Dizem que vão filmar outra vez o Titanic
18 Agosto, 2010
Começámos a semana assim
China supera Japão e é a segunda maior economia mundial
Hoje, quarta, já vamos assim
Brasil ultrapassa Espanha e já é 8ª maior economia do mundo
Mas graças a Deus as nossas preocupações estão concentradas no combate aos latifúndios, nas uniões de facto e, claro, na redistribuição da riqueza.
31 comentários
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Helena,
Se gostaria de ver o debate centrado nas questões realmente importantes, podia começar por dar o seu contributo. Os seus últimos post são sobre : as uniões de facto (!), os jogos olímpicos da juventude, uma multa, Fidel Castro, a cabala do fogo e … o regime jurídico das amas privadas.
Não está nada mal, para quem vem agora criticar que o debate político esteja concentrado no acessório, e não no essencial. Mas o mais divertido, mesmo, é criticar a preocupação com as uniões de facto um post depois de a própria Helena ter puxado o assunto. Acho que as mudanças súbitas de opinião do governo estão a contagiar o resto do país.
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E no louvor ao “dispositivo” que, não param de proclamar, evitou que as áreas queimadas se aproximassem dos valores de 2003 e 2005. Está tudo, portanto, muito contente com o “dispositivo”. E também, como diz, no combate aos latifúndios. Aqui deviam concentrar-se nos que lhes estão entregues e mal guardados, deixando os que ainda não lhes cairam nas mãos. Outro motivo de contentamento é que crescemos 0.2% que em qualquer lado corresponde a estagnação e por cá é titulado como muito positivo. Enfim, várias desgraças que sempre dão para esquecer outras. Valha-nos isso!
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1.Ricardo disse
18 Agosto, 2010 às 10:56 am
***********************
É a silly-season, estúpido . . .
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Centram-se nessas coisas e ninguém fala do Benfica.
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“Nossas” dizendo respeito a si… e a mais quem?
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É espantoso que o Brasil, tendo quatro vezes a população da Espanha, consiga ultrapassá-la em PIB. Mais espantoso ainda é que a China, com mais de dez vezes a população do Japão, ultrapasse o PIB do Japão.
A referência à redistribuição da riqueza parece sugerir que os países mais desenvolvidos deveriam esforçar-se por manter PIBs per capita quatro a dez vezes maiores do que os dos países em vias de desenvolvimento.
Dado que a China e o Brasil são povoados de humanos como nós e dado que são demasiado poderosos para os podermos invadir e explorar, que sugere a Helena Matos que façamos? Criamos maiores bolsas de pobreza e miséria na Europa suprimindo a redistribuição?
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a Helena não sei , eu sugeria que deixassemos de comer fora ,de comprar a comidinha ao “3º mundo ” e outras coisinhas mais que sujam as mãos . e é começar a trabalhar que sem produção não há redistribuição. sector primário e secundário nesses países são residuais como na titanic europa ? não são , pois não?
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É fantástico redistribuir o que não existe, não é? Faz lembrar as orientações dadas às fantasmáticas divisões hitlerianas na véspera da queda de Berlim.
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A China já está em segundo lugar e Portugal em 39º.
Em 2003 estávamos em 35º, e em 1999 em 30º.
Nada mal.
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Carlos Albuquerque “fair enough” mas chegámos ao céu? A partir de 20000* em Portugal e 30000 em França é impossível subir? Olhe que os outros não estão de acordo!
Falsos 20 mil Euros(porque mais de 2000 desses 20000 são empréstimos a cada ano e há já uma pilha de 17000 para pagar ) em Portugal e 30000 em França onde também uma boa parte são empréstimos. Caso não se tenha apercebido a Europa vai ter de cortar os gastos dos Estado. Entre 10-20% e rezem aos santinhos que haja economia que ainda reste para sustentar esse nível. Como penso que não, a solução dos Socialiistas de Esquerda e Direita é sempre mais impostos…os incentivos para não criar riqueza continuarão a fazer lei.
Ou seja a primeira década do Séc XX para alguns países Europeus foi uma década perdida, para outros como nós foi talvez mais…
*Dólares.
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Caro Carlos Albuquerque,
O importante não é tanto a fotografia de hoje. O importante é o filme dos acontecimentos. O importante é que a taxa de crescimento do PIB chinês tenha crescido 10 vezes, 10! em 30 anos.
E se os Japoneses se vêem hoje a ser ultrapassados pelos chineses o melhor será olhar para si mesmos e perceber as razões pelas quais os seus últimos 20 anos foram o desastre que foram.
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Por mais que nos queixemos isto é incontrolável!
http://www.eradopixel.wordpress.com
(Blog de Design Gráfico Português)
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Por acaso na China também devem andar preocupados com o problema da “redistribuição da riqueza”. É que, mesmo com todo esse crescimento, indicadores básicos como índices de mortalidade infantil e esperança média de vida, são francamente más. Aliás, desde quando é que “crescimento” é sinónimo de “desenvolvimento” (o que realmente interessa)?
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«desde quando é que “crescimento” é sinónimo de “desenvolvimento” (o que realmente interessa)?»
Também ouvi falar nesta cantilena veiculada pela sociologia barata nos meus tempos de faculdade.
Na realidade, trata-se de uma falácia habitualmente retirada dos baús quando se pretende defender países com economias totalmente estatizadas e que condenam os seus habitantes a vegetar na miséria à excepção da casta dirigente ou, o que é o mesmo, desvalorizar as sociedades ocidentais.
Não conheço nenhum caso onde o “desenvolvimento” tenha ocorrido sem que, previamente, se tenham verificado várias décadas de crescimento económico significativo, excepto se por “desenvolvimento” se entenda a obtenção de muitas medalhas desportivas (obtidas à custa do que viemos a saber…) enquanto a natureza era destruída sistematicamente e a dieta alimentar da generalidade da população reduzida a pouco mais que a subsistência.
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Ó Eduardo:
Isso é que foi acertar em cheio no disparate: “trata-se de uma falácia habitualmente retirada dos baús quando se pretende defender países com economias totalmente estatizadas”. A China é a melhor prova de que não tem razão. Além do mais, para quem não se deixa levar pela “sociologia barata”, não deve ser novidade a polémica de conceitos como o do PIB que, na verdade, pouco diz sobre a qualidade de vida dos cidadãos de um determinado país. Porque é verdade que não pode haver desenvolvimento sem crescimento, mas também o é que um alto nível de crescimento não chega para haver desenvolvimento. Mas o Eduardo que não vai em falácias, deve estar mortinho de o saber…
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“alto nível de crescimento não chega para haver desenvolvimento.”
Não se passa da pobreza à riqueza sem crescer.
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É a própria globalização que leva a que haja crescimento na China e estagnação na Europa. Quando os chineses começam a produzir e vender partindo de salários baixos, têm uma enorme margem para crescer enquanto são os europeus que perdem. Nós por cá podemos apostar na ciência e tecnologia, mas isso também os chineses estão a fazer. Logo, a tendência será para um certo equilíbrio.
Não faz sentido esperar que Europa e China cresçam às mesmas taxas. Quando a China estiver mais próxima da Europa também sentirá as mesmas dificuldades em manter taxas elevadas de crescimento.
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Não tarda muito na China, todos os empregados também vão ter acesso ao Ford lá do sítio.
Quando esse dia chegar, já não vão trabalhar de Sol a Sol, porque precisam dum tempito para passear de pópó.
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#16
Quando o pib/pessoa é 1 euro e passa a 1,5 os 50 cêntimos correspondem ao aumento de 50%.
Quando é 100 euros e passa a 105 os 5 euros são apenas 5%.
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helenafmatos um dia destes vai-nos brindar com um post sobre Carlos Queirós e a problemática do controlo anti-doping e, no dia seguinte, fará outro sobre o desinteresse do povo face à blogosfera …
ié, tudo coisas que nos atormentam e que helenafmatos se dá ao cuidado de nos alertar.
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do comentário #1:
(…) Se gostaria de ver o debate centrado nas questões realmente importantes, podia começar por dar o seu contributo. Os seus últimos post são sobre : as uniões de facto (!), os jogos olímpicos da juventude, uma multa, Fidel Castro, a cabala do fogo e … o regime jurídico das amas privadas (…)
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15: “Não se passa da pobreza à riqueza sem crescer”. Pois não. Mas o facto de haver crescimento, pouco quer dizer sobre o investimento que é feito e sobre o modo como a riqueza se reflecte no aumento da qualidade de vida da generalidade dos cidadãos. Os períodos de maior crescimento em Portugal, corresponderam aos períodos da especulação imobiliária e financeira que, como se vê, pouco ou nada teve que ver com desenvolvimento.
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Medir a ‘potência’ de um país servindo-se do PIB é, nos dias que correm, um erro.
A globalização potenciou a deslocalização de investimentos, diminuindo o PIB nos paises de origem assim como o emprego e impostos daí decorrentes. Isto quer dizer que o PIB nos paises de destino tem sido beneficiados pelos investimentos massivos do ‘ocidente’.
Interessa pois saber, se o repatriamento dos lucros tem tido aumento significativo. Esta medida não é encontrada no PIB.
Aparentemente não. Os lucros não tem sido repatriados.
O que me parece é que os governos dos paises de origem não tem tido a ‘arte e o engenho’ de atrair o repatriamento dos lucros. Parece-me que os lucros repatriados são tributados, com excepção dos paises aonde haja acordo de dupla tributação (curiosamente quase exclusivamente ‘ocidentais’). Ora, os lucros tem ido para os paraisos fiscais ou reinvestidos nos mercados emergentes, e os paises como Portugal e a UE à excepção da Inglaterra, não sabem lidar com este fenómeno.
Deviam pois isentar de impostos o repatriamento de lucros que tenham origem nos paises emergentes. A injecção de capital seria fantástica.
E portanto, mesmo tendo os PIB’s em declinio os efeitos sobre a economia seriam minorados com o influxo dos lucros no exterior. Esse acréscimo de liquidez potenciaria novamente o investimento nos paises de origem… em novos sectores – o investimento no futuro – , o espaço, o mar, energia, bem como na I&D.
RB
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É que, ao que sabemos, a China ultrapassou o Japão em termos de pIB, precisamente numa altura em que o investimento Japones na China atingiu o record histórico.
O Japão precisa de mão-de-obra e não está disponivel a integrar imigrantes no seu país.
Não tardará muito e o japão terá ‘recolonizado’ a china novamente, agora em termos economicos, mais tarde de outras formas…
A isto não é estranho um certo afastamento do Japão aos EUA, prescindindo até da mitica base militar.
O Japão está a reorientar a estratégia comercial. Dentro de pouco tempo teremos um Japão novamente com superpotencia economica na Asia senão em PIB, pelo menos em investimentos nos paises circundantes (china e coreia) – o que vai dar ao mesmo.
RB
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@23,
pois, mas se o Japão investe em países visinhos, é o PIP desses países que aumenta e não o PIB japonês… é por isso, não só mas também, que a economia japonesa está a ser ultrapassada pela chinesa.
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1º
Toda a notícia se resuma neste parágrafo:
“Ainda que a distância do PIB per capita dos dois países seja enorme (o japonês, de US$ 40 mil, é quase dez vezes maior que o chinês), a vantagem de Pequim é um marco — ainda mais levando em conta a rivalidade histórica entre as duas nações — e algo impensável há 20 anos.”
2º
Eu dou importância á parte do “Ainda que a distância do PIB per capita dos dois países seja enorme (o japonês, de US$ 40 mil, é quase dez vezes maior que o chinês)”.
3º
Há quem dê importância à parte do “a vantagem de Pequim é um marco — ainda mais levando em conta a rivalidade histórica entre as duas nações — e algo impensável há 20 anos”.
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Caro Trinta e Três, #14,
O seu raciocínio enferma do vício de confundir a “fotografia” com o “filme” ou, em economês/econometrês, com dados cross-section versus timeseries.
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«É a própria globalização que leva a que haja crescimento na China e estagnação na Europa»
Uhm… então qual é a razão que toda a África (não produtora de petróleo) seja o que é?
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« Os períodos de maior crescimento em Portugal, corresponderam aos períodos da especulação imobiliária e financeira que, como se vê, pouco ou nada teve que ver com desenvolvimento.»
Está enganado, caro Trinta e Três, está enganado. Os períodos de maior crescimento sustentado em Portugal arrancam na década de 50 e têm o seu auge na década de 60. De então para cá, como Medina Carreira mostra de cada vez que vai à televisão, tem sido sempre a descer, mesmo com bolhas imobiliárias e/ou mobiliárias.
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Eduardo:
É evidente que me referia a períodos mais recentes. No entanto, se quiser usar o exemplo do período dos anos 60, faça lá as contas ao “desenvolvimento”, retirando as remessas dos emigrantes (penso que estamos de acordo que, na maior parte dos casos, se emigraram foi por não conseguirem, cá, as condições mínimas de subsistência). Mas, se quiser ter um retrato do que sempre foi a economia portuguesa, aconselho a célebre caricatura de Oliveira Martins (hoje muito citada), a propósito de Portugal: “uma granja e um banco”. Mesmo no mítico período das descobertas, a riqueza pouco ou nada se traduziu na melhoria das condições de vida da maioria da população, nem na modernização da sua estrutura produtiva- “uma granja e um banco”. Como era grande o “crescimento” da altura- o desenvolvimento é que não.
Hoje, a “granja” tem apoios da PAC, ou está em turismo de habitação. O banco continua. A falta de desenvolvimento, também.
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A economia não é uma corrida para ver quem fica em primeiro. Se Portugal for a trilionésima economia do orbe e tiver o melhor nível de distribuição de riqueza, o sistema económio português é justo. Se for – como a China e o Brasil… – um dos primeiros mas tiver uma concentração de rendimentos despudorada, o sistema económico é mau, a despeito do posicionamento do país no ranking. Titanic seria um processo que, seguindo a sua lógica, desse à posição dos países europeus o papel fulcral, e inobservasse a necessidade de cumprir uma repartição adequada da riqueza produzida. Isso constituiria uma degradação profunda da vida dos europeus, e seria um naufrágio social.
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