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Conseguirá o romantismo sobreviver à crise

21 Outubro, 2010

As empresas de energia eólica têm vindo a cair nas bolsas. Menos encomendas, menores perspectivas futuras, preços garantidos em causa. Estavam sustentadas pela dívida pública e em taxas de juro de longo prazo mais baixas. Agora sofrem de custos financeiros mais elevados, os quais reflectem aquilo que já se sabia: o negócio, na sua actual dimensão, não é sustentável.

22 comentários leave one →
  1. henrique pereira dos santos's avatar
    henrique pereira dos santos permalink
    21 Outubro, 2010 13:52

    João Miranda,
    Qual a estranheza de um negócio de capital intensivo sofrer com a carência de capital? Isso não tem nada que ver com a sustentabilidade actual do negócio. Que há tarifas de feed in, com certeza. Que há apoio público, com certeza. Mas o que justifica isso não é a sustentabilidade actual do negócio mas sim a incerteza quanto à sustentabilidade futura do negócio das energias fósseis. Que, como sabe, ninguém pode prever (sendo certo que num momento de profunda dificuldade económica o petróleo teima em não descer dos 80 dólares, valor em torno do qual a eólica parece ser competitiva sem grandes apoios,ao que me dizem, que não sou especialista).
    Tem tanto por onde pegar, incluindo nas renováveis (como o absurdo da fotovoltaica comercial, o facto do tarifário estar mascarado e não ser totalmente passado para os consumidores, o excesso de alguns apoios à eólica, alguns delírios sobre a energia das ondas, etc.) que não percebo porque faz desta discussão um cavalo de batalha sem por uma única vez explicar como pretende resolver a volatilidade dos preços do petróleo, que é matéria em que tipicamente há falhas de mercado (não só porque o mercado da energia é muito pouco perfeito, como porque a alterações de preços são bruscas e instantâneas mas o desenvolvimento de alternativas é lento e incapaz de responder a variações bruscas de preço).
    henrique pereira dos santos

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  2. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    21 Outubro, 2010 14:16

    ««Qual a estranheza de um negócio de capital intensivo sofrer com a carência de capital? Isso não tem nada que ver com a sustentabilidade actual do negócio.»»
    .
    Falta de capital, ou incapacidade para o captar, não torna um negócio insustentável?
    .
    ««Mas o que justifica isso não é a sustentabilidade actual do negócio mas sim a incerteza quanto à sustentabilidade futura do negócio das energias fósseis.»»
    .
    A sustentabilidade de um negócio não está relacionada com a incerteza quanto à sustentabilidade dos concorrentes?
    .
    ««sem por uma única vez explicar como pretende resolver a volatilidade dos preços do petróleo»
    .
    Isso é fácil: deixe o mercado funcionar. Tudo é volátil neste mundo. Os mercados, e não a política, são a melhor forma de lidar com a volatilidade.
    .
    ««que é matéria em que tipicamente há falhas de mercado»»
    .
    O mundo está cheio de falhas. O mercado também. As falhas dos governos são maiores que as do mercado. Não resolvem falha nenhuma. Como se tem visto, só introduzem ainda mais falhas.

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  3. LMR's avatar
    21 Outubro, 2010 14:42

    Se o mundo acabar amanhã, todos os negócios deixam de ser sustentáveis, o que não implica a sua insustentabilidade geral. E isso da incerteza sobre a sustentabilidade dos outros fazer parte da nossa sustentabilidade é mesmo de antologia. Assim como a declaração de fé da passagem “As falhas dos governos são maiores que as do mercado”; não tem nem ideia do que o seu interlocutor está a falar, a propósito do mercado do petróleo, mas responde na mesma, com uma passagem de um credo. Rico pensamento sim senhor.

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  4. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    21 Outubro, 2010 15:12

    Caro LMR,

    Se o mundo acabasse amanhã, a maior parte dos negócios revelar-se-ia insustentável por desadequação do tempo de retorno do investimento. Incapacidade do investidor prever o futuro é a maior causa da insustentabilidade de um investimento.
    .
    É fácil de perceber porque é que a incerteza sobre a sustentabilidade dos outros é relevante para a sustentabilidade de um negócio. Imagine que o LMR abre um café. Para decidir o local onde o abre tem ou não em conta a qualidade dos cafés lá existentes?
    .
    Em relação à capacidade do Estado de corrigir o mercado na área da energia, é longa a lista de asneiras cometidas pelo Estado, desde oinvestimento público prematura em eólicas nos anos 70 e 80 até ao actual investimento na energia solar e das ondas (verdadeiros buracos que não serão rentáveis na escala em que os governos pretendem nos próximos 10, 20 ou 30 anos).

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  5. jo's avatar
    21 Outubro, 2010 15:24

    Desculpem a minha ignorância mas pensava que o actual mercado das energias fósseis também começou com apoio do Estado, pelo menos na destribuição e produção de energia eléctrica. Devemos fechar as redes de distribuição e as barragens e esperar que apareçam novas que não estejam “poluídas” pelo investimento público?

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  6. henrique pereira dos santos's avatar
    henrique pereira dos santos permalink
    21 Outubro, 2010 15:41

    João Miranda,
    Com certeza o mundo está cheio de falhas de mercado. Mas não conheço um único governo que em relação ao mercado da energia deixe simplesmente funcionar o mercado. Como sabe o mercado do petróleo é em grande medida controlado por um cartel onde meia dúzia de Estados, possuidores de meia dúzia de companhias estatais, têm um peso preponderante.
    Por outro lado, a questão concreta é esta: o preço do petróleo, que não é um bem qualquer, tem uma enorme volatilidade. Por outro lado, as adaptações do sistema de produção a alterações de mercado é muito lenta.
    Está mesmo disposto a dois anos de penúria em energia até que as alternativas possam substituir satisfatoriamente o petróleo no caso do seu preço saltar, pro exemplo, para 200 dólares? Ou está disposto a pagar marginalmente mais pela segurança de um mix mais resiliente à volatilidade dos mercados?
    Não conheço um único governo (e já agora, um único decisor empresarial com peso na economia), que responda que é preferível poupar e correr o risco.
    O que conheço são pessoas que contestam o nível de pagamento, o excesso eventual de produção alternativa agora, o facto do preço da energia para o consumidor ser estabelecido adminitrativamente, impedindo que preços reais influenciem a procura e por aí fora.
    Volto a sublinhar que não conheço nenhuma demonstração empírica de que o nível de desenvolvimento tenha relação directa com o preço da energia (embora a eficiência energética pareça ter).
    Talvez reler green and competitive, dos perigosos estatistas da harvard school of business michael porter e class van der linde, que não trata de energia mas de poluição e do efeito da regulamentação ambiental nas empresas, seja uma boa ideia para perceber que há tanta coisa mais importante para resolver na economia portuguesa que as renováveis serão mais um chavão que um problema real.
    E que além disso têm muito pouco de romantismo. Muito mais romântica é a sua tirada que o melhor é o mercado resolver as falhas de mercado de produtos estratégicos.
    henrique pereira dos santos

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  7. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    21 Outubro, 2010 15:48

    ««Está mesmo disposto a dois anos de penúria em energia até que as alternativas possam substituir satisfatoriamente o petróleo no caso do seu preço saltar, pro exemplo, para 200 dólares? »»
    .
    Se esse risco existe e é assim tão alto, não lhe parece que as companhias de energia serão as primeiras a querer investir em alternativas? Explique-me como é que o henrique pereira dos santos consegue antecipar esse risco num fórum da internet e a EDP, a EDF, a BP, a Galp, etc não conseguem, apesar de terem muito mais meios e muito mais a ganhar?

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  8. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    21 Outubro, 2010 15:53

    ««Não conheço um único governo (e já agora, um único decisor empresarial com peso na economia), que responda que é preferível poupar e correr o risco.»»
    .
    Mas se os decisores empresariais pensam assim, porque é que o governo tem que interferir? Porque é que os tais decisores empresariais não gastam eles o dinheiro apostando nas suas próprias convicções? É que é muito fácil gerir risco quando não somos nós que pagamos e quando conseguimos chutar para o Estado os custos.
    .
    Há um risco de amanhã chover. Acho que o Estado me deve subsidiar um guarda chuva. Mas se não o fizer eu não compro guarda chuva nenhum. O que se pode concluir disto: que a minha convicção de que vai chover não é suficiente para que eu gaste dinheiro com ela. Mas não me importo que os outros gastem.

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  9. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    21 Outubro, 2010 15:58

    Henrique,

    Veja este gráfico da cotação da Gamesa:

    http://finance.yahoo.com/echarts?s=GAM.MC+Interactive#symbol=GAM.MC;range=my

    Caiu para 1/3 no último ano e para 1/6 no últimos 2 anos. Estaria disposto a investir nesta empresa de geradores eólicos com base na sua convicção de que o petróleo pode disparar para os 200 dólares?

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  10. lucklucky's avatar
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    21 Outubro, 2010 16:00

    Mais uma bolha especulativa criada pelos Especuladores Sociais, habitualmente socialiistas:

    http://www.bloomberg.com/news/2010-10-18/spanish-solar-projects-on-brink-of-bankruptcy-as-subsidy-policies-founder.html

    …Navarro told Sebastian that the industry needed a stable set of rules to help match production to the level of demand in the market. Siliken, which is aiming to trade on the Madrid Stock Exchange by 2012, suffered a 61 percent sales slump in 2009 after Zapatero cut solar subsidies. Overseas revenue will fuel the company’s recovery this year, Navarro says.

    “Sebastian was telling people that photovoltaic was a priority, while at home they are sinking us,” Navarro says during an interview at Siliken’s solar-module assembly plant near Valencia. “I’ve developed a bit of a motto: If the Socialist government says they’re going to help you, run!”…

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  11. henrique pereira dos santos's avatar
    henrique pereira dos santos permalink
    21 Outubro, 2010 16:57

    João Miranda,
    Não vou discutir cotações de empresas em concreto porque não faz sentido discutir um sector a aprtir de uma cotação (lembro de há duas semanas, mais coisa menos coisa, o financial times ter umas coisas sobre isso bemmais consistentes).
    Quanto ao resto.
    É evidente que qualquer companhia da área da energia está farta de investir em alternativas (a BP até mudou o nome de Brtitish Petroleum para Beyond Petroleum) e todas as petrolíferas têm departamentos de energias renováveis (departamentos em sentido lado, uma boa parte das vezes são bem mais que isso).
    Só que uma coisa é o risco empresarial das empresas produtoras de energia (que até ganham mais dinheiro com o petróleo mais caro porque a procura é muito pouco elástica e demora uns anitos a reagir aos preços elevados), outra coisa é o risco da economia no seu todo (se quiser, do conjunto das outras empresas). Em especial do tecido de pequenas e médias empresas que não têm dimensão, escala e massa crítica para trabalharem consistemente riscos de médio longo prazo que não sejam os que estritamente afectam o negócio. O que estas empresas fazem para concorrer com as outras é ser mais flexíveis e capazes de se adaptar a alterações de mercado. Só que em relação ao mercado da energia a elasticidade é muito, muito pequena, e por isso a adpatação é sempre difícil, quando não fatal.
    Dir-se-á, não faz mal, é uma purga que nos faz ficar mais competitivos porque só vão sobrar as empresas mesmo boas e bem geridas.
    Pois, pois.
    Repare que nem os mais liberais dos liberais dos países, incluindo os Estados Unidos que sempre protegeram a sua fortíssima indústria do petróleo, deixam de intervir no mercado da energia para garantir que as alternativas estão disponiveis e têm condições de desenvolvimento mais rápido do que o que resultaria da mera evolução do mercado.
    A coisa é séria, não vai lá nem com o lirismo dos renováveis em força a qualquer preço, nem com os lirismos do deixem o mercado trabalhar.
    henrique pereira dos santos

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  12. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    21 Outubro, 2010 18:23

    ««Não vou discutir cotações de empresas em concreto»»
    .
    Podemos então discutir cotações em geral? Se a sua tese de que existe um risco do petróleo chegar a 200 dólares, o que impede o cidadão comum de ganhar dinheiro com essa convicção?
    .
    ««Só que uma coisa é o risco empresarial das empresas produtoras de energia (que até ganham mais dinheiro com o petróleo mais caro porque a procura é muito pouco elástica e demora uns anitos a reagir aos preços elevados), outra coisa é o risco da economia no seu todo (se quiser, do conjunto das outras empresas).»»
    .
    Porque é que são riscos diferentes? Se a economia corre um risco, uma empresa de energia que aposte em energias alternativas aumenta a probabilidade de ganhar dinheiro. As duas coisas não estão dissociadas. A economia de mercado tem mecanismos para lidar com riscos.
    .
    ««Repare que nem os mais liberais dos liberais dos países, incluindo os Estados Unidos que sempre protegeram a sua fortíssima indústria do petróleo, deixam de intervir no mercado da energia para garantir que as alternativas estão disponiveis e têm condições de desenvolvimento mais rápido do que o que resultaria da mera evolução do mercado.»»
    .
    1. Qual é a percentagens de eólicas no mix energéticos dos EUA? Qual é essa percentagem em relação a Portugal?
    2. Os EUA são mais liberais que Portugal, isso não implica que sejam liberais.
    3.O factos dos EUA protegerem a indústria do petróleo parece-me um argumento contra a ideia de que os Estados podem corrigir falhas de mercado. Parece-me que aí a falha é do Estado. O mercado está inocente.
    4. Existem muitas razões pelos quais os Estados intervêem nos mercados. “para garantir que as alternativas estão disponiveis” é das mais bondosas e ingénuas. O mais provável é que exista muito dinheiro a ganhar pelos mais diversos lóbis.

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  13. Eduardo F.'s avatar
    21 Outubro, 2010 18:57

    «num momento de profunda dificuldade económica o petróleo teima em não descer dos 80 dólares, valor em torno do qual a eólica parece ser competitiva sem grandes apoios,ao que me dizem» – Henrique Pereira dos Santos
    Se, ao que lhe dizem, a eólica “parece ser competitiva”, qual a razão pela qual se mantêm os inacreditáveis subsídios que lhe são atribuídos (mais barragens com bombagem reversível, mais centrais térmicas de backup, mais transmissão, mais…) quando a evolução dos preços do petróleo, nos últimos quatro anos tem sido esta?

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  14. Eduardo F.'s avatar
    21 Outubro, 2010 19:04

    «não conheço um único governo que em relação ao mercado da energia deixe simplesmente funcionar o mercado» – Henrique Pereira dos Santos
    Como aconteceu, até recentemente, com as telecomunicações, com os correios, com a produção de e distribuição de energia, gás ou gasolinas, com a captação e distribuição das águas, etc., etc., fraudulentamente baptizados de monopólios “naturais”. E, muito em especialmente, com o monopólio mistificadoramente apelidado de “nacional”.
    A história não justifica o presente. No máximo, permite compreendê-lo melhor. E com as asneiras dos outros podemos nós bem. Tenhamos a ousadia de fazer diferente – por que queremos fazer bem – como fizemos com a despenalização no consumo de estupefacientes.

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  15. Amador's avatar
    Amador permalink
    21 Outubro, 2010 19:08

    “Se o risco do preco do petroleo saltar para 200 dolares, nao lhe parece que as companhias de energia serao as primeiras a querer investir em alternativas?” Sera que estou a ler bem? Ha, ainda, pessoas no mundo que acreditam nisto? Sera que o Joao Miranda ja ouviu falar em “profit and greed”. Sel-regulation? Nao creio. Fiz parte do corpo administrativo duma das maiores firmas produtores e distribuidoras de gas e eletricidade e nunca notei da parte da firma uma intencao clara para investir, duma forma forte e sincera, em energias alternativas. Estavamos nas decadas de 80 e 90 e o valor do barril de petroleo ja fazia prever o que estava a porta. Pelo contrario, se nao fosse a intervencao da entidade reguladora (estado) as tarifas e o preco do produto a distribuir teria niveis incriveis. Alem disso, a contribuicao que foi dada pela firma no investimento de energias alternativas teria sido reduzido a zero. Again, above anything else, GREED & PROFIT!!!!

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  16. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    21 Outubro, 2010 19:31

    ««Sera que estou a ler bem? Ha, ainda, pessoas no mundo que acreditam nisto? Sera que o Joao Miranda ja ouviu falar em “profit and greed”.»»
    .
    Caro Amador,
    .
    Se o petróleo vai chegar aos 200 dólares não lhe parece que o tal “profit and greed” é suficiente para as mais diversas empresas investirem noutra forma de energia?

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  17. Amador's avatar
    Amador permalink
    21 Outubro, 2010 21:11

    NAO!!!!!! Nao leu, claramente, o que escrevi? Quando o preco chegou quase a 150 dolares isso nao os motivou a mudar de estrategia. O aumento justifica passa-lo ao consumidor!!! E muito dificil entender isto?

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  18. A. R's avatar
    A. R permalink
    21 Outubro, 2010 21:17

    Recentemente foi publicada em Espanha uma notícia notável. Agricultores cortaram as suas árvores e montaram painéis solares com empréstimos. Era notável poder montar uma cadeira à sombra dos painéis e de pipo ao ar ver os euros a cair. Uma lei garantia o pagamento da energia a 40 cêntimos durante 25 anos. Foi um fartote os primeiros anos: tanto m2 de painel de repente de onde vinha? Da China e da Alemanha.
    Entretanto montaram uma fábrica de painéis solares.

    De repente o ministro da indústria cortou as subvenções em 40%. Grande parte dos produtores não tem produção para cobrir o empréstimo e faliu. A fábrica essa tem uma produção de 15% da capacidade.

    Assim se tecem as malhas do empobrecimento.

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  19. henrique pereira dos santos's avatar
    henrique pereira dos santos permalink
    21 Outubro, 2010 22:04

    João Miranda,
    A questão não é saber se o petróleo vai chegar aos 200 euros, a questão é discutir cenários de incerteza. Pode chegar ou não aos 200 dólares, ninguém sabe.
    O que vale a pena discutir é se o custo de estar preparado pela esse cenário é razoável (mesmo na hipótese do cenário não se verificar) face ao risco de não estar preparado se ele se verificar. Claro que para isso é preciso discutir se o cenário é possível sem grandes condições excepcionais, mas penso que sobre isso há consenso.
    Se o mix americano é o mesmo de portugal? Não com certeza, até porque os americanos têm petróleo e nós não, mas repare que eu disse num comentário atrás que discutir esse mix é perfeitamente razoável, o que não é razoável é considerar irrelevante a existência de renováveis nesse mix.
    “Se a economia corre um risco, uma empresa de energia que aposte em energias alternativas aumenta a probabilidade de ganhar dinheiro. As duas coisas não estão dissociadas. A economia de mercado tem mecanismos para lidar com riscos.”
    Pois, mas o que me preocupa (e de maneira geral aos governos) não é exactamente se as companhias que apostam em energias renováveis aumentam a probabilidade de ganhar dinheiro na hipótese do petróleo chegar aos 200 dólares.
    O que me preocupa é o resto das empresas que na ausência de estímulos públicos não vai investir em função desse cenário (no longo prazo estaremos todos mortos, não é verdade?). Porquê? Porque é um cenário cujo grau de probabilidade ninguém consegue estabelecer e é por isso deficientemente percepcionado pelos agentes económicos. Que o mercado tem mecanismos para lidar com isso, não duvido, que esses mecanismos sejam perfeitos e não tenham custos sociais, num mercado tão imperfeito como o da energia, é do que eu tenho dúvidas (eu e todos os governos do mundo civilizado, incluindo a China. Ontem o financial times tinha um gráfico muito interessante que se puder ainda publico no meu blog, com o consumo de energia a subir como o raio, mas a intensidade energética a descer. E o artigo onde vinha o gráfico ainda era mais interessante para esta discussão).
    Com certeza que há muito dinheiro a ganhar pelos lobis. Tem alguma coisa contra isso? Contra ganhar dinheiro e defender os interesses próprios? Que raio de argumento. Lóbis há para todos os gostos (sendo que 90% do que é produzido contra asrenováveis provém do lobi nuclear, um tipo de energia que só existe com apoio do Estado, em todos os países do mundo, mas isso é irrelevante porque os lobis existirem e defenderem os seus interesses faz parte do jogo democrático e liberal).
    Os EUA não são liberais. Pois, percebo o seu argumento que me leva a outra pergunta: por que razão não há um único Estado liberal (no seu conceito de liberal, porque eu acho que sou liberal, não sou é ingénuo ao ponto de pensar que os mercados são perfeitos)?
    henrique pereira dos santos

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  20. aequanimus's avatar
    aequanimus permalink
    21 Outubro, 2010 22:17

    Eólicas e fotovoltaicas são menos competitivas no estado actual das coisas. É deplorável que governos de países pobres como Portugal (e mesmo mais ricos que nós) se dêem ao luxo de brincar com o dinheiro dos portugueses, endividando-se no exterior para subsidiar tais devaneios. Em Espanha já está a acontecer isto:
    http://www.bloomberg.com/news/2010-10-18/spanish-solar-projects-on-brink-of-bankruptcy-as-subsidy-policies-founder.html

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  21. PMP's avatar
    PMP permalink
    21 Outubro, 2010 22:50

    O problema principal das renováveis tem sido a forma errada como os contratos têm sido feitos pelo estado, garantido rentabilidades exageradas aos promotores.
    Bastaria ter faseado a atribuição de licenças de produção desde 2006, com base em leilões, tal como a fase C do concurso eolico de 2008, que assim conseguiu preços da ordem dos 65 euros / MWh.
    É preciso ter em conta que em 2008 o preço no mercado grossista andava à volta destes valores, o que significou nessa altura que a energia eólica era competitiva e que a longo prazo seria uma protecção nacional contra eventuais aumentos dos combustiveis fósseis.

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  22. Analfabeto informá's avatar
    Analfabeto informá permalink
    22 Outubro, 2010 15:34

    Se me lembro, vendi há dois anos uma apreciável quantidade de acções do BCP a mais de 4€, estao hoje a uns 0,6€. Um negócios inviável segundo este know it all. E nao é por falta de apoios do estado. Espero que nao, porque entretanto voltei a comprar mais do dobro.

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