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Quando os regulados pedem que lhes vistam um colete de forças

17 Maio, 2010

A ler esta entrevista de João Ermida, que tem “pérolas” como esta:

(…) Nós hoje não vivemos de poupança, vivemos de crédito. Se este se fecha, a nossa capacidade manter empregos ou de crescer, enquanto sociedade, diminui.(…)

É curioso como muitos agentes do mercado interiorizam o pensamento estatista do mainstream, dando autênticos tiros no pé. É consensual que havia má e porventura excessiva regulação. De uma forma quase pavloviana, pede-se mais regulação. É o paradoxo da compulsividade estatista no seu máximo esplendor.

20 comentários leave one →
  1. Eduardo F.'s avatar
    17 Maio, 2010 12:30

    Esta é uma das falácias mais tenebrosas que nos querem fazer engolir a todos. Em vez de poupança,virtude gasta e “fora de moda”, contrapõe-se o endividamento da escola “moderna”. Na essência, é a isto que se resume o “New Economics”.

    Por isso, esta é uma boa notícia.

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  2. Romão's avatar
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    17 Maio, 2010 12:46

    O homem limita-se a verificar o óbvio quando diz que as sociedades ocidentais vivem de crédito.

    Onde é que está a parvoíce que permite classificar a citação como pérola? É falso?

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  3. Romão's avatar
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    17 Maio, 2010 12:51

    E diz mais, que para mim corresponde à pergunta fundamental e talvez a mais difícil de quantificar: A questão é saber quanto dinheiro existe no mundo para se fazerem planos de resgate da ordem dos 150 mil milhões de euros. “

    Sublinhados meus. O dia em que alguém, com responsabilidades mundiais, acordar e fizer essa pergunta, o sistema colapsa, porque vive da ignorância e do amanhã, na forma de crédito.

    Um pouco como quando alguém pergunta “mas o que está dentro deste produto estruturado complexo” e descobre que entre empresas nas Honduras e um mix de acções de países emergentes, estão quilos de subprime.

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  4. Romão's avatar
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    17 Maio, 2010 12:54

    Estamos progressiva e continuamente a dissociar os mercados e produtos financeiros da economia real que já não sabemos – e duvido que haja forma de saber – como reconciliá-los. E daí advirão todas as crises.

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  5. Romão's avatar
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    17 Maio, 2010 12:55

    #1.

    Caro Eduardo, leu a entrevista? Não me parece que o homem advogue o crédito como solução. Pelo contrário.

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  6. Eduardo F.'s avatar
    17 Maio, 2010 13:19

    #5.

    Caro Romão, quando fiz o comentário em #1, não tinha lido a entrevista. Limitei-me a explorar a “pérola” que LR realçou. Mas agora que a li não vejo, com toda a franqueza, que os caminhos indicados por João Ermida nos levem a algum lado e muito menos que ele seja um defensor do “regresso à poupança”. A sua (dele) receita é mais (e melhor) “regulação” o que me faz filosofar um bocadinho sobre a suposta “modernidade” de arcaísmos tão velhos quanto o Estado.

    A este propósito, vale a pena, nesta altura, revisitar a história as crises financeiras americanas (porque, de longe, são as melhor estudadas e documentadas) nomeadamente as de 1907, 1920-21 e 1929-1940, tendo presente que a FED entrou em funcionamento em 1914. E para aqueles que só conhecem a “verdade oficial”, recomendo uma maior latitude no “leque” de leituras.

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  7. Eduardo F.'s avatar
    17 Maio, 2010 13:20

    Errata: “revisitar a história das”

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  8. Romão's avatar
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    17 Maio, 2010 13:29

    #7.

    Mas o que permite classificar a afirmação como pérola? É falso o que João Ermida diz? Não vivemos de crédito? O que aconteceria hoje se os mercados da dívida parassem uma semana?

    Quantos países fariam default?

    Conquanto ao tema da regulação, não sei o suficiente para validar ou contestar aquilo que me parece a tese fundamental do texto: que nos anos 80 e 90 houve desregulação e que essa é uma das causas do estado de coisas presente. Talvez o Eduardo possa lançar umas luzes sobre o assunto.

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  9. Desconhecida's avatar
    ,,,, permalink
    17 Maio, 2010 14:13

    .
    E há quem diga qúe por volta de 2012 os Bancos Centrais ‘imprimir papel e moeda’ vão sair das mãos e da ditadura dos banqueiros e serão nacionalizados pelos Estados …… Se isso é ‘globalização’ vou ali e já venho …. É o que dizem …..

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  10. jcd's avatar
    17 Maio, 2010 14:34

    “O que aconteceria hoje se os mercados da dívida parassem uma semana?”

    Tirando as renovações que teriam de esperar alguns dias, não viria daí grande mal ao mundo.

    “A questão é saber quanto dinheiro existe no mundo”

    Esta frase arrepia. Dinheiro no mundo, existe todo o que se quiser. Basta imprimir. A pergunta deveria ser “A questão é saber quanta riqueza existe no mundo”. Mas mesmo essa, indicia uma lógica de livre apropriação do que é dos outros. Sendo a riqueza um fluxo, aprofundá-la pode tornar mais apetecível fechar a torneira.

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  11. Sou o gajo mais esperto da minha rua's avatar
    Sou o gajo mais esperto da minha rua permalink
    17 Maio, 2010 14:35

    LR,

    Leu o primeiro livro deste senhor?

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  12. Romão's avatar
    Romão permalink
    17 Maio, 2010 15:18

    #11.

    Não lhe assusta também pensar que todo esse fluxo feito de cifrões e outras preciosidades abstractas tem de ter um suporte na economia real ou não vale mais do que um calhau?

    Porque só se pode fazer dinheiro com dinheiro quando se meter na equação, mesmo que discretamente, outra coisa que não dinheiro.

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  13. Romão's avatar
    Romão permalink
    17 Maio, 2010 15:20

    A história das bolhas nasce desse quesito fundamental que parece cada vez mais esquecido à medida que os agentes de transacção económico-financeiros trabalham cada vez mais afastados do chão.

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  14. Eduardo F.'s avatar
    17 Maio, 2010 15:25

    #7

    Caro Romão, a “pérola” não está na matéria de facto (o de vivermos a crédito). Está sim, na segunda frase, quando o crédito não resulta de poupança previamente constituida e aparece simplesmente do nada (ver, abaixo, o post “Isto vai acabar mal III”).

    Desculpar-me-á pela curteza argumentativa mas agora não tenho tempo para mais. Se me for possível, procurarei hoje ainda regressar a este tema.

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  15. Romão's avatar
    Romão permalink
    17 Maio, 2010 16:29

    #14.

    Caro Eduardo,

    A sua interpretação extrapola o que está escrito. E o que está escrito é um estado de coisas, ponto. É assim que funciona. Na cabeça insondável do autor, pode ou não corresponder ao óptimo ou mesmo ao desejável. Mas como descrição factual, onde peca?

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  16. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    17 Maio, 2010 18:09

    Também não percebo. Se os bancos só mantêm 8% de capitais nos Países Ocidentais é evidente que se vive de um crédito que não está ligado directamente à poupança em larga medida.

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  17. LR's avatar
    17 Maio, 2010 19:43

    Lucklucky,

    O ponto é que o João Ermida encara isso (se bem interpreto) como algo de natural e que pode funcionar “ad eternum”. E será que a economia mundial se sustenta na base da criação monetária?

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  18. Romão's avatar
    Romão permalink
    17 Maio, 2010 20:46

    #17.

    Em nenhum ponto o João Ermida diz isso. Apenas limita-se a verificar um estado de coisas que o post tende a desvirtuar confundindo-o com a opinião ou tese do autor.

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  19. Romão's avatar
    Romão permalink
    17 Maio, 2010 20:48

    #17.

    A sua interpretação excede em muito o que está veiculado no texto e fá-lo passar por banal ou coisa pior quando se limita a descrever um facto.

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  20. Eduardo F.'s avatar
    18 Maio, 2010 01:51

    Caro Romão,

    Desculpe-me, em primeiro lugar, por só agora poder voltar a este tema.

    Agora quanto à questão em si: como é para todos evidente, factos são factos. Vivemos a crédito e estamos a sofrer a cirrose decorrente da cupidez creditícia.

    Tal como LR, mas admito estar errado, a questão está por um lado no diagnóstico – quem é que criou a crise – e, por outro, em como evitar no futuro crises semelhantes.

    O autor receita uma “melhor regulação” porque a culpa, seegundo ele, foi da “falta de regulação”. Exactamente o mesmo disseram H. Hoover e FDR e claro, os senhores dos diferentes cartéis. O resultado, factual, foi que a depressão iniciada em 1929 só viria a terminar em 1940. (Segundo alguns autores, o seu termo, na realidade, só se verificou em 1946, quando finalmente o crescimento do PIB à conta dos canhões durante a guerra foi substituído pela produção de bens e serviços úteis aos cidadãos americanos consumidores. Tendo a concordar com estes últimos).

    Daí, a “pérola”.

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