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O PSD tem futuro? (3)

4 Janeiro, 2009

A social-democratização do ps teve o saudável efeito de levar à presente discussão e, se não a um rearranjo das forças políticas à sua esquerda, pelo menos a um reforço significativo desse eleitorado reticente ou mesmo opositor das actuais politicas sociaisdemocratizantes. 

Ao contrário, a derrota de 2005 e a ocupação pelo ps de parte substancial do tradicional eleitorado do psd não tiveram qualquer efeito no bloco partidário mais «à direita». Vemos mesmo essa coisa extraordinária de os derrotados de 2005 se prepararem novamente para se apresentarem aos eleitores, como se nada tivesse ocorrido e defendendo exactamente a mesma coisa. Mesmo o pp, partido histórica e ideologicamente mais consistente do que o psd, foi incapaz de se renovar e aproveitar o momento para, finalmente, se projectar como a alternativa conservadora a que históricamente nunca foi dada a oportunidade de existir. Também ali se consumiram as energias em vendetas pessoais de baixo calibre, preferindo-se uma opção de um partido «puro», mas meramente do ponto de vista de fidelidades pessoais.

Em cima da linha, que é como quem diz, em ano eleitoral, o psd lá arrancou uma renovação do Instituto Sá Carneiro que é uma amostra do que poderiam ter sido os últimos 4 anos:  reflexão, debate, estudo e preparação de propostas. Mas, convenhamos, é tarde, é pouco, e sobretudo, raramente sai da linha social-democrata vigente. 

Não é desejável, não é saudável que ao eleitorado sejam apresentados apenas duas propostas igualmente sociais-democratas com hipoteses de serem governo. O eleitorado, o país, tem direito a mais do que isso, a uma verdadeira alternativa. Não é escolha nenhuma ficar-se por um simples troca de cadeiras, de pessoas e estilos. E o psd demonstrou que secou. Que está a mais. Que não consegue apresentar mais do que rostos. Conhecidos de todos vai para 30 anos. Dali já não virá mais nada, como o psd já provou nos últimos anos.

O certo é com 3 actos eleitorais em 2009, o psd «arrisca-se» a ser novamente o mais votado nas autárquicas, mas…. tendo 15 dias antes metade dos votos para as legislativas. Porque nas autárquicas, não sendo verdadeiramente o partido que vai a votos, mas candidatos concretos, muitos com provas dadas suscitando adesão dos eleitores,  independentemente do partido (como é normal). Mas esse contraste de resultados, será, espera-se, demolidor para o que restar (daqui até lá) de qualquer eventual «credibilidade» do psd para se apresentar como alternativa de governo. Porque de facto, não o é. E os eleitores já o perceberam. Só falta mesmo o psd tomar consciência disso. Não para se renovar, deseja-se. Mas para se implodir,  dando lugar a outros, que, mais consistentemente, rompam finalmente com este ciclo e vício de 3 décadas de social-democracia que nos levou onde estamos. Haja liberdade. 

Assim, se tem futuro? Espera-se bem que não. A bem de todos nós.

 

 

28 comentários leave one →
  1. 4 Janeiro, 2009 00:35

    Realmente, o PSD sempre viveu à custa de pessoas, em sentido literal. O carsima pessoal sempre se sobrepõs a qualquer identidade ideológica (ainda que Sá Carneiroi ativesse e tivesse, como tal, estrutarado o partido)….Não sei bem até que ponto, ao fim e ao cabo, os outrosm partidos também funcionam um pouco assim, com excepção do PCP.

    Depois de Francisco Sá Carneiro, veio Cavaco e o Cavaquismo. Depois…nada, até agora (uma espécie de corpo partidário que vive das recordações vagas do cavaquismo, fora do tempo, para além do período de validade)

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  2. Joaquim Amado Lopes permalink
    4 Janeiro, 2009 01:50

    O problema não é nem nunca foi a social-democracia. São mesmo as pessoas e o estilo.

    Quando a diferença de “estilo/pessoas” se concretiza em prioridades diferentes, (muito) mais ou (muito) menos competência, mais ou menos respeito pelas pessoas e pelas regras, planos a mais longo prazo ou para os noticiários do próprio dia, jogar com as estatísticas imediatas ou apostar no futuro, ter sentido de serviço público ou trabalhar para encher os bolsos dos amigos, etc, etc, o “estilo” e as “pessoas” são mesmo o mais importante.

    Até porque a esmagadora maioria dos eleitores se revê na social-democracia, não no socialismo ou na política de “causas fracturantes”. O PCP ainda vai ganhando alguns votos com o mito da “competência” e da “seriedade” e o BE ganha-os apenas com demogagia barata. De resto, os eleitores querem responsabilidade, que o Estado não lhes crie problemas, os mantenha seguros e os deixe trabalhar.

    Para se ser credível é preciso romper com a social-democracia? Não, não é.
    Para se ser credível é necessário ser rigoroso e realista. Apoiar o que é bem feito, mesmo quando é feito por outros, e apresentar propostas adequadas e realizáveis.

    Nem tudo o que o PSD tem feito tem sido bem feito, incluíndo já com a liderança actual. Mas esta está muito mas mesmo muito acima da anterior. E, em termos de credibilidade, está também muito acima da liderança actual do PS.

    A renovação do Instituto Sá Carneiro vem tarde? Pois vem. Que tal atribuir as culpas a quem as merece, p.e. Marques Mendes e Luis Filipe Menezes? E por que não atribuir o mérito dessa renovação a quem o merece?

    A matriz do PSD é social-democrata. O PS não tem matriz. É uma amálgama que vai da extrema-esquerda ao centro direita e que só se mantém unida pelo cheiro do poder.
    Se o PS se social-democratizou, se governa como o PSD governaria, então por que não discorre sobre o PS ter finalmente dado razão ao PSD?

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  3. dutilleul permalink
    4 Janeiro, 2009 02:17

    Na assunção de que não labora num “O PSD tem futuro? (4)”, suponho-me autorizado na conclusão de que o Gabriel Silva não vai votar no PSD.
    De onde se concluí que o PSD tem um futuro que não passa por Gabriel Silva.
    Parafraseando o nosso senhor de la Palisse, «[o] PSD são as pessoas que estão no PSD. E não são poucas.
    São o que são!»

    Isto para já não falar do futuro que lhe pode ser dado por pessoas que não são e nunca foram do PSD.

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  4. Confrade permalink
    4 Janeiro, 2009 03:25

    Não tem nada a ver com esta posta, mas com uma ferramenta que encontrei na net, criei uma imagem do Blasfémias, as ultimas 90000 palavras e a sua representação visual. PSD , governo , eleotorado aparecem em destaque.

    Está aqui: http://www.wordle.net/gallery/wrdl/416791/Blasfemias

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  5. Carlos permalink
    4 Janeiro, 2009 06:48

    A palavra mais dita pelo blog é uma palavra que nem vem no dicionário. Ma rir.

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  6. Anonimo permalink
    4 Janeiro, 2009 07:13

    .
    Não percam tempo em zangas e enfabulações. Os Cidadãos desconfiam onde começam uns e acabam os outros. Quiçá, a certeza absoluta. Nem é mau nem é bom. É assim mais ou menos “à meia bola”, nem bom nem mau. Meio atamancado. O nada.
    .
    Uma espécie de “pirâmide de Ponzi” partidária. As “Dª Brancas” caiem sempre com um estrondo danado. Se dúvidas, ao menos aprendam alguma coisa com a Wall Street.

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  7. Carlos III permalink
    4 Janeiro, 2009 08:31

    Atribuir a crise do PSD (e respectiva falta de eficácia política) à Manela Ferreira Leite é uma visão demasiado redutora da questão. O problema do PSD é a sua própria composição, a gente que o forma e que reflecte um “certo Portugal”. Esse partido foi durante muito tempo uma espécia de apólice de seguro (como, de resto, o PS), mas com a crise de Wall Street parece que todas essas “seguradoras” caminham para uma inevitável falência. A não ser que haja uma forte injecção de capitais vindos do exterior…

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  8. 4 Janeiro, 2009 10:08

    Confrade (supra nº 4):

    Está giro; bom trabalho!

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  9. 4 Janeiro, 2009 10:09

    O nosso conjunto de partidos saiu de facto distorcido devido ao período pós-25 de Abril.
    O que faz sentido que haja é:
    – Um partido conservador (hoje estão parte deles no PP, mas desiludidos)
    – Um partido liberal (alguns no PP e outros no PSD, muitos fora do sistema)
    – Um partido social democrata (boa parte do PSD e do PS)
    – Um partido socialista (parte do PS, mais alguns do BE e do PCP)

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  10. 4 Janeiro, 2009 10:15

    Os tempos em que o PSD procurava uma fronteira ideológica que o separasse do PS, remontam a Sá Carneiro e por lá se ficaram. Depois tudo se passou a resumir a um único objectivo: o poder. A nível local, sobretudo nas localidades mais pequenas e onde isso é mais perceptível, a dança entre os dois, com candidatos a saltitarem de um para outro de acordo com a relação de forças do momento, ilustram bem as preocupações “ideológicas” que motivam essas pessoas.

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  11. 4 Janeiro, 2009 10:28

    Não parece que funcione a auto-medicação no PSD.

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  12. 4 Janeiro, 2009 10:41

    O Petro da Casa Africana, pediu o estudo para a Cidade de Setubal, em que dá como vencedor para liderar a Camara.

    Por isso vai-se candidatar com um futuro risonho, contra o PS e o PCP.

    O Preto da Casa Africana é o 1º vencedor anunciado, mais há mais

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  13. Anonimo permalink
    4 Janeiro, 2009 10:48

    #9
    .
    JM, plenamente de acordo.
    .
    É a unica maneira de saír “por dentro” deste Sistema sem acabar com o Regime.
    .

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  14. Raskolnikov permalink
    4 Janeiro, 2009 11:02

    Há variadíssimos pontos do seu texto que merecem refflexão e crítica:

    1.º-: «A social-democratização do ps teve o saudável efeito de levar à presente discussão e, se não a um rearranjo das forças políticas à sua esquerda, pelo menos a um reforço significativo desse eleitorado reticente ou mesmo opositor das actuais politicas sociaisdemocratizantes».

    Raskolnikov: – Qual Social-Democratização do PS? Será num Código de Trabalho Liberal ou na carga fiscal Leninista?

    2.º-: «Ao contrário, a derrota de 2005 e a ocupação pelo ps de parte substancial do tradicional eleitorado do psd não tiveram qualquer efeito no bloco partidário mais «à direita». Vemos mesmo essa coisa extraordinária de os derrotados de 2005 se prepararem novamente para se apresentarem aos eleitores, como se nada tivesse ocorrido e defendendo exactamente a mesma coisa. Mesmo o pp, partido histórica e ideologicamente mais consistente do que o psd, foi incapaz de se renovar e aproveitar o momento para, finalmente, se projectar como a alternativa conservadora a que históricamente nunca foi dada a oportunidade de existir. Também ali se consumiram as energias em vendetas pessoais de baixo calibre, preferindo-se uma opção de um partido «puro», mas meramente do ponto de vista de fidelidades pessoais».

    Raskolnikov: -Tem razão em parte. O que o PSD devia ter feito durante estes anos era abandonar de vez as teses neoliberais que só trouxeram maus resultados eleitorais e Social-Democratizar-se «rapidamente e em força». Gostava que me explicasse como é que o CDS-PP (Democrata-Cristão com Freitas do Amaral; Liberal com Lucas Pires; Democrata-Cristão com Adriano Moreira e outra vez Freitas do Amaral; Conservador e Anti-Europeu com Manuel Monteiro; Conservador e Anti-Europeu, Conservador e Pró-Europeu com Paulo Portas) é ideologicamente mais consistente que o PSD? Estaremos a falar do mesmo CDS-PP e do mesmo PSD?

    3.º-: «Não é desejável, não é saudável que ao eleitorado sejam apresentados apenas duas propostas igualmente sociais-democratas com hipoteses de serem governo. O eleitorado, o país, tem direito a mais do que isso, a uma verdadeira alternativa. Não é escolha nenhuma ficar-se por um simples troca de cadeiras, de pessoas e estilos. E o psd demonstrou que secou. Que está a mais. Que não consegue apresentar mais do que rostos. Conhecidos de todos vai para 30 anos. Dali já não virá mais nada, como o psd já provou nos últimos anos».

    Raskolnikov- Não será desejável para si mas é mesmo assim. Essa perspectiva de que o PSD «secou» é a mesma nos últimos 30 anos. Os Social-Democratas portugueses são, de facto, nos últimos 30 anos, uma espinha cravada na garganta de muito boa gente. O grande problema é que, nos mesmos últimos 35 anos, os melhores governos de Portugal (AD- 1979/1980 e PSD – 1985/1991) foram liderados pelo PSD, o resto foi «revolução» ou «demagogia». Mais: se o PSD vencer as Autárquicas e as Europeias de 2009; se a situação económica do País se agravar perante a inércia do governo de Sócrates, quem é que pensa que vai vencer as eleições Legislativas, senão o PSD?

    4.º-: «O certo é com 3 actos eleitorais em 2009, o psd «arrisca-se» a ser novamente o mais votado nas autárquicas, mas…. tendo 15 dias antes metade dos votos para as legislativas. Porque nas autárquicas, não sendo verdadeiramente o partido que vai a votos, mas candidatos concretos, muitos com provas dadas suscitando adesão dos eleitores, independentemente do partido (como é normal). Mas esse contraste de resultados, será, espera-se, demolidor para o que restar (daqui até lá) de qualquer eventual «credibilidade» do psd para se apresentar como alternativa de governo. Porque de facto, não o é. E os eleitores já o perceberam. Só falta mesmo o psd tomar consciência disso. Não para se renovar, deseja-se. Mas para se implodir, dando lugar a outros, que, mais consistentemente, rompam finalmente com este ciclo e vício de 3 décadas de social-democracia que nos levou onde estamos. Haja liberdade».

    Raskolnikov – O que faz nestas últimas laudas do seu texto é exprimir um desejo (a implosão do PSD!) e fazer «futurologia» sem outro fundamento. Num ano como o de 2009; de crise e de alterações mundiais a todos os níveis e todos os dias, as suas previsões podem sair (e vão sair!) erradas! Mais ainda se a ala «Alegrista» do PS se desvincular do «Socratismo» reinante.

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  15. Anónimo permalink
    4 Janeiro, 2009 12:13

    Volto a reafirmar aquilo que disse num dos post anteriores.
    Este PSD não faria nada de muito diferente do que este PS está a fazer.
    O PS guinou para a direita tomando uma grande parte do espaço político que era do PSD.Acontece, porém, que o PPD “estrebucha” com algumas medidas que o PS toma . Ao estrebuchar, é apenas e só para dizer que está vivo. Se fosse governo,faria quase tudo igual.
    Entre o PS e o PSD, venha o diabo e escolha.

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  16. 4 Janeiro, 2009 14:37

    2. Joaquim Amado Lopes

    «A matriz do PSD é social-democrata. O PS não tem matriz. É uma amálgama que vai da extrema-esquerda ao centro direita e que só se mantém unida pelo cheiro do poder»

    Que tal inverter o conceito?

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  17. Joaquim Amado Lopes permalink
    4 Janeiro, 2009 18:25

    18. Fernanda Valente,
    Depois de si.

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  18. Oscar Carvalho permalink
    4 Janeiro, 2009 18:36

    . Joaquim Amado Lopes

    «A matriz do PSD é social-democrata. O PS não tem matriz. É uma amálgama que vai da extrema-esquerda ao centro direita e que só se mantém unida pelo cheiro do poder»

    Sinceramente, é preciso lata! Que é como dizia Cristo, está a ver o cisco no olho do vizinho mas não vê a trave que tem no seu olho! Oh homem, no PSD coexistem, (pouco pacificamente) humanistas, sociais democratas, liberais, populistas e outros que nem sabem ao que vêm!

    E sabe que mais, sinto que todos deviamos exigir uma clarificação do espectro político. O único partido que talvez se safe, pelos maus motivos, é o PC.

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  19. Fernanda Valente permalink
    4 Janeiro, 2009 19:46

    19. Joaquim Amado Lopes

    Eu não preciso de ser invertida, porque sou apartidária.
    Só voltarei a votar no PSD quando o líder for Passos Coelho.

    Lamento que o Gabriel Silva não tenha publicado o meu outro commentário, que o iria esclarecer melhor, apesar de não lhe ter sido dirigido, mas ao comentador nº3.

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  20. Gabriel Silva permalink*
    4 Janeiro, 2009 20:21

    Fernanda Valente (21)
    não está em cache mais nenhum seu comentário, pelo que o melhor será publicar novamente.

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  21. Leopoldo Sheidt permalink
    4 Janeiro, 2009 21:32

    Realmente a discussão é puramente académica. Parece que antes de haver alguma solução no horizonte vamos ter muitas discussões deste tipo. As pessoas que ainda não perderam a seriedade estão, porém, à procura de soluções bem diferentes. O facto de V.Exas continuarem a debater como até aqui mostra que ainda não estão prontos para entrar nessa outra discussão. Ora o problema é que quem está no Purgatório tanto pode ir para ao Paraíso como ao Inferno. Talvez não fosse má ideia deixarem-se de conversa de café sobre futebol e passarem a usar a cabeça. Mesmo aqueles que aqui defendem a sua dama por interesse pessoal deveriam pensar duas vezes se têm alguma coisa a ganhar com um barco a meter água por todos os lados. Que se saiba a única vantagem do Capitão (seja qual for a sua côr política) nessas circunstâncias é … ser o último a abandonar o navio ?! Decerto a próxima geração, de uma maneira ou de outra, não irá perdoar tanto dislate.

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  22. Joaquim Amado Lopes permalink
    5 Janeiro, 2009 00:25

    20. Oscar Carvalho,
    Em todos os partidos (mais no PSD e no PS porque são partidos de poder) há quem seja militante por mero interesse pessoal e calculismo. Eu próprio, como militante do PSD, questiono-me se não seria melhor se certos militantes que encontro nas Assembleias fossem “contribuir” para outras organizações políticas em vez de para o PSD.

    Mas as motivações de alguns militantes não podem ser confundidas com a matriz do partido.
    O PSD tem essa matriz definida, mesmo que o estilo e abordagem das questões tenha variado ao longo do tempo. O PS é um albergue de facções que vão do espaço do BE ao do PSD.

    21. Fernanda Valente,
    Ninguém lhe pediu que se invertesse. Pediu-me que invertesse um determinado conceito e, por achar que essa inversão não fazia nenhum sentido, devolvi-lhe o desafio.

    Quanto a só votar no PSD quando o líder fôr Passos Coelho, parece que me está a dar razão no sentido de que interessam mais as pessoas do que a “reinvenção” do partido. Assim como me parece muito redutor limitar as opções a uma única pessoa, como se não consiga conceber que no PSD exista mais alguém que mereça a sua confiança.

    Já agora, enquanto não vota PSD, em que partido vota e em que condições? (com que líderes, p.e.)

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  23. Fernanda Valente permalink
    5 Janeiro, 2009 15:31

    24. Joaquim Amado Lopes

    «A matriz do PSD é social-democrata. O PS não tem matriz. É uma amálgama que vai da extrema-esquerda ao centro direita e que só se mantém unida pelo cheiro do poder»

    Se há partido que «só se mantém unido pelo cheiro do poder, esse partido é o PSD. Não se esqueça que existem três facções no seu interior que ainda recentemente disputaram a sua liderança; isso deve querer dizer alguma coisa…

    Neste partido, tão depressa se pensa em privatizar a CGD, como se pretende incrementar o aumento das prestações sociais (promovendo cada vez mais o estado social) através do apoio aos “novos pobres” que é o mesmo que dizer as classes média e média-alta, e as pequenas e médias empresas que, no conceito social-democrata é o tecido empresarial português de excelência, verdadeiro motor do crescimento económico no nosso país…?!

    O PSD, das várias vezes que esteve no governo, nunca demonstrou ser um partido reformista a sério; faltando-lhe sempre a determinação necessária para enfrentar o poder das corporações, verdadeiro travão do desenvolvimento em Portugal.
    Os militantes de topo do PSD são os que mais rapidamente e em maior número, por oposição aos do PS, transitam para as empresas privadas ou instituições públicas do Estado, ocupando lugares de destaque, só permitido por haverem participado em anteriores governos, portanto, servindo-se do capital político que então adquiriram para o colocar ao serviço de terceiros.

    (cont.)

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  24. Fernanda Valente permalink
    5 Janeiro, 2009 15:53

    Os partidos são agremiações, congregações, associações, confrarias, enfim, instituições privadas ao serviço da política pura e dura, representados por pessoas, líder e quadro directivo que, normalmente, definem as linhas programáticas de acção, com base num determinado pressuposto ideológico, ou, pelo menos, deveria ser assim.

    E é por isso que eu voto sobretudo em pessoas, nunca descurando as companhias que frequentam, e votarei em PPC (nas legislativas de 2013), dependendo não só do seu programa de governo, como também, e sobretudo, da equipa de políticos ou individualidades que ele escolher para com ele fazerem parceria com vista à respectiva candidatura social-democrata.

    (cont.)

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  25. Fernanda Valente permalink
    5 Janeiro, 2009 16:18

    Para evitar tirar-lhe o sono, informo-o que votei nas anteriores legislativas em José Sócrates, assim como votaram muitos militantes social-democratas, inclusivamente JPP, apesar de, oficialmente, nunca o ter afirmado. E sabe porquê? Para evitar que este país caísse na bancarrota, se tornasse ingovernável e considerado insolvente aos olhos dos agentes económicos no quadro da política internacional.

    É que a irresponsável direcção do seu partido, à data, para afrontar o então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, decidiu reconduzir Santana Lopes como candidato do PSD a primeiro-ministro, o entre nós bem conhecido político boémio, despesista e visionário, demitido compulsivamente pelo PR, por exigência de cerca de 75% da população portuguesa.

    Em quem vou votar nas próximas legislativas?
    Em José Sócrates naturalmente! O JAL está a ver alguma outra alternativa politico-partidária credível para conduzir os destinos do país no actual momento de crise?
    Olhe, eu não, e de experiências falidas já estamos nós e o país fartos!

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