Governo sound bite
15 Janeiro, 2009
Ninguém parece saber muito bem qual é a utilidade do banco público de células do cordão umbilical. Trata-se de um projecto de prestígio para o SNS que tem poucas hipóteses de ser correctamente rentabilizado. Entretanto, nos hospitais faltam camas para pessoas com doenças respiratórias.
33 comentários
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JM, toda a razão. Sócrates navega ao sabor do sound bite. De que o banco de células do cordão umbilical é um bom exemplo.
Vamos ser os primeiros. Uau. Mas então, se é tão bom, como é que os outros não se lembraram disso?
Quanto À falta de camas, voltamos à Pizza Hut. O SNS não pode disponibilizar os meios para atender os picos máximos de procura. Isso do ponto de vista de gestão seria um desastre, pelo desperdício de recursos, num quadro em que estes são escassos.
(Sobre este tema recomendo-lhe que leia os textos d Prof. Pedro Pita Barros, da F.Economia da Un. Nova)
http://ppbarros.fe.unl.pt/
Daí que sejam positivas medidas como a que Sócrates anunciou hoje, a contratação de camas de cuidados continuados junto do sector social e/ou privado.
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«« O SNS não pode disponibilizar os meios para atender os picos máximos de procura.»»
Pois, mas é nos picos de procura que mais pessoas precisam do SNS. As pessoas não deixam de morrer só porque há um pico de procura.
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Depois do Magalhães, o banco das células promete ser outro sucesso. Quanto a isso das camas, são trocos que não preocupam o líder.
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“As pessoas não deixam de morrer só porque há um pico de procura.”
Pois não. Mas as com patologias graves não deixam de ser atendidas. Nem têm falta de camas.
JM, um liberal a defender o desperdício no SNS? O paradoxo mirandês?
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E a piada é saber que o banco está pronto a funcionar há dois anos…
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“E a piada é saber que o banco está pronto a funcionar há dois anos…”
É eleições só em 2009 🙂
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4
Eu às vezes fico na dúvida se alguns comentadores não percebem mesmo o que o João Miranda diz ou se estão apenas a fingir que não percebem. E digo isto sem ponta de ironia, juro.
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no centro de saúde de 7 rios há 20.000 contribuintes sem médico de família
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Eu concordo que haja uma estrutura pública de armazenamente de células estaminais das parturientes. Essas células poderão revelar-se muito úteis mais tarde no tratamento de doenças dos filhos. Até porque as aplicações médicas dos conhecimentos da biologia celular estão a aumentar todos os dias.
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Machado,
Ou então são MAL INTENCIONADOS e desonestos intelectualmente, com agenda dissimulada e/ou interesses pessoais no assunto que lhes toldam o raciocínio (tipo, são FP, ou têm familiares FP, ou usufruíram já X vezes dos serviços públicos, etc etc etc). That’s all.
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Hora-porra,
Você quererá dizer “utentes” em vez de “contribuintes”
Se há flagelo neste país é a quantidade de gente que mama da teta, sem dar erva à vaca.
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“E a piada é saber que o banco está pronto a funcionar há dois anos…”
Pelo que li no Público, o que se passa é que há um centro que se está a pôr em bicos de pés para ser o escolhido.
“4 Eu às vezes fico na dúvida se alguns comentadores não percebem”
Sobre o tema da saúde e sua gestão há mesmo muita gente que não percebe, mas mesmo assim gosta de mandar o seu bitaite. Por isso a recomendação para lerem os textos do Prof. Pita Barros.
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Parece mesmo o Barroso quando não queria o TGV enquanto houvesse uma criancinha sem leite ao pequeno almoço.
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O Ordranalfabeto não tem cérebro. É um socialista que fala consoante o que lhe vai na disquete previamente inserida aquando da sua “formação em saúde”. É um caso patético.
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Se o João Miranda percebesse um pouquinho de biotecnologia saberia da importância de um banco público de células do cordão umbilical.
A clonagem terapêutica tem um potencial para revolucionar a medicina, oferecendo tratamentos altamente eficientes para doenças que hoje não têm cura. Por exemplo, reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente, ou substituir o tecido cardíaco numa pessoa que sofreu um enfarte. Obviamente que estas técnicas têm implicações éticas, já que manipulam o resultado de 3500 milhões de anos de evolução. Mais: existe o perigo de em nome do liberalismo da economia de mercado se encaminhar até à total patentatabilidade dos seres vivos – vegetais, animais e pseudo-humanos.
Por isso, um banco de células do cordão umbilical só poderá ser público.
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Caro Nuspirit,
Tudo isso é muito bonito. Há apenas dois problemas:
– já existem bancos privados de células do cordão umbilical, e nada impede o SNS de negociar a sua utilização. Para alem disso, o mesmo objectivo pode ser atingido através da cooperação com outros países europeus, não sendo necessário um banco de células por país. O banco público é redundante.
– a boa gestão do SNS obriga à gestão por prioridades. Tendo em conta as condições actuais, o custo/beneficio de uma banco de células do cordão umbilical é demasiado elevado quando comparado com investimentos alternativos.
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««Por isso, um banco de células do cordão umbilical só poderá ser público.»»
Pretende proibir os ancos privados que já existem?
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Caro Joao Miranda,
Penso que aqui quando Sócrates fala de um Banco Público, penso que se está a referir que esse trabalho vai ser efectuado por privados (assim espero) mas pago pelo estado, ou seja, nós. Posso lhe dizer que fui Pai recentemente, e foi-me dado no Hospital um folheto de uma empresa privada que fazia esse serviço…pela módica quantia de 1.200,00 €.
Este é o preço da minha filha, caso por exemplo venha a ter no futuro uma doença como uma leucemia. Preço esse que não pude disponibilizar. Preço esse que poderia salvar muitas vidas e muitos também não têm.
Por isso desculpe lá mas desta vez tenho de concordar (confesso que me custa um bocado) com Sócrates, isto é, se tal for verdade e não for só para Inglês ver.
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O custo/beneficio de uma banco de células do cordão umbilical não é nada elevado. As máquinas necessárias para a recolha e conservação custam a bagatela de 500 mil euros ,isto é, 0,0001% do orçamento anual do SNS.
Se calhar o João Miranda não sabe mas a probabilidade de um português encontrar um doador em em Portugal é trinta vezes maior que encontrar o mesmo doador no estrangeiro. Isso deve-se às características genéticas comuns à população portuguesa. Portanto as coisas não são assim tão simples como o JMiranda as pinta.
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«Se há flagelo neste país é a quantidade de gente que mama da teta, sem dar erva à vaca.»
Grande frase 🙂
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««O custo/beneficio de uma banco de células do cordão umbilical não é nada elevado. As máquinas necessárias para a recolha e conservação custam a bagatela de 500 mil euros ,isto é, 0,0001% do orçamento anual do SNS.»»
Isso é o custo absoluto das máquinas. Falta o custo absoluto da manutenção que chegará aos 10 milhões de euros em 5 anos.
Depois de se saber o custo absoluto é necessário saber qual é o benefício marginal do banco público (sabendo-se que existem outros bancos privados e no estrangeiro que podem desmpenhar exactamente as mesmas funções).
Eu diria que o custo em 5 anos é de 10 milhões de euros. O benefício marginal é praticamente nulo.
Razão custo/beneficio = 10 000 000/0= infinito
O benefício marginal é praticamente nulo porque não há nada que um banco público possa fazer que um banco privado não possa.
««Se calhar o João Miranda não sabe mas a probabilidade de um português encontrar um doador em em Portugal é trinta vezes maior que encontrar o mesmo doador no estrangeiro.»»
Estamos a falar de quê? Medula Ossea? Já existe um sistema de doação.
Se estamos a falar de células do cordão umbilical, já existem milhares de portugueses com células preservadas em bancos privados. O banco público teria apenas 5 mil dadores. Compara-se esse número com os cerca de 25 mil que já existem em bancos privados.
Se estamos a falar de dadores vivos (que também podem ser fonte de células estaminais), existem 10 milhões de portugueses.
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««Penso que aqui quando Sócrates fala de um Banco Público, penso que se está a referir que esse trabalho vai ser efectuado por privados (assim espero) mas pago pelo estado, ou seja, nós. »»
Creio que não. Sócrates pretende financiar um banco público em instalações publicas pertencente a uma instituição pública.
««Posso lhe dizer que fui Pai recentemente, e foi-me dado no Hospital um folheto de uma empresa privada que fazia esse serviço…pela módica quantia de 1.200,00 €.»»
As empresas privadas oferecem um serviço individualizado. Existe uma reserva de células para cada cliente. Por isso é que custa 1 200 €. O banco público não vai oferecer serviço individualizado. O banco vai recolher células de cerca de 5000 dadores e essas células ficarão disponíveis para toda a população.
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João Miranda,
Mesmo restringindo a análise ao seu aspecto económico, lamento informar-te mas estás a fazer mal as contas. Repara bem: se o Estado recorresse às empresas de bancos privadas teria que pagar 1500€ por dador. Ou seja, 15 milhões para 10 mil dadores, que o número que se pretende.
O custo Banco Público somando o investimento inicial e a respectiva manutenção nem aos 10 milhões ascende. Não te podes esquecer que muito dos recursos necessários à sua criação já existem, pelo que o custo a considerar é zero.
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««Repara bem: se o Estado recorresse às empresas de bancos privadas teria que pagar 1500€ por dador.»»
Não teria, não. Isso só aconteceria se o Estado quiser reconstruir um banco novo. Isso não é necessário para nada. Como já existem vários bancos, o Estado pode limitar-se a estabelecer protocolos que permitam a utilização pelos hospitais e pelas instituições de investigação dos bancos já existentes. Esses protocolos podem ser obtidos por uma fracção do preço que os bancos cobram por dador.
Os 1500€ por dador pagam um serviço individualizado. Não é isso que o Estado pretende com o banco público. O banco público serv como reserva para toda a população, mas não presta serviço individualizado. Como é evidente, não se tratando de um serviço individualizado, o Estado consegue facilmente um serviço muito mais barato se estabelecer protocolos com bancos já existentes.
««O custo Banco Público somando o investimento inicial e a respectiva manutenção nem aos 10 milhões ascende. Não te podes esquecer que muito dos recursos necessários à sua criação já existem, pelo que o custo a considerar é zero.»»
O custo principal é o custo de conservação que implica o uso de refrigeração a temperaturas muito baixas.
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Aliás, toda esta discussão presspõe que os milhar de pessoas que fizeram a conservação do cordão umbilical não estão dispostas a doar células quando e se isso se revelar útil. É óbvio que estão. Se alguma vez essas células se tornarem úteis para alguém, ninguém ficará sem células por falta de dadores. Se existem hoje pessoas dispostas a dar medula óssea, também existem pessoas dispostas a doar células congeladas.
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Convenceste-me, João Miranda. Afinal até sabes uma coisas de biotecnologia. 🙂
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O JM tem toda a razao no que diz.
As celulas do cordao umbilical sao neste momento mais um “cliche”. ha doencas geneticas em portugal com mt mais penetrancia que as doencas que possam ser abrangidas pela uilizacao de celulas estaminais.
Empresas como a crio-estaminal (ou neste caso o propio estado) so servem para encher os bolsos de quem as controla (em relacao ao estado serve para se auto-promover). Mais uma vez, a ciencia a ser usada para o que nao se deve… habitual
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LM disse (e muito bem):
“já existem bancos privados de células do cordão umbilical”
“a boa gestão do SNS obriga à gestão por prioridades.”
Apenas lhe faço 2 reparos:
1. Os bancos privados que existem em Portugal armazenam células que ficam à disposição daquele cliente específico. A Crioestaminal (ou outras) não pode usar as células do cordão da minha filha na sua filha.
2. Isso significa que está de acordo comigo quanto às camas. Não podemos ter 100 camas disponíveis se em 360 dias do ano só vamos ter 30 ocupadas. Se assim fosse teríamos 70 cams sempre desocupadas. Esse desperdício de recursos levaria a que não tivessemos meios para p.e fazer trataentos de quimioterapia que custam milhares de euros/dias/pessoa.Pelo que é melhor subcontratar com privados camas de cuidados continuados (que só se pagam se forem utilizadas).
Veja lá que ainda vem um Jason e lhe chamam socialistaa ler a diskette.
Jason não sou socialista, não gosto do Sócrates nem uso disquetes.
“Empresas como a crio-estaminal …so servem para encher os bolsos de quem as controla”
Então se eu criar uma empresa e ela gerar lucros eles devem ir para quem? Para si? Bom 25% já vão, mas o que sobra, se não se importar, gostava que fosse para mim.
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O que queria dizer e que a ciencia se baseia em regras que sao dificeis de transmitir a populacao em geral (principalmente pelos media).
Normalmente ha um fosso gigante entre as linhas de ciencia actuais e o que os jornais passam.
este assunto da preservacao de celulas estaminais vai totalmente contra a vocacao cientifica (um pouco na linha das visoes dramaticas em relacao a gripe das aves). Dizem que com as celulas estaminais podem fazer “mundos e fundos” e dizem isso tao bem que ja enganaram 50000 portugueses e o proprio governo. A investigacao cientifica tb esta muito sujeita ao “sound bite”.
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Concordo com o JM, apesar de ele ser contra devido ao aspecto mercantilista e eu devido a razoes eticas…
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Bbb, assim estou de acordo. Está contra a (eventual) falta de ética da empresa. E não contra a distribuição dos lucros de uma empresa (seja ela qual for) pelos seus accionistas.
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João Miranda,
Tem razão naquilo que diz, mas eu já desisti de pensar. Não vale a pena. No mínimo vamos viver cinco anos de maioria absoluta, com muita propaganda desta ou ainda pior. O que é que eu ganho em pensar? Nada. Se quero ser feliz tenho de desistir de viver plenamente. Troco o meu salário do mês que vem por uma lobotomia. Não quero emigrar, nem quero ser despatriado. Já não tenho força para mais, só quero mesmo é ser vegetal! Ajudem-me!
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Calam João. Nós sabemos que o Sócrates é mau.
Mas ser vegetal é mesmo muito mau. Ainda por cima fica a pertencer à mesma ordem, classe ou reino de muitos nabos que nos governam.
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