.
Para uns, como o Dr. Anacleto, numa órbita mais alta, estratégicas são todas as forças de produção, desde a produção de papel higiénico à pesca da chaputa; para outros, que navegam mais à vista, estratégicas são aquelas que lhe passam pela cabeça no dia em que calham a ser questionados sobre o assunto e têm de dizer umas larachas mais ou menos esféricas.
No fundo este palavreado dos “sectores estratégicos” serve para tudo.
A água é “estratégica”, a energia é “estratégica”, os transportes aéreos também já foram “estratégicos” e a bem dizer até os isqueiros já foram “estratégicos”, numa altura em que tinha de ser o estado a licenciar o seu uso. Porque não o tomate e o tintol?
A bem dizer hoje, em Portugal, no ano da graça de 2008, o Estado considera que criar vacas e produzir tomates e tinto, é “estratégico”. E fá-lo, na Companhia das Lezírias, por exemplo. Com o meu dinheiro.
Por vontade de alguns, até a padaria cá da aldeia seria declarada “estratégica”.
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“Já reparou que os subsídios atribuidos pelo Governo têm risco zero para quem os atribui?”
Já. E cheguei à conclusão que isso pode ser uma grande vantagem. Quantas excelentes oportunidades de negócio eu já perdi, só por que tive medo que coisa não desse certo? Hoje sei que se não fosse medricas era multimilionário. Por outras palavras: se o dinheiro não fosse meu, tinha arriscado, e tinha tido sucesso.
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“Por outras palavras: se o dinheiro não fosse meu, tinha arriscado, e tinha tido sucesso.”
Está descoberta a pólvora.
Eu, se investisse com o dinheiro dos outros, tb estava rico. Ia às slot machines e jogava até me sair. E se me saísse a lotaria tb. E quando vou ao restaurante e não sou eu a pagar, como sempre muito bem e bebo melhor.
Quando sou eu a pagar, a coisa já não é bem assim.
Fantástico este comantarista. Tudo parece azul, quando se mira a partir da lua.
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Risco zero?
O JM não deve ainda ter ouvido falar de eleições.
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Veja-se o que está acontecer com o preço do petróleo, agora que os Estados Unidos ponderam investir um valor astronómico em eólicas, no carro eléctrico, etc. (sim os tótós dos americanos que não parecem mais inteligentes que os Dinamaqueses ou Alemães)?
O interesse do investimento treme : talvez venha aí uma alternativa!!!
Vamos baixar os preços para ver se a malta mirandeia e esquece.
Tarde de mais.
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Eis um beneficio indirecto dos subsidios às eólicas e ao carro eléctrico na fase de arranque : o preço do petróleo cai.
Algum dos acólitos quer fazer contas?
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JC julgo que religião é o anarcoliberalismo puro e duro. A fé na geração expontânea.
Quer saber o que é pensamento estratégico? Faz confusão nas cabeça dos pessoa?
Dou-lhe um exemplo: D. João II.
Não gostou do over-kill? Dou-lhe outro : O investimento na Universidade Portuguesa, responsável pela substituição de milhares de quadro portugueses que durante o pREC fugiram para o Brasil.
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Pensamento estratégico.Ícones de dimensão diversa:
Nelson Mandela
Ronald Reagan
Jimmy Carter
Helmut Kolhn, o bom gigante
A classe politica Sul-Coreana
O PC chinês
Greenspan
Mariano Gago
Duarte Pacheco
Rei de Espanha
Blair
Maquiavel
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“Mas acredita mesmo que os governos são constituídos por seres omniscientes e sábios que, reunidos em volta de grandes bolas de cristal, antecipam e dirigem o futuro, tendo em vista o “bem”?”
Ah não, o aldrabão da mercearia da esquina e o capataz dos texteis que apalpa a operária é que sabem tudo.
Convicções não valem nada.
Liderança não existe.
O fim da história já foi anunciado.O que conta agora é o cêntimo.
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JC “Mas acredita mesmo que os governos são constituídos por seres omniscientes e sábios que, reunidos em volta de grandes bolas de cristal, antecipam e dirigem o futuro, tendo em vista o “bem”?”
Ah não, o aldrabão da mercearia da esquina e o capataz dos texteis que apalpa a operária é que sabem tudo.
Convicções não valem nada.
Liderança não existe.
O fim da história já foi anunciado.O que conta agora é o cêntimo.
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Basta aliás olhar para as nossas cidades e vê-se como a lei do pato-bravo do lucro hoje tem produzido efeitos fantásticos.
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JC “a água é estratégica” “a energia é estratégica”. Porquê, porquê, perguntas enfurecido. O que é que evitar a fome, a sede e o frio são mais do que evitar ter o polo a não condizer com os shorts?
Miranda dá-me uma medalha a este tipo.
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“Em 2007 o VAB da Aotoeuropa, descontando subsídios, foi 500 milhões. Se dividirmos por 3000 trabalhadores, chegamos à quantia de 166 mil€. Quer dizer, não existe em Portugal uma única empresa que se aproxime sequer destes valores. Acho que está tudo dito.”
Onde obteve os dados? Tem também os dados para o período entre 2001 e 2004, em que a empresa decidiu congelar salários e deixou de apresentar contas?
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“Se o Estado, cujos decisores deveriam ter um pensamento estratégico a longo prazo e não condicionado pela datas das eleições, previsse com uma alta probabilidade de no futuro muitas cegonhas se suicidarem contra as linhas de alta tensão e provocarem “blackouts”, então seria o seu dever garantir que o abastecimento de “candeeiros a petróleo” à população não estava nas mão dum qualquer país menos amigável.”
Está a confundir a definição de planos de contingência a nível de segurança com premonições… De resto, a indústria de velas nunca deixou de existir por algum motivo.
Em todo o caso, por questões de segurança, isso poderia justificar subsidiação à produção de certos produtos (através de concurso público), mas não este tipo de subsidiação, nem a estes produtos. Há algum objectivo de segurança no investimento da Embraer? Não estou a ver. Os estrategas do governo devem ser mesmo bons.
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CMO, aprecio a sua verve, mas até ao momento, limitou-se a dizer a definir como “estratégico” aquilo que acha que é estratégico.
Ah, e a converseta demagógica da fominha e da sede, e dos passarinhos nos nihos, não é argumento sufciente para fundar o seu conceito de “estratégico”.
Eu compro o pão numa padaria….sem pão fico irritado. Será que a padaria é “estratégica”?
Sabia que nos EUA, nem as fábricas dos bombardeiros estratégicos são “estratégicas”?
Pois é verdade, não são do Estado. O estado limita-se a fazer encomendas às empresas que apresentam melhor produto.
Muito tem esta gente a aprender connosco em termos “estratégicos”.
A propósito, eu tenho cá em casa um furo artesiano. Sou um estratega do caraças…
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“O que é que evitar a fome, a sede e o frio são mais do que evitar ter o polo a não condizer com os shorts?”
Deveria talvez fazer essa pergunta às mulheres da Bósnia, não há muito tempo, que roubavam à boca para comprar alguns cosméticos e adereços estéticos.
Acho que, na cabeça delas, tinha a ver com dignidade.
Como dizia o outro, nem só de pão vive o homem.
Quem acha que é só isso, ou é sobretudo isso, não passa de “besta sadia, cadáver adiado que procria”.
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JC ““besta sadia, cadáver adiado que procria””
Brilhante a frase. Os meus parabéns (não sei se é o autor ou se está a citar, mas a frase é muito boa)
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Agora o resto.
Pensa que nos USA uma fábrica, por exemplo, de helices ultrasilenciosas para submarinos não é estratégica porque é privada?
É estratégica e é privada.
Não pode vender os seus produtos a quem quer mas a quem o estado deixa. Não pode vender o seu Know -how a ninguem sem autorização do estado. Tem muitas vezes a sua investigação e desenvolvimento subsidiado pelo estado.
Uma coisa lhe garanto : não se metam com o estado nos USA. Quando ele bate bate forte e não tem respeitinho pelos capitalistas : não os vê algemados e deitados no chão?
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“Deveria talvez fazer essa pergunta às mulheres da Bósnia, não há muito tempo, que roubavam à boca para comprar alguns cosméticos e adereços estéticos.
Acho que, na cabeça delas, tinha a ver com dignidade.”
Não JC. O argumento não é bom.
Estratégico para o estado é tudo o que tem a ver com grandes operações ou mesmo opções, cujo percurso temporal é prolongado e influencia de forma sistémica o país, com impacto para a autonomia do estado.
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A roupa para o Estado de Ataturk era estratégica. O alfabeto era estratégico. Veja a Turquia moderna e compare-se com o Irão em que o Xá falhou reformas semelhantes.
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A alimentação da população e o acesso a água são estratégicos em todo o lado. Quantas guerras se desencadearam por causa da água?
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Os texteis e o calçado do Miranda dão bom dinheiro e já tiveram a ver com a estratégia do pais.
Agora, com a china nos nossos calcanhares estratégico é mudar de paradigma para um economia que incorpore tecnologia e gere emprego com qualidade.
Parabéns àEDP e ao seu programa de renováveis.
Parabéns ao Pinóquio Sócrates por desta vez estar do lado certo.
Vergonha ao PSD de MFL e aos liberais fundamentalistas por estarem a leste do progresso.
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Não CMO, não é minha. Sobrestimei-o.
Estava convencido que tinha algumas luzes de Fernando Pessoa.
Mínimas….
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Quanto ao “estratégico”, percebe-se que na sua opinião, uma coisa é “estratégica” porque a si lhe parece “estratégica”.
Tem direito à opinião, obviamente, mas no Conceito Estratégico de Defesa Nacional e na definição dos interesses permanentes do país, não consta nada disso que você acha ser “estratégico”.
O clássico caso do único tipo do batalhão que vai com o passo certo..
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JC estranha que o que eu acho que estratégico é … o que eu acho que é estratégico!!!
Como vê ler Fernando Pessoa não ajuda. Sabe, boa parte dos autores falam pela sua própria voz. Os “citadores” ficam sempre muito indignados quando alguém não cumpriu umas regrazinhas de leitura. Imagina a indignação de muitos JCs quando descobriam que Pessoa (antes de ser considerado um génio) não conhecia esta ou aquela citação!! Quer que eu lhe cite um autor com esta ideia (não se pode ler tudo mesmo que se viva mil anos)?
Portanto não foi você que me sobrestimou. Fui eu ao pôr a hipótese de o JC ser autor de uma frase interessante que o sobreestimei (afinal era Pessoa…).
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JC afirma “Tem direito à opinião, obviamente, mas no Conceito Estratégico de Defesa Nacional e na definição dos interesses permanentes do país”.
Das duas uma ou o referido conceito à partida se autolimitou, por dever de oficio e está perdoado, ou se exclui a energia da noção de estratégia é inepto sem nome.
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o que aqui vai de novo acordo ortográfico………..
desde locubrações pessoanas a conceitos etimológicos.
Mas parece-me que se puser o “me” referente a mim posso e devo dispensar o “mim” ele próprio.
depois , bem depois…. precisam não é propriamente uma qualidade de ser exacto ou rigoroso mas que tem precisão de verificar o portugues tem tem….
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