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Aposta no investimento público falhou

26 Março, 2010

Os defensores da tese “vamos combater a crise com investimento público” passaram a defender a tese “a crise resolve-se se a Alemanha pagar as nossas dívidas”.

44 comentários leave one →
  1. MJRB's avatar
    26 Março, 2010 13:35

    Muito bom post !

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  2. Anti-Coiso's avatar
    Anti-Coiso permalink
    26 Março, 2010 13:39

    Pois é!
    Em duas linhas resumiu a verdade.
    Isto é a essência da falsa esquerda portuguesa e do gang do falso engº.
    Nós esbanjamos e roubamos e os outros trabalham e pagam.
    Pergunte ao padre Xico Anacleto se não é essa a cartilha.

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  3. anonimo's avatar
    26 Março, 2010 13:45

    Comentário sacado dom post anterior.

    «Os alemães ainda devem mais que os portugueses 5208 000 000 000euros (30 de Junho 2009
    http://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/gm.html
    a dividir 82,329,758 alemães (July 2009 est.)
    http://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/gm.html
    Dolorosa alemã 63512 euros

    Os portugueses só devem 507 000 000 000euros ( 30 de Junho de 2009)
    http://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/po.html
    a dividir por 10,707,924 Portugueses (July 2009 est.)
    http://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/po.html
    Dolorosa portuguesa 47383 euros
    Conclusão coitadinhos dos alemães e três vivas para José ……
    Ps – Parece que os alemães andam a pedir emprestado a juros baixos, para depois emprestar aos portugueses a juros altos. Se o nosso José os apanhar a cometer o crime de usura, vão apanhar uma multa de Bruxelas que vai dar para cobrir o deficit português por dois anos.»

    Será mesmo verdade que cada alemão está mais endividado que cada português!?

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  4. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 13:58

    Bem observado. É o Estado ou os ricos que são responsáveis por tudo. Quero ver é o que eles pensam sobre Portugal ir ajudar a Grécia. Acho que essa já não vai cair tão bem.

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  5. Fritz's avatar
    Fritz permalink
    26 Março, 2010 13:59

    É verrrrdade Kamerrrrrada.
    Nós alemães estamos a viver á custa dos porrtugueses há muito tempo.
    Mas é segrredo! Não dizerrr a ninguém!
    A Alemanha na verrrdade é pobrrrre.O dinheirrrrro é todo dos porrrtugueses.
    Com ele recontruímos a Alemanha de Leste e impulsionamos a CEE.
    A indústrrrria alemã não prrrresta! É tudo segrrredos roubados á indústrria porrrrtuguesa!

    Quando se entrrra na Alemanha,logo se constata a nossa pobrrreza e atrrraso.

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  6. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 14:02

    “Será mesmo verdade que cada alemão está mais endividado que cada português!?”

    Mas quantas vezes o PIB per capita é maior do que o nosso? MIl vezes!… É por isso que eles conseguem pagar a dívida e nós não. É como uma pessoa muita rica dever 1000 euros ao banco e uma muito pobre dever 900. Enquanto o banco até gosta de emprestar à primeira, foge da segunda.

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  7. Desconhecida's avatar
    Gol(pada) permalink
    26 Março, 2010 14:02

    Anos e anos a receber milhões da CEE.
    Governar um país com 10 milhões de pessoas é facílimo.
    Pelo mundo há cidades com mais de 10 milhões de pessoas.

    Portanto vão buscar o dinheiro às off-shores, aos iates às casas apalaçadas, às 300 e tal Fundações e Organismos, aos Mega-Multimilionários contratos derrapantes prós amigos, ect…

    Revolta nacional para não deixar passar a Lei dos 5% para as off-shores.

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  8. Gustav's avatar
    Gustav permalink
    26 Março, 2010 14:03

    Yah, yah, Fritz, eins bein isch liebe dich. ahahahaha!

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  9. Cosa Súcia's avatar
    Cosa Súcia permalink
    26 Março, 2010 14:05

    As vigarices e a falta de vergonha são tantas que os portugueses já ganharam um calo na consciência.
    Gostava que os aldrabões que falavam em trapalhadas do governo Santana agora se pronunciassem.

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  10. Peter pan's avatar
    Peter pan permalink
    26 Março, 2010 14:10

    Para as pessoas mais impressionáveis,recomendo que não vejam o vídeo.A qualquer momento,a bruxa pode pegar na vassoura e sair a voar.

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  11. Desconhecida's avatar
    Semelha permalink
    26 Março, 2010 14:15

    O Batata Fritz até tem razão !!

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  12. Erik's avatar
    Erik permalink
    26 Março, 2010 14:19

    #7

    Tem toda a razão,mas todos fingem não perceber uma coisa tão básica.Andam todos por aqui a discutir o sexo dos anjos.
    Às vezes é ridículo como se contorcem em teorias para encontrar uma solução para a economia,excluindo liminarmente a devolução do saque monstruoso pela canalha política e respectiva clientela.
    Todos conhecemos quem roubou(e continua a roubar) os biliões.Só é segredo para a polícia.Todos os outros cidadãos sabem onde procurar o dinheiro roubado à nação.

    Procurem os robalos e verão que Portugal fica com uma situação confortável,para lá de repôr a justiça a milhões de pessoas que têm sido enganadas e prejudicadas.
    Eu não faço questão de deixar aos meus filhos um país de ladrões e de mentecaptos que os acobertam e fingem ignorar.

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  13. Trinta e três's avatar
    26 Março, 2010 14:22

    É pá, agora fiquei preocupado! É que não me lembro desse “investimento público” de que fala o João Miranda (eu disse investimento!). Tenho mesmo que consultar o meu médico…

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  14. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Março, 2010 14:22

    #9

    O investimento está totalmente explicado nessa resposta da Milu!

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  15. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Março, 2010 14:24

    “Para as pessoas mais impressionáveis,recomendo que não vejam o vídeo.A qualquer momento,a bruxa pode pegar na vassoura e sair a voar.”

    A qualquer momento o dinheiro do PS saiu a voar.

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  16. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Março, 2010 14:29

    Temos o investimento governado

    -Tou
    -Tá lá
    -Oi
    -Conseguiste trazer o STJ da farmácia
    -Não saiu
    -E aquilo hãn?
    -Já tomei o PGR do pequeno almoço
    -E veio, mas eu passo
    -Pois, não há nada
    -Já estou bom
    -Tá
    -Sim?
    -Engoliu?
    -Não há nada para engolir
    -Pronto
    -Adeus

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  17. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 15:20

    “Temos o investimento governado”

    – então, não era 25 000 km?
    – sim, mas era depois
    – então, posso falar com ele?
    – sim… tá bem.
    – amanhã?
    – pois…
    – então, até amanhã
    – Ok.

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  18. Piscoiso's avatar
    Piscoiso permalink
    26 Março, 2010 15:40

    Desculpem não dizer nada mas não me apetece dizer coisas.

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  19. anonimo's avatar
    26 Março, 2010 15:58

    “É como uma pessoa muita rica dever 1000 euros ao banco e uma muito pobre dever 900.” – # 6

    AH! Para si, Portugal é pobre e a Alemanha é rica (!)

    Um território de 10 milhões de almas, com um MAR gigantesco de recursos, um clima fantástico, paisagens fabulosas naturais de enorme diversidade, um património cultural fabuloso, com mil e um recursos naturais e outros por explorar, uma capacidade inventiva e de “desenrascanço” total, etc, etc, etc … É POBRE???
    AGORA, É UM POVO com uma percentagem elevada de IDIOTAS, gananciosos, invejosos, gente sem escrúpulos, sem pingo de vergonha e moral, etc. Aí, de facto, os alemães são, bem mais “ricos” – NUNCA O PERMITIRIAM, não é verdade?

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  20. Manganão's avatar
    Manganão permalink
    26 Março, 2010 16:00

    Piscoiso disse
    26 Março, 2010 às 3:40 pm
    Desculpem não dizer nada mas não me apetece dizer coisas.

    Estás desculpado.
    Continua assim por muitos anos.

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  21. Manganão's avatar
    Manganão permalink
    26 Março, 2010 16:02

    Um território de 10 milhões de almas, com um MAR gigantesco
    anonimo disse

    O que sugere? Mais dívidas dando o mar como penhor…ou que nos deitemos todos ao mar?

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  22. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 16:07

    Preferia mil vezes a cerveja e os pubs alemães. Aqui em Portugal a diversão principal é comer.

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  23. Desconhecida's avatar
    Semelha permalink
    26 Março, 2010 16:08

    Mas, quando é que estes reaças vão votar, lá no “resolve tudo que é uma beleza” e deixam isto tranquilo umas horas !?

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  24. Desconhecida's avatar
    Semelha permalink
    26 Março, 2010 16:12

    O que falhou e… bem , foi este post… ejheheheheh.

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  25. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 16:13

    “Mais dívidas dando o mar como penhor…ou que nos deitemos todos ao mar?”

    AHAHAHAHAHA!

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  26. Fernando M.'s avatar
    Fernando M. permalink
    26 Março, 2010 16:14

    Hummm…portanto,queres que isto fique tranquilo…e quanto te pagam para “ajudares” isto a ficar tranquilo?
    Ò Pica coisas vai dar uma volta.Mesmo que te travistas,nota-se sempre o cheiro.

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  27. Desconhecida's avatar
    anónimo permalink
    26 Março, 2010 16:18

    “Aqui em Portugal a diversão principal é comer.”

    tá bém, mas tu és intragável.

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  28. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 16:21

    E tu és larilas.

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  29. Desconhecida's avatar
    26 Março, 2010 16:22

    Agora cada português vai escolher o seu alemão que o vai sustentar.

    Chama-se a isto “economia new age” e está cada vez mais em voga na UE.

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  30. Desconhecida's avatar
    26 Março, 2010 16:23

    #19:”MAR gigantesco de recursos, um clima fantástico, paisagens fabulosas naturais de enorme diversidade, um património cultural fabuloso, com mil e um recursos naturais”

    Aposto que se está a referir a Valongo.

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  31. anonimo's avatar
    26 Março, 2010 16:26

    “Tudo aqui exala robustez e tecnologia. Em casa, tenho três computadores, um deles ligado a um ecrã tão grande que, confesso, até me sinto intimidada pelos meus textos, enquanto os escrevo. Na garagem, um carro veloz e seguro. Na sala, uma televisão com tantos comandos que nem consigo entender para que cada um deles serve. Uma aparelhagem XPTO. Umas colunas XYZ. É normal, todos (ou muitos) têm. São acessíveis a muita gente.”
    http://www.31daarmada.blogs.sapo.pt/3902182.html
    “São acessíveis a muita gente.” – Exactamente o contrário do que se passa em Portugal, país onde existe a maior das desigualdades sociais.

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  32. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 16:27

    “Agora cada português vai escolher o seu alemão que o vai sustentar”

    ahahaha, como no Zoo, “este urso é patrocinado pelo BES”

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  33. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 16:29

    Eu cá vou escolher um alemão alto, de gravata e olhos verdes!..

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  34. Ratofilia's avatar
    Ratofilia permalink
    26 Março, 2010 16:30

    Eu já fui escolhido pelo Sócras e seu gang,para os sustentar.O desafio é saber como me livrar da carraça.

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  35. anonimo's avatar
    26 Março, 2010 16:31

    Os alemães apreciam muito os trabalhadores portugeses.

    Os portugueses apreciam muito os gestores alemães.

    É uma boa aliança!

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  36. anonimo's avatar
    26 Março, 2010 16:32

    Na Auto Europa dão-se muito bem.

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  37. votoembranco's avatar
    votoembranco permalink
    26 Março, 2010 16:45

    Ora vamos lá ver se nos entendemos!

    1 – Os chamados “interesses” reúnem-se no grande oriente da republica das bananas da loja maçónica qualquer coisa ou na associação portuguesa de bancos ou na lota de pesca dos robalos ou na zaragata & judice lda e escolhem dois tipos do PS e do PSD, que ainda não têm cadastro, para primeiro ministro.
    2 – Convém que sejam aldrabões, incapazes, incompetentes e que ainda não estejam a ser perseguidos muito de perto pela PJ.
    3 – A partir daí os jornais, rádios e tvs do regime, com os seus 200.000 comentadores do regime avençados aos supracitados interesses começam a discutir entre si a fingir que nenhum dos aldrabões quer assaltar o Orçamento do Estado para distribuir generosamente pelos supracitados interesses.
    4 – Depois …blá blá blá
    11 – Por fim os portugueses que votaram alegremente nos aldrabões ficam todos contentes pelas eleições terem decorrido com elevado grau de civismo e, ainda mais alegremente vão aconchegando a carteira para verificarem se têm dinheiro para pagarem os:
    outsourcings do zaragata & judice
    as indispensáveis obras do campo de batatas da OTA,
    das burlas dos bancos,
    as três reformas do presidente da republica,
    as administrações das empresas municipais,
    as portagens das auto estradas,
    os institutos da droga, da tosse e da prevenção da caspa,
    os parceiros privados dos lucros, para os parceiros dos prejuízos do público, etc

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  38. gigi's avatar
    26 Março, 2010 17:00

    Mais cem milhões de euros para formar cem mil trabalhadores em quatro anos
    Um momento de crise económica, como o que se vive, é o ideal para que as pessoas apostem na sua requalificação, defende Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Por isso, nos próximos quatro anos, o Governo quer cem mil activos com diploma do ensino superior. Ao final da tarde, o Governo, as universidades e os politécnicos assinaram um “contrato de confiança”, que para já se traduz num acréscimo de cem milhões
    de euros no Orçamento de Estado (OE) para este ano.
    http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/mais-cem-milhoes-de-euros-para-formar-cem-mil-trabalhadores-em-quatro-anos_1417298

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  39. tina's avatar
    tina permalink
    26 Março, 2010 17:03

    “escolhem dois tipos do PS e do PSD, ”

    é isso que os socialistas gostam de pensar, que são tão aldrabões uns como os outros. No entanto, as estatísticas mostram que por cada aldrabão no PSD, há 8,7 aldrabões socialistas.

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  40. gigi's avatar
    26 Março, 2010 17:09

    … vejam por acaso uma classe de uma escola secundária japonesa e vejam a inovação nos métodos as tecnologias de ponta …enfim tudo o que faz do Japão um dos países com melhores resultados escolares…
    Vídeo!
    http://www.bulimunda.wordpress.com/2009/06/29/japanese-high-school-vejam-a-enorme-tecnologia-que-existe-nas-salas-de-aula-o-metodo-inovador-assim-percebe-se-a-razao-do-nosso-atraso/

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  41. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    26 Março, 2010 17:17

    “É que não me lembro desse “investimento público” de que fala o João Miranda”

    Onde estão as brilhantes mentes que deveriam sair da produção estatista do Ministério da Educação Soviético após mais de 30 anos? A Educação Publica não nos garantiria os amanhãs que cantam, os biliões em impostos não seriam o caminho para a prosperidade junto com o Poder Total do Ministério e dos seus eminentes Sábios? não seria a garantia de uma sociedade superior?

    Especuladores Sociais piores que Madoff.

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  42. gigi's avatar
    26 Março, 2010 17:23

    O ofício do professor na Alemanha
    BERND FICHTNER∗ E MARIA BENITES∗∗

    “É importante também destacar que na Alemanha toda a formação é gratuita da 1a série até a Universidade, todo o estudo é publico e gratuito. Existem algumas poucas escolas privadas (como as Escolas Waldorf e internatos para a classe alta), mas é um número insignificante em relação ao sistema educacional público.
    Na formação universitária existem algumas poucas universidades privadas, nas áreas de Medicina e Direito.”

    “O sistema escolar então é uma função publica, todos os professores são funcionários públicos”

    “Na Alemanha, o trabalho do professor é uma das profissões melhores pagas do país. O salário inicial de um professor de Escola Elementar é de aproximadamente 4.000 Euros; de Escola Secundaria I, de 3.500 Euros; de Escola Secundaria II, de 4.000,00 Euros. Na Universidade, um Professor Assistente ou Adjunto tem mais ou menos um salário de 4.500 Euros e um Professor Catedrático, 6.000 Euros. Além dos salários, há benefícios por família, antiguidade e cargo ocupado. E todos são funcionários públicos com dedicação exclusiva. Quer dizer, um
    professor não pode trabalhar em duas escolas ou duas universidades ou ter um outro trabalho além daquele para o qual foi concursado. Talvez seja importante saber que o salário mínimo na Alemanha é de 650 Euros, ou seja, a diferença entre os maiores e os menores salários não é muito grande.
    Um outro fator muito importante é que toda a rede educacional é concursada, desde o professor até o diretor de escola, os coordenadores pedagógicos. Somente o Ministro de Educação e muito poucos cargos são mudados a cada mudança de governo, ou seja, as mudanças políticas quase não interferem na estrutura administrativa ou pedagógica.”
    http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/viewFile/431/327

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  43. gigi's avatar
    26 Março, 2010 18:16

    Sobre o financiamento da Educação: condicionantes globais e realidades nacionais *

    “O subfinanciamento do ensino português parece ter sido uma quase constante desde que o Estado português, em meados do século XVIII, foi um dos pioneiros em assumir a responsabilidade pelo ensino popular. Este subfinanciamento crónico é ainda mais evidente quando comparado com a situação ocorrida noutras países em período análogo.”

    “Em traços gerais, Portugal é um dos países europeus com os mais baixos índices de investimento educativo nos 150 anos que separam o meio do século XIX (1850) e o fim do século XX, período este que foi decisivo na construção dos sistemas educativos europeus. Na década de 1960, Portugal investia na Educação entre 1/4 e 1/3 daquilo que investia a generalidade dos países europeus, situando-se, face a estes, no último lugar das despesas com o ensino. Foi a ruptura democrática de 1974 que iniciou uma visível e sustentada alteração nesta situação.”

    “Verifica-se que a II República, nascida da revolução de Abril, aumentou a parte da despesa pública dedicada à educação ainda que com oscilações sensíveis ao longo de trinta anos. Relativamente à relação dessa despesa com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita regista-se uma subida mais ou menos constante, que quase quadruplicou neste período.”

    “Quanto aos anos mais recentes, a OCDE apresenta Portugal na quinta posição entre os países que mais aumentaram as suas despesas com a educação entre 1995 e 2001.”

    “Todavia, no período seguinte, esse crescimento parece regredir consideravelmente, remetendo o país para a 17ª posição quanto ao conjunto do crescimento no período compreendido entre 1995 e 2004. De facto, entre 1995 e 2000, Portugal tem um aumento de investimento entre os seis melhores, mas de 2000 a 2004 tem o pior crescimento.”

    “Esta quase paragem no crescimento do investimento na Educação teve provavelmente várias razões. As dificuldades orçamentais e as medidas decorrentes da subordinação ao “Pacto de Estabilidade e Crescimento” da UE influíram neste processo, assim como a mudança de governo ocorrida em 2002.”

    “Todavia, parece importante considerar algum discurso político-ideológico que se afirmou, em Portugal, neste período e que teve importância na fundamentação de medidas de desinvestimento financeiro na Educação.
    Correspondendo ao propósito de limitar as despesas com o sistema educativo, foi produzida uma retórica, que subsiste ainda hoje, assente essencialmente em dois argumentos: o primeiro, que Portugal investe muito na Educação, ‘como se fosse um país europeu rico’ e, o segundo, que os resultados educativos não correspondem a esse elevado investimento.”

    “Mais rigoroso é verificar qual a despesa que Portugal tem com cada aluno (desde a educação pré-escolar até ao ensino superior), comparativamente com a média da OCDE em USD convertidos para o mesmo padrão de poder de compra. Esses dados permitem comparar a despesa que Portugal tem, em cada ano, com a média da OCDE (gráfico 3). Podemos, assim, verificar que Portugal continua a investir anualmente, em cada aluno, significativamente menos do que a média dos países da OCDE. Tanto em 2004 como em 2003 Portugal, quanto a este indicador de despesa por aluno, ocupava o 23º lugar, em 34 países, com uma despesa por aluno inferior a metade da realizada pelos EUA (gráfico 4).”

    “Os dados do PISA parecem assim indicar que, dentro dos condicionalismos sócio-económico-culturais existentes em Portugal, a escola portuguesa realiza uma acção meritória, designadamente na sua capacidade de valorizar a aprendizagem dos alunos, sobretudo quando estes têm um ESEC mais desfavorável.
    O PISA 2006 apresenta um quadro comparativo entre 4 países onde estes factores estão sintetizados (gráfico 8).”

    “Dentre as várias implicações destes dados a que parece merecer uma especial atenção é, de facto, o significativo impacto que a grande desigualdade sócio-económica-cultural tem sobre os resultados académicos dos estudantes portugueses. Tal é consistente com os dados da OCDE (2008) acerca do índice de desigualdade que situam Portugal como um dos países onde a desigualdade é mais acentuada, apenas ultrapassado pela Turquia e pelo México (ver gráfico 9). É também consistente com o atraso educacional e cultural existente em Portugal há 30 anos, isto é, na geração dos pais dos actuais alunos.”

    “É, essencialmente, a partir de 2000 que se assiste a uma ofensiva ideológica de um conjunto de forças diversas, directa ou indirectamente ligadas aos interesses económicos, que defendem uma determinada agenda para a educação.”

    “Esta corrente teve representação directa, eventualmente mais retórica do que efectiva, no governo da educação portuguesa entre 2002 e 2004.
    Por outro lado, emerge um discurso mais articulado com os interesses económicos directamente referenciados ao ideário neo-liberal que defende um conjunto de reformas estruturais para a Educação portuguesa.”

    “O baixo nível, à partida, da população portuguesa (como está reflectido na muito baixa percentagem das gerações mais velhas, incluindo a de 35-54 anos de idade, que completou o ensino secundário) tem sido o maior obstáculo para a realização de progressos na educação. Em 2003, 62,8% dos alunos com 15 anos avaliados pelo PISA tinham a mãe que não havia completado o ensino secundário (25,7% na OCDE). Os resultados do PISA também mostram que as variáveis sócio-económicas (estatuto ocupacional dos pai, nível educativo dos pais, etc) contam em 21% para a variação dos resultados dos estudantes, o que é uma das maiores percentagens na OCDE. Uma vez introduzida a correcção relativa à educação dos pais, os resultados obtidos pelos estudantes portugueses no “ranking” do PISA são comparativamente bons.”

    “Pelos próprios dados divulgados pela OCDE neste seu relatório (cf. gráfico 14) podemos verificar que os salários dos docentes, no início de carreira, estão em 24º lugar, em 30 países, sendo apenas mais elevados do que os dos professores da Nova Zelândia, do México e de quatro países do antigo ‘bloco da influência soviética’. Após 15 anos de serviço, portanto a meio da carreira, o salário dos professores portugueses continua a ser dos mais baixos da OCDE (20º lugar) e apenas melhora significativamente no fim da carreira, o que provavelmente decorre de se tratar de uma carreira mais longa do que a generalidade das outras e com os impulsos salariais mais significativos nos últimos patamares (8º, 9º e 10º). Um estudo rigoroso teria que considerar quanto é que efectivamente os professores auferem ao longo de toda a sua carreira”

    “As despesas com a função educação, em termos reais (considerando o valor da inflação indicado pelo INE e, para 2008, pelo Banco de Portugal) cresceram até 2002, tendo vindo a diminuir consideravelmente desde então. Assim a variação anual verificada neste período de tempo teve uma regressão especialmente acentuada nos três últimos anos.”

    “o peso das despesas com pessoal no conjunto das despesas do Ministério da Educação baixou entre 2003 e 2008 de 83,4% para 77%.”

    “Esta evolução das despesas com pessoal poderia ter como explicação possível um eventual decréscimo do número de professores os quais constituem o essencial do pessoal do Ministério da Educação. Todavia as estatísticas disponíveis no site do Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação não comprovam esta hipótese. De facto, considerando o período entre 2003 e 2007, terá existido um ligeiro decréscimo no número de docentes da educação pré-escolar (de 10.644 para 10.123) e do 1º CEB (de 34.516 para 31.209), mas nos restantes ciclos houve um aumento no número de docentes, pelo que, globalmente, em todo o Ministério da Educação, o número de docentes aumentou de 152.340 para 156.522.
    Assim, a significativa diminuição verificada nas despesas com pessoal na Educação, num período em que existem mais cerca de 4.000 professores, parece só poder ser explicada com a existência de uma significativa diminuição dos salários reais dos docentes e de outro pessoal da Educação. Os dados parecem mesmo indicar que esse é o factor determinante para a diminuição global das despesas com a Educação.”

    “Poderíamos pensar, se a ingenuidade nos fosse consentida, que a hipervalorização que tem sido feita da percentagem da despesa com a Educação que está afecta ao pagamento dos professores também se baseia num insuficiente conhecimento da realidade.”

    “De facto, a percentagem do orçamento educativo necessário para os salários dos professores é ligeiramente (1 ou 2%) acima da média da OCDE, mas isso tem bastante a ver com o facto de o Orçamento educativo português ser, em termos reais, significativamente inferior à média da OCDE. Conforme verificámos anteriormente, só quando esse orçamento é relacionado com o baixo PIB per capita português é que Portugal parece ocupar uma situação média de financiamento educativo.”

    “No entanto, o discurso preponderante nos anos recentes tem apontado os vencimentos dos professores como um factor central no bloqueio do progresso educativo. José Manuel Fernandes, director do Público, defendia, em 2001, a necessidade de «suspender as progressões automáticas, proceder à avaliação (das escolas e dos profissionais), distinguir os bons dos maus, premiar os que merecem e quebrar a engrenagem infernal que faz crescer os custos sem correspondência nos resultados é o mínimo que se poderia exigir a qualquer ministro da Educação»
    Igual visão parece ter tido a OCDE”

    “Ora, contrariamente ao que vulgarmente é difundido, o sistema educativo português, também em virtude do secular sub-investimento na educação, não tem margens significativas de manobra. Como se pode ver pelos dados anteriormente referidos, o essencial das verbas utilizadas assegura as despesas de funcionamento mínimo da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário.”

    “As verbas para inovações ou para medidas de desenvolvimento curricular são muito reduzidas, assim como o são, efectivamente, as despesas com a administração do sistema.”

    “Então, nestas circunstâncias concretas, como corresponder às orientações e metas globalmente traçadas para o país sem proceder a um aumento de investimento na Educação ?

    “A resposta dos governos portugueses nos anos recentes parece ter sido a de poupar nas despesas com os professores o suficiente para realizar algumas reformas,mesmo que tal seja dificultado pelo facto de o ensino secundário carecer ainda de se expandir implicando um crescimento no número de docentes.”

    “A análise da evolução das despesas por acções mostra-nos que as reformas que mobilizaram algum investimento entre 2005 e 2008 foram os complementos educativos (ensino de inglês no 1º ciclo), o ensino profissional e as “Novas Oportunidades” (EFA e CRVCC).”

    “Em conjunto, estas três medidas terão custado em 2007 e 2008 cerca de 543 Milhões de Euros (a preços de 2006). Nos mesmos anos de 2007 e 2008, o Estado poupou, relativamente a 2006 (também a preços constantes), cerca de 1099 Milhões de euros em pessoal.”

    * Vasco Graça

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