Passos Coelho quer privatizar a RTP?
15 Setembro, 2010
No blog do governo chama-se à atenção para um dos pontos positivos da proposta de revisão constitucional de Passos Coelho:
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O PSD não o afirma explicitamente, mas este projecto — tal como o anterior (agora apelidado de anteprojecto) já fazia — abre caminho para a privatização da RTP. Trata-se do artigo 38.º, n.º 6, que o PSD quer alterar no sentido de permitir que não existam meios de comunicação social públicos.
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Espero que se confirme e que isto não seja mais uma mentira que eles inventam.
21 comentários
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Privatizar a RTP2 e a Antena 2 será um erro.
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A constituição há muito que não exige uma “empresa pública de televisão”, mas apenas “um serviço público de televisão” (que o blog citado parece não ser capaz de distinguir, a este e a outros propósitos), o que não é o mesmo.
O projecto do PSD não altera esta exigência de um serviço público de rádio e televisão (n.º 5 do mesmo artigo: “5. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão”).
As alterações ao n.º 6 (acrescenta-se a expressão “quando exista” a seguir a “sector público”) pouco acrescentam à situação actual, tendo apenas um papel clarificador.
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Bom de mais para ser verdade.
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Privatizar o mais depressa possível.
Aquilo é um sorvedouro de impostos.
A RTP é boa para alguns priveligiados que lá ganham muito dinheiro a troco de tretas e alguns nem trabalhar trabalham!
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Perspectivas de voto, presentemente:
a) Se Passos Coelho assegurar a privação da RTP: votar PPC.
Quanto ao projecto de revisão da CRP, parece destinado a fazer por deixar tudo na mesma:
Onde estão as listas de deputados, eleitos nominalmente pelos eleitores, isto é, não mandatários do Secretário Geral do Partido, mas dos eleitores?
Onde está a oportunidade, para acabar com o híbrido semi presidencial?
b) Agoniado por 30 anos a votar PS, com uma deriva para o BE, talvez votar PC. A ver se alguém se assusta. E começa a levar isto a sério.
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Perfeitamente de acordo como Anti Socialista.
Agora a RTP1, já!!!
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Perfeitamente de acordo com o Anti Socialista.
Agora a RTP1, privatizar já!
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O único canal público que admito é o “AR-tv”.
O Rodrigues dos Santos até podia ir para lá piscar o olho.
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A RTP1 deve ser privatizada. Infelizmente, neste momento nada a distingue dos canais privados, e sendo um sorvedouro de dinheiro públicos, para quê continuar a ser propriedade do Estado?
No entanto, dever-se-á garantir a existência de um canal de televisão e de um ou dois canais de rádio com uma programação de cariz cultural, para servir de contrapeso ao lixo que inunda a SIC, a TVI, a RTP1 e a maior parte das nossas rádios.
A RTP2, neste momento, consegue cerca de 5% de share, nada mau tendo em conta que vivemos num país de analfabetos e burgessos. E tem a melhor programação dos 4 canais generalistas.
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A alternativa a RTP pública só deveria ser o fecho puro e duro.
Privatizá-la é criar mais um canal de novelas e júlias pinheiro.
Não precisamos de tantas.
Só tenho pena é ficarmos sem o Prós e Prós.
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Por bom preço privatiza-se, se for mau preço fecha-se.
E que raio está um Serviço Publico a fazer na Constituição?
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ontem já era tarde,que seja o mais rápido possivel,para acabar com aquele covil
de inuteis, aquilo é um poço sem fundo,não há dinheiro que satisfaça aquela chularia.
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Pensando melhor era mesmo fechar.Era um profundo golpe no provincianismo local
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…
Só é pena não fechar todas…
Nuno
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A RTP não presta serviço público logo não tem razão de existir.
Alguém falou de Prós e Contras?
Uma apresentadora escandalosamente tendenciosa e uma escolha de convidados para inquinar opiniões que deveriam ser plurais e que o são apenas travestidas.
http://saudeeportugal.blogspot.com
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Espero que assegurem apenas a existência de uma TV como a RTP2 (neste caso, com programação mais enlatada) e uma rádio como a Antena 2. De resto, os nossos media são iguais ou piores que o sector privado, mas usam os dinheiros públicos para pagar salários milionários a apresentadores e actores medíocres. Podem fechar.
Mas isso não acontecerá enquanto forem a principal central de Propaganda Socialista&tm;, que até lhes sai de graça, pois é paga com o dinheiro de todos nós (e que poderia ser usado com vantagem imensa na construção de uma gigantesca prisão para a cáfila xuxalista).
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Isso Nuno, que se fechem todas. Mais, que se feche o próprio país, todo ele é prejuízo. Pensar o que deve ser um serviço público de televisão, como deve ser regido, que importância tem para a sociedade democratica parece não merecer meditação e discussão alargada. Não dá dinheiro…feche-se é a conclusão. Tudo na nossa sociedade tem que dar o vil metal pois é claro. A Assembleia da República dá prejuízo? Privatize-se, melhor dizendo, feche-se.
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Mau Mau Maria,
Ao contrário da Assembleia da República, que é um órgão de representação política, e que por isso não pode ser assegurado senão pela colectividade, os meios de comunicação são mais eficientemente concretizados pelo sector privado. basta comparar os orçamentos da SIC ou da TVI com os da RTP, e mesmo, dentro da RTP, o exíguo pecúnio que é alocado para a RTP2, que faz serviço público, em comparação com a RTP1, que faz TV comercial com o dinheiro de todos nós.
<br/≳
Defendo pessoalmente a continuação nos moldes presentes da RTP2 (com produção nacional e enlatados) e da Antena 2. Mais, acho que deveria ser criado uma TV3, de programação eminentemente cultural, com produções dos PALOP, de Timor, da União Indiana e do Brasil— evidentemente documentários, filmes documentais, teatro e produções culturais na língua de Camões ou versando temas que nos interessam directamente. E deveríamos ter uma rádio e uma TV dedicada ao debate e ao ensino, com palestras e conteúdos das universidades diversas de língua portuguesa, ensinando tanto a falar japonês como a soldar ou a ler os clássicos.
Não creio que ficaria caro, e seria de qualquer modo um investimento para o futuro. Povo culto é povo produtivo, desde que a cultura apoie uma ética de trabalho e de iniciativa. Envergonha-me que até que apareceu a Nova Filarmonia, só se ouvia Vianna da Mota se obtivéssemos gravações da Orquestra Sinfónica de Budapeste.
E sinceramente, é melhor gastar dinheiro a elevar as mentalidades— com obras que melhoram, inspiram e abrem a mente— do que ter um actor fabuloso (vejam-no em papéis dramáticos) a fazer de eterno palhaço apresentando O Preço Certo— com o meu dinheiro.
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Francisco Colaço
Dou-lhe os parabéns, aquilo que acaba de escrever já é pensar o serviço público de televisão. É esta a discussão que se exige e que deve ser feita e não limitarmo-nos à demagogia barata e analfabeta relacionada com os custos do erário público e as privatizações de tudo aquilo que ainda nos resta e que pode ser sempre melhorado se defendido e pensado pela sociedade portuguesa. Há que não sermos tão superficiais nas nossas discussões. Há muito por dizer sobre o que deve ser o Serviço Público de Televisão e a importância que ele deve assumir já para não falar nas questões estratégicas dos interesses de autonomia do país e da sua cultura.
O tipo de produção de televisão que o Francisco Colaço defende e quer ver não é rentável aos canais privados e como sabe esse tipo de produto não existe ali mas o Estado tem a obrigação de investir nele se quer ver o nível de qualidade da sua população enriquecer. Continuo a acreditar que o desenvolvimento e a riqueza de um país só pode acontecer com uma população educada, culta e civilizada.
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Recentemente o PSD tornou pública a sua proposta de alteração à Constituição da República. Muitas vozes se levantaram em relação a um tema que é tabu na nossa sociedade: a privatização da RTP, ou a não existência de meios de comunicação social do Estado. Em vez de olhar para a proposta com preconceitos, vale a pena reflectir um pouco.
No início do séc XIX começou a luta pela liberdade de imprensa, pelo facto de esta servir para contrariar o despotismo dos governos. A imprensa era um meio de fiscalização dos que detinham o poder. Os maiores defensores de uma imprensa livre diziam que ela ajudava a “controlar a auto-preferência habitual de quem governa” e obrigava os poderosos a respeitar e servir o povo.
Estas linhas mestras desaconselham que haja meios de comunicação social tutelados pelo governo. Senão, que é feito da opinião livre que pode fiscalizar o governo? Temos a liberdade de imprensa como dado adquirido em Portugal (desde 25/04/74), mas o facto é que existe auto-censura. São os próprios jornalistas que se censuram a si próprios. A (in)consciência diz-lhes que há muito em jogo: a reputação, a família, o emprego ou o processo judicial iminente. Essa auto-censura obriga-os amiúde a pensar duas vezes.
O dever dos governos é zelar pelo interesse comum, mas o facto é que esse papel tem cabido mais à imprensa. Ela reprova incompetentes, déspotas ou tiranos que tentam asfixiar ou fugir à opinião pública. A imprensa livre expõe publicamente os abusos do poder político. Ao contrário, sabemos como a imprensa que depende do governo pode ser usada como veículo de propaganda de interesses político-partidários que procuram influenciar a opinião pública.
Outra questão que se tem levantado também, é a do princípio da universalidade subjacente ao serviço público. O famoso princípio de que os canais de rádio e TV devem transmitir programas que abranjam uma vasta audiência e satisfaçam todos os gostos. Tem a RTP seguido esse princípio? Ou será que temos hoje uma TV pública que apenas tenta concorrer com as privadas, esbanjando o dinheiro dos nossos impostos.
Se querem manter uma TV do Estado, talvez seja melhor enveredar pelo caminho já sugerido por alguns: TV sem publicidade. Isto porque o que temos visto são os efeitos decadentes que tem o poder da publicidade sobre os programas de TV. A publicidade comercializa a estrutura e o conteúdo dos programas. O êxito é medido em termos de rendimentos publicitários e níveis de audiência.
Isto faz com que aumente o lixo televisivo: programas em que se transformam casos judiciais em peças barrocas de TV; novelas e séries cheias de cenas de sexo, adultério, traição e crime; Reality Shows onde abunda a devassa. E assim sendo perde-se o espaço para programas pedagógicos, cultura nacional, documentários sobre história… enfim, o tal princípio da universalidade.
O que se quer numa TV pública? É um canal que cultive a indústria de massas que produz ilusões e faz prevalecer a satisfação expressa em banalidades, reinar o pseudo-individualismo e encorajar as pessoas a não pensar em termos críticos acerca de coisa nenhuma? Queremos um canal que lute por audiências oferecendo programas de diversidade insuficiente, que duplique inutilmente tipos de programas? (Novelas, Reality Shows…).
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A todos, cordiais saudações.
Antes de mais , uma pública declaração de interesses…
…sou jornalista e, trabalho no serviço público de rádiodifusão.-Isto é , faço parte dos quadros da RTP, mais concretamente da rádio, antiga RDP, faz já vinte e três anos.
Posto isto…
…devo afirmar que sempre acreditei e, continuo a acreditar no Serviço Público. Seja este de Saúde,
Justiça, Educação, Segurança Social, Defesa, Policia, Proteção Civil, etc, etc.. – Óbviamente, também de Rádio e Televisão.
Em abono dos que possam estar a iniciar um processo de intenção, desde já informo não ter qualquer filiação ou simpatia partidária. -Sou isso sim, um antigo/eterno estudante de Coimbra, ferrenho da Académica (-Não faço informação desportiva!), escuteiro e ,tenente miliciano de infantaria na reserva.
Informação, comunicação social, midia, são termos que todos utilizamos como sinónimos, mas que
a bom rigor, o não são!- Hoje em dia com agências de comunicação e similares , com o predomínio dos grupos económicos sobre os midia, nem toda a comunicação social visa a informação , nem esta, bastas vezes cumpre o interesse público, no sentido mais nobre do que é , de facto informar.
A necessidade de meios independentes dos interesses ( quaisquer que eles sejam) , é um principio obrigatório, um verdadeiro “não poder deixar de ser”! – Assim como são as Forças de Segurança, que devem ser o garante da nossa tranquilidade ( -e não uma qualquer companhia privada), também o mesmo acontece no campo da informação/comunicação social. -Sobretudo num meio capaz de influenciar decisivamente a propria sociedade, como o audiovisual.
Longe de mim, pretender que só um meio público é capaz de isenção ou rigor…não, tal não seria verdadeiro.-Mas é precisamente porque ele existe que , serve de referencial , de estímulo aos restantes.
Assim é e, se deve entender a existência do serviço público de rádio e televisão. -Assim se entende que em todas as sociedades democráticas exista este serviço, mesmo nos Estados Unidos, onde as grandes corporações privadas , numa perspectiva de negócio, se substituem à “coisa pública”.-Nas sociedades totalitárias o serviço público não serve de exemplo, pois não é aquí ,mais do que uma agência de propaganda às ordens do regime que serve e, não do superior “interesse público”.
Por tudo isto , melhor andaria a discussão se, em vêz de privatização se falasse de desgovernamentalização da RTP… se não fosse o governo a nomear o conselho de administração, mas sim este a ser eleito por um conselho geral integrado pelas instituições da sociedade civil (sindicatos, partidos politicos, universidades, federações desportivas, etc.)…se os cargos directivos e chefias fossem cooptados internamente através de concurso+exame /público, presidido por júri independente e, com a opinião/aprovação dos conselhos respectivos(redacção, programas,etc.).
Para quem ache que não passo de um utópico, devo informar que, se de algo posso ser acusado, é de falta de originalidade!-É que o modelo já existe…dá pelo nome de BBC!(basta copiar…assim haja coragem).
Cumprimentos
Joaquim Reis
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