Ou mudamos de vida ou a vida nos muda*
O Governo britânico anunciou um pacote de diminuição dos gastos públicos. Por cá opta-se pelo mais fácil: subir impostos. Mas não existem impostos capazes de sustentar uma administração pública, a portuguesa, que gasta o que não tem no que não deve. Consulte-se, por exemplo, o portal disponibilizado pela Associação Nacional para o Software Livre que dá conta do universo dos ajustes directos. É um mundo que pode ir dos 784 mil euros gastos em agendas por munícipios, empresas públicas e institutos, nos anos de 2008 e 2009, aos 123 mil euros gastos pela EPAL em cabazes de Natal ou à decisão inexplicável do Governo Regional dos Açores de substituir-se aos partidos e encomendar um estudo de opinião sobre a Conjuntura sócio-política nas ilhas de São Miguel e na ilha Terceira, por sete mil euros.
Os ajustes directos do Estado são os trocos da despesa feita com o dinheiro dos contribuintes. Mas são trocos que já nos levam 1,2 por cento do PIB. Perceber como gastam os nossos impostos aqueles que passam cheques visados pelo contribuinte é uma espécie de filme de terror para qualquer cidadão que não se dedique a falsificar dinheiro ou a uns quaisquer tráficos: são milhões de euros desperdiçados em compras e encomendas ordenadas por serviços que muitas vezes eles mesmos só não foram extintos porque não houve coragem política para tal, como é o caso dos governos civis e de muitas juntas de freguesia. Provavelmente para fazerem prova de vida, estes serviços editam revistas, boletins, separatas e brochuras que, além de divulgarem a fotografia do senhor presidente, não se entende para que servem ou sequer se alguém as lê para lá do restrito círculo dos seus colaboradores. Por exemplo, fará sentido que o Governo Civil de Lisboa edite a revista Pessoas e Territórios, a Área Metropolitana de Lisboa as revistas Metrópoles e Estuarium, publicações que, como nunca vi, não sei se abrangem as mesmas temáticas da revista editada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo – CCDR LVT? Sendo que as ditas publicações nos idos de 2009 nos custaram 253 mil euros!
A falta de senso é tal que até a Direcção-Geral das Contribuições e Impostos acha conveniente adquirir pastas e esferográficas no valor de mais de seis mil euros “para a formação”. (Os ecopontos devem estar atulhados com estas pastas que se produzem a troco de tudo e de nada, neste país!) Já a autarquia lisboeta afectou 57 mil euros à pintura duns símbolos de bicicletas no alcatrão dumas ruas por onde nunca passou bicicleta alguma. E se passou ignorou olimpicamente os ditos bonecos, deslizando pelos sítios do costume, tanto mais que os símbolos se sumiram quase à velocidade a que se contam 57 mil euros.
Mas o ex-líbris deste universo é o brinde que é de borla para todos menos para quem o paga: a conta com os ditos brindes registados neste portal ultrapassa o milhão e meio de euros, entre 2008 e 2009. Sendo difícil descortinar o que levou a Casa Pia, em 2008, a afectar mais de 53 mil euros à “aquisição de brindes para a Feira da Juventude”, tenho de reconhecer que o município de Loulé é um caso digno de estudo em matéria de brindes: em Outubro de 2009, o dito município achou oportuno despender 54.965 euros em brindes, sendo certo que já em Julho do mesmo ano afectara quase 19 mil euros à mesma rubrica. Mas não acaba aqui a relação de Loulé com os brindes: tudo somado, durante 2009 o município de Loulé gastou 122 mil euros em brindes. Convenhamos que é muito brinde!
Note-se que esta contabilidade dos brindes não inclui o Carnaval, festividade que deixa de ter qualquer graça quando se percebe que, entre 2008 e 2010, nos custou mais de dois milhões de euros. A parte do leão das despesas carnavalescas, ou seja, um milhão, vai para os carros alegóricos, mas a despesa carnavalesca de que não me consigo libertar são os 73 mil euros gastos em “saquinhos (almofadas anti-stress) de arremesso” que o município de Loulé comprou no ano de 2009. Menos entendo que a Contratação dos serviços do actor Angélico Vieira, para Rei do Carnaval (desfile), em Vila Real de Santo António nos tenha ficado em mais de 16 mil euros. Quero crer, aliás, que estes números estão errados, pois ao que constato fazer desfilar uma escola de samba custa-nos 20 mil euros, embora se a dita escola fizer aquilo que os contratos definem como “trabalhos especializados” a conta suba para 23 mil. Enfim, é Carnaval, ninguém leva a mal, mas as contas essas é que nos colocam em constante Quaresma.
Esta vocação para festeiro de um Estado que cobra impostos em nome do social está patente nos mais de 18 milhões de euros gastos em espectáculos nos anos de 2008 e 2009. Os munícipios tornaram-se os grandes clientes dos artistas e, sem pretender discutir questões de gosto, tenho sérias dúvidas que uma autarquia, no caso a de Santarém, deva gastar mais de 260 mil euros para contratar um cantor, mesmo que esse cantor seja José Carreras. E embora o tango tenha recentemente ganho contornos políticos inusitados em Portugal, os 275 mil euros pagos em 2008 pelo munícipio de Lagoa por um espectáculo de tango são difíceis de entender, seja qual for o ritmo.
Exemplos não faltam. Basta ir procurá-los a http://transparencia-pt.org/. Meia hora de pesquisa é suficiente para concluir que ou conseguimos que a administração pública ganhe juízo ou então só nos resta dedicarmo-nos ao espiritismo e colocarmos o Alves dos Reis na Casa da Moeda. Creio que já estivemos mais longe.
*PÚBLICO

parece um anúncio ao imodium plus para combater a diarreia verbal.
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Uma bomba relógio
http://www.5dias.net/2010/05/27/uma-bomba-relogio/
«Depois dos magalhães e dos quadros Interactivos, das novas oportunidades e das aec/s, eis mais uma manobra de pseudo-modernização, para fazer muito boa gente ganhar muito dinheiro. Enquanto isto, a Escola Pública vai-se afundando cada vez mais, rumo ao abismo…»
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Vasco Pulido Valente tem hoje no Público uma crónica do género.
Estas coisas adiantam pouco para a moralização. Mas muitas como esta, obrigam o mentiroso a mudar a imagem porque só isso lhe interessa.
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Novo empréstimo de 600 milhões de euros para financiar a Parque Escolar
O cenário é negro mas para o Governo não é:
Défice: 9,4% do PIB
Dívida do Estado: 78% do PIB
Dívida somada do Estado, bancos, empresas e particulares: superior a 200% do PIB
Ainda assim, o Governo continua a contrair dívida, não cedendo na concretização do faraónico plano de Obras Públicas.
Segundo a informação disponível, o projecto Modernização Parque Escolar II, com um custo total de 2,7 mil milhões de euros, compreende a modernização, remodelação, reabilitação e ampliação de escolas em Portugal.
Em Maio do ano passado, a Parque Escolar assinou com o BEI um contrato de financiamento no montante de 300 milhões de euros, destinado ao financiamento do Programa de Modernização das Escolas do Ensino Secundário.
O Programa de Modernização das Escolas do Ensino Secundário desenvolve-se em várias fases e tem como objectivo a realização de intervenções em 332 escolas até ao final do ano lectivo de 2014-2015, segundo a informação disponível na página da Parque Escolar na Internet. Fonte: Público de 26/5/2010
Um ano depois, no dia 18 de Março, o Governo pede novo empréstimo de 600 milhões de euros ao BEI. O empréstimo foi concedido no passado dia 11 de Maio.
Uma parte das escolas objecto de requalificação pela Parque Escolar estavam em óptimo estado de conservação. Alguma tinham sido intervencionadas há pouco tempo.
O Governo aprovou, sem especificar onde, um plano para reduzir mil milhões de euros na despesa do Estado. Os montantes investidos pela Parque Escolar são superiores a 2 mil milhões de euros (2,7 mil milhões).
Só para comparar: o Governo espanhol aprovou um corte de 15 mil milhões nas despesas do Estado. E a Itália, 24 mil milhões.
Até ao momento, o plano de austeridade na Educação é continuar a gastar à tripa-forra.
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Anónimo se quem pediu o Empréstimo foi a Parque Escolar e não o Governo então maravilhas das maravilhas não faz parte da Dívida Publica. É mais uma adicionar a muitas outras dívidas escondidas que não fazem parte dos números. Mais, a Parque Escolar até pode ter ajudado a “maquilhar” o défice se o Estado lhe vendeu património. Tudo maravilhas da contabilidade criativa. Claro nenhum partido está preocupado com tal coisa e pede para mudar a lei…
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tags: parque escolar
http://www.5dias.net/tag/parque-escolar/
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Milhão aqui, milhão ali, e daqui a pouco estamos a falar de dinheiro a sério. Ora 1,2% do PIB dá…1.2×160/100…é fazer as contas.
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Já que falamos de ciclovias, veja-se a utilização que tem a da Av. Frei Miguel Contreiras, em Lisboa – [aqui].
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Um excelente breviário de argumentos contra a regionalização, sobretudo para aqueles que insistem que a divisão do país anulará, como que num exorcismo redentor, aquilo que é toda uma cultura de compra de votos com o dinheiro dos contribuintes. O que toda a gente quer é mais dinheiro para asneirar.
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E os 28.173.249,31 € gastos em software Microsoft pagos directamente à Microsoft, quando países como a Espanha, UK e agora até a Alemanha aderiram ou estão a prever aderir ao software livre na administração pública, serviço de saúde e educação para poupar dinheiro? E os 8.698.279,40 € gastos com a Oracle? E com a Adobe?
Nas escolas públicas, todos os computadores despejados nas mesmas têm instalado todo o tipo de software que possam imaginar made by Microsoft!! É um escândalo!
Em minha casa, utilizo apenas software livre para poupar dinheiro, mas o Estado parece não dar grande importância a este aspecto. Até a Assembleia da República está saturada de computadores e gadgets pagos a peso de ouro com o dinheiro do contribuinte. Se repararem todo o software instalado é Microsoft!
Os nossos gastadores (oooops, quero dizer políticos e afilhados) adoram estourar o dinheiro dos outros!
Somos o país mais pobre da zona euro, mas gostamos de mostrar que somos o mais rico!!
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9#
Voltamos ao mesmo…o problema não passa pela regionalizaçao e não é por dize los vezes suficientes que o vai ser. A compra de votos é irelevante, porque ter X ou Y no poder neste momento n podia ser mais indiferente, nem sequer se pode dar mais poder a partidos como o BE para tentar contrabalancar, porque ja se viu o resultado.
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É uma vergonha!
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…
Há uma data de gajos todos a dizer mal. E todos têm razão porque isto não está mal, está péssimo.
Mas se lhes derem uma oportunidade saltam logo para o poder por que, como se vê, não sabem nem percebem nada de nada.
É por isso, sendo muita a ignorância, isto está uma esterqueira tulhada de merda, merda que os desgovernantes socretinos dejectam por todo o lado e a acertar sempre na ventoínha.
E os comentaristas, na sua maioria, no lugar da cabronagem chuchalista fazia exactamenta a mesma coisa senão pior.
Porra!
J.
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E isto:
http://jornal.publico.pt/noticia/29-05-2010/gabinetes-ministeriais-custam-mais-de-30-milhoes-em-2010-19505559.htm
Cúmulo da hipocrisia e cinismo!
Sobem-se impostos
Acabam apoios sociais.
Mas os ministros aumentam as despesas
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Ajustes Directos Ecológicos:
http://ecotretas.blogspot.com/2010/05/ajustes-directos-ecologicos.html
Ecotretas
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há uma maneira de acabar com a farra desses palhaços ..
todo o mundo tira o dinheiro dos bancos . eles ajoelham e demitem-se NA HORA !!!
CHEGA !!!!!!! BASTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
SOCRATES PRÁ RUA !!! JÁÁÁÁÁ !!!
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concordo na generalidade com o teor do artigo só que me parece que em algumas das rúbricas deve ter havido retorno e bastante, eu por exemplo estive no concerto de josé carreras em santarém onde estiveram 6.500 espectadores pagantes e por 2 bilhetes paguei 60 euros o que covenhamos não é nenhuma borla e nem era das entradas mais caras.O que interessava neste caso era saber primeiro se o município de santarém teve algum prejuízo com o evento e depois fazer o julgamento.
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