Mudar de vida
Há ano e meio, falei aqui do projecto KIVA. Que relembro:
O projecto KIVA.ORG possibilita que qualquer pessoa possa emprestar 25 dólares (17 euros) a quem deles precisa para uma pequena iniciativa empresarial. E dessa forma, uma pessoa concreta terá uma oportunidade para melhorar a sua situação económico/social.
Este sistema de microcrédito funciona de forma simples: alguém apresenta um projecto de investimento, geralmente bastante baixo, de algumas centenas a meia dúzia de milhares de dólares. Organizações no terreno, que asseguram o acompanhamento dos projectos, encaminham esses pedidos para o site onde são divulgados. Quem desejar emprestar seleciona a pessoa a apoiar. Quando alcançada a quantia necessária, o empreendedor avança com o seu projecto. Os financiadores receberão notícias regulares sobre o desenvolvimento do investimento e respectivos pagamentos. No final, quem emprestou pode recolher o financiamento efectuado, ou voltar a emprestar para apoiar outro projecto.»
Entretanto, fiz dois empréstimos de 25 dólares:
– a Suzana Mlingo, cabeleireira da Tânzania que precisava de financiamento para aquisição de novo equipamento no valor de 875 dólares, e que já pagou integralmente mediante prestações mensais.
– a Talita Dorca, do Perú, vendora de roupa que necessitou de 225 dólares para incrementar o seu negócio e que também já pagou o seu empréstimo.
Assim, e uma vez que mantive o meu crédito, voltei agora a emprestar a mesma quantia a outras duas pessoas: Ama Manu, do Ghana, e Oumou Guindo do Mali. Uma vez que ainda não alcançaram o valor de empréstimo pretendido para avançarem com os seus projectos empresariais, através dos links indicados, pode o leitor, se assim o entender, dar também a sua contribuição.


>>>>>> COMO RESOLVER A CRISE FINANCEIRA MUNDIAL !!!!!!!!!!!!!!!!!
Numa pequena vila e estância na costa sul da França, chove, e nada de especial acontece.
A crise sente-se.
Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dívidas.
Subitamente, um rico turista russo, chega ao foyer do pequeno hotel local.
Pede um quarto e coloca uma nota de €100 sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.
O dono do hotel pega na nota de €100 e corre ao fornecedor de carne a quem deve €100.
O talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar €100 que devia há algum tempo.
Este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os €100 a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito.
Esta recebe os €100 e corre ao hotel a quem devia €100 pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.
Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos €100. Recebe o dinheiro e sai.
Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido.
Contudo, todos liquidaram as suas dividas e estes elementos da pequena vila costeira encaram agora optimisticamente o futuro.
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É mais interessante do que dar esmolas à porta da igreja, até porque a esmola pode ser devolvida, passado algum tempo.
O problema é a inflação.
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e se fores aumentando o valor do empréstimo um dia acordas com um penteado à ricardo salgado.
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Lástima que o GS esquenceuse de incluir também estes pequenos microcréditos.
http://en.wikipedia.org/wiki/TARP
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Faltam 2200 euros para financiar a minha ida à amazónia. Alguem quer ajudar?
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Excelente iniciativa, Gabriel. E parabéns pela promoção.
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Gabriel,
Parabéns pela divulgação e pela colaborção em tão louvável iniciativa.
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#1
Se no meio de todas essas transacções, cada um tiver que fazer a antrega do IVA e parar o IRC/IRS correspondente, lá fica tudo com dívidas outra vez.
Conclusão: o estado deixa-nos deprimidos e não nos deixa encarar o futuro com optimismo…
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Excelente exemplo de solidariedade social, Gabriel, parabéns e obrigada pela “alembradura”.
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Acho a ideia muito boa, já que o dinheiro vai para alguém em concreto e que procura fazer algo por si mesma.
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muito bom. grande ideia.
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Se fosse um programa de empréstimos financiado pelo estado (igualmente com o nosso dinheiro) só em burocracias lá se iam $20 dos $25.
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#12: Totalmente de acordo!
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O Gabriel é muito engraçado (sem ironina) conseguiu desencantar um meio de fazer caridade calvinista com liberalismo à mistura.
Só uma coisa- porque é que vai tudo para cabeleireiro de carapinha e não há cá, pois até se criam dezenas de cabeleireiros de carapinho de novas oportunidades por bairro, que vão todos à falência no final do mês?
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É que não há melhor país para se investir em patrão que Portugal. Patrão de comes e bebes e patroa de cabeleireiro, é mesmo uma grande vocação nacional.
Com resultados engraçadíssimos- referidos mais acima.
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“já que o dinheiro vai para alguém em concreto”
Será que vai ? Se eu tivesse a certeza que ia…
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o grande negócio nacianal é mercearia & limpezas.
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O projecto KIVA é uma ideia genial e que funciona e bem.
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consideremos a hipótese de o dinheiro não ir para as pessoas certas….são 25 dolares ….. pode-se gastar mais em tabaco em meia duzia de dias….. dificilmente se almoça por menos….
consideremos a hipótese de o dinheiro ir para pessoa certa …. é deslumbrante e é mais barato que comprar uma consciência ou uma caixa de lexotan…..
eu já emprestei hoje…
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Mas eu acho a ideia brilhante.
Só penso que devia ser feita cá.
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O que eu queria dizer é que por cá se faz o disparate oposto e com custos e erros sem qualquer controle.
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Muito boa ideia. Excelente mesmo.
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Peru não tem acento. Porra.
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É uma excelente “almofadinha” para aconchegar consciências!
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Bem lembrado, Gabriel. O microcrédito é daquelas ideias tão boas, e com resultados tão notoriamente felizes para todos os envolvidos, que se torna muito difícil não ter boa vontade (embora, ao que vejo, comentadores da blogosfera arranjem sempre uma maneirazinha qualquer).
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Caro Gabriel
Graças á sua lembrança anterior, há já mais de uma ano, emprestei então $50 a três “mini-empresários”, num total de $150, a que acrescentei $5 para ajudar a custear as despezas gerais da organização.
Na altura, Março de 2008, desmbolsei então €102 para custear os $155 que avancei.
Agora, passado pouco mais que um ano, depois de os 3 “mini-empresários” terem liquidado os montantes na totalidade, recebi na minha conta bancária cerca de €110, correspondentes apenas ao valor dps empréstimos ou seja aos $150 iniciais.
Eu sei que a diferença se deve aos movimentos cambiais, e que entretanto se sentiu o efeito Obama (e não s´).
O que não invalida o facto de o resultado final ter sido de longe superior ao que teria conseguido em qualquer BPN ou BPP.
Claro que o que vale é a Santa Madre Igreja não estar aqui metida, senão…
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Já dei. O “meu” carpinteiro Togolês já chegou aos 100% e agora espero para ver como a padeira e o vendedor de peças se safarão.
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Gostaria de saber como posso ajudar alguma mulher africana que precise dos tais 25 euros para concretizar um projecto.
Obrigada
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50 dolares num ano? 37 euros? Obrigado, generoso senhor!
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