Em defesa da GALP (III)
De entre várias considerações pertinentes, o nosso Leitor LPedroMachado sugeriu-me aqui a feitura de um gráfico com a evolução comparativa dos preços da gasolina nos vários países da UE. Com base nos preços médios mensais sem impostos divulgados pela DGEG, construí o gráfico abaixo, comparando os preços em Portugal com os dos principais países da UE, para o mesmo período já considerado em postas anteriores sobre o mesmo tema (Janeiro de 1999 a Setembro de 2008).
Os resultados confirmam o que eu já havia afirmado anteriormente:
- 1. A GALP praticou preços exorbitantes – em alguns períodos superiores em mais de 50% aos da média europeia – apenas até final de 2001, altura em que deixou de ser 100% pública com a venda de 1/3 do seu capital à italiana ENI;
- Aquelas margens anormais resultaram em exclusivo da política guterrista de então, que manipulou activamente o ISP para evitar a subida dos preços no consumidor (vd. gráfico publicado aqui);
- A partir de 2002, a GALP passou a guiar-se na fixação dos preços pelo mercado de refinados e verifica-se, desde então, um grande paralelismo entre os vigentes em Portugal e nos restantes países, estando os nossos muito em linha com os de Espanha e com a média da UE-15;
- Ao longo de todo o período considerado, os três grandes países (Alemanha, França e Reino Unido) apresentam sempre os preços mais baixos, facto a que não serão alheios os menores custos de transporte e porventura maiores economias de escala de que beneficiem na refinação;
- Não se pode portanto concluir que haja abuso de posição dominante por parte da GALP, algo impossível em mercado aberto e num sector que actua no mercado das commodities, por natureza dos mais transparentes, seja a nível das matérias primas (no caso, o crude), seja a nível dos produtos (combustíveis refinados).
Diga-se finalmente que o futuro não se afigura risonho para os refinadores. Recentemente, entrou em laboração a maior refinaria do mundo situada na Índia, a que se seguirão em breve outras na China e sudeste asiático, mais do que cobrindo o défice na capacidade de refinação que se vinha fazendo sentir a nível global. Isto, conjugado com a retracção da procura que se vem sentindo por efeito da crise irá, muito brevemente, aumentar a oferta de combustíveis refinados e pressionar os respectivos preços para a baixa, esmagando ainda mais as margens de refinação.
Boas notícias portanto para os consumidores e más para a GALP. Talvez esta venha a beneficiar da taxa Robin dos Bosques (alguém sabe se já foi regulamentada ou quando será???!!!…) a qual, se fixada equitativamente, deverá subsidiar as petrolíferas pela desvalorização dos stocks…


Alguma coisa vão arranjar para apoiar os “prejuízos” da Galp e dos seus acionistas com cores politicas bem definidas….
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LR,
1. Se me permite, deveria fazer uma “Declaração de Interesses”, para sabermos se tem alguma relação pessoal/ profissional com a GALP.
2. Quanto à inversão da modalidade da Taxa “Zé” Robin dos Bosques, pois, esperem sentados os accionistas da GALP; pois se não cansam-se com a espera eterna.
3. Parece-me que um dos factores que tem levado ao aumento das exportações de Portugal (a exportação de refinados para os EUA) morreu e não tem hipótese de renascimento novas refinarias na Ásia).
4. Só boas notícias para os “tugas”.
5. Os accionistas da GALP devem estar a tentar arranjar um comprador, quer se chame ENI ou Repsol!
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E como um mal nunca vem só, esperem pela alteração do paradigma dos transportes, muito possivelmente para 2011,2012, com a revolução do início da massificação das tecnologias do solar e do hidrogénio!
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J:
“1. Se me permite, deveria fazer uma “Declaração de Interesses”, para sabermos se tem alguma relação pessoal/ profissional com a GALP.”
E se tivesse? Os dados apresentados seriam diferentes?
Se está a insinuar que o LR manipulou os dados queira, por favor, fazer uma crítica fundamentada.
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Eu penso que o LR num outro post anterior sobre o assunto, já disse que não tem qualquer relação pessoal/profissional com a GALP. De qualquer maneira, os dados falam por si.
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J,
“1. Se me permite, deveria fazer uma “Declaração de Interesses”, para sabermos se tem alguma relação pessoal/ profissional com a GALP.”
Fi-la na 1ª posta (que linkei). Mantém-se inalterável.
“2. Quanto à inversão da modalidade da Taxa “Zé” Robin dos Bosques, pois, esperem sentados os accionistas da GALP; pois se não cansam-se com a espera eterna.”
Eu estava a ser irónico. Na realidade, a taxa Robin dos Bosques, mais uma demagogia barata e propagandística de Sócrates, nunca irá ser implementada.
“3. Parece-me que um dos factores que tem levado ao aumento das exportações de Portugal (a exportação de refinados para os EUA) morreu e não tem hipótese de renascimento novas refinarias na Ásia).”
É verdade. Não só pela entrada em laboração de novas refinarias (o que tb acontecerá nos EUA), mas tb porque estes estão a converter a refinação para produção acrescida de gasóleo, produto em que somos deficitários.
“5. Os accionistas da GALP devem estar a tentar arranjar um comprador, quer se chame ENI ou Repsol!”
Pelo que me tem constado, a ENI estará disposta a comprar ou a vender. Resta saber a posição do Grupo Amorim / Sonangol, agora bem menos confortáveis com a baixa do crude.
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Donde se tira que a Espanha não vende mais barato que a Galp, logo, os Portugueses todos mentem.
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Ai! GALP, GALP, que ainda vou ganhar algum com esta graxa toda. Viva a administração da GALP! Vivam os accionistas da GALP!
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Alice,
“Donde se tira que a Espanha não vende mais barato que a Galp, logo, os Portugueses todos mentem.”
Não. Falam daquilo que não sabem e sem procurarem fundamentar-se minimamente.
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Caro amigo LR
Respondeu no outro post:
“Nem tem de reflectir, tal como não reflectiram frequentemente na subida. Estou farto de referir que o benchmark para a fixação do preço dos refinados são as cotações daqueles em Roterdão”
A Deco afirma “A diferença face a Espanha e ao resto da Europa nunca foi tão elevada como nos últimos 15 dias. Em Portugal continuamos a notar uma forte resistência à descida do preço da gasolina”
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/economia/pt/desarrollo/1182737.html
Significa isso que “benchmark para a fixação do preço” é diferente para Espanha?
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Pedimos desculpa pela má estética do comentário mas o facto é alheio à nossa vontade.
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È incrível como um Governo pode roubar assim aos seus cidadãos. Incrível!…
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Coitadinha da GOLP!
http://diarioeconomico.com/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/financas/pt/desarrollo/1183253.html
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Assur (10),
A DECO vem com a argumentação fácil da análise em prazos muito curtos e preços pontuais. Escandaliza-se com uma diferença de 4 cêntimos relativamente a Espanha e de 3 cêntimos relativamente à média europeia. Não consegui confirmar os valores nem de Espanha nem da média europeia (a DGEG ainda não os disponibilizou relativamente a Outubro), mas não me lembro de ouvir a DECO congratular-se quando os nossos preços estiveram abaixo dos de Espanha ou da média europeia. E isso aconteceu algumas vezes, como é visível no meu gráfico.
Gostaria também que me explicassem porque razão haveríamos de ter preços iguais ou inferiores à média europeia quando, dada a nossa situação periférica, suportamos custos de transporte superiores aos da maioria dos países.
Mas vejamos os diferenciais de preços Portugal/Espanha para a gasolina no período alargado em que fiz a análise, calculados a partir da diferença entre os preços médios de cada país (se diferença positiva, preço mais caro em Portugal – em €/litro):
Jan 99 0,005275
0,005000
0,002440
0,012633
0,005980
0,002500
-0,003200
0,007380
0,043825
0,043600
0,072860
0,083550
Jan 00 0,110820
0,114625
0,112575
0,120950
0,081660
0,104625
0,112620
0,103025
0,133500
0,112975
0,100450
0,084233
Jan 01 0,142425
0,180300
0,163800
0,168675
0,147150
0,098950
0,119760
0,159975
0,172375
0,159340
0,184225
0,218100
Jan 02 0,127025
-0,002325
-0,004275
-0,009050
-0,003550
0,003325
-0,005100
-0,003300
-0,001360
-0,002550
0,008200
0,015567
Jan 03 -0,020550
-0,016100
-0,006300
0,023167
0,034675
0,012260
-0,012275
-0,026000
-0,003620
0,016350
-0,001450
0,000967
Jan 04 -0,011600
-0,017375
-0,020874
-0,022053
-0,016362
0,013675
-0,003295
-0,001694
-0,007097
-0,016593
0,005416
0,016067
Jan 05 -0,011812
-0,008367
-0,016313
-0,001497
0,003170
-0,015065
-0,002668
-0,007600
-0,015065
0,024950
0,025078
0,006670
Jan 06 0,001715
0,014568
-0,004790
-0,003747
0,018180
0,015103
0,005364
0,029708
0,050668
0,026442
0,025050
0,019380
Jan 07 0,019728
0,005040
0,007598
0,010222
0,016348
0,018992
0,016936
0,015075
0,003605
0,000308
0,002510
0,010453
Jan 08 0,018375
-0,003922
0,006567
-0,001140
-0,001590
-0,011330
0,002605
0,011247
0,008300
A média (aritmética) destes diferenciais apurados ao longo de 117 meses, é de 3,3 cêntimos. Mas se retirarmos os meses entre Novembro de 1999 e Janeiro de 2002, em que o diferencial médio nesse período de preços políticamente elevados foi de 13 cêntimos, o diferencial médio remanescente reduz-se para 0,4 cêntimos.
Imagino que isto continuará a ser um escândalo para muitos, mas eu aposto que aquele diferencial não cobre o acréscimo dos custos de transporte.
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LR
Mais um post de serviço público. Parabéns.
E obrigado pela referência.
Um abraço.
Pedro
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Gostaria de ver LR defender a Galp e as outras petrolíferas no caso do GPLAuto e em botija, este utilizado por milhões de portugueses, principalmente fora das grandes cidades, nomeadamente por reformados com as tais pensões de 236 Euros, e o Auto por um considerável número de automobilistas, com reconhecido benefício ambiental: ao nível do NOx, hidrocarbonetos não queimados, dióxido e monóxido de carbono, aldeídos e produtos aromáticos.
Acontece que o preço de referência é divulgado mensalmente pela Saudi ARAMCO (LPG contract price) tendo descido desde Julho em que atingiu o propano 905 dólares Ton/métrica e o butano 950. A cotação de Novembro registou já 490 quer para o propano, como para o butano, isto é menos 39% e 37%, respectivamente. Pois o que acontece é que o GPL auto manteve-se no preço mais alto de sempre até há pouco, em que desceu 7% e o gás de botija mantem-se inalterado. Aqui não há a desculpa do ISP nem a de que se está a seguir o preço de mercado. Porquê então.
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Caro Pedro C.,
Não tenho nenhuma informação coligida sobre o GPL, mas vou tentar pesquisar. A única coisa que lhe posso garantir é que, em função dos dados que obtiver e que me permitam uma análise o mais objectiva possível, tirarei as minhas conclusões, que poderão ser favoráveis ou desfavoráveis à GALP. Sem qualquer prévio parti-pris.
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“E se tivesse? Os dados apresentados seriam diferentes?
Se está a insinuar que o LR manipulou os dados queira, por favor, fazer uma crítica fundamentada”.
Está enganado. Não estava a sugerir ou a fazer qualquer acusação subreptícia. Mas, quando vejo este título: “Em defesa da GALP III”, tenho o direito de perguntar se há algum interesse para que se defina “um defensor”.
Ou seja, é comum exister um “disclaimer”. Só isso.
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Caro LR, obrigado pela disponibilidade. Complementando o comentário, informo-o que os preços mais baixos no GPL é praticado por pequenos retalhistas. Lembro-lhe que, do Governo, por não estar a cumprir o acordado em Quioto em termos de emissões, e da Galp com emissões relativamente altas das suas refinarias, seria de esperar posições activas nesta área implementando medidas que encorajassem o seu uso, sem esquecer a sempre útil diversificação.
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Excelente post, é pena ir-se rapidamente perder afogado por uma enchurrada de posts de pouco ou nenhum valor.
Cam
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Excelente sequência de posts, caro LR. Em Maio tinha também feito algumas contas tendo como base a cotação do crude a o câmbio Euro/USD, mas apenas para 2007/2008:
http://opovoesereno.blogspot.com/2008/05/aumento-dos-combustveis.html
A sua análise está de facto bastante mais completa e muito bem explicada. Agora não espere que quem todos os dias critica os “ladrões da Galp que nos andam a roubar”, lhe vá algum dia dar razão. Aliás, razão é uma faculdade que não entra nestas discussões, infelizmente…
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Olhe que até a Comissão Europeia disse esta quinta-feira estranhar os preços praticados no actual momento de queda consecutiva no preço do crude e aludiu à «falta de transparência no sector.
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Assur,
A Comissão Europeia deveria preocupar-se mais em acabar com a PAC, esse sorvedouro de dinheiros do contribuinte, do que pronunciar-se levianamente sobre aquilo que não sabe. Para os políticos fica sempre bem mostrar que se preocupam com o consumidor. Se assim é, pugnem pela baixa dos impostos, que representam quase 60% do preço dos combustíveis ao consumidor. Mas depois teriam de explicar o incentivo que estariam a dar ao consumo de combustíveis fósseis emissores de CO2, o cumprimento do protocolo de Quioto e outras pantominadas do género…
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20
Exacto!
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Tanta gente preocupada com o preço do crude/gasolina/gasoleo e ninguem ve o roubo que é o preço do gás natural!!!
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