Da crise
Quando as primeiras instituições financeiras começaram a vacilar, defendeu-se: «deixem cair».
Mas que não, que era «insensiblidade», «fora da realidade», «dogmatismo» e outros quejandos.
Pelo contrário, defendeu-se que «deixando cair», permitindo o mercado funcionar, seria a única forma deste fazer o ajuste necessário, punindo e expulsando as empresas ineficientes, possibilitando ás demais ocupar o seu espaço, limpando o mercado dos maus agentes e maus produtos e retornar, após o ajuste realizado, á vida normal.
Que não podia ser, que tal iria provocar falências em sequela e elevado desemprego. Sim, certamente, disse-se, mas não apenas tais movimentos são ciclicos e devem ser encarados como normais correcções, como precisamente para essas situações é que se justifica a existência de mecanismos sociais de protecção.
O que sucedeu? Tomados de pânico pelas consequências sociais, os governos e autoridades de regulação/intervenção resolveram «segurar» as instituições financeiras, declarando que nenhuma seria deixada cair, por recurso à divida de todos os contribuintes. Ora, que efeito tal medida provocou no mercado? Ficou cego. Esvaneceu-se.
As instituições deixaram de ter indicadores e ferramentas que lhes permitissem aferir do risco das suas operações, pois que os estados, mesmo face a instituições tecnicamente falidas e incapazes de fazer face aos seus compromissos, sempre seriam apoiadas e mantidas com dinheiros públicos. Artificialmente. Contra o mercado. Logo, este deixou de funcionar. O crédito desapareceu de um dia para o outro, pois ninguém tinha forma de confiar em ninguém.
Não que não existisse dinheiro: este foi criado aos muitos milhares de milhões, os bancos centrais cederam crédito como nunca o tinham feito. As autoridades governamentais asseguraram garantias de empréstimos em valores astronómicos, em alguns casos na casa de 20, 30% do seu pib. Mas o crédito não flui. Ameaça-se a intervenção directa, assumem-se garantias ainda mais elevadas. Sem que ninguém se ria, face á escassez de crédito, desce-se o preço do dinheiro….tentando-se fomentar o consumo, potenciando os maus investimentos, destruindo qualquer incentivo à poupança (factores que durante anos, contribuiram em grande medida para a presente crise).
Os estados assumem intervenções, garantias e dívidas de enorme montante, tendando suster o sistema financeiro, mas quando se começar a sentir seriamente a retracção da economia e as suas consequências ao nível social, correrão o risco de também eles entrarem em ruptura. Sim, que isto não é infinitamente elástico.
Aos invés dos defensores do mercado, que entendiam ser de deixar cair quem se revelou ineficiente, conservadores estatistas e neosocialistas exultaram com as medidas intervencionistas, confundindo economia com punição moral dos agentes. Foi-lhes indiferente que se estivessem a utilizar recursos de todos para salvar quem foi incompetente e que, ao fim e ao cabo, sempre acabaria punido pelo mercado. O esforço e recursos que seriam necessários na ausência do presente intervencionismo, sempre seriam muito inferiores ao que foi, até ao momento, derretido sem qualquer efeito de fundo. Agora, quando a crise vier aí em força e no real, poderá ser tarde. O que se poderia ter circunscrito a uma crise sectorial, com forte impacto, mas temporária, transformou-se numa crise transversal, profunda e duradoura.
Mas estou certo que nessa altura, dirão que a culpa foi, uma vez mais, do «mercado»…..

A mim pareceu-me posso estar errado que o credit crunch aconteceu quando deixaram ruir a lehman brothers. Fez tanto estoiro que ninguém mais confiou em ninguém.
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“…Sim, que isto não é infinitamente elástico…”
Tem a certeza? Se os estados têm instrumentos para alterarem o “valor” do dinheiro e ainda por cima a este tipo de intervenção for “global” será que existe fundo neste poço ou o fundo pode ser alterado pela intervenção dos estados com mais “capital” (o que na realidade fixa o valor do dinheiro)
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O crash, em palavras simples para entendidas por todos, é o Momento do choque entre o Crunch Financeiro e a Paralisia Economica (ponto omega da Recessão). Deixam de funcionar uma e outra ao mesmo Momento.
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É mais que evidente que não são as medidas Financeiras que resolvem de facto a Economia. Ao contrário são as Medidas Económicas que vão resolver o Crunch Financeiro.
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Claro que em termos de dirigismo as medidas financeiras são mais confortáveis, preguiçosa, “amigas” e mais rapidamente comissionaveis.
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É um sonho de Verão pensar que as Instituições Financeiras podem dar o que não podem pela sua própria natureza. Msmo que fossem nacionalizadas.
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É na limpeza especulativa das Finanças Publicas que tudo se resolve. E não é nada de ideologico meu, sonho partidário, esquerda ou direita ou centrão. É bem acima disso tudo. Estadismo e Estadistas.
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A TARRAXA PLANETÁRIA espreme a Europa, o Leão envelhecido atacado pelas hienas e pelos leões NOVOS.
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Portugal em particular por ter força de “borboleta”, vai ser obrigado á pressa e à força a fazer aquilo que as Governanças Tradicionais proibem sem qualquer capacidade de NOVO. Não pelos Portugueses, mas pela TARRAXA PLANETÁRIA IMPLACAVEL. O SAFANÃO a sério é ESSENCIAL com mjais ou menos punhos de renda.
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E não venham com “historias da América” porque concerteza absoluta ainda não perceberam nada do que se está a passar no Mundo. Como sempre, umas tretas e tal e tal. Mas desta vez a coisa não perdoa e é implacàvel.
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A maior parte dos Economistas ainda não perceberam o “next step”. Crou-se mais uma vez a ilusão de que o Estado safa tudo e todos. Que grande ilusão. O Estado tem, o que capta dos contribuintes. Nada mais.
É a versão tola do Capitalismo de Estado. Nada mais.
A Ásia vai rebentar com o resto do que está de pé, pois têm produção séria e não virtual. Os americanos como arriscam sempre mais, levam uns quantos para a cova, mas vão safar-se muito por cima. Com Obama, ou com o Uncle Sam!
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Claro como água, no entanto estejamos atentos à rotativa americana (ver soluções de Bernstein, assessor de obama), a coisa pode adiar-se um pouco, os mais avisados talvez tenham tempo de safar as suas aplicações para investirem em lugares mais apropriados.
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A 4 dias da “luta”, está-se quase na zona do “erro técnico”:
Friday, October 31, 2008
The Rasmussen Rasmussen Reports daily Presidential Tracking Poll for Friday shows Barack Obama with 51% of the vote, John McCain with 47%.
http://www.rasmussenreports.com/public_content/politics/election_20082/2008_presidential_election/daily_presidential_tracking_poll
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«cada cabeça (mesmo ignorante) sua sentença»
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A Banca não é um sector como os outros. A Banca é, na prática, utilizada pelos Estados como um instrumento de controlo da massa monetária.
Grandes oscilações na massa monetária de uma economia podem ter efeitos na economia real.
Por isso, ao contrário do que se passa em muitos outros sectores, é muito boa ideia os Estados evitarem falências de grandes bancos, especialmente se resultarem em grande instabilidade na totalidade do sistema.
Ainda para mais, em muitos casos os bancos que foram “salvos” são bancos solventes, apenas com problemas de liquidez (por exemplo o Northern Rock).
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«Aos invés dos defensores do mercado, que entendiam ser de deixar cair quem se revelou ineficiente, conservadores estatistas e neosocialistas exultaram com as medidas intervencionistas, confundindo economia com punição moral dos agentes»
Seria preciso muito jogo de cintura por parte dos políticos para deixar cair as instituições financeiras que se mostraram ineficientes. No mercado globalizado, são praticamente todas. Hoje, os bancos centrais têm que ser competitivos e abrangentes e dispôr de produtos inovadores mesmo que de alto ou médio risco. De outro modo, e na medida em que é fácil deter contas bancárias em vários países (significando isso fuga de capitais), através da internet podem ser realizadas as mais diversas operações financeiras com o estrangeiro, o que levaria à falta de competitividade por parte da banca local e respectivas consequências em matéria da perda de receitas. Portanto, o factor “ineficiência” não é assim tão linear de julgar.
Por outro lado, os políticos têm muito medo das convulsões sociais – que seriam grandes neste caso – que dão sempre lugar a mudanças de regime dúbias, caracterizadas por um regresso ao passado dos governos de ditadura. Já para não falar que só em muito último caso é que eles colocam o seu lugar à disposição…
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Gabriel
Faz sentido . Mas o risco era demasiado. Demasiados cidadãos agarrados aos Bancos , Bancos não votam , mas cidadãos sim .
A confiança abalou , ninguém acredita na porcaria dos papeis titulados de coisa nenhuma .
Ainda vai dar mais estouro .A não ser que a China tenha pena de todos nós .Lá produzem coisas que se vejam .Aqui só fantochadas etereas de produtos financeiros que são uma mentira colada com cuspo por auditorias e Toc`s e Roc`s manhosos .
O luxemburgo que tem um nível de vida do caraças produz o quê ?
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“O luxemburgo que tem um nível de vida do caraças produz o quê ?”
O Parlamento Europeu.
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Penso que o PE é uma co-produção entre a França e a Bélgica
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A ideia seria deixar a “selecção de mercado” funcionar ? E portanto deixar falir uma AIG ?
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Caro Grabril,
Tem razão. Mas não foi por causa do bailout que a crise de solvência passou para a economia real. Peça ao CN para lhe dar umas explicações de «austriacos». Você ainda não percebeu que sempre acreditou no «mercado» que afinal era socialista…
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Mas estou certo que nessa altura, dirão que a culpa foi, uma vez mais, do «mercado»…..
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Não
Ninguém diz isso
É mentira
“mercado”, entre aspas americano, falso como judas, vê-se, nota-se, sente-se, enoja !!!
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Ia-me esquecendo de dizer que é a coisa mais bem escrita que vi sobre o assunto.
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Tina,
Ia escrever issso mesmo; FABULOSO!!!
…gostava de ter sido eu a escrever isto…
parabéns,Gabriel
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‘Tulip Crash’ (1624-1636 – Kondratiev cycle – Investimento= Back to Basics se a coisa se agravar …
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Na minha ignorância (mas lá diz o nosso Povo que a Ignorância é atrevida…)parece-me que o Ruben (#3) abordou um aspecto “divertido” da questão que se resume na contradição de base que existe entre Poder político e Economia (Marx exsplicou). Como distribuir o que não foi produzido e portanto não existe? è o fundamento da “exploração”, afinal de contas. Claro que há sempre a “teoria dos especuladores”, mas desta vez a dimensão é tal que se teve passar para o patamar superior de culpabilização (agora o mercado). Mas mesmo este mecanismo de (des) culpabilização está a atingir os seus limites. Qual virá a seguir? Como diz e bem a Fernanda (#9), “só em muito último caso é que eles colocam o seu lugar à disposição…”. E isto aplica-se a qualquer Governo seja qual for a sua cor política. E então chocamos com o cerne da questão: o problema é meramente político. Ou, se quisermos aplicar uma visão marxista, no mundo real não há qualquer diferença entre moral e política: é a mesma coisa, exactamente.
Por isso, creio que uma das vias de solução (“moral”, obviamente, e portanto “política”) não seria deixar falir as grandes instituições bancárias. Seria, aos primeiros sinais de risco (e não recebemos os alertas bem evidentes da ENROM, da Parmalat, etc.?),ter metido logo dentro toda essa “rapaziada” para averiguações, que é afinal o que tantas vezes fazem os juízes de instruação por pecadilhos bem menores. E depois se veria, enquanto os outros estudavam a lição. Visão radical? Talvez, mas acreditem que vem aí uma crise que tb vai ser radical. Os da alta política já se aperceberam disso. Saúde e bons negócios!
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Sem qualquer ofensa, o Marxismo não tem fiabilidade analitica fina.
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È um saco de gatos. A suas TANTAS variantes vão desde a utopia virginal do igualistarismo puro e duro até ao instrumento mais sustentavel do Captalismo Selvagem. Cabe lá tudo. Até a Ditadura, o despotismo do “Capitalismo de Estado” tão confortável a certa “Esquerda” e a certa “Direita”
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É apenas mais um “book”.
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Entendo o comentário, embora me pareça um tanto ou quanto redutor. A verdade é que a Economia nunca mais foi a mesma coisa depois de K.M.
Quanto ao resto, plenamente de acordo.
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O que vale é que a banda vai tocando em quanto o barco afunda!!
O pior é que nós continuamos a ver a banda em vez de procurar pelos poucos salva-vidas disponiveis.
Alguem sabe como se diz “rua com eles todos!” em Islandes?
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