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Uma dúvida

25 Julho, 2010

Cada vez me acode mais esta irritante e muito abstracta questão: quem pode decidir a abertura de um inquérito ao Procurador Geral da República?

23 comentários leave one →
  1. Alves's avatar
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    25 Julho, 2010 12:19

    É uma questão clássica: quem vigia o vigilante?

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  2. J CASTILHO's avatar
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    25 Julho, 2010 12:38

    E outra irritante e muito abstracta questão: quem abre um inquérito à Helena Matos????

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  3. José's avatar
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    25 Julho, 2010 12:56

    A resposta à pergunta concreta está aqui:

    Artigo 265.º do CPP
    Inquérito contra magistrados
    1 – Se for objecto da notícia do crime magistrado judicial ou do Ministério Público, é designado para a realização do inquérito magistrado de categoria igual ou superior à do visado.
    2 – Se for objecto da notícia do crime o Procurador-Geral da República, a competência para o inquérito pertence a um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, designado por sorteio, que fica impedido de intervir nos subsequentes actos do processo.

    Portanto, quem entender, pode denunciar os factos que no seu entender constituem crime, ao STJ ( secção criminal). E não acontecerá nesse caso, o que aconteceu na PGR…de certeza absoluta.

    No entanto, o problema é outro: a responsabilidade criminal, neste caso, pode confundir-se com outra mais da competência dos media. A ausência de objectividade e omissão de diligências, se denunciadas pelos media, com fundamento e seriedade pode ter um resultado mais concreto.

    Até agora, o PGR ri-se destas coisas e julga-se completamente impune. E ainda acusa quem o acusa de ser maldoso.Vamos ver até quando.

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  4. José's avatar
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    25 Julho, 2010 13:07

    Nesta matéria é preciso entender a idiossincrasia deste PGR, Pinto Monteiro. sempre foi juiz e nessa qualidade sempre foi autónomo e uma daquelas pessoas que tem o rei na barriga jurídica. Ou seja, ele é que sabe e os outros sabem o que ele escreve e acabou aí o assunto. Essa mentalidade muito vulgar entre juízes é fatal em casos como este, porque determina um modo de comportamento que se torna autista, centrado no seu entender jurídico sem contestação interior. Um juiz decide e raramente dá o braço a torce quanto á decisão. Quando está nas instâncias inferiores aceita ( que remédio ) que os juizes dos tribunais superiores lhes revoguem as decisões, mas aceitam-no como um jogo, apenas. E isso não os afecta muito.
    Este Pinto Monteiro é assim, tal e qual. E por isso quase se poderia dizer que não tem dolo nesta actuação autista. Talvez alguns entendam o que pretendo dizer mas ficam aí as pistas para a explicação desta autêntica escandaleira, com um acrescento mais:

    Este Pinto Monteiro andou pelos meandros do futebol. Logo, jogos é com ele. E tem outra coisa: acha que isto é política e vê as coisas desse modo. No CSMP, os representantes dos partidos que não vão à bola com ele, são desvalorizados e contextualizados nessa vertende de jogo político. Mas talvez Pinto Monteiro se engane e o jogo tenha chegado ao fim. É que as faltas na área, se o árbitro as vir, são penalty.

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  5. Licas's avatar
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    25 Julho, 2010 14:45

    Quando a baliza é completamente entaipada não há penalty que resulte em GOLO.

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  6. António P. Castro's avatar
    António P. Castro permalink
    25 Julho, 2010 15:02

    O PSD tem o estrito dever de suscitar a questão junto do Supremo Tribunal de Justiça, uma vez que, pelo menos aparentemente, Pinto Monteiro incorreu em abuso de poder.
    É certo que Noronha Nascimento, presidente do STJ, tem a falta de credibilidade que lhe advém das decisões que sucessivamente toma em defesa do falso engenheiro primeiro-ministro.
    Não entanto, é de crer que o plenário do STJ ainda conte, entre os seus membros, com gente digna, mesmo que as suas posições apenas resultem em declarações de voto…
    Pinto Monteiro é o pior PGR desde o 25 de Abril e julga-se acima da lei. Importa que isto se torne evidente, mesmo contra toda a esperança da sua remoção do lugar enquanto tivermos os actuais PM e PR.

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  7. lica's avatar
    lica permalink
    25 Julho, 2010 15:49

    boa pergunta

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  8. José Rocha's avatar
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    25 Julho, 2010 16:21

    Eu apostava na justiça popular se ela ainda tivesse olhos na cara.

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  9. Diogo's avatar
    25 Julho, 2010 18:10

    Excelente comentário do José.

    Talvez grupos de cidadãos formados na Internet se possam quotizar para contratar advogados (nada de figurões ligados ao Poder), para começar a colocar políticos na cadeira dos réus.

    E para complementar:

    Código Penal – CAPÍTULO V

    Dos crimes contra o sector público ou cooperativo agravados pela qualidade do agente

    Artigo 234.º

    Apropriação ilegítima

    1 – Quem, por força do cargo que desempenha, detiver a administração, gerência ou simples capacidade de dispor de bens do sector público ou cooperativo, e por qualquer forma deles se apropriar ilegitimamente ou permitir intencionalmente que outra pessoa ilegitimamente se aproprie, é punido com a pena que ao respectivo crime corresponder agravada de um terço nos seus limites mínimo e máximo.

    2 – A tentativa é punível.

    Artigo 235.º

    Administração danosa

    1 – Quem, infringindo intencionalmente normas de controlo ou regras económicas de uma gestão racional, provocar dano patrimonial importante em unidade económica do sector público ou cooperativo é punido com pena de prisão até 5 anos ou com pena de multa até 600 dias.

    2 – A punição não tem lugar se o dano se verificar contra a expectativa fundada do agente.

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  10. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    25 Julho, 2010 18:56

    Pode-se sim senhor e até pode-se julgar!

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  11. JB's avatar
    25 Julho, 2010 19:07

    Um muito especial magistrado pode.
    O 1º Magistrado da Nação.
    Ou então, para que serve?

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  12. JJ Pereira's avatar
    JJ Pereira permalink
    25 Julho, 2010 19:10

    Este “regime” fica-nos curto nas mangas…

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  13. José's avatar
    José permalink
    25 Julho, 2010 19:58

    O problema do MºPº em França, com este caso Woerth/Bettencourt/ Sarkozy apresenta algumas semelhanças com o que se passa por cá, mesmo sabendo que o PGR de cá, é independente do poder executivo. É caso para perguntar: para quê? Para fazer isto como fez no processo Face OCulta? É que independências assim, até as há em França em que o procurador depende do Governo…

    Fica aqui um comentário que fiz noutro forum, sobre este assunto que devia preocupar os portugueses. O deputado Ricardo Rodrigues e o Vitorino da Telefónica parece que não gostam muito do modelo português de investigação e querem que os juizes tenham mais poder. Percebam porquê:

    Para se entender melhor este novo “esquema” ( porque é disso mesmo que se trata, é bom que se saiba desde já), talvez valha a pena acompanhar o que se passa em França, onde existe o sistema que agora o deputado Ricardo Rodrigues e outros que tais pretendem introduzir no sistema jurídico português, (ou pelo menos experimentar a reacção à proposta…)

    Em França, o caso Woerth/Bettencourt/ Sarkozy tem vários ingredientes susceptíveis de integrarem crimes de catálogo, envolvendo suspeitas sobre o próprio presidente, no que diz respeito a financiamento ilegal da campanha eleitoral.
    Pois bem. Como funciona o sistema em França? Há um “parquet”, ou seja um ministério público que investiga inicialmente em processo secreto e sem acesso ao contraditório. Se o “parquet” concluir que os factos têm pernas para andar, passam o procedimento a um juiz de instrução, através da chamada “saisie”, ou seja, remetem o processo ao petit juge que sendo entidade independente o terá de avocar, começando então a investigação criminal propriamente dita e com contraditório e advogados sempre metidos em tudo, desde o inicio.

    Onde é que está o defeito principal deste sistema? No início. O Guardião dos Selos, ou o procurador do sítio ( aqui, em Nanterre) tem o poder de recusar submeter o expediente ao petit juge e isso faz toda a diferença. E é o que está a suceder neste caso.. A revista Marianne desta semana escreve na primeira página que querem abafar o processo. Claramente e acusando o Ministério Público francês de o fazer deliberadamente, por ignorar os factos que constituem crime.

    Por aqui, isto faz lembrar alguma coisa? Claro que faz: o actual PGR e o caso Face Oculta com as escutas destruídas.

    Com uma diferença: por lá, uma revista de grande prestígio escreve na primeira página a denúncia clara da denegação de justiça.

    Portanto, percebe-se muito bem o que pretente desse mão leve de Ricardo Rodrigues. Muito bem, mesmo. Ainda que por ora não tenha motivos para alarme, com o actual PGR…

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  14. Diogo's avatar
    25 Julho, 2010 20:47

    José, é possível a um grupo de cidadãos acusar o PGR por ausência de objectividade e omissão de diligências? Se sim, o que é que é necessário?

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  15. José's avatar
    José permalink
    25 Julho, 2010 23:00

    Um grupo porquê? Qualquer pessoa que assim o entenda e fundamente pode apresentar uma denúncia contra o PGR, indicando factos que no seu entender de boa-fé ( e isso para escapar ao posterior ataque alegando denúncia caluniosa) integram a prática de crime público. ALiás, um advogado- Ricardo Sá Fernandes- e mesmo o PSD, este fim de semana, segundo os jornais, já o terão sugerido.
    A partir do momento em que alguém sugere uma coisa dessas e com ta gravidade, deveria ser o próprio STJ, na secção criminal a abrir um inquérito contra o PGR. Mas como se viu pelo artigo citado, a competência para o inquérito pertencerá a um juiz do STJ designado por sorteio. Ora, quem é o juiz do STJ que vai assumir a abertura de um inquérito sem a apresentação de uma denúncia concreta? Essa pergunta tem resposta fácil: Ninguém! Nenhum juiz actual do STJ estaria disposto a uma coisa dessas por várias razões, mas a principal seria esta: todos se conhecem. Bem. Demasiado bem.
    E por isso para tal inquérito deve haver uma denúncia externa. Mas tem de ser bem fundamentada.

    Quanto a mim,já haverá motivo para tal.

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  16. lop's avatar
    lop permalink
    26 Julho, 2010 00:17

    este José do MP tem sempre que atacar juizes.

    estes complexos do MP portuga, que quer ser juiz hoje, polícia amanhã e qq outra coisa a meio à noite, dá nisto!

    a culpa deste estado do MP é do ps-maçonaria e do pcp, sobretudo; e um pouquinho do psd+laborinho lúcio.

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  17. lop's avatar
    lop permalink
    26 Julho, 2010 00:19

    Lembremo-nos que este juiz cível que é hoje PGR (o mais alto agente do MP) perdeu as eleições para Presidente do STJ quando exercia como juiz no STJ!

    Mas lembremo-nos que quem manda no MP são os PGD e o DCIAP!!! Não o PGR.

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  18. o sátiro's avatar
    26 Julho, 2010 03:54

    Tem toda a razão…..

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  19. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    26 Julho, 2010 09:37

    E porque é que o José não o denuncia?
    Desculpe a insolência.

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  20. José's avatar
    José permalink
    26 Julho, 2010 17:41

    #18:

    Só ataco juízes que têm o rei na barriga jurídica. E há muitos infelizmente.

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  21. José's avatar
    José permalink
    26 Julho, 2010 17:43

    “Mas lembremo-nos que quem manda no MP são os PGD e o DCIAP!!! Não o PGR.”

    Não há dúvida…quem despachou o expediente do Face Oculta foi o PGD?

    Alguém sabe o nome do PGD no tempo do Casa Pia?

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  22. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    27 Julho, 2010 03:27


    Tenho por certo que muitos blasfemos se conhecem e até, talvez, bem.
    Por que não se encontram e vão fazer a necessária denúncia, já que, pelos vistos, sózinhos não têm coragem.
    Quando o povo se revoltar – o que vai acontecer mais tarde ou mais cedo – é que se querem assumir como heróis?

    tácito

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  23. Nuno C.'s avatar
    Nuno C. permalink
    27 Julho, 2010 03:48

    Se tal possibilidade existisse a rapaziada do avental tratava de acautelar os resultados…

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