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Overheads

13 Novembro, 2010
by
(publicado no Delito de Opinião, na passada quarta-feira)

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No início da década, conheci uma empresa pública que competia no seu ramo de actividade com várias empresas privadas. Nesses tempos, a líder do sector, privada, tinha uma estrutura central com cerca de 20 pessoas, directores, administrativos, secretárias e tudo o resto incluído. Na empresa pública só directores eram os mesmos 20. A situação foi muito bem descrita por um consultor que por lá passou: ‘Nunca vi tão pouca empresa para tantos overheads’.

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No organigrama, descrito no seu próprio relatório anual, via-se um departamento de apoio psicológico para ajudar os trabalhadores stressados a ultrapassar os maus momentos e uma direcção de responsabilidade social. Apesar da simplicidade operativa própria do sector de actividade, tinham dividido as operações em três direcções independentes. Apesar de trabalharem exclusivamente no mercado nacional, tinham um responsável pelas relações internacionais. Ao todo eram duas dezenas de directores, duas dezenas de carros, duas dezenas de gabinetes em zona nobre da cidade, duas dezenas de cartões de crédito e mais uma dúzia de secretárias – modestamente, repartiam-nas.

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De onde vinha a experiência e a capacidade de gestão da maioria destes ‘overheads’? Dos partidos, segundo uma qualquer variante do método de Hondt autárquico/parlamentar. A experiência profissional da maior parte do elenco directivo era risível. Havia sociólogos, filósofos e historiadores com responsabilidades financeiras, operacionais ou de marketing. Antigas secretárias de políticos dirigiam departamentos de imagem. Um ou outro, mais competentes, diluíam-se no meio de tanta mediocridade.

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A inexistência de uma cultura empresarial sólida reflectia-se numa manifesta desorganização que saltava à vista para qualquer cliente ou fornecedor. Os prejuízos eram tremendos, pagos pelos contribuintes, mas os ‘overheads’ não eram capazes de compreender a razão do insucesso. Culpavam a legislação, a concorrência, as dificuldades administrativas adicionais por força de serem obrigados a níveis adicionais de transparência. E também culpavam o mercado que lhes parecia repleto de falhas, de incompreensão e de imaturidade. Onde não encontravam qualquer responsabilidade era na sua própria estrutura. A incapacidade de introspecção era absoluta, excepto quando apontavam o dedo ou denunciavam em surdina algum colega de direcção que vinha de um outro partido.

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Assim é, também, o estado. A brutal estrutura da administração pública funciona como um pesado ‘overhead’para a nossa economia. A margem bruta da actividade real das pessoas e das empresas nunca chega para pagar esta desmesurada administração. E, tal como na empresa pública, os nossos incompetentes governantes que tiveram origem nos partidos atiram as culpas para o mundo sem serem capazes de compreender o pesadelo que criaram.

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Para os ‘overheads’, a culpa é dos mercados, essa figura mítica que não quer dar dinheiro aos nossos governantes para que eles possam continuar a alimentar o monstro.

Para os ‘overheads’ a culpa é também dos empresários. Apesar de exauridos por uma violenta pressão fiscal e por uma demente actividade regulamentária, os empresários deveriam ser menos incompetentes para criar muita riqueza para que o governo possa gastar mais, sem constrangimentos.

Para os ‘overheads’, a culpa é dos bancos porque estão à rasca e não emprestam dinheiro suficiente e logo terá que se avançar via extorsão – pedem mais uma taxa.

Para os ‘overheads’, a culpa é dos países que não compram os nossos produtos – ah, esses alemães pouco solidários.

Para os ‘overheads’, a culpa é também dos que avisaram para as consequências óbvias da continuada desbunda estatista. Esses são profetas da desgraça, velhos de Restelo, catastrofistas intratáveis.

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Não tenhamos ilusões. Nenhuma solução, nenhum orçamento, nenhum projecto de país terá sucesso  sem racionalizarmos esta paquidérmica super-estrutura que nos atrapalha a vida, assalta as carteiras, esmaga a criatividade, pune o sucesso e promove a vulgaridade. Os que não partem são esfolados porque os overheads querem sempre, sempre, sempre mais.

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Livremo-nos desta gente e talvez Portugal avance. Não será fácil.

56 comentários leave one →
  1. Insurrecto Meditativ's avatar
    13 Novembro, 2010 17:45

    Normalmente, as empresas estatais são doentiamente ineficientes, isso é uma realidade que, à excepção de empresas de recursos naturais com níveis de procura regulares, ninguém pode negar.

    Em Portugal, então, o debate em torno das mesmas é realmente sórdido: prefere-se manter a empresa intacta mesmo que seja ineficiente, que são todas, e esquecer o seu estado financeiro.

    A TAP fez muito bem em fechar a Groundforce Faro. E, se perdermos um pouco do nosso tempo a ouvir o que o altamente competente CEO da TAP nos disse em outras alturas, toda a GroundForce, numa óptica de uma empresa bem gerida, é um prejuízo . o balanço da TAP sofre todos os anos devido a esta aquisição. E não faltará muito, garanto-vos, até toda ela ser encerrada ou alienada.

    O processo de privatização da TAP deve avançar. Espero que a opção escolhida seja financeira, não de ordem operacional.

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  2. Insurrecto Meditativ's avatar
    13 Novembro, 2010 17:57

    Adoro ler e ouvir a extrema-esquerda mencionar os lucros das ex-empresas estatais. Esquecem-se que antes, quando eram de facto estatais, eram um furo de todo o tamanho. Daqui a 50 anos, quando a CP for privada e tiver abatido ou reduzido substancialmente os vários milhares de milhões de dívida, a lasciva extrema-esquerda fará o mesmo.

    O exemplo da TAP é perfeito. O que era a TAP antes de Fernando Pinto chegar?

    1) Uma empresa ineficiente
    2) Uma empresa endividada

    O que é a TAP actual?

    1) Uma empresa extremamente eficiente
    2) Uma empresa moderna
    3) Uma empresa altamente endividada

    Pois, eu sei.

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  3. Daniel Letras's avatar
    13 Novembro, 2010 18:52

    Num país cuja constituição afirma claramente a subserviência do poder económico ao político num contexto de economia mista, nada disto é de admirar.

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  4. António Parente's avatar
    António Parente permalink
    13 Novembro, 2010 19:02

    O post ia bem até ao ponto “esmaga a criatividade”. Essa expressão faz-me lembrar os escritores pós 25 de Abril que se queixavam por a censura lhes ter esmagado a criatividade. Esperava-se que em tempos de liberdade saltassem das gavetas e dos sótãos resmas de manuscritos prontos a ser publicados. Nada. Não apareceu nada.
    Depois de “racionalizarmos” essa “paquidérmica super-estrutura” o que devemos esperar a seguir? Cem mil empresas a florescerem e as exportações a crescerem cem mil por cento? Não me parece. A criatividade esgotar-se-à em reconstruir o paquiderme entretanto racionalizado de modo a que voltem a correr livremente os generosos subsídios, benefícios e outros incentivos que estimulam a nossa criatividade empresarial. Porque, se pensarmos bem, todos os grandes negócios neste país ou são monopólios, ou oligopólios e/ou têm um conjunto de leis generosas que os protegem da concorrência ou tiveram qualquer apoio estatal.
    O Estado, esse paquiderme, é pai de muita gente e tal como os jovens portugueses não saem da casa dos pais a nossa iniciativa privada precisa de sentir o conforto do apoio estatal. Como em tudo na vida há excepções mas na minha modesta opinião esta é a regra.

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  5. Eleutério Viegas's avatar
    Eleutério Viegas permalink
    13 Novembro, 2010 19:20

    Excelente texto. Esta empresa pública é uma qualquer daquelas que conhecemos, mas também nas privadas mais gordas há um bocado disto.

    O nepotismo, o servilismo ignorante e o compadrio são coisas tão lindas… também nas empresas privadas! E este problema é um círculo vicioso, porque os dirigentes saem normalmente do grupelho de a”lambekus” ou das famelgas ou dos amigalhaços.

    Não é só os partidos. não… Olhem à volta e deixem-se da conversa oca do network e do marketing pessoal.

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  6. Manuel Silva's avatar
    Manuel Silva permalink
    13 Novembro, 2010 19:54

    “No início da década, conheci uma empresa pública que competia no seu ramo de actividade com várias empresas privadas”

    Porque não diz o nome? Por essa empresa ser uma invenção sua?

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  7. será's avatar
    será permalink
    13 Novembro, 2010 20:32

    os overheads não querem ver….mas mau-grado a interpretação dos aqui residentes, o eminente constitucionalista paulo rangel explicou a tolice da ‘responsabilidade civil e criminal dos politicos’ apud passos

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  8. Licas's avatar
    Licas permalink
    13 Novembro, 2010 20:32

    . . . Era assin como . . . são muitos chefes e poucos os índios.

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  9. Zundy's avatar
    Zundy permalink
    13 Novembro, 2010 21:10

    Qualquer organização sem gestão rigorosa acaba por cair nestes vícios, mesmo no sector privado podia dar muitos exemplos em tempo de vacas gordas de nalguns sectores haver mais chefes do que trabalhadores, uma das muitas que conheci foi um importante grupo de Media nacional que não era diferente dessa descrição que fez caro jcd.
    A diferença é que no sector privado quando chegam os ciclos recessivos, temos que nos adaptar, recomeçando tudo de novo. Pelo contrário, no Estado fica lá tudo de ano para ano, de ciclo para ciclo.
    Se juntarmos às chefias incompetentes coisas exóticas como sindicatos marxistas, a receita é o desastre, essa gente vive bem uns com os outros, alimentam-se do mesmo atoleiro. Li há dias que na GroundForce uma anterior administração implementou um plano de reciclagem de chefias intermédias, provavelmente para correr com vícios instalados, obrigando tudo a concorrer a novas avaliações, e na prática a maior parte das anteriores chefias chumbaram, entrando novas de acordo com os resultados de concursos ou avaliações. Só que como era sector público, as chefias que saíram tinham que manter os mesmos ordenados dos cargos anteriores, ou seja, de um momento para o outro houve um aumento brutal de encargos salariais.
    A par disso, sindicatos intransigentes, acordos de empresa surreais, com aumentos salariais de 7% e coisas assim, flexibilidade nula em termos de turnos, por exemplo no Algarve, onde há muita sazonalidade, levaram ao desastre. Os trabalhadores em si são os menos culpados, ou não são culpados de todo, embora se conte, boatos, de que naquela empresa existissem muitos que não eram muito recomendáveis, muitos roubos e até sabotagens, um pouco do que também sucedeu na Alitalia levando-à falência.
    Toda essa gente deveria reflectir agora, chefias, responsáveis políticos, sindicatos e trabalhadores, de como se caminha para o desastre.

    Quanto à sua última frase, “Livremo-nos desta gente e talvez Portugal avance. Não será fácil.”, eu acrescento que não é fácil, é impossível. Estas organizações vão mandar tudo fora mantendo-se apenas a eles até não haver mais um tostão para sobreviver. Eles é que se vão livrar de tudo o que resta de bom nestas empresas, ficando apenas eles até que os restantes portugueses ainda os consigam sustentar. Portanto, o final será sempre a falência. Não existe nesta matéria meio caminho, ou caminho alternativo. O mesmo sucederá ao país no seu todo. É tarde demais para reformas.

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  10. Ana C's avatar
    Ana C permalink
    13 Novembro, 2010 21:22

    JCD – Um texto muito, muito, muito bom. Espectacular. Faça favor de o divulgar q.b. pois retracta exactamente – e com tremenda precisão – a caracolice (mistura de caracol com burrice) das empresas públicas, municipais e do Estado.

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  11. Trinta e três's avatar
    13 Novembro, 2010 21:53

    Será que tudo isso tem que ver com o facto da empresa ser estatal (como dão a entender alguns comentários ao texto), ou antes com algo bem mais terra a terra, chamada incompetência e/ou clientelismo?

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  12. Insurrecto Meditativ's avatar
    13 Novembro, 2010 22:09

    Zundy,

    as empresas privadas podem ser tão gordas quanto pretenderem. Podem ser as organizações mais bafientas e obesas que há memória, sabe porquê? Quando falirem, não será o contribuinte a pagar. E aqui reside a diferença.

    O privado é privado, o público é de todos nós, digamos assim. O público tem um stakeholder gigantesco: o contribuinte.

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  13. Piscoiso's avatar
    13 Novembro, 2010 22:32

    Sempre duvidei das pessoas que não dão nomes às coisas.
    Como é que se chama a empresa?

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  14. Zundy's avatar
    Zundy permalink
    13 Novembro, 2010 22:41

    Insurrecto Meditativ, isso é verdade em teoria, mas em Portugal, com este putrefacto regime, na verdade as coisas não funcionam assim há muito tempo. Mesmo as empresas privadas podem ter os mesmos vícios das públicos sem que o mercado as aniquile. Basta você perder umas horas no http://transparencia-pt.org/ e perceberá porquê, fora o resto muito pior que as pessoas nem fazem ideia. Esta podridão estatal alastra para o sector privado, sectores bancário, construtor, media, serviços, etc,etc, e mantém a funcionar empresas ineficazes destruindo à nascença muitas outras empresas que poderiam dar muito a este país. Poderia dar imensos exemplos de empresas privadas que são uns autênticos cancros de gestão mas continuam a ganhar contratos milionários vindos do Estado, mas por razões profissionais não o vou fazer pois em Portugal já existe uma perseguição económica e fiscal a quem barafuste demasiado. Um erro que eu vejo muitas vezes em blogues liberais como este, é achar que a coisa é hoje apenas problema do sector público, não, nós já chegámos a uma fase posterior do socialismo em que existe uma espécie de socialismo-capitalismo de Estado, que nem dá para qualificar ideologicamente, mas que se resume a um Estado poderoso quase a roçar o totalitário, a servir o interesse de corporações privadas.

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  15. Insurrecto Meditativ's avatar
    13 Novembro, 2010 23:22

    Zundy,
    eu concordo consigo. Em Portugal, no geral, a mentalidade é fraca, é pouco competitiva, é situacionista. Provavelmente, só somos competitivos e criteriosos nas empresas exportadoras, por razões óbvias.

    Em relação à relação podre entre o Estado e determinadas empresas, concordo consigo. Aliás, somos gémeos, passe a expressão, nessa crítica, e a melhor prova desse facto é o salto do público para o privado, sendo que as empresas de construção civil são, na minha ideia, o mais forte e nefasto lobby em Portugal. Basta ver o benefício macroeconómico que advém de projectos públicos, ou seja, nenhum, a não ser engordar o balanço de empresas como a Mota-Engil, etc.

    Num país que é pouco competitivo por natureza e numa sociedade onde o Estado é tido em conta como o derradeiro salvador, é de admirar que ambos os sectores, público e privado, sejam assim tão maus? Não me parece.

    Ora veja: Sabemos que Portugal é pouco competitivo, sabemos que Portugal é dos países com menor produtividade; vê alguma resposta da classe política a este problema? Temos deputados no Parlamento que defendem, da maneira mais lastimável e irresponsável, que Portugal abandone os seus compromissos, nomeadamente de dívida.

    Em Portugal, como saberá, pretende-se impingir, e este é um exemplo entre muitos outros, à TAP uma parte da sua estrutura que verte prejuízos. Palavras para quê? Para que 300 pessoas não percam o emprego, coloca-se em emprego milhares.

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  16. Insurrecto Meditativ's avatar
    13 Novembro, 2010 23:26

    zundy,

    o site que disponibilizou deveria ser obrigatório a muitos.

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  17. I's avatar
    13 Novembro, 2010 23:34

    Zundy, Apoiado.
    Querem exemplos? Quantos querem? Um que vos toca, com força, no bolso: Ouviram falar numa RTP e numa SIC? Não percebem que é o vosso (fraco) nível de vida que sustenta a RTP? E os Hospitais?
    PS. Exeptua-se o pessoal “socialista e bem orientado”, do PS/PSD.

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  18. tony's avatar
    tony permalink
    13 Novembro, 2010 23:55

    tanto aqui como no resto do mundo foram as empresas publicas que nos ultimos deram melhores negócios e melhores soluções tecnologicas PT, EDP, GAZ, depois se descobrirem alguma empresas nacional que não cresça à custado Estado digam
    E os maiores prejuizos vieram das privadas Banca, texteis que tem levado milhoes de ajudas, Agricultura milhoes de subsidios e nunca chega, tecnologicas enterramos 200 milhoes e os alemaes agradecerem e a kimonda e outros os colegios privados deste pais vão perder os subsídio as universidades privadas levam milhoes viva a empresa privada que esconde dinheiro do estado

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  19. Insurrecto Meditativ's avatar
    14 Novembro, 2010 00:00

    tony,

    as empresas públicas geridas sob critérios utilizados no privado, importante referir esse ponto.
    PT? Olhe, agradeça à OPA do self-made Belmiro de Azevedo, esse empresário que é um exemplo para qualquer outro. EDP? Não diga a ninguém, mas quem tiver paciência pode ir analisar os Relatórios e Contas da EDP. A receita cresce, mas a dívida cresce mais. Muito mais. Xiuu, não digam a ninguém.

    Ou pensam que o Mexia, ao criticar a situação financeira de Portugal, o faz porque se preocupa com a nação? Mentira. Fá-lo porque a EDP é das empresas mais endividadas. Estando muito endividada, a relação com a banca é essencial.

    Só que o jornalismo e a comunidade blogue não têm capacidade para encetar tão profunda análise.
    É tão superficial e incompleta que até mete dó.

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  20. Insurrecto Meditativ's avatar
    14 Novembro, 2010 00:06

    Alguém daqui se lembra da PT pré-OPA do Belmiro? Se alguém ouve falar da PT agora é devido à desagregação da PT Multimédia, agora ZON. Concorrência, factor-chave para qualquer país que se digne.

    Querem outro exemplo de boa gestão pública (estou a ser doentiamente sarcástico)? CGD, banco nacional com pior rácio de Tier 1. Dos chamados bancos grandes, isto é. É um banco tão forte e confiável que está a encetar virtuais movimentações contabilísticas de activos do grupo de forma a criar uma falsa sensação de existência de liquidez.

    Falsa sensação, obviamente.

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  21. tony's avatar
    tony permalink
    14 Novembro, 2010 00:09

    Insurrecto Meditativ

    concerteza não sabe como o belmiro fez fortuna ? foi a roubar caso não saiba informe-se,
    antigamente procurações desvios de dinheiros acordos com o Estado etc.

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  22. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    14 Novembro, 2010 00:18

    então? os nossos Liberais-Estado Zero já viram o filme Inside Job?
    olhem que vos faria bem !

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  23. Insurrecto Meditativ's avatar
    14 Novembro, 2010 00:20

    O Belmiro de Azevedo é dos empresários portugueses com mais queixas em tribunal contra autoridades locais, Tony. O homem ganha concursos, constrói, não lhe pagam; o homem quer abrir lojas e investir, atrasam os processos; o homem quer comprar empresas, o Estado manipula e mente; o homem pede a palavra ao Ministro-Finanças (aeroporto Sá Caneiro), este dá-lhe, mas é tudo mentira;

    Portugal precisa de mais Belmiros.

    Em relação aos roubos que fala, não sei. Informe-me, então. Não é preciso um livro, basta umas linhas gerais.

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  24. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    14 Novembro, 2010 00:28

    Insurrecto Meditativ
    Tirando os continentes conhece algum outro negócio do Belmiro que não dê prejuízo?

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  25. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 00:31

    Raramente vi treta mais farsola. é mesmo preciso ter o trabalho de desmontar?

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  26. Insurrecto Meditativ's avatar
    14 Novembro, 2010 00:36

    Fredo,
    o prejuízo do Belmiro toca-lhe? O Belmiro pede-lhe dinheiro? ? A não ser que o Fredo seja accionista, não entendo a sua pergunta.
    Sonae Industria, a única empresa do Belmiro que não apresenta resultados positivos, salvo o erro.

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  27. fortuna's avatar
    fortuna permalink
    14 Novembro, 2010 00:40

    1. Uma empresa não é o estado, não perseguem os mesmos objectivos nem tem a mesma missão; logo, não são comparáveis.

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  28. fortuna's avatar
    fortuna permalink
    14 Novembro, 2010 00:41

    2. Não refere o nome da empresa pública, o nivel de investimento, a sua evolução no tempo,blá e blá. Logo, é o mesmo que não dizer nada.

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  29. fortuna's avatar
    fortuna permalink
    14 Novembro, 2010 00:43

    3. Não refere quais as empresas privadas concorrentes, nomeadamente a lider de mercado, se continua lider de mercado, se sobreviveu, etc. Relativamente às concorrentes, tambem nada refere, se faliram, se se tornaram lideres e porque, se eram rentáveis e ainda o são, de onde partiram, etc.

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  30. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 00:45

    4. Porque diabo atribui o suposto insucesso (que afirma, não sabemos se é verdade) à estrutura de pessoal da empresa? Terá começado a concorrer em situação de igualdade? com que niveis de investimento? E as outras? fizeram quadros comparativos?

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  31. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 00:49

    5. Lei e responsabilidade social. Comparações, foram feitas? Quem lá trabalhava viu as suas expectativas realizadas? E os donos, mantiveram os lucros? E os clientes, resultavam da sã concorrencia ou de posição dominante no mercado (eventualemnte ao abrigo de dumpings estratégicos ou eventualmente ao abrigo de contratos publicos através de redes de influencia)?
    Alguma das empresas privadas concorrentes fazia parte de um grupo internacional?

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  32. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 00:51

    6. O produto, era sujeito a normas ou a concorrencia baseava-se simplesmente na lei da oferta e da procura? Era para importação ou consumo interno. É que se o ramo for exportar maquinaria pesada para Angola dá para compreender muita coisa.

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  33. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 00:53

    7. Empresários exauridos? Não brinque com coisas sérias…

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  34. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 00:55

    8. “os nossos incompetentes governantes”. Quem? todos? É que já passaram por lá muitos… Talvez a culpa seja do sistema… Conhece algum melhor?

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  35. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 00:56

    9. “Bancos à rasca…”. Credo, onde é que tem estado? Não está a escrever daqui de Portugal, pois não?

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  36. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 00:58

    10. “Paises que não compram os nossos produtos”. Equivoco sério. As exportações até tem aumentado. Deve ser da distancia e do atraso na chegada das noticias.

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  37. fortuna's avatar
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    14 Novembro, 2010 01:04

    11. “criatividade”. bonita palavra para todos os negocios levados a cabo por privados que tem sucesso neste país. Com criatividade deve-se estar a referir a arranjar forma de continuar pendurado no estado. E como já alguem falou no belmiro deve ser esse o exemplo a seguir. Como a criatividade da optimus, que não conseguindo resultados na oferta/procura queria os lucros da TMN numa operação de secretaria. Se são tão criativos para que era preciso comprar a TMN? Se são tão eficazes, para quê? Se tem organigramas de pessoal tão fantasticos deveriam ter a quota quase toda? Se tem cultura de empresa como é que não conseguem? Porque diabo é que só conseguem ter sucesso no ramo da distribuição, à custa das licenças dos hiper obtidas dos 4 ministros “amigos” no governo?

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  38. Me's avatar
    14 Novembro, 2010 01:07

    o que é fantástico é que cromos que levam sistematicamente empresas à falência , as tais de empresas públicas , se atrevam a dizer-nos como nos havemos de gerir. estou pelos cabelos de perder tempo em parvoíces estatais que me roubam tempo para aquilo que sempre soube fazer.

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  39. fortuna's avatar
    fortuna permalink
    14 Novembro, 2010 01:08

    12. Calculo que já lhe tenha ocorrido que os overheads sejam pessoas… Talvez prefira pagar-lhes os ordenados através do subsidio de desemprego… Ou também é para acabar?

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  40. Insurrecto Meditativ's avatar
    14 Novembro, 2010 01:18

    Curioso que mencione criatividade e que, para justificar tal, mencione uma empresa que operou num mercado inicialmente monopolista, depois duopolista. Criatividade, conceito demasiado ambíguo, tem a empresa privada que decide entrar num mercado que é dominado por uma empresa estatal, e quando, para entrar, necessita de pedir autorização a organismos ligados ao Estado.

    E comprar uma empresa concorrente não é sinal de falta de “criatividade”, é uma estratégia, ponto. Aliás, denomina-se por integração horizontal. E a Sonae, genericamente, cresceu sempre de forma orgânica. Isso é criatividade, seja lá o que isso for. Tem televisão por cabo, fortuna? Gosta dos gadgets, dos conteúdos extra, dos canais importados, da opção pause, da gravação, do HDTV? Agradeça ao Belmiro, fortuna. Tem sido o factor concorrência que tem oferecido ao consumidor português tanta variedade. Se o Belmiro não tem feito a OPA à PT, continuaríamos com uma Tv Cabo banal. A concorrência Zon-Meo só acontece devido à OPA. Essa concorrência obriga as empresas a diversificar a sua oferta. Nós, os consumidores, beneficiamos.

    Olhe, estou no Reino Unido. Os benefícios que advêm da concorrência entre várias empresas são facilmente apreciáveis.

    Seja privado ou público, nenhuma empresa deve operar em monopólio. Nenhuma. Gera ineficiências, acima de tudo.

    As empresas do Estado são peritas em apresentar prejuízos e em presentear o utilizador com maus serviços: a dívida total que ultrapassa os 30 mil milhões de euros e a aventura de andar de comboio na Linha de Sintra.

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  41. fortuna's avatar
    fortuna permalink
    14 Novembro, 2010 01:56

    Meu caro, respeito a sua opinião, mas discordo completamente. Tenho TV por cabo, e o que observo é que, aparte meia duzia de avanços tecnologicos que chegam sempre de uma maneira ou de outra, continua a ser igualzinha desde que começou. Antes eram 50 canais, agora são 120, e a gente só vê 10. A concorrencia é uma valente treta. Como conceito é interessante, mas pelo menos em Portugal, não funciona. Por onde quer que começe? Olhe, pelos cafés. Não vou discutir a história dos cafés em Portugal, que já seria bastante ilucidativo, mas vou dizer que temos cafés em todas as esquinas em situação de concorrencia uns com os outros. Sem sinais de perturbação da oferta/procura por parte de algum café estatal que possa acumular prejuizos. São todos muito maus e o unico efeito da concorrencia é concertarem todos o preço do café. e nem precisam de falar uns com os outros. Melhorias só acontecem quando o “terrivel” estado publica um qualquer diploma e os obriga a terem mais umas condições para isto ou para aquilo. Restaurantes? Idem aspas. Mercearias? Tenho muitissimas à volta de casa. Todas más. Nem um produtozito mais que tal, nem uma embalagem, nada. Bancos? Treta, concertam tudo, desde taxas a serviços. Os produtos são inovadores no sentido em que exploram mais o depositante. Na parte onde podiam competir, experimente negociar taxas… Neste caso até acho que a banca piorou muito desde a privatização (tirando os avanços tecnologicos, que seriam introduzidos de uma forma ou de outra), pagamos mais e sempre mais e cada vez pior atendidos. Tentam compensar a redução de funcionarios com a simpatia que lhes exigem, mas no fim são pessoas e também tem os seus dias… Electricidade? Aqui ainda não há verdadeira concorrencia, mas a privatização só serviu para por as pessoas a pagar mais. Água e Esgotos, idem. Papelarias, material técnico e afins? É só correr as lojas e as grandes superficies. Tudo o que já foi bom e especializado, simplesmente desapareceu. Os produtos são os mesmos em todo o lado e são em geral muito maus. Informática? Aqui sim, temos vantagens com a concorrencia. Mas num plano supra-nacional. é a tal coisa dos avanços tacnologicos. No resto, assistencia e serviços, a miséria é generalizada. Já nem se faz, sequer. Roupa? Aqui funciona um verdadeiro mercado com vantagem para o consumidor. Mas à custa do quê? Primeiro da mão de obra barata, tanto numa perspectiva portuguesa quanto multi-nacional. Depois à custa das importações da china que realmente reduziram os preços drasticamente. Rico modelo para se seguir. Posso continuar se quiser, mas francamente essa utopia de que o mercado algum dia funcionará de acordo com a lei da oferta e da procura já cansa… então a ideia de que supre bem as necessidades, essa é de rir…

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  42. Insurrecto Meditativ's avatar
    14 Novembro, 2010 02:45

    fortuna,
    não vê benefícios da concorrência?
    alguns:
    televisão: diferentes programas
    hipermercados: fidelizações, descontos
    bancos: bem, é verdade que existe uma estranha simetria nalgumas taxas, mas relembro, entre outras, a tipologia que compunha a oferta do Crédito à Habitação, iniciada há 2 anos, do banco Barclays;
    lojas, seja de que produto for: promoções sazonais, descontos especiais (determinado produto)

    Quer umas calças? Tem várias marcas disponíveis. Quer uma bola de futebol? Várias marcas, tamanhos, qualidades… Quer um teclado? Idem. Quer um livro de economia? Vários autores disponíveis. Queres informação, digamos, de outra estirpe? Compra outro jornal. Queres outro governo? Votas noutro partido (concorrência não-empresarial, ok). Queres vender casa? Escolhes entre várias imobiliárias (cada uma cobra determinada comissão, opera melhor em determinados mercados). Queres viajar? Várias empresas aéreas. Queres planear as férias? Várias operadoras turísticas. Queres entrar no mundo das apostas? Várias casas, várias odds. Queres viajar de comboio (no Reino Unido, após um doloroso processo de privatização, é verdade)? Queres escolher um transporte públic0? Uma empresa de táxis? Quer uma universidade? Elas lutam por oferecer uma educação melhor e mais conceituada? Tem escolha… Também posso continuar… Aliás, até nos podemos transportar para o ridículo. Quer uma religião que melhor aceita as suas crenças? Um clube? Um partido?

    Sectores que têm beneficiado do factor concorrência: aviação; informática; vestuário; turismo;
    Concordo consigo quando refere o sector energético. As petrolíferas, por exemplo.
    Agora, penso que concordará comigo quando lhe disser que é preferível um mercado de concorrência perfeita a um mercado monopolista. Até duopolista.

    Em relação à TV Cabo, permita-me o seguinte: a TV Cabo existe desde quando? 1999? Quanto tempo demorou até se ver algo diferente, seja em termos de conteúdos, tecnologia, etc? Diferenças reais, quero dizer. Quando a PT Multimédia se separou da Portugal Telecom. O conceito triple-play reduziu o preço da oferta disponível, isso é inegável.

    O fortuna pode não ser o mais versátil dos clientes (admito que sou um gajo simples no que concerne a esse tipo de oferta), mas há quem tenha em conta os extras. Se assim não fosse, não haveria tanto anúncio, tanta oferta.

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  43. Insurrecto Meditativ's avatar
    14 Novembro, 2010 02:51

    Eu sei que é impossível colocar o sector energético a operar num mercado de concorrência perfeita.

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  44. Bulimunda's avatar
  45. fortuna's avatar
    fortuna permalink
    14 Novembro, 2010 11:52

    Meu caro, fui eu que exprimi mal! Eu não sou nada contra a concorrencia, pelo contrario, entendo que uma SÃ concorrencia e Sã diversidade, em todas as áreas de actividade, só pode ser benefica. O que eu não acredito é na concorrencia como grande factor de evolução das coisas e melhoria dos produtos. É um factor, mas de importancia diminuta. Qualquer avanço tecnologico produz melhores resultados. Qualquer decisão normativa produz melhores resultados. Para além disso, não acredito (pelo menos totalmente) na sã concorrencia. É da natureza humana. Antes de se expor e enfrentar o “adversário” o homem procura sempre outros caminhos. Se o meu amigo e eu fossemos homens das cavernas e o meu amigo inventasse uma armadilha melhor do que a minha para caçar, eu não ia imediatamente inventar uma melhor ainda. Primeiro ia caçar para mais longe, depois ia caçar outras coisas e por ai fora. Provavelmente até acabaria por reunir o conselho dos homens das cavernas para decidir que o produto da sua armadilha espectacular tinha que ser dividido por todos. A ideia de que um mercado em livre e sã concorrencia (vamos ser credulos) pode resolver o que quer que seja parece-me a mim um utopia completa que mais não serve do que argumento para defesa de opções ideologicas ou politicas. Sendo isso ali´s que aqui se passa, nesta historinha dos overheads. A ideia é ir lançando bases para dizer que este regime “social-democrata” não serve e que é preciso passar para um sistema liberal, com as consequentes alterações politico partidarias de governo.

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  46. Francisco's avatar
    Francisco permalink
    14 Novembro, 2010 12:10

    O post reflecte perfeitamente o grande equívoco liberaloportuga, que é pensar que um país é uma empresa.

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  47. Bulimunda's avatar
  48. tina's avatar
    tina permalink
    14 Novembro, 2010 14:40

    “O que eu não acredito é na concorrencia como grande factor de evolução das coisas e melhoria dos produtos. É um factor, mas de importancia diminuta. ”

    De importância mínimíssima! Foi a falta de concorrência que levou a economia dos ex-países do leste à bancarrota. E as áreas em que não há concorrência em Portugal são um desastre completo: a EDP que produz uma das energias mais caras da Europa, num país que precisa tanto de exportar e competir em preços de energia. Quanto do endividamento da EDP não contribuiupara a bancarrota que se avizinha?

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  49. Canalisador Polaco's avatar
    Canalisador Polaco permalink
    14 Novembro, 2010 16:00

    Muito bom.

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  50. fortuna's avatar
    fortuna permalink
    14 Novembro, 2010 17:28

    Tina, não, não foi! Essa realidade não pode ser percepcionada dessa forma. Havia falta de concorrencia e falta de muitas outras coisas. Atribuir à falta de concorrencia o descalabro é uma analise em cima do joelho. Na parte que eu conheci, e foi pouco quando por lá andei, o descalabro deveu-se muito mais ao desperdicio (obrigatorio, ou quase) do que à falta de concorrencia.

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  51. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    14 Novembro, 2010 19:23

    Custa-me a crer que ainda há duvide da importância da competição, da livre concorrência e abertura dos mercados para um aumento do nível de vida, possível através do aumento da produtividade.

    Não faltam estudos e textos sobre o assunto. Mas enfim, ainda há quem acredite que são apenas os saltos tecnológicos que impulsionam a produtividade quando são sobretudos os estímulos e penalizações económicas derivadas da competição.

    Click to access oft887.pdf

    Click to access 200924x10pub.pdf

    E não falta para aí literatura sobre o assunto.

    Ele há coisas que custam a aceitar, certo? A Terra é redonda, a noite e o dia são meros fenómenos naturais, etc.

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  52. jcd's avatar
    14 Novembro, 2010 20:48

    “Na parte que eu conheci, e foi pouco quando por lá andei, o descalabro deveu-se muito mais ao desperdicio (obrigatorio, ou quase) do que à falta de concorrencia.”

    O desperdício é uma das consequências óbvias da falta de concorrência. Ser eficiente deixa de ser necessário.

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  53. tina's avatar
    tina permalink
    14 Novembro, 2010 21:44

    “Na parte que eu conheci, e foi pouco quando por lá andei, o descalabro deveu-se muito mais ao desperdicio (obrigatorio, ou quase) do que à falta de concorrencia.”

    Exactamente. Desperdício, porque o lucro não era importante, já que não havia ameaça de falência, porque não havia concorrência. Se a vida deles dependesse do lucro, o desperdício acabava imdediatamente, fosse ou não obrigatório.

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  54. fortuna's avatar
    fortuna permalink
    15 Novembro, 2010 01:22

    Mais uma vez, comparando o incomparável. Num quadro de economia de mercado V. tem razão. Num quadro de economia planeada e estatizada, não tem nenhuma. Pensemos por exemplo em leite nas prateleiras dos supermercados. Fornecimento regular, distribuição regular, concorrencia leve (um supermercado aqui, outro a 500 metros ou 1 Km). Concorrencia apesar de tudo, dentro das circunstâncias. Mas ainda assim muito desperdicio. porquê? quadro normativo muito exigente. Isto não é ficção, é realidade. Se existe um quadro normativo muito exigente, mais exigente do que a industria é capaz de conferir, é o descalabro e no entanto pode haver concorrencia. No exemplo, o que acontecia era que qualquer reclamação de um cliente dava origem a processo e consequencias para o distribuidor. Logo, grande parte do leite era remetido directamente para o caixote do lixo, à minima verificação de não conformidade. Esta até podia ser de prazo, por exemplo. E todos os concorrentes faziam o mesmo. Exactamente o mesmo. deitar leite fora por incapacidade da industria corresponder às exigencias do quadro normativo. E se houvesse mais gente a concorrer, o significado era nenhum, porque ninguem se arriscava a incumprir, ainda que dai retirasse algum ganho.
    Aliás, nalgumas circunstancias o mesmo se passa em economia de mercado. Vejamos o exemplo dos cafés, novamente. Em nenhum ramo de actividade existe maior concorrencia. No entanto, com um quadro normativo exigente (lei do tabaco, por exemplo) contam-se pelos dedos os que procuraram competir (concorrer) e cativar o ENORME nicho de mercado dos fumadores. Todos se retrairam e acataram o quadro normativo, ainda que com enormes prejuizos. Para que serve a concorrencia? Quase nada. o que era mau continuou mau. O que é que melhorou e porquê? Melhorou o ambiente e o ar interior exclusivamente à custa do quadro normativo. Se a concorrencia servisse para alguma coisa de monta (neste caso) todos os donos de café teriam já antecipado a questão e montado sistemas de ventilação e extracção adequados, teriam criado ambientes propicios aos diversos tipos de clientes e teriam ganho quota de mercado. Pelo contrário, quem ganhou (e não foi quota de mercado, foi dinheiro mesmo) foram todos aqueles que puderam passar a poupar nos sistemas de ventilação. E daí resultou algum ganho para o consumidor? Acaso baixaram os preços? Tretas, é o que é… O Belmiro nos shoppings passou mas é a guardar mais umas massas no colchão. Efectivamente, a concorrencia é necessária, mas na maior parte dos casos serve mais para quem já tem muito passar a ter ainda mais. Por isso é que é um bom pretexto de uma certa intelectualidade…

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  55. Farto deles todos's avatar
    Farto deles todos permalink
    15 Novembro, 2010 14:49

    Na vizinha Espanha existe a mesma forma de arranjar empregos e mordomias para os amigos e parceiros de Partido em Institutos e Fundações públicos, tão iguais aos nossos, que nem sei quem copia quem.
    Não haverá para aí alguém que, uma vez que os governos, todos, não estão virados para acabar com estas fontes de votos e divisas para os partidos, repito, não haverá, nomeadamente em blogs, quem queira fazer na Web, um registo semelhante?
    Seguem as motivações de nuestros hermanos e o link para se poderem ligar e verificar.

    http://www.enemigopublico.org/

    Bienvenid@ a enemigo público

    Estamos poniendo en marcha la web y si tenéis sugerencias o comentarios para mejorarla, adelante.

    ¿Qué es esto? (la explicación corta para gente con prisa)

    En Enemigo público pretendemos llevar un registro lo más completo posible de la cantidad de empresas y fundaciones públicas de nuestro país.
    El tejido empresarial de un país no puede sostenerse si el estado forma parte de todos los sectores que deben ser privados. Aquí no discutimos si la educación o la sanidad deben ser privados o públicos, ya no hay nada que hacer en estos ámbitos. Lo que discutimos es , por ejemplo que el estado tenga el 100% de una de las agencia de noticias mas importante del pais ,la agencia EFE, o que tengan entre sus empresas a carpinterias, mercados, hipódromos, fabricas de corcho , etc.
    El gobierno (este y los anteriores) parecen incapaces de llevar a cabo el recuento de forma exhaustiva (mas allá de lo que figura en INVESPE), así que nos hemos propuesto echarles una mano.
    No podemos realizar esta tarea solos, así que pedimos vuestra colaboración entrando datos de empresas de las que tengáis constancia, corrigiendo los datos que figuran en la lista o simplemente corriendo la voz.

    La lista puede contener empresas y fundaciones a nivel estatal, autonómico y local, siempre que tengan una participación del estado en algún porcentaje de la sociedad.
    De momento, la lista es moderada, es decir, iremos revisando todas las entradas nuevas para evitar duplicados y verificar los datos en la medida que podamos.

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