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Mais um Relatório do BP. E então?!

17 Maio, 2010
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O Relatório Anual do Banco de Portugal ( BP)  sublinha 5 falhas estruturais na economia portuguesa. É engraçado como este tipo de estudos e respectivas conclusões ainda são anunciados com  a pompa e a circunstância que habitualmente se prestam a notícias e a conclusões efectivamente novas!

Pela enésima vez são repetidos os problemas estruturais, na óptica dos analistas do BP, da nossa economia – em rigor, da economia do Estado, uma vez que Portugal é, cada vez mais, uma enorme ficção de país ao serviço de um Estado cada vez mais imparável e desgovernado.

Vejamos o que se (volta) a dizer.  A existência de 5 deficiências estruturais, a saber : 1) baixo nível de qualificações dos trabalhadores portugueses….  2) “enquadramento institucional do mercado laboral, já que continua a «observar-se uma crescente segmentação no mercado de trabalho (…) bem como uma elevada duração do desemprego». Entenda-se: má legislação laboral, más instituições do tipo Inspecção Geral do Trabalho.  3) “elevado formalismo processual e a elevada duração dos processos judiciais”. Ou seja, mau funcionamento da Justiça (desde logo, em resultado – na óptica do BP – de má legislação).  4) “elevada dependência energética do país”.   5) O mau comportamento orçamental dos sucessivos Governos (em síntese, tradição de maus governos)

Perante isto, o que conclui o BP?   “O Banco de Portugal considera que os problemas orçamentais de Portugal são uma questão «estrutural» que decorreu do «crescimento excessivo da despesa corrente primária» e que só corrigindo essa causa se podem evitar recorrer a medidas temporárias“.

Logo, com o enfoque é posto nas “medidas temporárias“, no como “evitar recorrer-se a tais medidas”. 

É curiosos que perante este quadro, a referência não seja “como dar a volta à nossa economia moribunda”, ao caos, ao descalabro, mas sim, “como evitar tomar aspirinas”, quer dizer, como evitar as  eufemisticamente denominadas  “medidas temporárias“! Mas, adiante…..

O que o BP diz (em economês), sem o dizer expressamente  é o seguinte: isto, com estes estado do Estado, não tem solução!  No curto prazo (porque não há perspectiva, sequer, de sobrevivência a prazo mais longo), ou se acaba com o Estado que temos (redução substancial da despesa primária) ou, pura e simplesmente, se acabam com os sujeitos económicos (leia-se, com as “famílias” e empresas) para se salvar o Estado que temos.

Nesta hipótese a pergunta é: para que servirá, então e consequentemente, o Estado se, para o salvar, é preciso acabar, na prática, com a vida  dos cidadãos?!

8 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo por modéstia permalink
    17 Maio, 2010 20:05

    Essas conclusões valem o mesmo que os vómitos do indigente ali da esquina. Somos dirigidos por incompetentes e gatunos, ou talvez pior, por gatunos incompetentes.

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  2. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    17 Maio, 2010 20:29

    Os problemas Portugueses resumem-se a uma única coisa: Os Portugueses não pensam ou pensam mal. Não admira que assim aconteça quando a maioria dos preços na economia Portuguesa são legalmente falsos.

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  3. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    17 Maio, 2010 22:33

    Meanwhile…

    O grande pacote Europeu dá oportunidade aos mercados se desenvencilharem da Dívida Europeia…

    http://www.telegraph.co.uk/finance/financetopics/financialcrisis/7734280/Banks-dump-Greek-debt-on-the-ECB-as-eurozone-flashes-credit-warnings.html

    …The Bank of New Mellon said its custodial data showed a “sharp acceleration” of net sales of debt from the two countries after the ECB began purchasing €16.5bn of bonds from southern Europe and Ireland in bid to halt market panic. “It rather suggests that investors leapt at the opportunity to clear their balance sheets of intolerable risk,” said Neil Mellor, the bank’s currency strategist…

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  4. Desconhecida's avatar
    Observador da decadência permalink
    18 Maio, 2010 00:14

    Pela enésima vez se apresenta um diagnóstico, pela enésima vez se diz mal, pela enésima vez se critica, pela enésima vez se descrevem os problemas do nosso país(Portugal).
    E, pela enésima vez, se perdem as oportunidades se avançar com hipóteses de solução, ou com uma proposta de rumo estratégio de senvolvimento do nosso país(Portugal).
    Em vez de, inventar todos os dias, o esgotado assunto dos males e demais problemas do nosso país(Portugal), porque não iniciar um debate sobre como MUDAR o actual estado(?) de coisas e iniciar uns quaisquer primeiros passos numa melhor direção?

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  5. Hugo's avatar
    Hugo permalink
    18 Maio, 2010 01:15

    Uma revolução é necessária mas desta vez temos que a fazer sem perturbar a economia do nosso país(embora pareça utópico não o é). Quem comanda este país sabe que enquanto as pessoas pensarem que uma grande mudança implica todos ficarem pior isto está controlado.

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  6. nini1957's avatar
    18 Maio, 2010 01:46

    «Se atendermos às regras em que se baseia o comércio internacional
    (vantagens absolutas) e à destruição do Estado (os políticos já vão sendo escolhidos a dedo) – leia-se, pessoas sem escrúpulos e com muitos rabos de palha, enquanto condição sine qua non para se sujeitarem a todas as pressões e, desta forma, fazerem desacreditar a instituição Estado – e o aumento do desemprego a atingir valores alarmantes, o salário no mercado global tende realmente para ZERO!» – economista

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  7. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    18 Maio, 2010 13:19

    BP?

    é a British Petroleum?

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  8. JOSE FERREIRA DA SILVA's avatar
    JOSE FERREIRA DA SILVA permalink
    18 Maio, 2010 16:07

    O nosso BP , é como a BP .
    Ambos têm um buraco enorme para tapar.

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