Portugal ao Fundo…
25 Setembro, 2010
Manuel Alegre pediu aos portugueses para “acreditarem em Portugal e lutarem contra a descrença”. Este apelo, em tom simultaneamente épico e poético – proclamado, provavelmente, com a grave e patriótica voz característica do candidato – impressionou-me. Tanto quanto uma das cenas mais pungentes do “Titanic” (filme): aquela em que o navio se afunda, os passageiros da 3ª classe, irremediavelmente presos à sua condição plebeia, afogam-se e a orquestra, impávida e serena, toca! Para aqueles músicos, a realidade estava já irremediavelmente perdida. ( texto completo, aqui)
* (Grande Porto, ed. 24.09.10)

O pior é o prestígio de que a Chantagem e a Venda de Farturas goza entre a população.
GostarGostar
Entretanto, uma sondagem “Marktest” dá:
Cerca de 70% a Cavaco;
22% a MAlegre.
É a sondagem que valores mais elevados dá a Cavco.
Mas nas últimas presidenciais, acertou quase até à décima nos resultados oficiais.
GostarGostar
…
Parece ser impossível expor melhor o surrealismo que se está a viver em Portugal.
Resta-me acrescentar que o Povo inteiro está a deixar-se arrastar para o fundo de águas gélidas sem ninguém – eu próprio… – mexer uma palha.
É o absurdo em toda a sua plenitude!
Nuno
GostarGostar
Pode crer Nuno.
Quem tenha o mínimo de consciência e se mantenha informado é como sentir o abismo e a queda no vazio e não ter força sequer para estender a mão para agarrar a qualquer coisa sabendo que as paredes do abismo são completamente lisas.
Será um sonho?
GostarGostar
A República está a fazer 100 anos.
As figuras da III.ª (de longe a melhor das três que tivemos, reconheço) afanam-se em comemorar a dita, sem perceberem bem, sequer, o que estão a festejar.
Talvez fosse mais apropriado, elaborarem um pedido formal de desculpas ao Povo Português por: todos os anos de atraso; 52 anos de Ditaduras várias; crises financeiras constantes; duas guerras (a 1.ª Mundial e a Colonial) que ceifaram a vida a mais de 16 mil Portugueses; a demagogia permanente ; a emigração de tantos compatriotas nossos, que abandonaram a Pátria, para escaparem à miséria.
GostarGostar
As Tias da S. Caetano
Uma tia burra passa para o caderno o que a professora escreve no quadro,
mas quando a professora apaga ela apaga também.
Uma tia inteligente não passa, porque já sabe que a professora vai apagar.
GostarGostar
Desenterrem o Buiça!
J. M.ª Abundância no Presépio
GostarGostar
O Alegre é, afinal, uma “tristeza” igual a tantas outras que vão “alegrando” este nosso quotidiano, de pantominas, números de trapézio, saltos mortais à retaguarda, etc., etc…
Enfim, o “Circo”, está na cidade, aliás, nunca a terá deixado…
GostarGostar
O post é injusto.
Manuel Alegre só agora é que começou a fazer este apelo.
Cavaco Silva anda a fazê-lo há anos!
GostarGostar
Ó António Lemos Soares, isso é verdade. Consta que durante a Monarquia acontecia o inverso: O resto do mundo é que emigrava para cá e tiveram mesmo de fechar as fronteiras. Miséria, aqui? E nunca se ouviu falar em crises financeiras. Nas cortes, a única coisa que se discutia era a métrica dos versos do Guerra Junqueiro. E os estrangeiros que cá vinham, só diziam maravilhas do país. Éramos referenciados como um exemplo para o resto do mundo. Guerras em Portugal, incluindo guerras civis sangrentas? Nunca. Isso acontecia um bocado para lá de Arroios, em território que já não era Portugal.
GostarGostar
El Der
Se bem me lembro ele (Manel) começou a fazer esse apelo do patriotsmo e outros quejandos, em Angola e Argel. Ah grande patriota!?…
GostarGostar
Ó Ricardo:
Eu percebo o que diz, mas, repare: quem prometeu a FELICIDADE para todos, não foi a Monarquia! A República esqueceu-se de dizer foi que, a FELICIDADE, era só para os republicanos e do partido do Afonso Costa!
Sobre os seus comentários, digo:
«Emigração». Nunca a emigração foi tão elevada em Portugal, como no tempo da I.ª república. Imigração houve em Portugal, mas no tempo da Monarquia. Nem falo do tempo dos Descobrimentos, mas recorde, apenas, os milhares de galegos que vieram trabalhar para Portugal, sobretudo no século XIX!
«Miséria». É evidente que existia e muita, no tempo da Monarquia. Mesmo assim, o Rei D. Manuel II respeitou sempre os sindicatos e encetou contactos com um dos seus líderes, Azedo Gneco, para a criação de um Partido Social-Democrata ou Trabalhista. Afonso Costa, pelo contrário, ganhou o «poético» epíteto de «racha-sindicalistas» e Salazar nutria, como é sabido, uma profunda «simpatia» pela classe operária.
«Crises Financeiras». Houve imensas no tempo da Monarquia: foram provocadas no último Quartel do século XIX, sobretudo, pelo endividamento das políticas de «Fomento», do Fontismo . Felizmente, como deve ter lido nos jornais dos últimos dias, hoje nada se parece a isto … Graças a Deus!
«Cortes». Não quer, por acaso, comparar o nível dos debates parlamentares das Cortes do século XIX e mesmo XX, com o nível dos que ocorrem, na actualidade, na Assembleia da República, pois não? Sabia que acorriam a Lisboa centenas de pessoas, só para ouvir os discursos de José Estevão de Magalhães ou de Garrett?
«Estrangeiros que vinham a Portugal». Existem, de 1910, relatos para todos os gostos. Não tenho grande interesse por essas opiniões, pois não passam disso mesmo: opiniões. Dou-lhe um pequeno exemplo pessoal: certa vez, estive uma semana em Bruxelas e posso dizer, que fiquei com uma péssima opinião dos belgas.
«Exemplo para o Mundo». O país que «descobriu» metade do planeta; um dos primeiros países a ter representantes da ordem popular presentes em Cortes (Leiria-1254); um dos primeiros países, a acabar com a pena de morte; um dos primeiros países, a defender a abolição total da escravatura (Palmela no Congresso de Viena de 1815); o único país que respeitou a integridade cultural dos índios na América (D. João VI aboliu a escravatura índia, assim que chegou ao Brasil; etc., etc.
«Guerras». Muitas ou poucas?
«Arroios não é Portugal». Quem andou a apregoar que Portugal era «do Minho até Timor», durante décadas de Ditadura republicana, não foi qualquer Rei de Portugal. Não quererá, de novo, comparar a dimensão do território nacional em 1910, com aquela que tem actualmente, pois não?
GostarGostar
El Der
Posted 25 Setembro, 2010 at 13:22 | Permalink
O post é injusto.
Manuel Alegre só agora é que começou a fazer este apelo.
Cavaco Silva anda a fazê-lo há anos!
________
Chegou-lhe tarde e a más horas. De Rádio Argel o
que vinham eram as informações aos turras
da localização das tropas Portuguesas em combate . . .
GostarGostar
Lemos Soares, a monarquia era tão boa ou tão má que caiu de podre. Bastou meia dúzia de gajos com tomates, malfeitores ou não, para aquilo se esfarelar. Nenhum daqueles poltrões engomadinhos da monarquia se mexeu. O povo, então, não mexeu um dedo, tal a sua devoção pela monarquia. Desprezo, com desprezo se paga. É que Portugal, de facto, não era de Minho a Timor, era de São Bento ao Terreiro do Paço. “Aquilo” merecia sobreviver? Para quê e qual a vantagem? As guerras a que eu fiz referência, foram várias. Fiquemo-nos pelo século XIX, e a guerra civil, que dividiu o País, com bandoleiros ao serviço das duas facções, patrocinados por suas magestades. Quanto à qualidade da vida parlamentar no Séc. XIX, por junto só tem o José Estevão e o Garett? Claro, que a média estava mesmo ao nível do Conde de Abranhos. Era esse o padrão diário, e se quiser confirmar tem os registos.
GostarGostar
Nunca o Povo Português foi ouvido sobre a questão da forma de regime vigente.
Nem a I.ª, nem a II.ª, nem a III.ª Repúblicas, se dignaram a consultar, directamente, o titular da soberania, acerca de uma matéria de tanto relevo como esta. A I.ª e a II.ª eram tudo menos democráticas e compreende-se, por isso, o «esquecimento». Agora, a III.ª, que é a única que conseguiu impor um regime político com plenas garantias de liberdade e de democracia, tinha a obrigação moral de o fazer.
Se eu fosse republicano e estivesse a «comemorar» o 5 de Outubro de 1910, seria o primeiro a propor uma consulta deste tipo, que já foi feita em inúmeros países do mundo.
GostarGostar
Eu sei. Como já disse atrás, o Povo em 1910 defendeu de armas e dentes a monarquia. Porque o que o Povo queria mesmo era a monarquia. Desceram a Lisboa aos magotes com arcabuzes, desde trás os montes ao algarve. O Povo e os valorosos aristocratas e funcionários da coisa . E tem razão: A Inglaterra, a Dinamarca, a Bélgica, a Espanha, a Suécia, a Noruega, a Tailândia, (ufa) todos fizeram referendos sobre a sua monarquia. Os monárquicos lembram-se dos referendos quando o regime é a república, não é? “Inúmeros”, deve ser para aí 154 países. Mas aposto que o seu “inúmeros” são para aí dois ou três. Está a referir-se àquele referendo imposto ao desgraçadinho do rei Humberto,em Itália?
GostarGostar
Ricardo:
Lista dos inúmeros países que já referendaram esta questão:
Itália: venceu a República com fortíssimas suspeitas de fraude eleitoral.
Austrália: venceu a Monarquia.
Grécia: venceu a República.
Holanda: venceu a Monarquia.
Espanha: A constituição espanhola referendada em 1978, explicitava a forma de regime que propunha aos espanhóis. Venceu a Monarquia, pois a constituição foi aceite por quase 90% dos eleitores.
Brasil: venceu a República.
Noruega: quando o país se tornou independente da Suécia, realizaram-se dois plebiscitos: um para saber qual a forma de regime que o povo queria; outro, para determinar, já que a Monarquia venceu por ampla maioria, quem seria o Rei.
Como se vê, trata-se de uma matéria altamente discutida e sujeita a inúmeros plebiscitos pelo mundo. Só duas notas: qualquer dos países que referi de memória, pode, quando assim o entender, voltar a suscitar a questão da forma de regime (a nossa «iluminada» república, dde 1910, é que pensa estar a proibir a questão, através do art. 288-1-b da CRP., o que, a meu ver, nem sequer faz…!); a lista dos países que referi e que optaram por viver em Monarquia, permite perceber bem, a «desgraça» que lhes aconteceu a eles e a «virtude» que a graça divina nos concedeu a nós, em 1910: muitas vezes penso na «infelicidade extrema» de australianos; holandeses; espanhóis e noruegueses quando escolheram a Monarquia e na «sorte» que nós tivemos, no 5 de Outubro de 1910 e com Salazar durante 36 anos, por nunca nos terem deixado decidir o que pretendiamos.
Refere que a população não defendeu a Monarquia como se esperava em 1910. É verdade.
No entanto, se observar as fotografias que há da proclamação da República (não as imagens falsificadas dos livrinhos de História da I.ª e da II.ª Repúblicas), perceberá a «adesão entusiástica» de umas dezenas de membros da carbonária, que esfregavam as mãos de contentes, por lhes ter saído o prémio, dos lugares mais proeminentes do Estado.
GostarGostar
António, Itália e Grécia não contam. A monarquia, como sabe, não aceitou ir aí a referendo, simplesmente “referendaram-nos” e correram com eles, com fraude, ou sem fraude.
Se vem com a Constituinte de Espanha, então, temos que em Portugal, em 1975, o povo português escolheu a República, pois foram partidos republicanos os escolhidos para estabelecer o regime. Quisesse o povo português outro regime, e teria votado em massa no PPM, ou formado um outro qualquer partido ou movimento monárquico.
Restam quantos? Acho que os seus “inúmeros” ficam resumidos a muito pouco. Monarquias, há muitas pelo mundo. Mas fiquemo-nos pela Europa. O que acha do facto de nunca a Inglaterra, a Dinamarca, a Suécia, o Luxemburgo, terem levado os seus regimes a referendo?
Como sabe, monarquias há muitas e variadas. É um lugar comum dizer-se que os países mais avançados da Europa são monarquias. Ora, ninguém garante, que em vez de uma monarquia à norueguesa, nos saísse uma monarquia como as que havia nos balcãs, ou na Itália, em que os reis ou eram eram fantoches de quem efectivamente detinha o poder, ou eram simplesmente incompetentes. Portanto, a monaqruia não é garantia de nada.
Quanto aos carbonários… mas eu nunca aqui disse que gostava deles. O meu regime é o da “terceira” república, aquela saída do 25 de Abril. O que eu disse é que, de facto, nada faz supor que o povo português quisesse uma monarquia em 1910. Pelo contrário, esteve-se perfeitamente nas tintas. Que devia a imensa maioria da população à monarquia, diga-me lá?
GostarGostar