Contra a corrente *
Há muito que não se via uma aprovação tão generalizada a uma maior intervenção estatal na economia. Esta vaga deve-se à crise norte-americana e é ampliada pelo ribombar mediático das previsões subitamente escatológicas feitas pelos mesmos ‘peritos’ que ainda há três meses garantiam a saúde dos mercados.
Neste momento arrepiantemente unanimista, relembremos a lógica de qualquer intervenção do Estado:
(i) nunca se cinge aos motivos alegados – abarca espaços novos, afastados dos pretextos iniciais;
(ii) é desproporcionada – tende a assumir o estilo de ‘matar uma mosca com um canhão’;
(iii) nunca é transitória – o Estado mantém a intervenção mesmo quando as razões que a motivaram se eclipsaram;
(iv) a intervenção obriga a mais intervenção porque é da sua natureza alimentar-se de si mesma;
(v) os seus efeitos transbordam para todos os detalhes da nossa existência – quanto mais Estado menor é a liberdade geral das pessoas.
O Estado comporta-se como um bombeiro que vem a nossa casa apagar um incêndio incipiente mas que resolve ficar lá a morar, a mandar em tudo e em todos e a quem passamos a pagar renda. A actual histeria abafa a memória dos erros anteriores.

Belíssima entrada.
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É sem dúvida preciso mais Estado mas não é para tirar o dinheiro dos nossos impostos para tapar os buracos da alta finança. É preciso mais Estado regulador para fazer o contrário, para redistribuir o dinheiro que é gerado pelo trabalho de todos nós. É preciso mais Estado mas não é estes Estados altamente comprometidos com o lado mais favorecido. Mas só é preciso mais Estado enquanto a Humanidade não for capaz de ser realmente Humana, no sentido Humanista da palavra!
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Este CAA é um pândego:
Queixa-se da intervenção do Estado na Vida e na Economia.
Não percebe que a intervenção do tal Estado é apenas motivada por um instinto de conservação?
Não percebe que, este Estado tão ausente, veio apenas apagar o incêndio em que estava envolvido?
Veja lá se alterou algumas das regras de ouro da livre iniciativa?!
Vai mandar julgar e prender os responsáveis pela maior fraude e falsificação da História? É o vais!
Agarrou foi numa data de massa dos contribuintes que tinha guardada, “just in case”, e foi com ela tratar as feridas que a sua soneca como Guarda-Nocturno tinha proporcionado.
Esta operação, qq que seja a sua dimensão:
i – Apenas vai tratar dos casos mais desesperados
ii – Visa apenas salvar os amigos do Estado e da classe dirigente
iii – Mas, já está visto que não vai chegar, e que muitos mais bancos vão desaparecer, uns a seguir aos outros.
É só esperar uns meses mais.
MFerrer
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Uma amálgama de chavões sobre os quais é impossível discutir.
Faço apenas menção a este, na esperança de que possa haver um pequeno debate:
“quanto mais Estado menor é a liberdade geral das pessoas.”
Só um punhado de fanáticos minarquistas acredita na veracidade desta relação.
A liberdade geral das pessoas não é uma função que fica maximizada quando o Estado reduz a sua influência, porque não só o Estado não é a única força coactora na sociedade como apenas o Estado pode instituir mais liberdades. E se as liberdade que o Estado institui foram superiores àquelas que retira (como a liberdade dada a indivíduos de coagir outros indivíduos), então a presença do Estado faz aumentar essas liberdades. A presença do Estado na saúde, na educação, segurança social, infraestruturas comuns, etc.. não diminui a nossa liberdade, aumenta-a.
Esta visão simplista de uma relação inversamente proporcional (+Estado, – Liberdade) é apenas sintomático de quem considera que apenas os direitos negativos contam. Já noutra posta tinha escrito isto:
“Para estes amantes da liberdade, se a Tina estiver caída à beira da estrada depois de um acidente e eu passar por lá, posso coagi-la, no exercício estrito da minha liberdade individual, a que me pague umas boas massas para que eu a leve ao hospital. Aproveitei-me da sua posição mas não violei nenhum direito negativo seu, o que significa que para estes libertinos, eu não a coagi. Se houvesse uma lei que me impedisse de regatear a sua vida, isso é que seria uma coação do Estado contra o indivíduo e falta de liberdade!!!”
Dando como exemplo a saúde. Para estes minarquistas a questão é clara.
Coerção não é um indivíduo ter que andar a regatear a própria vida, a ter que se submeter e endividar-se para o resto da vida. Coerção é o CAA ter que pagar impostos para evitar que essa.
Cumprimentos
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“Só um punhado de fanáticos minarquistas acredita na veracidade desta relação.”
Então eu sou um fanático minarquista com muita honra.
O Estado é no minimo uma ameaça latente em qualquer situação.
E neste caso específico o Estado manipulando o preço do dinheiro e o mercado da habitação foi o principal responsável. Há de vir aí a bolha do cartão de crédito também.
A economia está boa, só gente que pensa que uns bancos numa bolsa são toda a economia é que quer intervencionismo.
Deixem-nos falir.
Mas nem tudo é intervencionismo por exemplo:
WASHINGTON — The Federal Reserve, unleashing its latest attempt to inject more cash into the nation’s ailing banks, loosened longstanding rules that had limited the ability of buyout firms and private investors to take big stakes in banks.
It marks the latest move by the Fed to rewrite the rulebook in response to the financial crisis. Regulators have grown worried about a shortage of capital at banks, in particular smaller thrifts and regional institutions. The Fed has been crafting this policy for at least two years, and private-equity firms have been aggressively lobbying for more lenient policies.
http://online.wsj.com/article/SB122212703717165255.html?mod=testMod
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Errata: Onde está “que essa” deverá ler-se “isso”.
lucklucky: Propõe abolir os instrumentos monetários?
Sabe quais são as consequências de deixar um banco falir?
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As consequências a médio prazo de não os deixarem falir são bem piores. De qualquer forma, este continente, tal como os EUA, está condenado. O resto do mundo mal começou a disparar para a prosperidade. Singapura, arábias, asiáticos, etc, não terão piedade. Um novo fluxo massiço de emigração ocorrerá para essas zonas dentro de algumas décadas (se não antes).
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Depois a culpa será ainda dos minarquistas fanáticos…?
O estatismo só produz riqueza, e, ironia, quem se enche mais são as elites políticas e económicas, que sempre prosperaram sob o corporatismo estatista.
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o socialismo é totalitário por muitos disfarces que use
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O que é a Economia? Aquilo que os economistas fazem…
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“Não percebe que a intervenção do tal Estado é apenas motivada por um instinto de conservação?”
Os “conservadores” são aqueles senhores que se degladiam dentro dos partidos, muitos não se imaginando como com nem com recurso a que táticas. Depois são eleitos. Esses é que são o estado.
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O CAA, o Jason e o lukiluki, parecem aqueles profetas da desgraça que se vêm nas ruas de Nova Iorque. the world is doomed! Vem aí o comunismo! Arrependam-se!
Parece-me óbvio que nem eles acreditam q
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O CAA, o Jason e o lukiluki, parecem aqueles profetas da desgraça que se vêm nas ruas de Nova Iorque. The world is doomed! Vem aí o comunismo! Arrependam-se!
O fanatismo dá nisto.
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O que os liberais pretendem é que o Estado se comporte como um jardineiro indolente que abandona o seu jardim às ervas daninhas, convencido que assim obterá flores mais bonitas.
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‘Auto-regulação’, dizem eles
ANTONIO PINA DO JORNAL DE NOTICIAS
Os fiéis do Deus-mercado parecem ter descoberto de repente as virtudes do Estado Social, devidamente adaptado aos valores da religião do lucro a qualquer preço, e que, em vez de apoiar os pobres, subsidia os ricos. Já tem um Papa. Chama-se Henry Paulson e cabe-lhe a duvidosa glória de ser um dos inventores do capitalismo de casino que agora bateu no fundo provocando a crise financeira que abala a Terra Prometida e arredores.
Depois de 30 anos de especulador na Wall Street, Paulson chegou a secretário do Tesouro e é dele a feliz ideia de pagar com 700 mil milhões dos contribuintes as dívidas e “activos tóxicos” acumulados por empresas falidas, acrescidos de “compensações” milionárias aos gestores que as levaram à falência, assim salvando fortunas como a sua, calculada em 500 milhões de dólares, a maior parte em acções da também falida Goldman Sachs. No Estado Providência neoliberal, quem paga quer as crises quer as soluções das crises do mercado são sempre os contribuintes. Lá como cá, chamam eles a isso (meter os lucros ao bolso e cobrar ao Estado as perdas) “auto-regulação” do mercado.
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Decálogo do Liberalismo:
1 – Liberdade empresarial
2 – Liberdade de comércio
3 – Liberdade fiscal
4 – Menorização do Estado
5 – Liberdade monetária
6 – Liberdade de investimento
7 – Liberdade financeira
8 – Direitos absolutos de propriedade
9 – Liberdade de corrupção
10 – Liberdade de despedimento
(inspirado em ideias de Al Capone)
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“desproporcionada – tende a assumir o estilo de ‘matar uma mosca com um canhão’”
Nem tão pouco nem tanto, CAA, o Santander comprou o BB por 772 milhões de canhões.
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«O Estado comporta-se como um bombeiro que vem a nossa casa apagar um incêndio incipiente mas que resolve ficar lá a morar, a mandar em tudo e em todos e a quem passamos a pagar renda.»
1) Incêndio incipiente? Incipiente?
2) Que tal se acrescentarmos que o morador largou fogo à casa porque sabia perfeitamente que os fogos se auto-regulam: apagam-se a si mesmos quando não há mais nada para arder?
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«Incêndio incipiente? Incipiente?»
Já disse e repito que estranho as teorias do dominó quer na economia, quer na política, quer na geo-estratégia. A ideia que falindo algumas empresas vinha aí uma enxurrada que iria varrer tudo de cima para baixo é uma das desculpas clássicas do Estado para justificar a sua intervenção.
Isto é política – o Estado aproveita um momento mau dos mercados para se afirmar como inevitável e angariar mais poder.
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Miguel Lopes,
«Uma amálgama de chavões sobre os quais é impossível discutir.»
A ser assim, ainda bem – para si, bem entendido.
Sobretudo se observarmos o modo simplório como tenta desmontar um só desses alegados ‘chavões’. Sem sucesso.
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O habitual. Em Portugal até (medíocres) advogados discutem economia… O CAA tem pretensões de discutir se o plano de emergência aprovado no Senado é ou não o correcto para a economia mundial. Já agora apresente lá as ideias que sustentam essa brilhante afirmação.
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A personagem ‘anímico’ quis-me insultar. Não sabe ou esqueceu-se, porém, que eu não sou advogado. Donde, a intenção da injúria cai pela base.
E não lhe vou apresentar nada a pedido – seu, claro. Leia o que escrevo, pense, se puder, e esclareça-se melhor, antes de expelir o que lhe vier à cabecinha.
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«Já disse e repito que estranho as teorias do dominó quer na economia, quer na política, quer na geo-estratégia. A ideia que falindo algumas empresas vinha aí uma enxurrada que iria varrer tudo de cima para baixo é uma das desculpas clássicas do Estado para justificar a sua intervenção.»
Tem toda a razão. Parece que a teoria do “castelo de cartas” se aplica melhor: https://blasfemias.net/2008/09/29/5-bancos-europeus/
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Caro CAA,
Pois você não replicou a minha argumentação. Ficamos na mesma como a lesma, a fazer fé que se o Estado fosse abolido, nós atingiríamos o zénite da liberdade. É assim simples. É só memorizar e papaguear, como se faz para os exames (+ Estado, – Liberdade).
Compulsão económica?? Isso não existe!
O mercado é sempre optimizador na afectação dos recursos? É pois! (ao invés do que a evidência de estudos económicos demonstra..)
Precisamos do Estado para alguma coisa? Pois claro que não!
É abolir o bicho e deixar que seja o mercado a regular-nos, em vez de sermos nós a regular o mercado.
Cumprimentos
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Tem toda a razão. Cometi um erro. Afinal não é advogado, mas licenciado em Direito. Não há dúvida que este facto muda trascendentalmente a substância do argumento…
Não se preocupe em responder, também nao estava à espera e pouco me interessa. Afinal a sua opinião sobre economia conta tanto como a do Jerónimo de Sousa.
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Qual argumento? Responder a quê?
Expele um conjunto desconexo de da indeterminações e, depois, qualifica-as de ‘raz~es’ que exigem resposta???
Tenha juízo…
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“Afinal a sua opinião sobre economia conta tanto como a do Jerónimo de Sousa”.
CAA,
Você já vale 12,5% dos votos! Bem bom.
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“Expele um conjunto desconexo de da indeterminações”
Não expeli mais do que o necessário para desmontar a falsa proporcionalidade inversa do Estado e da Liberdade. Creio que ficou explícito que uma maior presença do Estado pode aumentar as nossas liberdades e creio também que você ficou sem argumentos e em vez de replicar a minha argumentação decide adjectivá-la com algum rancor e sobranceria.
Cumprimentos
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