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A propósito de entidades reguladoras

3 Agosto, 2009

«A pequena Voltalis pôs cinco mil lares franceses a usarem electricidade de forma mais eficiente. O gigante [EDF] não gostou e quer ser ressarcido (…) A Comissão de Regulação de Energia (CRE) deu razão à EDF quanto à “energia injectada mas não consumida” e à obrigação de manter os níveis de produção, mesmo numa baixa pontual de consumo, e defende a aplicação de uma taxa.»
Para perceber melhor este jogo de absurdos regulatórios é melhor ler todo o artigo do PÚBLICO:
Uma empresa promete poupanças de energia eléctrica aos consumidores com a instalação de um sistema que desliga electrodomésticos nos períodos mais críticos para a rede. O fornecedor de energia não gosta e quer que a empresa lhe pague o que deixou de ganhar por causa desses cortes. Recorre ao regulador e este dá-lhe razão.O caso passa-se em França, onde a polémica se instalou e tem como protagonistas a pequena Voltalis, que comercializa e instala os sistemas, a EDF, o colosso francês da energia, e o “polícia” contestado, a Comissão de Regulação de Energia (CRE).
A Voltalis, criada em 2007, no âmbito da liberalização do sector, é, até agora, a única empresa em França a oferecer aos consumidores a instalação de uma pequena caixa, com a qual anuncia reduções da factura eléctrica entre cinco e 10 por cento. O equipamento, preparado para a baixa tensão (habitações e serviços) permite cortar automaticamente o fornecimento de electricidade a alguns electrodomésticos nos períodos de pico de consumo, durante alguns minutos, retomando-o em seguida. O corte visa especialmente os aparelhos de aquecimento e os cilindros de água quente.
O serviço da Voltalis está contratado com a RTE (Rede de Transporte de Electricidade), congénere francesa da REN, que paga à entidade esse serviço. Em período de ponta, a RTE, que pertence ao grupo EDF, mas tem gestão independente, pode optar por uma ou pelas duas opções consoante as circunstâncias: pode recorrer às referidas caixas para baixar o consumo, ou mobilizar centrais para responder ao acréscimo de procura.
Mais do que já fez, o impacto da Voltalis está no que promete fazer. Segundo afirmou ao PÚBLICO, cinco mil habitações dispõem deste equipamento, desde o Inverno passado, sendo as que aderiram ao teste da tecnologia BluePod. O seu plano é realizar meio milhão de instalações, “o que permitirá o ‘desaparecimento’ de cerca de um gigawatt no pico do consumo”, equivalente à potência da central eléctrica de Sines. Esse potencial de redução, acrescenta, é equivalente a 20 por cento da procura de ponta.
A EDF foi a primeira fornecedora a reclamar e outras de menor dimensão se seguiram, como a Poweo, a Direct Energie e GDF Suez. Querem que a empresa as indemnize pelo que deixaram de ganhar, alegando que o serviço da Voltalis não as dispensa de comprar a electricidade adicional, mas que depois acabam por não vender.
A Comissão de Regulação de Energia (CRE) deu razão à EDF quanto à “energia injectada mas não consumida” e à obrigação de manter os níveis de produção, mesmo numa baixa pontual de consumo, e defende a aplicação de uma taxa. A Voltalis opõe-se à “absurda” aplicação de uma taxa, num momento em que as políticas europeias estão orientadas para a eficiência. Será um “prémio ao desperdício”, dizem os Verdes. Os protestos públicos surgiram e o Governo acabou por adiar uma decisão.
Este caso tornou visível uma falha regulatória no sistema francês, sem resposta adequada para novas práticas num mercado juridicamente liberalizado. O Governo, que inicialmente esteve a favor da CRE, pediu tempo e nomeou um grupo de trabalho para estudar as mudanças regulatórias necessárias que “promovam a poupança energética e respeitem o interesse de todas as partes envolvidas”. O grupo vai produzir um relatório até ao fim do ano.
Antes do assunto ir “de férias”, a rede ambientalista Sair do Nuclear, que junta de 800 organizações do país, exigiu a extinção da CRE e a sua substituição por uma entidade independente não condicionada a uma alegada sobre-representação dos interesses dos produtores, e a um défice de consumidores e às sociedades prestadoras de serviço.

16 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    3 Agosto, 2009 15:51

    par toutatis! ils ont déjá la potion nrj.

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  2. Marafado de Buliquei-me's avatar
    Marafado de Buliquei-me permalink
    3 Agosto, 2009 16:06

    Mais um que chegou de vancaças com as valises !!

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  3. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    3 Agosto, 2009 16:21

    eu é mais vanpescas.

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  4. Desconhecida's avatar
    3 Agosto, 2009 16:22

    Aconteceu algo semelhante com a pequena JF Ericeira por ter tentado ser verde (economicamente mais eficiente) com a produção de biodiesel e os impostos sobre produtos petrolíferos que o Estado exige. Estas empresas (como a EDF) consideram-se omnipotentes devido à sua quota de mercado, julgando-se no direito de cobrar tudo. E se tentassem também ser mais eficientes e ultrapassar esta pequena concorrência?

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  5. Rui Soares's avatar
    3 Agosto, 2009 16:24

    Estes romanos, perdão franceses, são doidos!!!!!!!!

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  6. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    3 Agosto, 2009 16:51

    A Europa Estatista e Monopolista é como sempre anti-liberdade.

    Também houve um caso de um Empresa de Transportes Públicos que protestou porque umas trabalhadoras alugavam ou usavam umas carrinhas para as transportar para o emprego. Julgo que foi em Inglaterra.

    Os reguladores existem na maior parte dos casos para acabar com nova concorrência.

    Por cá temos as ordens dos Médicos, ERC e muitas outras. Todas preocupadas em impedir o outro de concorrer.

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  7. Rui Soares's avatar
    3 Agosto, 2009 17:20

    Pela mesma linha de pensamento, a GALP e restantes companhias podem processar o Socrates por estar a promover os carros electricos, que dessam formam não vão conseguir escoar toda a gasolina adquirida.

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  8. Piscoiso's avatar
    3 Agosto, 2009 18:46

    Desde há muito tempo que utilizo tomadas temporizadas, que desligam termo-acumuladores quando desnecessários.
    O problema não será esse, mas a forma como é feito, que violará a legislação francesa na matéria.

    O BluePod é composto por duas caixas:
    1. “Piloto” que comunica pela internet sem fios com a Voltalis, obtendo os dados necessários.
    2. “Modulador” ligado por cabo ao “Piloto”, e instalado no interior do quadro eléctrico.

    Ora qualquer quadro eléctrico só pode ser abastecido de energia depois de vistoriado e aprovado, sendo que o “Modulador” referido, não fará parte da lista do que é permitido integrar num quadro eléctrico.

    É claro que há muitos interesses em jogo na inovação, que mais cedo ou mais tarde acabará por se impor.
    Se a Voltalis fosse de alguém da família de Sarkozy, o BluePod já seria obrigatório.

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  9. .'s avatar
    3 Agosto, 2009 18:56

    Para a Helena poder falar de algo que não saiba talvez fosse bom informar-se primeiro. O Piscoiso também poderia aprender algo.
    É só irem aqui e aprenderem com quem sabe http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/2009/08/gestao-da-procura-smart-grids-e-quem.html

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  10. orabolas's avatar
    orabolas permalink
    3 Agosto, 2009 19:08

    #9:
    realmente o artigo q refere é sério, e coloca a coisa na devida perspectiva. Ou seja, a opção é apenas económica, permitindo uma redução da “ponta”, mas não uma redução do consumo bruto de energia.

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  11. Piscoiso's avatar
    3 Agosto, 2009 19:19

    #9.
    Essa notícia da Voltalis já a li no LeMonde no mês passado, não é novidade nenhuma.
    Sobre a obrigatoriedade das vistorias das instalações eléctricas, referia-me à EDP, mas na EDF não deve ser muito diferente.
    Não tem nada que saber, pois está tudo legislado na especialidade.
    Haverá que alterar os regulamentos que limitam a utilização de um quadro eléctrico, para lá poder incluir um aparelho que não existia à data em que essa regulamentação foi feita.
    O link que colocou também já havia lido. É uma aproximação mais política que técnica.
    Se quiser coloco-lhe um link com os regulamentos das instalações eléctricas de baixa tensão.

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  12. Anti-liberal's avatar
    Anti-liberal permalink
    4 Agosto, 2009 02:14

    #6
    lucklucky disse
    3 Agosto, 2009 às 4:51 pm

    Atenção que anti-liberal não tem nada a ver com anti-liberdade.

    Nuno

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  13. Anti-liberal's avatar
    Anti-liberal permalink
    4 Agosto, 2009 02:21

    Piscoiso disse
    3 Agosto, 2009 às 6:46 pm

    Até que enfim que este coiso diz um coisa de jeito.

    Nuno

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  14. Anti-liberal's avatar
    Anti-liberal permalink
    4 Agosto, 2009 02:59

    #9
    . disse
    3 Agosto, 2009 às 6:56 pm

    Bem, realmente, o coiso chamou bem a atenção para o problema do consumo de electricidade, o “.disse” expôs quase toda a sua dimensão.
    Não se trata de me considerar optimista ou pessimista. Penso que o bom-senso imperará.

    Nuno

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  15. Desconhecida's avatar
    Doe, J permalink
    4 Agosto, 2009 09:07

    Os franceses estão atrasados. 😉

    Coisas que fascinam:

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  16. Tiago Mouta's avatar
    4 Agosto, 2009 16:35

    Como o autarca da Ericeira que pôs a frota automóvel a rolar com biodiesel recolhido e produzido por eles e o estado achou por bem taxá-los em ISP…
    Nem sempre fazer o que está correcto é o melhor para nós, pelo menos é a lição que levo deste “Mundo ao Contrário”…

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