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Arriscar

29 Março, 2009

Um dos pontos clássicos do interesse da F1 era o facto de, para além da perícia desportiva, ser um palco de inovação tecnológica de ponta, inovações essas que podiam fazer toda a diferença. Foi o que sucedeu este ano. A introdução de um difusor traseiro permite uma melhor aderência dos veículos e consequentemente melhores resultados por parte das 3 equipas que o introduziram: Williams (Toyota), Toyota e Brawn (Mercedes). 

A história desta última escuderia é interessante: trata-se da antiga equipa Honda, que participou durante alguns anos na F1, sem grandes resultados. No final de 2008 anunciou que não participaria mais, fruto de cortes financeiros derivados da crise internacional. O seu director técnico  (Ross Brawn), com muitos anos de experiência na F1, vendo-se na expectativa de ficar sem trabalho, resolve arriscar tudo e  compra a escuderia, mantendo os pilotos mas mudando para motores Mercedes. Sem qualquer patrocionador (amanhã já deve ter….), consegue apanhar toda a gente de surpresa, virando a hierarquia técnico/financeira da F1 de pernas para o ar:  os seus pilotos (Jenson Button e Barrichello), bateram neste fim-de-semana antigo recordes, conseguindo a pole-position e o segundo lugar e a vitória e segundo classificado logo na estreia oficial da escuderia. Melhor era impossível. 

23 comentários leave one →
  1. Piscoiso's avatar
    29 Março, 2009 14:40

    Caro Gabriel, a questão não é ordem técnica, pois os difusores traseiros não são novidade para a Ferrari ou a McLaren-Mercedes.
    A questão é da interpretação dos regulamentos, que ainda vai dar que falar.
    Ganharem sempre os mesmos, também estava a tirar interesse à coisa.

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  2. Desconhecida's avatar
    Rui salgado permalink
    29 Março, 2009 16:36

    A Honda começou a “construir” este carro muito antes que os seus oponentes e por isso nao vi grande surpresa no grande resultado que agora a brawn Gp conseguiu.
    Se os difusores traseiros sao ilegais nao sei, mas que a Honda deu um tiro nos pé ao sair da F1 como saíu deu.
    O importante é que o equilibrio e as boas corridas estao de novo de volta, e , isso é o mais importante.

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  3. Desconhecida's avatar
    Stevens permalink
    29 Março, 2009 16:51

    Gosto muito de F1 e embirro com o facto da RTP ter deixado de transmitir os GP’s. Pelo menos uma repetição à tarde, no canal dois, já não era mau. Tanta conversa, há uns anos, com a treta dos “pay per view” e nicles. Se quero ver F1 tenho de “pay per view” o Futebol, o Ténis, etc., no pacote de 25 euros/mês da Sporttv. Sinto-me enganado pois nos restantes países europeus pagam menos, ou semelhante, mas ganham muito mais que eu!

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  4. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    29 Março, 2009 17:24

    “Sem qualquer patrocionador (amanhã já deve ter….)” A Virgin apareceu na semana passada.

    Não sei porque é que alguém ainda vê essa coisa que ainda chamam de F1. A FIA transformou aquilo numa quase corrida de séries. A cultura da F1 está morta. Foi bom enquanto durou.

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  5. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    29 Março, 2009 17:56

    Lucklucky

    acho que os resultados deste fim-de-semana provam exactamente o contrário do que diz.

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  6. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    29 Março, 2009 18:07

    Porquê? Se o Kremlin manda as fábricas deixar de fazer parafusos e passarem a fazer martelos haverá sempre umas que serão mais rápidas que outras a se adaptarem. Não há risco nenhum em escolher um V12, V10 ou V8 a lei diz que só pode ser V8. Isto é só um dos exemplos, pode-se ir á central electónica igual para todos, regras aerodinâmica que vão detalhes absurdos, etc, etc.

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  7. nuno silva's avatar
    nuno silva permalink
    29 Março, 2009 18:36

    e segundo li, a bwin também estava interessada em patrocinar a brawn

    http://www.apostaganha.pt/bwin-quer-a-bandeira-de-xadrez/

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  8. Desconhecida's avatar
    Guilherme Sampaio permalink
    29 Março, 2009 19:08

    Todos os Formula-1 têm difusores traseiros desde os anos 80 (desde 1983, curiosamente, com uma nova regulamentação que pôs fim à da era do efeito-solo), e como o Piscoiso bem disse, é uma questão de interpretação de regulamentos, pois o difusor utilizado não só pela Brown, mas também pela Williams e pela Toyota pode estar fora do regulamento. E se o difusor for considerado dentro do regulamento, todas as outras equipas vão meter um igual. Além disso, na Fórmula-1 moderna, um carro não é mais rápido do que outro por uma peça apenas, é toda uma miríade de pequenos detalhes que são o resultado de um apurado trabalho aerodinâmico. Isto na prática corresponde a quem tiver mais tempo para preparar um novo carro está em melhor posição para vencer, e por isso é que a rapidez da Brown não vem apenas do novo difusor por eles utilizado, mas sim de todo o trabalho aerodinâmico posto em prática na construção do novo carro desde Janeiro de 2008. Sim, Janeiro de 2008, quando a então equipa Honda percebeu que não tinha quaisquer chances de ter bons resultados e preferiu apostar em 2009. Equipas como a Ferrari e Mclaren desenvolveram os seus carros de 2008 até à última corrida em Outubro, pois como é natural, são equipas que lutam pelo campeonato e não se podem dar ao luxo de passar um ano em branco. Apesar de terem começado os seus projectos de 2009 no Verão, Ferrari e Mclaren estiveram na prática sempre em desvantagem face à Honda, mas a verdade é que a médio prazo, têm sempre mais recursos que as outras equipas para voltarem à frente, incluindo a Brown (que correu na Austrália com o patrocínio da Virgin de Sir Richard Branson…)
    Aqui não se trata de arriscar ou não, e dos vencidos protestarem apenas porque foram maus competidores e querem por espírito obscurantista anular o brilhantismo alheio, mas sim dos vencedores terem tido tempo de sobra para trabalhar num novo carro sujeito a novas regras radicais, um novo carro no qual a Honda investiu muitos milhões (e lembro que um preço final, sem contar com o desenvolvimento, de um F1 ronda os 100 milhões de dólares)para no final não ter desse investimento retirado quaisquer dividendos. A piada é que a Brawn só conseguiu competir este ano, porque a Honda comprometeu-se a sustentar a equipa até ela encontrar um patrocinador sério. É que saía mais barato à Honda ir financiando a equipa em tais condições do que pagar indemnizações aos trabalhadores e ficar com milhões de dólares “empatados” em equipamento.

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  9. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    29 Março, 2009 20:52

    (4)
    «A Virgin apareceu na semana passada.»

    Não. Apareceu ontem.

    Click to access virgin-partner.pdf

    (8)
    «(que correu na Austrália com o patrocínio da Virgin de Sir Richard Branson…)»

    por acaso também não (basta ver as fotos da corrida).

    E não vejo porque se contesta a ideia do «arriscar de Ross Brawn. Repare, refere que tiveram tempo para desenvolver um novo carro durante um ano. Certo, mas a contar com o investimento e apoio da Honda. Sucede que esta terminou o apoio em Novembro e eles tiveram que se desunhar se queiram continuar em cena. Mais, o que ficou foi o chassi, já que o motor passou ser da Mercedes tendo apenas um mês para adaptação. Mais uma aposta ganha.
    Arriscaram manter-se em actividade, mesmo sem patrocínio, confiante na fiabilidade e excelencia do carro. Apostaram e estavam certos.

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  10. Desconhecida's avatar
    Guilherme Sampaio permalink
    29 Março, 2009 21:42

    Caro Gabriel Silva

    1. Qual é a parte do “A piada é que a Brawn só conseguiu competir este ano, porque a Honda comprometeu-se a sustentar a equipa até ela encontrar um patrocinador sério. É que saía mais barato à Honda ir financiando a equipa em tais condições do que pagar indemnizações aos trabalhadores e ficar com milhões de dólares “empatados” em equipamento.” que não compreendeu ???

    2. Aqui tem uma foto da Brown GP, na Austrália, com o patrocínio da Virgin, que já foi anunciado na semana passada: http://premium.f1-live.com/f1/photos-hires/2009/gpmelbourne/diapoc_311.jpg

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  11. Desconhecida's avatar
    Guilherme Sampaio permalink
    29 Março, 2009 21:47

    Fica aqui a notícia do Autosport.com: http://www.autosport.com/news/report.php/id/73971

    Quem esteja minimamente dentro do assunto sabe que já em Dezembro se falou da possibilidade da Virgin comprar a “ex-equipa Honda”. Só que o amigo Richard Branson não é de arriscar muito, e preferiu esperar pelos resultados dos testes realizados em Janeiro para tomar uma decisão concreta. É certo que o acordo só foi revelado sábado, dia 28, mas vários sites fidedignos já o haviam anunciado na semana passada.
    É ainda errado aquilo que diz sobre o facto da Honda apenas ter sustentado a equipa até Novembro. Tal é manifestamente falso, como já acima por mim foi dito, aliás, como é que julga que o Ross Brawn conseguiu garantir o fornecimento dos motores Mercedes ???

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  12. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    29 Março, 2009 21:52

    Guilherme,
    ok, tem razão, eu estava mal informado.

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  13. Desconhecida's avatar
    Guilherme Sampaio permalink
    29 Março, 2009 21:54

    Uma última nota, só quem realmente não percebe nada de F1 acredita que o Ross Brawn se ia dar ao trabalho de competir com uma equipa financeiramente a viver no fio da navalha se não tivesse a certeza de ter nas mãos um carro ganhador. O mais engraçado é que no decurso da época de 2008, numa reunião de engenheiros das várias equipas (de preparação para a próxima época) e quando os Honda penavam na pista), os da Honda disseram que em 2009 estariam na linha da frente a ganhar corridas. Isto foi dito numa altura em que os Honda penavam na pista, nos penúltimos lugares das classificações de pilotos e equipas e motivou a chacota geral dos restantes presentes nessa reunião …

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  14. Desconhecida's avatar
    Guilherme Sampaio permalink
    29 Março, 2009 22:01

    Só para terminar, e sem querer parecer impertinente. Mas acho que, mais do que “arriscar”, o que Ross Brawn fez foi “acreditar”: acreditar no trabalho feito ao longo de um ano e no pessoal que fez esse trabalho. É que o arriscar implica sempre uma pontinha de sorte, e o que me parece que aconteceu aqui foi muito muito trabalho que agora está a dar os seus frutos. E quando o trabalho foi bem feito, não há que arriscar, só há mesmo que ganhar !!!

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  15. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    29 Março, 2009 22:58

    A FIA mudou a maior parte das regras técnicas da F1. Pneus com rasgos passaram a ser slicks etc, etc. Aqui está uma excelente animação da Red Bull que indica as mudanças http://www.youtube.com/watch?v=zTkVKPdyWs0

    A Brawn(ex Honda) não fez como a Renault que trouxe o motor turbo, a Tyrrel que apareceu com a frente levantada, a Ferrari que colocou os escapes para cima, pequenos grandes exemplos entre muitos. A Brawn adaptou-se melhor ás regras apenas. Inovações dessas são cada vez mais impossíveis de acontecer. A F1 que tantos conheceram e que está a ser culturalmente estruída pela FIA agora é H1-Hiperegulada1. Agora quando muito será alguma coisa obscura ou um milagre.

    Resta o Dakar e Le Mans ou street racing. Já há muito que a FIA destruiu os Rallies e irá provavelmente destruir o desporto automóvel se a deixarem.

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  16. Desconhecida's avatar
    Guilherme Sampaio permalink
    29 Março, 2009 23:47

    Precisamente. Como as regras dão cada vez menos espaço a quaisquer inovações, as equipas tendem a utilizar e a chegar às mesmas soluções aerodinâmicas e mecânicas num curto espaço de tempo. É dada menos atenção à inovação e as equipas preferem refinar os seus carros, apostando nos pequenos detalhes. É a vitória da evolução sobre a inovação, pois não existe muito “espaço” para trabalhar e como estamos a falar de algumas das mentes mais brilhantes do negócio, que têm aos seu dispor orçamentos gigantescos, é natural que as soluções alcançadas sejam idênticas. 2009 é um ano atípico porque marca a entrada de novos regulamentos, mas a verdade é que exceptuando a Brawn, cujo maior período de desenvolvimento se reflecte no andamento em pista, os restantes carros praticamente equivalem-se (com uma ligeira vantagem para Ferrari [atenção que na Austrália os Ferrari têm sempre maus resultados], Bmw e Toyota).
    Como exemplo, basta comparar o Brawn 001 com os outros carros para perceber isso mesmo: o Brawn demonstra uma grande atenção aos detalhes (especialmente na asa dianteira e em toda a zona do difusor dianteiro e suspensão dianteira), enquanto que um carro como o Renault apresenta bons conceitos aerodinâmicos, mas visualmente inestéticos (aquele nariz horrível), como se fosse uma coisa feita à pressa.
    Face aos constrangimentos que estes regulamentos impõem e ao estado da tecnologia, a F1 actual já chegou a um estádio evolutivo tal que não existem muitas mais “rodas” para descobrir.

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  17. fado alexandrino's avatar
    29 Março, 2009 23:48

    acho que os resultados deste fim-de-semana provam exactamente o contrário do que diz.

    Eu também não vejo, pois não me apetece e aliás é caro, pagar a SporTv.
    O que sei é que os dois que sairam à frente chegaram à frente e que os dois que sairam em terceiro e quarto só não chegaram na mesma posição porque se envolveram num estúpido acidente.

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  18. Desconhecida's avatar
    Ruben permalink
    30 Março, 2009 00:17

    .
    O carro mais barato do Mundo surge pronto para ser lançado em Xangai em 2010 por 600 dollars. Este VW de um lugar atinge os 100-120Km à hora e consome os impressionantes 0,99L aos 100Km. È um produto da hi-tech e dos novos materiais da Idade-Espacial.
    .
    http://www.caradvice.com.au/25172/volkswagen-introduces-worlds-most-economical-car/

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  19. Desconhecida's avatar
    G.S. permalink
    30 Março, 2009 10:46

    17 – Exactamente o contrário daquilo que diz. Button no Brawn tinha um ritmo superior aos restantes entre um a dois segundos. Apenas os acidentes daqueles que iam atrás dele e subsequentes entradas em pista do safety-car impediram que ele dilatasse ainda mais a sua vantagem. E, novamente, como foi hoje explicado por um responsável da Mclaren, “The reality is they have a much more developed car, it is very clear, and they openly admit they have been developing the car for 16 months with huge resource in Honda to develop the car they have today”. (http://www.autosport.com/news/report.php/id/74092)

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  20. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    30 Março, 2009 10:52

    Transmissão da F1 época 2009 passa na RTL que não é “pay per view”, para quem não tem este canal tem a opção de fazer o “download” do TVU neste sitio http://www.tvunetworks.com/ e instalar no PC. Sintonizar o CCTV5 canal com audio em chinês. Este programa requer internet de banda larga, não é recomendado para quem tem limitações de tráfego.

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  21. Desconhecida's avatar
    Mário Ricardo permalink
    30 Março, 2009 11:44

    Epá, afinal despediram 270 trabalhadores.

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  22. fado alexandrino's avatar
    30 Março, 2009 18:05

    Transmissão da F1 época 2009 passa na RTL que não é “pay per view”

    No tempo em que tinha a TVCabo, eles faziam o favor de desligar o sinal durante o GP, como aliás faziam em canais que transmitissem a bola
    Querem, podem e mandam.

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  23. Desconhecida's avatar
    G.S. permalink
    30 Março, 2009 20:29

    http://www.autosport.com/news/report.php/id/74092

    Whitmarsh: Brawn GP not an underdog

    By Jonathan Noble and Matt Beer Monday, March 30th 2009, 09:39 GMT

    McLaren team boss Martin Whitmarsh says it is wrong to regard Brawn GP as an underdog operation, and believes it will take some time for the pack to catch Ross Brawn’s squad.

    Whitmarsh reckons Brawn is reaping the benefit of its predecessor Honda having thrown resources at the 2009 rules rather than developing its 2008 car – a choice McLaren did not have as it was embroiled in a title battle.

    “I suspect our good friends at Brawn GP aren’t going to be stand still and wait for us, so they are going to be moving as well,” he said.

    “The reality is they have a much more developed car, it is very clear, and they openly admit they have been developing the car for 16 months with huge resource in Honda to develop the car they have today.

    “It was a good strategy for where they were. We were doing other things like winning world championships, so I think now is the time when we have to push and we’ve got to make quicker progress than they are, but we are not going to catch them in the next few races, that is for sure.”

    He said the investment Honda had made prior to selling the team was key to Brawn’s dominant performance.

    “I think currently they have 700 people on their books so numerically they are probably the largest chassis team in F1,” said Whitmarsh.

    “I know they are sadly reducing at the moment and having had some insight to their finances, I don’t think they are underfinanced either.

    “The car they have today was a product of 16 months development, initially in four wind tunnels and then in two wind tunnels, so I acknowledge that in the future they might be a small team, but what we see today is the consequence of a huge, huge effort from the Honda team.

    “There is no magic in F1, there is big effort and they have done a good job.”

    Brawn, along with Toyota and Williams, is at the centre of the row over diffuser legality. McLaren was not among the teams that protested, but Whitmarsh agreed that the three squads were gaining from their interpretation of the rules.

    “We haven’t participated in any protest this weekend, we will concentrate on making our own cars go quicker,” he said.

    “Undeniably, if you accept this more adventurous interpretation of the regulations, then there is a significant performance benefit. That is very obvious, it has been obvious on the timesheets all weekend.”

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