Por favor, não façam perguntas ao presidente
Numa democracia liberal os cidadãos são o soberano. Logo, quando o soberano faz perguntas, os detentores e cargos públicos têm é que responder. O que é que aconteceu quando alguns cidadãos começaram a fazer perguntas sobre as ligações de Cavaco Silva ao BPN? O próprio Cavaco Silva deu o tom. Fazer perguntas ao presidente é uma atitude condenável, sobretudo quando feitas por jornalistas cuja função deve ser tudo menos perguntar. O jornalista que se preze não faz perguntas ao presidente. Os cavaquistas seguiram o líder tentando suprimir a discussão. “Quem faz perguntas ao presidente só pode ser um idiota”. “As perguntas são lamentáveis”. “Porque é que não fazem perguntas ao Mário Soares?” “As perguntas atacam a honorabilidade do presidente”. “Sim, o presidente tem umas ligações pouco recomendáveis, mas o PS também as tem”. “Essa pergunta não tem importância nenhuma, logo não deve ser feita”. “Quem faz perguntas ao presidente é porque tem segundas intenções”. “Porque é que não fazem antes perguntas ao Sócrates?”

Um post sobre o sintoma, bom para nunca se resolver o problema.
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OH JM,
Lá vem Você querer ganhar o prémio do “post” com mais comentários!
1. Cavaco Silva não tem uma atitude diferente da que teria Sarkozy, Bush ou Eduardo dos Santos.
2. Os jornalistas denotam sistemáticamente que estão mal preparados. Os jornalistas queriam que CS demitisse DL, mas não leram o Estatudo do Conselho de Estado, que impossibilita a demissão de qualquer dos seus membros.
3. Quanto ao PR ter ligações pouco recomendáveis. Até é verdade. Mas, haverá algum PR que não tenha ligações pouco recomendáveis? O sistema Democrático tem destas coisas, deixa na rua, gente com calibre mais do que duvidoso. Então, já que se fala tanto em BPN, e não se pergunta porquê que o Senhor Engenheiro Jardim Gonçalves ou o Dr. Teixeira Pinto ou o Dr. Pinhal não são incomodados com as variadas jogadas em efeito off-shore? Será que há “pessoas” inimputáveis? Será que nem todos são iguais perante a Lei? A estas respostas deveria responder o PR, o Presidente do STJ, o PGR, o PM, e sobretudo o Parlamento que deveria ser o Órgão máximo de escrutínio da sociedade.
Mas, ok, JM, Você vai ganhar o prémio do “post” mais comentado do dia!
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E assim, nos aproximamos de Itália….
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Hevel,
Antes fosse. Lembro-me que em Itália, Craxi teve que se exilar. Andreotti, salvo erro, foi preso. O PSI e a DCI acabaram.
Bem sei, que agora lá está o Papa Berlusconi, mas é preciso que o sistema democrático vá tendo uma diarreia, de vez em quando, se não….dá-se a obstipação! E esta pode ser mortal.
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A atitude mais risível, como sempre, vem de Vital Moreira, sobre o poder majestático do presidente da República.
Dá-lhe conselhos. Lembra-me inevitavelmente a figura de palafreneiro.
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Em que a mula é a Cooperativa, claro.
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O cavaquismo foi julgado politicamente em 1995, com a maioria de Guterres.
Depois disso, o próprio Cavaco escreveu a hagiografia da sua própria figura, no regime que estruturou, onde apresentou números e factos indesmentíveis do “pogresso”.
Esqueceu que a História, para ser bem feita, precisa de tempo.
Mais de dez anos depois, é tempo disso, até para não repetirem as figuras e os erros do passado.
Estes nomes na berlinda, são os fautores do descalabro.
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O José Manuel Fernandes acha que isto é um despautério que coloca em perigo o regime.
Outro palafreneiro.
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Essa da democracia liberal é a melhor piada do dia…lololol.
Valha-nos que no Parlamento já estão a tomar medidas. Ou, melhor, a pensar nisso. ( Público ).
Cumprimentos.
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Ressuscitou, aleluia!
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Confusões sofísticas, como é costume do JM.
“Os cidadãos” é coisa que não existe. “As perguntas” também não. O que existem é pessoas individuais que fazem perguntas singelas. Umas pessoas são inteligentes, outras não. Umas perguntas são inteligentes, outras são estúpidas. Umas opiniões são inteligentes, outras não.
Um indivíduo, seja ele qual fôr, e com maior razão um presidente da república, não pode estar a responder a todas as perguntas que todos os cidadãos lhe fazem, incluindo a perguntas estúpidas de cidadãos mal-intencionados.
Isto é óbvio.
Se os cidadãos não estiverem contentes, têm um direito: votar contra nas próximas eleições. Eu, por mim, nunca votei em Cavaco nem tenciono vir a fazê-lo. Mas também não o vou criticar por ele não responder a perguntas parvas de gente mal-intencionada.
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Reparo que os posts do JM costumam gerar dezenas de comentários. O JM não responde a cada um desses comentários. Naturalmente, porque considera alguns desses comentários estúpidos ou, de alguma outra forma, indignos de uma resposta.
Mas o JM não aplica os mesmos padrões ao presidente da república. Para o JM, Cavaco Silva deveria gastar todo o seu tempo (e não lhe chegaria!) a responder a todos os comentários e a todas as perguntas de cada um dos cidadãos.
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“não pode estar a responder a todas as perguntas que todos os cidadãos lhe fazem,”
Isto é a prova da desonestidade do Luis Lavoura. Confunde as perguntas legítimas feitas sobre o caso BPN com “todas as perguntas de todos os cidadãos”. Recurso sofístico lamentável. Serve para confundir, ademais propositadamente. Vergonha.
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“Mas o JM não aplica os mesmos padrões ao presidente da república.”
Desonestidade outra vez. Compara os leitores do blasfémias a cidadãos de uma democracia. Brilhante!
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o presidente é o bode expiatório das degraças deste país
os governantes estão todos limpos
espero que te possam pagar o ordenado e a reforma
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“Mas também não o vou criticar por ele não responder a perguntas parvas de gente mal-intencionada” (Luís Lavoura)
E se forem perguntas parvas de gente bem-intencionada, já pode?
E se forem perguntas inteligentes de gente mal-intencionada, já pode?
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O Povo é sereno. Mas se calhar…o José Manuel Fernandes sabe do que fala.
Ou então já ando eu todo confuso. São muitas notícias ao mesmo tempo. Mesmo quando ele tem lá gente geralmente bem informada em certos ” meios “.
Cumprimentos.
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a imagem que tenho do sr. silva não sai minimamente bliscada desta polémica… já está tão por baixo, que para mudar de psição tem que utilizar uma tuneladora… votram nele, aturem-no!
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Spartakus,
Tiros certeiros.
Com respostas ou não da classe política, não podemos desistir.
Quanto à força do voto, é um facto. Mas, é preciso levar a informação às pessoas, já que há por aí muito sonolento…..a dormir sobre Magalhães e outros fait divers.
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A propósito, JM, não quer perguntar ao Parlamento, porquê que Portugal gastou 200 milhões de euros numa treta chamada de “Magalhães”? É que 200 milhões de euros, até dariam uma boa ajuda ao Dr. João Rendeiro!
E já agora, para que servem os Deputados da Nação? Ainda recentemente, vi o Sr. Bernanke, o Sr. Paulson e o Sr. Gheitner a serem bombardeados na Comissão do Congresso Americano!
Aqui, só vi o Sr. Portas (é inconveniente, mas é verdade) a incomodar o Todo Poderoso Vítor, sob a completa ineficiência do Regulador Bancário.
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Aliás, vi gente a comentar a inocrrecção do Sr. Portas, e até a falta de educação do referido Sr., face ao Dr. Vítor!
Repare, JM, aqui, até a fazer perguntas, temos que ser atenciosos. Muito delicados mesmo. E até para aqules que são altamente ineficientes.
Perguntar? Para quê? Temos que respeitar os poderes constituídos….
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Bem apanhada essa do Congresso americano. As comissões de inquérito, por lá, são mesmo para fazer perguntas certas, pertinentes, informadas, concretas e a exigir respostas no mesmo tom.
Por cá, temos o Vítor Batista. E outros. Lá dentro. Cá fora, temos os palafreneiros da mula da Cooperativa que não admitem questões ao poder majestático.
Isto até dói, de ridículo.
E diz mais sobre o conceito de democracia dos palafreneiros, do que muitas crónicas e postais.
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O Portas foi o único que se preparou como deve ser e teve uma interpretação notável a todos os títulos. Vi toda a intervenção e fiquei de boca aberta de espanto.
Espero que se algum dia se colocar a questão dos submarinos e a questão da condecoração pelo Rumsfeld, Portas tenha o mesmo tom…
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intelectualmente desonesto
“picou-se” com as críticas
gosta de criticar, mas não de ser criticado
ficou estado crítico
PQP
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O problema das perguntas, é que quase ninguém acredita nas respostas. Há pessoas que se fartam de dar explicações e negar e ninguém acredita nas respostas. Assim para que é que perguntam se não aceitam à partida as respostas quaisquer que elas sejam? lol
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O falecido João César Monteiro, tinha uma expressão que dava todo o programa do absurdo surrealista que não o é de todo:
“se não sabe, porque pergunta?”
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Há perguntas e perguntas.
Neste caso, como é fácil de ver, a coisa é mais “intelectual” do que o post do amigo JM quer transmitir. A ideia é atacar o PR nem que para tal seja preciso inventar.
Exemplo:
“Fontes conhecedoras do processo referem que a onda de rumores teve lugar nas últimas três semanas. Começaram por ser notícias inexactas e, por isso, merecedoras dos respectivos desmentidos, mas evoluíram para informações que procuravam relacionar a figura do Presidente com o BPN. Chegou a ser perguntado se Cavaco Silva tinha sido assessor do BPN, o que pressupunha que teria tido vencimento e gabinete no banco. Mas, os rumores foram mais longe ao procurarem implicar familiares do Presidente com o BPN. Matéria sobre a qual Presidência tem, por regra habitual, não se pronunciar.
O dia 8 marcou o início deste ciclo de rumores, com notícias publicadas no “Sol”, onde se dizia que “nos últimos meses, o Presidente recebeu em Belém accionistas e responsáveis do banco” BPN, e no “Diário de Notícias”, onde se referia que Alberto Queiroga Figueiredo, accionista da SLN, “fez parte da comitiva que Cavaco Silva levou à Rússia em 2007”. Ambas foram desmentidas, com a particularidade de Cavaco não ter ainda visitado a Rússia enquanto Presidente da República. O “Diário de Notícias” veio mesmo reconhecer, na última segunda-feira, que “foi um dos jornais que questionou” Belém sobre “a eventual ligação” de Cavaco ao BPN”
Fonte: http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/destaque/pt/desarrollo/1187210.html
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o cavaco não pode demitir o loureiro….
mas pode resignar!
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Não há mal nenhum em perguntar; essa é a função de quem exerce a função de informar. Mas que o façam em função da importância dos factos e não da cara do sujeito que importa chatear! É que há por aí tanta porcaria, que não devia passar despercebida, sem que que mereça a atenção desses profissionais, enquanto sobre outras os holofotes permanecem até à exaustão. No caso, não é preciso grande sagacidade para verificar a tentativa de cerco.
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http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=1050706
Olha, o espiao é portugues!
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A minha pergunta é como é que é possível que a SLN não soubesse que era dona do banco insular. E como é que é possível que se não soubesse, quando ficou a saber, não processou ninguém por tal facto. É tudo um mistério.
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É perfeitamente legítimo que se pergunte. É perfeitamente aceitável que quem não tem rabos presos nem de palha, se questione sobre estas figuras de regime e que procure saber como chegamos onde estamos.
A culpa deste forrobodó não é toda do Sócrates da Independente. Esse, é apenas o sintoma, o resultado do que vem detrás.
E é preciso saber quem lhe preparou o caminho para o poder, quem lhe desbravou as veredas dos corredores deste ersatz de democracia que é a nossa, onde estão sempre os mesmos a mandar e a mamar: os da Cooperativa.
Logo, fogo no plesidente de todos os portugueses, por causa desta trapalhada com os seus amigos de peito.
Não há bonzos em democracia. Não há intocáveis no exercício do poder em nome de todos. Não há majestados neste reino republicano, a não ser para quem inverte os termos e exige majestade, num regime republicano, por não querer ser mais do palafreneiro. Sob a pele de jacobino que ainda é pior.
Churchil foi um estratega da II Guerra. Mas perdeu as eleições logo a seguir.
A principal regra da democracia, a seguir ás básicas, é a alternãncia.
Logo: andor! Toca a andar, dêem o lugar a outros.
Os palafreneiros continuarão a tratar das albardas.
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“Porque é que não fazem antes perguntas ao Sócrates?”
pois muito bem, quando é que o plano de salvação da Matematica, com tão bons resultados estatisticos nas nossas Escolas-Magalhães é implementado ao Governo!
via Madeira
http://www.ultraperiferias.blogspot.com
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Não foi o tipo quem disse que a má moeda tinha o condão de afastar a boa?
Então, toca a provar da sua própria receita.
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João Miranda
Um excelente tema para o seu próximo artigo no DN.
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O João Miranda quer bater o recorde da idiotice (e de comentários) atingido com os posts sobre o assalto ao BES. Está no bom caminho.
Só um apontamento: meias-verdades e algumas mentiras misturadas com hipocrisia e embrulhadas em retórica da treta só na sua cabeça podem resultar em argumentação sustentável.
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É só fumaça, é só fumaça.
(Onde é que eu já ouvi -e vi- isto?)
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Os cidadãos, numa democracia liberal, sentem que são eles que detêm verdadeiramente o poder politico. Numa democracia liberal aqueles que ocupam os cargos políticos sabem que têm a obrigação permanente de prestar contas aos cidadãos. Numa democracia liberal são os media que detêm o papel mais importante nessa intermediação entre representados e representantes.
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Percebe-se que em Portugal a democracia liberal ainda não está bem enraizada. As pessoas ainda veneram e reverenciam os presidentes como se tratassem de cidadãos de outra estripe.
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Em Portugal, abundam os palafreneiros do poder majestático.
Foi assim mesmo que foi considerado: poder majestático.
Ridículo? Não: patético.
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Acho que João Miranda tem toda a razão.
Já agora, e na mesma linha do que escreve, aqui fica um extracto da crónica que Alfredo Barroso publica hoje no seu blogue [aqui]:
«(…) é um facto que o doutor Dias Loureiro foi um dos colaboradores mais próximos do professor Cavaco Silva, no PSD e no Governo. É um facto que o doutor Dias Loureiro é um dos cinco conselheiros de Estado designados pelo actual Presidente da República. É um facto que o doutor Dias Loureiro tem andado a fazer em público uma triste figura. É um facto que a triste figura que ele anda a fazer incomoda muito o Chefe do Estado.
(…)
O Chefe do Estado não pode ser julgado pelos amigos que tem, mas tem a obrigação de os pôr na ordem e demarcar-se deles quando fazem em público tristes figuras. Sejam eles o doutor Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira e líder do PSD na Região, ou o doutor Manuel Dias Loureiro, conselheiro de Estado e ex-secretário-geral do PSD.
Em democracia, ninguém está acima de qualquer crítica ou de qualquer suspeita. Nem mesmo o Chefe do Estado, seja ele quem for. O professor Cavaco não é uma flor de estufa. E o doutor Dias Loureiro não é flor que se cheire»
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«Não foi o tipo quem disse que a má moeda tinha o condão de afastar a boa?»
E onde é que estará a boa, José?
No meio daquela “palafreneirice”, nem com candeia nem com toda a luz da EDP a encontraríamos.
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Caro C. Medina Ribeiro,
Não sei por que cita esse tipo. Se não é tio dele não tem obrigação nenhuma…
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“E onde é que estará a boa, José?
No meio daquela “palafreneirice”, nem com candeia nem com toda a luz da EDP a encontraríamos”.
Só pondo o autoclismo a funcionar.
Não me parece que Passos Coelho, Pedroso, Seguro ou Paulo Rangel, sejam as “luzes” no meio do esterco!
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No fundo, o Alfredo Barroso atira pedras ao Loureiro, como o Portas atira pedras ao Vítor!
Terão razão? Têm. Mas, o pior é que também eles não serão exemplos para ninguém. Nunguém, absolutamente ninguém.
Por que no te callas, Alfredo?
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J:
Tal e qual.
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A propósito de Religião e, já agora, de crise financeira internacional, do caso BPN, da licenciatura do Sócrates ou do aquecimento global…
COMO, NAS ÉPOCAS DE IGUALDADE E DE DÚVIDA, IMPORTA FAZER RECUAR O OBJECTO DAS ACÇÕES HUMANAS
(Transcrito de Alexis de Tocqueville, “Da Democracia na América”, pp 651-653, obra publicada originalmente no ano de 1838)
Nos séculos de fé, coloca-se a finalidade da vida para além da vida.
Portanto, os homens dessas épocas acostumam-se naturalmente e, por assim dizer, de forma inconsciente, a considerar durante uma longa série de anos um objectivo fixo que perseguem sem cessar e, através de insensíveis progressos, aprendem a reprimir mil pequenos desejos passageiros para melhor conseguirem satisfazer esse grande e permanente desejo que os atormenta. Quando querem ocupar-se dos afazeres terrenos, reencontra-se esses mesmos hábitos. Eles fixam voluntariamente uma finalidade geral e segura para as suas acções neste mundo, e é para essa finalidade que orientam todos os seus esforços. Não os vemos, de modo algum, entregarem-se todos os dias a novas tentativas; possuem antes desígnios fixos que não se cansam de perseguir.
Isto explica por que motivo os povos religiosos realizaram frequentemente coisas tão duradoiras. Ao ocuparem-se do outro mundo, encontraram o grande segredo para triunfar neste.
As religiões criam o hábito geral de se agir tendo em vista o futuro. Nesse aspecto, não são menos úteis para a felicidade desta vida do que o são para a felicidade da outra. É essa uma das suas maiores vertentes políticas.
Porém, à medida que as luzes da fé se obscurecem, a vista dos homens fica mais limitada e dir-se-ia que cada dia o objecto das acções humanas lhes parece mais próximo.
Uma vez acostumados a não mais se preocuparem com o que acontecerá depois da sua vida, vemo-los caírem facilmente nessa total e brutal indiferença pelo futuro que, aliás, se adequa lindamente a certos instintos da espécie humana. Logo que perdem o hábito de colocar as suas principais esperanças a longo prazo, são naturalmente levados a querer realizar o mais rapidamente possível os seus menores desejos e, tendo abdicado do desejo de viver uma eternidade, parecem estar dispostos a agir como se fossem viver apenas um dia.
Assim, nos séculos de descrença é sempre de recear que os homens se entreguem constantemente ao acaso diário dos seus desejos e que, renunciando completamente a obter aquilo que só pode ser conquistado à custa de longos esforços, não venham a fundar nada de grandioso, pacífico e duradoiro.
Se, num povo animado por este estado de espírito, o estado social se tornar democrático, o perigo que assinalei crescerá ainda mais.
Quando cada um procura mudar incessantemente de lugar, quando uma enorme concorrência se abre a todos, quando as riquezas se acumulam e desaparecem num ápice no meio do tumulto da democracia, então a ideia de uma fortuna súbita e fácil, de grandes bens facilmente adquiridos e perdidos, enfim, a imagem do acaso, ocorre, sob todas as suas formas, ao espírito dos homens. A instabilidade do estado social favorece a instabilidade natural dos desejos. No meio destas eternas flutuações do acaso, o presente cresce e esconde o futuro, que se apaga, e os homens apenas querem pensar no dia seguinte.
Nos países onde, por uma infeliz concorrência de circunstâncias, a descrença e a democracia se encontram, a grande tarefa dos filósofos e dos governantes deve ser a de procurarem constantemente levar mais longe o objecto das acções humanas aos olhos dos próprios homens.
Ao fechar-se no espírito do seu século e do seu país, é preciso que cada moralista aprenda a defender-se. Cada dia deve esforçar-se por mostrar aos seus contemporâneos como, no meio do movimento perpétuo que os rodeia, é mais fácil do que supõem conceber e executar longos empreendimentos. Deve mostrar-lhes como, apesar de a humanidade ter mudado de fisionomia, os métodos pelos quais os homens podem procurar a prosperidade deste mundo continuam a ser os mesmos e que, nas sociedades democráticas, tal como nas outras, só resistindo a mil pequenas paixões pessoais de todos os dias é que se pode chegar a satisfazer o anseio geral pela felicidade.
A tarefa dos governantes não é menos clara.
Em todas as épocas, é importante que todos os governantes se deixem guiar pelo futuro, mas isso é ainda mais necessário nos séculos democráticos e de descrença do que em todos os outros. Ao agir desta forma, os chefes das democracias não só fazem prosperar os assuntos públicos, mas também, através do seu exemplo, ensinam aos particulares a arte de bem gerir os assuntos privados.
Eles devem, sobretudo, esforçar-se por banir, o melhor possível, o acaso no mundo político.
A ascensão súbita e imerecida de um cortesão apenas causa uma impressão passageira num país aristocrático, porque o conjunto de instituições e das crenças obriga geralmente os homens a caminharem lentamente por vias das quais não podem apartar-se.
Mas não existe nada de mais pernicioso do que a visão de tais exemplos por um povo democrático. Eles acabam por precipitar o seu coração para um abismo que tudo arrasta. Portanto, é principalmente nos tempos de cepticismo e de igualdade que se deve evitar cuidadosamente que as preferências do povo, ou as de um príncipe, que nos podem ser favoráveis ou não, venham ocupar o lugar que cabe à ciência e aos serviços. É desejável que nesses casos cada progresso pareça fruto de um esforço, de tal modo que não existam poderes fáceis e que a ambição seja obrigada a fixar durante muito tempo o seu olhar no fim antes de poder alcançá-lo.
É preciso que os governos se apliquem para dar de novo aos homens esse gosto pelo futuro que, neste caso, já não é inspirado nem pela religião nem pelo estado social eque, sem o proclamarem, ensinem diariamente aos cidadãos, através da prática, que a riqueza, o prestígio e o poder são fruto do trabalho, que os grandes sucessos se encontram no termo dos seus longos desejos e que tudo o que é duradoiro só se obtém à custa do sacrifício.
Quando os homens se acostumam a prever muito antecipadamente o que lhes vai acontecer neste mundo e a alimentar-se de esperanças, torna-se-lhes penoso terem de deter constantemente o espírito nos limites precisos da vida e, nessa altura, ficam muito perto de ultrapassar esses limites e de olharem para além deles.
Não tenho dúvidas de que, se se habituar os cidadãos a pensarem no futuro neste mundo, eles se aproximarão pouco a pouco, inconscientemente, das crenças religiosas.
Desta forma, o meio que permite aos homens dispensar, até certo ponto, a religião, talvez seja, afinal, o único que resta para, após um grande desvio, os trazer de volta à fé.
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A Segurança Social tinha um depósito no BPN desde o tempo de Ferro Rodrigues em 1999. Foi levantado nas últimas semanas gerando problemas de liquidez que culminou na nacionalização do banco.
Porque é que esse elevado depósito foi criado ? O que une Ferro Rodrigues a Dias Loureiro ? João Luís Ferro Rodrigues casou-se com Joana Dias Loureiro em 2003. Espero que seja pura coincidência e que esteja a ver mosquitos por corda.
http://norteamos.blogspot.com/2008/11/pura-especulao-ou-pura-coincidncia.html
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Caros concidadãos…
Isto já parece um Tribunal de Família, aonde o Pobre Presidente é considerado ab initio como culpado… calma, acho que não merece isso…
Ainda devemos estar num Estado de Direito, aonde as pessoas são consideradas inocentes até prova em contrário….
Mais: o Presidente da Republica é o Presidente de todos nós, dos que votaram e dos que não votaram… e devemos todos ter o maior respeito…
Mas isto não implica que esteja imune às questões, por mais “abjectas” ou razoáveis… é o preço do cargo público… Que seja Presidente, Conselheiro de Estado, Deputado… bom, o quer que seja… sabe que o preço… tem de estar “nu”… com a total transparência e com toda a dignidade…
Maior a transparência melhor para todos, acabam-se os “boatos”… a imunidade perfeita contra toda a possível difamação, teorias de conspiração, patetices… “just name it…”…
Cura meus caros: é a transparência absoluta sem medo coma maior normalidade e serenidade…
“Quem não deve não teme…”
Mais a transparência absoluta, só pode prestigiar os órgãos do Estado assim como os seus titulares, e automaticamente excluir os que têm algo para esconder…
É preciso luz, dar de novo dignidade e brio aos nossos órgãos de soberania e dos seus titulares, dar vaidade ao povo nos seus eleitos, e pela transparência absoluta a certeza que a sua eleição significa de facto a defesa dos interesses da nossa Nação, do Povo que os elegem…
Para abusos, boatos, difamação basta o que se vê nos tribunais de família….
Basta o “Endlösung” dos pais na nossa terra para entristecer qualquer pobre alma…
Todos criticam, ninguém apresenta soluções com bom senso comum para o nosso Querido Portugal dos nossos queridos filhos a quem vamos deixar o nosso legado… e não tenham dúvida meus concidadãos, Portugal somos todos nós…. estamos todos no mesmo barco por afinidade e por Portugal…
Pelo Amor dos nossos filhos e das gerações vindouras tenhamos juízo… já que não o há nos Tribunais de Família…
Não podemos baixar-nos ao nível de um eleitoralismo mercantil… somos lusos, como os forcados temos de agarrar os problemas pelos cornos do touro…
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Devemos ter todos o maior respeitinho, pois claro, meu caro, vá ler os jornais do fim do séc. XIX, inícios do sé. XX e veja bem o respeito que as famílias ideológicas que nos governam tinham pelas instiuições quando não estavam na governança…
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Podiam perguntar isto ao Sr. Presidente:
O Iraque está a pensar fazer um referendo ao estacionamento das tropas Americanas por 3 anos. Porque é que Portugal (e outros Países Europeus) não fazem um referendo a um Tratado que nos vai reger por muitos mais anos?
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O meu caro amigo Lucklucky já entrevê o novo politburo, não é?
Ou ainda não percebeu que aquela nomenclatura irresponsável, politíca e eleitoralmente, com uma mentalidade centralista e burocrática, um espírito secretista, e liderada por um traidor, se prepara para instituir um novo totalitarismo.
“Todos os porcos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros.”
George Orwel, “Animal Farm”
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Bom post de JM.
E porque não uma recomendação aos jornalistas no sentido de fazerem uma perguntas a Cavaco Silva … sobre o regime instalado na Madeira de AJJardim?
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O banqueiro João Rendeiro, que levou o BPP à quase falência, é o mesmo que dirige um consórcio que ensina “boas práticas” de gestão escolar.
Estão a ver quem é João Rendeiro? O presidente do Banco Privado Português, aquele banco que tem 3000 clientes e que gere apenas grandes fortunas? O tal banco que está em processo de quase falência e que o Governo de Sócrates se prepara para salvar? Pois o banqueiro, para além de afirmar que vota habitualmente no PS, é ainda funcionário do Ministério da Economia, em licença sem vencimento. Não é que o banqueiro anda a ensinar às escolas públicas as técnicas de gestão que levaram o BPP ao estado que todos conhecemos? É verdade! Criou e dirige uma organização (EPIS), com o apoio do ME e de grandes empresas públicas e privadas que dá formação aos PCEs e conselhos executivos sobre as técnicas e formas de gestão e de organização “modernaças”. Custa a acreditar, não é verdade? Mas é verdade. E conta com o apoio do ME. E assim vai o processo de mercadorização da escola pública. A divisão da carreira em duas categorias e o modelo burocrático de avaliação são apenas dois instrumentos do processo em curso de mercadorização, de destruição da profissão docente e da morte da democracia nas escolas.
Leia aqui a biografia de João Rendeiro
http://www.profblog.org/2008/11/o-banqueiro-joo-rendeiro-que-levou-o.html
Aconselho consulta atenta
http://WWW.EPIS.PT
E que tal ligar a este tipo de informação …
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=968365&div_id=1730
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Meu caro anónimo 54 vai sempre a tempo de comprar um compasso e um avental…
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