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O Negócio

1 Março, 2009
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A CGD não pode divulgar detalhes das operações que mantém com os seus clientes. Resta-nos tentar adivinhar, com base em tudo o que se disse e que se escreveu. Em resumo, o que me parece que terá acontecido foi:

1. Nos tempos da anterior administração (pelo menos) a Caixa financiou a compra de acções de diversas empresas a alguns particulares, garantidas quase em exclusivo pelas próprias acções. Na altura da transacção, as acções valiam mais do que o financiamento, exigindo a CGD uma determinada taxa de cobertura.

2. Com a queda abrupta dos mercados financeiros, as garantias passaram a ser insuficientes para cobrir na íntegra o montante dos empréstimos.

3. Para reduzir o risco e evitar reportar nas contas o prejuízo (imparidade – neste caso, diferença entre o valor do financiamento e o valor das garantias), o banco terá pedido reforço de garantias ao mutuário. O mutuário terá recusado, o que, dependendo das cláusulas contratuais, pode significar, i) deixar o empréstimo continuar até à maturidade, ii) entrar em incumprimento. Em qualquer das situações, a CGD deveria reportar a mesma imparidade.

4. No caso de já haver incumprimento, a CGD teria a hipótese de executar o contrato. Executar o contrato significa ficar com as acções e fazer o write-off do empréstimo. Nesse caso, a CGD não registaria uma imparidade mas uma perda, em montante exactamente igual ao da imparidade.

5. Como acontece na generalidade dos financiamentos a grupos financeiros, todos os contratos incluem cláusulas de cross-default. Estas cláusulas estabelecem que um incumprimento num contrato implica o incumprimento de todos os contratos entre o grupo e a instituição financeira. Para a CGD, o problema seria grande. Parece óbvio que no cenário actual, nenhum grupo económico conseguiria refinanciar-se, muito menos num cenário de incumprimento com o principal banco português. A CGD teria que registar nas contas um enorme prejuízo e o grupo Invesfino entraria em falência.

6. Perante estes cenários, a CGD terá preferido comprar as acções à Invesfino. Ao comprar as acções, evita-se a execução do contrato mas o efeito é exactamente o mesmo. A CGD fica com as acções e a Invesfimo fica sem dívida. A Invesfino terá ficado com uma opção de recompra caso as acções subam acima dum determinado valor, mas o valor dessa opção deve ser hoje, praticamente nulo.

7. O preço que a CGD “pagou” pelas acções é irrelevante, uma vez que não terá havido qualquer cash-out. Se a CGD registasse a transacção pelo valor de mercado, deveria ter apresentado um prejuízo nas contas igual à diferença entre o montante da dívida e o valor pago. Se a CGD registou o valor da dívida (“comprando” acima do valor do mercado), não declara qualquer perda no financiamento mas ficaria com uma imparidade para registar, exactamente do mesmo valor.

8. Para a Invesfino é exactamente igual. Independentemente do valor da ‘compra’, perderam exactamente a diferença entre o valor a que compraram as acções dadas como garantia e o montante financiado pela CGD.

9. Porque é que a CGD terá preferido registar a aquisição acima do valor de mercado, se ambas as opções implicam exactamente o mesmo prejuízo? (Lembro a frase de Fernando Ulrich “Como os meus auditores são os mesmos que os da CGD, na próxima vez que estiver com eles vou-lhes perguntar como é que funciona essa técnica de comprar um activo acima do preço do mercado e depois isso proporciona uma redução das imparidades“) Uma explicação possível aparece num comentário feito num post no Portugal Contemporâneo: “a imparidade do crédito teria de ser registada no exercício de 2008 enquanto que a imparidade resultante das menos valias potenciais só tem de ser registada daqui a seis meses, caso o titulo se mantenha 80% abaixo do valor de aquisição”. Ou seja, esta solução permitiria à CGD registar menos prejuízos em 2008, chutando o remanescente prejuízo para 2009. Torna as contas mais bonitas. Quanto à gritaria, quem quer banca pública, espera o quê, para lá de estratégias mais ou menos incompreensíveis ao comum dos mortais?

75 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 16:10

    JCD,

    Sou liberal e de opção capitalista. Mas, o que aqui leio, e muito do que se vai passando no BPN, BCP e tantos outros é VIGARICE.

    Tanta como foi provada em Tribunal pelo Nóvoa. Mas, o crime compensou: pagam,ento de multa de 5.000 euros.

    O capitalismo tem que se rejuvenescer. Isto é, precisa de mandar muita gente fazer companhia ao Oliveira e Costa.

    Depois, deveria começar por aqui:

    Escândalos na banca levam Irlanda a criar novo supervisor

    Uma sequência de escândalos na banca irlandesa, que envolveu algumas das principais instituições financeiras do país, levou o Governo a criar um novo organismo de supervisão bancária, que combinará competências do Banco Central e de regulador financeiro.
    “Vamos fazer uma reforma radical do sistema e dos métodos de supervisão e regulação do sector financeiro”, disse ontem à noite o primeiro-ministro, Brian Cowen, na conferência anual do seu partido, o Fianna Fail.

    Cowen, antigo ministro das Finanças, adiantou que o novo órgão será criado com base no modelo em vigor no Canadá. Anunciou ainda sanções contra os banqueiros que não respeitem as regras e os limites sobre os vencimentos dos funcionários dos bancos apoiados pelo Estado.

    No centro da controvérsia no sector financeiro irlandês tem estado o Anglo Irish Bank, agora nacionalizado, cujo presidente, Sean Fitzpatrick, se demitiu recentemente depois de reconhecer a transferência de cerca de 87 milhões de euros concedidos pelo banco a título de um empréstimo pessoal secreto.

    As transferências, que não constavam das contas anuais do banco, seguiram anualmente para uma conta pessoal noutra instituição, durante oito anos, até 2007.

    http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=21&id_news=112893

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  2. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 16:10

    O banco é alvo de uma outra investigação, relativa ao pagamento de 451 milhões de libras (509 milhões de euros) a dez clientes, para compra de acções do próprio Anglo Irish. “Há grande indignação e repulsa entre as pessoas confrontadas com a forma como os nossos banqueiros se comportaram”, disse Brian Cowen.

    No mês passado, vários dirigentes do Irish Life & Permanent, um dos maiores fornecedores de hipotecas no país, foram forçados a demitir-se na sequência de transferências multimilionárias para a Anglo Irish, alegadamente para inflacionar os depósitos do banco.

    O primeiro-ministro tem vindo a alertar para a inevitabilidade de um aumento da carga fiscal no país, historicamente baixa e apontada como uma das principais razões para o sucesso da economia irlandesa na última década.

    As previsões de despesas do Governo ascendem a 55 mil milhões de euros este ano, mas as receitas não devem exceder 37 mil milhões de euros.

    “Isso deixa um défice de 18 mil milhões de euros para a gestão quotidiana do país. Todos teremos de pagar mais”, advertiu ontem.

    Diário Digital / Lusa

    http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=21&id_news=112893

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  3. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    1 Março, 2009 16:11

    já sabe qualquer coisa do fino.
    e do city group o que apurou?

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  4. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    1 Março, 2009 16:18

    O dinheiro nunca se perde nem nunca se gasta. Apenas muda de mãos.

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  5. jcd's avatar
    1 Março, 2009 16:18

    j

    Não está a confundir o sistema económico com o sistema de justiça? Se há vigarices, a justiça deveria actuar, em todos os casos. E o que é que o caso Sá Fernandes – Névoa tem a ver com “capitalismo”? A corrupção nasce quase sempre da necessidade de ‘licença’, do ‘alvará’, da necessidade do beneplácito do estado para actividades que, se devidamente reguladas e legisladas, não deveriam em quase nenhuma situação precisar de carimbo. A licença é a principal semente de corrupção.

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  6. Desconhecida's avatar
    O Troglodita permalink
    1 Março, 2009 16:19

    Etão JCD, que acha do que o J aqui escreveu?

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  7. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    1 Março, 2009 16:23

    jcd,

    ainda não percebi como «esta solução permitiria à CGD registar menos prejuízos em 2008» se a operação foi feita em 2009.

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  8. jcd's avatar
    1 Março, 2009 16:30

    “ainda não percebi como «esta solução permitiria à CGD registar menos prejuízos em 2008» se a operação foi feita em 2009.

    Julgo que é a data do acordo é que conta para a imparidade e não a data de transacção. Os auditores apenas precisam de ver um papel assinado a demonstrar que a situação está resolvida.

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    • Gabriel Silva's avatar
      Gabriel Silva permalink*
      1 Março, 2009 16:36

      Hum…, e as finanças também aceitam um «papel assinado» com data de 2008 embora seja público o comunicado da operação em 2009?

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  9. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 16:32

    JCD,

    Muito teria que escrever, para lhe responder.

    O que é que o Caso Névoa tem a ver com o Caso dos Off-Shores do BCP? Aparentemente, nada.

    Mas, na realidade, tem muito que ver. Até porque, o JCD vem falar nas Licenças, mas no Caso do BCP, não há Licenças, mas houve Auditores, Revisores Oficiais de Contas, CMVM, e BdP, ….TODOS a assobiarem, e os accionistas, e até os empregados e, eventualmente, os Clientes, a ficarem desprotegidos….por causa da Ganância!

    Queria chegar aqui, à GANANCIA. No fundo, é aqui que chegam os Nóvoas, os Jardins, os Santos Ferreiras, os Finos, os banqueiros Irlandeses, …..a já esquecida Enron, Wordlcom, Arthur Anderson.

    É que muita da “criatividade contabilística” procura apenas arranjar resultados, que na realidade são miragens.

    A inovação é boa, desde que não prejudique a vida dos outros.

    Repare no Caso IrlandÊs, os banqueiros fizeram todas as “trafulhices” (criatividade contabilísticas) que quiseram, e agora quem vai pagar? O CONTRIBUINTE Irlandês.

    Esta última parte é que me dói. É que ainda há muita gente que trabalha árduamente, paga o que deve e a quem deve, e…..agora vai pagar os “assobios” de uma quantidade de gente (Agências de rating, Auditoras, Bancos Centrais, CMVM e afins), e a vontade gananciosa de uns quantos que fazem o que querem e depois pagam multas de 5.000 euros.

    Penso que o Eng. Jardim Gonçalves nem deve ter sido “incomodado” até agora….

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  10. Fernanda Valente's avatar
    1 Março, 2009 16:40

    Cláusula de “cross-default”… Mas é verdade que os bancos portugueses adoptam estas cláusulas em contratos, sobretudo nos financiamentos de alto risco como é o caso do mercado de capitais?

    Muito interessante e esclarecedor!

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  11. Desconhecida's avatar
    Oráculo das Avenidas permalink
    1 Março, 2009 17:00

    Não é a instituição que está em causa nem tão pouco a regulação: é o próprio sistema. Mas ainda não é amanhã a véspera do dia em certas cabeças vão interiorizar estas coisas.

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  12. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 17:03

    Ferraz da Costa: “PSD está em dissolução há muito tempo. É um saco de gatos em termos ideológicos”

    Eu não diria melhor, ou melhor, diria que passou pelo PPD/PSD ,a “alfarroba”, secou os terrenos, que antes davam laranjas e agora dá caracois.

    Qual o futuro da Tennager, á frente do Grupo Excursionistas “O Caracol”?

    Perguntem ao Professor

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  13. jcd's avatar
    1 Março, 2009 17:05

    “Mas, na realidade, tem muito que ver. Até porque, o JCD vem falar nas Licenças, mas no Caso do BCP, não há Licenças, mas houve Auditores, Revisores Oficiais de Contas, CMVM, e BdP, ….TODOS a assobiarem, e os accionistas, e até os empregados e, eventualmente, os Clientes, a ficarem desprotegidos….por causa da Ganância!”

    Meu caro: podem ser todos gananciosos desde que não o sejam à custa de terceiros. A ganância, desejo de enriquecer, procura do lucro, faz mover o mundo. Dá-nos tudo, desde o pão na mesa até ao salário no fim do mês. E continuo a não confundir ilegalidades com o resto. Se, no caso do BCP, falharam auditores, ROCs, CMVM e BdP, é evidente que há um problema de qualidade de regulação. Mas todo o caso poderia ser privado e resolvido em tribunais, onde os afectados podem e devem pedir responsabilidades aos que lhes causaram prejuízos.

    Já no caso das off-shores, fora as eventuais ilegalidades, a ganância é muitas vezes ao contrário. Servem para evitar excessos de tributação – isto é, defender quem as usa da ganâncias dos estados.

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  14. jcd's avatar
    1 Março, 2009 17:06

    “Hum…, e as finanças também aceitam um «papel assinado» com data de 2008 embora seja público o comunicado da operação em 2009?”

    Como é que sabes quando é que a operação foi feita?

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    • Gabriel Silva's avatar
      Gabriel Silva permalink*
      1 Março, 2009 17:10

      quando foi feita a conclusão da negociação, para efeitos oficiais, costuma ser irrelevante.
      Penso ser costume que as coisas sejam validas para efeitos terceiros após a sua formalização e não antes.

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  15. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 17:08

    O PSD até pode estar em auto-dissolução (se calhar está desde 1975), mas quem se revê num Partido democrático e não socialista, não está em auto-dissolução, de certeza absoluta.

    Aliás, o PSD deveria fazer novas purgas, tal como Sá Carneiro e Mota Pinto fizeram sucessivamente. Há muita gente que está no PSD para o “relacionamento” e a “negociata”. Estes têm a porta aberta nos “ditos” Socialistas. Que vão, como foi o Júdice. Boa viagem.

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  16. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 17:12

    “Mas todo o caso poderia ser privado e resolvido em tribunais, onde os afectados podem e devem pedir responsabilidades aos que lhes causaram prejuízos”.

    Oh JCD,

    Deve estar “mangando” comigo! Quer comparar a capacidade jurídica de um banco ou de uma auditora ou do BdP, com um Accionista que tem 10.000 acções? Ou de um Cliente, que tem lá uns títulos da privatização da EDP, há 15 anos?

    Give me a break!

    Querer ganhar é bom e bonito. Querer ganhar “nas costas” do parceiro é que não.

    Já nem vou falar dos anos, em que os casos fiquem em Tribunal a aboborar….

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  17. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 17:14

    “Já no caso das off-shores, fora as eventuais ilegalidades, a ganância é muitas vezes ao contrário”

    Pelo que vem escrito nos jornais, não foi a mera busca de “ganhos fiscais”. Foi a manutenção artificial da cotação das acções…..

    Crime. CRIME. Se calhar punível com uma multazinha de 350 euros! Pior, é o próprio Banco que tem que pagar a multa, à custa dos principais prejudicados….os accionistas!

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  18. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 17:17

    As “tias” do PPD/PDS, chamavam improperios ao mulherio, que se juntavam para dar 2 beijinhos ao Zezito.

    As Tiazinhas, em surdina comentavam – Nos vamos beijar quem? a velhota a cheirar a “Tabac”?

    Convenhamos que as “Tiazinhas” tem toda a razão.

    Eu vou cortar o cabelo, pô-lo de prateado, vestir um fato “Armani” por o perfume “Pax Joli”, e vou ao congresso da clube da S. Caetano

    Não quero que lhes falte nada

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  19. C. Medina Ribeiro's avatar
    1 Março, 2009 17:20

    Acerca destas “actividades”:

    A não perder a crónica de hoje de António Barreto intitulada «O Jogo do GO»:

    http://o-jacaranda.blogspot.com/2009/03/o-jogo-do-go.html

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  20. João Carvalho's avatar
    1 Março, 2009 17:22

    A principal pergunta que ninguém faz porque parece que é “coisa” normal é: porque razão o Banco do Estado emprestou dinheiro a um senhor para este comprar acções de um banco privado (aliás, numa situação algo compremetedora em termos de gestão/administração) aceitando apenas como garantia desse empréstimo as mesmas acções que, qualquer um por mais ignorante económico que seja, sabe tratar-se de um produto financeiro altamente volátil.

    A CGD, ao não ficar dona dessas mesmas acções, renegociou o empréstimo em moldes altamente favoráveis ao seu cliente e fez assim um favor ao seu devedor, assumindo nitidamente o risco da operação. Qualquer outro ser normal deste mundo que tenha um empréstimo, por exemplo de habitação, na CGD e que diga à caixa não o poder pagar, certamente entrará em falência e verá todos os seus bens hipotecados e o seu ordenado congelado.
    Que falisse o Sr.Fino! Porque razão hão-se ser os contribuintes a suportar particulares/empresas privadas que, pelos vistos, não são financeiramente equilibradas e ainda precisam do nosso dinheiro para operações de pura especulação.

    Este é o problema e é por isso que é inaceitável.

    O resto, pormenores financeiros, imparidades etc, são tretas lançadas na praça pública, como poeira para os olhos.

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  21. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    1 Março, 2009 17:29

    Acho que era bom em periodo de crise financeiro pessoas responsáves de partidos não tentassem destruir o sistema financeiro, isso é o que acho. Deviam ser cautelosos quando usam os bancos em politica.

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  22. Desconhecida's avatar
  23. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 17:39

    “porque razão o Banco do Estado emprestou dinheiro a um senhor para este comprar acções de um banco privado”

    Por acaso, só por mero acaso, quem parece que concedeu o empréstimo ao Sr. Fino, está agora na Admnistração do BCP. Um chama-se Carlos e o outro Armando!

    Aliás, algo de semelhante, mas com maior capacidade de um estouro maior, é o que se passa com o Comendador Joe (quem emprestou do lado da Caixa é o mesmo que está agora no lado do BCP).

    Et pour cause, perguntem ao Zézito Armani! Ele fala logo nas “campnhas negras”!

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  24. Desconhecida's avatar
    O Troglodita permalink
    1 Março, 2009 18:03

    Caro JCD,

    O comentário do Jmmtc nº 22 é esclarecedor.

    Ainda tem argumentação?

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  25. LUSITÂNEA's avatar
    LUSITÂNEA permalink
    1 Março, 2009 18:15

    O “sistema” mandou uns gajos fazer saltar a gerência dum banco privado.Dve ter prometido todas as facilidades para isso.Concretizou-se o desejo.O “sistema” tem que não prejudicar os “investidores” não vão eles colocar a boca no trombone.
    A CGD/BCP explicada a tótós…

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  26. jcd's avatar
    1 Março, 2009 18:26

    Troglodita:

    Já não basta a argumentação do post? Explique-me onde estão as novidades?

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  27. jcd's avatar
    1 Março, 2009 18:29

    Jmmtc

    O artigo que cita, mostra que o autor também não compreendeu muito bem a operação que a CGD fez. Aliás, o post foi escrito depois de ler o artigo do JN. Quanto à pergunta inicial, tem toda a razão. Mas aí, a questão é outra. Se queremos bancos públicos, não nos podemos queixar de estratégias incompreensíveis. Motivações políticas não aparecem explicadas em manuais de finanças.

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  28. tonibler's avatar
    1 Março, 2009 18:42

    jcd,

    As clausulas de cross-default são opção do credor, não do devedor.
    Ao fechar o contrato de crédito com a compra das acções, a CGD deixou de ter acesso aos demais activos da Investfino, nomeadamente o resto da Cimpor. Para a Investfino não é exactamente igual por causa disso. E para a CGD não é irrelevante porque, mesmo que a Investfino tivesse só Cimpor, recebeu menos Cimpor que aquela que poderia ter recebido.

    Isto se estivermos a olhar só pelas partes. Vou gostar de saber o que o Banco de Portugal e a Delloitte têm a dizer desta trafulhice. Se o activo é cotado em mercado não pode, por subtilezas contabilísticas ou da operação, entrar no balanço 25% acima do valor. Por menos que isso já se fechou um banco.

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  29. João Carvalho's avatar
    1 Março, 2009 19:05

    JCD:

    “Se queremos bancos públicos, não nos podemos queixar de estratégias incompreensíveis.”

    Este argumento, para além de demagógico, é vazio de sentido para a questão em causa, além de contra-producente se olharmos para as últimas situações de desastre finaceiro, BPP, BPN e confusão na gestão, BCP – todos em bancos privados.

    O problema da “estratégia incompreensivel” não está no banco ser público mas porque quem a praticou não percebe (ou percebe bem demais…), que está a gerir um banco público, e por essa razão não pode, por ser imoral, realizar tal “estratégia”. O artigo de António Barreto (linkado por C. Medina Ribeiro em cima) é esclarecedor neste aspecto nas questões que faz sobre que papel deve ter a CGD e quem a controla.
    O que é “incompreensível” é a “estratégia” promíscua de ganância entre finanças privadas!, interesses de carreira de políticos privados!, usando a capa do Estado e dos dinheiros públicos.

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  30. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    1 Março, 2009 19:07

    JCD, leia o Jacarandá do António Barreto.Você quer que olhemos para a operação como sendo técnica quando o que está em causa é uma política de “abocanhamento” das grandes empresas por parte do Estado, utilizando os serviços de meia dúzia de “amigos-milionários” e o nosso dinheiro, que é utilizado sem supervisão por parte da CGD!E não percebo porque acha que o prémio de 25% e a possível recompra a 3 anos, sejam tão normais, que nem se refere a elas.O Fino ganha uns milhões, é liberal !Está tudo bem!

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  31. jcd's avatar
    1 Março, 2009 19:18

    Caro Luis, refiro-me aos 2 pontos a que se refere. É esse o tema do post. E o Fino não ganhou nada (desta vez).

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  32. jcd's avatar
    1 Março, 2009 19:22

    “Jmmtc disse

    Este argumento, para além de demagógico, é vazio de sentido para a questão em causa, além de contra-producente se olharmos para as últimas situações de desastre finaceiro, BPP, BPN e confusão na gestão, BCP – todos em bancos privados.”

    Não, não é. Os problemas dos bancos privados, se o estado não se intrometer, são privados. Acontecem todos os dias problemas semelhantes em muitas empresas. Roubos, desvios, clientes aldrabados, etc. É também para esses problemas que serve o sistema de justiça. Os problemas das empresas públicas são meus, seus, de todos. E quando os governos usam as empresas públicas como instrumento de estratégia política, acontecem coisas estranhas. Mas se há empresas públicas, há políticos, há estratégias não financeiras. Haverá sempre. Não se lembra dos bancos ao serviço do ‘povo’?

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  33. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    1 Março, 2009 19:32

    Caro JCD, o que eu digo é que os seus pontos não existem.Você quer empurrar-nos para aí, mas eu não vou.O problema não é o registo da imparidade, é a sua existência real.O problema não é o incumprimento (possível) é a inexistência de razões para haver transferência de menos valias do Sr.Fino para a CGD!Essas é que são as questões materiais.O resto pode ser tudo “conversado” com os auditores e com a supervisão.Pelo que li hoje, parece que saiu uma orientação da DG dos Impostos que permite que as imparidades sejam repartidas nas contas por 4 anos.

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  34. João Carvalho's avatar
    1 Março, 2009 19:56

    JCD

    “Mas se há empresas públicas, há políticos, há estratégias não financeiras.”

    O seu erro, a meu ver, é na insistente ligação entre “estratégias” “incompreenssíveis” e “não financeiras” e as coisas públicas, primeiro os bancos, agora as empresas. Se isto existe, e existe de facto, não é por eles serem públicos, mas sim porque quem as gere dá primazia a factores, digamos, não públicos e é isto é que eu digo ser imoral e que você, se percebi bem, também o considera mas indo mais além, dizendo que é própria da sua natureza pública como sendo um vício. Aqui discordamos e não há muito mais a dizer.

    Só mais 2 pontos:
    – o sistema de justiça também serve para os roubos, desvios etc na coisa pública. O problema é que o refúgio permanente dos gestores públicos na desresponsabilização politico-hierárquica da administração pública, onde quem mais devia mostrar responsabilidade e ética não o faz e não é nunca chamado à letra, e tudo o que é duvidoso e reprovável é rapidamente tratado como “actos financeiros legais”.

    – “banco do povo” lembro-me da D.Branca e era bem privado 🙂

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  35. jcd's avatar
    1 Março, 2009 20:10

    Luis Moreira

    Qual “transferência” de menos valias?

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  36. jcd's avatar
    1 Março, 2009 20:13

    “Se isto existe, e existe de facto, não é por eles serem públicos, mas sim porque quem as gere dá primazia a factores, digamos, não públicos e é isto é que eu digo ser imoral e que você, se percebi bem, também o considera mas indo mais além, dizendo que é própria da sua natureza pública como sendo um vício. Aqui discordamos e não há muito mais a dizer.”

    Mas existe e é sempre assim. Numa empresa privada há accionistas ou sócios que querem remunerar capitais. Numa empresa pública há políticos que nomeiam gestores para ganhar eleições, ajudar quem os ajuda, pagar favores ou outras coisas ainda piores. Empresas públicas bem geridas, são excepção e não a regra.

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  37. João Carvalho's avatar
    1 Março, 2009 20:22

    Eu não queria entrar por aqui pela natureza do sistema…

    “Numa empresa pública há políticos que nomeiam gestores para ganhar eleições, ajudar quem os ajuda, pagar favores ou outras coisas ainda piores.”

    Eu diria que o que há em demasia são privados (empresas ou não) que pedem dinheiro/favores a empresas públicas passando ou não por gestores nomeados por políticos etc etc etc – afinal o caso em concreto…

    Isto, meu caro, é desvirturar qualquer sistema mais público ou mais privado.

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  38. jcd's avatar
    1 Março, 2009 20:25

    “Eu diria que o que há em demasia são privados (empresas ou não) que pedem dinheiro/favores a empresas públicas passando ou não por gestores nomeados por políticos etc etc etc – afinal o caso em concreto…”

    Isso é a natureza dum privado – maximização de rendimentos.

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  39. Desconhecida's avatar
    O Troglodita permalink
    1 Março, 2009 20:34

    Caro JCD,

    Como é possível ( foi ) a CGD fazer esse negócio com o Fino ( e outros ), sem salvaguardar os seus ( da CGD )interesses? Até a tia desdentada do Piscoiso se estivesse à frente da CGD saberia fazê-lo. Então ficam só com as contrapartidas de um negócio que é volátil ( tanto sobe como desce, e actualmente desceu muito ). Aqui, se houvesse justiça, era cadeia com os gestores de tais negociatas. No fim o Fino e outros não pagam e ainda saem a ganhar daqui a uns anos ( se o que escreveu está correcto ).

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  40. João Carvalho's avatar
    1 Março, 2009 20:42

    “Isso é a natureza dum privado – maximização de rendimentos.”

    eu juntava à sua frase e não só para este caso em concreto a palavra: alheios.

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  41. jcd's avatar
    1 Março, 2009 20:45

    Caro Troglodita

    A natureza original do negócio é outra história. O meu ponto 1 encerra uma crítica a quem tomou tais decisões. O que não sabemos muito bem é que outras motivações estiveram por detrás de tais decisões. Algumas destas operações até permitiram colocar uma nova administração no maior banco privado.

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  42. jcd's avatar
    1 Março, 2009 20:47

    jmmtc

    “eu juntava à sua frase e não só para este caso em concreto a palavra: alheios.”

    Por acaso acho que não faz muito sentido. “maximização de rendimentos alheios”. São mesmo próprios.

    Por exemplo, um subsídio é muito bom para quem recebe (rendimento) e para quem atribui (fica um favor para pagar). Só é mau para quem paga.

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  43. Nuno Gaspar's avatar
    Nuno Gaspar permalink
    1 Março, 2009 20:55

    Já algum tempo me diziam que, na CGD (e se calhar noutros bancos), era mais fácil obter um crédito de milhões do que um crédito de milhares de contos. Verifico agora que é verdade. Muitas PMEs, de que dependem muitos postos de trabalho, concerteza apresentando menor risco do que a especulação bolsista, e se calhar muitas podendo oferecer melhores garantias, viram os seus pedidos de crédito rejeitado. Alguém tem que ser responsabilizado.

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  44. Nuno Gaspar's avatar
    Nuno Gaspar permalink
    1 Março, 2009 21:01

    “A CGD teria que registar nas contas um enorme prejuízo e o grupo Invesfino entraria em falência”
    Alguém explique como, uma vez que M.Fino ainda ficou com outros 10% da Cimpor, suficientes para saldar a dívida na totalidade.

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  45. jcd's avatar
    1 Março, 2009 21:12

    Nuno Gaspar

    O grupo em causa também tem na CGD um enorme problema chamado Soares da Costa. Não tenho grandes dúvidas que todos os activos do grupo estão dados como garantia a diversos financiamentos.

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  46. Carlos Santos's avatar
    1 Março, 2009 21:32

    Resta saber se haverá CGD depois do que não se decidiu na cimeira a que o PM não foi. Exagero? Eu deixo os fundamentos da análise em:
    http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/03/desuniao-europeia-em-bruxelas-e-os.html

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  47. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    1 Março, 2009 21:33

    Até um conselheiro de estado, Marcelo Rebelo de Sousa comenta o assunto na tv como expert. E usa como arma politica. Disse acho eu que os tempos do ps-psd acabaram. (usou a ultima frase de obama) Olha que bom. Como estas pessoas pensam que falam para pacóvios é extraordinário. Ele é de que partido? lol

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  48. João Carvalho's avatar
    1 Março, 2009 21:35

    JCD

    Só a maximização é que é própria (ou em proveito próprio), os rendimentos são mesmo alheios, ou seja, dos outros.

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  49. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    1 Março, 2009 21:49

    As menos-valias que resultam da desvalorização das acções que servem de garantia ao empréstimo.Como não podem ser aceites pela CGD (tal é a desvalorização) lançam mão de uma negociata.Eu dou-te as acções da Cimpor ao preço de hoje acrescidas de 25% e posso recomprá-las dentro dos próximos 3 anos.Mas acrescidas de 25% porquê? O prémio só se justificaria se a intenção da CGD fosse controlar a Cimpor.Como vê o prejuízo esta a passar das mãos do Sr. Fino para a CGD!Isso é que deve ser discutido!

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  50. jcd's avatar
    1 Março, 2009 21:56

    Luis Moreira

    Qual a alternativa da CGD que lhe proporcionaria um melhor retorno?

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  51. João Carvalho's avatar
    1 Março, 2009 22:18

    JCD

    “Qual a alternativa da CGD que lhe proporcionaria um melhor retorno?”

    congelar/penhorar/adquirir/hipotecar a favor da CGD activos do Sr. Manuel Fino no valor em dívida. Ou seja, tratar o dito Sr. como trataria e trata outro qualquer cidadão comum. Era apenas isto que se pedia.

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  52. jcd's avatar
    1 Março, 2009 22:47

    “congelar/penhorar/adquirir/hipotecar a favor da CGD activos do Sr. Manuel Fino no valor em dívida”

    Meu caro, Isso seria manifestamente ilegal, excepto se contratualmente o Sr. Fino tivesse avalizado pessoalmente o financiamento – o que não foi obviamente o caso, nem nunca seria. Estamos a falar de SGPSs. Mesmo que fosse possível fazer uma extensão de garantias, era preciso que existissem outros activos desonerados passíveis de ser dados como garantia, o que também me parece pouco provável. E porque razão havia a empresa de dar mais garantias do que aquelas que estavam contratualmente previstas?

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  53. Desconhecida's avatar
    Amonino permalink
    1 Março, 2009 22:51

    .
    também para estar atento:
    .
    Economist Artur Schmidt says Switzerland could go broke because Swiss banks extended billions in credit to Eastern European countries which now can’t pay back the money.

    “Switzerland, like Iceland, is threatened with a potential national bankruptcy,” Schmidt told the Swiss daily Tagesanzeige.

    Loans made in Swiss francs stimulated rapid economic growth in many Eastern European countries, Schmidt says, making Swiss currency very important.
    .

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  54. Desconhecida's avatar
    1 Março, 2009 23:15

    A CGD não pode divulgar os dados do negócio.

    A CGD é tutelada pelo Ministério das Finanças.

    E é o mesmo Ministério das Finanças que quer levantar o sigilo bancário e inspeccionar as contas bancárias de pequenos e médios contribuintes.

    E ainda hoje o Ministro das Finanças diz que quer acabar com as off-shores…

    Como quer acabar se dentro da CGD o segredo é a alma do negócio, e ainda por cima os prejuízos desses negócios são imputados aos contribuintes?

    O actual regimem está no seu fim!

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  55. Nuno Gaspar's avatar
    Nuno Gaspar permalink
    2 Março, 2009 00:05

    JCD,
    “excepto se contratualmente o Sr. Fino tivesse avalizado pessoalmente o financiamento – o que não foi obviamente o caso”

    Esse é precisamente o busílis da questão. É que a grande economia, essencialmente especulaticva, é realizada por quem não arrisca o seu património pessoal e a pequena economia das PMEs, que cria emprego, só é financiada à custa de avais pessoais. Estão à vista as distorções criadas.

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  56. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    2 Março, 2009 00:18

    JCD

    Mas,então, se o sr.Fino não pode pagar, estamos no amâgo da questão!E que faz a CGD? Sobrevaloriza as acções do sr. Fino para fazer de conta que não teve prejuízo nenhum! Esta a ver como o prejuízo é da CGD? E outra questão, bem mais interessante que você tambem levanta de raspão.Estes empréstimos, estão ou não relacionados com políticas do Estado para controlar empresas privadas? No caso o BCP? O que quer o governo obter com estas políticas, já que nem sequer as assume? E controla o BCP com a ajuda de milionários, emprestando-lhes dinheiro público ? Não é melhor começar a fazer perguntas em vez de deitar areia para os olhos dos pagantes?

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  57. jcd's avatar
    2 Março, 2009 00:21

    “Esta a ver como o prejuízo é da CGD?”

    O prejuízo é dos dois lados, mas não é esta operação em particular que trouxe prejuízo. O prejuízo nasce com a queda das acções.

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  58. o sátiro's avatar
    2 Março, 2009 00:55

    curioso como as negociatas da cgd com Joe Berardo não merecem a mesma “indignação”, em especial desse símbolo da esquerda caviar da pedra lascada que é Louçã. No fundo, é tudo socialista: usar e abusar dos dinheiros públicos para negociatas particulares.

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  59. RM's avatar
    2 Março, 2009 01:57

    a base de dados que sócrates está a construir a partir do site http://www.socrates2009.com/ não salvaguarda a autenticidade de alguns dos dados inseridos

    análise ao site http://www.socrates2009.com/

    Sócrates 2009

    RM

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  60. Desconhecida's avatar
    Tia Ambrosina permalink
    2 Março, 2009 02:37

    Do Berardo ao Fino, just follow de money, o compadrio e a trafulhice.

    PS: Caro sobrinho, antes que venha para aqui barafustar a dizer que não rima, sim, é verdade, neste país já nem dá para a rima.

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  61. JCP's avatar
    JCP permalink
    2 Março, 2009 10:24

    JCD
    não mande mais “pérolas a porcos”.
    se bem que a análise contabilística esteja mais ou menos correcta (falta-lhe uma referência à contabilização pelo “fair value” ou outro), parece-me que a decisão da CGD só pode ter sido decidida com base numa análise jurídica aprofundada dos contratos assinados efectuada pela douta Celeste Cardona!

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  62. AAA's avatar
    AAA permalink
    2 Março, 2009 10:36

    JCD:
    «O prejuízo nasce com a queda das acções»

    Pois, sem dúvida. Nick Leeson, por exemplo,não diria melhor. E não me venha dizer que com Leeson não eram acções porque vai tudo dar ao mesmo.

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  63. Desconhecida's avatar
    2 Março, 2009 11:11

    Depois do “assalto” ao BCP, as cotações respondem, mas a festa dos Varas continua:

    http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=356640

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  64. jcd's avatar
    2 Março, 2009 11:17

    “E não me venha dizer que com Leeson não eram acções porque vai tudo dar ao mesmo.

    Meu caro, se acha que é tudo o mesmo não há nada a fazer. Um roubo não é nem nunca pode ser igual a uma má decisão.

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  65. PMS's avatar
    2 Março, 2009 12:07

    “Qual a alternativa da CGD que lhe proporcionaria um melhor retorno?”

    Muito simples. Ficar com as acções da Cimpor ao preço de mercado. Com todas as que pudesse para cobrir a dívida.

    No cenário actual, se as acções da Cimpor (que o Fino ainda tem) valorizarem, o Fino paga o que deve e fica com o remanescente. Se desvalorizarem, a perda é da CGD. Portanto, o upside está do lado do Fino e o downside do lado da CGD. Que é como quem diz, o retorno está do lado do Fino e o risco do lado da CGD. Ainda por cima a CGD decidiu assumir downside 25% acima do necessário.

    Se a CGD ficar com todas as acções, fica o retorno e o risco do lado da CGD.

    O preço pago pelas acções só é irrelevante se se assumir que a cotação da Cimpor/BCP (acrescida do “prémio” de 25%) não irá ultrapassar o valor da dívida, ou que o Fino não pagará o que deve por outros meios.

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  66. Desconhecida's avatar
    2 Março, 2009 13:26

    Isto e uma vigarice para a qual nao existem palavras e o que aqui diz e completamente non-sense. Relativamente ao ponto 5, a solucao e facil e obvia. Aceitava-se um waiver ao cross default e nao se aceleravam o resto dos contratos. Nao tem nada a ver com o banco ser estatal ou privado. Tem a ver com vigarice.

    AG

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  67. AAA's avatar
    AAA permalink
    2 Março, 2009 14:36

    JCD:
    «Um roubo não é nem nunca pode ser igual a uma má decisão»

    Tanto quanto sei Leeson «apenas» negociou produtos derivados e quanto mais o mercado teimava na tendência contrária à sua mais ele alavancava, sempre na expectativa de uma inversão. Más decisões, portanto.
    Aliás, destes exemplos está o catálogo de ex-traders repleto, como muito bem sabe.

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  68. Socrates de Atenas's avatar
    Socrates de Atenas permalink
    2 Março, 2009 16:23

    Aquilo que se passou no BPN e BPP, passa-se em outros bancos, mas como so interessava a este tirano do 1º ministro destruir os bancos proximos dos partidos da oposição,deixou os outros a coberto da sua ditadura encoberta que agora tem o sis a investigar-nos

    AS ARMAS

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  69. Socrates de Atenas's avatar
    Socrates de Atenas permalink
    2 Março, 2009 16:40

    Democracia ??? é falso meus caros nada disso existe aqui neste pais de corruptos, o que existe meus caros é somente um conjunto de ladrões que tudo roubam do tesouro publico e depois manipulam a justiça e armam-se em vitimas alegando cabalas politicas. acabe-se com a podre republica deste laicos e republicanos, vigaristas e ciganos, isso tem sido aquilo que temos tido a quase 100 anos.

    Faça-se um referendo aos cidadãos e questione-se se querem continuar a ter esta podre republica de gays e ladrões ou se preferem outra forma de estado, quem sabe uma monarquia parlamentar, pelo menos os paises que a têm todos estão melhores; que eu saiba só a França é a unica republica mais ou menos, todas as outras são desgraças; atenção não confundir republica com estados federais.

    Já agora para aqueles que argumentam que os Reis gastam, muito…. eh eh eh eh que ignorancia pretensiosa, talvez com excepção da monarquia inglesa todas as outras monarquias Europeias têm orçamentos muito mais baixos do que os nossos Presidentes da Republica; e já agora para vossa curiosidade cada um deles que passa por lá não gosta dos cortinados do anterior e como tal manda substituir, só o senhor cavaco gastou mais de 600 000€ em novos cortinados.

    Rasparam o fundo ao tacho e agora vêem raspar o fundo dos nossos tachos.

    Deixo-vos com Guerra Junqueiro (1886)

    ‘ Somos um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
    fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de
    misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas somos
    capazes de sacudir as moscas …’

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  70. jcd's avatar
    2 Março, 2009 17:23

    “Tanto quanto sei Leeson «apenas» negociou produtos derivados e quanto mais o mercado teimava na tendência contrária à sua mais ele alavancava, sempre na expectativa de uma inversão”

    Leeson falsificou informação para aumentar o valor do seu prémio pessoal, negociou contratos sem autorização e manipulou a contabilidade para esconder as perdas. Não é a exactamente a mesma coisa.

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  71. Desconhecida's avatar
    Tribunus permalink
    2 Março, 2009 18:04

    Isto chanma-se vigarice para com os contribuintes, avaliazada
    pelo governo!

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  72. Desconhecida's avatar
    AAA permalink
    2 Março, 2009 21:13

    «Não é a exactamente a mesma coisa»

    Isso foi depois das coisas começarem a correr mal. Na raiz estiveram os prejuizos a crescer em espiral.

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