Saltar para o conteúdo

Podemos perguntar à rainha de Inglaterra*

6 Agosto, 2010

Pinto Monteiro começou por falar das condessas e das duquesas do Ministério Público e já vai na Rainha de Inglaterra. O que está em causa não são títulos nem majestades, mas algo que, por sinal, a pátria da Rainha de Inglaterra muito preza e que dá pelo nome de check and balance. Ou freios e contrapesos na versão mais aldeã do português.
O actual procurador-geral da República tem manifestado vontade de passar a ser ele a nomear o vice-procurador-geral da República e os procuradores-gerais distritais, competências até agora do Conselho Superior do Ministério Público. O conflito que Pinto Monteiro mantém com o Conselho Superior do Ministério Público foi visível durante o processo de recondução de Cândida Almeida no DCIAP em que o procurador-geral tentou impor o voto por braço no ar e sobretudo na novela da nomeação de Mário Gomes Dias como vice-procurador-geral. Pinto Monteiro também não terá gostado do que ouviu em Março deste ano, durante as dez horas de reunião em que os membros do Conselho Superior do Ministério Público deram a sua opinião sobre os despachos do procurador-geral sobre o caso PT-TVI.
Mas o que tem marcado a actuação de Pinto Monteiro não foi a falta de poder mas sim os seus poderes acrescidos: o caso Face Oculta tornou evidente que as recentes alterações legislativas tinham trazido ao procurador-geral novas competências em matéria de escutas, quando nelas interviessem as três principais figuras do Estado. Assim Pinto Monteiro decidiu sozinho que o conteúdo de 11 conversas entre Armando Vara e o primeiro-ministro, José Sócrates, não tinha relevância criminal. Posteriormente mandou destruir nos despachos proferidos por ele mesmo todas as referências aos conteúdos das gravações que envolviam o primeiro-ministro no âmbito do processo Face Oculta. É preciso que o procurador-geral perceba que os procuradores-gerais passam e a República fica. O que ganharíamos com os poderes acrescidos do procurador-geral?
Se a República Portuguesa quer ser uma democracia, deve preservar os sistemas em que os poderes se limitam e vigiam entre si. Coisa que a Rainha de Inglaterra sabe muito bem.

*PÚBLICO

3 comentários leave one →
  1. El Der's avatar
    El Der permalink
    6 Agosto, 2010 14:37

    É exactamente por ter percebido que os procuradores-gerais passam e a República fica que é preciso destruir as provas. Nada pode ficar para memória futura. A História tem de ser reescrita, os factos não servem, têm de ser outros.Todos os documentos, sejam em forma escrita, gravação de som, imagem, escultura ou laser 3D que provem que alguma vez houve um caso Emaudio, uma Universidade Independente, uma Cova da Beira têm de ocultar a face. Tem realmente muito pouco poder para uma tão magna tarefa.

    Gostar

  2. António P. Castro's avatar
    António P. Castro permalink
    6 Agosto, 2010 14:54

    Num país a sério, os sucessivos casos de abuso de poder de Pinto Monteiro e Cândida Almeida já teriam tido as consequências devidas.
    Isto é, essa gentinha já estaria atrás das grades. Como inequivocamente merece.

    Gostar

  3. Saloio's avatar
    Saloio permalink
    6 Agosto, 2010 23:30

    Helena,

    Muito bem!

    Digo eu…

    Gostar

Deixe uma resposta para Saloio Cancelar resposta