Caídos na ratoeira*
Qual é a imagem que vai ficar do socratismo? A imagem não sei, porque Sócrates ainda lidera o PS, logo não se sabe o que o futuro nos trará. Mas tenho a certeza de que uma das imagens, e não certamente a menos importante, será Ricardo Rodrigues falando, nos corredores da Assembleia da República, sobre os resultados a que chegara a comissão parlamentar que investiga o caso TVI.
É uma imagem que diz tudo: um homem que qualquer primeiro-ministro de Portugal desde 1900 (para não recuarmos mais) não teria aceite receber oficialmente estava ali pronunciando-se sobre a verdade e a mentira. E o pior é que não era por acaso que tal figura fora escolhida. Na impossibilidade de negar o óbvio – ou seja, a interferência governamental na tentativa de venda da TVI – o PS, ou melhor dizendo, o círculo cada vez pior frequentado de gente que rodeia José Sócrates, optou por desvalorizar e até ridicularizar aquela comissão. Escolher Ricardo Rodrigues para aquele papel foi um xeque-mate à comissão. Não é preciso imaginar muito para concluir que por esses cafés fora ao verem-se as imagens da comissão parlamentar se ouviram os inevitáveis: “São todos iguais! Andam todos ao mesmo!…” Foi precisamente isso que alguns desejaram que acontecesse.
Estamos portanto não no fundo do poço, mas sim presos numa ratoeira: a ratoeira do judicialismo. A sucessão de casos envolvendo José Sócrates transformou o país numa imenso juízo de instrução: nada tem importância se os visados não forem constituídos arguidos e não existem outras responsabilidades para lá das criminais. Qualquer pessoa que tente investigar decisões políticas de José Sócrates esbarra na muralha do alegadismo, da prova que é anulada, da alínea que afinal não se aplica… como se tudo se reduzisse a um caso de tribunal. Se se insiste, é porque se é populista, desrespeitador da lei e, pormenor não dispiciendo, porque não se gosta de José Sócrates. Como se o que estivesse em causa fosse a constituição de um clube de fãs. Não sei e francamente não me interessa se o actual primeiro-ministro alguma vez irá a tribunal. Mas o que cada vez me interessa mais é perceber quanto tempo vamos demorar a recuperar a normalidade quando ele e a sua gente saírem de cena. Quanto tempo vamos demorar para nos libertarmos deste estado abúlico – que nos portugueses geralmente não antecipa nada de bom – em que tudo é normal: fala-se de milhões de euros para convencer Figo e Mourinho a fazerem campanha pelo PS. As estatísticas dos crimes não estavam certas e é como se tal fosse um detalhe irrelevante. Os números do sucesso e do insucesso escolar são alterados e faz-se de conta que sempre foi assim… Mas quem decidiu isto? Quem muda o quê nas estatísticas, nas contas, nos relatórios e por ordem de quem? Para lá dos constrangedores casos envolvendo figuras como Rui Pedro Soares, que dada a anulação das escutas deve acabar transformado num tolo que fazia campanha para o PS por conta política própria com dinheiro alheio, a administração pública tornou-se num instrumento da propaganda governamental. O que foi feito dos directores e dos funcionários que ainda há alguns anos não só se recusavam a estes papéis, como faziam questão de denunciar o que achavam que estava mal? Em 2010, o que mais se ouve em Portugal é “Eu não tenho nada a ver com isso”, “Não me diz respeito”, “Não sei”.
Sempre houve corrupção. Sempre existiram leis mal feitas. Sempre houve gente bem e mal formada. O que agora é diferente é que da fase em que se negam os actos se passou a assumir que não interessa o que se fez desde que não se consiga provar. Prescrever, arquivar, apagar e anular substituíram os verbos fazer, investigar e conhecer.
*PÚBLICO

«Prescrever, arquivar, apagar e anular substituíram os verbos fazer, investigar e conhecer.»
Acho que é aqui, exactamente aqui, que está o nó górdio – na novilíngua que os socratinos conseguiram estabelecer com a conivência explícita da maior parte dos jornalistas. Destruíram o significado de palavras-chave, conceitos e verbos, banalizaram-nos.
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Então e a avaliação dos fp? acha que somos burros para além de culpados de todos os males do país? Quem aprova a estúpida avaliação que atire a primeira pedra. Para os fp existe o dever de lealdade que pode ir até onde os chefes entenderem como se viu no caso Charrua.
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Espero que, quando isto acabar e tudo ficar esclarecido, mesmo que “não se consiga provar por ser ilegal usar as provas”, a imagem que fique seja ainda pior que a que temos, para que permaneça na memória colectiva por décadas que o clique só cretina e o pê-ésse levaram isto para “o galheiro”.
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#2: O dever de “lealdade” é um eufemismo para “orelhas baixas” e lambe-botice. Nas empresas privadas a situação é muito mais grave que com os fp’s. Eles falam de barriga cheia. Se estão mal, mudem-se!
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O que se passa é que as comissões de inquérito da AR seguem na trilha do Ministério Público, convencidos da culpabilidade dos visados não conseguem provar a culpa.
E de quem é a culpa?
Por favor não se metam em alhadas ou, melhor dizendo, não levantem processos ou abram inquéritos sem primeiro avaliarem as hipóteses de poderem provar as acusações.
A consequência é, como tem sido, o branqueamento das acções dos visados!
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Óptimo !
Presumo que nesse “apagar e anular” da seita, esteja incentivada também qualquer “acção directa” sobre gravadores de jornalistas…
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José Bono, ali ao lado, é uma figura muito parecida!
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RELATÓRIO
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Conclusão:
Não ficou provado que José Sócrates não mentiu.
Arquive-se.
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ditadura nacional-socialista.
não tenho saúde nem dinheiro para abandonar esta pocilga
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terem chamado mentiroso a Rodrigues – conhecendo-se as qualidades do sujeito – foi das coisas mais lisongeiras que lhe podiam ter dito.
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ficou provado que socrates mentiu porque soube através da comunicação social e que a velha fala verdade porque soube através da social comunicação.
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Faz falta um movimento que reclame o julgamento e a perseguição criminal desta corja de pedófilos, gays e vigaristas que nos governam.
Sem receio de acusação de fascismo ou qualquer outra.
Esta canalha socialista e social-democrata tem que ser não apenas afastada mas eliminada.
Sem complexos. Estamos perante uma associação criminosa com várias frentes. Todas responsáveis por factos diabólicos. Alteraram e criaram leis para sua protecção e aproveitam o estado de bovinidade geral do povo que estupidificaram a níveis impensáveis.
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Quando esse dia chegar para quem passarão a comentar os piscoisos de hoje?
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Os posts de Helena Matos atraem toda a escumalha da estrema direita.
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A Ana Catarina Mendes, a deputada do PS na Comissão de Inquérito, é mulher do Paulo Pedroso???? ui!!!! Estão bem um para o outro………
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Publicado por helenafmatos em 18 Junho, 2010
«Qual é a imagem que vai ficar do socratismo? »
É a do socretinismo ou, mais precisamente, de cretinismo…
Nuno
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Por isso é que querem o povo semi-analfabeto, sem espirito critico…para que coma tudo o que lhe dão.
Daí o facilitismo no ensino, as novas oportunidades, etc.
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#14
“Os posts de Helena Matos atraem toda a escumalha da estrema direita”
Esta expressão mostra o nível de tolerância democrática e o respeito pela diferença por parte dos situacionistas.
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14.ZCR disse
18 Junho, 2010 às 11:36 pm
Os posts de Helena Matos atraem toda a escumalha da estrema direita.
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exemplar quanto à análise da factualidade e também quanto à
aceitação da existência de contrditores. UM AUTOCRATA !
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