Não há paciência
Acontece um tremor de terra algures ou uma qualquer catástrofe que causa inúmeras vítimas e lá vem a inevitável referência satisfeitinha a concluir “Não se contam portugueses entre as vítimas.” Mas o pior de tudo é isto: «Segundo o presidente do Sindicato dos Pescadores do Norte, o barco que naufragou na Galiza estava em situação ilegal. António Macedo aponta o dedo à presença de pescadores indonésios a bordo. Um facto – diz – que a lei portuguesa não permite.»
Ou seja vários homens morrem no mar, outros estão desaparecidos e o presidente dum sindicato de pescadores faz declarações não lastimando o sucedido, solidarizando-se com as vítimas ou chamanado a atenção para qualquer procedimento de segurança que eventualmente tivesse falhado. Nada disso. Indigna-se com o facto do armador ter contratado estrangeiros, no caso indonésios. (Algumas das vítimas mortais são esses mesmos indonésios, pescadores na realidade e que este sindicato ignora e condena por não serem portugueses) Diz o presidente Sindicato dos Pescadores do Norte, que a contratação de estrangeiros é proibida. Porquê? Não se contratam estrangeiros em terra? E será que este título não é uma explicação um bocadinho simplista para as relações laborais no sector das pescas?

Lamente-se claro. Mas não venham a correr apontar o homem como xenófabo quando diz o que todos sabemos. A Imigração ser coisa do Kapital e os custos vão ter de ser pagos. Em declarações infelizes, como esta, mas sentidas num País onde grassa o desemprego. Há pescadores portugueses a trabalharem em armadores de Hamburg ou na Noruega. Longe de casa. Por causa da diferença dos salários. A diferença fazem-na os ” indonésios ” ou os ucranianos. No limite, aberrante ou não, Lei é Lei. Ou não? E já chega de tanta gente nossa morta no mar. Essa é a tragédia. Como esta, hilariante, trágica, já não sei:
Um bom dia.
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Já agora: o Povo sabe o que lhe dói e não parte por gosto. Não pode é viver ao molhe num quarto de pensão, a dividir por todos a trabalharem por tuta e meia. Não é a lei do mercado. É uma questão de justiça e sobrevivência. E o Povo, de burro tem pouco. Acreditem ou não, um dia destes têm mais uma surpresa: vão descobrir que o País está farto dos imigrantes. Mesmo sendo isso politicamente incorrecto.
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Não lastimou? Não se solidarizou? Não chamou a atenção?
Não é preciso! Para isso está cá a Helena Matos, de profissão.
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O mais engraçado, foi ouvir o pr da camara a lastimar-se que logo agora que tinham criado mais uns quantos tachitos burocráticos para estudar as condições de trabalho dos pescadores, ou treta parecida, logo agora é que foram morrer uns quantos mais. desmancha prazeres. com tantas boas intenções e tão poucas boias, só mesmo espiritos de contradição.
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Portugal em pleno. o formalismo a justificar a sua (dele) existência…..
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