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“Do tempo de Salazar” (I)

29 Maio, 2009

Esta é uma das mais eficazes muletas de conversa em Portugal: “do tempo de Salazar” mas o critério da indignação com o que ficou “do tempo de Salazar” é não só muito selectivo como até há quem nunca tenha saído desse tempo:

I”Governo fascista é a morte do artista.” Do episódio da António Arroio tiram-se várias conclusões. A primeira e mais óbvia é que as aulas de História devem andar pelas ruas da amargura e não apenas em Espinho. É preciso saber poucochinho do passado e também do presente para considerar Sócrates fascista. E é sobretudo necessário ignorar o papel desempenhado por aqueles que se designavam vanguardas artísticas na implementação dos totalitarismos, para gritar que “Governo fascista é a morte do artista”. Os subsídios aos artistas, os apoios à criação e a ideia de que os governos devem ter uma política cultural própria, tudo isso tão do agrado dos meninos da António Arroio, faz parte da ideologia fascista. Li que os responsáveis da António Arroio se propõem fazer uma espécie de conferência com os alunos para esclarecer alguns equívocos. Seria muito útil se lhes explicassem o papel desempenhado pelos artistas de vanguarda no Secretariado da Propaganda Nacional dos anos 30 e durante o PREC, em 1975. O país pouparia dinheiro e os artistas ganhariam independência e, consequentemente, qualidade. Para o fim um pedido ao primeiro-ministro: não saia mais pela porta das traseiras. Quando for apenas um cidadão, saia como quiser e por onde quiser. Enquanto for primeiro-ministro, coisa que eu espero ansiosamente que finde, saia pela porta da frente. Ao menos isso. Não envergonhe a democracia. Como assinala o blogger Nuno Nogueira Santos, o último primeiro-ministro da ditadura, Marcelo Caetano, quando, no Quartel do Carmo, lhe foi proposto que saísse pelas traseiras respondeu: “Não! Só saio daqui pela porta por onde entrei. A porta da frente.” Salgueiro Maia percebeu como sair pela porta da frente era importante para a dignidade de Marcelo Caetano, dos militares que o depunham e do regime que dali nasceria. Com poucos homens e muita coragem Salgueiro Maia levou Marcelo Caetano pela porta da frente. É nestas coisas que as pessoas se distinguem.

(PÚBLICO)

4 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    29 Maio, 2009 10:20

    Em termos económicos, pode fazer sentido chamar fascista a este governo. A promiscuidade entre Estado e grandes corporações é por demais evidente. A perda diária de liberdades também pode ser tida em conta…

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  2. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    29 Maio, 2009 11:04

    Que cómico. Comparar a destituição de um regime e o 25 abril com uma manifestação de estudantes numa escola. Estas pessoas não enxergam o ridiculo do que escrevem.

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  3. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    29 Maio, 2009 15:09

    Não sei qual a dúvida de a maioria dos partidos em Portugal serem Sociais-Autoritários a maioria dos portugueses também o são. Basta ver a como se processou a entrada na CEE e UE. O voto e os cidadãos são um apêndice para ir buscar quando convém e já muitos desses votos foram comprados pelo Socialismo. Pode não ser típicamente fascista mas um país corporativo, anti-liberdade e socialmente invejoso como Portugal está lá muito perto.

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  4. Rui's avatar
    Rui permalink
    2 Novembro, 2009 07:11

    O que este povo gosta é de ditadura!
    Tiveram a oportunidade de mudar no 25 de Abril, mas como esta malta é burra, votam mal e depois lamentam-se …
    Certo é que aqueles parasitas que nos levam o dinheiro, são sempre os mesmos, antes do 25 de Abril eram amigos do regime, agora são amigos do governo.
    Para a proxima revolução o melhor é matar logo as senhoras dos cravos, antes de comesar a limpar este País, porque se não se mata o bicho, ele acaba por estragar a fruta toda!
    Em vêz de cravos, granadas e balas!!!
    Viva o proximo 25 de Abril, porque este já está tramado!

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