As Causas Esquecidas.
Ontem, um canal de TV transmitiu uma reportagem sobre o trabalho precário. Nem uma única palavra foi dedicada à rigidez das leis laborais. Uma inspectora do trabalho perseguia micro-empresários, com as câmeras atrás. Uma senhora que passou de funcionária de limpeza a patroa foi obrigada a dar contrato sem termo às funcionárias. Grande vitória. Provavelmente, o primeiro passo para a falência. Basta perder um ou dois contratos, o que, nos tempos que correm, não é nada improvável. O inspector de trabalho explicou que tinham que ter critério largo para o facto do marido, do filho e da nora ajudarem às limpezas, sem contrato. Leis a la carte, como é conveniente para mostrar bom coração.
Um sindicalista de carreira, provavelmente o maior causador de desemprego em Portugal, explicou que os jovens saem de Portugal por causa da precariedade. Também aqui, nem uma palavra sobre as leis laborais dos países destino, sempre muito menos rígidas que em Portugal.
A reportagem foi atrás de restaurantes que têm empregados que já são precários há dois anos. Falou-se do baixo ordenado, da ordem dos 450 euros. Nem uma palavra para as gorjetas, gordas naquele local. O restaurantes era no Parque das Nações. Um daqueles que estão em instalações precárias, à espera de demolição. Pedem-se trabalhadores definitivos para empresas precárias.
A precariedade, por si só, não é má. Só se torna impiedosa quando não há mercado de trabalho. E não há mercado de trabalho porque as leis laborais acabaram com ele. Com um mercado de trabalho a funcionar, mudar de emprego é fácil. Sem mercado de trabalho, o desemprego aterrorriza. O que pedem os “especialistas”? Bloqueiem ainda mais o mercado de trabalho. Acabem com ele de vez.
Provavelmente, vão continuar a ter sucesso. Já não falta muito para os dois dígitos.

Muito bom artigo.
Em Portugal (e para grande espanto) continuam a vigorar duas máximas que explicam bem a mentalidade do trabalhador português:
1) A ideia que deve receber de acordo com o seu orçamento de despesa e não de acordo com a sua rentabilidade (vide “nota Bom para todos” ou “eu tenho dois filhos para criar”).
2) A ideia de que procurar outro emprego, deve ser apenas uma opção quando no desemprego.
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JCD, também vi a reportagem e pareceu-me mais um alerta para as condições em que se transformou o trabalho em portugal. precarios vai haver sempre, com boas ou más leis de trabalho. patrões é que já não sei. a questão que coloco é porque carga de água não se muda de uma vez por todas o padigma neste canto. porque!!!!!!!!!!!
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-Depois admiram-se com a expansão das empresas de trabalho temporário. A solução para a senhora das limpezas que criou o seu posto de trabalho será recorrer a uma empresa de trabalho temporário, o que a fará subir preços perdendo contratos, ou pagar ainda menos a quem trabalha na área das limpezas, porque a empresa irá certamente retirar uma comissão.
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Aposto que no dia em que o Estado acabasse os supostos “liberais” que por aqui vegetam seriam os primeiros a fugir, borrados de medo…
É só exercicios de estilo.
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Leiam aqui alguns motivos que levam os jovens a sair do país:
http://mindthisgap.blogspot.com/
É fácil descobrir um motivo desde já: o tacanhismo de alguns empresários.
É utilizar mão de obra, conhecida como “estagiários” enquanto ela é barata (será que o subsidiozinho do estado tem algo a haver?) e depois tentar descartá-los o mais depressa possível, para renovar o “stock”.
precariedade, porque os BONS pisgam-se logo.
Uma empresa de IT muito na berra usa estagiários e depois propõe-lhes contratos ABAIXO do salário de estagiário, quando vão passar a termo certo.
Mas isto nem terá nada a haver com as leis do trabalho. Talvez seja mesmo oferta/procura. Talvez seja uma palavra muito usado, a ver se me recordo … Já sei! Mama. A mama do Estado.
Para esses aspectos, nem vale a pena olhar. A tal sra da limpeza e o dono do restaurante é metido no mesmo saco que estes tacanhos, e a culpa é do neo-liberalismo.
Vamos longe!
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“Aposto que no dia em que o Estado acabasse os supostos “liberais” que por aqui vegetam seriam os primeiros a fugir, borrados de medo…”
Olha o JM tinha que imigrar, porque a teta acabava!
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Falar de leis laborais rígidas num país em que metade dos trabalhadores são precários (contratos “a prazo”, falsas prestações de serviços e trabalho temporário), em que os horários de trabalho são meramente indicativos (“horas extraordinárias” i.e. não contratadas, são pagas nas PME?…), e em que os despedimentos são extremamente simples (custando mais ou menos dinheiro, como em qualquer rescisão unilateral de um contrato), é simplesmente continuar a ver o mundo de uma forma “talibânica”, ou se preferirem, utilizando a “cassete” dos tontinhos Hayek e Friedman, que em nada são diferentes, na sua visão a preto e branco do mundo, de Lenine e Estaline.
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Contratos precários para toda a gente já! É acabar com contratos de trabalho que depois não deixam despedir ninguém sem indemnizações.
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Deviam acabar os contratos todos, especialmente nas administrações, cargos politicos, futebol, escolas privadas, jornais… tudo. Passava tudo ao efemero dos dias. Tudo sem poder programar o futuro a dois digitos.
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Continuo à espera que a Inspecção de Trabalho vá chatear os Bancos e as Consultoras, os maiores exploradores da “classe operária” deste país.
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Em Portugal o Contrato de Trabalho é uma instituição com mais força do que o Casamento. É a instituição mais retrógada e mais conservadora de todas as instituições legais, quando deveria ser aberta e em permanente adaptação aos tempos que correm. Ficam a perder as empresas e os trabalhadores, porque num mercado de trabalho tão regulado, as hipóteses de um trabalhador encontrar um bom emprego são dificeis, assim como a possibilidade de uma organização contratar um bom colaborador é cada vez mais dificil.
Parecendo que não, é assim mesmo.
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Em Portugal defende-se o emprego através de decreto. Noutros sítios, noutras mentalidades, através da produtividade.
“Venha o plasma, que este ano mudo de letra.”
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A cassete neo-liberal do costume!
O autor do post não está nessas condições, obviamente, senão a cantiga era outra. Aliás mais vale ser escravo que desempregado, não é?
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daquilo que vou lendo por aí tenho cada vez mais a certeza de quem deveria ser contratado a prazo eram os proprios empresários:
– Não cumprem a Lei, e muita vezes nem a sabem(segundo alguns é só coisa para professores cumprirem),
– gerem a produtividade e a competividade da empresa à custa de salários baixos em vez de metodos de produção.
Só me resta dizer:
Enquanto a mentalidade de empresários confundir “flexibilidade” com “facilidade em despedir”, estamos conversados.
Enquanto uma empresa precisa de prolongar o horário de trabalho para 10, 12h para fazer o que deveria fazer nas 8h diárias, estamos conversados.
Enquando o estágiário existir apenas para benesse da empresa, e como “escravo” e não como aprendizagem dos meios produtivos e integração da empresa, estamos conversados.
Enquanto os empresários não conseguirem ver a sua empresa a médio ou a longo prazo e apostarem no lucro imediato, estamos conversados.
Alguém me explica que sempre que comparam empresários e gestores na europa, os portugueses ficam sempre entre os piores na execução e gestão, mas sempre nos piores no salário?
Alguém me explica porque os trabalhadores portugueses são sempre os piores em Portugal e dos melhores no estrangeiro?
Alguém me explica porque um estudo da Universidade de leicester, publicado no The Lancet diz que a idade mínima que um português do sexo masculino se encontra fisicamente apto para trabalhar é até aos 64,9 anos (M) e 62,7 anos (F) e querem que se trabalhe até mais tarde?
Alguém me explica que se for liberalizado o mercado de trabalho como apregoam, quem conseguirá arranjar trabalho depois dos 45 anos? (não estou a ver que alguma empresa contrate pessoas com mais dessa idade, ou que os mantenha no quadro( bastará dizer que não se adapta às novas “metodologias”). Não terá que pagar mais, e poderá arranjar outro estagiário, provalvelmente por metade do custo daquele que já lá estava.
Alguém me diz onde fica o meio entre a precariedade e a flexibilidade?
duas historietas:
um empresário que queria lançar uma marca de vestuário para ser vendida em lojas da gama média alta, mas como os ciganos pagavam a pronto, podem encontrá-la na feira mais proxima.
uma empresária de uma loja de roupa que queria despedir a gerenteda loja, porque em comissões previamente acordada entre as duas, lhe teria levado 25000 euros ao fim do ano o que era muito.
A Lua de Mel fechou na baixa de Lisboa um dia para o outro, não me digam que os empregados deixaram de saber como servir bicas e galões, ou terá sido apenas má gestão do empresário?
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Isso do contrato de trabalho vitalício foi chão que deu uvas.
Já nem os professores.
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“A reportagem foi atrás de restaurantes que têm empregados que já são precários há dois anos. Falou-se do baixo ordenado, da ordem dos 450 euros. Nem uma palavra para as gorjetas, gordas naquele local. O restaurantes era no Parque das Nações. Um daqueles que estão em instalações precárias, à espera de demolição. Pedem-se trabalhadores definitivos para empresas precárias.”
Gorjetas, que descontam para a segurança social, para a reforma e coisa e tal e são sempre certinhas ao fim do mês. também gostava que alguém quantifcasse gorjetas gordas.(Nota: as gorjetasque costumam ser divididas entre todo o pessoal – mesas e cozinha inclusivé)
Não sabia que um local precário onde se situa um restaurante, impediria a abertura do mesmo restaurante noutro local, com o mesmo pessoal (afinal o empresário não sabe que o local é precário e teve que amortizar o valor do investimento em determinado prazo de tempo? Será que findo o prazo esse empresário não investirá mais em lado nenhum, não abrirá mais nenhum restaurante, irá trabalhar para outrém? ou será mais uma desculpa para mudar para empregados mais baratos?
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“daquilo que vou lendo por aí tenho cada vez mais a certeza de quem deveria ser contratado a prazo eram os proprios empresários:
– Não cumprem a Lei, e muita vezes nem a sabem(segundo alguns é só coisa para professores cumprirem),
– gerem a produtividade e a competividade da empresa à custa de salários baixos em vez de metodos de produção.”
Então porque é que os trabalhadores não se transformam em empresários? Se os últimos são assim tão incompetentes não devem faltar oportunidades para ter sucesso.
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os da gebalis vão comer nesses restaurantes do parque das nações?
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“Um sindicalista de carreira, provavelmente o maior causador de desemprego em Portugal, explicou que os jovens saem de Portugal por causa da precariedade. Também aqui, nem uma palavra sobre as leis laborais dos países destino, sempre muito menos rígidas que em Portugal.”
E eu a pensar que o maior causador de desemprego em Portugal eram os empresários que não investem em formação dos empregados, os empresários que não investem em renovação de maquinaria, os empresários que não investem em alteração dos métodos de produção (porque no tempo dos pais deles fazia-se assim), nos empresários que põem as prestações do ferrari e do iate à frente das condições da empresa.
Todos os anos fazem uma lista das melhores empresas para se trabalhar em Portugal. O que será que essas têm que falha nas outras? Será que essas não dão lucro, ou dão? Será que não se gosta de trabalhar nessas empresas?
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Mas se o Goodfeeling conhece assim tantos maus exemplos de empresários, podia abrir uma empresa ao lado e roubava-lhes o negócio. Porque não? Fazia contratos sem termo com todos os empregados, mas nunca procurando o salário mais baixo. Pagaria sempre o que achasse que era “digno” pagar (manuelalegremente digno), abria uma creche para os filhos, contratava estagiários que poderiam aprender todos os meios de produção durante o tempo que fosse preciso para serem verdadeiramente competentes, pagava complementos de reforma a partir dos 60 para quem quisesse sair, não contratava esses chupistas dos gestores, tudo era decidido em grandes plenários onde cada um podia dar uma boa dica para o negócio. Dava 50 dias de férias, ninguém trabalhava nem mais um minuto do que as 7 horas por dia e dava sempre, mas sempre, um aumento anual a toda a gente, porque a vida custa a todos.
Depois no segundo dia dessa empresa, ia ao CFE, dava baixa do nome e dedicava-se a abrir um sindicato numa empresa a sério.
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Estou em total acordo com o anónimo 9, da 1,5pm. Acabarem-se com todos os contractos de trabalho e já, incluindo “aqueles” do Banco de Portugal, da Galp, da EDP, das Autarquias, da Assembleia da República, etc, etc…
mas eram todos, mesmo todos, incluíndo os da Função Pública, claro, até porque é aí que está o grande busílis, o grande ónus deste desnutrido rectângulo.
Haja moral Sr. JM… ou comem todos ou não come ninguém!
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“Então porque é que os trabalhadores não se transformam em empresários?”
Porque a concorrencia é dificil com os empresários que pagam maus salários, possuem contratos a prazo e já dominam o mercado.
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Não vi a reportagem, por isso não sei se as câmaras capataram o que aqui está descrito, ou se é apenas uma sinopse da reportagem.
Quando se diz que ” a precaridade, por si só, não é má” é verdade.
Mas o que não é verdade, é que a precaridade, seja um factor que estimule a produtividade, que não seja sinónimo de salários baixos, que se arraste por mais de doze meses, que seja a situação habitual dos jovens empregados quer detenham ou não habilitações suficientes, que dinamize a economia, que se ajuste a um padrão de vida equilibrado, etc., etc., etc.
Por isso é que a precaridade, deve ter conta, peso e medida, e não ser a pedra de toque do emprego em Portugal, nem em mais nenhuma parte do mundo.
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Mentalidade de empesário português:
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1350262&idCanal=57
Conclusão: O passe de autocarro para a sardinha e para a pescada é caro.
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No ‘captaram’ saíu um ‘a’ a mais… esse não é precário, é erro apenas.
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Ahh, ó anónimo do 22, você comove-me. Então diga-me lá: não acha que é preferível, passar um mau bocado, abdicar de todo o dinheiro, de horas para a família, envelhecer uns anos nuns quantos meses, endividar-se e tudo isto para abrir uma empresa que não sabe se vai funcionar do que trabalhar para um mau patrão? Pensava que compensava. É que…sabe… é assim que se criam os empresários em Portugal e em toda a parte: pessoas com sentido de iniciativa e sacrifício. Falar de GALP’s e EDP’s num país com a quantidade de PME’s que nós temos, é mesmo tema à Fátima Lopes. É tão fácil, mas tão fácil dizer que o mal é das grandes companhias e dos papões do governo. É tão fácil. Fazer é que é mais difícil.
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Então o amigo Lucklucky… duvída de que cada vez há mais empresários….?! milhentos!
Veja só quantos cafés de bairro existem por cada prédio acabado de construir… mais todos aqueles outros do “recibo verde”… o que são estes afinal?!…
O meu amigo é um grande provocador… só pode ser.
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«A precariedade, por si só, não é má. Só se torna impiedosa quando não há mercado de trabalho. E não há mercado de trabalho porque as leis laborais acabaram com ele. Com um mercado de trabalho a funcionar, mudar de emprego é fácil. »
Ora vamos lá analisar esta frase:
1º “A precariedade, por si só, não é má. Só se torna impiedosa quando não há mercado de trabalho.”
JCD Concorda portanto que em periodos de pleno emprego!!?? (cof cof cof) a precariedade não seria má.
A constante tem sido de escasses de emprego ao longo dos anos e sempre com tendencia a agravar. Portanto a precariedade tem sido má.(respondido)
2º “E não há mercado de trabalho porque as leis laborais acabaram com ele”
Na paradigmática América do trabalho Liberal, preve-se desemprego na ordem dos 8,5 %.
3ª “Com um mercado de trabalho a funcionar, mudar de emprego é fácil. ”
Aqui concordo se substituir-mos o termo mercado de trabalho por “economia”, a raiz do desemprego
António
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E outro documentário passou, há dias, nos States, de bicha pà sopa, jamais visto depois dos 30, disse um mais velho, e antes, ainda, uma família que deu em trabalhar para a igreja da seita, a mãe, o maridos, os miúdos, menores, inclusíve, em trabalho precário, a dizer a crise, lá também, que vai no mundo, como numa paróquia qualquer portuguesa.
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Caro Omazumba
leia:
http://www.greatplacetowork.pt/best/index.php
Certamente gostava que a minha empresa entrasse nessas listas. e seria lá que ia buscar o modelo.
A sua empresa encontra-se nessas listas? não? pois.. está tudo explicado.
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Pergunta a todos os empresário aqui sentados:
o que tem a Cushman & Wakefield, que a minha empresa não tem?
Cushman & Wakefield, – 9º pequena e média empresa a nível europeu no ranking das melhorees empresas para se trabalhar.
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Caro Omazuma, o amigo fala de papo- cheio ou por encomenda. Claro que falar é fácil… demasiado fácil, pelo teor do seu texto, naturalmente!
Senão vejamos… então, quando temos uma máquina admnistrativa pesadíssima, uma banca em desbanca, a energia eléctrica caríssima, combustíveis super caros, etc, etc… acha mesmo que o problema da competitividade do patronato nacional está na relação (paupérrima) com os seus colaboradores?!… só mesmo por encomenda.
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Com ataques pessoais, não se chega a lado nenhum…
Eu não percebo nada de princípios de Economia, mas alguns conceitos parecem tão óbvios que até talvez eu os entenda:
– uma empresa é criada com capital
– a empresa produz bens ou serviços
– a empresa transacciona os produtos pelos quais obtem um retorno
– uma empresa tem custos operacionais (espaço, recursos, trabalhadores, …)
– os trabalhadores transformam o seu esforço (trabalho) em capital (salário)
– retorno – custos = lucro
Isto funcionará para todas as empresas, qualquer que seja a sua natureza.
O exemplo do Banco Alimentar.
O produto da empresa é um serviço (distribuição de comida) que é transaccionado com retorno zero.
O Banco Alimentar ocupa um espaço e consume recursos. Estes são mantidos com contribuições (“accionistas”).
Os seus trabalhadores trocam o esforço por capital no valor de zero.
Lucro = zero – zero = zero
Se não tiver voluntários suficientes, poderia ter que recorrer a trabalhadores pagos.
Quem pagaria estes custos? Ou os accionistas ou transaccionando os produtos por um valor superior a zero.
Dado que o segundo não faz sentido de acordo com a natureza da empresa, só através do primeiro.
Se tal não fosse possível, teria que reduzir a estrutura de custos para se adaptar à nova situação (mudava de espaço, poupava recursos).
Se mesmo assim, não fosse possível, a empresa ia-se retrair na quantidade de produtos fornecidos (ia fornecer menos).
Não há milagres. Teria que se adaptar em toda a linha (a menos que lá aparece alguém com 5 pães e 2 peixes, e …)
Menos “solidariedade” das pessoas ia-se traduzir numa menor solidariedade REAL (menos alimentos).
A sra da limpeza está na mesma situação: maior procura => maior massa laboral; menor procura => menor massa laboral.
Se essa sra em particular não poder afectar esse valor, a empresa desaparece.
Suponhamos que
1: a empresa começa com 4 funcionários.
2: expande o negócio e chega a 8
3: o mercado contrai-se e precisa de despedir 2
4: o mercado retoma, e precisa de contratar mais 4
Etc etc etc
Com a lei laboral actual, fica-se ali no ponto 3 até ir á falência. Nunca saltaria para o ponto 4.
E se no ponto 4 tivesse que despedir novamente, e assim até desaparecer … a empresa fazia algum sentido?
Seria removida por selecção natural.
O ponto é: de que serve esta Lei bem intencionada que na essência protege apenas uns quantos, e destes alguns são verdadeiros incompetentes, e impede que haja maior criação de negócio e por consequência, trabalho?
A cada dia que passa mais me convenço que a questão não é o modelo: muito-Estado/pouco-Estado.
Mas isso, é mais uma mera constatação do óbvio.
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Se me disser uma empresa que seja desse ranking, que não contrate só gente competente através de rigorosíssimas triagens, dou-lhe um doce.
A resposta à sua pergunta é: a C&W tem provavelmente (porque da lista conheço bem alguns exemplo e todas têm isto) um horário de trabalho perfeitamente flexibilizado (pela atitude responsável e não pela lei portuguesa, claro) rigorosos processos de avaliação e uma alta rotatividade nas funções. Vencimentos com uma grande carga variável em função dos resultados e uma protecção social acima da média para todos porque também só lá trabalha quem compense de outra forma.
Agora o que não pode insinuar, pelo primeiro comentário, seguido destes exemplos, é que se pode trabalhar nestas empresas tendo só direitos e não dando o litro, muito mais do que se dá nas outras empresas. Também resta dizer o que La Palice diria também acerca do caso: se os bons trabalhadores trabalham para os bons empresários, então para os maus empresários só sobram os maus trabalhadores. A não ser que ainda veja o mundo como nos livros da Disney, onde uns são todos maus por oposição aos outros, que são todos bons.
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10contente,
Sim. Claro que é isso. Foi o Sócrates que encomendou o meu discurso, não sabia? Foi mesmo!
Ou foi a Ministra da Educação, sim foi isso. É que em Portugal só há os manuelalegres e os outros que são todos paus-mandados. É impossível ser-se liberal e ter-se razão.
Estou a brincar, o senhor é que tem razão. Falo de papo cheio, estou numa empresa pública e tenho aumentos por decreto. Aliás eu desconfiei logo que se tratava de um génio, quando disse que a energia eléctrica está cara. É a energia e a água. Se fechasse um bocadinho a cartilha e fosse olhar para o mundo real, ficava a saber que a energia e a água estão a preços absolutamente ridículos para o custo de produção que têm, mas deixe lá isso. O que é importante é que foi o Sócrates que encomendou o meu discurso, isso sim.
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Nestas discussões, a culpa é atirada geralmente para os hediondos patrões e empresários que temos. Curiosamente, ninguém questiona porque razão num país com vícios crescentes e qualificações em regressão, em que se promove uma cultura de lazer e facilitismo e nunca de trabalho e esforço, haveriam de proliferar empresários excelentes.
De qualquer forma, a pouca riqueza que se vai criando no país deve-se EM EXCLUSIVO aos nossos deficientes empresários. E tarda a aparecer a concorrência da parte de quem tanto os diaboliza.
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Goodfeeling:Alguém me explica porque os trabalhadores portugueses são sempre os piores em Portugal e dos melhores no estrangeiro?”
Grande pergunta. Se você não sabe a resposta é certamente porque nunca pensou nela. Até um sindicalista lhe saberá responder que SÓ PODE SER pelas leis de trabalho vigentes em Portugal. Que mais variáveis é que poderão mudar sem ser essa? Não existem maus patrões no estrangeiro?
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“Sem Anestesia”, em 33, pode juntar um 5º ponto: é criada tecnologia que substitui a senhora da limpeza. O que fazer?
LR, qualificações em recessão? Então mas se todos vão ter o 12º dentro de poucos meses (incluindo gente que não pega num livro há décadas!) e muitos vão ser licenciados de Bolonha em meia dúzia de semestres, como pode ser isso? Não fale é de exigência, rigor e esforço, porque isso não consta do dicionário do tuga moderno. De qualquer modo, não pode deixar de reconhecer que muitos ditos “empresários” são pouco mais do que merceeiros (metade deles com pouco mais do que a 4ª classe).
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É tão fácil e barato assacar as culpas aos patrões… O nosso sistema não é ele quase perfeito? Não vamos todos há trinta anos rumo ao socialismo, i. é., à pobreza generalizada? Patrões para quê se o estado se pode substituir a estes? Basta ser amigo de algum político ou sindicalista, ou um alto funcionário bem colocado sentado no seu BMW de preferência com motorista, e o tacho está garantido…para a vida. Os sindicalistas não são os únicos que tem a ganhar com as leis de trabalho que temos. Os políticos também. Ambos querem a malta pobre qb, presa ao patrão para o resto da vida, assanhada o suficiente para quotizar para o sindicato e votar no partido que lhe garanta que sim que desta vez e connosco no poder é que vai tudo mudar.
Enfim, o paraíso que nos espera está já à porta. Um pouco mais de paciência.
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omazumba
“Se me disser uma empresa que seja desse ranking, que não contrate só gente competente através de rigorosíssimas triagens, dou-lhe um doce.”
um empresário que contrate gente incompetente é….
incompetente, não devia ser empresário.NUNCA!
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Caro Omazuma, não me leve a mal… não fui eu quem falou no sr. Sócrates.
Quando falo “de encomenda”, refiro-me aos seus interesses, naturalmente e de todo o direito, de empresário e, portanto, defendendo sua dama.
É o senhor que diz que o preço da água e da energia até estão abaixo do seu custo de produção… e eu até concordo, mas e porquê?… Não serão, certamente e só, os baixos salários (médios) dos seus colaboradores (que não das suas administrações) que tornam estes preciosos produtos tão caros assim, mas todo um ineficiente e preprogramado esquema, montado para suporte e regalo de alguns poucos, com o prejuizo de muitos de nós.
Este é que é o drama. Os custos de produção não estão só no custo salarial… há muito mais, e menos sério, a considerar.
E, não porque não lhe deva explicações mas porque me parece ser um empresário simpático ainda que mal elucidado, quero informá-lo que a minha “cartilha” é de 64 anos de vida, 50 de trabalho (aqui, contam-se > 3 de militar e mato)e, agora, quase 3 de desemprego e um futuro de merda…
Passe bem.
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Desculpe… algures, no comentário anterior, deverá ler-se:- “não porque lhe deva explicações”.
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“Agora o que não pode insinuar, pelo primeiro comentário, seguido destes exemplos, é que se pode trabalhar nestas empresas tendo só direitos e não dando o litro, muito mais do que se dá nas outras empresas.”
o que também não se pode insinuar é que nas outras empresas só se de o litro e o único direito que se se é a um salário mínimo.
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Goodfeeling,
Obrigado por chover no molhado.
10contente,
Não sou empresário, estive desempregado há pouco tempo por vicissitudes do mercado e tenho um pai da sua idade que passou exactamente as mesmas provações, por isso compreendo completamente a sua situação pessoal. Compreenda que para dar uma opinião global, não se podem olhar a casos pessoais. O que escrevi foi feito num exercício de empatia (e não confundir com simpatia) para com quem está ao leme das empresas portuguesas. Todos os argumentos que uso, no entanto, não lhe dirão nada a si e isso eu também tenho dois dedos de testa para compreender.
Na minha visão do mundo: O futuro passará sempre pela educação, responsabilização e pela criação de expectativas legítimas nos nossos filhos (seus netos) e nunca pela desresponsabilização, por apontares de dedo aos “outros” e por esperar que alguém faça alguma coisa por nós, seja ele Estado, sindicato ou outra máquina qualquer.
Bem haja e boa sorte.
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Sr 10contente
Não o conheço, não sei detalhes sobre si, não sei da sua vida. Não quero parecer um lírico, a dar conselhos ocos e a falar do que não sabe.
Com 64 anos e 50 de trabalho … concerteza que existe alguma coisa em que o senhor é bom. Quanto mais não seja, já passou por uma série de situações em que teve que dar a volta ao texto: sair pela janela quando a porta estava fechada.
Isto não é o lugar, e esta nem é a forma, mas mesmo assim: espero que encontre um rumo que lhe torne o futuro menos desesperançado.
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Haja empregos.Trabalho não falta.
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este blog anda com pouca actividade…
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LR
Só me deu razão. Os empresários portugueses têm pouca cultura empresarial. O ensino é aquilo que se vê. Eles também provêm de “um país com vícios crescentes e qualificações em regressão, em que se promove uma cultura de lazer e facilitismo e nunca de trabalho e esforço”.
A pouca riqueza que se vai criando neste país deve-se aos baixos salários. É assim que se concorre com outras empresas.
JP Ribeiro
Os patrões são os primeiros a gostar do estado. os subsideos sabem bem. O curriculum também. Só não sabe é quando o estado fica a dever, porque acaba por pagar tarde, mas paga.
Gostava de ouvir um patrão a dizer: “Acabem com o sindicato que aumento-lhes o salário em 10, 20 ou 30 %”. Será que a existência de sindicatos é assim tão má? até existem no EUA..
Sinceramente, o ano em que fui mais aumentado foi quando deixei de pagar as quotas sindicais.
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Ou percebi mal ou o autor do post tem um óptimo emprego e nenhuma preocupação financeira. Ou isso ou acha que somos todos uma grupo de pessoas a sofrer de tédio cuja principal actividade é reclamar.
Há coisas que necessitam de mudar,urgentemente. Talvez tenha razão quando diz que muitos precários uma vez contratados serão enviados para o desemprego.Sem dúvida. Mas isso também tem que mudar!
Precaridade existirá sempre, aqui e em todos os países desenvolvidos. Mas fazer do precário a infra-estrutura duma sociedade parece-me o caminho certo para a destruição. Certamente não sabe o que é receber entre 500 e 700 euros por mês, ano após ano,certamente nunca foi descriminado por ser mulher,certamente nunca teve que entregar uma casa ao banco porque ser dispensado sem aviso porque a lei do RV não o exige e por não ter subsídio de desemprego,certamente nunca se sentiu frustrado por possuir 2 licenciaturas e nada mudar,certamente nunca teve que adiar a sua vida constantemente sem fim à vista. Ou simplesmente não sabe do que fala. Admitir que se é ignorante em certas questões também é uma virtude.
Bem haja.
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Uma perguntinha :
Se algum de voçês ganhasse por aí um dinheirinho , investia numa empresa e contratava pessoal , com direito a férias, licença de maternidade e paternidade , isto e aquilo e mais aqueloutro e dores de cabeça …,
ou metia num qualquer banco a render PARA NÃO SE CHATEAR com pessoas e seus problemas ?
( mentirosos )
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Trabalhadora Precária
Desculpe-me, mas pensou que essas 2 licenciaturas iam resolver num passe de mágica o seu futuro?
Sabe quem eu verdadeiramente admiro nesta vida? Os artistas. São as pessoas de maior coragem que pode haver. Eles optaram (ou foram par lá empurrados) por um modo de vida incerto e inseguro. Não estou a ver onde uma licenciatura os poderia ajudar… ou não servem (e ninguém os quer conhecer) ou então o papel que lhes verdadeiramente diz significado é o papel da vida deles.
Imagino um mundo em que tivessemos actores por decreto. Arrepiante.
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os portugueses conhecem bem os portugueses … por isso estão na apanha da maça na frança e não numa qualquer empresa tuga de trabalho temporário a catar pioneses á tarefa
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artista com futuro incerto ? essa agora ? e a casinha da CML , e o subsidiozinho lá dos camaradas do partido para aparecer nas campanhas … ora
artistas somos nós
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Vi a reportagem e fiquei com pena de não ver a Inspecção a ir aos Ministérios, Cameras, etc…
Claro que ela complicado politicamente… afinal a Inspecção depende do Governo…
Triste…
Mesmo assim valeu a pena para alertar mas claro que os exemplos foram maus,… tipo a empregada de Limpeza… enfim!!!
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Os artistas? Concordo, com excepção de todos aqueles artistas que vivem encostados no orçamento do estado a fazer espectáculos para meia dúzia de amigos.
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aqueles que têm casitas da cml ? e subsidiozitos do mecenas Estado ? e autarquias ?
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53, 55
Refiro-me a Artistas com maiuscula.
Parasitas há em todo lado.
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a votação está aberta.
Em: http://www.premiosprecariedade.net/
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lucklucky Diz:
“Então porque é que os trabalhadores não se transformam em empresários? Se os últimos são assim tão incompetentes não devem faltar oportunidades para ter sucesso.”
Porque deixavam de ter tempo e “flexibilidade” para vir aqui mandar bitaites acerca dos “diabólicos patrões” vs “santos empregados”? 🙂
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Rxc,
“De qualquer modo, não pode deixar de reconhecer que muitos ditos “empresários” são pouco mais do que merceeiros (metade deles com pouco mais do que a 4ª classe).”
O que não os menoriza em nada. Mostram pelo menos capacidade de iniciativa e de assumpção de riscos que falta à maioria dos licenciados.
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Goodfeeling,
“A pouca riqueza que se vai criando neste país deve-se aos baixos salários. É assim que se concorre com outras empresas.”
O nível salarial depende da produtividade e não o contrário, como muita gente pensa.
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Quem é que produz a riqueza neste país quem é que paga a função pública?
Se querem empresas com melhores condições para todos acabem com a globalização, impeçam as importações da China o colosso Comunocapitalista ou da Índia.
Tanta conversa mas não vejo esses sindicalistas criticarem a China onde se produz com custos baixos, onde se copia não respeitando patentes, onde os direitos humanos são mera ficção logo o dos trabalhadores utopia de intelectuais.
Interessante os críticos do capitalismo não verificarem que a sobrevivência do regime comunista Chinês se deve à adopção de práticas capitalistas agressivas sem regulamentação.
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O Senhor fala assim porque não sabe o que é o trabalho precário, e fique o senhor informado que andam por aí muitos jovens que não querem grandes salários, mas apenas um contrato de trabalho digno, com direito a férias, e direito a ter uma vida de trabalhador “normal”. Experimente visitar as condições das empresas de trabalho temporário e depois fale de leis laborais. Aprenda.
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O contrato de trabalho significa que o patrão compromete-se a tomar conta do trabalhador. Entretanto, não há ninguém que toma conta do patrão. É como na banda desenhada do Super-homem em que há alguém com poderes extraordinários que salva todos. Em Portugal ainda se acredita em banda desenhada e é por isso que a realidade é depois é tão dura.
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“mas apenas um contrato de trabalho digno, com direito a férias, e direito a ter uma vida de trabalhador “normal”.”
pois é, e quanto ao patrão? Já pensou que ele nunca, nunca, poderá ter essa vida relaxada que você tanto deseja, e quanto mais ele se comprometer com os trabalhadores, menos tranquilo ele ficará?
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Curioso … por volta das 19.00 o ritmo dos comentários caiu abruptamente.
O pessoal deve ter “despegado” do serviço.
Assim se demonstra na prática muito do que foi dito anteriormente!
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Há uma analogia que gosto de usar nestas coisas de empregos e afins: um emprego é como um casamento. Há deveres e direitos de ambas as partes. E, de igual forma, como no casamento, quando uma das partes não está bem, só tem é que “mudar-se”, ou fazer por isso.
Ora o problema é que há muita gente (de ambos os lados da questão) que acha que o contrato de trabalho é como o casamento católico, tem que durar “até que a morte os separe”. E o problema é que a lei, pelo menos até recentemente, também achava o mesmo.
Sim, sim, todos sabemos das histórias “horripilantes” de pessoas que foram despedidas sem ai nem ui, mas também há casos (e muitos) de gente que não sai das empresas nem à lei da bala. Usando a minha analogia, é como se um lado da questão achasse sempre que “os maridos são sempre uns bêbados porcalhões e que sovam a mulher” e o outro acha que “as mulheres são umas galdérias que não fazem nada e só merecem porrada”.
Enquanto não se perceber de uma vez por todas que há trabalhadores maus e bons, e empresários maus e bons, como em tudo na vida, não vamos sair deste impasse. Principalmente se a lei toma descaradamente partido de uma das partes (supostamente mais fraca).
O que a lei deve fazer é estabelecer as regras do jogo, punir os abusos de parte a parte, e deixar os juízos “morais” de lado. Um trabalhador, só porque é trabalhador, não é sempre a parte “mais fraca” numa relação “empresa/empregado”.
Por outro lado, os trabalhadores têm que perceber uma coisa: pessoas para “empurrar papéis” de um lado para o outro existem às dúzias. Centenas, dezenas, milhares. Com a evolução da tecnologia, hoje em dia já não faz muito sentido a figura do “arquivista” (que tratava de gerir o arquivo da papelada num escritório) ou da “dactilógrafa”. As pessoas têm que perceber que têm que ter uma de duas coisas: ou aptidões e conhecimentos que sejam uma mais-valia em relação aos outros “concorrentes”, ou então uma dedicação e esforço acima da média. É tão simples quanto isso. Se as pessoas escolhem o seu operador de telemóvel, ou o sítio onde cortam o cabelo com base na qualidade de serviço que obtém, porque é que não colocam esse mesmo empenho no seu próprio trabalho?
Antigamente, quando a maioria das pessoas mal tinha a 4ª classe, realmente devia ser difícil encontrar quem fizesse o trabalho de escritório como deve ser. Mas hoje em dia, um número esmagador de pessoas já tem mais do que a 4ª classe. Para um lugar num escritório “convencional”, há, teoricamente, centenas de pessoas, milhares, aptas a ocupar esse lugar. O que é que a distingue, no final de contas? O profissionalismo, a qualidade do seu trabalho, a sua atenção, a sua dedicação. E não, não é conversa da treta. Pessoalmente, não confio no trabalho de alguém que se distrai com tudo e mais alguma coisa, que faz o seu trabalho sem o mínimo de cuidado, sem atenção nenhuma, com erros grosseiros por todo o lado. E não, isto não é a excepção, há muito boa gente cuja forma de trabalhar é essa. Tudo a despachar, e vai como for, porque para quem é, bacalhau basta.
Porque é que é tão difícil perceber que todos somos “clientes/fornecedores” em relação a tanta coisa, especialmente em relação ao nosso emprego?
Porque é que a maioria das pessoas só está interessada em “ganhar o seu” e está-se literalmente a cagar para o resto (especialmente para o patrão)? Porque é que as pessoas não vêem o emprego como uma relação entre partes iguais, em vez de ser uma relação entre uma “empresa horrivelmente má e sanguinária” e o “singelo, simples, coitadinho, empregado”? O quê, e se a empresa for mesmo assim? Bom, só há uma saída: acabar com a “relação”. Mas, e será que o trabalhador tem qualidades para poder ser admitido noutro sítio? Pois, aí é que a porca torce o rabo. Aquela coisada toda da formação profissional e afins, afinal era capaz de ter dado jeito. Especialmente se se tivesse prestado atenção à mesma…
O tempo que em bastava apenas “dar o litro e já está” terminou. Hoje em dia, há milhares de pessoas dispostas a isso. Há que ir mais além. Voltando à analogia, casar não é só a mulher arranjar um homem que a sustente. É uma relação entre iguais: com deveres, obrigações e direitos de ambas as partes. Se o homem acha que lhe basta “sustentar a casa” e não dá mais nada à mulher (carinho, respeito, compreensão, etc), então está a meio caminho de levar um chuto no rabo. Atenção que a questão aqui não é o casamento ou o divórcio ou a sua facilidade/dificuldade. A questão está em passar-se de uma relação desiquilibrada (como era no passado o casamento) para uma mais equilibrada, em que cada parte tem responsabilidades para com a outra.
Para muito boa gente, “produtividade” só significa “cumprir o horário”. Ponto final. Enquanto se continuar a pensar assim, não vamos a lado nenhum.
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Ah, só mais uma coisinha: porque é que se diz tantas vezes que “lá fora é que os portugueses são bons”, e se fala tão pouco nos estrangeiros que são muito bons “cá dentro”? Será que tudo isto depende muito mais do esforço e mérito de cada um individualmente do que generalizações idiotas do género “lá fora é que os portugueses trabalham bem”? Será que o brio profissional e uma atitude séria de cada um em relação ao trabalho afinal contam muito mais do que o país onde se trabalha?
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“pois é, e quanto ao patrão? Já pensou que ele nunca, nunca, poderá ter essa vida relaxada que você tanto deseja, e quanto mais ele se comprometer com os trabalhadores, menos tranquilo ele ficará?”
tu deves ser é estúpida! apre, que não há pachorra para esta besta!
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“Um trabalhador, só porque é trabalhador, não é sempre a parte “mais fraca” numa relação “empresa/empregado”.”
Esta afirmação, no contexto português, só pode ser proferida por um alucinado.
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“rigidez das leis do trabalho”
Rigidez aí… não vejo quase nada.
Já rigidez em algumas cabecinhas que parecem andar muito no mundo da lua, isso de certeza. É com cada uma mais duro que a outra. Até os calhaus parecem macios.
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Conversa de quem é independente e bem sucedido ou dependente com contrato definitivo. Seja como for, é típico de quem inicíou a vida laboral há uns 10 anos. Fosse agora e já não dizia o mesmo. Essa treta da rigidez das leis de trabalho já enjoa. As entidades patronais que o dizem bem podem dar uma volta pois os paízes mais evoluídos da europa o são pela qualificação. Não é preciso descer ao nível dos chineses para ser mais competitivos. Dãaa
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Conversa da treta. Só.
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“Já rigidez em algumas cabecinhas que parecem andar muito no mundo da lua, isso de certeza. É com cada uma mais duro que a outra. Até os calhaus parecem macios.”
É porque você não se informa. Em termos de rigidez laboral Portugal aparece no fim da lista juntamene com a Polónia e mais 2 outros países. Estatisticamente, Portugal é um dos últimos da Europa tanto em liberdade de economia como em rigidez de leis do trabalho.
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1 – O artigo é (infelizmente) excelente
2 – Com as novas leis facilitadoras do divórcio, é mais fácil mandar à fava a mulher com quem se casou do que a mulher-a-dias
3 – Em tempos remotos, trabalhei numa empresa que estava na chamada “vanguarda da classe operária” (era fácil, tinha mercado protegido, assim que deixou haver benesses do poder, faliu). Nessa empresa, havia uns quantos senhores que tinham o seu gabinete, a sua prancheta, em suma o seu local de trabalho e que não estavam por lá. À pergunta ingénua que se impunha, a resposta era invariavelmente “É sindicalista, está no sindicato.” Em dez anos de empresa, vi essas pessoas meia dúzia de vezes. Consta que, entretanto, “no sindicato” foram fazendo pela vida, tiraram cursos, deixaram de ser “operários, vanguarda do povo, camponeses…” São doutores e engenheiros e alguns até estão em lugares de destaque. Diz que continuam a defender “o trabalho e os trabalhadores”.
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“O nível salarial depende da produtividade e não o contrário, como muita gente pensa.”
na China , Indonésia e India, a produtividade é quase nula, portanto.
“Quem é que produz a riqueza neste país quem é que paga a função pública?”
Quem paga impostos neste país, para se poderem subsidiar as empresas privadas?
Tanta conversa mas não vejo esses sindicalistas criticarem a China onde se produz com custos baixos, onde se copia não respeitando patentes, onde os direitos humanos são mera ficção logo o dos trabalhadores utopia de intelectuais.”
Não vejo empresários a dizer que não vão com a fábrica para a china, assim que podem.
Aliás até fomos anunciados na china como tendo mão de obra barata.
“Interessante os críticos do capitalismo não verificarem que a sobrevivência do regime comunista Chinês se deve à adopção de práticas capitalistas agressivas sem regulamentação.”
As mesmas práticas que levaram á CRISE MUNDIAL que começou nos USA.
No meio deve andar a virtude, digo eu….
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RMR
mto bom o seu comentário
o 2 é “mortal” , o 3 ” assassino”
bem visto
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“Quem paga impostos neste país, para se poderem subsidiar as empresas privadas?”
Bem, então é isso, o Estado é uma companhia altamente lucrativa que paga aos trabalhadores com os seus lucros, e estes por sua vez pagam impostos que servem para financiar as companhias privadas. Não sei por que então não se acaba com as companhias privadas de vez e passamos todos a trabalhar para o Estado!…
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“O contrato de trabalho significa que o patrão compromete-se a tomar conta do trabalhador. Entretanto, não há ninguém que toma conta do patrão. É como na banda desenhada do Super-homem em que há alguém com poderes extraordinários que salva todos. Em Portugal ainda se acredita em banda desenhada e é por isso que a realidade é depois é tão dura.”
Essa é boa. O patrão é um super homem negligenciado! Choro baba e ranho com pena.
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Sou empresário e emprego 3 pessoas, todas com contrato de trabalho e por isso durmo tranquilo mas devo ser muito burro.
Porquê?
Porque muitos empresários do mesmo ramo empregam a maioria do seu pessoal através de falsos recibos verdes, Inov-Jovens aldrabados e estágios de acesso á profissão não remunerados poupando assim uma fortuna em todo o tipo de despesas e responsabilidades sociais e tendo uma vantagem competitiva enorme por quebrarem impunemente a lei.
A “chatice” é que andam todos os meses a colocar anúncios para renovarem anualmente estas pessoas, não vão elas ficar empertigadas.
Esta semi-escravatura não destrói só a vida dos trabalhadores precários, CASTIGA todos os empreendedores que querem fazer o seu trabalho honestamente…
Por isso Sr.JCD tem toda a razão não há nada melhor para a economia do que a escravatura (é de borla uau!) e a quem pensar constituir empresa nem lhe passe pela cabeça ter alguém com condições é que os precários são uma MINA- é aproveitar enquanto ninguém reclama!
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Se os precários não votassem … isso era gingas .
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NOm de Guerre:
Não é voçê que está errado, são os outros. Mas não pense que faz algo de extraordinário só porque muitos não o fazem. Voçe faz o que é seu dever fazer e os outros que não o fazem mais tarde ou mais cedo hão de responder por isso. Rende mais um trabalhador bem formado que trabalha no mesmo sitio há uns três anos do que um novato todos os anos. POr vezes o barato sai caro.
Durma descansado que o sucesso pertence aos inteligentes e não aos chico-espertos.
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Nom_de_Guerre Diz:
“Por isso Sr.JCD tem toda a razão não há nada melhor para a economia do que a escravatura (é de borla uau!) e a quem pensar constituir empresa nem lhe passe pela cabeça ter alguém com condições é que os precários são uma MINA- é aproveitar enquanto ninguém reclama!”
E quando reclamarem é fechar a porta e zarpar daqui para fora.
Assim, quando o vigarista-mor do reino quiser continuar a extorquir tudo o que mexe para adjudicar TGVs que vão andar ás moscas e cidades aeroportuárias novas, depois de espatifar mais uns valentes milhões com terminais e linhas de metro novas para um aeroporto “velho” como se lhe nascessem petro-dólares no quintal, que o pague com as quotas dos sócios lá da agremiação xuxialista.
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“Essa é boa. O patrão é um super homem negligenciado! Choro baba e ranho com pena.”
Pois é, por isso mesmo muitas vezes fecha as portas e os empregados vão para o olho da rua. Depois, aí choram todos com muito pena dos empregados mas, como sempre, é tarde demais.
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“Pois é, por isso mesmo muitas vezes fecha as portas e os empregados vão para o olho da rua. Depois, aí choram todos com muito pena dos empregados mas, como sempre, é tarde demais.”
O patrão fecha as portas porque não apostou na qualidade do produto/serviço, porque não se actualizou, porque não inovou, porque não aprendeu formas de manter a relação preço/qualidade, porque pensou que se calhar era melhor sobrecarregar o bom empregado do que contratar dois quando assim era preciso, porque não sabe que o maior nº de horas de trabalho não é igual a produtividade, porque desconhece que o empregado bem formado e motivado torna o seu produto melhor, porque achou que se o contratasse a recibos verdes não “perdia” dinheiro mas se este for bom vai perde-lo para quem lhe der casa e se for mau vai estar nas tintas para a casa que não é dele. Em suma, o patrão fecha as portas porque é ignorante, incompetente, teimoso. Ele não precisa de ser um super-homem para cumprir o código laboral. Só tem de ser inteligente. A melhor maneira de cuidar de si é fazer com que os que cuidam do seu negócio se sintam bem a faze-lo. Agora essa de que as regras laborais são muito rigidas é que não tem nada a ver. Dá entender que para o empregado estar bem, o patrão tem de estar mal e vice-versa. O que não faz sentido. POr isso é que as empresas que descobriram isso estão bem e as outras estão ou ficarão mal a médio prazo.O nosso código é (apesar de já ter sido mais) equilibrado. O insucesso patronal não tem a ver com o trabalhador tem a ver com o patrão. Este sim devia ter acções de formação. A ideia do vamos “trabalhar de graça” para que o patrão não feche a casa está “de modé”, a ideia do “vamos trabalhar como chineses” para competir com eles é de um retrocesso atroz. Não somos nós que temos de descer ao nível deles. Eles é que terão mais dia menos dia que subir ao nosso. E convém que nessa altura nós já tenhamos subido mais um patamar e apreendido o que “qualidade” quer dizer.
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Pode inventar as explicações que quiser. Os factos sao que Portugal é dos países da Europa com mais rigidez laboral. Mais do que um estudo internacional aponta para esse facto. Os investidores consideram que um dos maiores riscos é o custo de empregar pessoas em Portugal devido às rigidas leis do trabalho. Assim, também nao admira nada que haja muitas falências, que os investidores fujam e que a economia portuguesa demonstre um dos mais fracos crescimentos da Europa. Nao tarda estaremos em ultimo lugar dos 27. Nao sao interpretacoes, é o que as estatisticas mostram e o que esta a acontecer mesmo debaixo dos nossos olhos.
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não vale a pena discutir com quem não tem experiência empresarial e nunca teve preocupações com assalariados e ordenados e impostos ao fim do mês , Tina. é tempo perdido. e fiquem sabendo , senhores defensores dos coitadinhos dos empregados , que andamos a empregar pessoal que sairam de uma escola em que passam todos. e que vivem num estado em que se não trabalharem , recebem um subsidio prós cigarros. imaginem o que podem valer pessoas que não necessitam de esforçar para passar ou sobreviver. 450 euros? é demais.
desçam à terra.
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Mia , olhe lá a indústria automóvel. tem tudo aquilo que diz que uma empresa precisa, explique lá então porquê estão muitas de mão estendida pró estado? abra uma empresa , contrate pessoal , mexa-se no mundo da oferta e procura , no mundo das crises ciclicas , e depois venha cá mandar bitaites.
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Ou no mundo da banca . Mia. ele foi só inovação. clientes não faltaram. e o citigroup vai despedir milhares , não vai? e a AIG também. Teorias , ideologias , são bem bonitas , mas nada têm a ver com o mundo real.
Ps) tenho obrigação de aumentar os meus funcionários efectivos à medida que vão perdendo capacidade produtiva. é verdade. A , B e C e D , estão velhos , arrastam-se lá pelo local de trabalho , mas tenho de lhes pagar mais que a X e Z ,que até produzem mais , mmas estão lá há pouco tempo. Como não quero repetir a experiência de pagar muito por pouca produção , X e Z , vão lá estar o tempo do contrato.
E A , B e C , não se podem queixar: toda a sua produção foi remunerada com um salário. Agora , pronto , tão velhos e eu tomo conta deles. Fazem pouco , mas pago-lhes ( lei obriga) como se trabalhassem muito.
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tina :
Diz que os factos sao que Portugal é dos países da Europa com mais rigidez laboral.
Gostava de ver um estudo de direito comparado entre legislações laborais europeias que corraboragem esses factos. Se poder indique-me um. Paízes onde a licença de maternidade chega a 2 anos e onde os subsídeos são bastante superiores, serão mais rigídos que o nosso?.
“Os investidores consideram que um dos maiores riscos é o custo de empregar pessoas em Portugal devido às rigidas leis do trabalho”
Por isso é que muitos produzem na India e na China – e sim, lá a economia apresenta um crescimento mas a que preço! E continuo a entender que a médio prazo terão que apostar na qualidade ou não conseguirão manter esse crescimento. Claro que quando comparada às leis de trabalho de lá qualquer legislação é rigída. No entanto, não nos tevemos comparar a países subdesenvolvidos nessa matéria. A não ser que pretenda que voltemos à era da revolução industrial Inglesa onde os direitos sociais eram praticamente inexistentes.
Assim, também nao admira nada que haja muitas falências, que os investidores fujam e que a economia portuguesa demonstre um dos mais fracos crescimentos da Europa. Nao tarda estaremos em ultimo lugar dos 27. Nao sao interpretacoes, é o que as estatisticas mostram e o que esta a acontecer mesmo debaixo dos nossos olhos.
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O ultímo parágrafo é da Tina.
Se ficarmos em ultimo lugar dos 27 é porque não nos modernizamos a tempo, porque continuamos com a mentalidade do Zé da Tasca que quando se vê a rasca começa a comprar mais barato e a contratar mão de obra menos qualificada para ver se safa.
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Anónimo:
Também a banca está de mão estendida para o Estado e não é por isso exemplo. Sobretudo numa altura de crise. Além disso a nossa industria modernizou-se tarde. Há quanto tempo é que se ouve falar da formação dos operários? Só quando o Estado começou a subsídia-la. Antes disso muitas empresas já o faziam por si mesmas tornado dificíl competir com elas. Quantas sedes de Industria automóvel temos cá? Não nos estaremos a tornar lugares de exploração de mão de obra barata? Andamos a dizer “venham que há poucos sitios na europa onde paguem tão pouco” e depois admiramo-nos quando elas vão para uma litónia, Ucrania ou outro mais pobre que nós? Será que a solução passa por pagar ainda menos que estes?
Parece-me que não. Haverá sempre aum lugar mais fácil de explorar. O que temos que apostar é na qualificação das pessoas e qualidade de produtos – de preferência nossos e inovar. Não é responder a necessidades do mercado mas cria-las.
Veja o que o Bill Gates, a Nokia, ttêm a dizer sobre o assunto e…”e depois venha cá mandar bitaites.”
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Anónimo diz
“tenho obrigação de aumentar os meus funcionários efectivos à medida que vão perdendo capacidade produtiva. é verdade. A , B e C e D , estão velhos , arrastam-se lá pelo local de trabalho , mas tenho de lhes pagar mais que a X e Z ,que até produzem mais , mmas estão lá há pouco tempo.”
E eu pergunto:
– o que é que aconteceu para os seus funcionários estagnarem no tempo?
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É absurdo considerar rígida a lei laboral portuguesa. Quase todos (se não todos os conhecidos) os mecanismos de flexibilidade encontram hoje previsão e regulamentação próprias, seja nas ditas mobilidades (de local de trabalho, de funções), ou nos períodos e tempos de trabalho. No projecto de revisão do Código do Trabalho, avançam-se estes instrumentos pendendo para os interesses dos gestores e empresários. Do que aqui li, portanto, resulta que os defensores da lógica da rigidez da lei laboral estão equívocados quanto ao seu conteúdo, identificando mecanismos de gestão laboral flexiveis com despedimento arbitrário. Aliás, por dever de ofício que me leva a conhecer as várias realidades laborais (das micro às grandes empresas), a conclusão a que sistematicamente chego é a de que as queixas dos empresários são motivadas apenas pela ignorância acerca da legislação do trabalho que temos… que, como é óbvio, aumenta consoante a menor dimensão da “empresa” que possuem. Mesmo nos despedimentos, estão lá todas as ferramentas de ajuste da gestão ao mercado. Claro que dizer à “patroa dos serviços de limpeza” que quando perder um local de trabalho terá que promover um despedimento colectivo ou a extinção de posto de trabalho, é o mesmo que dizer que o ponto mais alto de Portugal é na Ilha do Pico… Só que, eu, quando estou doente sem saber do quê, não me automedico, e muito menos vou ao veterinário. Por isso já não me espanta que continue a ladainha da maior flexibilidade quando o que se quer é, em suma, despedir “porque dá cá aquela palha”… Mesmo aí, o novo “período experimental” de 180 dias vai fazer furor entre nós. Seis meses!!?? Serão mesmo necessários para saber se alguém tem o perfil adequado a uma qualquer função??? É rir pra não chorar…
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Bom dia,
Li o texto e li quase todos os comentários. Sinceramente acho que todos têm razão à sua maneira: por um lado acho que há muitos empresários que não compensam os trabalhadores, por outro lado vejo muito boa gente que está efectiva e não se esforça minimamente no emprego porque “eu quero é o meu ordenado ao fim do mês”. Isto até é um insulto para quem quer trabalhar e não arranja trabalho…
No entanto, acho que isso não deve servir de justificação para promover a precariedade laboral. Já que os exemplos da resportagem não foram os melhores, então vejam este exemplo dramático:
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2008/11/testemunho-arquitecta-com-cancro.html
«Arquitecta há mais de dez anos (a recibos verdes claro) num atelier internacionalmente reconhecido, deparo-me agora com uma situação que nunca passei atravessar: um cancro de mama.
Sempre descontei para a segurança social (do meu bolso claro) e esta oferece-me agora uma “baixa” ridícula: posso ficar em casa até 12 meses, sem pagar a prestação à Segurança Social e sem direito a qualquer tipo de remuneração.
Deve-se ter em conta que um tratamento oncológico deste tipo demora cerca de um ano e meio… e a pseudo-baixa é de um ano!
No entanto, se trabalhasse por conta de outrem a mesma baixa poderia alongar-se até três anos. Deduzo então que o Estado parte do princípio que os profissionais liberais (forçados ou não) têm mais saúde e podem alegremente trabalhar entre quimioterapias e nos pós-operatórios.
Vivo neste momento da caridade. Da família e da entidade patronal, apesar das suas ameaças de despedimento. Para que não seja despedida tenho ido trabalhar quando na verdade só me apetece ficar em casa a descansar e a enjoar…
Para além do processo de cura ser doloroso, passo os dias a pensar que não escolhi ter um cancro mas alguém escolheu não me fazer a m**da de um contrato de trabalho e, mais uma vez, não posso contar com o Estado.
Acrescento ainda que tenho um bebé.
Vou iniciar uma acção jurídica contra a “entidade patronal” pois acredito que todo o dinheiro que me devem será o meu meio de subsistência nos próximos tempos.»
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Acha você que as gorjetas nos restaurantes chegam para pagar a segurança social.
Julga o senhor que precaridade não é má, e se fosse possível despedir a torto e a direito esta seria ainda melhor, com um mercado “flexível”.
Pense lá bem e veja se isto não é um bocado descabido. Ponha a mão no peito e, como bom cristão que é, pense lá se o que escreveu não é, vá, insensível..ou desrespeitador ou até ridículo, como escrever “camera”…
Isto é um bocado como as armas. Se toda a gente tivesse uma em casa, não havia estas chatices com as pessoas que não as têm e depois levam tiros. O homicídio não é em si mau, só o é quando nem toda a gente o pratica.
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