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Consumir capital (enquanto existe)

8 Abril, 2010

A defesa (implícita ou explícita) da nacionalização da EDP feita por alguns leitores nos comentários aos posts anteriores é suportada numa falácia económica de acordo com a qual, se a empresa fosse nacionalizada a electricidade poderia ficar mais barata porque o Estado pode abdicar do lucro. Claro que não é assim. Se o estado quisesse renacionalizar a EDP teria que gastar cerca de 10 mil milhões de euros. Para baixar os preços da electricidade teria que abdicar do rendimento correspondente a estes 10 mil milhões. O contribuinte perderia enquanto accionista aquilo que pudesse ganhar enquanto consumidor. A longo prazo, os 10 mil milhões continuam a valer 10 mil milhões (porque não há lucro). Sem lucro não há acumulação de capital. Sem acumulação de capital não há crescimento.

Esta falácia é a principal responsável pelo fracasso das nacionalizações pós 25 de Abril. Os lucros das empresas públicas foram convertidos em benesses para os trabalhadores e para o consumidor-eleitor. Em muitos casos as empresas passaram a consumir o próprio capital em vez de o acumular. Ao fim de alguns anos as empresas ficaram sem capacidade para fazer novos investimentos ou mesmo para repor o capital entretanto degradado. As empresas públicas do sector dos transportes continuam ainda hoje a ser um exemplo deste fenómeno: regalias acima da média para os trabalhadores, preços subsidiados para os consumidores, dívida elevada, infraestruturas envelhecidas.

20 comentários leave one →
  1. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    8 Abril, 2010 09:43

    «eles comem tudo
    e não deixam nada»

    «a montanha pariu o largo dos ratos»

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  2. Nightwish's avatar
    Nightwish permalink
    8 Abril, 2010 09:49

    Quando são os trabalhadores a receber regalias acima da média, já o João Miranda se queixa. Agora, os gestores, esses sim, merecem-no pela sua linhagem.

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  3. Desconhecida's avatar
    Falcão Peregrino permalink
    8 Abril, 2010 10:45

    O mal das empresas públicas é que são obrigadas a obedecer á correia de transmissão política em vez de serem geridas profissionalmente e independentemente(depois de definida a sua missão em lei)
    Mas o que interessa agotra realçar é a FORÇA do lobby gay.Preparem-se para receber sangue dos abafadores de palhinhas e serem muito mais crentes nos milagres de Fátima.Se um dia um panasca infectado com SIDA(garantidamente 10% estão) consegue através dum descuido no tratamento do lote infectado Portugal vai ultrapassar o Lesoto em nºo de infectados com SIDA
    Os gajos até nem vão dar sangue porque só gostam de agulhas gordas mas é para verem quem é que manda nesta merda.Paneleiros!

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  4. LR's avatar
    8 Abril, 2010 10:58

    Nightwish,

    “Quando são os trabalhadores a receber regalias acima da média, já o João Miranda se queixa. Agora, os gestores, esses sim, merecem-no pela sua linhagem.”

    Mas porque não fazem os trabalhadores apelo às suas excelsas capacidades de inovação e liderança e se tornam empresários? Mantendo naturalmente o salário actual ou com módicos aumentos, por solidariedade com os consumidores. Fariam assim uma concorrência duríssima aos Mexias e quejandos no mercado de trabalho.

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  5. silenteduck's avatar
  6. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2010 11:33

    “Mas porque não fazem os trabalhadores apelo às suas excelsas capacidades de inovação e liderança e se tornam empresários? Mantendo naturalmente o salário actual ou com módicos aumentos, por solidariedade com os consumidores. Fariam assim uma concorrência duríssima aos Mexias e quejandos no mercado de trabalho.”

    Eu proponho ainda mais. Uma vez que ser empresário é a única tarefa verdadeiramente útil à sociedade, e a única que merece ser devidamente recompensada, uma vez que o empresário é, por definição, um ser inovador e um líder nato, vamos todos tornar-nos empresários e deixar o trabalho manual a cargo de macacos devidamente treinados para o efeito. Afinal de contas, se eles são capazes de aprender a separar o lixo em meia horita, certamente serão capazes de desempenhar as funções destinadas a todos aqueles que hoje em dia, por opção, não querem receber os milhões que lhes estariam destinados se enveredassem pelo rumo da inovação e liderança. Hoje em dia até se constrói uma “Empresa na hora”…

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  7. Desconhecida's avatar
    licas permalink
    8 Abril, 2010 12:17

    MEXIA E QUEJANDOS DEVERIAM SER CONSIDERADOS APENAS E SÓ EMPREGADOS DA EMPRESA COM UM ORDENADO COMPATÍVEL COM AS SUAS ATRIBUIÇÕES.
    FAZÊ-LO UM *SÓCIO* COM INTERESSE NOS LUCROE É INDISCUTIVELMENTE UMA PROMISCUIDADE INTOLERÁVEL.
    E NÃO ME VENHAM COM ESSA TRETA DE QUE QUANTO MAIS GANHAR MELHOR SERÁ O DESEMPENHO DA EMPRESA.

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  8. Jorge Veríssimo's avatar
    Jorge Veríssimo permalink
    8 Abril, 2010 13:02

    O que o João Miranda se esquece é que quando as empresas foram nacionalizadas no 25 de Abril, a maior parte delas estavam num estado decrépito. As infraestruturas e os meios de produção não eram actualizados há muito tempo. E além disso não existia capital, tinha sido todo expatriado. Só depois destas terem sido nacionalizadas é que foram feitos os investimentos necessários à melhoria da capacidade produtiva.

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  9. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    8 Abril, 2010 13:07

    JM, fala dos transportes, por coincidência enviaram-me hoje este link hoje:

    http://www.transportesemrevista.com//Default.aspx?tabid=210&language=pt-PT&id=762

    Fico surpreendido como nos anos sessenta havia uma empresa privada de transportes (fundada em 1927) que detinha 295 autocarros e 132 carreiras. A Companhia de Viação Sernache, Lda de Libâneo Vaz Serra. Aonde ? Sediada em Sernache.

    O desastre económico deste país começou há muito, pelas nacionalizações em que o nosso tecido empresarial e empreendedor foi completamente decapitado. O xuxualismo actual limita-se a enterrar o cadáver. E a culpa é dos neo-liberais, pois claro !

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  10. Desconhecida's avatar
    Falcão Peregrino permalink
    8 Abril, 2010 13:40

    Só depois destas terem sido nacionalizadas é que foram feitos os investimentos necessários à melhoria da capacidade produtiva.

    Sim nessa época foram feitos largos investimentos mas foi em marisco.Porra que tinha que ficar na fila para a popular santola.Vai lá agora ver se existe fila…

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  11. Desconhecida's avatar
    Falcão Peregrino permalink
    8 Abril, 2010 13:41

    E ainda vai vir o tempinho da tal sardinha para três…

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  12. DC's avatar
    8 Abril, 2010 14:50

    Falácias comete o JoaoMiranda todos os dias.

    O Estado deve manter uma posição e uma voz, enquanto instituição representante dos cidadãos, em todos os sectores que sejam estratégicos e todos os serviços básicos. A electricidade não é um deles? Por que razão devemos abdicar completamente de influenciar o destino de um serviço/direito básico?

    Depois faz um paralelismo completamente absurdo com o sector dos transportes. Aqueles que eu conheço, têm constantemente renovado as suas frotas, providenciando mais serviços (ate por sms consigo saber os horários) e mais conforto. De que se queixa você? Estude os resultados da privatização dos caminhos-de-ferro no Reino Unido, no tempo da sua deusa pessoal Thatcher.

    Malditos economistas que não saem do mundinho que eles próprios fabricam.

    PS: “Os lucros das empresas públicas foram convertidos em benesses para os trabalhadores e para o consumidor-eleitor”. Que tragédia as benesses não terem ido para CEO’s ou Administradores.

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  13. Impresário's avatar
    Impresário permalink
    8 Abril, 2010 15:53

    Se Mexia é um bom gestor? É sim senhor, de imagem.

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  14. Impresário's avatar
    Impresário permalink
    8 Abril, 2010 15:55

    O nosso tecido empresarial !? 100 famílias que trocavam bilhetes com o Botas …

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  15. LR's avatar
    8 Abril, 2010 16:06

    Jorge Veríssimo,
    O que o João Miranda se esquece é que quando as empresas foram nacionalizadas no 25 de Abril, a maior parte delas estavam num estado decrépito. As infraestruturas e os meios de produção não eram actualizados há muito tempo. E além disso não existia capital, tinha sido todo expatriado. Só depois destas terem sido nacionalizadas é que foram feitos os investimentos necessários à melhoria da capacidade produtiva.”

    Você tem a certeza daquilo que escreveu? Tem números, dados concretos? Se se fizeram tão adequados investimentos depois das nacionalizações porque é que a generalidade das empresas públicas só acumulou prejuízos?

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  16. DesconfiandoSempre's avatar
    DesconfiandoSempre permalink
    8 Abril, 2010 16:51

    Faz todo o sentido o estado renacionalizar a EDP.
    O aumento de preço do Kw será muito menor. Conhecemos o que fazem os abutres quando monopolizam ou cartelizam.
    Para além disso, o mercado emergente das viaturas movidas a electricidade não pode ficar em mãos de veludo, senão JM, mexiam mexiam.

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  17. Jorge Veríssimo's avatar
    Jorge Veríssimo permalink
    8 Abril, 2010 17:14

    Durante os últimos anos de vigência do regime a maior parte dos grandes industriais deixou de fazer qualquer tipo de investimentos para além dos necessários para manter as fábricas a funcionar a um nível mínimo. Toda a gente sabia que o regime iria acabar e que muito provavelmente os comunistas iriam tomar conta de tudo. Eles limitaram-se a fazer o mais racional, ou seja, tentar expatriar o máximo de capitais possíveis. E isso, obviamente, levou-os a descurar a manutenção adequada das suas operações industriais em Portugal. Isso aconteceu com a generalidade das empresas nacionalizadas, destacando-se as empresas do sector industrial que necessitam de grandes investimentos de capital para se manterem actualizadas. Quando ocorreu o 25 de Abril a maior parte das empresas já estavam a operar em condições muito deficientes. O que interessava era retirar o máximo de capital, descurando-se o investimento. Aliás, o facto é que a maior parte das empresas que foram nacionalizadas tinham perdido praticamente todo o seu valor. O seus activos estavam praticamente depreciados. Todos os activos mais líquidos e móveis tinham misteriosamente desaparecido. Curiosamente, foi assim que o Champalimaud transferiu as acções da Soincor da Cimentos Tejo para o Brazil. Lá nisso foi ele esperto. Depois das empresas serem nacionalizadas, é evidente que tiveram de ser feitos grandes investimentos para actualizar as empresas e para que estas pudessem retomar o seu nível de produção. Foram feitos grandes investimentos na melhoria do processo de produção e da sua eficiência. Tudo isso teve custos elevados e fez com que muitas empresas apresentassem prejuízos durante um período alargado. Não quero com isto dizer que a gestão pós 25 de Abril foi “perfeita”. Foram cometidos muitos erros e houve muita gente a comer à conta do orçamento. Agora, não podemos é escamotear o facto de que muitas das empresas que foram nacionalizadas estavam em condições operacionais muito precárias.

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  18. Trinta e três's avatar
    8 Abril, 2010 23:56

    As empresas privadas de transportes são um excelente exemplo das vantagens de uma empresa pública se tornar privada. Só quem nunca usou os seus serviços…

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  19. gigi's avatar
    9 Abril, 2010 00:29

    Petição. Subscreve. Divulga.

    Destinatário:

    Ajustes Directos da Parque Escolar

    Ao Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República

    A Parque Escolar E.P.E. é uma empresa pública que “tem por objecto o planeamento, gestão, desenvolvimento e execução do programa de modernização da rede pública de escolas secundárias e outras afectas ao Ministério da Educação.”. (cit.)
    Desde a data da sua criação, a 21 de Fevereiro de 2007, beneficia de um regime de excepção na celebração de contratos de empreitada de obras públicas, de locação ou aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços; concedido pelos seus estatutos fundadores, DL 41/2007, prorrogado pelo DL 25/2008 de 20 de Fevereiro, posteriormente pelo DL 34/2009 de 6 de Fevereiro e já no decorrer do corrente ano de 2010 pelo DL aprovado em Conselho de Ministros a 21 de Janeiro.
    O referido regime de excepção permite o recurso aos procedimentos de negociação, consulta prévia ou ajuste directo como possíveis na formação dos contratos, desde que esteja salvaguardado o “cumprimento dos princípios gerais da livre concorrência, transparência e boa gestão, designadamente a fundamentação das decisões tomadas” . (cit.)
    Cumulativamente estipula a publicação obrigatória no portal da Internet dedicado aos Contratos Públicos, daqueles que forem realizados na sequência de ajuste directo ao abrigo deste regime de excepção; sendo esta, condição de eficácia do respectivo contrato. Refere ainda a necessidade de convite a pelo menos três entidades distintas para apresentação de propostas.
    A Parque Escolar E.P.E., ao arrepio das mais elementares regras da transparência e da boa regulação profissional, tem ignorado estas disposições e subvertido a excepcionalidade concedida. A consecutiva repetição na escolha das equipas projectistas é flagrante, tendo vários gabinetes de arquitectura sido contemplados com projectos para 3, 4, 5 e 6 escolas.
    Como exemplo extremo desta conduta a Parque Escolar E.P.E. entregou os projectos de 11 escolas à mesma equipa projectista.
    O gasto discricionário dos dinheiros públicos, num programa de requalificação de 2500 milhões de euros envolvendo 332 escolas, não é próprio do recomendável acesso democrático à encomenda pública e a blindagem no acesso à informação sobre os vários procedimentos inviabiliza o necessário escrutínio público.
    O obscurantismo com que tem sido governado o processo de obras públicas que mais verbas tem movimentado nos últimos anos, a total ausência de critérios públicos e transparentes nas escolhas das empresas objecto de adjudicações directas, a progressiva constatação de problemas nas obras concluídas e, sobretudo, a defesa do interesse público motiva os abaixo-assinado a solicitar à Assembleia da República que delibere:

    1. A revogação do estatuto de excepcionalidade de contratação utilizado pela Parque Escolar E.P.E., passando todas as contratações a ser regidas pelas disposições constantes do Código dos Contratos Públicos, como as demais entidades públicas;

    2. Propor ao governo a exoneração dos actuais membros do Conselho de Administração da Parque Escolar E.P.E., e a nomeação de novos membros de reconhecido mérito profissional e académico, como garante de condução de um processo transparente, participado e veloz;

    3. Solicitar ao Tribunal de Contas a abertura de um procedimento de auditoria à Parque Escolar E.P.E. ao abrigo do Art. 55º da Lei n.º 98/97, de 26 de Agosto (Lei de organização e processo do Tribunal de Contas).

    Os Peticionários

    Ver Signatários | Assinar Petição
    http://www.peticao.com.pt/parque-escolar

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  20. gigi's avatar
    9 Abril, 2010 01:05

    Blogues em acção
    3 de Abril de 2010 por Tiago Mota Saraiva

    Ontem, fiz um apelo para que a blogosfera não se calasse na denúncia das ilegalidades da Parque Escolar e na divulgação desta petição. Hoje começam a chegar ecos de solidariedade:
    http://www.5dias.net/2010/04/03/blogues-em-movimento/

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