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O árbitro que resolveu jogar*

2 Julho, 2010

O facto de não me interessar pelo futebol em si mesmo traz-me inúmeras vantagens. Uma delas, e a mais óbvia, é a de, aquando dos jogos, usufruir de espaços geralmente atulhados de gente ou de automóveis mas então semivazios. A outra vantagem, embora menos conhecida mas nem por isso menos interessante, é surgirem por todo o lado as histórias fabulosas que rodeiam o dito desporto-rei. Ao fascínio dos factos há ainda que acrescentar que estas histórias nos são contadas habitualmente por gente que sabe que, tal como um golo se marca numa fracção de segundo, também um leitor se perde ou ganha na primeira linha do texto. Em Portugal, Ferreira Fernandes é mestre nestes relatos do que acontece para lá do jogo e foi graças a ele que, há anos, descobri o árbitro brasileiro Gilberto Almeida Rego, homem que, num Argentina-França, deu o apito final aos 84 minutos, por sinal no preciso instante em que um avançado francês corria isolado para a baliza argentina. Como se calcula, a seguir gerou-se um pandemónio e no ar ficou sempre a suspeição sobre a seriedade daquele jogo.
Lembrei-me de Gilberto Almeida Rego ao saber que o Governo português usara a golden share que detém na PT para impedir a venda da Vivo à Telefónica. Este intervencionismo estatal, ou em linguagem de futebol de árbitro a fazer de conta que remata, já em 2007 levara a que fosse chumbada a OPA da Sonae sobre a PT. Desde então era evidente neste jogo pela PT que, quando os árbitros, em vez de arbitrarem, decidem jogar, cada lance é mais desastroso que o anterior.
*PÚBLICO

7 comentários leave one →
  1. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    2 Julho, 2010 10:01

    Tal como no futebol o árbitro faz parte do jogo e é suposto os intervenientes saberem as regras – que quem está por fora por vezes não as conhece!

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  2. Curioso aka streetwarrior's avatar
    2 Julho, 2010 10:38

    Boas.

    Agora quero ver como é que o Governo se irá arranjar e no que irá dar esta guerra de Poder.

    P.S- Gostaria de deixar o meu novo blog.
    http://www.espirra-verdades.blogspot.com

    Sintam-se convidados a comentar.

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  3. O PINTO MALUCO's avatar
    O PINTO MALUCO permalink
    2 Julho, 2010 10:44

    NÃO ME DERAM O MILHO QUE QUERIA.DE BARRIGA VAZIA TIVE DE JOGAR E ATÉ MARQUEI UM GOLO EM OFF-SIDE.SE NÃO SABIAM AGORA FICARAM A SABER QUE QUANDO ESTOU COM FOME SÓ FAÇO MERDA.

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  4. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    2 Julho, 2010 10:49

    é mais fácil cristianizar um rico-liberal, ou mesmo, encontrar uma agulha num palheiro do que ensinar a uma mulher as regras do jogo do futebol!

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  5. Desconhecida's avatar
    Confrade permalink
    2 Julho, 2010 11:13

    Mas parece que isto da “golden share” é coisa nova!! Existe e não foi invenção do PS. Usaram como está previsto. Terminar o jogo aos 84 minutos nao tem nada a ver com isto.

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  6. e-ko's avatar
    2 Julho, 2010 12:04

    a metéfora futebol, para a realidade dos mercados, não pode servir, as regras de qualquer jogo, em que o que não as respeita de forma evidente é batota, são mais fechadas que as regras dos mercados em que tudo vai valendo, legalmente ou ilegalmente, para prejudicar uns para favorecer outros…

    não queira atirar-nos areia para os olhos… não quer ver que os modelos de virtudes do liberalismo dos mercados praticam a protecção das suas economias? o problema é seu. mas não nos venha com essas lenga-lengas!…

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  7. bruno peixe's avatar
    5 Julho, 2010 22:58

    Cara Helena Matos,

    O problema do seu post é que parte do pressuposto de que o Estado é árbitro e não jogador, no que toca à Economia. E, pior ainda, pressupõe que a economia, tal como o futebol, é competição. Não tem de ser, assim como o Estado não tem de ficar sentado a observar os agentes privados ver quem leva a melhor. Acho que a economia tem de ser pensada para além da dicotomia público-privado, uma economia verdadeiramente igualitária – a única que pode ser desejável – não pode passar pelo Estado. Mas pode ainda menos, como a história sobejamente mostra, passar pelo jogo de interesses privados.

    Por isso, por uma vez, esteve bem o governo. Nos tempos que correm, tudo o que contrarie o sacrossanto princípio da liberdade de mercado, bem como tudo o que possa constituir um limite, mesmo que tímido, ao direito de propriedade, deve ser aplaudido.

    Cumprimentos.

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