A inveja, a intriga e o mau perder não passam nunca de moda.
Admiro as pessoas consequentes: uma vez embirrando com um autor, sempre embirrando. Para quando uma queima pública dos livros de Saramago?
«uma vez embirrando com um autor, sempre embirrando« – Qual embirrando com um autor? Eu não estou a avaliar a valia literária dos livros de Saramago. Longe de mim tal intuito. O que questiono é o interesse para a cidade da atribuição da Casa dos Bicos à Fundação Saramago. Fundação essa que até pouco terá a ver com a Literatura como explica o próprio saramago.
Querem promover os direitos humanos diz o casal. Para ter uma ideia do que a mulher de Saramago pensa sobre os direitos humanos, uma vez quando foi entrevistada pelo DN, e sobre Fidel não deixar as pessoas sair de Cuba, ela disse “E os portugueses que passam necessidades, podem sair?” Por isso de acordo com ela, os direitos humanos dos portugueses estão ao nível dos cubanos. E foi para isso que se lhes ofereceu a Casa dos Bicos. Será que tal como a Fundação Soares, vão receber subsídios do Estado?
“E os portugueses que passam necessidades, podem sair?”
E não é que é mesmo verdade? Mais que ter liberdade plasmada em lei, o verdadeiramente importante é o pleno usufruto de todas as prerrogativas que a liberdade nos concede.
“é o pleno usufruto de todas as prerrogativas que a liberdade nos concede.”
tal como emigrar, o que os portugueses fazem e muito. Mas ai do cubano que for apanhado a fazê-lo, leva logo com um tiro. Mas para Pilar del Rio, está tudo bem, mais tiro, menos tiro…
os portugueses que passam necessidades podem sair. Estão(estavam) a fazê-lo para Espanha na construção civil, para Inglaterra, etc. Somos novamente um país de emigrantes, agora também de imigrantes
É Tina, levam muitos tiros. Nem sei como essa quantidade de médicos cubanos que temos conseguiu cá chegar, furadinhos das balas e não foram ao fundo ao virem a nado.
Pois é, o incidente mais recente foi a equipa de remadores cubanos que não voltou. E antes disso, aqueles que foram fuzilados ao ser apanhados a fugir de barco. E sobre aqueles intelectuais que foram presos em cadeias a grandes distâncias das cidades para dificultar as visitas dos familiares? Pois, para a Presidente da Fundação Saramago, à qual Portugal ofereceu a Casa dos Bicos, esses pormenores não contam. Portugal e Cuba são iguais em termos de direitos humanos.
É a isso que se vai assitir na casa dos direitos humanos à la Saramago. Tudo sobre Guantanamo, muitas fotografias de homens encapuzados e de mãos atadas, e nem uma única secção contra o regime de Cuba. Um prisioneiro de Guantanamo vale por mil cubanos presos ou fuzilados.
«…Eu não estou a avaliar a valia literária dos livros de Saramago. Longe de mim tal intuito. O que questiono é o interesse para a cidade da atribuição da Casa dos Bicos à Fundação Saramago. Fundação essa que até pouco terá a ver com a Literatura como explica o próprio saramago»
Defendendo como defende a senhora Pilar del Rio, presidente da dita Fundação, a criação de um estado ibérico destinado a absorver Portugal, vamos ter que “levar” com a produção cultural espanhola em peso – pretendendo-se iniciar através da cultura o processo de “fusão” -, apesar de «um dos objectivos centrais da fundação com o seu nome (ser) a promoção dos Direitos Humanos». Um anexo do PCP ou, pura e simplesmente, a vitória da arrogância e da sobranceria traduzidas pelo complexo de superioridade que a dita senhora sempre demonstrou ter em relação ao povo português?
Ademais, posso não concordar com a leucotomia, mas não posso deixar de reconhecer e respeitar um Nobel português como Egas Moniz.
”
Que sim, respondo eu, que é óptimo. O Egas Moniz, penso com os meus botões, eis uma oportunidade de falar do cérebro, da mente, da psique, da Segunda Era da Grande Exploração. E um português, como na Primeira, os Descobrimentos, na crista da onda. Tudo muito positivo.
Podemos começar por aí, pois foi mesmo por lá que o Chefe começou. (O que ele amofina quando eu lhe chamo Chefe, o Senhor Director.)
– Um positivista, esclarece-me. Investiga-me bem esse ângulo.
Passeia a mão pela careca. É um sujeito pequeno, mas bem proporcionado. Os óculos encavalitados na ponta do nariz. Calças estreitas em baixo e mais largas nas coxas que lhe dão um ar saído dum filme português dos anos 60 (não os produzidos pelo Cunha Telles, mas os comerciais com o Brum do Canto e o Semedo e o Camilo…). No Inverno, fato completo. No Verão, balalaica, para toda a gente ver que viveu em África. Tem setenta e cinco anos e as mulheres dão-lhe cinquenta bem vividos.
Mas estou a perder-me, íamos no Positivismo do Egas, não era?
Uma vez Marxista, sempre Marxista, penso. E atiro-lhe:
– Muito gostam vocês do Positivismo.
– Não estou a perceber-te – devolve a raposa velha.
– Quando um sujeito não exibe pinga de Marxismo, já não é mau que seja materialista. E se for positivista, melhor ainda, o Comte sempre foi secretário do Saint-Simon, influenciaram-se mutuamente e o rapaz até foi socialista utópico…
– Lá estás tu com as tuas coisas…
O cabelo escasso do meu interlocutor começa a ficar revolto no alto da cabeça. Sinal certo de cólera. Passo a fintar o rumo da conversa:
– Já ouviste falar nuns tipos que são os Misterianos?
– O que é lá isso? – abre muito os olhos cinzentos, o que lhe dá um completo ar de doido.
– São uns tipos, em diversas ciências e ramos da filosofia que, no fundo, acham que um sistema nunca se pode compreender a ele mesmo. Estás a ver, o Princípio de Heisenberg, o teorema de Godel, por aí fora.
– O que tem isso de novo?
– Bem, um sujeito do qual agora me não lembra o nome resolveu agrupar toda essa gente sob o mesmo chapéu e chamou-lhes Misterianos. Depois, traçou a ideia através da história – é sempre bom ter uma árvore genealógica. E a seguir, alguns dos visados passaram a responder pelo nome, isto é, assumiram o epíteto. Eis uma nova corrente do pensamento encontrada.
– Isso não interessa nada.
Pronto. Agora sou eu que sinto as orelhas a ficar quentes. Raio do Martins, sempre que se lhe fala duma coisa nova, ou acha que não lhe interessa ou parece não a compreender. Engraçado como houve um tempo em que ele e os camaradas se chamavam progressistas. E eu aqui a tentar não o atacar intelectualmente… Enfim, tenho uma ligação quase filial com o homem. Ajudou-me quando o meu Pai morreu e deu-me emprego no jornal quando todos me davam como um caso perdido de poeta com a cabeça nas nuvens. Estou na secção cultural, claro. O horário é mais leve, pagam-me para ler e ir a espectáculos que compro e vou ver de borla e tenho tempo para os meus poemas mutantes.
Uma das coisas que julgo chatear-me nos Portugueses é o excesso de opiniões. Ainda jovens no exercício dos direitos cívicos (e vai a talho de foice que o bom do Egas, sim senhor, lutou pela Democracia, e encavacou mesmo publicamente o Antigo Regime), os Portugueses julgam que, ao acabar com a censura – abençoado seja, embora pareça que a assombração da bicha ainda ronda por aí – o 25 de Abril lhes deu o direito de emitir qualquer opinião, por mais estapafúrdia. Acreditam em Deus, e se, de chofre, lhes pedirmos uma definição de sacramento não sabem responder. Não é, caro leitor?
Ou então são Materialistas. Exactamente como o Martins, o Senhor Director, o Chefe. Um anti-fascista. Uma vida de martírio pela causa da Liberdade, sempre com a casa às costas, a mulher e os filhos de colónia em colónia, Angola, Moçambique, Timor, as visitas da PIDE, os despedimentos por causa dos conteúdos dos artigos e do excesso de problemas com a censura. Enfim, gira na órbita do Partido Comunista, ao qual chega a pertencer, brevemente, na clandestinidade. Sente-se preso numa camisa de forças.
– E o muro?- perguntei-lhe certa vez.
– Ainda temos muito a aprender com o Marx, menino, ouve o que eu te digo…
Agora, pergunto eu ao leitor, sabe dar-me a definição da Segunda Lei da Termodinâmica, assim de repente? Pois olhe, se eu perguntasse ao Martins, parece-me que ele também não sabia… E diz-se Materialista. Aposto que também falhava o teste do sacramento… E quanto a Positivismo, ele estava a falar de quê? Das ideias iniciais de Comte? Da ideia que teve, depois, duma religião universal? – que falta de Positivismo… Ou dos Positivistas Lógicos, essa raça que via proposições sem significado até nos mais belos poemas? Conseguiria o Martins responder-me? Como é que se pode simultaneamente ser materialista e não conhecer a Segunda Lei da Termodinâmica?
Estão a ver: já não lhe disse que chamara os Misterianos à baila apenas para podermos discutir umas coisas. Independentemente de haver ou não relacionamentos entre as diversas teorias, teoremas, princípios, modelos e hipóteses que juntos constituem o autodenominado Misterianismo, o facto é que o século vinte é todo ele infectado e traumatizado pela revolução do pensamento que a corrente, impulsionou e continua a impulsionar, principalmente na Física. (Baseada nas reflexões e equações de Heysenberg e Schrodinger e Bell e Godel.) Ora, este raciocínio não me parece contestar o Materialismo. Embora o obrigue a ser liberal e não-fundamentalista.
Ora, ouvindo os físicos a falar hoje em dia, parece que estamos a ouvir falar psicólogos ou sábios budistas. Teoremas como o Teorema de Bell parecem provar aquilo que Einstein já intuíra (e o levara a rejeitar a Física Quântica): a telepatia é um modelo adequado para classificar e operar determinados fenómenos. Um bisturi não será, tendo isto em vista, um meio demasiado brutal de tentar equilibrar o Universo? Ou, como diria Teixeira de Pascoaes, “a Natureza odeia a linha recta.”
Claro que já não lhe fiz a pergunta. O Martins, com a idade, às vezes parece confundir sinceridade com desassombro, amar o próximo com ter as quotas do Sindicato em dia, afecto com calduços, ser revolucionário com o complexo de Peter Pan… A malta perdoa-lhe. Afinal de contas ele não dá por ela e como dizia Mark Twain, “o problema com muitos de nós é que sabemos demasiado sobre coisas que afinal não são bem assim”. Eu diria todos nós e humildemente incluo-me nesse grupo, mas sei que me vão achar pedante.”
Zenóbio Diz:
“Mais que ter liberdade plasmada em lei, o verdadeiramente importante é o pleno usufruto de todas as prerrogativas que a liberdade nos concede.”
Da ultima vez que passei na fronteira com Espanha ainda não exigiam declaração de IRS, mas pode ser que entretanto já tenham corrigido essa situação…
que estava melhor a casa dos bicos aos ratos e às aranhas, não? E Saramago, porventura, ou a Pilar hão-de-lhe alguma pedra comer? Santa inveja, miudinha!
Já a tina, coitadinha, apesar dos remadores que lá ficam, nem assim se vinga, se contenta, mesquinha!
É nesses termos que pessoas como o Simon, Pilar del Rio e Saramago pensam, em vingança, nos lados, quem ganha, quem perde, orgulhos e lutas pessoais,… A verdade e as pessoas não contam para nada.
simon Diz:
“E Saramago, porventura, ou a Pilar hão-de-lhe alguma pedra comer?”
Depende da indemnização que se lembrem de vir a pedir quando chegar ao final do contrato. Ou a cedência foi eterna?
E quando o camarada Saramago se finar passa a museu particular financiado por $$ públicos, segundo a moda socretina inaugurada com o CCB (Centro Cultural Berardo), ou fica para a Pilar lá guardar as batatas com uma renda à vereador?
Se os nossos “Sousa Lara’s” se “arrepiam” com o facto de a CML se associar a um dos (muitos?)prémios Nobel que temos, e se esse “arrepio” tiver as consequências que os “arrepiados” desejam, então eu terei o maior prazer em oferecer todo o espaço de que disponho para receber os papéis de Saramago – e até os alombo às costas, com muito gosto!
Fosse Saramago um escritor e personalidade do regime PS ou PPD, e a patetice não levantaria problemas à CEDÊNCIA POR 10 ANOS (e não “oferta”) da Casa dos Bicos a um português Prémio Nobel.
Não participo mais neste debate patético: merece ou não merece.
Só mais isto:
esta “ligação” feita por Miss Helena Matos casas da câmara – Fundação Saramago/Casa dos Bicos é imprópria e pelo título do post, leviana.
Um dos males deste país são os ainda Júlio Dantas/Laras/e incultos. Mais os sem-mundo.
Passem bem, que eu não sou antropólogo nem biólogo para “estudar” e aturar essas espécies.
Exijo que o Mosteiro dos Jerónimos seja dado à Fundação Lobo Antunes e a Torre de Belém à Fundação Agustina.
São menos que o Saramago, só por não terem abichado os 200 e tal mil contos (em moeda antiga) de um Nobel controverso?
Nada a fazer: Se calhar nunca leram Saramago… E se tentaram ler desistiram. Embirraram com ele por ser do PC, por ter opiniões próprias, por ter ganho o Nobel.
Incultura e inveja dá explosão especial…
De contrário, vá lá experimentar só uma pontinha de génio de um dos mínimos escritos do Saramago.
Se não, chame lá um dos seus preferidos. Atão na bê que Saramago não tem culpa de ser maior do que ele mesmo porventura já se imaginou alguma vez e nem nunca de certeza há-de vir a conhecer-se à sua real altura!…
E diz ele “controverso”, pois não leu, não atingiu e, coitado, não conhece o que diz, não sabe. Pode é falar o que queira. Como qualquer tolo.
A inveja, a intriga e o mau perder não passam nunca de moda.
Admiro as pessoas consequentes: uma vez embirrando com um autor, sempre embirrando. Para quando uma queima pública dos livros de Saramago?
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«uma vez embirrando com um autor, sempre embirrando« – Qual embirrando com um autor? Eu não estou a avaliar a valia literária dos livros de Saramago. Longe de mim tal intuito. O que questiono é o interesse para a cidade da atribuição da Casa dos Bicos à Fundação Saramago. Fundação essa que até pouco terá a ver com a Literatura como explica o próprio saramago.
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Querem promover os direitos humanos diz o casal. Para ter uma ideia do que a mulher de Saramago pensa sobre os direitos humanos, uma vez quando foi entrevistada pelo DN, e sobre Fidel não deixar as pessoas sair de Cuba, ela disse “E os portugueses que passam necessidades, podem sair?” Por isso de acordo com ela, os direitos humanos dos portugueses estão ao nível dos cubanos. E foi para isso que se lhes ofereceu a Casa dos Bicos. Será que tal como a Fundação Soares, vão receber subsídios do Estado?
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“E os portugueses que passam necessidades, podem sair?”
E não é que é mesmo verdade? Mais que ter liberdade plasmada em lei, o verdadeiramente importante é o pleno usufruto de todas as prerrogativas que a liberdade nos concede.
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Helena Matos,
Se bem entendo, nunca escreveu nada de depreciativo em relação ao estilo literário, à vida e ao homem. Certo?
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“é o pleno usufruto de todas as prerrogativas que a liberdade nos concede.”
tal como emigrar, o que os portugueses fazem e muito. Mas ai do cubano que for apanhado a fazê-lo, leva logo com um tiro. Mas para Pilar del Rio, está tudo bem, mais tiro, menos tiro…
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os portugueses que passam necessidades podem sair. Estão(estavam) a fazê-lo para Espanha na construção civil, para Inglaterra, etc. Somos novamente um país de emigrantes, agora também de imigrantes
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É Tina, levam muitos tiros. Nem sei como essa quantidade de médicos cubanos que temos conseguiu cá chegar, furadinhos das balas e não foram ao fundo ao virem a nado.
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“Mas ai do cubano que for apanhado a fazê-lo, leva logo com um tiro”
Mas olhe que Fidel até permitiu a saída em massa de cubanos para os EUA. Nem foi necessário sair a salto.
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Pois é, o incidente mais recente foi a equipa de remadores cubanos que não voltou. E antes disso, aqueles que foram fuzilados ao ser apanhados a fugir de barco. E sobre aqueles intelectuais que foram presos em cadeias a grandes distâncias das cidades para dificultar as visitas dos familiares? Pois, para a Presidente da Fundação Saramago, à qual Portugal ofereceu a Casa dos Bicos, esses pormenores não contam. Portugal e Cuba são iguais em termos de direitos humanos.
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Em termos de direitos humanos, quem vai vai à frente é Guantanamo.
Abu ghraib foi colateral.
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É a isso que se vai assitir na casa dos direitos humanos à la Saramago. Tudo sobre Guantanamo, muitas fotografias de homens encapuzados e de mãos atadas, e nem uma única secção contra o regime de Cuba. Um prisioneiro de Guantanamo vale por mil cubanos presos ou fuzilados.
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«…Eu não estou a avaliar a valia literária dos livros de Saramago. Longe de mim tal intuito. O que questiono é o interesse para a cidade da atribuição da Casa dos Bicos à Fundação Saramago. Fundação essa que até pouco terá a ver com a Literatura como explica o próprio saramago»
Defendendo como defende a senhora Pilar del Rio, presidente da dita Fundação, a criação de um estado ibérico destinado a absorver Portugal, vamos ter que “levar” com a produção cultural espanhola em peso – pretendendo-se iniciar através da cultura o processo de “fusão” -, apesar de «um dos objectivos centrais da fundação com o seu nome (ser) a promoção dos Direitos Humanos». Um anexo do PCP ou, pura e simplesmente, a vitória da arrogância e da sobranceria traduzidas pelo complexo de superioridade que a dita senhora sempre demonstrou ter em relação ao povo português?
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Ademais, posso não concordar com a leucotomia, mas não posso deixar de reconhecer e respeitar um Nobel português como Egas Moniz.
”
Que sim, respondo eu, que é óptimo. O Egas Moniz, penso com os meus botões, eis uma oportunidade de falar do cérebro, da mente, da psique, da Segunda Era da Grande Exploração. E um português, como na Primeira, os Descobrimentos, na crista da onda. Tudo muito positivo.
Podemos começar por aí, pois foi mesmo por lá que o Chefe começou. (O que ele amofina quando eu lhe chamo Chefe, o Senhor Director.)
– Um positivista, esclarece-me. Investiga-me bem esse ângulo.
Passeia a mão pela careca. É um sujeito pequeno, mas bem proporcionado. Os óculos encavalitados na ponta do nariz. Calças estreitas em baixo e mais largas nas coxas que lhe dão um ar saído dum filme português dos anos 60 (não os produzidos pelo Cunha Telles, mas os comerciais com o Brum do Canto e o Semedo e o Camilo…). No Inverno, fato completo. No Verão, balalaica, para toda a gente ver que viveu em África. Tem setenta e cinco anos e as mulheres dão-lhe cinquenta bem vividos.
Mas estou a perder-me, íamos no Positivismo do Egas, não era?
Uma vez Marxista, sempre Marxista, penso. E atiro-lhe:
– Muito gostam vocês do Positivismo.
– Não estou a perceber-te – devolve a raposa velha.
– Quando um sujeito não exibe pinga de Marxismo, já não é mau que seja materialista. E se for positivista, melhor ainda, o Comte sempre foi secretário do Saint-Simon, influenciaram-se mutuamente e o rapaz até foi socialista utópico…
– Lá estás tu com as tuas coisas…
O cabelo escasso do meu interlocutor começa a ficar revolto no alto da cabeça. Sinal certo de cólera. Passo a fintar o rumo da conversa:
– Já ouviste falar nuns tipos que são os Misterianos?
– O que é lá isso? – abre muito os olhos cinzentos, o que lhe dá um completo ar de doido.
– São uns tipos, em diversas ciências e ramos da filosofia que, no fundo, acham que um sistema nunca se pode compreender a ele mesmo. Estás a ver, o Princípio de Heisenberg, o teorema de Godel, por aí fora.
– O que tem isso de novo?
– Bem, um sujeito do qual agora me não lembra o nome resolveu agrupar toda essa gente sob o mesmo chapéu e chamou-lhes Misterianos. Depois, traçou a ideia através da história – é sempre bom ter uma árvore genealógica. E a seguir, alguns dos visados passaram a responder pelo nome, isto é, assumiram o epíteto. Eis uma nova corrente do pensamento encontrada.
– Isso não interessa nada.
Pronto. Agora sou eu que sinto as orelhas a ficar quentes. Raio do Martins, sempre que se lhe fala duma coisa nova, ou acha que não lhe interessa ou parece não a compreender. Engraçado como houve um tempo em que ele e os camaradas se chamavam progressistas. E eu aqui a tentar não o atacar intelectualmente… Enfim, tenho uma ligação quase filial com o homem. Ajudou-me quando o meu Pai morreu e deu-me emprego no jornal quando todos me davam como um caso perdido de poeta com a cabeça nas nuvens. Estou na secção cultural, claro. O horário é mais leve, pagam-me para ler e ir a espectáculos que compro e vou ver de borla e tenho tempo para os meus poemas mutantes.
Uma das coisas que julgo chatear-me nos Portugueses é o excesso de opiniões. Ainda jovens no exercício dos direitos cívicos (e vai a talho de foice que o bom do Egas, sim senhor, lutou pela Democracia, e encavacou mesmo publicamente o Antigo Regime), os Portugueses julgam que, ao acabar com a censura – abençoado seja, embora pareça que a assombração da bicha ainda ronda por aí – o 25 de Abril lhes deu o direito de emitir qualquer opinião, por mais estapafúrdia. Acreditam em Deus, e se, de chofre, lhes pedirmos uma definição de sacramento não sabem responder. Não é, caro leitor?
Ou então são Materialistas. Exactamente como o Martins, o Senhor Director, o Chefe. Um anti-fascista. Uma vida de martírio pela causa da Liberdade, sempre com a casa às costas, a mulher e os filhos de colónia em colónia, Angola, Moçambique, Timor, as visitas da PIDE, os despedimentos por causa dos conteúdos dos artigos e do excesso de problemas com a censura. Enfim, gira na órbita do Partido Comunista, ao qual chega a pertencer, brevemente, na clandestinidade. Sente-se preso numa camisa de forças.
– E o muro?- perguntei-lhe certa vez.
– Ainda temos muito a aprender com o Marx, menino, ouve o que eu te digo…
Agora, pergunto eu ao leitor, sabe dar-me a definição da Segunda Lei da Termodinâmica, assim de repente? Pois olhe, se eu perguntasse ao Martins, parece-me que ele também não sabia… E diz-se Materialista. Aposto que também falhava o teste do sacramento… E quanto a Positivismo, ele estava a falar de quê? Das ideias iniciais de Comte? Da ideia que teve, depois, duma religião universal? – que falta de Positivismo… Ou dos Positivistas Lógicos, essa raça que via proposições sem significado até nos mais belos poemas? Conseguiria o Martins responder-me? Como é que se pode simultaneamente ser materialista e não conhecer a Segunda Lei da Termodinâmica?
Estão a ver: já não lhe disse que chamara os Misterianos à baila apenas para podermos discutir umas coisas. Independentemente de haver ou não relacionamentos entre as diversas teorias, teoremas, princípios, modelos e hipóteses que juntos constituem o autodenominado Misterianismo, o facto é que o século vinte é todo ele infectado e traumatizado pela revolução do pensamento que a corrente, impulsionou e continua a impulsionar, principalmente na Física. (Baseada nas reflexões e equações de Heysenberg e Schrodinger e Bell e Godel.) Ora, este raciocínio não me parece contestar o Materialismo. Embora o obrigue a ser liberal e não-fundamentalista.
Ora, ouvindo os físicos a falar hoje em dia, parece que estamos a ouvir falar psicólogos ou sábios budistas. Teoremas como o Teorema de Bell parecem provar aquilo que Einstein já intuíra (e o levara a rejeitar a Física Quântica): a telepatia é um modelo adequado para classificar e operar determinados fenómenos. Um bisturi não será, tendo isto em vista, um meio demasiado brutal de tentar equilibrar o Universo? Ou, como diria Teixeira de Pascoaes, “a Natureza odeia a linha recta.”
Claro que já não lhe fiz a pergunta. O Martins, com a idade, às vezes parece confundir sinceridade com desassombro, amar o próximo com ter as quotas do Sindicato em dia, afecto com calduços, ser revolucionário com o complexo de Peter Pan… A malta perdoa-lhe. Afinal de contas ele não dá por ela e como dizia Mark Twain, “o problema com muitos de nós é que sabemos demasiado sobre coisas que afinal não são bem assim”. Eu diria todos nós e humildemente incluo-me nesse grupo, mas sei que me vão achar pedante.”
Vidas lusófonas
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Como não tinham nada que fazer com a casa deram-na ao folclórico do Saramago.
A Pilar já é presidente de alguma coisa.
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Zenóbio Diz:
“Mais que ter liberdade plasmada em lei, o verdadeiramente importante é o pleno usufruto de todas as prerrogativas que a liberdade nos concede.”
Da ultima vez que passei na fronteira com Espanha ainda não exigiam declaração de IRS, mas pode ser que entretanto já tenham corrigido essa situação…
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Ai, ai, santa invejinha, ó tina, ó Helena…
que estava melhor a casa dos bicos aos ratos e às aranhas, não? E Saramago, porventura, ou a Pilar hão-de-lhe alguma pedra comer? Santa inveja, miudinha!
Já a tina, coitadinha, apesar dos remadores que lá ficam, nem assim se vinga, se contenta, mesquinha!
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É nesses termos que pessoas como o Simon, Pilar del Rio e Saramago pensam, em vingança, nos lados, quem ganha, quem perde, orgulhos e lutas pessoais,… A verdade e as pessoas não contam para nada.
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simon Diz:
“E Saramago, porventura, ou a Pilar hão-de-lhe alguma pedra comer?”
Depende da indemnização que se lembrem de vir a pedir quando chegar ao final do contrato. Ou a cedência foi eterna?
E quando o camarada Saramago se finar passa a museu particular financiado por $$ públicos, segundo a moda socretina inaugurada com o CCB (Centro Cultural Berardo), ou fica para a Pilar lá guardar as batatas com uma renda à vereador?
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Pois, para a Presidente da Fundação Saramago, à qual Portugal ofereceu a Casa dos Bicos,
Não sabia!
Então a fundação a que o estado português vai dar isto e mais aquilo, plantada em Lisboa, vai ter como dona uma espanhola?
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Se os nossos “Sousa Lara’s” se “arrepiam” com o facto de a CML se associar a um dos (muitos?)prémios Nobel que temos, e se esse “arrepio” tiver as consequências que os “arrepiados” desejam, então eu terei o maior prazer em oferecer todo o espaço de que disponho para receber os papéis de Saramago – e até os alombo às costas, com muito gosto!
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Fosse Saramago um escritor e personalidade do regime PS ou PPD, e a patetice não levantaria problemas à CEDÊNCIA POR 10 ANOS (e não “oferta”) da Casa dos Bicos a um português Prémio Nobel.
Não participo mais neste debate patético: merece ou não merece.
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.
“Lisboagate”.
.
Crunch chega a Portugal ?
.
http://www.semanario.pt/noticia.php?ID=4394
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Só mais isto:
esta “ligação” feita por Miss Helena Matos casas da câmara – Fundação Saramago/Casa dos Bicos é imprópria e pelo título do post, leviana.
Um dos males deste país são os ainda Júlio Dantas/Laras/e incultos. Mais os sem-mundo.
Passem bem, que eu não sou antropólogo nem biólogo para “estudar” e aturar essas espécies.
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“Fosse Saramago um escritor e personalidade do regime PS ou PPD”
Mas não.
A patetice não o deixa chegar a tanto.
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Só mais isto:
Cultura é dizer mal de Júlio Dantas/Laras/e incultos.
Dizer bem do FCP, fazendo-se passar por benfiquista.
Nunca vi tanto nojo!
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E eu se a tina fosse prémio nobel, com minúscula, mesmo, ou a helena, deixava-lhes o mosteiro dos gerónimos todo e inteira a santa bárbara.
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Oh, gente das tardes domingo,
diria o A de Campos, de quando
vamos todos para as hortas, ao
domingo, assim tão comezinha!
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o social-fascista, inquisidor e saneador
continua o maior
PQP
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E o anónimo do Benfica, com nojo, nem a ganhar desta vez, com sorte, sai debaixo do anonimato pa se dar nome de almeida que se veja, próprio!
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Ui, a inveja
é tola e feia!
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26,
PIM !
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Inveja, é? Há por aí muita gente com rabos de palha!
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E se o simon fosse um prémio nobel, no dia de são nunca, eu dava-lhe uma rolha para deixar de dizer disparates.
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O Saramago foi muito bem escolhido.
Erguer o lar de 3ª idade do regime
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O pior de tudo são os “Sousa Lara” em tailleur pie de poule, eméritos lutadores da liberdade daqueles que lhes são familiares politicamente.
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deixava-lhes o mosteiro dos gerónimos
Olhe que os gerónimos são nos states.
Vou colocar o seu nome para Nobel dos disparates.
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Exijo que o Mosteiro dos Jerónimos seja dado à Fundação Lobo Antunes e a Torre de Belém à Fundação Agustina.
São menos que o Saramago, só por não terem abichado os 200 e tal mil contos (em moeda antiga) de um Nobel controverso?
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“Nobel controverso”
Controverso para quem? Porquê?
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e a Torre de Belém à Fundação Agustina.
Desculpe lá, há tanta coisa para dar no Porto e vêm buscar uma coisa a Lisboa?
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Zenóbio,
Nada a fazer: Se calhar nunca leram Saramago… E se tentaram ler desistiram. Embirraram com ele por ser do PC, por ter opiniões próprias, por ter ganho o Nobel.
Incultura e inveja dá explosão especial…
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“Incultura e inveja dá explosão especial…”, diz o Sr. MJRB.
Não dá (ou, antes, não dão). Se desse(m), V. já cá não estaria há muito.
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42,
vc, depois de atingido por uma dessas explosões especiais, conseguiu reerguer-se e apareceu só agora. Seja bem-vindo, apesar de não saber onde está.
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Exigente de nada
Oh, se não sabe mais….
De contrário, vá lá experimentar só uma pontinha de génio de um dos mínimos escritos do Saramago.
Se não, chame lá um dos seus preferidos. Atão na bê que Saramago não tem culpa de ser maior do que ele mesmo porventura já se imaginou alguma vez e nem nunca de certeza há-de vir a conhecer-se à sua real altura!…
E diz ele “controverso”, pois não leu, não atingiu e, coitado, não conhece o que diz, não sabe. Pode é falar o que queira. Como qualquer tolo.
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Simon,
Pela sua escrita, presumo que tem gralha no nome. Não será Simion?
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