Leitura recomendada
ESEs e Departamentos de Educação na origem da expansão do eduquês e da burocracia pedagógica?
5. Esse decréscimo de conhecimento científico tornou os professores mais facilmente condicionados pelo eduquês, pelo didacticismo e pela petulância pseudopedagógica. A vitória dos planos, dos relatórios e dos grelhados sobre a espontaneidade, a criatividade, a relação pedagógica e a autoridade do professor resulta do decréscimo de conhecimento científico.
6. A expansão da indústria dos mestrados e dos doutoramentos em Ciências da Educação criou uma mão-de-obra especializada em burocracia pedagógica que foi tomando conta das estruturas centrais e regionais do ME, das associações pedagógicas de professores, das escolas e até, em certa medida, dos sindicatos.
7. Essa mão-de-obra especializada em burocracia pedagógica acabou por tomar conta das comissões, conselhos e grupos de trabalho associados ao ME, nomeadamente o Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua, o Conselho Científico da Avaliação de Professores e o Conselho Nacional de Educação.
8. A mão-de-obra especializada em burocracia pedagógica criou um nicho de mercado e tomou conta do negócio da formação de professores, preparando-se agora para acrescentar a esse negócio, o negócio da avaliação de desempenho. A estratégia usada foi a da regulamentação e criação de perfis. A formação de professores foi domesticada e colocada num colete de forças. Aperreada, foi facilmente controlada pelos especialistas em burocracia pedagógica.
9. A mão-de-obra especializada em burocracia pedagógica afastou-se dos interesses e do universo cultural dos produtores, ou seja, dos professores que continuam a ensinar na sala de aula.
10. Essa mão-de-obra é o inimigo no interior do corpo dos professores. É um vírus que se espalhou pelas escolas. É o Cavalo de Tróia.

fixe é receber o cacau ao fim do mês e não ter que provar nada a ninguém.
GostarGostar
A mim parece-me que alguém inventou o slogan “burocracia pedagógica” e agora diverte-se com a sua utilização, como um dildo.
GostarGostar
ao fim 35 anos de bandalheira tornaram-se vítimas da burocracia.
GostarGostar
miranda & nogueira unidos na mesma luta, a demagogia pedagógica ao estilo: eu nunca me recordo, são tantos, tantos que davam para encher um jipe.
GostarGostar
Essa burocracia pedagógica é sem dúvida uma das causas da nossa tragédia educativa, mas existem outras causas políticas, económicas e ideológicas.
AMCD
GostarGostar
Em primeiro lugar deve realçar-se a máxima da D.lurdes:
“as escolas não são SEF”(SEF-Serviço de Estrangeiros e Fronteiras)
Mas em muitas escolas deste pequenino Portugal cerca de 25% das turmas chegam a ser constituidas por ilegais estrangeiros… que como é bom de ver as modernas políticas tratam como se de nacionais se tratassem, mesmo que não sabendo nem uma palavrinha de Português… nos aspectos de “subsídios” do cardápio dos “bons acolhimentos”
Se os somarem chegarão à conclusão que Portugal vai ser grande, embora à custa da dívida claro…pois que ao fim de 6 anos somos todos iguais, todos diferentes!E com o mesmo BI!
Desde logo o “programa” tem que ser “abrangente” para não “chocar ninguém”.A nossa história foi no dizer do Sr Soares metida na gaveta!!!
E depois nada de exigências exageradas não se vá topar ainda mais o “fosso” que “dividiria” os filhos do mesmo Deus… apesar de aparecerem exemplares que são só os melhores dos melhores…
Mas voltando à clandestinidade que isto tudo envolve(o acesso, a falta da NOSSA CULTURA e HISTÓRIA) as ESE foi uma lança que o PS(mais uma) meteu no Estado de onde nunca mais vai ser desalojado.Pois as ESE foram criações suas, quadros seus e portanto vão ditando as suas leis…foi um caso de novas oportunidades experimental…
Como 25% de alinos que não devriam ser nossos custam os olhos da cara vá de “avaliar” os professores, não por resultados em exames nacionais, mas por “esquemas” que com a nomeação do moderno reitor se destina à ocupação, a prazo, de toda a educação por quem sabe da poda.”Escolhendo” claro os melhores por relatórios e passagens virtuais muita vénia a quem manda…
O PSD anda por aí todo stressado a pensar ganho, não ganho, vamos ter emprego ou não mas desculpem lá que a Dr Manuela já disse o que é uma evidência:É preciso um “intervalo” para arrumar a casa que a bandalheira é tanta que de outra maneira não é possível.Se acham que sim vão lá experimentem ir governar com todos os executantes contra…
PS
Esqueceram de certeza o “concurso dos professores” do governo Santana?
Esclareço que para mim PSD é praticamente igual a PS e portanto é só mesmo para toparem o meu ponto de vista.Que é de ingovernabilidade total.Por mim só estou à espera do estouro.Que é quando “acabar a massa”, isto é deixarem de mandar/emprestar…
GostarGostar
Olá,
Convido toda a gente a visitar no Interjeições, blogue de crónicas humoristicas sobre a actualidade, um texto onde o sistema educativo português e descrito com inteligência e humor.
Leiam em interjeicoes.blogspot.com.
GostarGostar
.
Porque é que não enfiam esta gente toda num campo de concentração bem vedado – como eles gostam – para fazer as suas rebaldarias?
Nuno
GostarGostar
mas é mesmo isto. eu já fui professor e tive de apanhar com essa malta das ciências da educação as chamadas “pedagógicas”, que na realidade não serviram nem nunca tiveram utilidade para nada.
e já na altura o meu orientador de estágio nos chamava à atenção (a mim e a outros professores estagiários) para a seguinte questão: como é que esta malta das ciências de educação, que não percebe nada de matemática, física, química, filosofia ou história, pode ensinar a alguém como se lecciona matemática, física, química, filosofia ou história, disciplinas cujo conteúdos eles desconhecem ou não dominam?
a resposta é este post que o miranda cita.
GostarGostar
Isso só pode acontecer porque não há Mercado na Educação. Coisa que os Professores ainda não entenderam.
Como os resultados só demasiado tarde se notam numa situação de não mercado, a escola pode definhar durante décadas. Agora acordaram. Tarde.
GostarGostar
Mas adoro ouvir novas da moderna batalha de “aumentemos a produção” ao estilo maoista no que se refere à “profissionalização”.Verdadeiras escolas teatrais!
Claro que as escolas técni-profissionais(comércio e industria) do Salazar que formavam técnicos de elevada craveira e que ganhavam bem em qualquer lugar do mundo foram extintas pelos “democratas” quando se acabaram ainda por cima os lugares de “administação dum império”.
Ainda nenhum “iluminado” lançou a pedra no charco e clamou pela sua reconstrução…
GostarGostar
na justiça é da lei, falta de meios e burocracia. avaliação népia.
na educação, idem, substituir lei por programas.
esta cambada vive à nossa custa e ainda goza.
GostarGostar
Não sei para quê tanto espanto..leiam este texto retirado do Livro de Miguel Real -A MINISTRA…inspirado vá lá saber-se em quem…
Há sete anos, na manhã da véspera de Natal, entreguei o meu primeiro relatório sobre o ensino secundário e a passagem dos alunos à vida activa ao então Ministério a Educação (…); escrevera no relatório que o estado da educação exigia uma revolução radical, trinta anos depois da revolução popular do 25 de Abril faltava fazer o 25 de Abril na educação, acabar de vez com a reprodução de um ensino de elites para elites e fazer o povo entrar na escola, não o povo em si, que já lá estava, a escola de massas era bem visível, os filhos dos trabalhadores possuíam frequência escolar, mas o espírito vulgar do povo, o espírito comum, banal; os programas e as matérias têm permanecido iluministas (fora a palavra que escrevera), visando fazer de cada aluno um pequeno sábio, matérias curriculares extensíssimas para regalo dos teóricos da educação, todo o ensino se destina à memorização de teorias ou, ao contrário, à aprendizagem de competências vazias, como o «saber fazer» ou o «saber aprender a aprender», inúteis na vida profissional, umas e outras, o ensino académico prevalece e esmaga o ensino técnico e tecnológico, originando uma alta taxa de reprovações, um ensino aristocrático para um povo ignorante dava como resultado o abandono em massa da escola pelos estudantes, é forçoso inverter este estado de coisas; em primeiro lugar, escrevia no relatório, facilitar tudo, simplificar todos os procedimentos, elaborar programas minúsculos com o essencial – só o essencial – das matérias, apresentadas do modo mais ligeiro possível (hesitei em escrever «do modo mais fácil possível»); depois, testes e exames exclusivamente sobre as questões essenciais, previamente marteladas em aulas sobre aulas, até à exaustão e o mais ingente dos alunos as compreender, passando de ano; em terceiro lugar, estabelecer como objectivo a passagem de 99% dos alunos, forçar os professores a eliminarem conceitos abstractos e explicações complexas, resumir, resumir, resumir, seria a nova palavra de ordem pedagógica, com a consequente eliminação de todo o conhecimento supérfluo: história de um conceito, eliminar; nomes de autores de invenções, de teorias, de descobertas, eliminar; questões filosóficas, eliminar; problematização de matérias, eliminar; levantamento de mais do que duas hipóteses de solução para a compreensão de uma questão, eliminar; raciocínios com mais do que três premissas, eliminar; matérias que exigem memorização para além da memória de trabalho, eliminar; em quarto lugar, responsabilizar os professores pelos resultados dos alunos, «como se responsabiliza o mecânico pelo arranjo do nosso carro», assim escrevera, considerando-o um óptimo exemplo; em quinto lugar, introduzir maciçamente o ensino profissional, eliminando deste, totalmente, matérias históricas, filosóficas e estéticas, os alunos deveriam aprender apenas o sumo dos sumos, nada mais, o mínimo que se exige para o início de uma profissão, nada mais; este era o espírito do povo que deveria presidir à nova reforma educativa, que se evidencia, acrescentara, como uma autêntica revolução pedagógica; num «P. 5.» esclarecedor, que registara num memorando confidencial para ser lido apenas pelo Primeiro-Ministro e pelo Ministro da Educação, considerara que esta revolução teria de ser feita contra os técnicos da educação das universidades e os professores das escolas públicas (…)” [pp. 40-42]
GostarGostar
mais uma bosta mirandesa, ménu gourmet para delírio prof.
GostarGostar
Concordo plenamente com o autor e com o # 9, pois um dos factores que pioraram o ensino português foi a menor ou nula atenção dada à parte científica em favor das teorias, muitas vezes utópicas e desfasadas da realidade, que o M.E. e muitos professores ligados ou adeptos das Ciências da Educação pretenderam e conseguiram impor nas escolas. Por exemplo, criaram-se os departamentos e as reuniões de grupo, onde eram discutidos os assuntos científicos e outros, a bem dizer desapareceram. O resultado está à vista: burocracia e mais burocracia, facilitismo, falta de disciplina de muitos alunos que não têm quem lha dê em casa, desculpas de carácter social ou geracional para tudo perdoar a alunos ignorantes que só perturbam as aulas e muito mais.
Só uma pergunta: passar alunos com 5,6,7 ou 8 negativas é benéfico para o País e para os alunos que concluem que não vale a pena estudar porque passam na mesma?
Esta ministra e seus acólitos, mais os seus antecessores, deviam ser julgados por traição ao povo português!
Já agora, gostava de esclarecer uma dúvida: será que essa senhora fez os três primeiros anos na Faculdade (Instituto) onde andou ou terá recebido, como muitos, um papel que lhe dava o bacharelato de mão beijada, sem nada ter feito nem estudado? Gostava de saber a resposta.
Muitos destes políticos de agora são daqueles que tiraram o curso, logo a seguir ao 25 de Abril, com passagens administrativas e sem fazer exames. Por isso não é de estranhar a ignorância de muitos deles.Até porque muitos deles nunca trabalharam a sério, no terreno, mas apenas em gabinetes e comissões de planificações em Lisboa e nas DRENs, DREc, DREl, …, daí tanta ignorância de quem está no poder.
GostarGostar
O mal do ensino é simples: os alunos são preparados para fazer os exames, estudam para a memorização momemtanea e esquecem tudo no dia seguinte. Começa no liceu e é também assim na faculdade.
A historinha do eduques não existe. Existe apenas na cabecinha dos comentadores. O eduques é uma ficção politica.
Os cursos de formaçao dos professores servem apenas para ganhare mais dinheiro outros professores formadores e muitos são dos sindicatos. Exisgem formação e ganham dinheiro com isso. É um grande negócio dos professores.
GostarGostar
Os professores nõ ensinam na salla de aula. Debitam mat´ria para os alunos depois estudarem para os testes. O ensino é um exercicio de memorização. Por isso é que muitos alunos são também excelentes nas telenovelas. Decorar é com eles.
Tudo seria diferente se o eduques nõ fosse apenas ficção. O eduques devia ser real.
GostarGostar
É normal começar no ponto 5 ???
E os anteriores ???
GostarGostar
Esta experiência está desatualizada
Já tem 25 anos
GostarGostar
Tudo muito liberal!
1. Alguém tem uma ideia e resolve vender.
2. Os professores que são muito individualistas vão comprando para “passar os outros para trás”.
3. Os pais deliram com a ideia de planos e projectos.
4. Os professores entram em competição para se apropriarem da ideia (mesmo que ela seja zero).
5. Instala-se o ambiente propricio à avaliação.
6. Avaliam-se os professores fazendo pleno uso da dita ideia, eliminando dessa forma os “incompetentes”.
Queriam melhor? matemática, português, ciências? demodé!
GostarGostar
O João Miranda está carregado de razão. Acredito na sua genuína boa intenção ao transcrever este texto do Ramiro. No entanto, pelo muito que já escreveu sobre educação e avaliação, o Ramiro é, ele próprio, um símbolo do eduquês.
É evidente que as ESE, essas meninas dos olhos do inenarrável Valtinho;essas fantásticas referências do bem educar que conseguem transformam os alunos com piores notas do secundário nos “melhores” de todos os professores generalistas; essas agremiações de especialistas na deformação de professores, que fogem da análise de resultados como o diabo da cruz…
Ainda haverá alguém que não tenha percebido a tal proposta dos dois ciclos? Que sobrevivam as ESE,. claro! E Rousseau também.
Que professores independentes e livres para pôr em prática e se responsabilizar pessoalmente pelo seu próprio método de trabalho, é que não.
GostarGostar
Eu ao que oiço o “desassossego” da avaliação dos professores não incomodou muito os que nunca nada se importaram.Continua tudo como dantes quartel general em abrantes!
GostarGostar
Então e a Fernanda Câncio? Ouvi dizer que a gaja tem nadado a fazer novas oportunidades e até já é jornalista e tudo.
O qua a cabra não diz é o que anda a fazer com a pássara…
O Socretino acha graça e gosta por que assim lhe sabe melhor. O porco!
Zé
GostarGostar
pois , e também gostava de saber porque a bendita formação ( alguém sabe qual o efeito real que teve relativamente a aumento de produtividade? ) no privado é patrão que paga e no público , no caso dos profs , são eles. pelo menos sei que têm de pagar algumas das tretas de acções que frequentam para encher papel.
GostarGostar
é bom que vão percebendo que quando o estado promete criar empregos é isto que faz : põe nos ombros de um emprego real , um fictício burocrático parasita , através de um decreto estruturante e modernizador que vai fazer milagres pela produtividade. e faz , só que ao contrário , ninguém gosta de ser burro de carga , né? somos tolinhos , mas tanto não.
Quando ouvirem os gajos a prometer empregos , os que de facto trabalhais e produzis , é fugir a sete pés , coisa boa não vem aí de certeza.
GostarGostar
Descansai ..com a natalidade a decrescer a este ritmo em 2050 ou importamos africanos, azeris ou os que cá estão entretém-em-se a masturbar coelhinhos para passar o tempo e espera PELA HORA DA MORTE…
Aspiro a um repouso absoluto e a uma noite contínua. Poeta das loucas voluptuosidades do vinho e do ópio, não tenho outra sede a não ser a de um licor desconhecido na Terra e que nem mesmo a farmacopeia celeste poderia proporcionar-me; um licor que não é feito nem de vitalidade, nem de morte, nem de excitação, nem de nada. Nada saber, nada ensinar, nada querer, nada sentir, dormir e sempre dormir, tal é actualmente a minha única aspiração. Aspiração infame e desanimadora, porém sincera.
Charles Baudelaire
GostarGostar
bulimunda…depois da idade da produção..o que impede que nos dediquemos ao que baudelaire gostava?
normas sociais? há que acabar com elas. morra marta , morra farta. não vejo melhor perspectiva de velhice. não vejo , pois. vão dizer o que ? que estragamos os neurónios ? que assim já não somos uma máquina produtiva? por favor , ao menos de velhos que nos deixem ( deixem , não. deixe , o estado) fazer o que queremos. aliás , os estragos no status quo são bem menores que casamentos gay.
GostarGostar
Não é “por acaso” que os professores que estão totalmente revoltados contra o estado de coisas no sector dos Ensinos Básico e Secundário são, em regra, os professores com sólidas habilitações científicas e profissionais/pedagógicas de base. Quem pode, pediu ou está a tentar aposentar-se o mais rapidamente possível, com fortes penalizações materiais.
Estes 4 anos e tal, de total (des)governo no sector educativo, foram um “brinde” para um certo corpo docente com pior formação profissional e pessoal – os dirigentes, desde o trio da 5 de Outubro até às direcções regionais e seus muchachos nas escolas, elegeram-nos como os excelentes e tal.
É estranho que as pessoas em geral não se tenham dado conta da gravidade da situação.
As ESES há muito tempo que deveriam ter sido encerradas, por uns tempos. Não têm alunos. Resta-lhes os professores para justificarem o ordenado dos seus professores. Como na 5 de Outubro quem manda são tipos das ESES ou tipos das Universidades ligados, directa ou indirectamente, aos lobbis das chamadas ciências da Educação e afins (sociologia da educação, etc, etc, etc) alimentam por todas as vias o monstro para eles próprios e os amigalhaços se alimentarem …
Praticamente toda a dita política educativa, destes últimos anos, visa única e exclusivamente manter os lobbis (bem conhecidos!), através de todo o tipo de legislação e directizes. Neste momento, a falta de vergonha desta gentalha atingiu o cúmulo dos cúmulos.
Obviamente que o ME sempre foi e, actualmente, é um verdadeiro maná para milhentos grupos de interesses, lobbis, na maioria ligados ás universidades e politécnicos (ESES).
GostarGostar
João Miranda:
você, que gosta tanto de darwinismo social, reflicta com atenção nestas palavras que desvendam outro problema da existência das ESE’s.
Durante muitos anos, quem recorria às ESE’s para tirar o curso de professora primária, eram as pessoas que tinham saído com 10 ou 11 de média no final do secundário e que por isso não conseguiam entrar numa universidade pública. Quem tinha média de 15 ou 16 entrava para a pública, muito mais exigente, e acabavam o curso com médias baixas.
Ora, as ESE’s, na sua maioria privadas, tinham que captar clientes de alguma forma, e fizeram-no diminuindo a exigência, fazendo com que as tais criaturas que acabaram o secundário com 10, chegassem ao final do curso com média de 17 e tendo assim entrada praticamente garantida no sistema de ensino.
Resultado disto? Milhares de mulheres que tinham tido média de 15 ou 16 no secundário e entraram numa universidade pública trabalham hoje como caixas de supermercado. As que acabaram o secundário com média de 10 e entraram numa ESE privada saíram do curso com médias altas e agora são as professoras dos nossos filhos.
P.S.: sou professor, formado numa universidade pública e tive “muito bom” na avaliação. Para conseguir entrar no curso que queria tive que tirar 19 no exame nacional de biologia. Hoje, os alunos entram no meu curso com 10 no exame nacional. Até me assusta pensar no que vem por aí…
GostarGostar
o darwinismo social era bom. perseguia um objectivo. divino até. o estado social deu cabo dele. permitiu coisas que jamais deveriam ter sido permitidas. permitiu que medíocres cooperassem e vingassem. a política e as jotas são o melhor exemplo disso. fez com que os melhores não se queiram reproduzir , pois fez. fez com que continue a haver gente que acha normal ser explorada. fez com que a humanidade continue dividida. um atraso de vida que faz lucrar mesmo muito os intermediários. ainda que acabem por ser uma cambada de infelizes. mandar noutro? querer que haja inferiores? que falta de nível. viver no meio de iguais? isso sim , é qualidade de vida.
GostarGostar
O mesmo cretino faxolas que continua a produzir merderias, só neste poste já tem 35 % de espaço ocupado para a propaganda…
Este gajo é como as moscas !!
Nota: Reparem na sinalética do gajo !!
GostarGostar
Efectivamente, como é apontado no post referido e comentários, o descalabro começou com Roberto Carneiro, mas agravou-se com medidas dos sucessivos governos. Se há pacto tácito entre PS e PSD que tem funcionado, é o de destruir o sistema educativo. Não me recordo que governo permitiu a formação de professores do 3º ciclo nas ESE, uma medida contra a qual vários departamentos e sociedades científicas se manifestaram. Mas os “grelhados”, fichas, multiplicação de reuniões e ocupação burocrática da actividade dos professores na “escola inclusiva” (e consequente promoção do facilitismo) deram um grande salto em frente com Ana Benavente. A actual ministra, que comunga o mesmo caldo de cultura, nunca poderia ter percebido onde estão os males do sistema. E, já agora, alguém pensa que o BE ou o PCP têm uma visão diferente das coisas? Esta pergunta é pertinente porque estou convencido de que muitos professores “chateados” com o PS vão transferir o voto para o BE ou PCP.
GostarGostar
#8
Simples.
Apenas porque não temos uma sibériazinha não podemos fazer aquilo que preconiza.
GostarGostar
Aquilo que é aqui referido pelo autor desta entrada no blog é o que ando a dizer há anos e anos! Assisti nestes últimos vinte anos ao crescimento do lobby das “ciências” da educação e com esse crescimento assisti à morte lenta da escola pública e assisti à transformação do professor num cruzamento genético entre um professor, um psicólogo, um sociólogo, um burocrata, um animador sócio-cultural, um pai, uma mãe e um amigo, assisti ainda à imbecilização do aluno e à transformação dos pais em objectos decorativos!
As ideologias marxistas-leninistas, misturadas com umas gotas da revolução do maio de 68 e com muitas gotas de rousseaunianismo deu nisto!
O pior é que não vejo solução para este enorme sarilho, não estou a ver como se pode vencer este poderoso lobby! Neste momento este vírus é incontrolável…
GostarGostar
Mas há quem ache que o lobby são os professores 🙂
GostarGostar
E, há ainda, aqueles que se dizem de direita que acham que a culpa deste sistema comunista não funcionar é culpa dos… professores!
GostarGostar
Eu acrescentaria que a concorrencia entre essa mão de obra especializada, resulta em alterações todos os anos aos programas educativos, manuais escolares e quejandos, pelo simples facto de introduzir uma alteração que seja aumenta a reputação de quem a consegue introduzir podendo ser um factor de prestigio e consequentemente a considerar na progressão de carreira.
Quem alguma vez for à Avenida 24 ce Julho em lLisboa poderá ver os edifícios da Direcção Geral do Ensino Secundário. Uma monstruosidade de edificios que albergam sabe-se lá quantas destas almas cujo ritual diário deve ser entre o café e as conversas de corredor, e claro estudos profundos sobr a ciência da educação.
GostarGostar
boas notícias para os professores, mais uma possibilidade de optarem pelo ensino privado:
“A actividade funerária ainda é um negócio de família, mas em Setembro vai abrir a primeira escola, com aulas de psicologia do luto e embalsamamento.” jn hoje
GostarGostar
#39 – podem começar pelo embalsemão do pinto.
GostarGostar
Primeiro o sistema de ensino actual, massificado e pouco diferenciado, organizado em anos ou graus e agrupado em turmas.
Segundo a avaliação, sumativa, a promover, a desigualdade porque, com uma nota, nivela alunos com condições de aprendizagem diferentes à partida. Convenhamos: nascer num bairro degradado não é o mesmo que nascer no seio de uma família que fornece desde cedo um ambiente cultural mais rico a uma criança.
Depois os agentes da educação em mudança: já não são só os pais, mas a escola, a TV, a Playstation e, sobretudo a Net a terem um papel activo. Para o melhor e para o pior, os processos e níveis alargam-se. Está tudo acessível. Até que ponto os educadores controlam este mar de informação por fios? E o que seleccionam como permitido quando os educandos não estão sempre com eles?
O ensino massificado não é mau, no sentido de que é a única forma de chegar a todos, mas é discriminativo. Como escrevi acima, condições diferentes não podem gerar condições iguais depois e a discriminação agrava-se com os anos.
O ensino devia ser inclusivo. Para servir o aluno. Mas isso obriga qualquer estado a gastar dinheiro. Muito.
Nem tudo é mau nas sociedades modernas, democratizam-se as relações pais-filhos. Tem um preço: mudam os miúdos. Começam a sair mais cedo, a consumir drogas mais cedo e é também mais cedo que iniciam a sexualidade activa. Por arrasto dessa democratização de relações muda a imagem da autoridade. Não é a mesma de anos atrás. Já não basta dizer “cala-te” quando o pai lá em casa não o faz ou explica porquê. É por isso que depois à desordem na sala de aula.
Temos etnias misturadas nas escolas. Um caldo de culturas que têm de aprender a conviver entre si geridas por professores que lutam para entender e lidar com todos em salas de aula sem recursos adequados.
Há a política: todo e qualquer regime se serve da Educação para se legitimar. Hoje é preciso aligeirar os programas, deixar entrar todos nas universidades, porque o mercado de trabalho está escasso e o melhor é vender a esperança da especialização como saída possível. Mesmo que depois as Universidades não tenham articulação com o mercado de emprego, mesmo que tenham cursos a mais e obsoletos. Mesmo que Bolonha, afinal, sirva só para dar a ganhar dinheiro em Mestrados e deixe, afinal, as universidades terem a ultima palavra com ECTS que continuam complicados de leitura.
Safa: para quando a célebre constituição europeia? A ver se isto muda.
A ideia de diabolizar os agentes da educação é errada! Eles são só uma entre muitas variáveis. E deles, devidamente especializados, depende o sucesso das nossas crianças/adultos.
Também há a eventual fragilidade de competências dos professores que pode provocar neles insegurança, atitudes de reserva e baixa expectativa e nos alunos insucesso, frustração e fracasso. Mas, mesmo em Portugal há escolas da Ponte!
E há tantas outras coisas que, por darem um texto demasiado grande, não escrevo aqui.
Diabolizar os agentes da Educação, e em concreto as Ciências da Educação, não é solução. Elas ajudam a entender toda uma panóplia de dinâmicas muito complexa. Os seus profissionais leram, como eu li, Bordieux, Vigotsky, Perrenoud , Mialeret, Candeias, Ramos e tantos outros. Em Portugal, como sempre, o problema pode estar na eventual forma como são aplicadas. Nos EUA têm provado a eficácia com programas pioneiros que, como sempre, depois, pelo preço que implicam, em terras de D. Afonso Henriques, acabam a tornarem-se instrumentos da classe alta.
GostarGostar
Acresce escrever que não sou professora nem profissional das ciências de educação, mas a Educação tem sido um dos temas, que por ser estruturante das sociedades, me tem suscitado o interesse.
GostarGostar
Já foi escrito centenas de vezes que os vários governos nos últimos 30 anos, destruíram o sistema de ensino básico e secundário em Portugal. Ministros da Educação tivemos uns 30 (de 17 governos constitucionais) que paulatinamente se encarregaram dessa destruição. Um dizia mata o seguinte dizia esfola.
Portanto, todos os males da nossa educação ainda estão para vir e , não faço a mínima ideia de como se poderá resolver este problema, mas…. talvez fosse bom chamar finalmente alguém que entenda do assunto.
GostarGostar
Quem ler com atenção o comentário de Alyescka percebe bem como chegamos à situação actual…!
GostarGostar
#43 – se calhar era hora de mexer nos professores, mandando fora os que não prestam e recuperando os que têm conserto.
GostarGostar
# 43
O Leitão da Renascença,
o profeta da batata,
vai ao Brasil na fragata…
Porra ! Com sua licença.
O Leitão vai ao Brasil
para demonstrar aos di lá
como se pode ser cá
Tãoilustre e imbecil.
Leva na mala o chapéu
de plumas (ai o sacana)
e um bidé de porcelana
que o Julio Dantas lhe deu.
Leva um penico de prata
com a marca do Leitão
ourives – que é seu irmão
de leite – com muita nata
E leva um irrigador
com pipo cor de rosa
presente do Pais de Sousa
pois tem o cu dessa cor .
Leva mais : leva na peida
A ceia dos Cardeais
Obra que jura ser mais
importante que a Eneida .
GostarGostar
Sim, Fartinho da Silva, é este tipo de conversa legitimadora das sucessivas alterações a programas que enche os corredores da Avenida 24 de Julho e depois dos ministérios. Escola inclusiva e sucesso, ah claro e muito, muito dinheiro. E que tal, escola para todos e exigência?
GostarGostar
O ensino público tem que voltar TER DUAS VIAS, mediante acesso determinado por EXAME NACIONAL:
-Via que leva às universidades
-Via técnica-profissional
Tudo o que não seja isso é deitar dinheiro à rua e andar a alimentar a parasitagem
GostarGostar
A transformação da escola pública numa mera extensão da assistência social estatizada, é o principal objectivo da Nomenklatura.
Bourdieu deu o pontapé de saída, quando legitimou teoricamente o branqueamento das desigualdades socio-económicas através das políticas de “compensação pedagógica”, que mais não fazem do que legitimar a exploração em nome da “igualdade” simbólica da escola inclusiva.
Perrenoud, por sua vez, inaugurou a empresarialização do espaço pedagógico, ao importar a cultura do mercado para o seio da escola, sob a máscara da modernização.
GostarGostar
Exame de Fisico-Química do 11º Ano – 2ª Fase
Raquel – aluna do Colégio Salesianos do Estoril
Nota Interna – 15 valores
Nota do Exame – 2 valores
Resultado: Aprovada!
GostarGostar
Mas para que serve a Escola afinal? algum comentador ou postador sabe?
O Marafado agradeceria :-)))
GostarGostar
“Publiquei recentemente um estudo sobre os efeitos das reformas recentes na educação em
termos do desempenho dos alunos no ensino secundário.
Penso que este estudo tem interesse em termos de divulgação junto de um público alargado,
para alem do académico.
Os resultados indicam que o desempenho dos alunos no ensino secundario foi prejudicado
significativamente pelas alteracoes introduzidas no Estatuto da Carreira Docente.
O trabalho esta disponivel em http://www.ftp.iza.org/dp4051.pdf e um resumo nao-tecnico em
http://www.economiadaspessoas.blogspot.com/
Obrigado pela atencão.
Dr Pedro Martins”
http://www.educar.wordpress.com/2009/03/12/excelente-estudo-incentivos-aos-docentes-desempenho-dos-alunos-e-inflaccao-das-classificacoes/
GostarGostar
Estudo de professor da Universidade de Londres prova que o novo ECD e
o modelo de avaliação de desempenho prejudicam o desempenho dos alunos
e inflaccionam as notas
É um estudo académico realizado por um professor de Economia Aplicada
da School of Business and Management da Universidade de Londres. O
estudo tem o título de Individual Teacher Incentives, Student
Achievement and Grade Inflaction. O autor é português: Prof. Pedro
Martins. Para além de ser professor na Universidade de Londres, Pedro
Martins é “fellow researcher” no Instituto Superior Técnico e no
Institute of the Study of Labour, em Bona.
O estudo investigou o impacto das reformas educativas, realizadas, em
Portugal, nos últimos 3 anos, no desempenho dos alunos do ensino
secundário. O novo ECD, imposto pelo decreto-lei 15/2007, foi incluído
no leque de reformas educativas. O estudo baseia-se na informação
individual dos resultados dos exames em todas as escolas secundárias
portuguesas desde o ano lectivo 2001-02 até ao último ano lectivo
completo (2007-08). Utiliza informação disponibilizada pelo Júri
Nacional de Exames e que tem sido utilizada para a construção de
rankings (por exemplo, aqui e aqui).
Em termos específicos, compara a evolução dos resultados internos e
externos (exames nacionais) nas escolas públicas do continente com as
escolas privadas e também com as escolas públicas das regiões
autónomas. A motivação para esta escolha está no facto de os dois
últimos tipos de escolas não terem sido afectadas – pelo menos não com
a mesma intensidade – pelas várias alterações introduzidas no estatuto
da carreira docente e avaliação de desempenho dos professores. Nessa
medida, tanto as escolas privadas como as escolas públicas das regiões
autónomas podem servir como contrafactual ou grupo de controlo.
Os resultados indicam uma deterioração relativa de cerca de 5% em
termos dos resultados dos alunos das escolas públicas do continente em
relação tanto às escolas públicas da Madeira e Açores como às escolas
privadas. A explicação dada pelo autor do estudo para este resultado
prende-se com os efeitos negativos em termos da colaboração entre
professores a partir do momento em que a avaliação de desempenho
surgiu associada aos resultados escolares dos alunos (taxas de
insucesso e de abandono). Ou seja, os professores começaram a
colaborar menos uns com os outros e a partilharem menos os materiais e
os conhecimentos. Por outro lado, o aumento da carga burocrática
associada à avaliação também poderá ter tido custos em termos da
qualidade da preparação das aulas.
Por outro lado, o estudo conclui que a variação em termos dos
resultados internos destes mesmos alunos é menor, embora também
negativa – cerca de 2% (em contraponto a 5% nos exames nacionais). A
diferença entre os dois resultados, que sugere aumento da inflacção
das notas, pode explicar-se pela ênfase colocada pelo ECD (decreto-lei
15/2007) e pelo modelo de avaliação de desempenho (decreto
regulamentar 2/2008), pelo menos na sua primeira versão (antes da
avaliação simplificada) – nos resultados dos alunos (taxas de
insucesso e de abandono) como item a ser considerado na avaliação dos
professores.
Este estudo é de enorme importância. As conclusões arrasam o novo ECD,
o novo modelo de avaliação de desempenho de professores e as restantes
reformas educativas introduzidas no ensino secundário. Espero que os
jornais e as televisões peguem nos resultados deste estudo. Está tudo
neste post, incluindo a versão completa do estudo do Prof. Pedro
Martins.
Para saber mais:
O estudo “Individual Teacher Incentives, Student Achievement and Grade
Inflaction” versão completa
O estudo – versão abreviada (resumo)
http://www.profblog.org/2009/03/estudo-de-professor-da-universidade-de.html
GostarGostar
Questões:
Gostaria de perguntar ao João Miranda nomes de professores que são chamados a debater a questão da Educação nas televisões, em artigos de opinião em jornais e revistas ou em outros meios de comunicação social. Tem a resposta. Os especialistas do sector, os responsáveis, os agentes educativos – os professores das escolas portuguesas com conhecimento e experiência – não são tidos nem achados sobre as questões de que são especialistas!
Conhece algum professor ministro ou secretário de estado da Educação desde 1974? Não. Tem a resposta.
Enquanto o sector não for entregue à responsabilidade dos professores, nada feito. Responsabilidade política – definição das políticas educativas para o sector – e responsabilidade pela gestão e organização das escolas.
Existem excelentes professores no sistema educativo português. Maioritariamente, o corpo docente é de muito boa qualidade. A «cultura de escola» exerce um enorme controlo e pressão social de “formatação dos professores” quer pela via dos alunos quer pela via dos outros (os professores conflituam muito uns com os outros, as “suas” turmas e os “seus” alunos têm que ter sempre melhores notas que as outras/outros,…) o que sempre dificultou enormemente a tarefa dos lobbis «eduqueses». Contudo, nestes 4 anos e tal, com o polvo do ME a instalar-se nas escolas, estavam (espero!) prestes a espatifar tudo.
Tudo.
Ainda vamos a tempo. Creio-o.
GostarGostar
Também os nazistas omitiram parte do pensamento de Nietzsche e fizeram uma perversa interpretação literal de algumas das frases para servir de apoio teórico a Hitler, que o mais certo é nunca ter lido um livro do autor. Se o tivesse feito, teria lido em fragmentos póstumos esta frase: “O teutónico Deutsland alles (a Alemanha acima de tudo, palavra de ordem do nazismo) é o slogan mais estúpido que jamais foi criado no mundo.” Se estivesse vivo, Nietzsche seria, muito provavelmente um dos mais veementes opositores do nazismo.
A partir de noções como Campo, Habitus e Capital Bordieux evidenciou os mecanismos de reprodução social que legitimam diversas formas de dominação, o que é diferente. Se uma critica lhe pode ser feita é a do determinismo, com os desfavorecidos, sem nenhum dos poderes, económico ou político, condenadas ao fracasso para toda a vida e isso quando ele próprio era de origens humildes e tornou-se um sociólogo influente.
Para desconforto dos políticos em geral,com a própria Europa a admitir que os filhos têm um destino sempre mais semelhante aos dos pais, temos de admitir que nomes vindos do nada como o de um Belmiro de Azevedo são sempre mais dificeis de fazer…
Portanto conhecer as causas é prevenir as consequências…
Leia-se Bordieu, P (1982). Reprodução Cultural e Reprodução Social in S. Grácio, S. miramda e S. Soter (orgs.) Sociologia da Educação I – Funções da Escola e Reprodução Social (pp,327-359).Lisboa: Livros Horizonte
Finalmente, por associação de ideias, ao pensar em deficiências do ensino escrevi, a dada altura, inclusiva, esquecendo que esse é um termo que aplicam a Necessidades Educativas Especiais. Embora a inclusão seja necessária, o que deveria ter escrito era construtivista, no sentido em que admita que a escola não sabe tudo e que a criança tem ela própria experiências de vida, conhecimentos e a escola lhe serve para reflectir sobre eles, organizando-os, enriquecendo-os e desenvolvendo-os. Uma escola mais ciente das diferenças entre os alunos acaba por permitir projectos de vida individuais eficazes. Ou não?
Volto a deixar claro que não estou ligada ao meio educativo de nenhuma forma. Fui apenas chamada a reflectir sobre o assunto em conversa com amigos não portugueses. Percebi o pouco que sabia e informei-me. Agora tenho uma opinião mais fundamentada. É só um exemplo e para um tipo de ensino. Site oficial: http: //www.highscope.org/
GostarGostar
Volto a dizer a mesma coisa, quem ler o comentário de Alyescka percebe imediatamente no que foi transformada a “escola” pública portuguesa…!
GostarGostar
55.
Ao texto escrito nos intervalos de tempo que me são possíveis, de resto como a todos, faltou-me acrescentar que Bordieux é só mais um entre tantos teóricos. E todas as teorias credíveis têm defeitos e virtudes. Criticar, duvidar e colocar novas hipóteses de trabalho é próprio de um pensamento mais científico, que procura certezas possíveis. E, de exacta, só conheço a Matemática.
GostarGostar
Valter Lemos nunca participou em debates parlamentares, nunca
demonstrou possuir uma ideia sobre Educação
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, tem aparecido na
televisão e até no Parlamento, o mesmo não sucedendo ao seu secretário
de Estado, Valter Lemos. É pena, porque este senhor detém competências
que lhe conferem um enorme poder sobre o ensino básico e secundário.
Intrigada com a personagem, decidi proceder a uma investigação. Eis os
resultados a que cheguei.
Natural de Penamacor, Valter Lemos tem 51 anos, é casado e possui uma
licenciatura em Biologia: até aqui nada a apontar. Os problemas surgem
com o curriculum vitae subsequente. Suponho que ao abrigo do acordo que
levou vários portugueses a especializarem-se em Ciências da Educação
nos EUA, obteve o grau de mestre em Educação pela Boston University. A
instituição não tem o prestígio da vizinha Harvard, mas adiante. O
facto é ter Valter Lemos regressado com um diploma na “ciência” que,
por esse mundo fora, tem liquidado as escolas. Foi professor do ensino
secundário até se aperceber não ser a sala de aula o seu habitat
natural, pelo que passou a formador de formadores, consultor de
“projectos e missões do Ministério da Educação” e, entre 1985 e 1990, a
professor adjunto da Escola Superior do Instituto Politécnico de
Castelo Branco.
Em meados da década de 1990, a sua carreira disparou: hoje, ostenta o
pomposo título de professor-coordenador, o que, não sendo doutorado,
faz pensar que a elevação académica foi política ou administrativamente
motivada; depois de eleito presidente do conselho científico da escola
onde leccionava, em 1996 seria nomeado seu presidente, cargo que
exerceu até 2005, data em que entrou para o Governo. Estava eu
sossegadamente a ler o Despacho ministerial nº 11 529/2005, no Diário
da República, quando notei uma curiosidade. Ao delegar poderes em
Valter Lemos, o texto legal trata-o por “doutor”, título que só pode
ser atribuído a quem concluiu um doutoramento, coisa que não aparece
mencionada no seu curriculum. Estranhei, como estranhei que a
presidência de um politécnico pudesse ser ocupada por um não doutorado,
mas não reputo estes factos importantes. Aquando da polémica sobre o
título de engenheiro atribuído a José Sócrates, defendi que os títulos
académicos nada diziam sobre a competência política: o que importa é
saber se mentiram ou não.
Deixemos isto de lado, a fim de analisar a carreira política do sr.
secretário de Estado. Em 2002 e 2005, foi eleito deputado à Assembleia
da República, como independente, nas listas do Partido Socialista.
Nunca lá pôs os pés, uma vez que a função de direcção de um politécnico
é incompatível com a de representante da nação. A sua vida política
limita-se, por conseguinte, à presidência de uma assembleia municipal
(a de Castelo Branco) e à passagem, ao que parece tumultuosa, pela
Câmara de Penamacor, onde terá sofrido o vexame de quase ter perdido o
mandato de vereador por excesso de faltas injustificadas, o que só não
aconteceu por o assunto ter sido resolvido pela promulgação de uma nova
lei. Em resumo, Valter Lemos nunca participou em debates parlamentares,
nunca demonstrou possuir uma ideia sobre Educação, nunca fez um
discurso digno de nota.
Chegada aqui, deparei-me com uma problema: como saber o que pensa do
mundo este senhor? Depois de buscas por caves e esconsos, descobri um
livro seu, O Critério do Sucesso: Técnicas de Avaliação da
Aprendizagem. Publicado em 1986, teve seis edições, o que pressupõe ter
sido o mesmo aconselhado como leitura em vários cursos de Ciências da
Educação. Logo na primeira página, notei que S. Excia era um lírico.
Eis a epígrafe escolhida: “Quem mais conhece melhor ama.” Afirmava
seguidamente que, após a sua experiência como formador de professores,
descobrira que estes não davam a devida importância ao rigor na
“medição” da aprendizagem. Daí que tivesse decidido determinar a forma
correcta como o docente deveria julgar os estudantes. Qualquer regra de
bom senso é abandonada, a fim de dar lugar a normas pseudocientíficas,
expressas num quadrado encimado por termos como “skill cognitivos”.
Navegando na maré pedagógica que tem avassalado as escolas, apresenta
depois várias “grelhas de análise”. Entre outras coisas, o docente
teria de analisar se o aluno “interrompe o professor”, se “não cumpre
as tarefas em grupo” e se “ajuda os colegas”.
Apenas para dar um gostinho da sua linguagem, eis o que diz no
subcapítulo “Diferencialidade”: “Após a aplicação do teste e da sua
correcção deverá, sempre que possível, ser realizado um trabalho que
designamos por análise de itens e que consiste em determinar o índice
de discriminação, [sic para a vírgula] e o grau de dificuldade, bem
como a análise dos erros e omissões dos alunos. Trata-se portanto, [sic
de novo] de determinar as características de diferencialidade do
teste.” Na página seguinte, dá-nos a fórmula para o cálculo do tal
“índice de dificuldade e o de discriminação de cada item”. É ela a
seguinte: Df= (M+P)/N
em que Df significa grau de dificuldade, N o número total de alunos de
ambos os grupos, M o número de alunos do grupo melhor que responderam
erradamente e P o número de alunos do grupo pior que responderam
erradamente.
O mais interessante vem no final, quando o actual secretário de Estado
lamenta a existência de professores que criticam os programas como
sendo grandes demais ou desadequados ao nível etário dos alunos. Na sua
opinião, “tais afirmações escondem muitas vezes, [sic mais uma vez]
verdades aparentemente óbvias e outras vezes “desculpas de mau
pagador”, sendo difícil apoiá-las ou contradizê-las por não existir
avaliação de programas em Portugal”. Para ele, a experiência dos
milhares de professores que, por esse país fora, têm de aplicar, com
esforço sobre-humano, os programas que o ministério inventa não tem
importância.
Não contente com a desvalorização do trabalho dos docentes, S. Excia
decide bater-lhes: “Em certas escolas, após o fim das actividades
lectivas, ouvem-se, por vezes, os professores dizer que lhes foi
marcado serviço de estatística. Isto é dito com ar de quem tem, contra
a sua vontade, de ir desempenhar mais uma tarefa burocrática que nada
lhe diz. Ora, tal trabalho, [sic de novo] não deve ser de modo nenhum
somente um trabalho de estatística, mas sim um verdadeiro trabalho de
investigação, usando a avaliação institucional e programática do ano
findo.” O sábio pedagógico-burocrático dixit.
O que sobressai deste arrazoado é a convicção de que os professores
deveriam ser meros autómatos destinados a aplicar regras. Com
responsáveis destes à frente do Ministério da Educação, não admira que,
em Portugal, a taxa de insucesso escolar seja a mais elevada da Europa.
Valter Lemos reúne o pior de três mundos: o universo dos pedagogos que,
provindo das chamadas “ciências exactas”, não têm uma ideia do que
sejam as humanidades, o mundo totalitário criado pelas Ciências da
Educação e a nomenklatura tecnocrática que rodeia o primeiro-ministro.
30.09.2007, Maria Filomena Mónica (jornal o Público)
GostarGostar
Para que serve a cultura?
Se esta pergunta me fosse feita por um gestor ou por um economista, eu responder-lhe-ia que estava feita ao contrário: não é a economia que pede contas à cultura, é a cultura que as pede à economia.
No entanto, a pergunta, feita num contexto que não seja estreitamente utilitário, faz sentido e merece resposta. Para que serve a cultura?
Uma resposta possível, implícita no que escrevi acima, é que não serve nem tem que servir para nada. A cultura é um fim em si mesma. A vida que não é examinada não é digna de ser vivida, dizia Sócrates: vivemos para filosofar, não filosofamos para viver. A vida sem cultura, depreende-se, pode ser vida, mas não é vida humana.
Outra resposta é que só a cultura permite a liberdade. Não a garante: apenas a permite. O homem ignorante, o homem primário, erige à sua volta uma prisão feita de convencionalismos, frases feitas, mitos urbanos, slogans e superstições. Não ousa dar um passo fora dela; por vezes nem se apercebe da existência de um mundo exterior. Não sofre com o seu cativeiro.
Mas se tem poder suficiente para obrigar outros a partilhá-lo, esses sofrem. A normalidade, que é a utopia dos medíocres, é a distopia de quem sabe que há mais mundo. Transmutada pelo jargão tecno-burocrático, a normalidade torna-se normalização: nem por isso é menos desumana.
A incultura de que falo não é só a dos iletrados. Pode ser a que resulta da hiper-especialização. O homem ou a mulher que detém um só saber tende a ver nele a explicação cabal do Mundo e do Homem: vemos isto hoje em muitos economistas, especialmente nos neoliberais, mas neste particular os economistas não são – longe disso – caso único.
Ou pode ser a incultura que resulta da mera erudição, que só sabe pensar o que já foi pensado.
O pensador, o cientista, o artista, o professor têm a seu cargo a liberdade de todos. A escola não serve para normalizar as pessoas (como a União Europeia faz à fruta): serve para as equipar com os recursos de pensamento e de percepção que lhes permitirão, se quiserem, fugir à norma. A política educativa não é subsidiária da política económica. É isto que nenhum burocrata da educação ou técnico da OCDE jamais entenderá.
http://www.legoergosum.blogspot.com/2009/07/para-que-serve-cultura.html
GostarGostar
Aconselho a leitura … (de quem trabalha nas escolas … de quem a conhece …)
http://www.educar.wordpress.com/2009/08/01/opinioes-zeferino-lopes-3/
JMiranda,
Ramiro Marques não é professor dos Ensinos Básico ou Secundário. Não conhece, de facto, a “Escola”.
É professor numa ESE.
GostarGostar
Comentário final: nunca se julgue a parte pelo todo. E jamais se acredite que saber significa aplicar no terreno o que se sabe.
Também escrevi que “todo e qualquer regime usa-se da Educação para legitimar-se.”
E nunca escrevi que as políticas de ensino estivessem correctas. Talvez porque começam por medidas que ficam bem nos ouvidos dos pais…
Fazer correcto, insisto, significa gastar muito dinheiro e pôr as pessoas a pensar melhor. Convém?
Escrevi também que “diabolizar os agentes da educação é errado! Quando me refiro a agentes entendo todos: pais, professores e até os ditos profissionais da educação.
GostarGostar