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a lição

27 Novembro, 2010
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Por mim, tanto se me dá como se me deu que Marinho Pinto tenha apoiado José Sócrates e utilizado a Ordem dos Advogados Portugueses para esse fim. É assunto que – verdadeiro ou falso – diz exclusivo respeito aos advogados, que sabem como e por quem se querem ver representados. Coisa distinta é a forma como o reeleito bastonário utilizou e pretende continuar a utilizar a Ordem profissional a que preside para limitar e reduzir o acesso a uma profissão, neste caso, à advocacia. Isto já é assunto que diz respeito a todos.

 

Na verdade, uma ordem profissional deve servir para tutelar o exercício de uma profissão e não para fechar ou condicionar o acesso à mesma. O que deve habilitar um jovem ao exercício da advocacia é a licenciatura em direito, obtida em Universidades tuteladas pelo estado, logo, com garantia de qualidade, e não o que os profissionais dessa profissão decidam impor-lhe para protegerem as suas posições no mercado. Infelizmente, foi por esta razão que os advogados votaram maioritariamente em Marinho Pinto: porque ele lhes garantiu que continuaria a fechar o acesso à corporação. E essa é que é a triste a lição a retirar sobre o Portugal dos nossos dias.

68 comentários leave one →
  1. lucas's avatar
    lucas permalink
    27 Novembro, 2010 12:04

    infelizmente essa limitação de acesso à profissão acontece em muitas outras “castas” profissionais também. Contabilistas, engenheiros, etc etc etc

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  2. Manuel António Perei's avatar
    Manuel António Perei permalink
    27 Novembro, 2010 12:17

    Os debates entre os candidatos teve nível de tasca. Foi eleito o TASQUEIRO-MOR.

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  3. Manuel Costa Reis's avatar
    Personal Jebus permalink
    27 Novembro, 2010 12:36

    O curso de direito não é de longe um curso em advocacia deva-se dizer. Isso é que é uma das grandes falsas verdades que percorre Portugal.

    Actualmente o mercado de advogados está bastante saturado pelo que até é normal impor mais algumas restrições à entrada de “caloiros” mas, sejam excessivas ou não essas restrições não me cabe a mim opinar.

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  4. CL's avatar
    27 Novembro, 2010 12:51

    Mais de metade dos que votaram não se se revêem no bastonário eleito.

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  5. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 12:54

    Coloque-se o problema de outra forma: há 27 mil advogados e várias faculdades de Direito que formam todos anos mais umas tantas centenas ou milhares.

    Que fazer? Os médicos, no seu devido tempo resolveram o problema condicionando a montante, o acesso à profissão, porque perceberam que o alargamento dos cursos os iria empobrecer a todos.

    Os advogados, esses, mada fizeram. A voragem dos universitários que dão aulas fez o resto.

    De quem é oi problema e de quem depende a solução?

    O bastonário Marinho e Pinto ( que vou passar a respeitar de acordo com o respeito democrático de quem é eleito sem margem de dúvida e por isso representa a classe) tenta resolver o problema de outro modo: a juzante, impedindo o acesso á profissão dos formados cujas universidades não estão para se preocupar com isso. Pudera!

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  6. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    27 Novembro, 2010 12:55

    «Mais de metade dos que votaram não se se revêem no bastonário eleito.»
    Mas essa é outra boa lição sobre o país, caro Carlos: não se revêem, mas não foram capazes de se unir para o derrotar.

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  7. C. Medina Ribeiro's avatar
    27 Novembro, 2010 13:06

    «Os advogados votaram maioritariamente em Marinho Pinto: porque ele lhes garantiu que continuaria a fechar o acesso à corporação».

    Sucede o mesmo com os médicos. O bastonário da respectiva Ordem opõe-se à criação de mais cursos de Medicina pois (e a afirmação é dele) embora haja agora falta de médicos, haveria excesso daqui a 10 anos.

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  8. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 13:09

    Há uma diferença entre os médicos e os advogados, neste aspecto: os universitários que contam, entre os médicos também são práticos nos hospitais e dominam a Ordem de algum modo. Os advogados que contam, não dominam o ensino universitário do Direito que está entregue a um feudo hegemónico com grandes laivos de endogamia.

    E o Rui a. sabe que assim é.

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  9. ccz's avatar
    27 Novembro, 2010 13:25

    E o que impede um jovem licenciado em Direito de ir a Madrid inscrever-se na Ordem Espanhola?

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  10. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    27 Novembro, 2010 13:27

    «Sucede o mesmo com os médicos.»
    Exacto. É o país em que vivemos.
    «Os advogados que contam, não dominam o ensino universitário do Direito»
    Pois não. Nem têm que dominar. Uma Escola de Direito não é uma Escola de Advocacia, como o José bem sabe, ao invés de uma Escola de Medicina, que só forma médicos.

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  11. fado alexandrino's avatar
    27 Novembro, 2010 14:04

    advocacia é a licenciatura em direito, obtida em Universidades tuteladas pelo estado, logo, com garantia de qualidade
    Deixe-me rir.
    Alguns dos novos bolonheses mal conseguem ler uma pagina de Eça sem tropeçar nos substantivos.

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  12. Carlos Pires's avatar
    27 Novembro, 2010 14:21

    Não gosto de Marinho Pinto por vários motivos. Mas adiante.
    A existência de exames de acesso não poderá ter outro significado e uma função mais positiva? Mesmo num país mais desenvolvido que Portugal o facto de alguém ter uma licenciatura garantirá que tem as competências mínimas para exercer a profissão? Por muito boa que seja a faculdade será possível garantir isso? Se o licenciado tem essas competências então será certamente aprovado no exame. Trate-se de mais uma prova, apenas. Se existem dúvidas sobre a elaboração do exame e os critérios de avaliação então discuta-se isso em vez de querer acabar com o próprio exame.
    A avalição, se for justa, é algo de bom. Se for injusta, deve-se combater essa injustiça e não a própria avaliação.
    Por isso, considero que este exame é uma das raras boas ideias defendidas pelo bastonário MP. Seria bom que ele tivesse perdido as eleicções, mas seria mau que o exame acabasse.

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  13. Por outra's avatar
    Por outra permalink
    27 Novembro, 2010 14:36

    Curioso,dizem merados, como um post do JM, abaixo, ontem, veio a concorrer para a eleição do Marinho Pinto, quando tudo apontava o contrário e nada o fazia crer.
    Curioso, no mínimo, como insondáveis são os desígios divinos e caprichosa a vontade do senhor.

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  14. Por outra's avatar
    Por outra permalink
    27 Novembro, 2010 14:37

    Curioso, dizem mercados…

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  15. Manolo Heredia's avatar
    Manolo Heredia permalink
    27 Novembro, 2010 14:50

    Eu recusaria à partida ser defendido por um “advogado” recém-licenciado em Direito num curso tipo Bolonha (de 3 anos após o 12º ano de escolaridade).
    Não é por acaso que em Barcelona se assistiu a uma mega-manifestação de Estudantes-Bolonha contra o ensino que lhes estava a ser ministrado. Os próprios estudantes apercebem-se que enviaram um valente barrete!!!
    O Estado não garante um mínimo de qualidade nos cursos bolonha. Por exemplo, um licenciado num curso de turismo (qualquer no esquema bolonha) não pode ter carteira profissional de guia turístico. Isto é, o próprio Estado reconhece que a qualidade daqueles cursos é má, e que os profissionais saídos desses cursos, se pudessem exercer a profissão de guia-turistico, punham em causa a imagem do nosso país junto dos estrangeiros que nos visitam.

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  16. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 15:16

    “Uma Escola de Direito não é uma Escola de Advocacia, como o José bem sabe, ao invés de uma Escola de Medicina, que só forma médicos.”

    Uma escola de Direito é uma escola de juristas. Para onde vão, profissionalmente? Ou para a função pública, incluindo por isso as magistraturas e as assessorias em ministérios ( coisa rara em vias de extinção, substituidos pelo outsourcing das firmas que assim mandam e obtém o que querem) ou então para a profissão liberal.

    Uma escola de Medicina é uma escola de médicos porque a profissão assim se designa. Médico é o passepartout de um licenciado em medicina. Mas o exercício da profissão, tal como a dos juristas, pode fazer-se na função pública dos hospitais públicos e centros de saúde e na actividade privada.

    Não vejo diferenças substanciais.

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  17. será's avatar
    será permalink
    27 Novembro, 2010 15:26

    «Os advogados que contam, não dominam o ensino universitário do Direito
    é de rir…nas corporativas, já que não existe ensino privado superior, pululam os advogados.

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  18. Regina's avatar
    Regina permalink
    27 Novembro, 2010 15:33

    Mais vale poucos mas bons… além disso, o curso de direito tem alunos minimamente interessados em advocacia, que fazem as cadeiras á custa de auxiliares de memória…
    O grande problema é que existe em Portugal a cultura que ter um curso superior é que é sinal de sucesso profissional, e que os cursos ideais são direito, engenharia ou medicina. Enquanto assim for o desemprego só pode aumentar…
    É óbvio que não há lugar para todos…imagine-se se todos queriam ser médicos…estavam as fábricas sem gestores ou engenheiros e os hospitais com médicos a limpar o chão.
    A ideia que um curso técnico é inferior além de educação preconceituosa é sinal de atraso da nossa população.
    Além disso, prossupõe-se que se deve estudar o que se gosta e deseja para exercer no futuro como profissão, o que sabemos que não acontece:
    os jovens chegam ao 12º e candidatam-se quase sem pensar, tipo “vamos jogar no euromilhões e ver se sai alguma coisa”!

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  19. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    27 Novembro, 2010 16:50

    Portugal Social-Corporativo.
    A Nobreza, a Aristocracia a impedir a Liberdade ás Pessoas.
    É tempo de acabar com a Unicidade das Ordens.
    .
    “Que fazer? Os médicos, no seu devido tempo resolveram o problema condicionando a montante, o acesso à profissão”
    -“Problema”? não é problema para o mercado que são as pessoas.
    Quer limitar as televisões à venda?
    Quantos mortos/deficientes devido à falta de médicos e atraso nas consultas? essa estatística não existe.

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  20. De Puta Madre's avatar
    27 Novembro, 2010 16:58

    Parece-me que estás a dar 1 volta à questão … Exames Nacionais parecem-me uma prática a adoptar como das medidas mais Urgentes para este País. Para que o Critério Profissionalismo Y competência ganhem Lastro efectivo.
    Não s´o os Advogados, mas outros profissionais – nomeadamente o caso gritante dos Professores … Sabes que tens Licenciados ( todos por Universidades :))) … pois. Universidades!!… ) em que os que tem p. ex. Licenciados em Estudos Portugueses … q costado seu curriculum pelo menos 2 cadeirões de Latim – desempregadíssimos … Y em contra partida tens Os Licenciados em Português do Piaget ( os tais que mal conseguiram 10 de média ) … como os Professores do País …

    Yep. Exames Nacionais … O mais que pode prejudicar é os Portadores de Licenciatura de “Perfil” … Sim! O Grande critério para a empregabilidade Nacional … O Efeito Sugestão. É! Enquanto o País funcionar a sob o Efeito-Sugestão vamos andar perdidos.
    Quem tem Coragem de Propor exames Nacionais em Portugal como forma de aferir qualidade no Mercado de trabalho , merece o benefício da Dúvida ( pelo menos!!)
    É tempo de largar a saia da família. Percebes? Vale.

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  21. Orabolas's avatar
    Orabolas permalink
    27 Novembro, 2010 17:16

    cliques, claques, grupos, amigos, padrinhos, mafias e outras porcarias… é o regime. as ordens sempre ás ordens…

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  22. Eduardo F.'s avatar
    27 Novembro, 2010 17:20

    Uma das razões para o nosso proverbial atraso radica nas práticas de “condicionamento” de acesso às actividades económicas, profissões incluídas que, por sua vez, inflaccionam os preços dos serviços associados invocando sempre, claro está, a defesa da “qualidade” desses mesmos serviços.

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  23. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    27 Novembro, 2010 17:50

    José,
    há 27 mil advogados e várias faculdades de Direito que formam todos anos mais umas tantas centenas ou milhares.
    Que fazer? Os médicos, no seu devido tempo resolveram o problema condicionando a montante, o acesso à profissão, porque perceberam que o alargamento dos cursos os iria empobrecer a todos (…) O bastonário Marinho e Pinto ( …) tenta resolver o problema (…) a juzante, impedindo o acesso á profissão dos formados (…)

    Deixem ver se consigo deslindar este refinado racicínio: o Zé acha que havendo muitos advogados, isso pode condicionar a clientela aos existentes. Pois, essa coisa da concorrência é uma chatice … que se passa, de resto, com quase todas as profissões – barbeiros, mecânicos, alfaiates, produtores, agricultores, industriais, etc. etc. etc.
    O Zé sabe que desse “mal” sofrem muitos, mas acha que os advogados não se devem sujeitar a tal pobreza e por isso defende os mecanismos corporativistas as ordens profissionais a condicionar o acesso à profissão. Acha que algumas classes profissionais, dado o seu prestígio, se devem fechar em si para evitarem a concorrência e assim conseguirem ganhar mais dinheiro. Uma ideia brilhante que nunca me tinha passado pela cabeça. Só falta dizer que quem perde com esses elitismos e esses proteccionismos salazaristas é o resto da população.

    Alguém controla o número de mecânicos? Não. Alguém controla o número de barbeiros? Não. Alguém controla o número de produtores de salsichas? Não. Onde foi encontrado então esse equilíbrio? Foi o livre funcionamento do mercado que o encontrou.
    O mesmo se passaria nestas classes profissionais: sem corporativismos ordens, seria o livre funcionamento do mercado a equilibrar o número. Claro que isso é incómodo, pois para se ganhar mais tem de se ser melhor. É sempre preferível impedir a concorrência.

    Que país de gente tão … tacanha.

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  24. MDN's avatar
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    27 Novembro, 2010 18:05

    Fala-se com uma facilidade em curso de direito com 3 anos, meus amigos, va.mos ver se percebemos algo , a unica faculdade que atribui a licenciatura em direito com 3 anos é em Lisboa. Repito a UNICA. Nas restantes o curso foi reduzido para 4 anos, sendo que algumas cadeiras suprimiram contextos historicos e transformaram anuais em semestrais. Por isso menos leviandade a falar em cursos de dto com 3 anos, ate parece que se trata da maioria, agora passa se a dar mais importancia a uma parte do que ao todo.
    .
    E ja agora, alguem que me explique a legitimidade de uma ordem que tenta limitar o acesso a uma profissao, sendo eles (advogados no activo) os principais beneficiados, pois tal tem como consequecia a diminuicao da concorrecia.

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  25. JCA's avatar
    JCA permalink
    27 Novembro, 2010 18:06

    .
    Pintado com todas as cores do arco-iris ou embrulhado em todas as sebentas e cábulas é tudo elite do melhor que há mas que vai dar tudo ao mesmo: o ‘arame’, o ‘caroço’, o ‘taco’, a ‘gaita’, o ‘papel’, os “aèreos’, o ‘dinheirame’. Por cima ou por baixo da mesa. Por mérito proprio ou à custa do parceiro do lado. Esquerdoide ou Direitoide. Tanto faz desde que escorra o vil metal em espécie ou cabedal.
    .
    Interessante. O bigboss porta-voz do Euro é o Ministro das Finanças do Paraíso Fiscal’, Luxemburgo. É o que está a dar há muito tempo. Fala-se em tanta elite, escol, altas competências académicas em Portugal,
    .
    para quando PORTUGAL ZONA ECONOMICA ESPECIAL dentro da UE como o Luxemburgo e não só ? Andam a dormir há seculos ou a fazer o frete a Espanha ou os espanholistas ou os espanholados ? É que só nos safamos se voltarmos à nossa raiz, uma plataforma de tráfego e traficância, quase um paraíso fiscal para a Produção. Comércio, Banca e Seguros.
    .
    Só nos safámos na altura das Descobrimentos quando miraculosamente houve o ajuste certo entre o que é o Mundo e como os Portugueses são. E aí funcionou, até o cruzado era o dolar de Hoje pela mão duma micro-minoria no Planeta. Quando umas gentes ‘finas’ e ‘letradissimas’ tiveram tretas&manhas de ‘estrangeirar isto tudo’ para embasbacar simplorios, ardeu até hoje
    .

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  26. José's avatar
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    27 Novembro, 2010 18:21

    Pinto:

    Infelizmente, não tem razão.

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  27. Pinto's avatar
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    27 Novembro, 2010 18:22

    MDN
    a unica faculdade que atribui a licenciatura em direito com 3 anos é em Lisboa

    É bom explicar uma coisa, para que não haja confusão: a única faculdade que atribui a licenciatura em Direito em três anos é a Autónoma, situada em Lisboa. Não é a Universidade de Direito de Lisboa – nem a faculdade Nova nem a Clássica.

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  28. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 18:24

    As ordens profissionais JÁ condicionam o acesso à profissão. No entanto, no Direito, com 27 mil advogados a disputarem a clientela, há notoriamente gente a mais na profissão.

    Infelizmente, a livre concorrência não existe. Existe outra coisa: manda quem pode, obedece quem deve. Lei do mais forte, capite? Neoliberalismo à solta só pode dar com os burrinhos na água.

    Não há nenhum país que não controle minimamente o acesso a determinadas profissões, condicionando-o de vários modos. Nos EUA até os sindicatos o fazem.

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  29. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 18:27

    E agora pergunto: qual é melhor, limitar o acesso no início, através de numeros clausus ( em Medicina já funciona assim e por exemplo no CEJ é igual) ou deixar entrar toda a gente que puder e depois deixá-los enfrentar a lei da selva?

    O que o Marinho e Pinto quer fazer é mais perverso: limitar o acesso depois de as pessoas se terem formado para o exercício da profissão.

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  30. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    27 Novembro, 2010 18:27

    José,
    Pinto:
    Infelizmente, não tem razão

    Pois não José … não é bom deixar o mercado funcionar. A concorrência é uma coisa incómoda. É mais fácil conseguir-se clientela pela escassez de oferta.

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  31. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    27 Novembro, 2010 18:32

    José,
    qual é melhor, limitar o acesso no início, através de numeros clausus ( em Medicina já funciona assim e por exemplo no CEJ é igual) ou deixar entrar toda a gente que puder e depois deixá-los enfrentar a lei da selva?

    Repito: Alguém controla o número de mecânicos? Não. Alguém controla o número de barbeiros? Não. Alguém controla o número de produtores de salsichas? Não. Onde foi encontrado então esse equilíbrio? Foi o livre funcionamento do mercado que o encontrou.
    Na indústria e nas outras actividades profissionais impera a “lei da selva”? É capaz. Mas foi por causa dessa lei que hoje consegue uma televisão ou um frigorífico com menos de metade de um ordenado médio ou fazer uma chamada telefónica por meia dúzia de cêntimos. Teria sido mais fácil a estes industriais barrarem a proliferação de produtores do ramo.

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  32. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 18:50

    Pinto: é uma opinião. Então se o mercado é o rei do equilíbrio por que razão as farmácias não crescem como cogumelos?

    E os supermercados e hipermercados e lojecas de venda de artefactos em via pública? E os vendedores de castanhas também são livres de se estabelecerem onde quiserem?

    O único problema que coloco é este: a regulação dos mercados deve ou não funcionar como princípio?

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  33. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 18:51

    Foi essa mentalidade, a meu ver, que nos trouxe ao local onde estamos e for por isso mesmo que houve esta crise financeira: o liberalismo à outrance e o salve-se quem puder e ainda os mercados a funcionar sem regulação.

    Deu no que deu, mas parece que ainda há adeptos da coisa. Idealistas, tais como os comunistas o são. As parecenças, aliás, são flagrantes.

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  34. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    27 Novembro, 2010 19:09

    José,
    Foi essa mentalidade, a meu ver, que nos trouxe ao local onde estamos e for por isso mesmo que houve esta crise financeira

    No Estado Novo para criar uma empresa era necessário que os profissionais do ramo dessem o aval, ou por outras palavras, que dissessem que ainda havia lugar para mais um. Era o corporativismo no seu expoente máximo.

    Não sei o que despoletou a crise actual mas pelo que dizem os especialistas foi o excesso de Estado e não a ausência dele. Não me parece que tenha sido por via do neo-liberalismo que o Estado se tenha endividado até às orelhas.

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  35. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    27 Novembro, 2010 19:12

    José,
    Então se o mercado é o rei do equilíbrio por que razão as farmácias não crescem como cogumelos?

    Porque também havia corporativismo. Mas isso já acabou e os actuais farmacêuticos já bradam aos sete ventos.

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  36. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 19:35

    PInto:

    Os Estados endividaram-se para salvar os bancos. Os bancos tinham-se endividado por efeito do liberalismo financeiro. A Irlanda é o exemplo real.

    O corporativismo não é isso que aponta.

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  37. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    27 Novembro, 2010 19:52

    “Os Estados endividaram-se para salvar os bancos. Os bancos tinham-se endividado por efeito do liberalismo financeiro. A Irlanda é o exemplo real.”
    .
    Liberalismo financeiro…hmm…quem é que define as taxas de juro? Não serão os Bancos Centrais?
    .
    Na maioria dos casos os Estados já estavam endividados.
    Portugal, Espanha, Grécia, Italia, França, Inglaterra, EUA são exemplos.
    Os Bancos não se endividaram, emprestaram dinheiro a quem não pode pagar e ficaram com activos que se desvalorizaram porque quem manda no preço do dinheiro são os Estados.
    .
    Se as taxas de Juros são 1% aparecem milhões a querer dinheiro. Como os activos nessa altura estão a valorizar tudo corre bem. No dia em que deixam de valorizar passa a correr mal.
    Na Irlanda as taxas de Juro chegaram a ficar negativas.
    Quando uma economia dinâmica se liga a economias estagnadas e o Banco Central baixa os Juros para estimular as estagnadas é evidente que a bolha é maior na mais dinâmica.
    E é bom que se tenha consciência que ainda não vimos o fim do filme.

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  38. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 19:58

    Garantias de empréstimo. Quem empresta deve assegurar-se que o devedor pode pagar e por isso se garante contra o risco.

    No caso vertente, as garantias, numa boa parte dos casos assentavam em ar e vento. O que interessava era emprestar a quem não tinha lugar onde cair morto.
    Não foi por isso que rebentou a bolha imobiliária? Quem ganhou com isso?

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  39. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    27 Novembro, 2010 20:06

    http://www.cityam.com/news-and-analysis/allister-heath/how-the-euro-caused-ireland’s-crisis

    “…Ireland would have needed very high interest rates during the bubble years; instead, Frankfurt gave it ultra-cheap money. Even in January 2006, when many of the more idiotic lending decisions taken by Irish banks were being planned, the European Central Bank’s main interest rate was just 2.25 per cent. This probably made sense for Germany and maybe even for France. But it was an absurdly low rate for Ireland, which could have done with rates of eight per cent or even nine per cent. Inflation in the Emerald Isle hit 4.2 per cent in August, way too high; for 2006 as a whole, Ireland’s GDP surged by 6.0 per cent and its gross national product by 7.4 per cent. In other words, at the height of a property, economic and mortgage boom, Ireland was enjoying negative interest rates after adjusting for inflation. ..”
    .
    Ou seja um Irlandês inteligente deveria gastar todo o dinheiro, chapa ganha chapa gasta e mais, pedir emprestado do que ter o dinheiro no Banco a ser destruído pela inflação.
    .
    Ainda hoje com o BCE a dar alcool ao alcoolico assim como o Banco Central Inglês:
    Negative equity mortgages are not an Irish joke – UK lenders do them too
    http://www.guardian.co.uk/money/2010/jun/27/negative-equity-mortgages-ireland-uk
    .
    voltámos ao mesmo…

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  40. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 20:12

    Quais são as garantias de empréstimo que os bancos exigem?

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  41. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    27 Novembro, 2010 20:14

    “Garantias de empréstimo. Quem empresta deve assegurar-se que o devedor pode pagar e por isso se garante contra o risco.”
    .
    As garantias são a propriedade.
    Que supostamente iria subir sempre porque com os baixos juros porque toda a gente gasta o dinheiro que tem e assim com muitos negócios e cada vez com preços mais altos os Estados- e as municipalidades- têm muita receita para o Estado Social crescente e ao mesmo tempo o vêem desemprego diminuir. Todos clamam por juros baixos porque todos são parte interessada.
    O problema é que esta bebedeira de actividade não é sustentável. Esta pilula de hiper actividade induzida pelos Juros baixos esbarra quando o mercado ou seja as pessoas ficam saciadas. E como não há pessoas infinitas…ou seja o mercado não é infinito.

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  42. Pensador's avatar
    27 Novembro, 2010 20:16

    Vão ser mais três anos de desprestígio da profissão de advogado.
    No entanto, cabe perguntar: como é possível que os advogados que votaram (eu, não) nesse indivíduo não entendam o elementar?
    A resposta é evidente. Ou não?

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  43. José Barros's avatar
    José Barros permalink
    27 Novembro, 2010 20:16

    Concordo em absoluto com o post.

    O que venceu nas eleições da OA foi evidentemente o desespero dos advogados de província que já não conseguem ter clientes para pagar a água e luz dos seus escritórios. Marinho Pinto descobriu a pólvora dos bastonários: tornar uma profissão liberal numa profissão de acesso condicionado por aqueles que chegaram primeiro ao mercado.
    O pequeno problema que a falta de inteligência dos eleitores do Marinho Pinto não resolve tem a ver com a circunstância de nem com exames à entrada da ordem se resolver o suposto excesso de advogados. Isto porque, mais tarde ou mais cedo, os licenciados passarão no exame e invadirão o mercado já saturado.
    Assim sendo, os eleitores do Marinho Pinto podem estar certos de que o seu Bastonário não resolve coisíssima nenhuma, como não resolveu no seu primeiro mandato. Se alguma vez esses advogados de província puderem voltar a “respirar” profissionalmente, tal dever-se-á muito provavelmente ao facto de o mercado ter resolvido o problema, levando muitos advogados a trocar de profissão para poderem fazer a sua vida.

    Donde, o José, salvo o devido respeito, não ter razão nesta questão.

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  44. José's avatar
    José permalink
    27 Novembro, 2010 20:23

    As garantias são a propriedade. Não são. Se fossem, não havia crise bancária.

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  45. Euro2cent's avatar
    Euro2cent permalink
    27 Novembro, 2010 20:31

    Só para cultura geral, sugiro a consulta do termo americano “bar exam”.

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  46. lucklucky's avatar
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    27 Novembro, 2010 20:40

    “As garantias são a propriedade. Não são. Se fossem, não havia crise bancária.”
    .
    É claro que são. Mas as propriedades desvalorizaram. Por isso é que foi tudo abaixo.
    O Banco emprestou 5 milhões para comprar uma casa. Esta desvaloriza para 4 milhões. O Banco se a toma dos clientes que não pagaram tem um prejuízo de 1 milhão.
    Simplificado é isto.

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  47. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    27 Novembro, 2010 20:49

    http://www.ronanlyons.com/2009/06/12/property-a-shining-example-of-never-a-better-time-to-save/
    .
    “The green parts are where the real cost of borrowing was not only negative but significantly negative – borrowers were basically being subsidized 10% a year or more to borrow. This occurred in the late 1970s and again from 1998 to 2001. These were the ‘no-brainer’ times to have a mortgage, as real interest rates were whittling them away. In fact, for almost 60% of the last 33 years – and over the whole course of the Celtic Tiger period – real property interest rates were negative, giving perhaps a slightly different perspective on the usual “Why Irish love buying their home” story.
    .
    The yellow shows where real interest rates in Irish property were positive, while the red shows where the cost of borrowing in real terms exceeded 10%. With deflation embedded in the Irish property market at the moment, its real interest rate has soared, touching 15% in recent months. The real cost of borrowing for property is higher now than at any point since the figures began in the mid-1970s and shows perhaps that for all the rent/buy arguments out there, prospective buyers are happy to sit, wait and save.”

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  48. ping pong's avatar
    ping pong permalink
    27 Novembro, 2010 21:01

    Pois é ..
    Argumenta-se que o exame de admissão à ordem tem o propósito de escolher os mais competentes evitando assim lançar no mercado os profissionais que saiem das universidades de vão de escada … mas alguém acredita que uma prova, por muito exigente que seja, pode servir para este propósito sem serem cometidas injustiças graves?
    – ninguém regula a qualidade da docência (forma e conteúdos) das escolas de direito?
    – caso seja exista essa regulação, o que impede a ordem de decretar a não admissão de alunos das escolas sem padrões mínimos de qualidade?
    – será que o mecanismo dos estágios tutelados por patronos faliu no seu propósito de promover competências profissionais mínimas exigidas aos advogados ?
    O exame de admissão serve unicamente para impedir um número excedentário de profissionais e não resolve o problema da competência.
    Os cidadãos têm razões para estar preocupados quando precisarem de um advogado para defender as acções de litigância em que possam estar envolvidos.
    Entre o corporativismo de Salazar e o deste regime “democrático” há um dito popular que define tudo: muita parra, pouca uva.

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  49. Ana R's avatar
    Ana R permalink
    27 Novembro, 2010 21:14

    Da maneira como eu vejo as coisas ou a advocacia é uma profissão liberal e acaba-se o exame de acesso ou então a advocacia não é uma profissão liberal e acaba-se a Ordem. Marinho Pinto não podia querer saber menos sobre o decréscimo qualitativo do ensino. O que ele quer mesmo é emitir soundbytes que caem muito bem junto dos portugueses e dos advogados descamisados. Infelizmente, as pessoas não têm conhecimento da realidade (e por isso continuam a alardear alegremente que o curso é de 3 anos quando, como já dito, só o curso da Autónoma tem 3 anos e não percebem que que o exame foi corrigido com muito pouca seriedade o que se demonstra pelo facto de terem existido subidas em recurso do mesmo de 10 valores). Até percebo que o desespero de não ter clientes faça com que Marinho seja popular o que eu não percebo é que pessoas que são licenciadas em Direito não vejam que o que Marinho propõe é intrinsecamente injusto.

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  50. Mosca Morta's avatar
    Mosca Morta permalink
    27 Novembro, 2010 21:32

    Fui professor licenciado por uma universidade clássica, no caso a Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Por volta de 1980 e anos seguintes os licenciados de “aviário” de Braga, Aveiro e Évora tinham prioridade no acesso à profissionalização sobre os oriundos das universidades clássicas. Por isso entendo perfeitamente a posição do dr. Marinho Pinto: só deve entrar na profissão de advogado aqueles que tiverem os conhecimentos científicos indispensáveis para poderem ser profissionais minimamente competentes.

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  51. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    27 Novembro, 2010 21:40

    Ó Mosca Morta, a Universidade de Évora foi fundada em 1559. A de Aveiro tem sido considerada a melhor do país. Em contrapartida, olhe a Faculdade de Letras da UP, lá pela década de 80, não tinha um prestígio por aí além…

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  52. Ana R's avatar
    Ana R permalink
    27 Novembro, 2010 21:48

    O problema mosca morta está em saber quem afere esses conhecimentos. Mais, em saber se a Ordem tem competência para aferir esses conhecimentos (e se não haverá um conflito de interesses porque quem os corrige potencialmente não estará interessado na entrada de mais advogados na Ordem). A Ordem a aferir conhecimentos científicos?? Só pode ser piada. Quem os afere são os professores universitários e não sucedâneos do Bastonário/jornalista com média de 11 (e acresce que o facto de justificar o que para si é uma injustiça com outra também não me parece bem)

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  53. hajapachorra's avatar
    hajapachorra permalink
    27 Novembro, 2010 22:35

    O José e o Rui esquecem a principal diferença entre o ensino do direito, ou de qualquer outra área das humanidades, e o ensino da medicina. Este é muito caro, muito mais caro. Por isso faz todo o sentido que se controle o acesso ao curso de medicina; seria desperdício de recursos, uma socretinice, formar médicos a mais. Eu sei que não é por essa razão que o numerus clausus é tão clausus desde 1987. O problema em direito vem a resolver-se naturalmente, se ainda houver um mínimo de racionalidade no país. E era uma benção se o número de candidatos a direito caísse para metade. O ensino nas faculdades de direito melhoraria de imediato e passaríamos finalmente a ter cursos ‘bolonheses’. Que a maioria dos advogados não sabe ler nem escrever, e muitos juízes e procuradores, é uma obviedade, mas não é de agora.

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  54. hajapachorra's avatar
    hajapachorra permalink
    27 Novembro, 2010 22:37

    O bastonário não aquenta nem arrefenta. É um triste traste.

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  55. Me's avatar
    27 Novembro, 2010 23:02

    mais grave ainda é o club dos médicos. prejudica bem mais a população . em vários sentidos , até a nível de sns . têm de pagar mais caro profissionais por falta de concorrência a valer. compensava abrir faculdades e acabar com numerus clasus. é só ver o que se passou com os dentistas brasileiros :preços a descer , dentistas portugueses a protestar , cariados a bater palmas.

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  56. Mosca Morta's avatar
    Mosca Morta permalink
    27 Novembro, 2010 23:04

    rui a. e Ana R.
    A realidade é que a FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) formava pessoas na área exclusivamente científica durante cinco anos e posteriormente, quem quisesse seguir a área ensino teria que se sujeitar à formação em exercício na escola durante dois anos como aconteceu comigo; a malta de Braga, Aveiro e Évora tinha apenas três anos de formação científica e dois de formação pedagógica e tinha prioridade sobre os outros na profissionalização.
    De resto a antiguidade só é um posto na tropa e duvidar da qualidade da FLUP nos anos oitenta é demonstrador de, para ser simpático, falta de informação. Outras escolas, antigas ou novas, têm formado licenciados com a qualidade e rigor do nível do nosso primeiro e do seu amigo transmontano.
    Infelizmente tenho tido necessidade de usar serviços de advogados e, olhando apenas para a forma como eles escrevem em Português, sou forçado a entender perfeitamente a posição do dr. Marinho Pinto.

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  57. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    27 Novembro, 2010 23:33

    Quando o Club Bildberg liberalizar as suas entradas, então aí é justo pensar em liberalizar a entrada de magotes de licenciados em direito pelas actuais universidades tiriricas…

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  58. Ana R's avatar
    Ana R permalink
    28 Novembro, 2010 00:23

    Mosca Morta,
    Sobre a qualidade da FLUP não me posso pronunciar. Nasci nos anos 80. Contudo, digo-lhe o seguinte. O ensino em Portugal é uma lástima o que não contesto. Há uma elevadíssima percentagem de licenciados analfabetos (quer sejam licenciados em Direito ou noutro curso qualquer), também não contesto. Eu percebo que o Bastonário passe a imagem para a opinião pública de defensor de qualidade no ensino mas, na realidade, o Bastonário não podia querer saber menos da qualidade do ensino. O que lhe digo é que o exame não serve para aferir competências, não foi corrigido de uma maneira séria, serve única e exclusivamente para barrar a entrada a licenciados independentemente dos conhecimentos que estes tenham. O Bastonário mete todos os licenciados no mesmo saco e fá-los passar por ignorantes. Mais, alguns advogados ressabiados aplaudem o que é grave. Explicação dada – sofri tanto para ter o meu curso e agora estes têm notas melhores com menos esforço (ainda hoje ouvi uma jovem advogada queixar-se porque determinada faculdade anda a dar 14 ao desbarato). Os tempos mudam não vejo diferenças abissais entre o ensino hoje e há 20 anos atrás (em alguns casos o ensino até mudou para melhor no que toca ao ensino em Direito porque se dá agora mais importância ao ensino prático). Aliás, se o ensino há 20 atrás fosse óptimo como se pretende não teríamos advogados de 40 anos que nem sabem escrever decentemente.

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  59. José's avatar
    José permalink
    28 Novembro, 2010 01:26

    “Aliás, se o ensino há 20 atrás fosse óptimo como se pretende não teríamos advogados de 40 anos que nem sabem escrever decentemente.”

    Não escreve “decentemente” quem quer, mesmo sendo catedrático. Os livros de Costa Andrade não estão bem escritos. Os de um tal Paulo Ferreira da Cunha idem.

    Portanto, o problema é outro.

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  60. 100anos's avatar
    100anos permalink
    28 Novembro, 2010 01:40

    Pois a mim não.
    Incomoda-me que uma instituição pública, com poderes vinculados e obrigada à defesa da cidadania não pode ser instrumentalizada contra ou a favor de certa política ou de certo político.
    Nesse sentido os deveres da Ordem dos Advogados não diferem dos deveres de qualquer outra entidade de direito público, como as autoridades de regulação, o Banco de Portugal, a Ordem dos Médicos ou o Conselho Superior da Magistratura.
    Para cúmulo, para além desses deveres de ordem geral, a OA é uma pessoa colectiva de direito público ligada à aplicação da justiça, onde a isenção é mais do que um dever, é a própria espinha dorsal da instituição.

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  61. JCA's avatar
    JCA permalink
    28 Novembro, 2010 14:12

    .(cont)
    “É que só nos safamos se voltarmos à nossa raiz, uma plataforma de tráfego e traficância”
    .
    Ora venha de lé a nova brigada do reumático a cuspir pedras e lagartos.
    Foi o ‘segredo’ do Salazar na II Guerra Mundial que suponho nem ele percebeu. Porque era mais ‘prudência’ e ‘rabinho entre as pernas’ proprio do provincianiosmo elitistas TUGA a nivel internacional (e o TUGA é nesta CASTA PROVINCIANA que se envaidece toda com o ‘estrangeirismo’ tão longe do que o ser Português é).
    .
    E vamos lá ao resto dos outros mitos economicos ‘Salazarismo&MarceloCaetanista’, crescimentos a 6% etc,
    .
    onde ficam aí a DISPENSA & ARMAZEM COLONIAL ?
    Nota: foi deixado praticamente virgem, nem petroleos e minerais exaustivamente sacados como os outros fizeram.
    .
    onde ficam aí a OUTRA DISPENSA & ARMAZEM COLONIAL que eram Escudos Angolanos, o Escudo Moçambicano and so on, o tal dinheiro que nunca foi dinheiro por inconvertivel no mercado cambial mundial. Só havia um ESCUDO no Mundo, o de Lisboa, o resto era palha (que o digam os Retornados menos avisados que ficaram com os bolsos cheios de papel para o lixo)
    .
    JOSÉ não é ofensa, creia que o leio com muito interesse e atenção. Vale a pena lê-lo.
    Mas é o que se passava como por exemplo os Japas a vender gravatas em Lisboa com as antenas da espionagem montada nos pinheiros mansos à volta do Aeroporto de Lisboa ou os arianos com espionagem a favor dos U2 montada naquele casarão da Ilha de S Maria ou o submarino carregado de mercurio para a base S121 na Antartica etc etc.
    .
    “É que só nos safamos se voltarmos à nossa raiz, uma plataforma de tráfego e traficância”
    .

    .

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  62. PALAVROSSAVRVS REX's avatar
    28 Novembro, 2010 18:20

    Sinto-me comovido.

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  63. João R.'s avatar
    28 Novembro, 2010 22:57

    Excelências,
    Face à crescente falta de senso, venho explicar a situação académica actual.
    Sou um aluno do Curso de Licenciatura em Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, já adaptado a Bolonha. Resolvo desde já a dúvida quanto à duração do meu curso: são 4 (quatro) anos (e não três, como alguns comentadores referem – só uma universidade, a Autónoma, em Lisboa, ministra o dito “curso” em apenas três anos).

    Leio Eça de Queiroz desde o 5º ano do Ensino Básico e é, sem dúvida, com desgosto que vejo que o lodaçal a que o grande autor já então se referia continua a grassar pelas ruas da capital.
    No 9º ano deparei-me com uma escolha: que área de cursos iria frequentar no Secundário? Escolhi a que me permitia seguir o que sempre desejei ser desde tenra idade, e três anos depois lutava com média de acesso ao Curso de Direito. Fiz até o exame nacional de Filosofia, sabendo mesmo assim que não seria preciso! Entrei com 15,4 valores de média do Secundário, os exames nacionais de Português e História com 18 valores.

    Quanto à limitação da entrada de licenciados imposta pelo Bastonário reeleito, convido as excelências à leitura o artigo 187º do Estatuto da Ordem dos Advogados, que é Direito, vinculativo (só por acaso, visto em Portugal muitos pensarem que o Direito é o que um homem, de preferência rico, quiser). É irritante notar que o Direito que a O.A. produz com base nos poderes públicos que lhe são conferidos não reafirma o que tanto se apregoa… Talvez se deva aplicar uma sanção: a retirada dos poderes público-privados da ordem profissional?

    A O.A. pode aferir os conhecimentos dos licenciados em Direito? Pode, tem esse dever, quanto mais não seja para garantir a qualidade dos mesmos. Alguém dos “aptos” do PREC pode ajudar na correcção das provas?

    Quanto aos auxiliares de memória: digamos que não viram nos vossos exames alguém com eles? De que serve uma “cábula” quando as perguntas não recaem sobre um assunto só mas sobre algo que obriga os alunos a pensar? A punição formal por ser encontrado na posse das ditas é a anulação do teste. A punição material é o descrédito de professores e colegas, é saber que o Curso acabou no dia fatídico em que um papel passou dos bolsos para o Código e entrou em contacto com o campo de visão do Professor vigilante.

    A Licenciatura em Direito forma juristas, forma cidadãos responsáveis e atentos! Se sou bolonhês? Sou português, frequento uma licenciatura adaptada a Bolonha, e não me revejo no actual estado de coisas.

    O exame de acesso ao Estágio da Ordem claramente não me prejudica, pois não são os alunos da minha Faculdade que, bem preparados por anos e anos de Docentes responsáveis e exigentes, fizeram parte dos 10% que passaram? Preocupo-me antes com a tomada de assalto da O.A. por parte de pessoas que não querem concorrência, que não permitem que os que estão dotados de melhores e mais conhecimentos, de mais fundadas competências se afirmem na profissão que,
    contra o que alguns querem, é liberal!

    Se sou uma excepção? Talvez. E como eu há então muitas excepções, que merecem um exame com uma correcção justa e competente!

    Fora com a Ordem de muitos às ordens de uns quantos!!! “E os senhores, fizeram o «exame» para entrar?”

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  64. JMLM's avatar
    JMLM permalink
    29 Novembro, 2010 10:07

    Impedir o acesso ao exercício de uma profissão por parte de uma OA, não é mais do que passar um atestado de incompetência aqueles profissionais que estão nas Universidades a ensinar as gerações futuras. A OA devia era estar atenta à forma como se exerce a profissão, isso sim e deixar de tentar controlar o Ensino. Cortar o acesso ao exercício da profissão não é mais do que praticar uma injustiça, aliás já provada pelos Tribunais Portugueses mais que uma vez. Com que direito é que alguns senhores querem decidir sobre a vida dos outros. Se alguém quer ser advogado, se estudou para isso, se o curso é reconhecido, se obteve a licenciatura, deve é entrar no mercado de trabalho, de forma livre e exercer a profissão de acordo com as regras, aliás como acontece nos sectores profissionais.
    Já temos como maus exemplo os médicos, são sempre muitos, já são demais, no entanto a D. Rosa para ter consulta tem de se levantar às 4H00 da manhã… Tretas.
    É por isso que o País está a ficar profundamente dividido, de um lado os que ganham muito do outro os que nada ganham. Já agora um recado para os que já estão instalados – Deixem de olhar só para o umbigo.

    VIVA PORTUGAL

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  65. Centrista's avatar
    Centrista permalink
    29 Novembro, 2010 18:23

    Tendo em conta as calinadas de Direito que o actual Bastonário dá, talvez os exames devesse começar pelos advogados mais velhos. Como o trabalho hoje em dia é todo feito por estagiários gratuitos (que estagiam durante 3 anos), iamos ter muitas surpresas.
    O problema não é o excesso de advogados – o problema é o recurso a 5000 advogados estagiários gratuitos. Nenhum jovem advogado consegue trabalho porque concorre com trabalho gratuito. O problema é só este, e o Marinho Pinto não pretende acabar com ele…

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  66. Aiken's avatar
    Aiken permalink
    1 Dezembro, 2010 00:27

    José Barros;
    Há mais sociedades lisboetas em situação de insolvência do que advogados de província em divida para com a EDP. Se você tivesse acesso ao PPP de algumas sociedades até ficava envergonhado.
    Mais;
    A sociedade de advogados full service em Portugal ( e por maioria de razão a boutique especializada) não compete no mesmo mercado dos denominados advogados de provincia. “Private clients” e contencioso essencialmente. Clientela fidelizada.

    ps: Já agora em quem votou o José Barros?

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