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uma decisão simples

29 Setembro, 2010
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Em democracia, a natureza das coisas é a alternância dos governos. Nada e nenhuma circunstância justificam a continuidade de um governo em funções, a não ser a legitimidade decorrente do sufrágio universal livre e não condicionado. A pressão, a ameaça, a chantagem e o temor não são valores nem sentimentos próprios da democracia, mas dos regimes totalitários. Os problemas resolvem-se e quando lhes falta capacidade de resolução, os governos devem ser substituídos por outros, e quanto antes melhor.

Por conseguinte, Pedro Passos Coelho tem agora uma ocasião de excelência para se afirmar como líder político, que lhe é oferecida por um orçamento e um governo que desrespeitaram todos os compromissos assumidos perante ele e o país. Deve reprovar o orçamento, provocar a queda do governo e assumir-se como alternativa para fazer melhor, o que não será particularmente difícil em função dos resultados desatrosos do actual governo. Menos do que isto significará viabilizar a continuidade do governo em funções e transmutar-se de líder da oposição em ministro sem pasta do governo socialista.

15 comentários leave one →
  1. LR's avatar
    29 Setembro, 2010 05:03

    Claro como água.

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  2. JCA's avatar
    JCA permalink
    29 Setembro, 2010 05:35

    .
    Pode dar jeito, mas essa do FMI parece mais outra história mal contada. Pelo que se ouve na rua e no café ninguém acredita no actual histerismo informativo, ninguém ‘passa cartão’.
    .
    Mas avancemos.
    Outras abordagens que poderão concorrer para o Entendimento, luz:
    .
    -The Left Right Paradigm is Over: Its You vs. Corporations
    http://www.ritholtz.com/blog/2010/09/you-vs-corporations/
    .
    -Blueprint for Clobal Gouvernance 2025 (pdf) (por volta do fim do actual ciclo Kondratieff)

    Click to access 2025_Global_Governance.pdf

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  3. AB's avatar
    29 Setembro, 2010 09:16

    Não há nada a esperar do engenheiro da treta que está claramente fora de prazo, nem do PS, que se transformou num grupo de capados.

    Mas a questão que se coloca não é saber se PPC consegue provocar a rutura necessária, mas se tem soluções para o pesadelo em que Portugal se transformou, para si mesmo e para a União Europeia.

    Infelizmente para o PSD, como demonstra o crescimento completamente descontrolado do défice das empresas do Estado e das autarquias, onde reside parte importante da derrapagem das contas públicas e os dois partidos partilham responsabilidades, parte do problema que terá de enfrentar prende -se com a necessidade urgente de desmantelar um aparelho criado para satisfazer as clientelas partidárias e que é tanto culpa do PS como sua.

    No fundo aquilo que se torna essencial, a par da a reforma da Justiça, não é o desmantelamento do Estado Social, mas a destruição do estado ao serviço dos aparelhos e clientelas partidárias.

    E isso seria cometer suicídio, porque talvez salvasse o País, mas liquidaria as estruturas partidárias do PS e do PSD, que estão na base do poder político central e local do pós 25 de Abril .

    A coisa está preta, mas não tão preta que torne inevitável o suicídio colectivo de toda uma classe de dirigentes que, irresponsavelmente, nos arrastaram para o buraco em que nos encontramos.

    Por isso e por vontade do povo, o mais provável é que todos os esforços sejam feitos para manter a navegar a pesada nau na qual corremos o risco de afundar.

    Todas as sondagens feitas nos últimos meses o anunciam, como mostram a passividade dum eleitorado que, perante as evidências não muda o sentido do voto e parece preferir continuar a acreditar que tudo acabará por se resolver.

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  4. Outside's avatar
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    29 Setembro, 2010 09:45

    Sócrates e os seus foram O PIOR que esta nação teve como governantes desde 74. (ponto)
    O que entristece e atormenta é que não será o “jovem” Ex-Jota, agora Delfim P.P.Coelho o político que este paìs necessita para sair deste buraco negro. (ponto)

    É sem qualquer espécie de dúvida o mal menor, o mal necessário…mas não o “vendam” como Messias, como político de carácter, sentido de dever e responsabilidade, sem compromissos À priori estabelecidos com os interesses ocultos. E assim nos adiamos porque na verdade não se vislumbra transversalmente em S. Bento e arredores quem detenha atributos MINÍMOS para o desempenho dessas funções.

    Não teêm medo nem vergonha.
    AI PORTUGAL PORTUGAL, DO QUE É QUE TU ESTÁ À ESPERA ?

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  5. Outside's avatar
    Outside permalink
    29 Setembro, 2010 09:45

    AI PORTUGAL PORTUGAL, DO QUE É QUE TU ESTÁS À ESPERA ?

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  6. A. F. F.'s avatar
    29 Setembro, 2010 10:57

    Meu caro Rui A.,

    Compreendo o ser argumento (bem como outros que já escreveu, simples e válido), contudo não posso deixar de notar que no actual quadro sócio-político português, PPC ou outro qualquer dirigente irá fazer o mesmo (à parte pequenas nuances, ora está!) que os outros já fizeram.

    Digamos que este vaticínio resulta do palpite de quem atentou à acção de vários de alguns governos. Se não lhe aprouver a intuição neste campo político e prefere factos, posso então dar-lhe o seguinte argumento; PPC convocou recentemente uma reunião com economistas para ouvir as suas opiniões sobre a actual crise e possíveis saídas; muito bem, aplaudir-se-ia, não fosse o facto de que ele convocou exactamente os mesmos de sempre; os co-responsáveis (alguns mesmo responsáveis) por a manutenção duma crise das instituições e desinteresse geral pela acção política consequente e competente que este País vive há tempos imemoriais (a julgar pelos testemunhos que relatam situações análogas de procedimento político em tempos anteriores mesmo à democracia; anyway, a cultura herda-se do passado, pelo que não pode ter surgido de outro momento).

    Precisamente esses economistas de “renome”, anteriores ministros[quantos artigos em revistas de economia com peer review já publicaram? a julgar pela importância que os jornalistas lhes dão, dir-se-a “plenty!”], foram convocados pelo promissor PPC. Os jovens economistas de mérito que recentemente se destacaram lá fora e que poderiam dar um contributo real não foram convocados. Ora bem, e porquê? Talvez porque esses não se limitassem a dizer banalidades como “cortar despesa”, “aumentar impostos”, como se o sucesso dum país resultasse apenas de instrumentos financeiros. O problema é o mais estrutural que poderíamos imaginar, hoje não tenho dúvidas.

    E andamos sempre nisto: o destaque sendo meramente o resultado de amizades ou “colagem” ao poder; dezenas de exemplos de pessoas que aparecem nos media sempre que é preciso ouvir o “economista”, o “cientista”, não porque são de facto parte da elite das respectivas áreas, mas por razões que Rui A. facilmente descortinará.

    Assim não vamos lá.

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  7. Paulo Morais's avatar
    Paulo Morais permalink
    29 Setembro, 2010 11:11

    Caro Rui,

    100% de acordo. Gostava de o ter pensado com tanta clareza, parabéns.

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  8. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    29 Setembro, 2010 11:23

    “Deve reprovar o orçamento, provocar a queda do governo e assumir-se como alternativa para fazer melhor, o que não será particularmente difícil em função dos resultados desatrosos do actual governo.” Quanto ao assumir-se como alternativa credível, concordo. O problema é que as eleições se ganham com votos. E o que me parece é que, se houvesse eleições, o que nem sequer é possível, provavelmente Sócrates ganharia de novo. E ganharia ainda mais facilmente se PPC não se limitasse a chumbar o Orçamento, mas fizesse um Orçamento alternativo, explicando onde reduziria as despesas. Mas não basta dizer o que dizem os “eminentes” economistas: “reduz-se a despesas nos desperdícios do Estado”. Banalidades destas toda a gente diz pelos cafés. Isto não é uma crítica a PPC. É a constatação de que, para nossa desgraça, tanto o Governo como a oposição, navegam, não só sem rumo, mas sem saberem as coordenadas.

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  9. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    29 Setembro, 2010 11:35

    “provavelmente Sócrates ganharia de novo”
    Se ganhar Sócrates as novas eleições é o risco da Política. Quer dizer que os Portugueses escolheram continuar no caminho . E a Oposição deve desligar-se desse caminho

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  10. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    29 Setembro, 2010 11:40

    Muito bem. É mesmo o que seria desejável.

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  11. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    29 Setembro, 2010 12:40

    A. F. F.,
    .
    Dando-lhe toda a razão, acrescentaria mais umas palavras às suas: Portugal é um navio à deriva porque o leme não funciona. Há que tratar do leme, mas existe um fogo a bordo. Enquanto o fogo não for extinto, a reparação do leme será impossível.
    .
    Portugal tem um problema estrutural e um problema orçamental. Este último de curto prazo, o primeiro intergeracional. Temos, por urgência, de tratar do problema orçamental ou não teremos navio sequer para tratar do problema estrutural.
    .
    E dizer-me-ão que o problema estrutural é mais importante. Concordo. mas o mais urgente neste momento é tratar do problema conjuntural.
    .
    Das receitas dos impostos, a dos meses de Janeiro e de boa parte de Fevereiro vão neste momento para o exterior. São os chamados juros, que pagamos por haver feito despesa anteriormente, deixando para o futuro o pagamento da mesma. Agora, somos chegados a pagar a dívida. Sabia pessoalmente que o dia do pagamento viria nos meus dias, embora julgasse que teria mais uma década de vacas gordas.
    .
    Refém e mantedor das clientelas, desejoso de deixar betão para ser lembrado, mentiroso compulsivo, agarrado ao poder, José Sócrates não mudará até que seja compelido a o fazer por compunção externa. Por mim, dava-se-lhe uma reforma de quatro mil euros, na condição de deixar o poder e nunca mais se candidatar. Era muito mais barato do que deixá-lo no poder.

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  12. A. F. F.'s avatar
    29 Setembro, 2010 14:26

    Caro Francisco Colaço,

    A sua analogia (com o navio) é correcta. Concordo com a sua divisão em problema estrutural e problema a curto-prazo (orçamental) e com o sentido prioritário que atribui a este último. Mas deixe-me dizer que precisamente eu não acredito que os que resolverem esse problema irão atacar o primeiro e o mais fundamental, se esses são os mesmos da cena política actual. Seria como acreditar no Pai Natal de novo; simplesmente não dá — chega um momento em que percebemos a natureza dos dois partidos políticos e de como se chega a ser secretário-geral. Não quero, evidentemente, com isto dizer que PPC é igual a Sócrates ou a outro qualquer; independentemente de quão menos “mau” (leia-se incompetente) ele possa ser, algumas das acções políticas (como a célebre reunião com economistas da velha guarda) que tem tido, denunciam que não será o capitão capaz de levar de novo as caravelas a bom rumo.

    Congratula-me no entanto que ainda existam pessoas como Rui A., V.exa. e outros que concordam comigo, não se limitando a um mero anti-PS[/PSD/anti-qualquer-fantasma-do-passado]ismo.

    Deixe-me então finalizar generalizando a sua observação,
    ” Por mim, dava-se-lhe uma reforma de quatro mil euros, na condição de deixar o poder e nunca mais se candidatar.”
    incluindo metade da função pública que tem cargos importantes no seio duma democracia.

    Cump.

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  13. CO's avatar
    29 Setembro, 2010 16:39

    A atracção pelo abismo é essa coisa irracional que nos atrai para a nossa própria perda – assim estão aqueles que vêm o cenário da bancarrota como uma oportunidade única para a redenção nacional

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  14. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    29 Setembro, 2010 16:42

    “aqueles que vêm o cenário da bancarrota como uma oportunidade única para a redenção nacional”
    Não é o meu caso. A minha única preocupação é que aqueles que provocaram esse cenário continuem a geri-lo…

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  15. A. F. F.'s avatar
    29 Setembro, 2010 19:06

    Caros CO e Rui A.,

    O cenário de bancarrota só pode ser “bom” se levar a uma mudança estrutural, em particular, da classe política. Veja-se o caso da Argentina, e.g. a indexação ao dóllar sem condições reais para tal—algum dia pagar-se-ia o preço de tentar manipular o mercado de tal maneira; esse dia chegou, foi mau?

    Portugal tem uma história pouco dada a flutuações bruscas, as pessoas habituaram-se a fazer sacrifícios e a exigir pouco. A bancarrota seria drástica para muitas famílias, com efeito, para mim e para muitos, mas deixe-me dizer-lhe que o cenário actual—ou seja, o de manutenção das coisas, por consecutivos governos, tirando algumas nuances, que aqui e acolá—levará a uma bancarrota profunda (mas mais tarde); é isso que se quer para as gerações seguintes? Seria, no mínimo, egoísta.

    Por isso, eu leio os post de Rui A. como uma certa esperança que novos políticos (PPC, por ex.) possam fazer de modo diferente, pelo menos, fazer de forma clara.

    PPC propôs alterações às leis que por aqui foram aplaudidas, mas quem acredita que tal irá concretizar-se se PPC chegar a ser 1º ministro? PPC é um pouco ingénuo, já se notou, pelo que terá muitas dificuldades em ser eloquente por esta Lisboa cheia de comodismo, sectarismo e muitos “ismos”.

    Não vejo “sinais” no sentido que ele seja um estadista à altura do que precisamos. Passarei a ter uma fé mais positiva quando ouvir de PPC mais precisão sobre assuntos, como a Educação e a Justiça. [Ambas as áreas têm problemas gravíssimos endémicos, raramente discutidos :: o caso da Universidade é exemplar nessa matéria; é muito raro ver denunciado os verdadeiros problemas; pergunto-me, o que se passa com as pessoas? não sabem ou não querem saber?.
    Ex: fala-se em fuga de cérebros, ninguém vai investigar porquê e como a conter. Para os jornalistas, seria fácil fazê-lo, mas para quê a maçada? É mais fácil comentar o último deslize político de A e B.
    Há tempos o jornal o Público publicou um artigo numa certa área científica; quando receberam comentários do único investigador português que publicou na área, até juntamente com um dos tipos de quem falavam, apontado há anos como potencial prémio Nobel, não obteve resposta. Lá fora (UK, etc.), o mesmo investigador, tinha jornalistas a questioná-lo sobre um dos artigos que havia publicado, enquanto cá é ignorado. Pergunta-se então, porquê. Porque há pouca cultura democrática e científica em Portugal. É mais fácil/conveniente pedir aos mesmos do costume, o tipo de serviço, o professor pardal, para escrever umas notas manhosas sobre um tópico, who cares? “By the way”, Mariano Gago foi dizer à academia estadunidense há dias que a política científica é um modelo por cá—confesso que fiquei de boca aberta. Estaria eu no País que pensava estar? Está tudo a ficar louco.]

    Cump.

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