O que será que terá acontecido à CUF? Desmaiou? Teve um fanico!!!
A PÚBLICA do passado domingo trazia um portfolio sobre a CUF. Na legenda que o acompanha lê-se a dado momento: “As fábricas criaram uma nova terra, povoada por gente que chegou primeiro do norte, depois do Sul. A fábrica paternalista dava-lhes tudo: a CUF tinha supermercado, um posto médico, um clube desportivo; e o dinheiro nunca saía ‘de casa’. O passar do tempo tornou o modelo anacrónico, o país mudou e a CUF esvaiu-se.“
A CUF teve por acaso algum delíquio? Faliu porque os irmãos Mello não se interessavam por ela e foram fechando paulatinamente o que fora o império CUF até que ela se esvaiu completamente?
As nacionalizações começram por se chamar conquistas dos trabalhadores. Agora chamam-se esvaimento. Mais uns tempos e passam à categoria de lipoaspiração

O 25 de Abril foi, de facto, um momento crítico: trouxe de bom a democracia mas, de resto, foi catastrófico em quase tudo. Depois do 11 de Março de 1975, ficamos sem médias e grandes empresas privadas; a reforma agrária arruinou a nossa agricultura por décadas; a descololonização (que não existiu) transformou um milhão de portugueses em refugiados de guerra; a adesão europeia – a grande esperança nacional da década de 80 – foi, afinal, um desbaratar de fundos sem fim em rotundas e fontenários que mais nos endividaram; a classe política está hoje longe das pessoas comuns e parece viver em outro país que não Portugal.
Estamos a pagar a factura de mais 30 anos de disparates.
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Ouvi dizer que casou e teve um filho à pouco tempo
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Ouvi dizer que casou e teve um filho há pouco tempo
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Eu creio que, de facto, a CUF se esvaiu, no sentido em que a sua grande indústria química deixou de existir. Hoje em dia o Barreiro já quase não tem fábricas. Não foi a nacionalização que fez a CUF deixar de existir – as fábricas continuaram a existir e a produzir, embora nacionalizadas – foi a evolução do país. A CUF esvaiu-se tal como se esvaiu, por exemplo, a Sorefame (a indústria que dantes fabricava as carruagens da CP, antes de elas passarem a ser importadas de França).
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Qual carapuça …
Quando se deu o 25/4, já a massa estava toda nos States !
O próprio Mello disse na TV, quando foi recebido por Spínola no palácio de Belém , que eles ( o grande capital ) já sabiam há que tempos que o regime ( o Salazarista fascista )estava de malas aviadas !
Por isso, deixem-se de lamurias e conversas da tanga…
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Boas designações para indisciplina laboral,saque empresarial(quem não se lembra de ver o país todo fardado com fatos macaco da Lisnave?), muita discussão política e nenhuma subordinação aos interesses do patrão.Foi o fim da cintura industrial do PREC
Felizmente para a esquerda(PCP, BE e PS) que decididamente substituiram a ex-cintura industrial, a tal muralha de aço por outra mais moderna a cintura africana, curiosamente ambas muito caras e afundadoras de Portugal…
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lamento informar mas aquado das nacionalizações estas foram justificadas pelo facto de empresas daquela dimensão não poderem ficar em mão de privados. Empregavam milhares de trabalhadores e estavam longe de apresentar sinais de qualquer tipo de esvaimento. Não sei se teriam sobrevivido numa economia de livre concorrência mas esvaídas não estava a CUF nem as outras empresas que foram nacionalizadaS. Ninguém disse que as ia salvar da falência mas sim conquistá-las.
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“esvaídas não estava a CUF nem as outras empresas que foram nacionalizadas”
Claro que não estavam.
Se elas hoje em dia estão esvaídas tal não se deveu, no entanto, e ao contrário daquilo que a Helena pretende sugerir, ao facto de term sido nacionalizadas. Deve-se à evolução do país, noemadamente à entrada na CEE – que tornou mais rentável importar um conjunto de produtos que anteriormente se produziam em Portugal.
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Luís Lavoura não sabemos o que aconteceria. Se o ambiente não tivesse sido tão esquerdista nada teria impedido de algumas destas empresas de sobreviver especialmente as químicas. Quer tivessem sucesso ou falhassem teria sido natural em liberdade assim imposta foi a destruição certa.
Mas é triste o bias esquerdista a que o jornalismo chegou. Esvaiu-se…deve ser dos novos manuais escolares.
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Coisas da abrilada. Agora está-se melhor, claro. Mesmo quando eu bem digo que não sou saudosista nem salazarista. Ainda serve de exemplo, especialmente neste momento.
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Luís Lavoura,
Quer com isso dizer que jamais apostar na modernização da produção? Quer com isso dizer que os fundos enviados pela CEE para modernizar eram afinal para desligar as máquinas e aplicar no rendimento mínimo?
Vai-me desculpar mas concordo com o LuckLucky; não é possível afirmar, com qq tipo de certeza, que não teriam sucesso num estado de liberdade. A única certeza que podemos ter é de que as nacionalizações rebentaram com muita empresa deste país. Se outros factores houve, este é factual!
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Ainda à uma ou duas semanas, passou na RTP um documentário sobre a CUF…e o que me parece que aconteceu foi que os cassetes que queriam que isto fosse uma URSS, esqueceram-se que muita da produção da CUF era para exportação, Portugal não tinha a dimensão de uma União Sovietica, que tinha tamanho, industria e gente suficiente para absorver produções inteiras…
Resumindo a culpa é de quem? Dos cassetes…
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Cassetes esses que hoje são capitalistas…ou será que dividem com o povo o que ganham?
Claro que não, hoje tratam-se no Hospital CUF Descobertas ou em qualquer outro hospital privado, que por acaso até será grupo Mello…tem casas de ferias e passam ferias no algarve, local de pejado de burgueses e capitalistas infames…
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No post 13, onde se lê “algarve” deverá ler-se, segundo a actual nomenculatura, “Allgarve”
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Ó sr. Lavoura, diga-me cá: onde é que estava no 25 de Abril (com licença do carenciado BB)?
E onde tem estado entretanto?
Por acaso, sabe do que fala?
Entende alguma coisa dos temas sobre que repetidamente se pronuncia?
É especialista em tudo?
Que é isso da “evolução do país”, com que enche a boca para tentar negar o desastre das nacionalizações e a desgraça a que conduziram o país?
Acredita no triunfo da estupidez?
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“A fábrica paternalista dava-lhes tudo: a CUF tinha supermercado, um posto médico, um clube desportivo; e o dinheiro nunca saía ‘de casa’. O passar do tempo tornou o modelo anacrónico, o país mudou e a CUF esvaiu-se.“
Outros tempos, que não os de hoje, onde o neoliberalismo tudo “esvaiu” em nome do lucro, da competitividade e mais não sei o quê!
A Helena Matos com este post, trouxe-me a memoria de há 30 anos atrás, do modo como funcionava a empresa para onde fui trabalhar: desde os anos 60 que possuía supermercado, creche, subsidiava os transportes, tinha refeitórios tal qual restaurantes, onde os trabalhadores tomavam refeições a custo simbólico, nalguns casos gratuitas, subsídio de estudo para os filhos, enfim direitos sociais que hoje são considerados impensáveis serem participados pelas entidades empregadoras…
Não foi a nacionalização daquela empresa ( e de outras) que fizeram cessar todas essas “regalias sociais laborais”. Foram outros factores – os mesmos que estiveram na génese do fim das indústrias da CUF , como muito bem já comentou o Luis Lavoura.
A mudança operada com a adesão à CEE , com os fundos comunitários a entrar, levou uma “nova”(?) geração de empresários apenas a considerar a necessidade de “sacar” fundos, para proveito próprio (incluindo os que se entranharam nas empresas nacionalizadas)em detrimento de fazer os investimentos nas empresas, tendo em conta que a indústria em Portugal ia simplesmente acabar, e o país iria virar “prestador de serviços”! Assim pensaram e assim fizeram. Torres Couto e Cavaco assinaram em acção concertada – capital e trabalho – o “Acordo” que haveria de sancionar a extinção dos direitos atrás referidos e que não eram exclusivo CUF , sendo atribuídos por muitas empresas de média e grande dimensão, porque essa era uma tendência dominante do emprego há época.!(nada teve a ver com PRECs, que só aparecem muito depois). Numa primeira fase, em nome da competitividade europeia,e da sobrevivência das empresas, começam por extinguir esses direitos, (acabam-se refeitórios e supermercados, creches e subsídios extras que oneram os custos de pessoal a níveis incomportáveis, (diziam eles). Numa segunda fase, depois de terem “enchido os bolsos” à conta dos subsídios a fundo perdido para a Modernização da Indústria (cito PEDIP I e PEDIPII), bem como os da Formação Profissional, promovem o encerramento das empresas, provocando níveis de desemprego chocantes e inesperados, ao mesmo tempo que os vemos a fazer investimentos em produtos financeiros (açcões, obrigações etc. e “off shores”, etc e tal).
Quando a Helena Matos questiona a CUF e culpa as nacionalizações pelo seu fim, está em meu entender, parcialmente enganada. Não olhe só para os efeitos das nacionalizações, (que são coisa cá do burgo apenas), olhe à volta e a seguir, sobre tudo o que se passou, e o que fizeram os “idealistas deste capitalismo neoliberal globalizado” (cujos frutos podres e amargos nos endossam agora depois de terem olhido a fruta sã e viçosa, para a sua cesta) e onde foram muito mais coniventes, e participativos os acusadores dos malefícios das nacionalizações…
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Voltámos à estafada discussão sobre os mesmos temas, o 25 de Abril é que teve a culpa, não o fascismo é que é culpado, e a descolonização, e a reforma agrária, e as nacionalizações, e blábláblá…
É pá, não se esforcem mais. A culpa foi toda minha, só minha e pronto!
A propósito, trabalhei na CUF durante 6 meses em 1973 e na altura aquilo já não era o modelo exemplar que querem fazer querer. Mesmo sem o 25/4 aquilo iria ao fundo.
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E o PC que não estivesse à coca.
Contra a evidência da realidade histórica, a cartilha do PC nunca muda: aí estão a Rosa Maria e o Berto a garantir a prevalência da “democracia” das “mais amplas liberdades”…
Bom proveito!
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“A Cuf esvaiu-se”.
A Cuf transformou-se. Detém a Brisa e a Efacec, a José de Mello Saúde é o maior operador privado na área da Saúde e é acionista de referência da EDP.
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Estão a esquecer que antes do 11 de março a “vanguarda da classe operária”, fiel ao dogma do assalto leninista ao poder, já destruíra milhares de empresas, também pequenas e médias, obrigando técnicos e donos a fugir para o Brasil ( cerca de 20 mil, outros a suicidar-se ( caso da Cambournac, por exemplo) e provocando problemas sociais e económicos graves que obrigaram à “nacionalização” e o controlo das mesmas pela vnaguarda. Obviamente, com prejuízos constantes pagos pelo OE ( contibuintes) que, tudo somado, levou à quase bancarrota e necessidade de pedir empréstimos ao FMI.
Há declarações dos Profs M.Jacinto Nunes e Silva Lopes sobre a iminência da falência nessa data quando exerciam funções no B.P. e Min das Finanças.
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Como se sabe nos países que tiveram a lucidez de não se encaminhar para o mercado- Cuba, Coreia do Kim, Vietname, China, ex países do Comecon…- os trabalhadores vivem na maior, até derrubaram os Governos da Polónia, RDA, Checoslováquia, URSS…
Em Cuba já têm direito a comprar telemóveis!!! Grande conquista da classe operária!!! Não têm é $$$ para os comprar. E torradeiras eléctricas são proibidas: Viva a clase operária:
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Ao anónimo 18: também está enganado. Estou longe, longe da cartilha do PC. A diferença que assumo é que não deixo que a minha cabeça funcione ao reboque de cartilhas…quer de um lado, quer do outro…
Tenho opinião própria, sem ser “formatada” por outros. Penso que ainda a posso exprimir, mesmo nos casos em que sei que “estou contra a corrente”.. é aqui o caso, talvez.
No comentário anterior, referi memórias de um tempo que parece esquecido, porque não interessa lembrar, mas que foi a génese da divergência que hoje temos dos países da Europa comunitária!..Não me vai dizer que também foram as nacionalizações pois não??? Alguém sabe o que foi feito com os milhões de Bruxelas, e ainda hoje estarmos neste Estado atrás de todos ou quase todos??
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Há um erro crasso no comentário 16 pois que, se a memória não me falha o PREC (uma desgraça, uma ignorância)foi uns “anitos” antes da adesão a CEE, assim sendo o argumento carece de fundamentos!
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“Não me vai dizer que também foram as nacionalizações pois não???”
E diz você que não é do PCP…
É claro que foram, as nacionalizações destruiram riqueza, e mais importante do que isso destruíram capacidade de trabalho. Colocaram a política nas fábricas e gestores incompetentes que só lá chegaram via partido ou sindicatos.
Tenho por aqui um livrinho da primeira Exposição de Design na antiga FIL em Portugal. É de 71. Em produtos incluíndo design gráfico chega ás 112 páginas. Alí não há “Design de Autor” nem outras parvoíces(99% das vezes) que agoram tanto fascinam os media.
A chegada do esquerdismo radical ao poder destruiu toda a cooperação que existia entre a industria e os artistas. A partir daí foi a desconfiança total. Foi um corte cultural abrupto que nem agora se pode dizer que foi recuperado.
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Cara Alice Goes: não há erro nenhum. O PREC foi uns “anitos” antes da adesão, foi uma desgraça e uma “ignorância”. Concordo. Foram tempos maus, também concordo. Causaram a fuga de muitos empresários para o BRASIL, e o encerramento de muitas empresas. Também concordo. Mas uns anos depois, não muitos (anos 80) as torneiras de Bruxelas abriram-se. E uma nova mentalidade de empresários e gestores, instalou-se nas empresas e apenas “forraram os bolsos de dinheiro” descapitalizando as empresas, marimbando-se para as actividades (que se modernizassem com novos equipamentos tecnológicos sózinhas e o pessoal que fosse pedir o subsídio de desemprego ao Estado)e foi esta mentalidade que nos lançou neste descalabro total, para esta geração que aí está agora sem empregos….porque simplesmente não há empresas.Fecharam todas.Lá está: falta de competitividade, qualidade,mercados etc.etc. Em contrapartida floresceram “outros negócios”. O dos Bancos, por exemplo. Salvo algumas excepções,(Auto Europa e pouco mais) o panorama da indústria em Portugal, foi este.
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Anónimo:
Pelos vistos você não entendeu patavina do que escrevi.
Mas não faz mal. A sua limitação também passa a ser culpa minha.
Durma descansado.
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lucklucky Diz:
14 Outubro, 2008 às 4:56 pm
Concordo com o mt que disse mas estranho apenas o seguinte:
“Ali não há “Design de Autor” nem outras parvoíces(99% das vezes) que agora tanto fascinam os media.
A chegada do esquerdismo radical ao poder destruiu toda a cooperação que existia entre a industria e os artistas.”
Isto não é bem assim. Desde sempre foram chamados artistas para colaborações a todos os níveis. Alerto ainda para o facto de só de há uns anos para cá se assistir à aposta de designers nas nossas industrias, e mt bem, já que estes geram valor às marcas.
Poderá dizer que se assistiu um pouco ao contrário, à tentativa de se institucionalizar ou homogeneizar a “arte”, mas isso é herança de um certo Socialismo Realista.
Srª Rosa Maria:
Quem é q ocupava o poleiro na Cuf à data da entrada de todos estes fundos? O mal dos fundos foi não serem contra projecto e contra avaliação positiva desses mesmos projectos.
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Rosa Maria e Berto:
Tá bem, abelhas…
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Isto está cada vez mais mal frequentado.
Não há pachorra para este saudosismo e primarismo de análise.
A culpa é sempre dos mesmos!
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É evidente que ninguém pode garantir que com ou sem Abril/74 a CUF seguiria sendo uma grande empresa. Afirmá-lo a pés juntos é especular. No entanto, se considerarmos que a CUF, já na década de 50, enviava os seus quadros mais promissores para estudarem algum tempo em Harvard, e se essa visão de futuro não se alterou com o tempo, parece-me razoável assumir que, com maior ou menor dificuldade, a empresa não estaria nas condições que está hoje: ou seja, não existe.
Mas tudo isto são suposições, como disse, e as minhas têm tanto valor como as dos demais.
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A CUF não existe???
A CUF para além dos hospitais,continua ser a maior empresa química (a que mais exporta e etc) do país!
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Mas que democracia troxe a abrilada? isto è fascismo puro!
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