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Saltos

20 Julho, 2009

O “Grande Salto em Frente” é o termo adequado para designar a “aposta” do governo no ensino profissional. Tal como o salto chinês, que levou os camponeses chineses a derreter ferro no quintal para aumentar a produção siderúrgica, este levou dezenas de escolas com tradição de liceu a leccionar cursos profissionais para os quais não têm nem vocação nem corpo docente. Os resultados serão semelhantes.

18 comentários leave one →
  1. Marafado de Buliquei-me's avatar
    Marafado de Buliquei-me permalink
    20 Julho, 2009 17:28

    Pois é……….
    Andaram a derreter ferro no quintal, mas agora na Europa todos ( ou quase ) andam a comprar as merderias que eles fabricam , nas lojas dos 300, digam lá se é mentira !

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  2. LUSITÂNEA's avatar
    LUSITÂNEA permalink
    20 Julho, 2009 17:36

    Espera-se do PSD uma proposta anti-comunista e socialista:Recriação das escolas técnico-profissionais nos moldes dos da longa noite “fassista”, só para acabar com tantos artistas de teatro…

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  3. LUSITÂNEA's avatar
    LUSITÂNEA permalink
    20 Julho, 2009 17:37

    E já agora avaliação de professores com base nos resultados dos exames nacionais dos alunos…

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  4. Desconhecida's avatar
    Anonimo permalink
    20 Julho, 2009 17:42

    .
    Mais “florentinices” intelectualoides na senda de mais empobrecimento.
    .
    Ensino Profissional: agarrar no casco antigo das Escolas Industriais e Comerciais mais em linha da formação “mestre-aprendiz” e pura e simplesmente adequà-lo aos oficios do sec XXI. Anda-se há 30 anos com experimentalistas (antes os ‘celeberrimos’ Cursos Formação Profissional, agora renomeados Novas Oportunidades). Estapafurdices académicas tipo “quem pôs primeiro ovo”, manias intelectualoides a jogarem “à roleta” com questões de estruturas gerais fundamentais para o Trabalho e habilitação escolar de cada Português para ganhar a vida, criar riqueza e acrescentar estrutura profissional e empresarial ao País. Isto não tem nada a ver com ideologias ante ou pós 25 de Abril, deismos ou ateismos, seitas daqui ou dacolá. São estruturantes indispensàveis ao TODO nacional.
    .

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  5. fartinho's avatar
    fartinho permalink
    20 Julho, 2009 18:28

    Na mouche! Raramente concordo consigo porque julgo que confunde darwinismo científico com darwinismo económico e social, mas desta vez não possa estar mais de acordo 🙂

    Vou guardar este post porque é daqueles que gostaria de ter sido eu a escrever 🙂

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  6. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    20 Julho, 2009 18:44

    Ó Marafado, andas mal informado, pá!

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  7. olhão's avatar
    olhão permalink
    20 Julho, 2009 19:40

    JM
    Só para lhe avivar a memória:
    1. o ensino profissional (com duração de um ano e meio, correspondente ao 10.ª ano) e o ensino técnico-profissional (com duração de três anos, correspondente aos 10.ª, 11.º e 12.º anos), mais tarde chamado de ensino tecnológico, foram implementados no ano lectivo de 1984/85.
    2. o director do ensino secundário era na altura o Dr. Cunha Antunes.
    3. o ministro da educação era na altura o Dr. José Augusto Seabra
    4. governo Bloco Central
    5. e para que não lhe restem dúvidas, deixo-o com o texto seguinte:

    “…No fim de contas, José Augusto Seabra foi Ministro da Educação do Governo do Bloco Central. Tendo tomado posse em 1983 – se bem me lembro, pelo final da Primavera…–, logo meteu mãos à obra para realizar o seu programa, escolhendo como medida emblemática o relançamento do Ensino Técnico-Profissional em Portugal. Ele conhecia os estudos e recomendações da OCDE sobre o assunto e considerava que era vital para o País rectificar a errada política que conduzira, nos anos 70, à liquidação do Ensino Técnico-Profissional entre nós, num primeiro passo com a miragem do ensino unificado e num passo consequente imediato com a licealização das Escolas Técnicas. Tinha trabalhado o assunto na Argélia, no período de exílio que lá passou. Dispunha de um projecto, como logo pude constatar.

    Em pleno Verão de 83 deslocou-se a Évora e solicitou-me que reunisse com ele. O motivo era o projecto de relançamento do Ensino Técnico-Profissional entre nós. Explicou-me o projecto: nos seus conceitos, fundamentos, objectivos, estruturas e suporte institucional e material. Acompanhava-o o seu staff nuclear, com realce para o Chefe do seu Gabinete e o Director-Geral do Ensino Secundário. Anunciou-me a criação de uma estrutura operacional descentralizada, assente em 5 Comissões Regionais para o Ensino Técnico-Profissional: Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve. Convidou-me para presidir à do Alentejo. Era uma estrutura informal, que não colidia com o desempenho das minhas funções na Universidade. Eu escolheria os restantes elementos da Comissão – mais dois –, um dos quais deveria representar o Ministério do Emprego (ou do Trabalho, não me recordo com exactidão do nome de então…). O Ministro fez questão de enfatizar a sua preocupação em garantir completamente a igualdade social de acesso ao ETP face ao Ensino Liceal, rejeitando qualquer ideia ou forma de discriminação como ocorrera no regime do Estado Novo. Garantida era também a possibilidade de acesso ao Ensino Superior dos diplomados dos Cursos Técnico-Profissionais, de 3 anos de duração, em condições a definir com clareza. O projecto compreendia ainda um segundo tipo de Cursos, os Cursos Profissionais, destinados aos jovens que não quisessem prosseguir estudos e visassem a entrada imediata no mercado de trabalho. Estes Cursos tinham a duração global de um ano e meio: um ano de formação escolar e meio ano de estágio numa empresa.

    Todos nos entregámos ao trabalho com empenho e ardor, na concretização de um Programa que nos parecia da mais alta importância para o desenvolvimento do País. O Ministro, a Direcção-
    -Geral do Ensino Secundário, as Comissões Regionais para o Ensino Técnico-Profissional, as Escolas envolvidas – todos demos as mãos e trabalhámos com sentido de entrega. Foi definido com rigor e pormenor o quadro do Programa através de um Despacho Normativo assinado pelo Ministro. As visitas às Escolas eram frequentes. Frequentes eram também as reuniões de trabalho das Comissões Regionais com a equipa da Direcção-Geral. Cumprido o primeiro ano, foram elaborados em tempo útil os Relatórios de execução, que incluíam uma avaliação e críticas e sugestões pertinentes. Os primeiros estágios dos Cursos Profissionais foram desde logo organizados e lançados. No Alentejo correram optimamente. Acompanhei-os pessoalmente, sei do que falo….”

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  8. Impertinente's avatar
    20 Julho, 2009 19:52

    Dezenas? Exactamente 143: Actor, Animador Circense, Animador Sociocultural, Assistente de Arqueólogo, Assistente de Conservação e Restauro, Contramestre [Marinha Mercante), Desenhador de Sistemas de Refrigeração e Climatização, Esteticista-Cosmetologista, …
    Lista completa em http://impertinencias.blogspot.com/2009/07/ouvi-o-porta-voz-da-cip-dizer-tsf-que.html

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  9. Apache's avatar
    21 Julho, 2009 01:18

    “(…) este levou dezenas de escolas com tradição de liceu a leccionar cursos profissionais para os quais não têm nem vocação nem corpo docente. Os resultados serão semelhantes.”
    Não faz mal. Os cursos, de “profissionais” só têm o nome, mesmo.

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  10. Anonimo's avatar
    21 Julho, 2009 01:30

    Alguns dos professores dos quadros de algumas escolas, designados de professores de “horário lectivo zero”, foram professores recrutados com valências de formação para ministrarem o Ensino Profissional e o Ensino Técnico-Profissional. Depois designado de Ensino Tecnológico.
    Pelas informações que obtive, Ensino muito bem estruturado e de excelente qualidade. Com docentes habilitados e pelo que fui sabendo com outros técnicos especializados – a colocação de psicólogos dos Serviços de Psicologia e Orientação (SPO) dava prioridade às Escolas de Ensino Tecnico-Profissional.
    Este Ensino … “finou-se”.

    JOSÉ AUGUSTO SEABRA 9 de Junho de 1983 a 15 de Fevereiro de 1985
    JOÃO DE DEUS ROGADO SALVADOR PINHEIRO 15 de Fevereiro de 1985 a 12 de Julho de 1985

    MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
    JOÃO DE DEUS ROGADO SALVADOR PINHEIRO 6 de Novembro de 1985 a 17 de Agosto de 1987

    MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
    ROBERTO ARTUR DA LUZ CARNEIRO 17 de Agosto de 1987 a 31 de Outubro de 1991
    DIAMANTINO FREITAS GOMES DURÃO 31 de Outubro de 1991 a 19 de Março de 1992
    ANTÓNIO FERNANDO COUTO DOS SANTOS 19 de Março de 1992 a 7 de Dezembro de 1993
    MARIA MANUELA DIAS FERREIRA LEITE 7 de Dezembro de 1993 a 28 de Outubro de 1995
    EDUARDO CARREGA MARÇAL GRILO 28 de Outubro de 1995 a 25 de Outubro de 1999
    GUILHERME PEREIRA D’OLIVEIRA MARTINS 25 de Outubro de 1999 a 14 de Setembro de 2000
    AUGUSTO ERNESTO SANTOS SILVA 14 de Setembro de 2000 a 3 de Julho de 2001
    JÚLIO DOMINGOS PEDROSA DA LUZ DE JESUS 3 de Julho de 2001 a 6 de Abril de 2002
    JOSÉ DAVID GOMES JUSTINO 6 de Abril de 2002 a 17 de Julho de 2004
    MARIA DO CARMO FÉLIX DA COSTA SEABRA 17 de Julho de 2004 a 12 de Março de 2005
    MARIA DE LURDES REIS RODRIGUESDesde 12 de Março de 2005 a …..

    Retirem-se as devidas conclusões.

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  11. Anonimo's avatar
    21 Julho, 2009 01:38

    Subscrevo o post.

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  12. Anonimo's avatar
    21 Julho, 2009 01:45

    “Desde a tomada de posse do actual Governo, que questiono, como é possível os anteriores responsáveis pela política educativa dos sucessivos governos, não virem defender-se dos golpes proferidos pelos actuais responsáveis políticos, sobre a incompetência de que deram provas durante os respectivos mandatos.
    Se o sistema nacional de ensino foi e é hiper centrado na 5 de Outubro. Se cada nova equipa governativa escolheu e escolhe todos os responsáveis dos serviços centrais e regionais, que ordenam toda a política educativa às escolas e aos professores, desde as habilitações para a docência até aos procedimentos em face de comportamentos de indisciplina dos alunos, sendo os professores meros executores dessas políticas. Se em 34 anos de Democracia, não existe um único professor chamado à responsabilidade pelo sector…
    Seria de esperar que o actual primeiro ministro e a actual ministra da Educação fizessem pesar sobre os responsáveis dessas políticas aquilo que designaram e designam de “maus resultados” do sistema e que os motivou a uma reforma. Puro engano. Os responsáveis, afinal, que impuseram às escolas e aos professores os seus normativos, regulamentos e programas (as “suas” reformas) não são responsáveis por, segundo os actuais governantes, os tais “maus resultados”. São os executores, os professores, os que não foram tidos nem achados no assunto! Paradoxal!

    Vários dos anteriores governantes aplaudiram, na praça pública, o embuste, participando na farsa nacional dos actuais. Fazem parte do museu da 5 de Outubro! Duplo paradoxo!

    Os opinadores, jornalistas, comentadores e todas as “espécies” que pululam pelos órgãos de comunicação social , seria suposto levantarem a questão básica da responsabilidade. Puro engano. Triplo paradoxo!

    Os anteriores responsáveis pela política educativa nacional foram exaltados pelos feitos, reconhecidos publicamente pelos actuais governantes, ocupam lugares de destaque no actual governo pátrio, em empresas, instituições e programas e até são conselheiros do actual Presidente da República. Quarto paradoxo!” (debater educacção)

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  13. Insecticida's avatar
    Insecticida permalink
    21 Julho, 2009 14:55

    O conceito de “vocação” de uma escola secundária fica como importante inovação. Assim como a ideia de que o quadro de professores de uma escola é fossilizado.

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  14. Justiniano's avatar
    Justiniano permalink
    21 Julho, 2009 15:23

    JM!
    Por falar em Chineses. A Airbus China acabou de entregar os seus primeiros Airbus A320 aí “fabricados”…50 anos depois parece que sempre deram o “grande salto em frente”.
    P.S. – Não vale, diminuir o facto, referindo que os componentes são importados e que grande parte da cadeia de valor se encontra ainda na Europa e EUA.

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  15. Anónimo's avatar
    21 Julho, 2009 18:05

    Aluno com 9 negativas passa de ano

    Escola de Darque garante que é a melhor solução, num caso em que há um contexto e em que não basta «somar» as positivas e as negativas

    Uma escola em Darque, Viana do Castelo, passou um aluno do 8º ano do ensino básico com nove negativas em 14 disciplinas e garante que foi a melhor solução. De acordo com a edição desta terça-feira do Público, o aluno tem 15 anos e teve, entre outras, negativa a Língua Portuguesa, a História, a Matemática, a Geografia, a Fisico-Química, a Educação Visual. O caso não é inédito, mas não deixa de ser raro, como admite ao jornal Augusto Sá, director do Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, em Darque.

    O responsável sublinha que, para se decidir se um aluno «passa», não basta «somar» as positivas e as negativas. «Há um percurso, há um contexto, há uma família…» e a decisão de passar o aluno em questão «teve em conta» esses factores. O professor explica que o aluno é acompanhado pelos Serviços de Psicologia do agrupamento desde o 2º ciclo, que já chumbou uma vez e que vive uma situação «sócio-familiar grave» que se agravou este ano.

    A lei em vigor não determina limite de negativas para anos que não correspondem a fim de ciclo escolar e diz que, só em última estância, se deve chumbar no ensino básico. Por isso, o conselho de turma entendeu que o melhor para o aluno seria transitar. O mesmo conselho decidiu que o jovem irá frequentar no 9º ano um curso de Educação e Formação, que o prepara para a vida activa.

    «Ele tem capacidades, mas o contexto sócio-familiar não tem permitido que evolua e acreditamos que, com acompanhamento, atingirá os objectivos», explica ainda ao Público Augusto Sá.

    O responsável acrescenta que a escola decidiu assumir a decisão publicamente, ao contrário do que costuma acontecer nestes casos. Augusto Sá admite que, por vezes, os conselhos de turma preferem fazer subir administrativamente as notas para que não apareça na pauta uma decisão que causa estranheza na comunidade.
    http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/negativas-chumbo-escola-ensino-educacao-tvi24/1077095-4071.html

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  16. Anónimo's avatar
    21 Julho, 2009 19:04

    Resultados do PISA

    Os alunos portugueses com 15 anos, considerados na globalidade, têm resultados abaixo da média da OCDE. Má notícia, é claro.

    Decompondo-se este universo entre os que estão e os que não estão no nível correspondente à sua idade, vê-se que os do primeiro grupo até obtêm resultados superiores à média: logo, a média é puxada para baixo pelos do segundo grupo.

    Entende o Secretário de Estado que se os do segundo grupo fossem incluídos no primeiro por via do carácter excepcional da retenção, os resultados médios melhorariam. Não vejo como é que ele chega a esta conclusão: um aluno que não sabe baixa os resultados médios do conjunto, independentemente de estar retido no sétimo ano ou de estar já a frequentar o nono ou o décimo. Se não sabe, não sabe.

    Atrevo-me até a especular que, a fazer-se o que exige o secretário de estado, os resultados não só não melhorariam, como haviam de piorar: a presença numa turma de um aluno que, por não acompanhar a matéria, se torna disruptivo prejudica a aprendizagem de todos os outros.

    Acho bem que se reduzam as retenções, mas não enquanto estiver vigente a escola de modelo único que temos em Portugal. Se um aluno não aprendeu o suficiente no sétimo ano de escolaridade, deve passar para o oitavo – mas não para o mesmo oitavo, na mesma escola, para que transitaram os seus colegas.

    Por mais que a lei queira obrigar os professores a estabelecer «estratégias de diferenciação» que obviem a necessidade de reter alunos, eles nunca o farão, e não o farão porque é materialmente impossível. Não se pode fazer de cada aluno uma turma, fazendo para cada um uma planificação diferente, uma leccionação diferente e uma avaliação diferente. Nenhum professor poderia ter a seu cargo 120 turmas unipessoais. Se se exigir diferenciação aos professores, eles vão fazê-la, sim – mas só no papel. Vão inventar um paleio qualquer para pôr nas actas e nos relatórios, e vão continuar a trabalhar como podem – isto é, e ressalvando uma ou outra diferença cosmética, como sempre fizeram.
    http://www.legoergosum.blogspot.com/2007/12/resultados-do-pisa.html

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  17. Anónimo's avatar

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