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Charros e copos*

14 Março, 2009

O presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), João Goulão, iniciou uma forte campanha contra o alcoolismo juvenil. Nesta linha tem feito acusações como “Os pais têm de saber que os filhos bebem quando saem à noite” ou os pais estão a “demitir-se das suas responsabilidades enquanto educadores“. Declarações essas com as quais é difícil não concordar quando, ao fim-de-semana, se passa na zona de Santos, em Lisboa, e se verifica como a zona está transformada numa espécie de ‘embriagódromo-vomitódromo’ infanto-juvenil.
A minha única dúvida é se o presidente do IDT, João Goulão, que agora se pronuncia em termos tão duros sobre a responsabilidade dos pais no consumo de álcool, é o mesmo João Goulão que, enquanto presidente do mesmo IDT, editou um dicionário sobre toxicodependência que se destinava a ser consultado por crianças e jovens a partir dos 11 anos? Aos mais esquecidos recordo que nesse dicionário se liam definições como esta “betinho, cocó, careta: aquele que não consome droga e, por isso, é considerado conservador, desprezível e desinteressante”.
Pois é precisamente para não serem considerados conservadores, desprezíveis e desinteressantes que muitos pais preferem não ver, não ouvir e não falar sobre o que bebem os filhos.

PÚBLICO 12 de Março

41 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    ... permalink
    14 Março, 2009 11:43

    Mas não é um dicionário ? Se os jovens usam essas definições não facilita a compreensão entre pais e filhos? Parece-me até uma boa ideia.

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  2. :-)'s avatar
    :-) permalink
    14 Março, 2009 11:47

    conversa de moralistas. se não gosta do que vê na zona de santos, não passe lá.

    ou então coma um pãozinho sem sal, que isso passa.

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  3. OLP's avatar
    OLP permalink
    14 Março, 2009 12:09

    Esse apologista do sem sal tb deve achar que é moralismo beber e dar cabo do figado antes até de o ter fisiologicamente completo.
    Para complementar a geraçao dos das sopas de cavalo cançado, hj na sua grande maioria diabéticos, tensão alta e com problemas renais, vamos ter a geraçao dos mesmos dos tempos modernos.
    E o raio dos nossos deputados preocupados com o sal não repararam nisso.
    A propósito disso…para quando o fecho das praias? por causa do cancro da pele?
    Moralismos por moralismos…..

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  4. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    14 Março, 2009 12:18

    http://www.salon.com/opinion/greenwald/

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  5. José Manuel Faria's avatar
    14 Março, 2009 12:30

    Pão sem sal, pois então

    obriguem:

    – Tabaco sem nicotina;
    – Café sem cafeína;
    – Vinho com máximo de 7º;
    – Carne sem pesticidas;
    – Peixe só de rio despoluído;
    – Bolos com máximo de açúcar;
    – Arroz só aos Domingos;
    – O Fim dos óleos alimentares;
    – Bacalhau só português;
    – Petróleo só Angolano;
    – O fim dos estrugidos;
    – Chouriços sem sal;
    – 20 Gramas de presunto por ano;
    – Chocolate de adoçante;
    – Charros com filtro universais;
    – Pasteis de Belém, só no Palácio.

    Se o ridículo matasse!

    E a Crise, medidas para superar a Crise, não, eu é só Bolos.

    ps. O problema é o abuso. Eurico de figueiredo dizia que beber 20 cafés seguidos dava um ganza igual a uma dose de heroína.

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  6. Carlos's avatar
    Carlos permalink
    14 Março, 2009 12:57

    Ninguém diz careta. Nem bêbedo.

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  7. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 12:57

    Il faut être toujours ivre. Énivrez-vous de vin, de poèsie ou de vertu à votre guise!
    (Charles Baudelaire)

    Estão sempre a querer corrigir a juventude, a guiá-la pelos “bons caminhos” esquecendo que é uma idade altamente experimental e efêmera.
    Carne para canhão de todas morais e de todos os vícios a juventude no entanto não precisa de “pedagogos” ou censores. É melhor um jovem errado que um impudente velho cheio de bom senso e bons conselhos.

    J’avais vingt ans. Je ne laisserai plus personne dire que c’est le plus bel âge de la vie!
    (Paul Nizan)

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  8. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 13:00

    Quanto a charros: dão mais conhecimento que anos de escola.

    Legalizar marijuana, já!

    Consome-se desde o tempo dos Cittas (na Antiga Grécia).

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  9. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    14 Março, 2009 13:08

    #8 finalmente tiveste uma ideia de jeito.

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  10. Gonçalo Marques's avatar
    14 Março, 2009 13:41

    Cara Helena

    Eles andam perdidos …

    Vale tudo …

    Até vender valores, mães, pais …

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  11. Alexix's avatar
    14 Março, 2009 13:44

    Está mal disposto?
    Vá aqui: http://portaria-59.blogspot.com/2009/03/o-melhor-pais-do-mundo.html
    cumprimentos e bom fim de semana.

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  12. Desconhecida's avatar
    14 Março, 2009 14:47

    “Se os jovens usam essas definições não facilita a compreensão entre pais e filhos? Parece-me até uma boa ideia”.

    O caminho mais rápido para o fim do actual “modo de vida”. A decadÊncia evidencia-se. Depois, virão os tenebrosos.

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  13. Zézito's avatar
    14 Março, 2009 15:17

    Qual a relação entre o “Magalhães” e o Freeport?

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  14. Desconhecida's avatar
    ... permalink
    14 Março, 2009 15:18

    O facto de achar que facilita a compreensão não significa que não se ache que já se está na decadência.

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  15. Piscoiso's avatar
    14 Março, 2009 15:19

    Agora é por causa das definições de “betinho, cocó, careta” num dicionário, que aparecem jovens a vomitar na zona de Santos.

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  16. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 15:20

    Alexix,

    LOL

    Roubugal, fixe.

    Pinóschiuseng ; -))

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  17. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 15:24

    Filhos: vem aí a crise, bebam os vossos pais!

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  18. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 15:53

    “betinho, cocó, careta: aquele que não consome droga e, por isso, é considerado conservador, desprezível e desinteressante”.

    Antes do mais no artigo acima há uma confusão de géneros, fala.se de álcool e de droga, e confundem-se os dois num universal vomitódromo. Ou seja, mete-se tudo no mesmo saco.

    É de facto um discurso moralista amedrontado, que verbera os pecadilhos de alguma juventude que confunde com “a juventude” e extrapola de imediato sinais de decadência e de desordem social perigosíssima.

    Eu sou conservador, desprezível e desinteressante e desfruto daquilo a que uma má fé distorcida chama “drogas”. Embora tenha opiniões sobre tudo, não vomito artigos de opinião, condenatórios,de execução sumária e de rejeição epidérmica e horrorizada daquilo que vê.

    Pois saiba que há mais juventude que não transita por aquelas zonas, e tem escolhas menos colectivas, mais selectivas para os seus prazeres e transgressões.

    Depois, se aquilo nã sua opinião é um erro, há um tempo para errar, não acha? Ou somos todos escuteiros, socialistas e catequistas? E estamos sempre na via direita, sem uma tropelia?

    Eu preocupava-me mais com a senectude, com todos os velhos deste país atirados em depósitos chamados lares. Vegetalizados, drogados com tranquizantes, apatetados por empregados sem qualificações, e a comer comida mais triste do que nas cantinas.

    Depois cada país tem as juventudes que merece. Esta pelos vistos fartou-se da vossa sociedade, por uns tempos, antes de entrar na bicha, e ser um nine to five.

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  19. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    14 Março, 2009 16:03

    Puto novo, os velhos sao atirados para lares com drogas, os novos com drogras são. Ambos não tem o seu discernimento.
    Cada país tem os velhos que merece

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  20. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    14 Março, 2009 16:09

    The success of drug decriminalization in Portugal:
    salon.com/opinion/greenwald/2009/03/14/portugal/index.html

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  21. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    14 Março, 2009 17:11

    Bom ponto de vista.

    http://rebrand.blogs.sapo.pt/

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  22. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    14 Março, 2009 17:41

    Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu.

    Quantos jovens “rebeldes” de Maio de 68, cujo lema era,« proibido proibir», ocupam, agora, lugares de destaque na elaboração de regulamentos e leis que têm limitado a liberdade dos cidadãos e cosequentemente o conceito de democracia?
    Cumprirão eles as normas e regulamentos que impõem aos outros?

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  23. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    14 Março, 2009 17:54

    #22 má memória, em portugal o maio foi 69

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  24. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 17:59

    #22

    O é “proíbido proibir” já tinha um germe jurista, legislativo. Virou 180º de rota. Tornou-se no “é proibido não proibir” contemporãneo.

    O século passado foi o das “revoltas” dos pequeno-burgueses, a classe em ascenção nessa altura.

    Ascendeu, tornaram-se burgueses. Agora tem na mão as batutas, os canudos e os cornudos de todas as idades e dos três sexos obedecem-lhe.

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  25. Desconhecida's avatar
    14 Março, 2009 18:19

    Antes bêbedo e drogado que apoiante do Sócrates.

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  26. Desconhecida's avatar
    Lusitana Antiga Liberdade permalink
    14 Março, 2009 18:29

    “betinho, cocó, careta: aquele que não consome droga e, por isso, é considerado conservador, desprezível e desinteressante”.

    No meu tempo não havia propriamente estas definições. Mas, passados tantos anos desde a minha adolescência, tenho de agradecer aos meus Pais terem-me ajudado a ser o que ainda hoje sou: «betinho; cocó e careta».
    OBRIGADO PAIS!

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  27. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    14 Março, 2009 18:30

    Eu sou conservador, desprezível e desinteressante e desfruto daquilo a que uma má fé distorcida chama “drogas”.
    drogas? cá para mim é casal garcia.

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  28. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 19:09

    #27

    “cá para mim é casal garcia.”

    é só para si ; -))

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  29. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 19:12

    #28
    Caro Lusitânea Liberdade,

    Supondo que não seja contemporâneo do meu avô D. Afonso Henriques,

    No seu tempo havia sinónimos dessas definições: jarrão, conselheiral, e possidónio.

    A definiçâo de droga, e sobretudo de adicção á mesma, entretanto alargou-se. O trabalho pode ser uma droga. Uma atitude rígida também.

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  30. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 19:16

    #19

    Sim, cada país tem os velhos que merece, e já agora todas as idades decadentes que merece. Acha que se pode falar de uma infãncia decadente, e de aviário, alimentada por comida industrial e já viciada com todo o tipo de gadgets tecnológicos?

    “Da decadência da nova infância tecnologizada” belo título para exoplorar.

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  31. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    14 Março, 2009 19:16

    explorar

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  32. Desconhecida's avatar
    Amonino permalink
    14 Março, 2009 20:08

    “Os pais têm de saber que os filhos bebem quando saem à noite” ou os pais estão a “demitir-se das suas responsabilidades enquanto educadores“. Declarações essas com as quais é difícil não concordar quando, ao fim-de-semana, se passa na zona de Santos, em Lisboa, e se verifica como a zona está transformada numa espécie de ‘embriagódromo-vomitódromo’ infanto-juvenil.
    .
    Porque não se regulam polticamente, e fixa defintivamente, os ‘embriagódromos-vomitódromos’ infanto-juvenil ? Em Espanha acabaram radicalemente para os de 18 anos ou menos. Agiram na oferta não desataram a atirar com as culpas para cima dos pais. Colaboraram com eles na Educação e Formação da Juventude.
    .
    Não souberam atacar os cidadãos fumadores ? Façam o mesmo com as Empresas que fornecem o alcool etc para ‘embriagódromos-vomitódromos’. O lugar politico da Governança é ao lado dos Pais.
    .

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  33. Desconhecida's avatar
    Amonino permalink
    14 Março, 2009 20:11

    .
    É isso mesmo NACIONALIZAÇÃO DO COMERCIO DAS DROGAS PELO ESTADO.
    .

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  34. Alex's avatar
    Alex permalink
    14 Março, 2009 22:44

    ESTA AGORA!

    Então, ó meu caro, é o dicionário que dá origem ao betinho, ao cocó; ou é o betinho ou cocó que dá origem à entrada no dicionário?!

    Está bem que não goste do homem, e eu também não gosto, mas o dicionário dele não tem culpa nenhuma.

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  35. Fernando's avatar
    Fernando permalink
    14 Março, 2009 23:37

    Excelente artigo.

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  36. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    15 Março, 2009 00:23

    O puto novo no bairro disse Em resposta a #19
    Sim, cada país tem os velhos que merece, e já agora todas as idades decadentes que merece.

    Vejo que concorda, o que é natura, pois quando escrevi “cada país tem os velhos que merece” estava-o a citar a si em #18 (“Depois cada país tem as juventudes que merece “)
    apenas trocando “jovens” por “velhos”

    “O puto novo no bairro disse
    Acha que se pode falar de uma infãncia decadente, e de aviário, alimentada por comida industrial e já viciada com todo o tipo de gadgets tecnológicos?”

    A sua primeira frase, condiciona as restantes, pois diz logo que a juventude é decadente. A seguir diz as razões porque na sua opinião é decadente (aviário em diante).
    Na prática, as razões que aponta não são muito diferentes das apontadas aos velhos em cima. Há portanto algo que falta na sua definição, ou anda tudo a ser tratado , ou a auto-tratarem-se da mesma maneira. Aviários, comida não sei quê, gadgets etc.

    Será que as outras idades não passam pelo mesmo, ouso perguntar ?

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  37. o sátiro's avatar
    15 Março, 2009 01:10

    esse gajo já devia ter sido expulso do IDT há mto tempo. O dicionário foi um chamar de atenção cínico para achincalhar os teen agers q têm a coragem (e é precisa mta naquela idade…) de não alinhar no chique, modernaço, porreirismo dos vomitódromos e toxicódromos espalhados por este país

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  38. Desconhecida's avatar
    Ruben permalink
    15 Março, 2009 01:14

    .
    A equação:
    .
    -Educação sexual desde os 5 anos de idade:
    -Primary schools give sex education to children as young as FIVE after the Alfie Patten case
    http://www.dailymail.co.uk/news/article-1160673/Primary-schools-sex-education-children-young-FIVE-Alfie-Patten-case.html
    .
    -Estudantes Universitários avisados que alcool e droga pode impedir o Diploma:
    -Medical students warned bad behaviour could cost them career
    http://www.telegraph.co.uk/health/healthnews/4986064/Medical-students-warned-bad-behaviour-could-cost-them-career.html
    .
    -Medias diabolizam a juventude:
    -’Hoodies, louts, scum’: how media demonises teenagers
    http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/hoodies-louts-scum-how-media-demonises-teenagers-1643964.html

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  39. Pedro Fontela's avatar
    15 Março, 2009 01:20

    Não gozem comigo… o maior problema dos jovens é saberem que não têm futuro – isso sim destroi os valores, o saber que quem é sério não chega a nada nesta vida. A experimentação que vem com a idade enfim… tenham paciência mas são tretas.

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  40. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    15 Março, 2009 14:03

    Todos os políticos fazem chantagem emocional com a juventude.

    E a juventude segue qualquer caudilho com toda a sua força.
    E é carne de canhão para velhos almirantes atrás do computador.

    Oisive jeunesse
    À tout asservie!

    Nunca teve futuro, a não ser o futuro pré-definido pelos que atiram as pessoas para todos os futuros possíveis que anulam o puro presente.

    Eu diria antes que a juventude não tem é presente. Que o seu presente é de aviário, de plástico, de conformismo.

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  41. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    15 Março, 2009 14:10

    #36

    Claro que o aviário é global, e por consequência todos os grupos etários (expressão horrível)são modelados por essa matriz. E nesse caso, alimentados por toneladas de comida industrial, vivendo desportos industriais, indo a concertos de música industrial (a maior parte) aparecem as hordas decadentes, brutas e confusas.

    Estão envolvidos em interresses e objectivos errados, que não foram definidos por eles. Foram treinados para não serem autónomos. Numa palavra são escravos ou já estão mortos, no estado de cadáver adiado, tão bem percepcionado por FPessoa nos seus contemporãneos, os nossos bisavôs.

    De resto não creio que haja “juventude”. Há velhos de todas as idades. A partir dos cinco anos ou menos.

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