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a direita que é de esquerda

6 Dezembro, 2010
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Lê-se nos jornais, anda-se pela net, consultam-se meia-dúzia de blogs de «referència» e chega-se sempre à mesma conclusão: em Portugal, a direita é maioritariamente de esquerda. Veja-se, por exemplo, o horror de algumas virgens pudicamente ofendidas pelo facto do nosso salário mínimo ser baixo. O que propõem elas? Que se ponha termo a um expediente legal falacioso e demagógico que inibe a liberdade contratual e impede o acesso de milhares de jovens e desempregados temporários a um emprego ocasional? É claro que não. O que a nossa direita propõe é que o estado aumente o salário mínimo para patamares de «dignidade», ao gosto e ao paladar de cada um dos seus comentadores e articulistas, baseados, sabe Deus, em que contas e em que critérios. O estado a substituir a liberdade individual e contratual, em suma, o mesmo que a esquerda propõe. No meio disto, nem sequer lhes ocorre, quando dizem que é impossível uma empresa competitiva viver de trabalhadores com salários mínimos (e, de facto, não vive), que esse é mesmo o melhor argumento para acabar com ele.

35 comentários leave one →
  1. voaralho's avatar
    voaralho permalink
    6 Dezembro, 2010 02:12

    É a fiar-se nessa liberdade contratual que muita gente verá agora os salários diminuidos, mas eu percebo-te, desde que seja a “tua liberdade” está tudo bem…

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  2. Paulo Franzini's avatar
    Paulo Franzini permalink
    6 Dezembro, 2010 02:36

    Essa de que só por se defender o salário minimo, então já não se é de direita, é de partir a rir. Mas descanse. Não faltam milhares de pessoas a trabalhar a “tempo parcial” com salários de 310€. São todos livres e de direita. Escravos. Mas de direita.
    O aumento do salário minimo faz todo o sentido (ainda que aceite que tal não suceda este ano) desde que acompanhado com uma liberalização dos despedimentos. Desta forma,uma empresa que não que não consiga suportar os vencimentos iliquidos deve falir e sair do mercado. Por outro lado, um colaborador que não ofereça rendimentos que justifiquem a sua manutenção deve ser despedido.
    O salário minimo deve ser o ponto onde começa e acaba a presença do Estado,daí em diante,sim, deve ser entre as partes. Não é perfeito, mas é o que melhor se adapta á nossa realidade…

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  3. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    6 Dezembro, 2010 02:36

    Concordo.
    Acho que os trabalhadores devem ter o poder de escolher a empresa e o patrão que melhor lhes pagar.
    Um patrão que quer pagar abaixo do ordenado mínimo deve ser considerado socialmente um chulo.
    Eu como patrão pago bem e não quero ser considerado chulo.
    Até nos Estados Unidos há salário mínimo.
    Mas aqui, nesta faixa de gaza da península ibérica, os mais entusiastas partidários do «liberalismo», ou são funcionários públicos, ou são boys dos partidos de «direita»….
    Quem já viu uma procissão de confederações patronais a S. Bento, não vê que todo aquele patronato foi formado a mamar do Estado. Receberam e recebem milhões de subsídios dos contribuintes portugueses e europeus e não podem pagar um salário minimo que deve ser o equivalente a uma refeição deles num restaurante de luxo?
    Se eu fosse trabalhadore destes gajos, punha-me logo a cavar!

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  4. Ana's avatar
    Ana permalink
    6 Dezembro, 2010 07:54


    Please watch this. He explains better then us, what minimum wage does to the poor.

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  5. Piscoiso's avatar
    6 Dezembro, 2010 08:45

    Ó pá. essa treta de direita e esquerda são chavões de alguns dinossauros da política, que utilizam velhas gavetas onde arrumam conceitos bafientos.
    Um gajo decide sempre pelos seus próprios interesses e não por cartilhas políticas, como fazem os jotinhas.
    Hoje posso ser conotado com a esquerda e amanhã com a direita, se a defesa dos meus interesses coincidir com esses chavões.
    Fidelidade à ideologia?
    Vá-se catar!

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  6. Daniel Marques's avatar
    Daniel Marques permalink
    6 Dezembro, 2010 08:52

    Caro Rui,
    Fala do salario minimo mas porque fica por aí? Porque nao cancelar outras regras de legislacao laboral ligadas a saude e seguranca no trabalho, horas maximas de trabalho, etc? Liberdade contratual acima de tudo… Mas já agora porque nao fazer o mesmo em relacao às empresas. Porque é limitada a responsabilidade das empresas ao seu capital proprio? Porque nao fazer os donos responder com os seus bens quando as empresas vão à falencia – principalmente nos casos em que nao ha separacao entre gestao e capital?

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  7. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    6 Dezembro, 2010 09:03

    O objectivo é a expulsão dos pobres do País.

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  8. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    6 Dezembro, 2010 09:14

    nem o post nem o autor do dito são para levar a sério.
    o objectivo do sr é, com um post provocador, animar os esclavagistas.

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  9. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    6 Dezembro, 2010 09:31

    O Portela Menos 1 está a ficar animado.

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  10. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    6 Dezembro, 2010 09:32

    «Fidelidade à ideologia?
    Vá-se catar!» Piscoito

    Clap clap clap.

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  11. Trinta e três's avatar
    6 Dezembro, 2010 09:43

    Vocês que se dizem da “verdadeira” direita, vão às fontes. Façam como o António Ferro fez nos anos 30, quando enfiou os directores dos jornais num comboio e os levou a conhecer o “país real”. Comboio é que já não há…

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  12. LR's avatar
    6 Dezembro, 2010 09:44

    Paulo Franzini,

    “Desta forma,uma empresa que não que não consiga suportar os vencimentos iliquidos deve falir e sair do mercado.”
    Perfeito! Fecham-se as empresas por decreto e ficaremos todos melhor. Haverá mais desemprego, mas o nível salarial médio subirá. A chatice é que a produção baixará e esse é o bolo que se distribui…

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  13. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    6 Dezembro, 2010 09:54

    A liberdade é mais um mito.
    .
    Qual é a liberdade de escolha num contexto de desemprego massivo?
    Qual é a liberdade de escolha num contexto de pleno emprego?
    .
    Há uns anos, na decada de 80/90, portugal registava um desemprego na ordem do 3%. Uma espécie de pleno emprego. Como a economia era assente numa industria de baixo valor acrescentado, necessáriamente de baixissimos salários, a liberdade de escolha resultou numa importação massiva de trabalhadores estrangeiros. Mante-se o nivel salarial do operariado com recurso a mão-de-obra de paises que, tambem eles, tinham liberdade de escolha… sujeitarem-se a uma côdea para sobreviver (africanos, leste europeu, etc).
    .
    No que é que resultou a liberdade escolha? em nada. A industria não se desenvolveu para outros patamares tecnologicos. Continuamos na mesma. Perdemos anos-a-fio numa lógica de subcontratação assente em salarios baixos.
    .
    … e não apostamos da diferenciação, no desenvolvimento da marca, no marketing, na I&D, na eficiencia. Afinal de contas, a mão-de-obra assente em salarios baixos é uma força sem formação técnica ou académica, que só pode competir com paises como a china, o bangladesh, a india etc…
    .
    Alguns sectores tradicionais sobreviveram. O calçado por exemplo, mas pouco mais. Embora não conheça o sector, acredito que a resposta não está na politica de salarios baixos, mas antes no investimento em pessoas de qualidade, necessariamente bem remuneradas, que desenvolveram marcas, idealizaram nos produtos e souberam por fim adequar a produção aos anseios dos clientes.
    .
    Ora, tal nunca seria possivel se esses empresarios insistissem na subcontratação, conseuqnetmente em concorrer através do preço, e portanto através de salrios baixos.
    .
    RB

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  14. Daniel Marques's avatar
    Daniel Marques permalink
    6 Dezembro, 2010 10:00

    Caro LR,
    Veja o que aconteceu e continua a acontecer no Vale do Ave. As empresas que nao conseguiram suportar o aumento dos custos salariais faliram. A crise temporaria resultou em centenas de spin-offs e na criacao de milhares de PME para substituir os elefantes de outrora. O facto de algumas empresas sairem do mercado nao acaba com o mercado.
    Nao sei porque custa entender que o salario minimo é como qualquer outra regra que as empresas tem que cumprir. Sao direitos dos trabalhadores que a sociedade troca por outros direitos das empresas que as pessoas nao tem como sejam responsabilidade limitada, reporte de prejuizos para efeitos de impostos, etc.

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  15. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    6 Dezembro, 2010 10:18

    … e o que é que isto tem a ver com esquerdas e direitas?
    NADA.
    .
    Os cerebros do país fogem todos os anos para o estrangeiro. Observo e vejo determinados paises, que até servem de modelo aos liberais, que apostam no contrario. Implentaram politicas de caça de talentos por esse mundo fora. Talentos que aproveitam às induistrias nacionais.
    .
    Nós por cá (por aí, em Portugal), discutimos inutilidades. A liberdade de escolha que um empresario tem em contratar abaixo do minimo dos minimos. Tudo em nome da liberdade de escolha. Enfim, um salario que só interessa mesmo a um tipo do bangladesh ou do congo… mas que alguns, em Portugal, teimam em considerar como o nível salarial adequando para fazer crescer uma industria arcaica que vai concorrer com países que ainda conseguem ter salarios mais baixos.
    .
    Se o salario minimo é alto. As empresas que fechem. Não interessa termos empresas que joguem nesse mercado. Não interessa.
    .
    RB

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  16. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    6 Dezembro, 2010 10:18

    como é que é possível continuar a sustentar empresas e uma economia baseadas em custos salariais baixos? para concorrer com a China?
    o miserável salário mínimo até poderia ser ajustado à economia portuguesa mas num contexto de União a moeda única está construída à imagem e semelhança do Marco alemão; querer comparar o desempenho de GESTÃO E ORGANIZAÇÃO Empresarial entre Portugal e Alemanha é o mito dos neo-liberais.

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  17. Carlos Duarte's avatar
    Carlos Duarte permalink
    6 Dezembro, 2010 10:32

    Caro Daniel Marques,

    No Vale do Ave não há spin-offs, ou PME’s, apenas desemprego crescente. Apesar do o sector têxtil estar a passar actualmente um época bastante boa (fruto da incapacidade de Chinas e Indias produzirem artigos de qualidade adequada em tempos adequados), nas últimas duas décadas foi uma razia.

    A culpa é, em grande parte, dos empresários / patrões do sector que não se prepararam em condições para a abertura dos mercados, que não desenvolveram marcas próprias, continuando a trabalhar “a feitio” (e quando o fizeram, como no caso da Maconde, foram ridicularizados pelos seus concidadãos…). Mas, mais do que isso, a culpa é de um Estado que impõe custos externos absolutamente rídiculos (tarifas de tratamento de águas residuais, por exemplo, em que as empresas estão IMPEDIDAS por lei de tratar os seus próprios resíduos, sendo obrigadas a entregar num colector municipal e pagar € 0,60 por metro cúbico – o que, para uma tinturaria “média”, que produza 50 m3/h de resíduos, 7 dias por semana, são €22.00/mês – quando poderiam tratar internamente a menos de metade desse custo) e, mas do que isso, permite a competição desleal por parte de empresas descapitalizadas (as que não pagam a fornecedores) com um sistema de justiça moroso e desiquilibrado.

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  18. PMP's avatar
    PMP permalink
    6 Dezembro, 2010 10:47

    Ponham mas é os brilhantes economistas e juristas neo-liberais a criar empresas exportadoras em vez de estarem encostados ao estado ou nos sectores de Bens Não Transacionáveis.
    .
    Como é possivel esta malta não entender que à medida que os salários descem a procura total desce e toda a gente perde.
    Se a fisica e a quimica e a engenharia fossem como os economistas neo-liberais ainda estavamos a tentar descobrir a Tabela Periodica e as leis de Newton.

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  19. LR's avatar
    6 Dezembro, 2010 10:59

    Os nossos prezados comentadores decicidamente não entendem que o salário é um preço e que os preços tabelados nunca deram bom resultado. Estabelecer salários mínimos, é o convite mais directo para a deslocalização de empresas. Pelos vistos, é preferível do que manter empregos dentro de portas…

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  20. PMP's avatar
    PMP permalink
    6 Dezembro, 2010 11:10

    LR,
    Você não entende que o custo dos salários minimos no preço de venda dos produtos exportados é muito reduzido ?
    Já viu que muitos países com salários muito mais altos que nós exportam muito mais ?
    .
    O que faz falta é mais empresas exportadoras ou agricolas, mas os brilhantes economistas neo-liberais estão bem encostados ao estado, ou às Brisas e SIBS em vez de criarem empresas exportadoras que paguem o salário minimo pelo menos.

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  21. Farroscal II's avatar
    Farroscal II permalink
    6 Dezembro, 2010 11:24

    Há seis meses fui contratado para recuperar um lacticínio falido com mais de um milhão de dívidas, sem conseguir pagar a fornecedores de sereviços e matéria prima e com um Mês de salários em atraso e com o 13º do ano anterior ainda por pagar. Os diretores diziam que eu tinha que arranjar uma forma de baixar os custos da empresa. Disse NÃO! Juntei fornecedores e disse. Meus amigos, devo não nego, pago quando poder, mas a partir de hoje o que me fornecerem pagarei em dia. Topam? Claro que toparam. Conversei com os funcionários. Gente, devo não nego e pago quando poder, mas a partir de hoje não atraso nem mais um pagamento. Topam? Incrível… toparam. Ok, vamos produzir. O que produzimos? Queijo que toda a gente faz e que é vendido a baixo preço e com pouca margem. Chamei os responsáveis da produção, do comercial. O que fazemos? o que pode ser feito mais barato e vendido mais caro? Onde posso AGREGAR VALOR ao meu produto? deram-me as informações que eu precisava. Hoje vendo menos quantidade, porém com maior valor agregado e faturo o dobro de há 6 meses. Não atrasei mais nenhum pagamento. Em Março vou ter os pagamentos atrasados – os tais do devo não nego pago quando puder -, incluindo os salários e os subsídios, todos em dia. e… pasme-se lá. Vou dar um prémio de produtividade em Abril. Para compensar os funcionários pelo sacrifício que fizeram. Continuem a discutir esquerda e direita, liberalismo e neo liberalismo. Meus Caros… isso é conversa de que não sabe trabalhar, tenta arranjar desculpas para a própria incompetência e não quer deixar trabalhar quem sabe… para não ficarem mal vistos… por isso emigrei para o Brasil. Por isso Portugal está como está.

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  22. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    6 Dezembro, 2010 11:35

    Mais um post repelente.

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  23. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    6 Dezembro, 2010 11:36

    LR, está a chegar lá.
    .
    É isso, empresas cuja viabilidade passa por concorrer com esse tipo de salarios (minimo) ou inferior, como alguns pretendem, que fechem. Não interessam. Consegue-se produzir mais barato na china ou em marrocos.
    .
    Se a ideia, se o modelo de desenvolvimento liberal para Portugal é concorrermos com esses paises, então teriamos de baixar os salarios em 50%, no minimo… enfim, transformarmo-nos no paraiso europeu da produção barata. Por que carga de água haveria eu de investir numa textil em regime de subcontratação e produtos de feira em território Português?
    .
    Só se fosse burro. Consigo mão-de-obra que trabalha a troco de comida noutros paises, não é?
    .
    O mercado globalizado é isto mesmo. Importamos produtos derivados da escravatura, da produção sem restrições ambientais.
    .
    É mais barato. Os consumidores ocidentais gostaram disso. As televisões, os electrodomesticos, a roupa… tudo muito mais barato. Produtos de sangue? não interessa, é mais barato.
    .
    Tão barato que, as industrias que concorrem nesses mercados, não aguentam. Fecham ou deslocalizam-se.
    .
    E continuamos a importar…
    .
    A solução, dizem os liberais Portugueses (exlusivamente), passa por acompanhar os salarios daqueles paises. Baixa-los 50% seria ficar em casa. Concorrencia directa aos chinocas. Mas estes ainda conseguem desvalorizar a moeda, se quiserem. As fabricas ainda escoam detritos à céu aberto.
    .
    Portanto, meus caros, defender a abolição do Salario minimo, parece-me insuficiente. Há que abolir as restrições todas do codigo laboral. Gravidas para rua. Velhos para o velhão. Abolir os custos desnecessarios na area ambiental. Afinal de contas, ainda me lembro, de passar pelo rio AVE de manha e ver o rio azul… e no regresso vê-lo côr-de-rosa.
    .
    RB

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  24. Daniel Marques's avatar
    Daniel Marques permalink
    6 Dezembro, 2010 11:38

    Caro LR,
    Pode enviar-me a lista de paises que nao tem ordenado minimo? Seria tambem interesante saber quais as empresas que decidem deslocalizar-se com base no salarios minimos – normalmente sao os medios que as empresas utilizam para benchmarking.

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  25. Daniel Marques's avatar
    Daniel Marques permalink
    6 Dezembro, 2010 11:45

    Minimum wage law (WIKIPEDIA)
    Main article: Minimum wage law
    First enacted in New Zealand in 1894,[6][7] there is now legislation or binding collective bargaining regarding minimum wage in more than 90% of all countries.[8]

    Minimum wage rates vary greatly across many different jurisdictions, not only in setting a particular amount of money (e.g. US$7.25 per hour under U.S. Federal law, $8.55 in the U.S. state of Washington,[9] and £5.93 (for those aged 21+) in the United Kingdom[10]), but also in terms of which pay period (e.g. Russia and China set monthly minimums) or the scope of coverage. Some jurisdictions allow employers to count tips given to their workers as credit towards the minimum wage level. (See also: List of minimum wages by country)

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  26. Eleitor's avatar
    Eleitor permalink
    6 Dezembro, 2010 14:10

    E para proteger as empresas, porque não estipular o salário máximo?

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  27. Tiago Azevedo Fernandes's avatar
    6 Dezembro, 2010 15:21

    O comentador “jo” complementa bem aqui – http://oinsurgente.org/2010/12/05/salario-minimo-e-os-principios-economicos-mais-basicos/#comment-82196 :
    “Não existir salário mínimo em situações de desemprego alto vai levar à degradação dos salários até ao nível do trabalhar para comer. Dizer que alguém escolhe livremente um salário de 200,00 € é forçar um pouco a nota, Só escolhe aquele salário quem não tem alternativa.
    Nesta questão fala-se pouco no outro lado da empresa, o dono. Este tal como o trabalhador, pretende o maior benefício com o mínimo esforço. Se poder melhorar a produtividade baixando os salários nunca correrá o risco de otimizar ou mudar processos de produção. Continuará a baixar salários até ao mínimo possível. Nessa altura terá perdido competividade definitivamente junto de economias que se modernizaram mais cedo. Ao mesmo tempo para escapar à tensão social criada pela situação só terá um remédio: a repressão (modernizar deixará de ser opção pois já está irremediavelmente ultrapassado).
    Esta é a receita aplicada em Portugal durante muitos anos e não trouxe o desenvolvimento esperado.
    Tenho pena de nunca ver as pessoas que dizem que o trabalho é pouco produtivo em Portugal nunca se interrogarem das razões de levam a termos quase só patrões e não termos empresários (explicações daquelas que dizem que é assim porque os portugueses são assim são ridículas).”

    o que eu já escrevi sobre isto: http://oinsurgente.org/2010/12/05/salario-minimo-e-os-principios-economicos-mais-basicos/#comment-82189

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  28. LR's avatar
    6 Dezembro, 2010 17:10

    Daniel Marques,

    “Pode enviar-me a lista de paises que nao tem ordenado minimo?”

    Para mim é mais relevante uma lista com a % de pessoas que auferem o salário mínimo em cada país. Se o salário mínimo efectivo num determinado país é superior ao legal, então este não serve para nada, é como se não existisse. Não será propriamente o caso de Portugal, o que indicia a nossa débil produtividade. E isto (a relação directa entre produtividade e salário) é coisa que custa a entender a muita gente.

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  29. PMP's avatar
    PMP permalink
    6 Dezembro, 2010 17:29

    LR,
    A questão do salário minimo é um tema que vem do sec. XIX e que tem implicações macroeconómicas além das éticas ou morais.
    .
    A questão macroeconómica é que a procura vem antes da oferta, o que implica perceber que a procura vem do dinheiro que os trabalhadores ganham, por isso quanto mais ganharem mais gastam e mais se produz, podendo criar-se um ciclo positivo de crescimento económico.
    .
    O salário minimo é uma barreira à descida dos salários dos menos qualificados ou menos aptos, que assim ganham mais do que ganhariam sem essa barreira e assim gastam mais, sendo possivel manter a economia num estado de maior procura.
    É importante perceber o caso geral para depois passar para o caso Português.
    .
    Como conseguir ter muitas mais e maiores empresas competitivas com este salário minimo que é baixo na Europa, sem poder desvalorizar a moeda ?

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  30. LR's avatar
    6 Dezembro, 2010 18:37

    PMP,

    A sua teoria não é mais que um keynesianismo requentado, acreditar que a economia cresce impulsionada pela despesa. Porque não aumentamos então o salário mínimo para 1.000 euros? Ou para 5.000? Quanto mais alto, tanto melhor ficaríamos…

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  31. PMP's avatar
    PMP permalink
    6 Dezembro, 2010 18:48

    LR,
    A economia monetária cresce por um aumento da procura, por definição, não existe outra forma.
    Não é uma teoria é um facto.
    .
    Explique lá como pode ser de outra forma ?
    .
    O aumento da procura num momento nunca deve ser superior à capacidade instalada para produzir senão provoca inflação, e inflação alta leva a uma diminuição do poder de compra real dos trabalhadores menos qualificados, pois têm pouca força para reeinvidicar aumentos de salários.
    .
    Por isso não falei em aumento de salários reais, mas apenas na sua manutenção.
    .
    Como nas ciências, é preciso perceber o caso geral, para depois poder adaptar ao caso português com o euro.

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  32. LR's avatar
    6 Dezembro, 2010 19:30

    PMP,

    “A economia monetária cresce por um aumento da procura, por definição, não existe outra forma.
    Não é uma teoria é um facto.”

    O facto é que nos últimos anos tem sido exactamente ao contrário. E daí a crise em que estamos mergulhados.

    “O aumento da procura num momento nunca deve ser superior à capacidade instalada para produzir senão provoca inflação, e inflação alta leva a uma diminuição do poder de compra real dos trabalhadores menos qualificados, pois têm pouca força para reeinvidicar aumentos de salários.”
    Mas como pretende você monitorar esse equilíbrio? Isso foi o fracasso da planificação quinquenal socialista. Alterações da procura irão existir sempre, os gostos e preferências dos consumidores estão em constante mutação. No imediato, é o ajustamento dos preços relativos que reequilibra. O ajustamento da oferta virá depois. Mas nada disto se decreta. Por isso os preços (salários incluídos) não devem ser tabelados, sob pena de impedir ajustamentos rápidos.

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  33. PMP's avatar
    PMP permalink
    6 Dezembro, 2010 19:47

    LR,
    Eu não digo que os salários devem ou não ser aumentados, apenas que deve existir um salário minimo para impedir uma queda da procura a longo prazo, em que ninguem beneficia.
    Até digo que os salários no sector público não devem ser superiores aos equivalentes no sector privado.
    .
    A monitorização da inflação é fácil de fazer e é feita com muita frequência em qualquer país moderno, como todos sabemos.
    .
    Além da inflação o outro indicador macroeconómico essencial é o nivel de desemprego.
    O que fazer com os 600 mil desempregados, quando acabar o subsidio de desemprego ?.
    .
    A questão macroeconómica fundamental é como evitar que quebras na procura resultem em recessões profundas.
    Essa questão foi resolvida em geral por Keynes, porque os economistas Neo-Clássicos não tinham resposta, porque não perceberam o sentido da causalidade : primeiro vem a procura !
    .
    repare que até a Alemanha mantém deficit publicos, mas como exporta não tem problema.
    o problema portugues á a impossibilidade de manter ad-eterno um deficit externo elevado.

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  34. brmf's avatar
    brmf permalink
    10 Dezembro, 2010 10:11

    A questão é se deve existir ou não salário mínimo nacional. Quanto ao valor, a questão parece-me clara: a existir deve ser num “patamar mínimo de dignidade”. Mais: gostava que muitos dos que criticam o aumento do SMN para o tal “patamar mínimo de dignidade”, seja lá o que isso for, vivessem um mês, um mês, não peço mais, com 450€.

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