A praia*
Todos os anos é o mesmo: começa o calor e começam as notícias sobre os assaltos nas praias, sobretudo na linha do Estoril. Como tudo isto tem algo de rotineiro, já não espanta a sequência: acontecem uns episódios de violência que logo são desmentidos. Fala-se de populismo e racismo. Em seguida acontecem outros incidentes. Aí assume-se que algo está a acontecer e anunciam-se reforços. As televisões mostram as praias com os banhistas na toalha e os polícias no paredão num tal aparato que mais parece uma zona de guerra cujos habitantes se obstinassem em dar uns mergulhos. Aqui chegados fica tudo mais ou menos satisfeito, porque os miúdos dos ditos bandos desaparecem das praias e dos comboios, presumindo-se que andam a asnear por outros lados. Sobretudo andam a queimar tempo até que já tenham idade para serem tratados como criminosos, pois aquilo que a sociedade faz perante estes grupos de adolescentes é esperar que cresçam e possam então a ser tratados como gente grande. Esta profunda hipocrisia, servida em doses diárias de xaroposa retórica sobre a protecção dos menores, limita-se a funcionar como uma crónica anunciada da delinquência futura. E não fosse a praia nem perceberíamos como esse discurso é falso e, ele sim, criminoso.
A praia é hoje um dos raros locais onde, em Portugal, se misturam grupos, classes, cores, credos. Durante décadas os filhos dos mais diversos portugueses conviveram na escola pública e no serviço militar. Hoje talvez só o futebol e certamente a praia conseguem reunir num mesmo espaço as pessoas independentemente das suas origens. E quando se reúnem torna-se óbvio o que se não quer ver: os portugueses têm medo. Mas nas praias da linha do Estoril não acontece nada que não aconteça durante o restante ano noutros lugares: simplesmente as vítimas não são as do costume.
*PÚBLICO

As vitimas somos todos nós. O que está a faltar é o “respeitinho”. Antigamente não era preciso aparato policial. Bastava aos delinquentes saberem o “bom bocado” que iam passar com o tratamento especial que iam levar na esquadra. Agora, como os desgraçados dos policias estão de mãos atadas, o máximo que podem fazer é fingir que fazem para a comunicação social mostrar e o resto do povo suspirar de alivio com o fim feliz da história. É o país e sociedade que temos. É tudo a fingir, no fundo, os únicos realmente honestos, que não andam a fingir, são os criminosos.
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1949 faziamos fogueiras de S. João na rua em frente da farmácia do João Cordeiro
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SE É MESMO O CORDEIRO DAS FARMÁCIAS QUE BOA OCASIÃO PERDIDA PARA SE FAZER UM CHURRASCO . . .
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Li este seu texto no Público, esperando pela conclusão. E quando ela devia ser coerente com o início, ou seja, reconhecer que o aparato policial que as televisões mostram e os jornais resumem são puro «show off», porque nada de especial aconteceu (como no «Arrastão de 2005), e que o objectivo politicamente desejado é precisamente amedrontar os portugueses, diz que estes «têm» medo – passam assim a ter, o que é bem diferente.
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Como complemento ao meu comentário anterior. Nem de propósito.
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será que são todas Portuguesas, ou dá jeito fazer tal afirmação… esta coisa do faz de conta, está a começar a tornar-se num caso patológico, tipo burro com palas a puxar a nora…
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“E quando se reúnem torna-se óbvio o que se não quer ver: os portugueses têm medo.”
Segundo creio, as cores que se misturam na praia são todas portuguesas, umas brancas, outras pretas.
Lapso freudiano?
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Helena, quando se trata de pretos fica tudo daltónico.
Só temos aquilo que, como povo informado, esclarecido e , principalmente, soberano,escolhemos…
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NA PRAIA
Raça de marinheiros que outra coisa vos chamar
senhoras que com tanta dignidade
à hora que o calor mais apertar coroadas de graça e majestade
entrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?
Ruy Belo
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São todos portugueses,como eram angolanos,moçambicanos,etc,os que tiveram que fugir de África após lá viverem há várias gerações.
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No incidente da praia do tamariz houve um ferido.
No arrastao que diz que não houve, houve queixas na psp por roubo e assalto
Joana..
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aqui, como nos “carjacking”, o fulcro da questão é mesmo a universalidade da vítima. E é precisamente por “as vítimas não serem (apenas) as do costume” que há movimentação policial.
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