“o colapso iminente do estado social”
14 Setembro, 2010
É sempre uma alegria encontrarmos alguém a pensar como nós e a dizer coisas que podíamos ter dito. Na verdade, alertar para “o colapso iminente do Estado Social”, dizer que “o Estado Social encontrou o seu limite”, ou insistir na necessidade do sector artístico “minimizar a dependência em relação ao Estado” são juízos de realidade, da mais elementar sensatez, que qualquer liberal subscreveria sem dificuldade. Parabéns, pois, à Ministra Gabriela Canavilhas, que sugiro seja convidada a escrever no Blasfémias, na primeira oportunidade.
9 comentários
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Muito levemente, sobre “a matéria” :
O colapso do estado da cultura advém, mais do que possam deduzir, também da incultura, ignorância e laxismo da maioria dos portugueses. Não ambicionam, não desejam, não questionam, não exigem. Falta-lhes mundo e contemporaneidade, e nem sempre conhecem –nem aspiram conhecer– o reduzido mundo local e regional. Desinteressam-se por perceber e entender o mundo para além de “fronteiras” edificadas pelo laxismo.
Esse colapso acentuou-se com incontrolados financiamentos a autores quase permanentemente subsídio-dependentes por deferências especiais e amiguismos, e a espaços indevidamente estruturados (que programação, qual a localização, para que estratos sociais ?) igualmente activados ano-após-ano sem que alguém questionasse a qualidade do produto, os níveis de público e o destino dos subsídios.
Após décadas de plena “rédea solta” subsidiadora, hoje –e na próxima década– será impossível criar públicos para “sustentarem” produções e autores.
Sem “estado social”, surgirá uma época desesperada, inactiva, cerceadora de criatividades.
O Estado tem dinheiro suficiente para garantir “a actividade cultural nuclear do país”. Para tal, terá de saber aplicar correctamente investimentos(!) e não unicamente subsídios ! — se é que algum governo quer investir ou saberá investir, a sério, na cultura…
Não há, neste momento e nos próximos anos, “formas alternativas de financiamento do sector”. O “sector” nunca quis verdadeiramente trabalhar e consolidar a hipótese alternativa ao subsídio. Preferiu a inércia e “os seus” no Ministério da Cultura e na DGeral das Artes…
O “sistema”, partidário e outros, os lobbys, se aflitos pelo subsídio reduzido ou não concedido, devoram, se necessário, um director-geral, um ministro… Ou, pelo menos, sentam-no à mesa, com dia marcado, para “dialogar”…
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“Sem “estado social”, surgirá uma época desesperada, inactiva, cerceadora de criatividades.”
Ena! a arte e a criatividade começaram no alto Séc. XX. Antes disso foi um deserto…as coisas que aprendemos…
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Há quem ache razoável ter emprego para toda a vida, sempre a progredir, sem avaliação.Não são só os artistas, ou antes, há outros “artistas” que pensam assim.
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Lucklucky,
Se v. tivesse querido completar no seu #, todo esse parágrafo; se não olvidasse tudo o que escrevi antes e depois desse parágrafo, talvez evitasse esse comentário.
Alguma da melhor cultura criada no Séc. XX e já neste século, não precisou de subsídios.
(Não tome os outros por parvos).
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Já há quem pense assim:http://estrolabio.blogspot.com/2010/08/os-professores-sao-joguetes-nas-maos-do.html
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Quando se associa uma concepção finançolátrica do liberalismo – muitas formas tem o salazarismo orçamental de se expressar… – a um filistinismo bruto típico da elite de Direita em Portugal, textos deste jaez são inevitáveis…
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Lucklucky, a arte dos séculos passados fez-se à conta de mecenas narcisistas que invariavelmente impunham que os produtos culturais os laudassem e/ou de condições ignominiosas de privação dos artistas. Qual prefere?
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“invariavelmente impunham que os produtos culturais os laudassem e/ou de condições ignominiosas de privação dos artistas”
AHAHAHAHAHA, a propaganda vai passando…
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Unreal, está porventura a negar que foi esse o modelo de financiamento das artes durante a esmagadora parte da História?!
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