Corporações*
“Tudo isso é verdade, mas escusavas de o ter escrito” – este foi um dos comentários registados pela autora do livro Absolument dé-bor-dée! Publicado em Março deste ano, sob pseudónimo, este livro relata a experiência duma funcionária pública num município francês também não identificado. Trata-se duma dessas administrações locais onde, segundo a autora, todos se dizem “absolument dé-bor-dés!” (o que em português se poderá traduzir por “completamente arrasados”) com as suas 35 horas de trabalho semanais que, ainda segundo a autora, serão, numa hipótese benévola, 35 horas mensais ocupadas em coisa alguma que seja útil para os cidadãos. Reuniões inúteis, seminários sem qualquer interesse, burocracia sem limite, chefes caprichosos, colegas manhosos e que abominam quem quer trabalhar, funcionários que levam horas a tomar café e uma total ausência de noção de que é um serviço público são descritos por esse alguém que assinava Zoe Shepard.
O que chocou no livro de Zoe Shepard não foi o que ela escreveu. Aliás, o conteúdo não foi desmentido. Foi sim tê-lo escrito. Ou seja, admite-se que tudo aquilo é verdadeiro mas simplesmente ela não devia dizê-lo, pois põe em causa o dogma da função pública, ainda por cima ao nível local. A função pública tornou-se em boa parte da Europa um Estado dentro do Estado. Reformá-la é tarefa para governos suicidas. E, se alguém quer chegar a primeiro-ministro, o melhor caminho é declará-la intocável. O simples acto de descrever como essa corporação funciona pode custar muito caro, como bem descobriu a jovem mulher que assinou Zoe Shepard.
O pseudónimo da autora de Absolument dé-bor-dée! foi vasculhado e descobriu-se que por trás dele estava uma funcionária de categoria A, Aurélie Boullet de seu nome. Paradoxalmente foi a própria administração pública que, na sua ânsia de encontrar a identidade da autora, acabou a identificar o município descrito no livro: Aurélie Boullet trabalha na região da Aquitânia. O conselho regional da Aquitânia acusou este mês de Julho Aurélie Boullet de não respeitar o dever de reserva e suspendeu-a de funções. Dois anos sem vencimento é a penalização que o conselho regional acha adequada como punição por Aurélie Boullet ter escrito que em muitos serviços públicos não se trabalha na realidade mais do que 35 horas por mês, sendo o tempo restante certamente muito ocupado mas nada produtivo.
Apenas como nota final registe-se que nesta mesma França, há seis anos, se gerou uma enorme vaga de solidariedade para com a funcionária da EDF Corinne Maier, que escreveu um livro cujo título era o seguinte: Bonjour paresse. L”art et la nécessité d”en faire le moins possible en entreprise (Bom dia preguiça. A arte e a necessidade de fazer o menos possível na empresa”). Como é óbvio, a senhora Meier não sofreu quaisquer sanções, pois ela não punha nada em causa.
*PÚBLICO

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O Professor Kuing Yamang, fala dos funcionários públicos e fala de muito mais n’ O declínio do velho continente, uma entrevista à CCTV China (legendado em françês). http://www.youtube.com/watch?v=DMKb9A6Kouk
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Há uns anos a Comissão Europeia tinha o seguinte horário de funcionamento da cafetaria em BXL e no LUX:
7.30 às 10.15;
10.30 às 14.15 e
14.30 às 16.30
Um doce se adivinharem o porquê dos cirúrgicos quinze minutos de intervalo …
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Os prazos que davam aos funcionários para realizar tarefas eram fantásticos. A autora conta que lhe pediram para mudar a fonte a um documento em word. Prazo : 4 dias.
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Acabar com a merda da função pública seria uma boa medida para defender o estado social, pelo menos para quem trabalha e produz!
Adeus oh maladragem que vive do suor dos trabalhadores!
Adeus oh estado sucial dos parasitas!
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Isto é como ir ao futebol para chamar f____ da p___ ao árbitro?
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Nada de muito diferente de uma grande companhia. A diferença é que no privado a referida funcionária teria sido despedida com justa causa.
Ao nível “burocrático” em que se move o sector público, não existe grandes diferenças para privados de dimensões idênticas. Talvez um bocado mais de “facada nas costas” no privado e um bocado menos de “9-to-5”, mas o resultado final é parecido.
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O fabuloso destino de Aurélie
A Europa,tal como a China, funciona com dois sistemas totalmente díspares.
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lembrei-me de um tempos em que tive de fazer um trabalho em parceria com umas senhoras da SS. uma vez fiquei uma meia hora , eu e o motorista , à espera no carro , em tempo de serviço , que uma madame fosse ao oculista. eu já espumava , mas o motorista…já estava habituado às cenas. não só andam a pastar , como obrigam outros a pastar. e ele era café assim que entravam ao serviço e tal. o pequeno almoço toma-se antes de entrar no trabalho , não? e as compras tb se fazem fora do horário de trabalho , né?
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A verdade, está mesmo à frente dos olhos.
Mas recusa-se a ver.
Entre-se numa loja qualquer, e vê-se empregados/as parados. A ler revistas, nos computadores, a fingir que arrumam coisas. Por vezes mesmo à porta.
Lá dentro ou cá fora, a falar aos telemóveis- na “palheta” com outros colegas de outras lojas, etc.
Lojas essas que podem ser restaurantes, pastelarias, lojas de roupas caras ou baratas.
Pessoas como vizinhos, clientes, amigos, nem estranham e até são simpáticos : falam e conversam com eles e elas, o que motiva mais horas sem trabalhar.
Ninguém critica.
Stands de automóveis, e mesmo certos serviços privados, que por vezes pouco têm para fazer. E por longas horas.
Tudo é aceite
Entre-se agora numa repartição, num centro de saúde, numa escola (aqui menos), e se o empregado/funcionário parar por cinco minutos, é o “fim do mundo”.
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O “estado sucial” em todo o seu esplendor, minha senhora…
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11.PQ disse
19 Julho, 2010 às 3:55 pm
A diferença é que o senhor não paga aos primeiros mas paga aos outros.
Não me diga que ainda não tinha pensado nisto?
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fado alexandrino disse
” A diferença é que o senhor não paga aos primeiros mas paga aos outros.
Não me diga que ainda não tinha pensado nisto? ”
Não digo, porque evidente que pensei, pois é uma das frases mais gastas e que se ouve logo.
A minha resposta a isso, foi precisamente o comentário de cima.
Uns podem parar de trabalhar, de “produzir”, etc. – os do sector produtivo , empresarial, privado. Pago pelos clientes.
Os outros, da “administração pública”, não podem parar sequer minutos. E não são do sector produtivo, por defenição.
Por denifição, curiosamente, não tem que “produzir” – são da administração publica, fiscal, etc.
Agora, se o senhor, que que os fiscais apertem mais, mais tarefas para eles, etc…
E que os do sector produtivo, privado, continuem na boa vida, enfim, não há país que resista.
Ainda por cima, quando essa critica é “pessoal”, conforme demontra.
Não tem em conta, outros gastos do erário público, do orçamento.
Não. É mesmo “porque eu é que lhes pago”.
O senhor também paga para muitas outras coisas, como obras sem nexo ao pé de si, mas o que interessa, é aquele funcionário que quiz parar minutos.
Nota ; não leve pessoalmente a minha resposta… Apenas tenho falta de tempo, e tive que ser um bocado directo.
Se fui demais, peço desculpa. Até agradeço que tenha posto essa resposta aqui.
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Me disse
” lembrei-me de um tempos em que tive de fazer um trabalho em parceria com umas senhoras da SS. ”
Espero que tenha sido bem pago, e que o trabalho tenha sido útil para o país, ou zona.
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Como qualquer pessoa, que trabalhe em determinados organismos e empresas no “perímetro” estatal, bem sabe, o problema é ter-se escrito algo. Tudo se pode fazer e dizer, não se pode é escrever.
Faz lembrar aqueles tempos, sob a tutela de um “pai” severo (mas, no fundo, bem no fundo, bondoso), de que «tudo se podia fazer (desde que não se soubesse)».
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Vou dizer uma verdade daquelas que não se diz.
No alentejo, há ou havia aldeias, que viviam exclusivamente da junta e pouco mais. Estas, até contratavam pessoas que não precisavam, geralmente uma por familia, e sempre que possivél.
Porquê ? Porque não existia praticamente mais nada na zona, do sector privado.
O pouco que existia (tasquita, lojitas, bancas de fruta etc) para continuar tinha que ser suportadas por clientes.
Com a agricultura de rastos, sem mais empregos, sem iniciativa local, e sem iniciativa de fora do sector empresaria – privado, restava haver poder de compra, para pessoas de desemprego de longa duração. Sem subsidios, portanto.
(talvez tenha mudado isto, com o RSIncersão)
E a unica maneira, era empregando umas pessoas a mais, para que não morresem á fome. Literalmente.
Ou fossem para crimes, etc.
Assim, havia pelo menos uma pessoa por familia empregada, e talvez se instalazsse na zona , mais qualquer coisa (fabrica pequena, novas lojas, sei lá), visto haver algum poder de compra
Não era a situação ideal, sem dúvida, mas muitas pessoas que vivam essas situações nessas aldeias, não sabia o que fazer. E ouviam muitas opiniões, mas soluções práticas faltavam.
Note-se, que não havia, novamente, quase tecido privado nessas aldeias e arreadores.
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helenafmatos em 19 Julho, 2010
” O que chocou no livro de Zoe Shepard não foi o que ela escreveu. Aliás, o conteúdo não foi desmentido. Foi sim tê-lo escrito. Ou seja, admite-se que tudo aquilo é verdadeiro mas simplesmente ela não devia dizê-lo, pois põe em causa o dogma da função pública ”
Isto é assim em muita coisa, sendo o principal “bloqueio”, as feministas radicais. Ninguém fala delas, ou mta pouca gente
Adiante.
Em relação a só no sector publico, alegagamente não se poder dizer certas coisas – que toda a gente até diz, muita da vez injustamente , ou sem se ver ao espelho , lá fora isso diz-se em relação ao sector privado.
Nos eua, é dito que mta coisa sobre o sector privado não se pode dizer.
(explicação, não dou.)
Um exemplo ligeiro, em forma de comédia mas que representa prova no aspecto cultural e aceite, é o filme da Estrela Tom Cruise , Jerry Maguire
(Por sinal, um grande filme, e excelente interpretação dele, e da loura e do miudo.)
O enredo, começa e despoleta, com umas mudanças na empresa onde trabalhava, e quando Jerry escreve algo sobre isso, e como devia ser até de acordo com os fundadores.
Escreveu, foi despedido
” he writes a mission statement about perceived dishonesty in the sports management business and how he believes that it should be operated. He distributes copies of it, entitled “The Things We Think and Do Not Say: The Future of Our Business”. His co-workers are touched by his honesty and greet him with applause, but the management sends Bob Sugar (Jay Mohr), Maguire’s protégé, to fire him. ”
Fonte da citação
http://en.wikipedia.org/wiki/Jerry_Maguire
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fado alexandrino disse
19 Julho, 2010 às 5:21 pm
11.PQ disse
19 Julho, 2010 às 3:55 pm
A diferença é que o senhor não paga aos primeiros mas paga aos outros.
Não me diga que ainda não tinha pensado nisto?
Olha… Realmente não tinha pensado nisso! Quem será que lhes paga? O Pai Natal? Não, deve ser o “porco do patrão” quando lhe dá para ser generoso. Agora, onde o “porco do patrão” vai arranjar o bago é que já não sei. Se calhar anda no gamanço.
Uma anedota para o “fado”:
Porque é que os militares se levantam com a alvorada?
Porque fazem questão de estar mais tempo sem fazer nada que qualquer outra pessoa.
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